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Universidade Licungo lança programa de doutoramento

A Universidade Licungo lançou oficialmente, esta sexta-feira, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende

Universidade Licungo lança programa de doutoramento

A Universidade Licungo lançou oficialmente, esta sexta-feira, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) apela à condução prudente e à correcta sinalização de veículos imobilizados nas estradas, na sequência de dois acidentes de viação ocorridos na sexta-feira, nas províncias de Maputo e Manica.

Em comunicado, o INATRO apresentou as suas sentidas condolências às famílias das vítimas e alertou para a necessidade de reforçar os cuidados na circulação rodoviária, sobretudo em situações de avaria ou imobilização de veículos nas vias públicas.

A instituição sublinha que a desobstrução das estradas ou a devida sinalização de obstáculos é fundamental para prevenir acidentes e preservar vidas humanas nas estradas. 

A instituição explica que, o veículo de passageiros circulava no sentido Manica/Messica, com destino à cidade de Chimoio, quando embateu violentamente contra a traseira direita do camião, que se encontrava estacionado na faixa de rodagem.

De acordo com o trabalho preliminar realizado pela equipa técnica conjunta no terreno, a causa provável deste acidente terá sido a falta de utilização do sinal de pré-sinalização de perigo por parte do camião imobilizado, associada à velocidade excessiva do veículo pesado de passageiros.

A instituição considera igualmente essencial que os condutores, em caso de avaria, retirem os veículos da faixa de rodagem sempre que possível ou procedam à sua correcta sinalização, de modo a evitar novos acidentes.

O INATRO informa que a peritagem aos dois acidentes prossegue, com vista ao apuramento das reais causas dos sinistros.

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, e a antiga Presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, que representa o Presidente da República nas cerimónias, estão entre as personalidades presentes no último adeus a Dom Júlio Duarte Langa, em Chongoene, província de Gaza. Macamo destacou o contributo do cardeal para o desenvolvimento do país, numa cerimónia que reúne membros do Governo, dirigentes políticos, representantes da Igreja Católica e milhares de fiéis.

As cerimónias fúnebres de Dom Júlio Duarte Langa reúnem, este sábado, em Chongoene, diferentes figuras da vida política, institucional e religiosa do país.
Entre os presentes está o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, que se deslocou à província de Gaza para prestar a última homenagem ao cardeal moçambicano.
A antiga Presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, participa nas cerimónias em representação do Presidente da República. Na ocasião, destacou o papel desempenhado por Dom Júlio Duarte Langa no desenvolvimento do país, salientando o seu contributo para a sociedade moçambicana.
“Dom Júlio Langa deu um contributo muito importante para o progresso do nosso país”, afirmou Verónica Macamo, durante a homenagem, caso esta seja a formulação exacta da declaração.
A presença de figuras de Estado acompanha a mobilização de milhares de fiéis, familiares, amigos e membros da comunidade católica, que se deslocaram a Chongoene para acompanhar os actos fúnebres.
As cerimónias tiveram início na Sé Catedral de Xai-Xai, com momentos de oração, seguindo-se a deslocação para Chongoene, onde decorrem os actos centrais da despedida.
Dom Júlio Duarte Langa foi o primeiro bispo moçambicano de Xai-Xai e o segundo cardeal do país. Ao longo do seu percurso na Igreja Católica, destacou-se pela liderança religiosa e pela intervenção em diferentes momentos da vida social moçambicana.
A sua morte, aos 98 anos, mobilizou diferentes sectores da sociedade, que se juntam à comunidade católica para prestar o último adeus ao cardeal.
Em Chongoene, autoridades, representantes religiosos e milhares de fiéis acompanham as cerimónias numa homenagem a uma figura que marcou a história da Igreja Católica e da sociedade moçambicana.

Milhares de fiéis, familiares, sacerdotes e autoridades participam, este sábado, nas cerimónias fúnebres de Dom Júlio Duarte Langa, em Gaza. A despedida começou às sete horas, na Sé Catedral de Xai-Xai, com orações, seguindo-se o cortejo para o Santuário de Nossa Senhora de Lurdes de Chongoene, onde decorre a missa de corpo presente. O sepultamento está previsto para depois da celebração. Primeiro bispo moçambicano da Diocese de Xai-Xai e segundo cardeal do país, Dom Júlio Langa morreu aos 98 anos, depois de quase sete décadas de sacerdócio.

A Sé Catedral de Xai-Xai acolheu, às primeiras horas deste sábado, milhares de fiéis que se juntaram para prestar a última homenagem a Dom Júlio Duarte Langa. As orações de despedida começaram às sete horas, antes da saída do cortejo fúnebre para o Santuário de Nossa Senhora de Lurdes de Chongoene.

A chegada do cortejo a Chongoene marca a segunda etapa das cerimónias, que reúnem membros do clero, familiares, autoridades e fiéis provenientes de diferentes pontos da província de Gaza e de outras regiões do país.

No Santuário de Nossa Senhora de Lurdes decorre a missa de corpo presente, presidida pelo Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís Miguel Muñoz Cárdaba.

A celebração contempla a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, seguindo-se a oração de encomendação. A cerimónia é acompanhada por momentos de homenagem e mensagens de reconhecimento ao percurso de Dom Júlio Duarte Langa no seio da Igreja Católica em Moçambique.

Depois da celebração religiosa, está previsto o sepultamento do cardeal no próprio santuário, local ligado ao percurso pastoral do antigo bispo de Xai-Xai.

A cerimónia acontece no fim de uma vida marcada por quase sete décadas de sacerdócio e por uma trajectória que se cruza com diferentes momentos da história da Igreja e de Moçambique.

Dom Júlio Duarte Langa nasceu a 27 de Outubro de 1927, em Mangunze, e foi ordenado sacerdote a 9 de Junho de 1957.

Depois de exercer diferentes funções pastorais, foi nomeado, em 1976, bispo da então Diocese de João Belo pelo Papa Paulo VI. Meses mais tarde, a diocese passou a designar-se Xai-Xai, fazendo de Dom Júlio Langa o primeiro bispo moçambicano da Diocese.

Permaneceu à frente da Diocese durante 28 anos, entre 1976 e 2004. O período do seu episcopado foi marcado por profundas transformações no país, incluindo a independência nacional, a guerra civil e o processo de paz e reconstrução.

Ao longo desse percurso, acompanhou comunidades afectadas pela pobreza, epidemias e calamidades naturais, mantendo uma intervenção pastoral que marcou a Diocese de Xai-Xai.

Em 2004, deixou o governo pastoral da Diocese e passou à condição de bispo emérito.

Onze anos depois, em 2015, voltou a marcar a história da Igreja Católica em Moçambique. No Consistório de 14 de Fevereiro, o Papa Francisco criou-o cardeal, tornando-o o segundo moçambicano a receber a dignidade cardinalícia, depois do Cardeal Alexandre José Maria dos Santos.

A sua ligação à Igreja estendeu-se também ao trabalho de tradução de textos do Concílio Vaticano II para línguas moçambicanas, contribuindo para aproximar a mensagem da Igreja das comunidades locais.

Dom Júlio Duarte Langa deixa, assim, um percurso de quase 70 anos de sacerdócio, 28 dos quais dedicados à liderança da Diocese de Xai-Xai.

Aos 98 anos, o Cardeal Emérito de Xai-Xai é homenageado por milhares de fiéis em Chongoene, numa cerimónia que reúne a Igreja, familiares e representantes de diferentes sectores da sociedade moçambicana.

O sepultamento, previsto para depois da missa de corpo presente, deverá marcar o encerramento das cerimónias fúnebres de uma das figuras de referência da Igreja Católica em Moçambique.

As autoridades repatriaram, no primeiro semestre deste ano, 59 cidadãos estrangeiros que se encontravam em situação ilegal na província de Tete, no centro do país.

Dos cidadãos repatriados, 57 são de nacionalidade etíope e dois são malawianos. Segundo o porta-voz da Direcção Provincial do Serviço Nacional de Migração (SENAMI) em Tete, os estrangeiros entraram ilegalmente em Moçambique através de distritos fronteiriços com o Malawi, a Zâmbia e o Zimbabwe.

José Xavier explicou que os cidadãos foram localizados durante operações de fiscalização realizadas nos distritos próximos das fronteiras com aqueles países. Depois de concluídos os procedimentos com as demais entidades competentes, os estrangeiros foram repatriados.

O responsável apelou às comunidades para colaborarem com as autoridades, denunciando casos de estrangeiros que se encontrem em situação irregular na província, como forma de contribuir para o combate à imigração ilegal.

José Xavier apelou igualmente aos cidadãos estrangeiros para que regularizem a sua situação migratória em Moçambique.

A repatriação ocorre numa altura em que as autoridades moçambicanas procuram reforçar o controlo migratório. No dia 30 de Julho, o Presidente da República, Daniel Chapo, orientou o Serviço Nacional de Migração a intensificar o controlo migratório e o combate à imigração ilegal nos postos fronteiriços, através do recurso a tecnologias modernas e da formação permanente dos membros da força paramilitar.

Moçambique partilha extensas fronteiras com seis países da África Austral, nomeadamente Malawi, Zâmbia, Zimbabwe, Tanzânia, África do Sul e Essuatíni, enfrentando desafios no controlo das entradas não autorizadas no território nacional.

Nove pessoas morreram e outras 11 ficaram feridas, na sequência de um acidente de viação envolvendo um camião de carga e um transporte semi-colectivo de passageiros. O sinistro ocorreu na noite desta sexta-feira, no posto administrativo de Messica, distrito de Manica.

As autoridades distritais confirmaram a ocorrência, mas referem que ainda decorre o levantamento de informação para o apuramento das circunstâncias em que o acidente aconteceu.

Em declarações ao nosso jornal, o administrador de Messica, Paulo Quembo, lamentou a tragédia, afirmando que o sucedido apanhou as autoridades de surpresa. “Estamos a lamentar. É uma situação que nos põe de surpresa. Ainda não temos detalhes, mas estamos a acompanhar a situação no local”, declarou.

Segundo o administrador, neste momento os esforços estão concentrados no socorro às vítimas que sobreviveram ao acidente. “Estamos a trabalhar para ver se conseguimos recuperar aqueles que ainda estão em vida e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para socorrer a todos”, afirmou.

Perante mais este acidente mortal nas estradas, o administrador de Messica apelou aos automobilistas para que observem rigorosamente as normas de condução, sobretudo durante a noite.

“Num período de noite, a condução deve ser sempre defensiva. Preocupa-nos a perda de vidas humanas e, nesta altura, ainda não sabemos quais foram os motivos que levaram à ocorrência deste acidente”, concluiu.

Cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez, segundo um estudo do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que aponta as adolescentes e a falta de apoio dos parceiros como alguns dos principais factores associados a essa realidade.

A investigação concluiu que 24,5% das 1.546 mulheres inquiridas afirmaram não se ter sentido felizes quando souberam que estavam grávidas. Entre as adolescentes, essa percentagem ascendeu a 42,2%, enquanto entre as mulheres cujos parceiros manifestaram insatisfação com a gravidez atingiu 74,5%. Já entre aquelas que não mantinham diálogo com os companheiros sobre questões reprodutivas, a proporção foi de 48,9%.

O estudo analisou dados recolhidos entre 2023 e 2024 através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv), implementado no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane.

Segundo os investigadores, as principais razões apontadas pelas mulheres para a falta de satisfação com a gravidez foram o facto de esta não ter sido planeada (30,2%), tratar-se de uma gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que poderia trazer para as suas vidas (17,7%). Foram ainda referidos o curto intervalo entre gravidezes e a decisão de não querer ter mais filhos.

Entre as participantes que afirmaram ter recebido a notícia com felicidade, as razões mais frequentes foram o desejo de ter um filho (34,1%), a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa (28,5%) e a vontade de aumentar a família (24,7%).

O estudo avaliou igualmente a reacção dos parceiros. Cerca de 16,9% das mulheres indicaram que os companheiros não ficaram satisfeitos com a gravidez. Nestes casos, as razões mais apontadas foram tratar-se de uma gravidez indesejada (30,2%), não planeada (29,0%) ou ocorrer pouco tempo após uma gravidez anterior (3,4%).

Entre os parceiros que acolheram positivamente a gravidez, 43% manifestaram o desejo de ter um filho, 21,8% afirmaram querer aumentar a família e 12% preparavam-se para ser pais pela primeira vez.

Apesar de 97,3% das mulheres referirem que os parceiros aceitaram a gravidez, o estudo identificou situações de rejeição. Entre os companheiros que recusaram assumir a gravidez, 39% não quiseram aceitar responsabilidades parentais e 34,2% alegaram não ser os pais da criança. Cerca de 26,2% das mulheres abandonadas durante a gravidez afirmaram desconhecer os motivos dessa decisão.

Para Ariel Nhacolo, os resultados evidenciam a necessidade de reforçar intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros, promovendo uma abordagem centrada no casal.

“A comunicação entre os parceiros, o apoio emocional e o envolvimento de ambos nas decisões relacionadas com a gravidez são factores determinantes para melhorar a saúde materna e infantil”, refere o investigador.

A investigação identificou igualmente as adolescentes como o grupo mais vulnerável, apresentando níveis mais elevados de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.

Os autores defendem que uma melhor compreensão da forma como as mulheres vivem emocionalmente o início da gravidez poderá contribuir para o reforço dos programas de saúde materna e infantil, recomendando uma maior participação dos parceiros nas consultas pré-natais e nas acções de aconselhamento, bem como uma atenção reforçada às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.

O estudo foi desenvolvido no âmbito da Rede CHAMPS, financiada pela Fundação Gates através da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Além do CISM, participaram investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do ISGlobal, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade de Barcelona, da Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou consternação pela morte do jornalista António Jorge Zacarias, ocorrida esta sexta-feira, na cidade de Inhambane, vítima de doença, e considera que o seu desaparecimento representa uma perda para a comunicação social moçambicana.

O Chefe do Estado endereçou uma mensagem de condolências à família do jornalista, que trabalhava para o semanário Magazine Independente e era membro activo do Sindicato Nacional de Jornalistas, SNJ.

Na mensagem, Daniel Chapo destaca o contributo de António Zacarias para o exercício da profissão jornalística e para o fortalecimento da comunicação social no país, numa altura em que o seu desaparecimento está a gerar manifestações de pesar entre profissionais da comunicação social e pessoas que acompanharam a sua trajectória.

Para o Presidente da República, a morte do jornalista representa uma perda para um sector que considera fundamental para a promoção do direito dos cidadãos à informação e para a consolidação da sociedade moçambicana.

António Jorge Zacarias desenvolveu grande parte da sua actividade jornalística na província de Inhambane, onde trabalhou durante vários anos como correspondente do Magazine Independente. Ao longo da carreira, ficou também conhecido pela cobertura de assuntos ligados à governação local e aos problemas sociais enfrentados pelas comunidades.

A sua trajectória foi igualmente marcada pela defesa da liberdade de imprensa e pelo jornalismo de proximidade, dando visibilidade a assuntos que afectavam directamente as populações e assumindo posições públicas sobre questões sociais da província.

Na mensagem divulgada esta sexta-feira pela Presidência da República, Daniel Chapo apresenta condolências, em nome do Governo, do povo moçambicano e em seu próprio, à família enlutada, aos colegas do Magazine Independente, amigos e restantes profissionais da comunicação social.

O Presidente da República manifesta ainda solidariedade à família de António Zacarias e deseja-lhe conforto e força para enfrentar a perda do jornalista.

António Jorge Zacarias morreu esta sexta-feira, no Hospital Provincial de Inhambane, vítima de doença. O seu desaparecimento encerra uma trajectória de vários anos dedicada ao jornalismo, com particular incidência na cobertura da realidade política e social de Inhambane.

 

Morreu esta sexta-feira, no Hospital Provincial de Inhambane, vítima de doença, o jornalista António Zacarias, uma das vozes que durante anos marcaram o jornalismo feito a partir da província de Inhambane. Correspondente do Magazine Independente, Zacarias construiu uma trajectória particularmente ligada à denúncia de injustiças sociais, à fiscalização do poder e à defesa da liberdade de imprensa, mantendo-se interventivo mesmo quando o exercício da profissão o colocou perante ameaças e intimidações.

Durante vários anos, António Zacarias acompanhou de perto a realidade política, social e económica de Inhambane, levando para as páginas do Magazine Independente assuntos que afectavam directamente as comunidades e dando espaço a problemas que nem sempre encontravam lugar no debate público. 

Foi, sobretudo, um jornalista que não se limitava aos acontecimentos oficiais. A governação local, as condições de vida das populações, as alegadas irregularidades envolvendo instituições públicas e os problemas enfrentados pelas comunidades estiveram entre os assuntos que marcaram o seu trabalho. Essa postura acabaria também por fazer de Zacarias um dos nomes associados à luta pela liberdade de imprensa em Inhambane.

Um relatório sobre o Estado da Liberdade de Imprensa e de Expressão em Moçambique documenta, por exemplo, que o jornalista recebeu ameaças de morte por telefone depois da publicação de matérias sobre alegados casos de corrupção no Município da Maxixe. O episódio tornou-se um dos exemplos das pressões enfrentadas por profissionais da comunicação social no exercício da fiscalização do poder.

Anos depois, Zacarias voltaria a enfrentar directamente essas dificuldades. Em 2022, enquanto cobria um conflito envolvendo a Polícia Municipal e vendedores informais nas proximidades do mercado Tsuwula, na Maxixe, agentes policiais tentaram retirar-lhe o telefone com que registava os acontecimentos e confiscaram temporariamente a sua carteira profissional. O jornalista recusou entregar o equipamento e o caso acabaria denunciado publicamente pelo MISA Moçambique como uma limitação ao exercício da actividade jornalística.

Mais do que episódios isolados, estes acontecimentos ajudam a retratar uma carreira construída num contexto em que fazer jornalismo local significava, muitas vezes, estar próximo dos problemas e das pessoas que raramente conseguiam fazer ouvir a sua voz.

Mesmo nos últimos anos, António Zacarias manteve essa intervenção pública. Em Dezembro de 2024, pronunciou-se sobre as reivindicações de jovens das zonas produtoras de gás de Inhassoro e Govuro, defendendo maior investimento em iniciativas económicas e mais oportunidades para as populações que vivem nos territórios onde a riqueza é extraída.

Era uma preocupação que atravessava boa parte da sua trajectória, na qual sempre procurava colocar no centro do debate aqueles que normalmente permaneciam à margem dele.

A morte de António Zacarias representa, por isso, a perda de um profissional cuja história se confunde com parte da própria caminhada recente do jornalismo em Inhambane. Um jornalismo feito longe das grandes redacções nacionais, próximo das comunidades e, muitas vezes, exercido em condições difíceis.

Ao longo da carreira, Zacarias conheceu a pressão que pode acompanhar quem questiona o poder, mas continuou a fazer da palavra e da reportagem instrumentos para denunciar injustiças, amplificar preocupações das comunidades e defender o direito de informar.

António Zacarias morreu esta sexta-feira, no Hospital Provincial de Inhambane, vítima de doença. Fica uma trajectória marcada pelo jornalismo de proximidade, pela defesa das causas sociais e, sobretudo, pela convicção de que a liberdade de imprensa só tem verdadeiro significado quando também serve para dar voz a quem dificilmente consegue ser ouvido.

 

O Ministério Público (MP) em Gaza defende que existem provas “abundantes e suficientes” para levar a julgamento os cinco arguidos no caso de alegado desvio de ajuda humanitária, avaliada em mais de 300 mil meticais. Na audiência preliminar, realizada na manhã desta sexta-feira, o MP pediu igualmente a manutenção da prisão preventiva, alegando perigo de fuga e risco de obstrução da investigação.

O caso remonta ao final de Fevereiro, quando o alegado desvio de ajuda humanitária, avaliada em mais de 300 mil meticais, desencadeou a detenção de um total de nove altos dirigentes, entre os quais Argilância Chissano, então administradora do distrito de Xai-Xai, e Dora Artur, directora do gabinete da antiga governadora de Gaza.

Na audiência preliminar realizada na manhã desta sexta-feira, no Tribunal Judicial da Província de Gaza, o Ministério Público defendeu que existem provas abundantes e suficientes nos autos para sustentar a acusação contra os cinco arguidos que respondem actualmente ao processo e submetê-los a julgamento.

A acusação defende ainda a manutenção da prisão preventiva dos cinco arguidos, fundamentando o pedido no alegado perigo de fuga e no risco de obstrução da investigação.
Segundo o Ministério Público, persistem tentativas de utilização do poder ou influência por parte dos indiciados para interferir no curso da investigação e condicionar a produção de provas.

Entre os elementos apresentados pela acusação estão alegadas tentativas de influenciar ou comprar testemunhas em secretarias distritais e junto de estruturas dos governos distritais, com o propósito de obter declarações favoráveis aos indiciados e colocar em causa as provas já reunidas no processo.

No processo, Argilância Chissano é apontada pelo Ministério Público como autora moral dos crimes de associação criminosa, abuso de cargo ou função para apropriação de bens e peculato.

Manuel Agostinho Maciel é apontado como autor moral e material dos crimes de abuso de cargo ou função e peculato.
Já Dora Artur é considerada cúmplice, por alegadamente ter permitido que produtos desviados fossem guardados na sua residência, sendo-lhe imputados igualmente crimes de abuso de cargo ou função e peculato.

Teasse é apontado como cúmplice nos crimes de associação criminosa e abuso de cargo ou função, enquanto Dionísio Maciel é acusado de cumplicidade no crime de peculato.
Com base nestes elementos, o Ministério Público diz manter a acusação e considera haver prova suficiente nos autos para que os cinco arguidos sejam submetidos a julgamento.

A acusação sustenta que a manutenção da prisão preventiva é necessária para evitar uma eventual fuga e impedir que os arguidos, em liberdade, possam interferir na investigação, influenciar testemunhas ou comprometer provas que sustentam o processo.

As alegações do Ministério Público deverão agora ser apreciadas pelo Tribunal Judicial da Província de Gaza, que deverá pronunciar-se sobre a evolução do processo e a situação processual dos cinco arguidos.

No entanto, a defesa sustenta que as acusações apresentadas pelo Ministério Público contra os indiciados não têm fundamento e defende que os mesmos não sejam pronunciados. Os advogados argumentam que os produtos em causa estavam alocados em residências protocolares e consideram que a alegação de um prejuízo de 827 mil meticais ao Estado, por si só, não constitui prova suficiente para sustentar as acusações.

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