A Organização das Nações Unidas, ONU, alertam que o financimenro da resposta humanitária em Mocambique garente apenas 30% das necessidades deste ano, numa altura que se estima que o terrorismo tenha provocado mais de 28 mil deslocados, so este.
O mais recente relatório do Gabinete das Nações Unidas para Assuntos Humanitários aponta que Moçambique continua a debater-se com múltiplas crises simultâneas, impulsionadas pelos impactos de eventos climaticos e pelo terrorismo.
Moçambique continuou a enfrentar desafios humanitários sobrepostos em julho de 2026, impulsionados pelos deslocamentos relacionados com o conflito no norte, pelas necessidades contínuas de recuperação após cheias severas e pelo aumento dos riscos de seca associados ao El Niño, refere o documento citado pela RPT Noticias.
Quanto ao terrorismo, as Nacoes unidas relatam que só em Julho deste ano, cerca de 1.979 pessoas foram deslocadas devido ao conflito armado, elevando para 28.163 o número de deslocados registados desde o início do ano.
“O Plano de Necessidades e Resposta Humanitária, da ONU, de 2026 requer 534 milhões de dólares (34,176 mil milhões de meticais), mas apenas cerca de 160 milhões de dólares (cerca de 10,2 mil milhões de meticais) tinham sido mobilizados até Julho, encontrando-se assim financiado em apenas 30% face às necessidades totais”, refere a organização.
O relatório alerta igualmente para um novo risco climático relacionado com o fenómeno El Niño, que pode comprometer a produção agrícola e agravar a insegurança alimentar durante a próxima época chuvosa, de outubro a abril.
“O El Niño deverá agravar a segurança alimentar durante a época chuvosa de 2026/27. As previsões apontam para precipitação abaixo da média e aumento do risco de seca, particularmente no sul e centro de Moçambique, lê-se no relatório”, explicou.
As Nações Unidas mostram-se ainda preocupadas com a situação humanitária em Gaza, onde a organização diz ter registado 176% mais casos de malária face ao mesmo período de 2025.
Mais de 30 mil pessoas foram retiradas das suas residências em Pequim, devido à passagem do tufão Doksuri, pelo sul e centro da China. As províncias e regiões próximas poderão ser afectadas por chuvas torrenciais até quarta-feira.
Informações recentes indicam que pelo menos duas pessoas morreram, esta segunda-feira, em Pequim. As autoridades permanecem em alerta devido ao risco de inundações, em consequência das chuvas intensas.
Devido aos efeitos do tufão, que atingiu o sul e o centro da China na última sexta-feira, os meteorologistas preveem que a capital, Pequim, e o norte do país possam estar debaixo de chuvas, as mais fortes em mais de 10 anos.
O Centro Meteorológico Nacional da China manteve o alerta vermelho para tempestades no domingo.
Antes de atingir a China, o Tufão Doksuri provocou 14 mortos e mais de 300 mil desalojados nas Filipinas.
O papa Francisco pediu, este domingo, à Rússia que reverta sua decisão de abandonar o acordo de grãos do Mar Negro, segundo o qual permitiu à Ucrânia exportar grãos de seus portos marítimos, apesar da guerra em andamento no Leste Europeu.
“Apelo aos meus irmãos, às autoridades da Federação Russa, para que a iniciativa do Mar Negro seja retomada e os grãos transportados com segurança”, disse o pontífice durante sua mensagem semanal do Angelus.
O Papa voltou a pedir orações pela martirizada Ucrânia “onde a guerra destrói tudo, até os cereais” e considerou que “esta é uma grande ofensa a Deus, porque os cereais são o Seu dom para alimentar a humanidade, e o grito de milhões de irmãos e irmãs famintos sobe ao céu”.
Dirigindo-se à multidão na Praça de São Pedro, o papa encorajou os fiéis a continuarem rezando “pela martirizada Ucrânia, onde a guerra está destruindo tudo, até os grãos”, chamando isso de “um grave insulto a Deus”.
A 17 de julho, Moscovo suspendeu o acordo de exportação de cereais através do Mar Negro a partir dos portos ucranianos, inicialmente assinado em julho de 2022 com a mediação da Turquia e da ONU.
Assegurou que o fazia pela impossibilidade de exportar os seus cereais e fertilizantes, pelo bloqueio dos seus pagamentos bancários e o congelamento dos seus ativos no estrangeiro.
A Rússia saiu do acordo do Mar Negro após dizer que suas exigências para aliviar as sanções sobre suas próprias exportações de grãos e fertilizantes não foram atendidas. Moscou também reclamou que não chegavam grãos suficientes aos países pobres.
Na semana passada, o presidente russo, Vladimir Putin, ofereceu-se para fornecer grãos à África, alguns deles de graça, mas o presidente da União Africana, Azali Assoumani, respondeu que isso “pode não ser suficiente”.
Doze pessoas morreram, durante o fim-de-semana, devido à onda de calor que atinge a Coreia do Sul, há uma semana. Esta informação foi partilhada hoje pelas autoridades sul-coreanas, que alertaram para as altas temperaturas que se vão sentir no país.
Segundo o Notícias ao Minuto, que cita a Yonhap, a principal agência de notícias da Coreia do Sul, as autoridades meteorológicas sul-coreanas alertaram que são esperadas para esta segunda-feira temperaturas entre os 29 e 35 graus Celsius em quase todo o território, com a sensação térmica a ultrapassar esta barreira, pedindo prudência à população.
A agência meteorológica nacional declarou que a onda de calor deve continuar nos próximos dias e as temperaturas podem subir mais de 2 graus entre a terça-feira e a quarta-feira.
Segundo dados publicados pelo jornal The Korea Herald, desde 20 de Maio, mais de mil pessoas tiveram de ser socorridas por doenças relacionadas ao calor, das quais cerca de 200 foram atendidas nos últimos dias.
As autoridades também alertaram para a possibilidade de quedas de energia devido ao aumento da demanda por eletricidade em meio à onda de calor.
O internacional moçambicano, Genny Catamo, esteve em destaque, domingo, na vitória do Sporting diante do Villarreal, por 3-0, resultado que valeu a conquista do Troféu Cinco Violinos pelos “Leões”.
Lançado ao jogo aos 56′ para o lugar de Esgaio, apontado como seu concorrente, Genny Catamo deu conta do recado, fazendo algumas incursões que criaram desequilíbrios. E, porque está confiante e em boa forma, aos 75’, numa jogada iniciada por Daniel Bragança, fez assistência para o terceiro golo do Sporting na partida.
Os outros golos do clube leonino neste embate foram marcados por Edwards (44′) e Pedro Gonçalves (72′).
Aliás, na sua avaliação à prestação do talentoso jogador, o jornal “A Bola” escreveu “moçambicano Catamo com pormenores a deixar água na boca e uma assistência fantástica”.
A prestigiada publicação portuguesa refere ainda que Genny Catamo é um “presente com excelente embrulho”. E não se fica por aí na análise ao desempenho do internacional moçambicano: “Era um quase um ilustre desconhecido até cerca das 21 horas de ontem mas depois entrou ao estilo de presente para os adeptos, começou a embrulhar adversários, soltou o génio e, após drible cheio de ginga, entregou o terceiro golo ao adversário. O canhoto foi lateral direito e promete mundos e fundos: até ao momento, na pré-época, três golos e uma assistência”, lê-se no sítio da internet.
Citado pela página do Sporting, Ruben Amorim disse que “ganhou a confiança em todos os treinos”. Nesse sentido, Rúben Amorim sublinhou a ideia do passado: “O treinador não escolhe equipas, são eles próprios que escolhem jogar e eu estou aqui para fazer o meu trabalho, que é fazê-los crescer”.
O jogador que esteve cedido ao Marítimo está a ser avaliado, mas foi definido por Rúben Amorim que é para contratar um jogador para o lugar que foi de Porro. O extremo moçambicano tem sido trabalhado a ala direito.
O Sporting CP regressa a casa no dia 12 de Agosto, no primeiro jogo do Campeonato Nacional que disputará frente ao FC Vizela. Antes disso, ainda há jogo de pré-temporada, mas em Inglaterra, no dia 5, diante do Everton FC.
Clésio bisa na goleada do Honka sobre Oulu (4-1)

Tarde, mais uma, de sonho para o internacional moçambicano Clésio Baúque, jogador que evolui no FC Honka da I Liga da Finlândia.
Domingo, em jogo da 17ª jornada da competição, Clésio Baúque assinou o “bis” com tentos marcados aos 26’ e 66’. A prestação de Baúque foi, de resto, determinante para que o Honka alcançasse a sexta vitória na presente temporada.
Aldayir Hernandéz, aos 53’, e Jonathan Muzinga, contribuíram também para esta goleada que coloca o Honka na 6ª posição na tabela classificativa com 23 pontos, numa prova que é liderada pelo SJK com 35.
Clésio Baúque volta a entrar em cena no próximo dia 7 de Agosto, quando a sua equipa medir forças com o Lahti, actual 10º classificado com 15.
Esta temporada, Clésio Baúque já marcou seis golos ao serviço do FC Honka em 17 partidas que a equipa disputou, totalizando, neste momento, 952 minutos.
O internacional moçambicano estreou-se a marcar na 5ª jornada, assinando, aos 29’, um dos tentos da sua equipa na vitória sobre o FC Lahti, por 3-0.
A 22 de Maio, Clésio liderou o Honka para a vitória (3-1) diante do AC Oulu, em desafio inserido na 8ª jornada da I Liga Filandesa de Futebol.
Clésio Baúque começou por fazer uma assistência, aos 31’, para Juan Alegria empatar a partida uma vez que o FC Honka estava em desvantagem desde os 12’.
Já na segunda parte, ou seja, aos 47’, Baúque encheu o pé com a bola a ir parar no fundo das malhas da baliza do Oulu.
Depois, à passagem do minuto 64, o internacional moçambicano concluiu da melhor forma a uma assistência de Mateo Ortiz. A 15 minutos do final da partida, Clésio Baúque foi substituído quando a vitória já estava consumada.
Celebra-se hoje, 30 de Julho, o Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, um crime que faz milhares de vítimas em todo o mundo. Apesar dos poucos casos registados no país, só na semana passada, em Nampula e Zambézia, dois menores de idade foram vítimas deste crime.
O primeiro caso teve lugar no passado dia 27, na província de Nampula, quando um jovem de 21 anos de idade decidiu vender o seu irmão para ficar “rico”, depois de ter conversado com um amigo, ao qual questionou como podia fazer para enriquecer.
“O meu amigo respondeu que havia várias maneiras de ficar rico, por exemplo ir ao curandeiro, para matar alguém e fazer sacrifício, então respondi que tenho um irmão e podia vendê-lo”, contou o indiciado.
Em resposta, o amigo disse-lhe que procuraria um “patrão” para comprar o menor e, quando o encontrou, o preço acordado foi de 500 mil Meticais, estando a vítima viva ou morta (os órgãos), e o indiciado aceitou a proposta.
A vítima de 16 anos narrou que o seu irmão o tirou de casa de madrugada, depois que pediu que o acompanhasse à casa de um amigo, e este, sem desconfiar, assim o fez.
“Quando lá chegámos (à casa do suposto amigo), vi os líderes comunitários fazerem ligações, depois das quais fui levado à polícia e depois ao distrito de Rapale”, partilhou o jovem.
O esquema foi desvendado por um cidadão contactado, por engano, pelo traficante, que informou, de imediato, os líderes comunitários.
Segundo a Polícia, em Nampula, na voz de Dércio Samuel, não há dúvidas de que se tratava de tráfico de seres humanos.
“O que mais nos preocupou é que o indiciado teria afirmado categoricamente que não importava a vida do seu irmão, o importante era o valor que ele precisava, que são 500 mil Meticais, e dependeria do cliente se precisaria do menor vivo ou morto e isso é mais agravante”, referiu Dércio Samuel.
A polícia diz continuar a trabalhar para “tirar da linha” estes indivíduos que se envolvem no tráfico de pessoas.
Dois dias depois, um outro caso veio à tona. Desta vez, na província da Zambézia. O caso deu-se quando um menor de oito anos, que saía da escola para casa, foi interceptado por um homem de 28 anos de idade.
“Ele chegou e disse vamos juntos, vou dar-te cinco Meticais, mas recusei. Ele carregou-me e meteu-me num ‘txopela’. Tentei gritar, mas fechou-me a boca”, recordou o menor, que acrescentou que, passados alguns minutos, a Polícia os interceptou e, assim, foi salvo.
O indiciado alega que decidiu cometer este crime por falta de emprego. Nas suas buscas por trabalho, encontrou um amigo que lhe disse que tinha alguém que precisava de uma criança. Assim mantiveram contacto e iniciaram as negociações.
Pretendia-se que a criança fosse vendida por um milhão de Meticais, mas o valor foi reduzido para 700 mil.
O porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na Zambézia, Maximino Amílcar, explicou que o crime foi frustrado porque as linhas operativas já tinham informação sobre um suposto tráfico de menor.
“Era suposto que este crime fosse consumado na semana passada. Numa das mensagens que trocava com o suposto comprador perguntava se queria uma criança viva ou morta, e isso nos preocupa. Só ontem voltou a comunicar-se com o suposto comprador, tendo solicitado 500 Meticais para levar a criança até aqui, na cidade. Na altura que ele chegou, já estavam lá homens da nossa força operativa, que o prenderam”, detalhou Amílcar.
O tráfico de pessoas no país tem, na maior parte das vezes, três finalidades: a venda de órgãos, exploração sexual ou exploração laboral. Na maior parte das vezes, as vítimas são levadas para Tanzânia, África do Sul e o Reino de eSwatini.
Segundo o último informe da Procuradoria-Geral da República, em 2022 foram registados apenas três processos de tráfico de pessoas, sendo dois referentes à exploração sexual e um à exploração laboral.
Os indiciados são encontrados, mas fica a questão: afinal quem são os mandantes destes crimes e por que motivo nunca são apresentados?
O seleccionador nacional de basquetebol, Carlos Aik, diz que as características do adversário é que irão ditar a estratégia a usar na segunda fase do Campeonato Africano. Já as atletas garantem que o grupo de trabalho está motivado para a competição.
Com um espectador especial nas bancadas da BK Arena, o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, acompanhado pelo homólogo ruandês, Paul Kagame, Moçambique justificou o estatuto de um dos candidatos a atingir os lugares de pódio no “Afrobasket”.
Aliás, a vitória confortável sobre as guineenses garante o segundo lugar no grupo “B” da competição, posição que coloca como possíveis adversários nos “play-offs” de acesso aos quartos-de-final as selecções nacionais de Angola, Costa do Marfim ou Ruanda. O alinhamento dos jogos somente será conhecido com a conclusão da fase de grupos.
“Relativamente ao que aí vem, teremos de ver quem é que nos vai calhar. Em princípio, nós vamos ficar em segundo lugar no nosso grupo. Teremos mais um jogo que aquilo que era, inicialmente, a nossa pretensão, que passava por ficar em primeiro no grupo. Com o fim da fase de grupos, vamos começar a idealizar aquilo que é a nossa forma de jogar em função dos adversários que vamos ter pela frente.”
Se no primeiro jogo com os Camarões a selecção nacional acusou níveis de ansiedade, apresentou-se com baixo nível de concretização de lançamentos longos e cometeu muitos “turnovers”, no segundo já esteve melhor em alguns dados estatísticos. Isto, claro, tendo em conta a diferença em termos de qualidade entre os Camarões e a Guiné-Conacri.
“Basicamente, aquilo que mudou foi a nossa actuação. O que pode ter corrido mal, tivemos a capacidade de resolver hoje (sábado). É verdade que a equipa adversária também permitiu. É uma equipa relativamente acessível para nós, mas também tivemos de trabalhar para construir o resultado. Não entramos bem na sexta-feira, perdendo muitas bolas. Falhámos muitos lançamentos, mesmos lançamentos fáceis. Julgo ter sido a ânsia e o nervosismo de ser o primeiro jogo que fez com que a nossa actuação não fosse melhor”, analisou o seleccionador nacional de basquetebol sénior feminino.
ATLETAS APONTAM PARA MELHORIAS NA EQUIPA
Na próxima fase, que arranca no dia 1 de Agosto, não há espaço para erros até porque será a eliminar. Ciente desta realidade, o grupo de trabalho projecta melhorias para se alcançar o objectivo traçado para esta competição.
“Eu acredito que mudamos o nosso “mind set”. Depois da derrota com os Camarões, percebemos que tínhamos de ajustar algumas coisas como a defesa e os movimentos ofensivos. Saíram naturalmente”, analisou Chanaya Pinto.
Sobre a etapa do “mata-mata”, onde qualquer erro pode ser fatal, a atleta diz que a receita passa por “manter a mesma postura que tivemos nos jogos 1 e 2”.
Olhando para os dois jogos então realizados pela selecção nacional de basquetebol sénior feminino, a extremo não tem dúvidas: Estamos a crescer jogo após jogo. E temos que perceber que todos que estão aqui podem chegar a final”.
Para Ingvild “Inga” Mucauro, extremo e uma das apostas de Carlos Aik no “cinco” inicial, “é sempre motivador, pois, depois da derrota precisávamos disso”.
Mucauro considera que o segredo esteve na capacidade da equipa em “acertar os erros cometidos” na estreia no “Afrobasket” 2023. “Os jogos estão a começar, temos de melhorar aquilo que são os nossos erros e defeitos que apresentámos no jogo com Camarões”, acrescentou Ingvild “Inga” Mucauro.
Destacou-se no jogo com Guiné-Conacri, arrancando 25 pontos e cinco ressaltos, mas não chama a si, nem tão pouco, o protagonismo na vitória que devolveu alguma tranquilidade à selecção nacional. Pelo contrário, Leia “Tanucha” Dongue destaca o colectivo. “Primeiro, [quero] deixar claro que o objectivo é sempre comum. Na sexta-feira, não conseguimos ganhar o jogo. Assumo as minhas responsabilidades e não vou transferir para ninguém. Independentemente de me ter destacado, o objectivo principal é sempre o grupo”.
Agora, há que começar a pensar na fase a eliminar do Campeonato Africano de basquetebol sénior feminino. “Independentemente dos adversários, o campeonato já provou que não tem favoritos. Vai ser duro. Podemos cruzar com a Costa do Marfim e, se assim for, vamos fazer de tudo para vencer”, prometeu. Os dois primeiros classificados do Campeonato Africano qualificam-se para o Torneio Pré-Olímpico, uma das etapas de acesso aos Jogos Olímpicos Paris 2024.
Muçulmanos xiitas apelam à coesão com os sunitas para acabar com as injustiças de que são vítimas, entre os quais os raptos.
Vestidos de preto simbolizando o luto e a tristeza, um grupo de cidadãos moçambicanos saiu à rua este domingo para marchar e manifestar-se pelo fim das injustiças de que são vítimas no país e no mundo. Momed Fauzio, que fazia parte da passeata, teceu críticas sobre a forma como os muçulmanos se têm relacionado.
“Os muçulmanos estão mais separados do que nunca. Existem várias seitas no Islão. Eu chamo a nossa comunidade muçulmana, no geral, à união, porque Deus todo-poderoso disse: ‘assegurem-se todos e não se separem’, mas, se formos a ver, hoje nos separamos”.
Estes muçulmanos condenam a queima do seu livro sagrado, o alcorão, facto registado recentemente na Suécia. “O nosso alcorão está hoje a sofrer uma terrível ameaça, existem pessoas que estão a tentar queimar o alcorão. É por isso que nós viemos à rua para dizer que este alcorão é o guia dos muçulmanos”, considera Momed Fauzio, líder religioso.
Juntaram-se à marcha pessoas de várias idades que professam a religião islâmica. A ocasião serviu também para lembrar um dos episódios negros da religião, que consistiu na morte há mais de 1200 anos do neto do profeta Mohamed.
O escritor foi homenageado este sábado à tarde, na Feira do Livro de Maputo. Na sua intervenção, Mia Couto manifestou o desejo de que o evento organizado pelo Conselho Municipal beneficie jovens artistas, que muitas vezes não têm qualquer apoio para criar.
A literatura é um lugar de encontros. Segundo entende Mia Couto, é na arte da palavra que se estabelece essa linha de costura de tempos e de diferenças entre pessoas. Logo, um escritor nunca se apresenta sozinho. Pelo contrário, “O escritor é feito a partir de outros, é feito a partir dessa costura, desse ponto de encontro que o faz ser, ao mesmo tempo, ele próprio e tanta outra gente, tantas outras histórias, tantas outras vozes e tantos outros silêncios”.
Numa intervenção a oscilar entre o poético e o filosófico, bem a condizer com as características das suas obras, Mia afirmou que não vê a homenagem do Conselho Municipal de Maputo como um gesto que se destina a si, “mas a todos os que me fizeram ser quem sou. Alguns deles estão aqui. Portanto, eu tenho de partilhar esse mérito com a família, em primeiro lugar, com os amigos, com os colegas escritores e colegas biólogos, que me ajudam a ser quem eu sou”. E ainda reforçou: “Nós só somos quem somos se estivermos disponíveis para escutar os outros”.
Na sua intervenção, o escritor não se esqueceu do seu berço. “Eu não sou desta cidade, sou da Cidade da Beira. Como sabem, esse é o meu território fundador. A Cidade de Maputo recebeu-me quando eu tinha 17 anos e é como se esta cidade me tivesse adoptado”.
Adoptado ou não, Mia Couto vive na capital do país há 51 anos, o que lhe permite analisar as tendências redutoras dos munícipes locais. “Pensamos que a cidade termina ali, onde começa a periferia, mas esta cidade tem duas cidades, quase como todas as cidades do mundo, e há um grande risco de a outra cidade, que começa do outro lado, nessa outra fronteira, se tornar invisível. Mas nós temos de saber que há milhares de pessoas que cruzam essa fronteira, da periferia para o centro da cidade, como se fossem emigrantes, porque não encontram nesse outro lugar onde vivem uma maneira de sobreviver com emprego ou um lugar para se fazerem existir”. Disse, Mia, sem deixar de se incluir entre os munícipes que pensam dessa maneira: “Eu próprio avaliou o trabalho do senhor Presidente do Conselho Municipal por este território pequeno, e esqueço-me que Maputo é bem maior, que este Conselho Municipal tem de tratar também desse outro território que, para muitos maputenses, é um lugar não visível”.
Na opinião do escritor, Maputo tem vivacidade cultural que poucas cidades possuem. Também por essa razão, “Uma festa como esta, uma feira do livro como esta, deve ajudar que se tornem visíveis esses que vivem na sombra, que fazem cultura, que fazem arte. São centenas de jovens e que não têm apoio de ninguém, mas que não desistem de lutar, de fazer. Porque não podem cruzar os braços. As pessoas da cultura, infelizmente, não podem entrar em greves, porque isso seria como desistir da nossa própria existência”.
Sem deixar de se referir ao precursor da poesia moçambicana, Mia Couto sublinhou que “A obra de Rui de Noronha nos diz que a literatura é produtora de eternidade. É por isso que o Rui, por causa das palavras que ele fez, está aqui e venceu a barreira do tempo”.
Na sessão de homenagem, o escritor foi acompanhado pela esposa Patrícia, pelo irmão Fernando, pelos filhos Madyo, Luciana e Rita, e pelos netos. Tendo-lhes agradecido por contribuírem para pessoa que é, advertiu: “Estes meus familiares que estão aqui são poucos. Disseram-me que tinha de trazer alguns. Mas os Coutos são muitos. Estou a dizer isto quase como um alerta, porque o meu amigo Ungulani ba ka Khosa disse-me que tinha criado este nome literário porque, Ungulani ba ka Khosa quer dizer diminuam os Khosas. Eu acho que é preciso tomar atenção e, talvez, adoptar a expressão Ungulani ba ka Couto, porque os Coutos já são muitos demais”.
Magda de Noronha agradeceu, esta sexta-feira, ao Conselho Municipal de Maputo, por distinguir, a título próstomo, o poeta Rui de Noronha. O precursor da poesia moçambicana morreu há 80 anos, vítima doença.
No segundo dia da Feira do Livro de Maputo, a neta de Rui de Noronha, Magda de Noronha, revelou aos participantes do evento que, durante muitos anos, a pessoa e a obra do precursor da poesia moçambicana foram realidades distantes de si e dos seus irmãos. Por um lado, o facto de o pai de Magda de Noronha ter falado do poeta com muita admiração e carinho, não aproximou os seus filhos à figura do avô. Por outro, “a avó, que connosco passou a viver em 1976, não falava muito sobre Rui de Noronha, falecido, recorde-se, em 1943”.
Ora, apesar de viver em Portugal, segundo esclareceu a neta de Rui de Noronha, a dimensão africana, por assim dizer, nunca foi esquecida, mas estava, de certa forma, adormecida. Aliás, foi nos últimos 25 anos, já depois do falecimento dos seus pais, em 1993, que, através da tia, Elsa de Noronha, vivamente apaixonada pela obra do pai e pessoa incontornável na análise e divulgação passaram a conhecer a obra do poeta. “E foi com essa paixão da nossa tia Elsa que a africanidade nos chegou, e chegou-nos fortemente, precisamente, com o reconhecimento que fomos tendo da obra do nosso avó tão impregnada, que é de África, pelos seus sentimentos, pelos seus anseios e da sua mundividência”, disse Mgada de Noronha, no momento em que, no pódio, interveio em nome da sua família em relação à Distinção Autárquica com a Medalha Acácia Rubra de Excelência. E ainda acrescentou: “Mas só hoje, aqui, realizamos toda a admiração da sua obra e estatura de poeta, as quais a comunidade moçambicana, hoje, presta tributo e nós, os netos, nos vergamos. Hoje somos nós que despertamos para África e perante nós a África surge e é boa”.
Para a neta de Rui de Noronha, falando em nome da família, “É, pois, com muito orgulho e com imensa alegria, que aqui estou, em representação do meu pai, da minha tia e dos meus irmãos. Agradecemos a esta homenagem póstuma a Rui de Noronha”.
Como que a responder ao gesto municipal, a família Noronha ofereceu ao Conselho Municipal de Maputo o espólio do precursor da poesia moçambicana.
Intervindo na cerimónia, o professor de Literatura e ensaísta, Francisco Noa, sublinhou que Rui de Noronha deixou um registo indelével na literatura moçambicana, por ter feito da sua escrita um equilíbrio entre a expressão poética e social. “Não deixou de olhar para questões sociais, ligadas, normalmente, às pessoas e às camadas mais marginalizadas da sociedade. Preocupou-se com os magaizas, com os velhos que não tinham condições. Mas também preocupou-se com uma ideia de África”.
No mesmo registo que Noa, Eneas Comiche acrescentou que “Rui de Noronha soube usar da arte da palavra para manifestar a sua posição contra as atrocidades coloniais”