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O País – A verdade como notícia

Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique, aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças, alerta a ONU.

A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e citado pela Lusa, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.

Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025”, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.

Assinala igualmente que os sequestros estão a ser utilizados “de forma cada vez mais sistemática para resgate e recrutamento forçado, incluindo de crianças”, num contexto em que a violência continua a expandir-se para distritos com reduzida exposição prévia ao conflito e capacidade limitada de protecção das populações.

“O alvo desta violência são os civis, e não danos colaterais”, sublinha-se no relatório, advertindo que a insegurança prolongada e as deslocações repetidas estão a fragilizar os mecanismos familiares e comunitários de proteção.

Província rica em gás natural, Cabo Delgado é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.

Segundo o relatório do OCHA, esta situação está a aumentar os riscos de separação familiar, recrutamento e utilização de crianças por grupos armados, violência baseada no género, casamentos prematuros, exploração sexual e outras estratégias de sobrevivência consideradas prejudiciais.

Actualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respectivas zonas de origem.

“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.

No relatório acrescenta-se que “para muitos, regressar a casa não significa regressar à normalidade”, devido à persistência da insegurança, destruição de habitações, perda de meios de subsistência e degradação dos serviços públicos.

A ONU alerta ainda para o agravamento das necessidades humanitárias numa altura em que o financiamento continua insuficiente. Desde logo, aponta, o Plano de Necessidades e Resposta Humanitária para Moçambique necessitava em agosto de 534 milhões de dólares, mas tinha recebido apenas 227 milhões de dólares, o equivalente a 43% do montante requerido.

Segundo o documento, os setores da logística, educação e nutrição figuravam entre os menos financiados, ao passo que, em alguns dos distritos mais afetados pela insegurança alimentar, a assistência alimentar foi reduzida para uma distribuição a cada dois meses, cobrindo apenas 39% das necessidades calóricas mínimas.

“O custo da inação é suportado pelas pessoas, e não pelos programas”, refere-se no relatório, defendendo apoio financeiro urgente para evitar um agravamento da crise humanitária. “As lacunas de financiamento significam menos refeições, menos serviços e menos oportunidades de recuperação antes da próxima crise”, acrescenta-se.

Produtores e comerciantes de carne protestam contra alegadas extorsões atribuídas à autoridade veterinária, ao chefe de operações e a agentes da Polícia e do SERNIC em Chókwè. O grupo denuncia cobranças ilícitas e arbitrariedades nas apreensões de carne, enquanto as autoridades rejeitam as acusações e justificam a fiscalização com a necessidade de proteger a saúde pública.

Vendedores de carne no distrito de Chókwè denunciam cobranças ilícitas para evitar a apreensão da carne desde Agosto, que atribuem a agentes da autoridade veterinária, do chefe de operações, da Polícia e do SERNIC.

Segundo os representantes do grupo, que reúne 30 operadores, a actuação das autoridades tem prejudicado a actividade dos vendedores, que dizem estar a acumular prejuízos.

Um dos comerciantes acusa o chefe das operações de Chókwè de ordenar apreensões de carne e questiona o envolvimento das FADM e do SERNIC nas operações. O comerciante garante que a carne adquirida pelos operadores possui documentação.

“O doutor Borges, quando não tem dinheiro, vem confiscar a nossa carne. Estamos cansados. É o chefe das operações de Chókwè que veio apreender a carne e entregá-la às FADM. Queremos saber de que forma as FADM e o SERNIC entram neste assunto. Quando compramos a carne, ela tem todos os documentos e estamos legais”, afirma.

Os vendedores denunciam igualmente cobranças de 500 meticais por cabeça de gado para evitar apreensões. Um dos comerciantes relata que, numa operação ocorrida na noite anterior, quatro cabeças de gado, avaliadas em 150 mil meticais, foram levadas por uma equipa que, segundo a fonte, incluía agentes da Polícia e efectivos da Guarda-Fronteira.

“Ontem à noite, vieram dois polícias. Cheguei ao chefe das operações e disse que estes polícias são malfeitores, porque passam de casa em casa e exigem 500 meticais por cada cabeça de gado. Depois disso, chegou um carro da Guarda-Fronteira e levaram consigo quatro cabeças de gado, avaliadas em 150 mil meticais”, relata.

Os comerciantes questionam ainda o destino da carne apreendida e o papel do SERNIC nas operações, alegando que os agentes terão levado carne para a Guarda-Fronteira.

“Para onde vai a nossa carne? Nós sobrevivemos disto, e eles roubam a nossa carne. É o Governo que nos rouba. Os agentes do SERNIC levaram a carne para a Guarda-Fronteira. E eles, onde entram neste negócio?”, questiona.

A revolta dos vendedores surge num contexto em que o matadouro em causa está alegadamente encerrado desde 2017. O grupo pede a reabertura da infra-estrutura, alegando que a actividade comercial depende daquele espaço.

“O matadouro está encerrado desde 2017. Pedimos a reabertura do matadouro porque sobrevivemos disto. Para onde vamos? Onde está o Governo? Pedimos a reabertura do matadouro”, apela um dos comerciantes.

A Polícia da República de Moçambique rejeita as acusações de corrupção e diz que as operações de fiscalização visam proteger a saúde pública. Carlos Macuácua, chefe das Relações Públicas da PRM em Gaza, afirma que os comerciantes que cumprem as normas não têm motivos para recear as operações.

“A operação não está a ser bem compreendida pelos comerciantes, mas visa travar riscos à saúde pública. Quem tiver carne, leve-a ao matadouro e não terá problemas com ninguém”, adverte Carlos Macuácua.

As autoridades sustentam que a fiscalização foi reforçada em Mandlakazi, Chókwè, Mapai e Mabalane, considerados pontos críticos, para impedir a comercialização de carne em condições que possam representar riscos para a saúde pública.

A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, manteve, esta segunda-feira, um encontro com o Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, em audiência concedida pelo Edil nas instalações do Conselho Municipal de Maputo. 

No encontro, as partes partilharam a visão sobre o desenvolvimento da Cidade de Maputo como espaço e destino de eventos de entretenimento e de divertimento público de classe mundial. 

Para a Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, a Cidade de Maputo deve merecer atenção especial nas acções do governo de promoção e de dinamização das Indústrias Culturais e Criativas, oferencendo condições para que os operadores do sector cultural e criativo possam ter um ambiente de negócios favorável. Por sua vez, o Presidente do Município de Maputo, mostrou a sua disponibilidade em cooperar para que a Cidade seja acolhedora e um destino para a economia criativa. 

Em relação a postura pública, Rasaque Manhique, destacou a necessidade de se encontrar uma solução para a convivência harmoniosa entre a actividade de entretenimento e o repouso dos munícipes. 

Os dois governantes concordaram em manter activos os esforços para que a Cidade de Maputo seja de forma exemplar espaço para que a economia criativa possa fluir, sobretudo por constituir uma das mais importantes fontes de geração de renda e de trabalho nas cidades no mundo.

No que diz respeito a realização de eventos na cidade capital, as partes também comprometeram-se a clarificar as zonas de realização fixa desses eventos para além do horário regulamentado na postura de poluição sonora, mantendo-se a obrigatoriedade de realização de eventos estritamente até a meia noite. 

O Edil de Maputo, encoraja a realização de eventos a partir do período da tarde, de modo que possam terminar até antes da meia noite.

Doze pessoas foram detidas em Inhambane, indiciadas de envolvimento numa tentativa de comercialização ilegal de produtos de espécies protegidas. Na operação, o Serviço Nacional de Investigação Criminal apreendeu cinco pontas de marfim, dentes de hipopótamo, outros produtos ainda sob investigação e 13.200 rands. O SERNIC diz que o grupo procurava compradores asiáticos e admite que o número de detidos poderá aumentar à medida que as investigações avançam.

Cinco pontas de marfim, dentes de hipopótamo e 13.200 rands colocaram doze pessoas nas mãos das autoridades em Inhambane e abriram uma investigação que pode estar longe de terminar. Os suspeitos são provenientes dos distritos de Vilankulo, Inhassoro e Mabote e, segundo o Serviço Nacional de Investigação Criminal, preparavam-se para negociar ilegalmente produtos de espécies protegidas quando foram surpreendidos.

O caso ganha dimensão não apenas pela quantidade de pessoas detidas, mas pelo circuito que o SERNIC suspeita estar por detrás do material apreendido. As informações preliminares recolhidas pelos investigadores indicam que o grupo procurava cidadãos asiáticos para negociar os produtos, numa operação cuja extensão e eventuais ligações a outras pessoas estão agora a ser apuradas.

Entre os doze detidos está um homem apontado pelas autoridades como líder do grupo e que exerce medicina tradicional. O suspeito admite que as pontas de marfim foram encontradas na sua residência, mas apresenta uma explicação diferente daquela sustentada pelos investigadores.

Segundo contou, o material teria sido recuperado num local associado aos seus antepassados depois de um sonho que o levou até ao ponto onde, segundo a sua versão, os objectos permaneciam enterrados há vários anos.

“Eu, ao dormir, como sou curandeiro, sonhei. Então fui lá onde ficavam os meus avós”, relatou o suspeito, acrescentando que encontrou o material enterrado e decidiu levá-lo consigo.

O homem sustenta que desconhecia aquilo que tinha encontrado e rejeita a acusação de que estivesse envolvido numa operação destinada à venda das pontas. A versão, entretanto, não encerra as dúvidas das autoridades, que procuram estabelecer de onde saiu o marfim, há quanto tempo estaria na posse dos suspeitos e em que circunstâncias começou a alegada procura por compradores.

Outro integrante do grupo também nega participação na negociação. Afirma que acabou envolvido no caso por estar no local quando as autoridades chegaram e garante que só percebeu que havia pontas de marfim quando o material foi retirado de um plástico durante a operação.

As duas versões integram agora um processo em investigação e terão de ser confrontadas com os elementos recolhidos pelo SERNIC.

A instituição apresenta, para já, um quadro diferente. Confirma que cinco pontas de marfim e dentes de hipopótamo estavam entre os produtos apreendidos e sustenta que havia uma tentativa de encontrar compradores para o material. Na mesma operação foram encontrados 13.200 rands, valor cuja eventual ligação à transacção também deverá ser esclarecida no decurso das investigações.

As autoridades trabalham ainda para determinar a origem exacta dos produtos apreendidos. Essa resposta será determinante para perceber se o caso começou com a posse e tentativa de venda do material ou se existe uma cadeia anterior envolvendo a obtenção, transporte e circulação dos produtos.

“O processo ainda está na sua fase de investigação. É muito complexo, envolve muita gente”, explicou o SERNIC, admitindo que os elementos já recolhidos podem conduzir a novas detenções.

“Nos próximos dias pode haver mais detidos em conexão com esta actividade”, acrescentou a instituição.

É justamente a possibilidade de existirem outros intervenientes que transforma a operação numa investigação mais ampla do que a detenção das doze pessoas inicialmente encontradas. O trabalho passa agora por reconstruir o percurso do material, identificar quem o colocou em circulação e perceber quem estaria do outro lado da alegada negociação.

As informações preliminares do SERNIC apontam para compradores asiáticos. A instituição refere, inclusive, a China entre os possíveis destinos ou mercados associados à comercialização pretendida, embora reconheça que este dado ainda deverá ser consolidado pela investigação.

“Um dado não menos importante é que estes pretendiam comercializar tanto na Ásia e na China. São dados preliminares”, afirmou o SERNIC, ressalvando que será o processo a determinar com maior precisão o mercado a que os produtos se destinavam.

A cautela é relevante porque, nesta fase, as autoridades confirmam a apreensão e a detenção dos suspeitos, mas ainda procuram estabelecer toda a cadeia que estaria por detrás do negócio. Também não está esclarecido, com base nas informações disponibilizadas até agora, se os compradores já estavam identificados ou se havia apenas contactos destinados a encontrá-los.

Os suspeitos detidos são oriundos de Vilankulo, Inhassoro e Mabote, três distritos do norte da província de Inhambane. Mabote está entre as zonas da província onde ocorre presença de elefantes, um dado que deverá igualmente entrar no cruzamento de informações enquanto se procura determinar a proveniência das cinco pontas apreendidas.

A origem é uma das respostas centrais que a investigação terá de produzir. As pontas podem revelar a existência de uma cadeia que começa muito antes do momento da venda e envolve diferentes intervenientes, mas, até que as diligências sejam concluídas, não é possível estabelecer a partir da apreensão, por si só, onde e em que circunstâncias os animais terão sido mortos nem atribuir essa eventual acção aos doze detidos.

O mesmo se aplica aos dentes de hipopótamo e aos restantes produtos apreendidos, cuja proveniência e percurso permanecem sob investigação.

Para o SERNIC, a complexidade do processo resulta precisamente do número de pessoas que poderão ter participado nas diferentes etapas. As diligências deverão procurar estabelecer as relações entre os doze suspeitos, a forma como o material chegou às suas mãos, quem procurava os compradores, qual seria o valor da transacção e se os 13.200 rands encontrados durante a operação têm relação directa com o negócio investigado.

Enquanto isso, os suspeitos apresentam versões que procuram afastá-los da alegada comercialização. Um diz ter encontrado o marfim depois de um sonho e afirma desconhecer aquilo que guardava. Outro garante que apenas estava no local quando as autoridades chegaram.

Do outro lado está uma investigação criminal que sustenta ter interrompido uma tentativa de venda de produtos de espécies protegidas e que admite chegar a mais pessoas.

As cinco pontas de marfim apreendidas são, por enquanto, a parte visível do caso. O que o SERNIC procura descobrir agora é o percurso que fizeram até chegar àquele grupo — e quem mais estava nesse caminho.

O Ministério da Defesa Nacional pretende introduzir militares reformados no agro-negócio, nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane. O projecto arrancou nesta segunda-feira, com a realização do seminário “Da Reforma ao Empreendedorismo.

A iniciativa pretende transformar a experiência e capacidade de liderança dos reservistas em oportunidades de produção e geração de rendimento.

“A experiência, os conhecimentos, a disciplina e os valores adquiridos ao longo da guerra militar continuam a construir um património que pode ser colocado ao serviço das famílias, das comunidades e do desenvolvimento nacional. É nesta perspectiva que realizamos neste seminário, criando um espaço para que os reservistas e reformados conheçam novas possibilidades de participação na vida económica e encontrem caminhos para transformar as suas experiências em iniciativas produtivas. O enfoque no empreendedorismo, particularmente no sector agrário, resulta no potencial que este sector oferece para a geração de emprego e rendimento, o aumento da produção, a dinamização das economias locais e o reforço da segurança alimentar”, explica Casimiro Mueio, secretário permanente do Ministério da Defesa Nacional.

Através do seminário “Da Reforma ao Empreendedorismo”,  o Ministério da Defesa procura ser a ponte entre os reformados, programas de financiamento e parceiros de desenvolvimento.

“Este encontro procura aproximar os participantes das instituições públicas, do sector privado, das instituições financeiras e dos parceiros de desenvolvimento, facilitando o acesso à informação, capacitação, assistência técnica, financiamento e mercados. Esperamos, igualmente, estimular a criação de cooperativas, associações e outras formas de organização que possam fortalecer as iniciativas individuais e colectivas e aumentar as possibilidades de acesso às oportunidades existentes”, conclui.

A iniciativa lançada nesta segunda-feira, no clube militar, na Cidade de Maputo, enquadra-se nos esforços de promoção da agricultura e de integração dos veteranos e militares na reserva em actividades económicas produtivas.

Transportadores e automobilistas denunciam que a circulação de camiões de grande tonelagem da Dingsheng, que transportam minérios para o terminal portuário de Chongoene, está a acelerar a degradação da estrada Chongoene-Chibuto, com reflexos no risco de acidentes, avarias mecânicas e prejuízos para os utentes da via.

A circulação de camiões de grande tonelagem que transportam minérios da Dingsheng para o terminal portuário de Chongoene agravou, nos últimos dois anos, a degradação da estrada que liga Chongoene aos distritos de Mandlakazi e Chibuto, segundo transportadores e automobilistas.

” A  via já estava degradada, mas a circulação dos camiões de grande carga da areias pesadas de Chibuto piorou a situação, nos últimos dois anos. Aqui é só escolher a cova que queremos bater ” lamentou, um transportador .

Com cerca de 53 quilómetros, a N102 apresenta vários troços esburacados, condição que, segundo os utentes da via, aumenta o risco de acidentes mortais.

” O que estamos a viver aqui há dois anos é terrível, aqui ocorrem acidentes por causa da via e nada é feito, até quando?”, questionou, outro transportador.

Além do risco de sinistros rodoviários, o mau estado da via tem acelerado as avarias mecânicas, resultando em avultados prejuízos financeiros com a reparação dos veículos.

O secretário de Estado em Gaza, Jaime Neto, reagiu à situação, apontando duas causas para o estado actual da via.

” Primeiro por causa do uso da via na sequência  das cheias, segundo por causa dos camiões da Dingsheng, e se isto continuar, a via vai ficar totalmente degradada”, admitiu.

Jaime Neto avançou ainda que a empresa de capitais chineses será chamada a comparticipar na manutenção da estrada.

Enquanto isso, as áreas de exploração mineira em Chibuto suspenderam, nos primeiros três meses, as suas actividades após danos registados em cinco linhas de produção.

O número de crianças, adolescentes e cuidadores que receberam apoio psicossocial do Unicef em Moçambique ultrapassou 154 mil até Julho, com a insegurança no norte a agravar-se, com mais de 28 mil deslocados neste ano.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alerta, no seu mais recente relatório humanitário sobre Moçambique citado pela Lusa, que a situação de segurança no norte do país permaneceu volátil em Julho, com novas deslocações de população, expansão dos movimentos de grupos armados para distritos do sul da província de Cabo Delgado e um aumento das necessidades humanitárias das crianças e respectivas famílias.

Aquela província do norte enfrenta uma insurgência armada que, desde 2017, já provocou mais de 6600 mortos.

Segundo o documento do Unicef, divulgado nesta segunda-feira, “a insegurança manteve-se volátil no norte de Moçambique em Julho”, tendo operações militares intensificadas em Macomia levado grupos armados não estatais a dispersarem-se para os distritos de Quissanga, Meluco, Ancuabe, Chiúre e Montepuez.

Acrescenta que os movimentos populacionais continuaram ao longo do mês de Julho, com a ferramenta de monitorização de emergências da Organização Internacional para as Migrações a registar 3729 pessoas em movimento nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, das quais 1575 crianças. A maioria destes movimentos ocorreu em Cabo Delgado, sendo a violência o principal factor de deslocação, seguida de regressos planeados e do receio de novos ataques.

De acordo com dados citados pelo Unicef, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) contabilizava, no final de Julho, 28 163 pessoas deslocadas pelo conflito desde o início de 2026, sendo mulheres e crianças responsáveis por 65% desse total.

Num contexto de agravamento das vulnerabilidades, o Unicef refere que, até julho, prestou serviços comunitários de saúde mental e apoio psicossocial a 154 659 crianças, adolescentes e cuidadores em Moçambique, dos quais 146 071 nas províncias do norte afectadas pelo conflito.

Só durante Julho, a agência apoiou 24 603 crianças, adolescentes e cuidadores através destes serviços, incluindo 18 645 crianças em Cabo Delgado através de atividades recreativas, culturais, desportivas e de apoio comunitário destinadas a reforçar a proteção e o bem-estar psicológico.

O relatório destaca ainda que 1440 crianças sobreviventes de violência receberam serviços de gestão de casos em Julho e que 46 crianças desacompanhadas ou separadas das famílias foram reunificadas com familiares ou encaminhadas para acolhimento alternativo.

Na educação, outro dos sectores fortemente afetados pela violência, o Unicef contabilizou 154 608 crianças com acesso a ensino formal ou não formal através dos programas apoiados pela organização, incluindo aprendizagem pré-escolar. Em Cabo Delgado, 208 professores do distrito de Palma receberam formação para ensinar em contextos de crise e identificar riscos de proteção infantil.

O Unicef alerta também para o impacto esperado do fenómeno El Niño durante a época chuvosa e ciclónica de 2026-2027. Segundo o relatório, as previsões mais recentes apontam para uma probabilidade de 100% de o fenómeno persistir até ao início de 2027, com possibilidade de agravamento da insegurança alimentar, sobretudo no Sul e Centro do País.

Apesar da continuidade das operações humanitárias, a agência das Nações Unidas assinala constrangimentos financeiros significativos. O apelo humanitário do Unicef para Moçambique em 2026 ascende a 58,8 milhões de dólares, mas o défice de financiamento permanece em 49%, afetando “a capacidade do Unicef de responder plenamente às necessidades das crianças e dos seus cuidadores”.

O relatório estima que um milhão de crianças necessitem atualmente de assistência humanitária em Moçambique, num universo de 1,8 milhões de pessoas em situação de necessidade, incluindo mais de 506 mil deslocados internos relacionados com o conflito e cerca de 715 mil regressados às zonas de origem.

Mais de três mil alunos da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai, estudam debaixo de árvores desde 2024, depois da paralisação das obras de reabilitação da cobertura de 18 salas, avaliadas em quase oito milhões de meticais. Noutra escola pública, em Chibuto, cerca de três mil alunos continuam em tendas desde Março, após a interdição do edifício principal.

O problema começa em 2023, quando o Ministério da Educação destinou quase oito milhões de meticais à reabilitação da cobertura das salas da Escola Básica 7 de Outubro, em Xai-Xai. As obras, sob responsabilidade do sector da Educação, foram interrompidas sem explicações públicas sobre as causas da paralisação ou o destino dos fundos.

Iniciadas em 2024, as obras deveriam durar apenas três meses, mas continuam por concluir. Das 18 salas cuja cobertura deveria ser reabilitada, apenas sete foram concluídas, e mesmo estas continuam a apresentar infiltrações quando chove.

A paralisação das obras já era questionada em Fevereiro de 2025. A 2 de Fevereiro daquele ano, o director da Escola Básica 7 de Outubro, David Chivite, falava ao O País sobre a situação.

Quase três anos depois do início do processo, mais de três mil alunos continuam a estudar em condições precárias. Das 58 turmas da escola, 13 continuam ao relento.

Debaixo das árvores, o calendário escolar segue, mas quando ameaça chover os cadernos fecham-se e as aulas são interrompidas. Joana Cesar, aluna da escola, descreve as dificuldades enfrentadas pelos estudantes.

Durante mais de quatro horas, algumas crianças permanecem sentadas no chão. Alísio, aluno, relata que os estudantes perdem a concentração e queixam-se de dores nas articulações.

Lucas, também aluno, aponta consequências na aprendizagem e no aproveitamento escolar. A professora Ana Levi reconhece, igualmente, que as condições enfrentadas pelos alunos podem estar a pesar no seu desempenho.

Mas as dificuldades começam ainda antes de os alunos chegarem à sala de aula. Alguns percorrem longas distâncias com a pasta numa mão e, na outra, a própria cadeira que terão de usar durante as aulas, numa rotina imposta pela falta de carteiras.

“Chegar cedo já não é apenas chegar à aula. É chegar primeiro à carteira. Quem perde essa corrida, aprende sentado no chão”, relata Edna Cossa, aluna da escola.

Perante a demora na conclusão das obras, permanece a pergunta sobre o destino dos cerca de oito milhões de meticais destinados à reabilitação das salas. A Direcção Provincial da Educação de Gaza surge agora com uma nova promessa de solução, depois de outras terem ficado por cumprir.

” Agora recebemos a confirmação de orçamento para dar seguimento ainda este anos”, disse Raquelija da Glória.

A porta-voz da instituição, Raquelija da Glória, reconhece que o problema ultrapassa a Escola Básica 7 de Outubro. Em toda a província de Gaza, segundo a responsável, mais de 200 turmas continuam a estudar em condições precárias.

E enquanto em Xai-Xai os alunos estudam debaixo de árvores, em Chibuto, mais de três mil estudantes estão em tendas desde Março, depois da interdição do edifício principal da Escola Secundária de Chibuto, devido ao iminente risco de colapso.

A espera pelo arranque das obras de reabilitação das 18 salas é agora acompanhada por outro problema: o calor intenso no interior das tendas.Os alunos apontam ainda a falta de energia e a incidência directa da luz solar sobre os cadernos, o que dificulta a visualização do quadro e o acompanhamento das aulas.

Diante desta realidade, os alunos pedem respostas ao Governo e uma solução que permita recuperar condições dignas para a aprendizagem.

De Xai-Xai a Chibuto, são duas escolas e realidades diferentes, mas com o mesmo problema: mais de seis mil alunos estudam sem condições adequadas. Uns debaixo de árvores, outros em tendas.

O Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique suspendeu quatro agentes da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, em Jangamo, por onde passou o semi-colectivo envolvido no acidente que matou 24 pessoas em Zavala.

A viatura circulou cerca de 70 quilómetros depois daquele posto antes da colisão e transportava, segundo a PRM, 24 pessoas, apesar de ter capacidade para 17. Joaquim Sive diz que a suspensão não significa, nesta fase, responsabilização dos agentes, mas confirma que está em curso uma investigação para perceber como a viatura conseguiu prosseguir viagem nestas condições.

O semi-colectivo passou por um dos principais pontos de fiscalização rodoviária da Estrada Nacional Número Um em Inhambane e continuou viagem. Cerca de 70 quilómetros depois, em Zavala, a deslocação terminou numa colisão frontal com um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e na morte das 24 pessoas que seguiam na viatura de transporte de passageiros.

Agora, a passagem pelo Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela, no distrito de Jangamo, está no centro das atenções das autoridades, que querem perceber como um veículo que, segundo o Comandante-Geral da PRM, tinha capacidade para 17 pessoas, conseguiu ultrapassar aquele ponto transportando 24 ocupantes.

Joaquim Sive esteve no local do acidente e confirmou que foi aberto um inquérito para reconstituir o percurso da viatura e apurar o que aconteceu nos postos de controlo por onde passou antes da tragédia.

“Percebemos que a viatura passou um posto de controlo no Sul, o mais próximo aqui é o de Lindela, e alguma situação deve ter ocorrido”, afirmou o Comandante-Geral da PRM, acrescentando que os dados recolhidos pelas autoridades indicam uma diferença considerável entre a capacidade do veículo e o número de pessoas encontradas no seu interior.

“Dos dados que estamos a obter, a capacidade desta viatura é de 17 lugares, mas fomos visualizar dentro da viatura 24 cidadãos. Temos de apurar o que terá acontecido para que essas pessoas pudessem passar pelos postos de controlo”, disse.

A investigação abre uma frente que ultrapassa as causas imediatas da colisão e coloca sob escrutínio o funcionamento da fiscalização rodoviária ao longo da EN1, sobretudo porque a viatura conseguiu continuar a viagem depois de passar por Lindela e só viria a sofrer o acidente dezenas de quilómetros mais à frente.

As autoridades querem saber se o semi-colectivo foi efectivamente fiscalizado, em que condições essa fiscalização terá ocorrido e como o excesso de lotação não impediu a continuação da viagem.

Joaquim Sive explicou que o inquérito não está limitado à Polícia e envolve outras instituições com responsabilidades na segurança  rodoviária, incluindo o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários.

“É um trabalho que estamos a realizar. O inquérito sobre as circunstâncias decorre, envolve vários sectores, a Polícia, o INATRO, mas todos nós, como sociedade, devemos interessar-nos em aprofundar essas coisas”, afirmou.

Enquanto o inquérito avança, o Comando-Geral já tomou as primeiras medidas internas.

Quatro agentes da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no Posto de Fiscalização Rodoviária de Lindela no momento em que o semi-colectivo passou pelo local foram suspensos.

Entre os suspensos estão o chefe do grupo, com a patente de inspector da Polícia, um subinspector e dois sargentos da Polícia de Trânsito.

“Foram suspensos o chefe do grupo, que é um inspector da Polícia, mais um subinspector da Polícia e mais dois sargentos da Polícia de Trânsito que estavam de serviço no Posto de Lindela”, confirmou Joaquim Sive.

A decisão, contudo, ainda não representa uma conclusão sobre a responsabilidade individual dos quatro agentes. O Comandante-Geral fez questão de separar a medida administrativa adoptada nesta fase da eventual responsabilização que poderá resultar do processo de averiguações.

“Não estamos a dizer que a solução é uma questão de responsabilização. Obviamente que não é. Há muito que temos de encontrar”, disse Sive, acrescentando que a Polícia dispõe de regulamentos internos que estabelecem as infracções e as medidas aplicáveis em função da gravidade de cada caso. A eventual responsabilização dependerá, por isso, daquilo que o inquérito conseguir estabelecer sobre a actuação dos agentes e sobre as circunstâncias concretas em que o semi-colectivo passou pelo posto.

O caso levanta, entretanto, uma questão que vai para além dos quatro polícias agora suspensos: como uma viatura com passageiros acima da sua capacidade conseguiu circular pela principal estrada do país e atravessar postos destinados precisamente à fiscalização rodoviária?

A resposta é uma das que Joaquim Sive diz esperar do inquérito, numa altura em que as autoridades procuram compreender a cadeia de acontecimentos que antecedeu uma tragédia que deixou 24 mortos.

O acidente ocorreu na noite de quinta-feira, no distrito de Zavala, quando o semi-colectivo, que seguia em direcção à África do Sul, colidiu frontalmente com um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Todos os 24 ocupantes da viatura de transporte de passageiros morreram, enquanto os ocupantes do veículo militar sobreviveram.

As primeiras informações divulgadas pela PRM apontaram a velocidade excessiva aliada a deficiências mecânicas como causas preliminares do acidente, enquanto o excesso de lotação do semi-colectivo acrescentou uma segunda dimensão às averiguações: as condições em que aquela viatura foi autorizada a continuar a circular.

É neste ponto que Lindela ganha peso na investigação.

Entre o posto de fiscalização e o local onde 24 pessoas perderam a vida havia cerca de 70 quilómetros de estrada. O semi-colectivo percorreu essa distância depois de passar por uma estrutura onde a fiscalização de viaturas, documentação e condições de circulação faz parte das atribuições dos agentes destacados para o local.

A suspensão dos quatro polícias não responde, por si só, ao que aconteceu naquela passagem e o próprio Comandante-Geral recusa antecipar responsabilidades antes da conclusão das averiguações, mas a medida coloca formalmente sob investigação a actuação dos agentes que estavam de serviço.

Joaquim Sive falava à imprensa depois de visitar o local da colisão, no distrito de Zavala, acompanhado pelo Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. A investigação terá agora de estabelecer não apenas as circunstâncias que provocaram o embate, mas também aquilo que aconteceu antes dele, incluindo o percurso do semi-colectivo e a fiscalização a que foi submetido.

Porque, depois de 24 mortes, a questão já não é apenas saber como duas viaturas colidiram em Zavala, mas também como um semi-colectivo com 24 pessoas conseguiu passar por um posto de fiscalização e continuar a circular pela EN1.

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