O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

O Reino Unido investiu, desde 2009, 79,9 milhões de dólares (5,1 mil milhões de meticais) em sistemas de abastecimento no País, levando água a 1,8 milhões de pessoas nas zonas rurais.

“Mais de 1,8 milhões de pessoas nas zonas rurais de Moçambique têm agora acesso à água potável segura”, avançou o Reino Unido, em comunicado divulgado nesta quarta-feira.

Este balanço é trazido numa altura em que é assinado o encerramento do programa de Transformação da Provisão de serviços de Água, Saneamento e Higiene (T-WASH), que durou uma década.

Segundo o comunicado, só com o programa T-WASH, implementado entre 2015 e 2026, o Reino Unido apoiou a Estratégia Nacional de Água e Saneamento Rural de Moçambique financiando mais de 200 sistemas de água e cerca de 2000 furos em comunidades rurais, tendo reforçado os sistemas de planeamento, prestação e manutenção dos serviços de água e saneamento.

O T-WASH decorreu com os seus respectivos fundos entregues em duas fases, tendo melhorado o saneamento para 3,3 milhões de pessoas, com o Reino Unido a apoiar a Estratégia Nacional de Água e Saneamento Rural de Moçambique (PRONASAR) desde 2009.

O programa foi implementado em parceria com a Direcção Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento (DNAAS), conforme escreve o organismo no comunicado.

Com o fim do programa de acesso à água implementado em 10 anos, o Reino Unido promete, agora, apostar na mobilização de fundos para o financiamento climático e do investimento privado, reduzindo a dependência do financiamento tradicional da ajuda e garantindo a sustentabilidade a longo prazo das infraestruturas já construídas.

Em Outubro passado, o Governo avançou que Moçambique precisa de cerca de 4,1 mil milhões de dólares (262,2 mil milhões de meticais) para acelerar a expansão dos sistemas de abastecimento de água e de saneamento sustentáveis no País.

Vídeos

NOTÍCIAS

O filósofo e pesquisador José Castiano diz que as desigualdades sociais em Moçambique, onde há poucos ricos e muitos pobres, são o maior perigo para a democracia, por isso propõe a adopção do que chamou de democracia reconciliadora. 

Castiano falava durante a aula de sapiência orientada para estudantes de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane, sobre vida e obra de Luísa Diogo.

A Faculdade de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane convidou, nesta terça-feira, o pesquisador e vice-reitor da Universidade Pedagógico de Maputo, José Castiano para orientar uma aula de sapiência, em homenagem à vida e obra de Luísa Diogo. 

Durante mais de uma hora e meia, Castiano defendeu a tese de que Diogo morreu defendendo que a reestruturação económica não pode ignorar a justiça social. 

“Ela defendeu com todas as energias a questão da igualdade social, a questão do acesso à saúde, a questão do acesso à educação e aos outros benefícios. Para quem lê a “Sopa de Madrugada”, para quem lê e ouve as suas intervenções, vai certamente notar a insistência que fazia para resistir à destruição dessas conquistas da fase socialista”, defendeu o filósofo.

O pesquisador recorda, triste, que Luísa Diogo conseguiu o perdão de uma dívida pública, em 2005,  no âmbito da iniciativa Países Pobres Muito Endividados, cujo esforço parece não ter valido a pena. 

“Uma pessoa que conseguiu libertar-nos da dívida externa,  para depois ver, ainda em vida, o processo de reendividamento, escandaloso.  O grande desafio que nós temos, como Moçambique, é lidar com o problema da dívida externa,  porque ela, em vez de nos ajudar, está nos empobrecendo cada vez mais. O exemplo da Luisa foi um, mas há outros exemplos. Mas o mais importante é olharmos para nós nas condições de hoje”.

Outro desafio apontado como de urgente resolução é a Soberania Alimentar.

“Nenhum país vive feliz quando come o que não produz e não produz o que come. Soberania alimentar significa comer o que você produz e produzir o que você quer comer. Não estou a dizer que não possa comer queijo, só porque não produz. o deve ser feito é produzir dinheiro suficiente para ter capacidade para comprar os produtos”, disse. 

A solução, diz o filósofo, é a adopção do que chamou de democracia reconciliadora. 

“Eu estou convencido que a maior divisão que Moçambique tem entre o rico e o pobre,  esta é que vai minar a nossa unidade nacional. Quando esta divisão começar a crescer, hoje 20% comem 80% da população, 20% dos nossos ricos comem 80% do que produzimos, e os 80% comem apenas 20%.  Esta é uma desigualdade extrema. Então uma democracia não pode sobreviver nessas condições. Temos que encontrar formas de uma democracia reconciliatória no seu sentido social do tempo”, concluiu. 

O evento contou com a presença do viúvo, filhos e familiares de Luísa Diogo, que agradeceram o reconhecimento das obras da finada. 

A piloto moçambicana Teresa Bettencourt destacou-se na 1.ª corrida do Campeonato Nacional Sul-Africano Rotax 2026 na classe Micro Max disputada no circuito de Killarney, na Cidade do Cabo. 

Na 1ª corrida, Teresa Bettencourt enfrentou uma grelha competitiva de 17 pilotos. Na sessão de qualificação, Bettencourt envolveu-se em algumas lutas em pista, o que acabou por comprometer a possibilidade de alcançar um resultado ainda melhor. 

Ainda assim, garantiu o 9.º lugar, com a volta mais rápida em 46.354 segundos, mostrando desde cedo andamento para discutir posições mais avançadas. 

A 1ª corrida ficou marcada por vários incidentes e interrupções. Depois de partir da 9ª posição, Teresa Bettencourt esteve inserida num pelotão muito disputado e terminou a manga em pista, mas uma penalização de 5 segundos por “nose cone infringement”, numa corrida que teve também bandeira vermelha, atirou-a para o 14.º lugar final. 

Ainda assim, registou uma melhor volta de 45.960 segundos, um sinal claro de competitividade apesar das contrariedades. 

Na segunda manga, a jovem piloto voltou a enfrentar uma corrida exigente e com vários momentos de luta direta, terminando na 12.ª posição, com a sua melhor volta em 46.062 segundos. 

Já na terceira e última corrida, Teresa conseguiu recuperar terreno e fechar o dia com um resultado mais sólido, terminando em 10.º lugar, após mais uma prestação combativa num grupo muito equilibrado. Nessa corrida, assinou a melhor volta pessoal do fim de semana em prova: 46.092 segundos. 

No cômputo geral da jornada, Teresa Bettencourt terminou em 13.º lugar da classificação final, com 63 pontos, num fim-de-semana marcado por vários incidentes, lutas intensas em pista e alguma falta de sorte, mas também por uma postura resiliente e uma evolução constante ao longo das corridas. 

O seu melhor tempo absoluto em corrida foi 45.960 segundos. Apesar de o resultado final não traduzir totalmente o potencial demonstrado, a participação de Teresa Bettencourt deixa sinais encorajadores para as próximas corridas do campeonato. 

Num contexto altamente competitivo, a piloto moçambicana mostrou determinação, capacidade de recuperação e velocidade para continuar a crescer entre os melhores pilotos da classe Micro Max do Campeonato sul-africano.

O mercado do final da época na Europa já mexe e o internacional moçambicano já está a ser sondado por clubes de todas as grandes ligas daquele continente. Em Janeiro era o Nápoles e Lyon que perguntavam pelo camisola 10 do Sporting, mas agora surgem outros clubes interessados.

A temporada entra para os últimos dois meses, as definições desportivas centram atenções mas o mercado também já mexe. E Geny Catamo já é alvo de abordagens que chegam de todas as ‘big-5’. Apesar da recente renovação de contrato com o Sporting, saída no verão pode ganhar forma e já há clubes a posicionarem-se.

Quando em Dezembro de 2023 Geny Catamo prolongou o vínculo com os verdes-e-brancos até Junho de 2028, ficou acautelada nova renovação por mais uma época, até 2029, que foi accionada já neste ano. Indicação de que o camisola 10 dos leões conta e muito nas contas do clube mas isso não invalida abertura para negociar no verão, ainda para mais quando o jogador vive um dos melhores momentos da carreira.

Em Janeiro, já houve abordagens, nomeadamente de França e Itália, Lyon e Nápoles, com os italianos a perguntarem pelo moçambicano antes de avançarem para Alisson, por empréstimo, com taxa de 3,5 milhões de euros, e opção de 16,5 milhões que deve ser accionada devido às boas exibições do brasileiro.

Agora novas abordagens de clubes das cinco principais ligas, a inglesa, a espanhola e a alemã, além da italiana e da francesa.

Para levar o extremo de 25 anos, os interessados sabem que há um preço balizado entre os 20 e os 30 milhões de euros. O valor mais baixo deste intervalo não chegou para, no verão de 2025, tanto Aston Villa como Fenerbahçe levarem o atacante de Alvalade.

 

Os números de Geny Catamo

O internacional moçambicano, recorde-se, assinou contrato profissional com o Sporting em Setembro de 2020, oriundo do Amora, depois de ter passado a época 2019/2020 na Academia Cristiano Ronaldo em regime de empréstimo. 

Já leão, foi também cedido a Vitória de Guimarães e Marítimo e na pré-temporada de 2023 convenceu o treinador, então Ruben Amorim, a ficar com ele no plantel. E convenceu também a administração a renovar-lhe o contrato uma primeira vez.

Já em Julho de 2025 os verdes-e-brancos investiram 2,25 milhões de euros para passar a ter 90 por cento do passe do extremo junto do Amora, porta de entrada do moçambicano em Portugal em 2019, clube que reservava ainda 75 por cento dos direitos económicos, com o Black Bulls, clube de formação do jogador, a deter nessa altura 85 por cento da percentagem do emblema da Margem Sul.

Esta temporada, Geny Catamo começou por dividir a titularidade no lado esquerdo do ataque dos verdes-e-brancos com Geovany Quenda. A fratura do quinto metatarso do pé direito do português, que o impediu de competir durante quatro meses, fez o moçambicano agarrar lugar cativo no onze de Rui Borges e justifica o estatuto com números.

No somatório de golos, com oito, esta é já a melhor temporada de Catamo, que em 22 jogos tem ainda quatro assistências e está a uma de igualar o melhor registo, que data de 2023/2024. No total, são já 2248 minutos nas pernas em 2025/2026.

Com contrato válido até Junho de 2029, Geny Catamo tem cláusula de rescisão de 60 milhões de euros.

O Papa Leão XIV afirmou esperar que o presidente norte-americano, Donald Trump, “procure uma saída” para a guerra no Médio Oriente, reiterando o seu apelo à paz a poucos dias da Páscoa.

“Disseram-me que o presidente Trump declarou recentemente que quer pôr fim à guerra, espero que ele procure uma saída”, afirmou o papa aos jornalistas no início da noite, à saída da residência papal de Castel Gandolfo, perto de Roma.

 “Espero que ele procure uma forma de reduzir a violência e os bombardeamentos, o que contribuiria grandemente para apaziguar o ódio que se cria e não cessa de crescer no Médio Oriente e noutros locais”, acrescentou.

“Continuarei, sem dúvida, a apelar a todos os líderes mundiais para que regressem à mesa das negociações para dialogar e encontrar soluções para os problemas”, prosseguiu o papa.

Com a aproximação das festividades da Páscoa, “este deveria ser o momento mais santo e sagrado de todo o ano”, insistiu.

“É um tempo de paz, um tempo de recolhimento, mas, como todos sabemos, em muitos lugares do mundo, constatamos novamente tanto sofrimento, tantas mortes, até mesmo de crianças inocentes, lançamos incessantemente um apelo à paz, mas, infelizmente, muitos procuram promover o ódio, a violência e a guerra”, acrescentou Leão XIV, que se prepara para celebrar a Páscoa pela primeira vez como soberano pontífice no domingo.

O exército do Mali negou, nesta segunda-feira, que tivesse libertado cerca de 200 suspeitos de serem jihadistas em meados de Março para garantir o fim dos ataques a comboios de combustível que estão a paralisar a economia da Nação.

Fontes de segurança e políticas citadas pela imprensa internacional tinham inicialmente reportado a libertação de mais de 100 jihadistas, e posteriormente houve confirmação de que cerca de 200 tinham sido libertados.

Estas declarações, segundo o exército do Mali, têm como objectivo manchar a imagem do pais e minar a confiança entre o povo e as suas instituições, e particularmente entre o povo maliano e as suas forças de defesa e segurança.

Desde Setembro, jihadistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, um grupo filiado da Al-Qaeda, têm atacado comboios de camiões-tanque. 

Apesar de vários meses de calma, os habitantes de Bamako enfrentaram uma escassez de gasóleo no início de Março, com o combustível a ser prioritariamente destinado ao sector energético.

O académico moçambicano Elísio Macamo reagiu ao relatório do Banco Mundial que coloca Moçambique na segunda posição entre os países mais pobres do mundo, responsabilizando também a instituição internacional pelo fracasso na redução da pobreza no País.

Segundo Macamo, não faz sentido que, passados mais de quarenta anos de apoio financeiro e técnico do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, Moçambique continue a enfrentar elevados níveis de pobreza.

“Eu acho engraçado que o Banco Mundial não diga que há 40 anos está a ajudar-nos a ficarmos pobres. Há 40 anos que nós estamos com este programa de assistência do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Então, o falhanço de Moçambique é também o falhanço do Banco Mundial. Se eu ajudo você há 40 anos a deixar de ser pobre e você continua pobre, a culpa não pode ser só sua, é também de quem está a ajudar”, afirmou Elísio Macamo, em declarações feitas na cidade de Nampula.

O académico criticou ainda a falta de transparência nas negociações entre o Governo moçambicano e as instituições financeiras internacionais, apontando que os processos muitas vezes ocorrem sem o escrutínio do parlamento ou consulta à sociedade civil.

“Há uma diferença muito grande entre o nosso governo negociar com o Fundo Monetário Internacional quando o Fundo Monetário Internacional sabe que o nosso Governo não fala com ninguém, não fala com o parlamento, não submete esses projectos de negociações, esses programas de negociações, não submete isso ao escrutínio do parlamento, pura e simplesmente vai conversar lá, em Washington, com essas instituições e ir lá sabendo que as pessoas disseram ‘olha, isso nós não queremos fazer’”, declarou.

Para Elísio Macamo, enquanto persistir o secretismo e a ausência de mecanismos de responsabilização, o País continuará a enfrentar dificuldades para encontrar soluções estruturais que reduzam a pobreza.

“O mais grave é que isso não tenha consequências imediatas na forma como a gente faz política em Moçambique, não tenha quem responsabilizar por isso, que não haja nenhuma possibilidade de alterar o tipo de política que nós estamos a fazer”, concluiu.

As chuvas que têm caído nos últimos dias na cidade de Chimoio estão a agravar o estado das estradas, criando crateras que dificultam a circulação de pessoas e o transporte de bens. Em vários pontos da cidade, a situação é considerada crítica, sobretudo para viaturas, e levanta preocupações quanto à segurança dos munícipes.

Em alguns troços da cidade de Chimoio as chuvas estão a agravar o estado das estradas, criando crateras que dificultam a circulação de pessoas e o transporte de bens. Os buracos condicionam seriamente a transitabilidade e representam risco não apenas para os automobilistas, mas também para os peões. 

Há ainda relatos de danos que ameaçam infraestruturas, como postes de energia eléctrica, que podem desabar devido à erosão do solo.

Os bairros 16 de Junho, Josina Machel e Nhamaonha estão entre os mais afectados. Mesmo a estrada alcatroada que liga o centro urbano a estas zonas não resistiu à força das águas, apresentando sinais visíveis de degradação.

Os residentes mostram-se preocupados e pedem uma intervenção urgente por parte das autoridades municipais. “Há muitos buracos, a estrada está muito mal. Durante algum tempo, nem os carros vão conseguir passar por aqui”, lamentou o munícipe Hermenegildo Armando.

Perante a situação, o município de Chimoio garante que já tem em curso medidas para reabilitar as vias. O edil João Ferreira afirmou que está a ser preparado um trabalho conjunto com uma empresa chinesa, com vista à melhoria das estradas da cidade.

“Vamos trabalhar para ter mais estradas asfaltadas e também melhorar as de terra batida, com sistemas de drenagem adequados para garantir maior durabilidade”, explicou. Segundo o edil, a estrada de Nhamaonha será uma das prioridades, devendo ser parcialmente asfaltada e requalificada.

Apesar das garantias, o arranque das obras ainda depende da melhoria das condições climáticas. A edilidade apela à compreensão dos munícipes, sublinhando que as chuvas contínuas têm condicionado o avanço dos trabalhos.

Com o contrato já rubricado, as autoridades asseguram que as intervenções terão início nos próximos dias, com o objectivo de melhorar a mobilidade urbana e garantir maior segurança para os cidadãos.

O sector da Educação na província da Zambézia enfrenta um défice significativo de carteiras, necessitando de cerca de 650 milhões de meticais para a aquisição de aproximadamente 130 mil unidades, com o objectivo de melhorar as condições de aprendizagem de mais de dois milhões de alunos.

Apesar das dificuldades, nos últimos dois anos foram registados alguns avanços. Cerca de 11.700 alunos passaram a estudar em carteiras, após a aquisição de 2.925 unidades, num investimento superior a 16 milhões de meticais. No mesmo período, também foram construídas e requalificadas várias salas de aula convencionais.

O Director Provincial da Educação, Joaquim Casal, destacou os esforços em curso para reduzir o défice e melhorar as infraestruturas escolares. Segundo explicou, actualmente milhares de alunos deixaram de estudar em condições precárias graças às intervenções realizadas. 

“Temos alunos que passaram de condições mais ou menos precárias para condições condignas”, afirmou Joaquim Casal.

Para o ano de 2026, o sector tem em plano a aquisição de mais de quatro mil carteiras, embora parte já tenha sido distribuída às escolas. Ainda assim, persiste um défice de cerca de 1.500 unidades, que as autoridades procuram colmatar.

Entretanto, o principal desafio continua a ser a limitação de recursos financeiros. Anualmente, são disponibilizados cerca de três milhões de meticais para a compra de carteiras, um valor considerado insuficiente face às necessidades. 

Além disso, há vários anos que não se registam desembolsos efectivos do Orçamento do Estado para este fim, o que agrava a situação.

“Precisaríamos de 130 mil carteiras para garantir que todas as crianças estejam sentadas, mas os recursos são escassos”, explicou Joaquim Casal, sublinhando que a aquisição depende dos valores efectivamente disponibilizados.

Por sua vez, o governador da Zambézia, Pio Matos, apelou aos professores para reforçarem o compromisso com o ensino, destacando a importância da pontualidade e assiduidade nas escolas como factores essenciais para melhorar a qualidade da educação.

Actualmente, o défice de carteiras continua a ser um dos principais entraves no setor, condicionando o processo de ensino e aprendizagem e exigindo soluções urgentes para garantir melhores condições aos alunos da província.

A Universidade Rovuma abriu oficialmente o seu ano académico, em Nampula, com uma aula inaugural orientada pelo académico Elísio Macamo, que destacou a necessidade de repensar as soluções aplicadas aos problemas que afectam o país.

Durante a sua intervenção, subordinada ao tema do papel do conhecimento universitário em tempos de crise, o orador defendeu que Moçambique enfrenta dificuldades persistentes devido à repetição de abordagens que não produzem resultados eficazes. 

Para sustentar a sua posição, apresentou exemplos concretos em diferentes áreas de formação.

“Pensemos, por exemplo, na arquitetura. Nós formamos arquitetos nas nossas universidades, mas continuamos muitas vezes a construir casas que acumulam calor e se tornam extremamente desconfortáveis durante grande parte do ano. Nós formamos médicos altamente qualificados, mas continuamos a ter dificuldades para encontrar soluções eficazes para alguns dos problemas de saúde pública. Formamos agrónomos, mas o País continua a lutar com desafios estruturais na produção e no acesso ao alimento”, afirmou.

Segundo Elísio Macamo, o principal desafio não está necessariamente na falta de conhecimento técnico, mas sim na sua aplicação prática. “O nosso problema, nesses casos, não é necessariamente a falta de conhecimento técnico. O problema pode residir na dificuldade de traduzir esse conhecimento em soluções adequadas às condições específicas em que nós vivemos”, explicou.

O académico defendeu ainda que o País vive uma crise em vários sectores, resultante da insistência em aplicar soluções inadequadas. Como exemplo, referiu programas de desenvolvimento que, na sua perspectiva, não abordam as causas estruturais dos problemas. 

“A ideia de que o problema da alimentação em Moçambique era, sobretudo, um problema de cadeias de valor orientou vários investimentos. Mas, na minha crítica, eu disse que o problema era o desemprego rural, um problema que já tinha sido constatado logo depois da independência nacional”, destacou.

Na mesma ocasião, Macamo criticou a eficácia das estratégias de fiscalização rodoviária, considerando que as medidas actuais não têm produzido resultados visíveis na redução de acidentes. 

“A polícia de trânsito trabalha, mas sem impacto. Gente com imaginação iria mudar alguma coisa. Ou, pelo menos, havia de se perguntar se vale a pena continuar a controlar velocidade e documentos nesses postos físicos, se isso não tem nenhum impacto nos níveis de sinistralidade”, afirmou.

A cerimónia contou com a presença de estudantes, docentes e diversas individualidades, marcando o início de mais um ano académico na instituição, num contexto de reflexão sobre o papel da universidade na busca de soluções inovadoras para os desafios do País.

+ LIDAS

Siga nos

Galeria