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O Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) pretende descentralizar a gestão e exploração dos sistemas públicos de abastecimento de água para o sector privado.

A necessidade de alargar a gestão para os parceiros privados surge pelo facto de o Governo prever, para 2024, o fornecimento de água a 80% da população urbana, cerca de 5.1 milhões de pessoas. Para alcançar a referida meta, serão necessários 941 milhões de dólares, um valor de que o fundo não dispõe, por isso a abertura para outros parceiros, designada Criação das Sociedades Comerciais Regionais do FIPAG.

Até ao momento, o FIPAG acumula funções, o que torna frágil a sua gestão e, segundo o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MORHPH), João Machatine, o FIPAG, por si só, pode não conseguir alcançar esse objectivo.

“Com a entrada do sector privado, rapidamente conseguiremos alcançar as metas e a parceria, que se pretende, não é única e exclusiva sob ponto de vista monetário, mas também sob o ponto de vista de know How”, explicou João Machatine.

A proposta já foi aprovada pelo Conselho de Ministros e o passo seguinte é a sua publicação no Boletim da Republica. Conforme o Ministro, seguir-se-á a reorganização do FIGAP no sentido de criar as referidas sociedades em diferentes regiões do país.

Serão, ao todo, quatro sociedades comerciais regionais de abastecimento de água, sob forma de sociedades anónimas, nomeadamente, Águas da Região Norte, SA, Águas da Região Centro, SA, Águas da Região Sul, SA e Águas da Região Metropolitana de Maputo, SA.

A participação das empresas será por via de um concurso público e, numa primeira fase, será gerida a 100% pelo FIPAG, que deverá alienar as suas participações até ao limite de 49% para o sector privado.

“Temos que garantir que esta sociedade tenha uma gestão rigorosa e transparente e, para que isto seja garantido, é necessário que o processo de selecção dessas entidades seja bem elaborado e equacionamos a possibilidade de estas sociedades poderem estar registadas na Bolsa de Valores de Moçambique”, avançou o Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

O envolvimento do sector privado, nesta sociedade, está previsto para o primeiro semestre de 2022 e, neste momento, segue a preparação do processo e o mapeamento das reais necessidades.

A 23 de Junho, decorrerá a conferência de financiadores para a mobilização de investimentos previstos para o sector, que, até agora, ronda aos 900 milhões de dólares.

A parceria tem como objectivo, ainda, a cobertura de abastecimento de água para mais de oito milhões de pessoas até 2030, orçada em 1.2 mil milhões de dólares.

Após cinco dias de aparente “trégua”, o novo Coronavírus voltou a matar. Hoje, o Ministério da Saúde anunciou a ocorrência de mais dois óbitos e 21 novas infecções.

As vítimas fatais foram dois homens, todos de nacionalidade moçambicana, de 64 e 71 anos de idade, cujas mortes ocorreram ontem. Esta segunda-feira, o país soma 828 mortes em consequência da infecção pela COVID-19.

Dos 21 indivíduos que testaram positivo, 12 são do sexo masculino e nove do sexo feminino. Entretanto, trata-se de cidadãos nacionais e as infecções resultaram de transmissão local.

Actualmente, existe um cumulativo de 70.463 casos positivos já registados, dos quais 70.147 de transmissão local e 316 importados.

Há, ainda, mais seis pacientes recuperados do vírus. De acordo com as autoridades de saúde, “todos os casos recuperados, hoje anunciados, são indivíduos de nacionalidade moçambicana”.

O total de indivíduos recuperados atingiu 68.731, que corresponde a 97.5% de todos os casos diagnosticados.

Em 24 horas, seis pessoas foram hospitalizadas e duas tiveram alta. Deste modo, o número de doentes acamados passa a ser 23.

O número de casos activos do novo Coronavírus no país subiu para 900.

Os deslocados internos devido ao terrorismo em Cabo Delgado devem ter condições básicas de sobrevivência, defende Isaura Nyusi que, também, apela à atenção aos mais afectados pelos efeitos da COVID-19. A Primeira-dama está reunida em Maputo com os cônjuges dos governadores e Secretários provinciais e outros quadros das instituições do Estado.

Durante dois dias em Maputo, os cônjuges dos governadores provinciais e secretários de Estado farão o balanço das actividades realizadas em 2020 e no primeiro trimestre deste ano.

No encontro, serão planificadas as acções a levar a cabo nos próximos tempos à luz do Plano Estratégico do Gabinete da Primeira-dama (2020-2024).

“A nossa reunião de planificação realiza-se num momento em que o país enfrenta vários desafios sociais, resultantes do terrorismo em Cabo Delgado e dos efeitos da pandemia da COVID-19 que requerem uma maior atenção e esforços redobrados em todas as áreas e, particularmente, na área social. A nossa atenção deverá ser centrada em assegurar as condições básicas de vida, como abrigo, comida, água, saneamento, protecção às pessoas mais vulneráveis entre os deslocados, mulheres, crianças e idosos”, exorta a Primeira-dama.

Tendo em conta estes desafios, as próximas actividades devem ser planificadas e orçamentadas, segundo defendeu a esposa do Chefe do Estado que, também, quer resultados nas acções executadas.

“É necessário imprimir uma maior dinâmica, introduzindo inovações onde se justificar na implementação de actividades previstas de modo a alcançar os resultados desejados. Como colaboradores do Gabinete, devemos lançar as mãos ao trabalho com foco aos resultados que possam fazer a diferença na vida das populações que servimos”, reiterou.

No arranque, esta segunda-feira, da reunião de dois dias, foi lançada ainda a revista “Paz” cuja publicação será semestral. Na ocasião, a ministra da Cultura e Turismo, que apresentou o veículo de comunicação social, disse que a “revista visa reportar as acções levadas a cabo pelo Gabinete da Primeira-dama no combate à pobreza e em várias áreas de actuação da esposa do Presidente da República”.

Um dos parceiros de cooperação, a UNESCO, reafirmou a continuidade de apoio àquele Gabinete. A Reunião Nacional de Planificação das actividades do Gabinete da Esposa do Presidente da República, com os cônjuges dos Secretários de Estado e Governadores provinciais, mas também alargada a outros quadros, decorre sob o lema: “Mostrando resiliência em face da COVID-19, com base nos ganhos do passado e aprendendo com os desafios do presente”.

O cidadão baleado, supostamente, por um agente do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), no passado sábado, na Beira, já está fora de perigo e os familiares continuam a exigir que a justiça seja feita, tendo em conta que o autor do crime está, aparentemente, impune.

A vítima, que responde pelo nome de Valindo Reginaldo, disse que, minutos antes do baleamento, se encontrava na companhia de um amigo, por sinal, um guarda-fronteira, próximo da sua residência a conversarem. O agente do SERNIC, que é o seu vizinho, estava a caminhar na rua, em direcção à sua casa quando se aproximou aos dois.

“Ele primeiro cumprimentou-nos e perguntou quem era a pessoa que estava comigo. Expliquei-lhe que era um amigo e um elemento das Forças de Defesa e Segurança. Infelizmente, o meu vizinho, aparentemente embriagado, alegou que ele era um malfeitor. Iniciou uma acesa discussão entre o meu vizinho e o meu amigo. Na tentativa de amainar os ânimos, o agente do SERNIC sacou a pistola e disparou vários tiros. De repente, desmeai e, quando despertei, estava numa sala de tratamento”, explicou Reginaldo.

Tal como os seus vizinhos, Reginaldo referiu, também, que o agente em causa tem um comportamento que preocupa o bairro onde vivem.

“Ele viola mulheres e, com recurso à sua arma, ameaça as suas vítimas e os vizinhos que tentam levar os casos à justiça, principalmente quando está sob efeito de álcool. A manifestação do sábado, no meu bairro, visava pôr fim a estes maus tratos”.

Nesta segunda-feira, os familiares dirigiram-se à Segunda Esquadra, na cidade da Beira, para exigir justiça, porque o agente em causa apenas ficou detido por algumas horas no passado sábado.

O SERNIC confirmou o envolvimento de um dos seus agentes no caso do baleamento em alusão. Alfeu Sitoe, Porta-voz do SERNIC, garantiu que o agente já foi detido e correm, neste momento, dois processos, um criminal e outro disciplinar.

De seguida, Sitoe avançou novos dados sobre o caso, tendo explicado ainda que a investigação preliminar concluiu que “o nosso colega, naquela madrugada depois de a vítima tê-lo cumprimentado e chamado pelo seu pseudónimo, Weia, o elemento da guarda-fronteira pôs-se a rir e a zombar-se de si.

“Nisto, o nosso colega, que saía de mais uma jornada laboral, sacou a pistola e o agente de guara-fronteira saltou e segurou-lhe o braço. Na tentativa de evitar que a arma fosse arrancada e aquela pressão também contribuiu para que fossem disparados seis tiros. Uma das balas atingiu a vítima na parte lateral da barriga e a bala saiu do outro lado, atingindo o braço”.

Regressou ao convívio familiar, Depesh Ramesh, filho de um empresário, raptado por volta das 19H30, no dia 25 de Abril, na cidade de Chimoio. A informação foi avançada, na manhã desta segunda-feira, por Francisco Simões, comandante provincial da Polícia em Manica.

Segundo a fonte, Depesh Ramesh, raptado há cerca de três semanas quando pretendia fechar a porta da sua viatura defronte da sua residência, voltou ao convívio familiar, graças a uma negociação da sua família com os raptores, um processo sobre o qual o comandante da Polícia em Manica diz não ter detalhes.

“Há falta de colaboração por parte dos familiares da vítima, que não conseguem trazer as informações para a PRM ou SERNIC, de modo a apoiar-nos no nosso trabalho”, disse Simões, revelando preocupação em relação às famílias das vítimas que vedam, à Polícia, as informações que podiam facilitar a neutralização de raptores.

Foram raptados, em Chimoio, de Agosto de 2018 a esta parte, cinco empresários e todos regressaram ao convívio familiar em processos de resgate não tornados públicos.

O comandante da Polícia em Manica, que falava à margem das celebrações dos 46 anos da criação da PRM, referiu, por outro lado, que a corporação está a fazer de tudo para garantir a ordem e segurança públicas. Tendo anunciado, na ocasião, que as Forças de Defesa e Segurança estão empenhadas na captura de Mariano Nhongo, líder da Junta Militar da Renamo, que, num passado recente, criou instabilidade nas províncias de Manica e Sofala.

O consumo excessivo de sal é considerado uma das principais causas da hipertensão em Moçambique, doença que se não tratada a tempo, pode causar danos graves, até mesmo levar a morte.

“Devido ao consumo excessivo de sal, sem que a pessoa se aperceba, aos poucos a pressão arterial sobe e pode levar a danos como o Acidente Vascular Cerebral-AVC, insuficiência renal ou ainda a perda parcial ou total da visão”, disse a Cardiologista Irina Banze, durante o espaço de entrevista do ″Manhã informativa″, na Stv Notícias, que falava a propósito do Dia Mundial da Hipertensão, que se assinala hoje, 17 de Maio.

O envelhecimento, a obesidade, as diabetes, o sedentarismo são as outras causas apontadas pela médica, que esclareceu ainda que, antigamente, devido aos hábitos de vida e o tipo de alimentação, as pessoas apenas contraiam a hipertensão como consequência da velhice, actualmente, existem casos de adolescentes e jovens hipertensos.

“Este facto é provocado, principalmente, por causa do sedentarismo das novas gerações, que muito cedo já estão acima do peso, contraem a diabetes e, consequentemente são susceptíveis à hipertensão”, disse.

Porque a hipertensão pode levar a morte, a cardiologista aconselha as pessoas, independentemente da idade, a pautarem por uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos, reduzir o consumo de sal e controlar o peso.

Um alerta especial vai para as mulheres grávidas, pois segundo a médica, existe o risco de as gestantes contraírem a hipertensão durante a gravidez. Por isso apela o redobrar dos cuidados.

O dia Mundial da Hipertensão tem por objectivo criar debates sobre a importância da prevenção, da detecção e do tratamento da hipertensão, como causa principal das doenças cardiovasculares e de morte prematura, em todo o mundo.

Os criadores de gado da província de Maputo suspeitam da existência de uma nova doença que está a dizimar o gado bovino. Só no ano passado, mais de 600 cabeças morreram. Mesmo com o arranque da vacinação obrigatória, os criadores exigem uma investigação profunda para que se possa perceber o que há por detrás das mortes.

Com uma população de gado bovino estimada em 101. 370, Magude vive, nos últimos tempos, a ameaça das doenças que estão a dizimar os animais. A nossa reportagem deslocou-se ao distrito adentro à procura de homens que vivem do gado. Depois de quatro horas de viagem, chegámos à Fazenda Belo Horizonte, propriedade que abrange 1260 hectares e que pertence a Alexandre Navingo. Preocupado com o fenómeno de mortes, o criador teme perder as suas 253 cabeças.

Navingo que é, igualmente, Presidente da Associação de Criadores de Gado de Magude, disse que o cenário de mortes se repete todos os anos e estima que, nos últimos 5 anos, mais de 10 mil cabeças morreram devido a doenças. “Posso arriscar que, nesta altura, 75 porcento dos criadores do distrito estão a ter perdas devido à falta de vacinação do seu gado”, descreveu.

Para acabar com o fenómeno, no dia 10 de Abril deste ano, Celso Correia, Ministro da Agricultura, lançou a campanha de vacinação gratuita do gado. Mas, apesar de oportuna, os criadores consideram que a iniciativa foi tardia. “Se formos a notar, as mortalidades começaram no mês de Fevereiro para cá. A questão que colocamos é: essas vacinas vêm para prevenir ou para curar? Questionou o criador.

Segundo Navingo, o problema começou a agudizar-se depois de 2015, período caracterizado por uma seca severa. A situação tornou-se ainda pior, porque, na altura, o Governo deixou de dar a assistência aos criadores através da distribuição gratuita de vacinas. Em relação às doenças, os criadores dizem que o Governo não lhes dá a certeza do que está, efectivamente, a acontecer.

“Eu suspeito que não seja teleriose a causa dessas mortes, pode ser algo diferente. Já fizemos vários tratamentos para ver se ultrapassamos esse constrangimento, mas não está a surtir efeitos. Há necessidade de as autoridades de investigação pecuária fazerem um esforço para descobrirem a causa real dessa situação, porque não há desenvolvimento. Procurei fazer a minha investigação e tenho fortes suspeitas de que não se trata de teleriose ou pode ser teleriose associada a uma outra patologia como o botulismo”, avançou.

Com 500 cabeças, Azar Novunga é um dos criadores de referência do distrito. Devido a doenças, nos últimos meses, perdeu quatro cabeças. “Além da vacinação, o Governo deveria apoiar-nos com a investigação do que está a acontecer com o nosso gado. Várias vezes procuramos, através dos nossos recursos, medicar os animais, mas, vezes sem conta, não se recuperam e morrem”, repisou o criador.

Criadores de Namaacha também registam mortes

O problema não afecta apenas os criadores de Magude. A nossa reportagem pegou a estrada e viajou para o interior do distrito de Namaacha. Se os grandes criadores têm capacidade para comprar medicamentos, tal facto não acontece com os criadores do sector familiar. Gerson Chilaule é disso um exemplo.

“Essa doença é bastante perigosa. Ao sair do curral, o animal cai. É uma doença rápida. Quando os animais têm essa doença, defecam fezes com sangue. Eu tinha 24 cabeças e só fiquei com seis”, manifestou a sua tristeza o criador que disse que gostava de ter o controlo da situação.

“Às vezes, os animais morrem na mata durante a pastagem. Muitas vezes, os pastores não conseguem localizar o animal no mesmo dia. Quando os animais desaparecem, entramos na mata e encontramos já em decomposição”, relatou.

As lamentações repetem-se. Olímpio Chavango, residente em Mafuiane, que, nos últimos meses do ano passado, perdeu 14 cabeças, disse que a situação é agravada, porque a doença é rápida e fatal. “O animal não fica abatido, ele apresenta-se bem fisicamente, mas, quando deixa de comer e beber, é o sinal de que já está muito doente e em dois dias morre”.

Governo desmente existência de doença nova e culpa criadores pelas mortes 

O “O País” procurou as autoridades da Pecuária da província de Maputo para perceber a razão das mortes do gado. A chefe do sector, na Direcção Provincial da Agricultura, começou por reconhecer a existência das mortes. “No ano passado, tivemos o registo de 603 cabeças que tiveram morte causada por teleriose”, introduziu Anabela Gaspar, chefe do sector de pecuária na direcção provincial da Agricultura e Pescas.

Na sua locução, a dirigente negou a existência de uma nova doença na província. “Não temos notificação de doença nova na província. As doenças, que temos, são as conhecidas, são diagnosticadas e são possíveis de combater”, garantiu Anabela para, depois, avançar a razão das mortes.

“As principais causas das mortes do gado na província são doenças causadas por carraças, nem sempre é teleriose. Há casos em que é a anaplasmose, babesiose entre outras enfermidades, mas possíveis de tratar”.

Em sua defesa, a Direcção da Agricultura de Maputo disse ter criado condições para a vacinação e banhos carracicidas para eliminar as caraças nos animais, mas os criadores não obedecem aos protocolos.

“O que acontece com os nossos criadores é que, quando não vêm a caraça visível no animal, acham que está tudo bem. Muitos criadores não obedecem aos protocolos de tratamento dos animais. Não levam os animais aos balhos. Os protocolos devem ser seguidos e, quando não se seguem, as mortes são certas”, explicou.

Quanto à alegada demora no arranque da campanha gratuita de vacinação do gado, o sector também rebateu, dizendo estar confortável com o calendário.

“Essa vacinação obrigatória do gado bovino contra carbúnculos, bruceloses, febre aftosa, dermatose nodular é feita de Abril a Julho. Dentro desse calendário, é possível garantir imunidade do animal durante todo o ano. Se há doenças que acometem o gado, em Janeiro, Fevereiro e Dezembro, essas não são doenças preveníeis por vacinação, podem ser causadas por carraças ou por parasitas dentro dos animais. Sabemos que os nossos criadores não têm cultura de desparasitar os animais”, justificou.

Mais do que vacinar o gado, as autoridades dizem que os criadores devem saber investir na sua criação para garantir a cura das doenças e evitar as mortes. “Além de dar banhos carracicidas, é preciso que o criador dê tratamento ou medicação aos seus animais. Os medicamentos contra a teleriose, por exemplo, devem ser adquiridos nas farmácias privadas. O nosso país não produz vacinas para tratamento de doenças, mas sim produz vacinas. O que acontece é que, quando os criadores fazem contas, acham que investindo na compra de medicamentos é gastar dinheiro. O nosso trabalho, neste momento, é sensibilizar os criadores para que possam ter cultura de vender, pelo menos uma cabeça e, com uma parte do dinheiro, adquirir os fármacos para salvar o resto da sua criação”.

Pecuária chama atenção para perigos de consumo de animais não inspeccionados

Contradições à parte, enquanto alguns criadores incineram os animais mortos por doenças, outros preferem comê-los. As autoridades veterinárias chamam a atenção sobre o perigo do consumo dos animais não inspeccionados.

“Podem apanhar uma intoxicação bacteriana, mas a teleriose não é zoonosa, significa que não passa do animal para o homem. Existem doenças que podem passar para os seres humanos como tuberculose, temos a brucelose que pode causar esterilidade masculina, por isso é importante ferver o leite”.

Lembre-se que o país tem um efectivo de 2.2 milhões de cabeças de gado bovino, sendo que a província de Maputo contribui com cerca de 500 mil. A meta das autoridades é a de vacinar 80 porcento do total do efectivo existente.

Nenhuma morte, 32 novos casos confirmados e 15 recuperados em 24 horas. São estes os indicadores do Ministério da Saúde divulgados este domingo na habitual actualização de dados sobre a evolução da pandemia da COVID-19 no território nacional.

“Congratulamo-nos em informar que, desde a passada quarta-feira e pelo quinto dia consecutivo, o MISAU não notificou a ocorrência de óbito em paciente infectado pelo novo Coronavírus. Assim, mantém-se em 826 o cumulativo de óbitos devido à COVID-19”, lê-se no comunicado de imprensa, enviado à nossa redacção.

Os números, hoje divulgados, elevam para 68.725 aos já recuperados da doença, mas sinalizam a existência de 21 doentes internados, mais seis do que no sábado.

“As províncias de Maputo e Manica registaram 10 casos cada, correspondendo a 31.2% do total dos casos novos hoje reportados em todo o país, seguidas pelas províncias de Niassa e Inhambane com sete e cinco casos cada, o equivalente, respectivamente, a 21.9% e 16.3%”, refere o MISAU.

O comunicado do MISAU deste domingo assinala que são, actualmente, 887 casos activos do novo Coronavírus, em Moçambique.

No povoado de Malova, distrito de Massinga, encontrámos Eduardo Martins que foi uma das primeiras pessoas a chegar, Junho do ano passado, a Inhambane, vindo de Cabo Delgado, distrito de Moeda. Instalou-se em pequenas cabanas em Massinga, com a ajuda de pessoas daquela comunidade.

A zona, onde vivia, não foi atacada, mas fugiu por medo do pior, uma vez que, nos distritos vizinhos, já se ouviam relatos de ataques perpetrados por terroristas. “Eu ouvi do meu filho que estava noutro distrito, ele fugiu para minha casa por causa dos ataques e, também, decidi vir para Inhambane”, contou Eduardo.

Veio para Inhambane em busca de um abrigo seguro. Aliás, Eduardo Martins estivera antes na terra da boa gente, onde lutou na guerra dos 16 anos, mas, depois da guerra, decidiu voltar a Cabo Delgado, sua terra natal.

Conta que nunca perdeu contacto com os seus companheiros e, quando as coisas pioraram por lá, pediu ajuda aos antigos companheiros de trincheira e foi logo aceite. Ele e mais 12 pessoas foram instalar-se em Malova.

A ajuda de que ele precisava era um lugar seguro para morar. Embora tenha encontrado o que procurava, pondera voltar à terra que o viu nascer quando tudo acabar.

Ao contrário do senhor Eduardo, dona Filomena, que vem de Muedumbe, chegou ao distrito de Massinga em Novembro do ano passado, depois da entrada dos terroristas na sua aldeia. “Os terroristas chegaram à nossa aldeia e começaram a disparar por dois dias seguidos”, recordou, com lágrimas, tudo por que passou em Novembro, quando, por dois dias, os homens armados aterrorizavam a zona, saqueando bens e matando gente.

Foram dois dias de ataques, mas o pior ainda estava por vir. A fugir dos terroristas, dona Filomena e a família composta por oito pessoas ficaram 30 dias nas matas, sem nada para comer. Depois, conseguiram fugir, foram parar em Nampula, de lá, apanharam autocarro até Massinga em casa do seu irmão que é, também, um combatente da luta de libertação e que vive lá desde a década 90.

Por causa dos ataques, ela perdeu tudo que construira, mas diz que, se tudo acabar, vai voltar para Muedumbe. “Quando guerra acabar, eu quero voltar para casa, agora tudo que quero é um pedaço de terra para cultivar e produzir minha comida”, disse dona Filomena, lamentando a situação difícil em que se encontra, mas, ainda assim, tentando procurar soluções para alimentar a família.

Ao todo, estão, na província de Inhambane, mais de 60 pessoas que vêm de Cabo Delgado, sendo que 47 das quais estão em Massinga.

As autoridades garantem que as famílias recebem toda assistência necessária desde à sua chegada.

Segundo o Delegado do INGD em Inhambane, Cândido Mapute, as famílias recebem assistência alimentar mensal e quites de abrigo de emergência.

Para resolver a situação em definitivo, Mapute disse ao “O Pais” que está em curso o processo de identificação de espaços e demarcação para a construção de casas para as famílias que vêm de Cabo Delgado.

As 61 pessoas são de 11 famílias que estão nos distritos de Massinga, Inharrime e cidade de Inhambane e as crianças foram integradas nas diversas escolas dos três distritos.

 

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