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Moçambique acolhe, de 29 de Abril a 2 de Maio, a qualificação regional para o Campeonato Africano de Voleibol de Praia 2026. O evento reunirá várias duplas da região que procuram garantir o acesso à fase final da maior prova continental da modalidade.

A realização deste torneio em solo nacional destaca o papel do País no desenvolvimento do desporto em África. Para os atletas moçambicanos, esta é a oportunidade de competir com o apoio do público e lutar pelo apuramento num ambiente familiar, capitalizando o factor casa.

Espera-se que a competição seja marcada pelo equilíbrio e pela qualidade técnica, reforçando o prestígio de Moçambique na organização de grandes eventos desportivos.

Para já, os trabalhos das duplas nacionais continuam, tendo em vista a preparação para a qualificação para os Jogos Africanos. Por ora, os trabalhos das duplas nacionais são vistos, pelo gabinete técnico, como um passo importante para o desenvolvimento da modalidade e garantir o sucesso do País no continente.

Os mesmos decorrem no campo anexo à Escola Secundária Estrela Vermelha e na Arena da Costa do Sol, onde os atletas se focam na melhoria do rendimento desportivo.

O objectivo central desta preparação consiste na correcção de aspectos técnicos e tácticos importantes para elevar a competitividade das selecções nacionais perante os desafios internacionais que se aproximam.

A Federação Moçambicana de Voleibol reitera o compromisso em assegurar que as duplas se apresentem na sua melhor forma, focadas em superar os desempenhos anteriores.

Além do mais, a FMV acredita que todo o esforço feito neste ciclo de treinos será decisivo para garantir a qualificação de Moçambique para a fase final da competição continental, honrando a tradição de sucesso do voleibol de praia moçambicano e elevando o nome da nossa bandeira em toda a África.

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O Governo desafiou, nesta quarta-feira, em Maputo, os operadores de safaris e gestores das áreas de conservação a tornarem o sector mais atrativo, para os jovens, e impulsionador da economia da vida selvagem e da sua cadeia de valor, alertando que o fraco envolvimento juvenil reflecte o subaproveitamento do seu potencial económico no país.

O desafio foi lançado pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, que considera que o sector ainda não consegue captar o interesse necessário, sobretudo da juventude, revelando limitações no aproveitamento das suas potencialidades.

“Se a actuação dos agentes do safari continua remota, é sinal de que o sector não está a ser suficientemente aproveitado, o que demonstra que ainda não conseguiu captar o interesse necessário, sobretudo da juventude”, afirmou.

O governante sublinhou ainda que o desafio não se limita à capacitação, mas também ao reforço contínuo das competências técnicas, defendendo que a conservação deve traduzir-se em desenvolvimento efectivo.

“É fundamental criar espaço para que a conservação se traduza em desenvolvimento efectivo, com benefícios visíveis para todos os intervenientes, desde os gestores dos parques até às comunidades locais”, advertiu.

Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da Biofund, Carlos Santos, questionou o real aproveitamento do património natural do país, sublinhando que, apesar dos avanços, a vida selvagem pode ter um contributo mais significativo na economia nacional.

“Há sinais claros de que a vida selvagem já tem um peso importante, mas pode contribuir muito mais para a economia nacional”, afirmou, apontando também barreiras persistentes, desde limitações estruturais até à necessidade de políticas mais ajustadas. Defendeu, por isso, um debate orientado para resultados, capaz de alinhar a conservação com o desenvolvimento económico.

Já o presidente da Associação Moçambicana de Operadores de Safari, Adamo Valy, considerou que o encontro constitui uma oportunidade para redefinir o rumo do sector, através da análise de modelos de sucesso na região.

“Queremos, com este fórum, estudar os melhores exemplos ao nível regional, para perceber o que pode ser adaptado à realidade moçambicana”, disse. O responsável destacou ainda o papel dos operadores em zonas remotas, onde muitas vezes asseguram apoio directo às comunidades, defendendo maior coordenação institucional para tornar o sector mais competitivo e sustentável.

Na mesma conferência, a presidente da Millennium Challenge Corporation Moçambique, Augusta Maita, destacou o Compacto II, avaliado em 537 milhões de dólares, como um instrumento estratégico para fortalecer os meios de vida das populações e promover a conservação da vida selvagem, com enfoque nas zonas costeiras.

“Este compacto pretende fortalecer os meios de vida das populações e promover a preservação da vida selvagem, ao mesmo tempo que impulsiona investimentos estruturantes”, explicou.

Os intervenientes convergiram na necessidade de uma actuação conjunta entre o Governo, o sector privado e as comunidades, apontando a valorização dos recursos naturais como essencial para impulsionar a economia da vida selvagem e garantir um desenvolvimento inclusivo e duradouro no país.

O evento conta com a presença de várias entidades em representação da região da SADC e de organizações não governamentais

A Argélia prepara-se para receber uma visita papal, pela primeira vez, quando Leão XIV pisar o território magrebino, nos dia 13 e 15 de Abril, antes de se deslocar a Angola.

Na bagagem, o Bispo de Roma trará consigo o apelo de renovação ao diálogo inter-religioso, reforçando a mensagem de paz e convivência num país de maioria muçulmana.

Segundo a Africanews, que avança a informação, o Papa vai desembarcar, em Argel, na próxima segunda-feira, onde vai homenagear os mártires da independência e reunir-se com o Presidente daquele país norte-africano, Abdelmadjid Tebboune, antes de seguir para Annaba, cidade que guarda o legado de um dos nomes mais influentes do Cristianismo, Santo Agostinho.

Na Basílica de Santo Agostinho, os fiéis e o clero aguardam com entusiasmo a celebração de uma missa histórica. 

Citado pela mesma fonte, o reitor da basílica, padre Fred Wekesa, expressou gratidão e expectativa pela deslocação, que considera importante porque “demonstra a proximidade da Igreja connosco”.

Enquanto estiver na Argélia, o Papa Leão XIV visitará, ainda, a Grande Mesquita de Argel.

O périplo do Chefe de Estado do Vaticano por África incluirá, ainda, passagens por Camarões, Angola e Guiné Equatorial e marcará um gesto de aproximação entre culturas e credos.

As últimas visitas do Santo Padre ao Norte de África foram realizadas por João Paulo II a Marrocos, em 1985, e Egipto em 2000, além do Papa Francisco ao mesmo país em 2017.

Milhares de pessoas formaram, nesta terça-feira, cadeias humanas junto a centrais eléctricas e pontes em várias cidades do Irão para protestar contra as ameaças de ataque do Presidente norte-americano, Donald Trump, noticiaram as agências iranianas.

Trump advertiu na segunda-feira que vai atacar pontes e centrais de energia no Irão se Teerão não terminar com o bloqueio ao Estreito de Ormuz, uma via fundamental de abastecimento energético dos mercados internacionais.

Em Teerão, centenas de pessoas concentraram-se diante da maior central eléctrica do País, Damavand, empunhando bandeiras do Irão e condenando as ameaças norte-americanas de atacar infraestruturas vitais, segundo imagens difundidas pela televisão estatal iraniana.

Na cidade ocidental de Kermanshah, um grupo de manifestantes reuniu-se em frente à central eléctrica de Bisotun para denunciar que atacar infraestruturas eléctricas constitui um crime de guerra, informou a agência Mehr.

Os manifestantes exibiam fotografias do ex-líder supremo, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, a 28 de Fevereiro, e do sucessor e filho, Mojtaba Khamenei, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

Formaram-se também cadeias humanas junto à central termoeléctrica da cidade de Tabriz (noroeste) e a central de Shahid Rajaei, na cidade de Qazvin (norte).

As mobilizações repetiram-se noutros pontos do país.

Em Dezful (sudoeste), estudantes formaram uma cadeia humana sobre a ponte histórica da cidade, com mais de 1.700 anos, em sua defesa perante as ameaças de Trump.

Estas acções fazem parte de uma campanha do Governo, que apelou aos jovens do país para formarem cadeias humanas para “encenar um símbolo de unidade e resistência face ao inimigo”.

O vice-ministro para os Assuntos da Juventude, Alireza Rahimi, disse ontem que “os jovens do Irão, de qualquer ideologia ou preferência, unir-se-ão para dizer ao mundo que atacar infraestruturas públicas é um crime de guerra”.

Figuras da cultura iraniana, entre as quais o músico Ali Gamsari e o cantor Benyamin Bahadori, começaram a instalar-se nas imediações de centrais eléctricas e pontes na segunda-feira.

A concentração começou depois das ameaças de Trump de “desencadear o inferno” se Teerão não reabrir Ormuz antes das 20:00 de ontem em Washington (02h00 desta quarta-feira em Moçambique).

Teerão tem bloqueado o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, permitindo apenas a passagem a embarcações de países que considera aliados, o que disparou o preço do petróleo e de outros produtos.

“Canarinhos” e “locomotivas” vão discutir o troféu da cidade de Maputo em futebol, após vencerem os jogos das meias-finais realizadas esta terça-feira, no campo do Costa do Sol.

Mesmo debaixo de chuva, por vezes forte e noutras fraca, as duas meias-finais mostraram a sede de futebol que se tem na capital pelos amantes da bola, que foram em número considerável, e não se arrependeram de deixar seus afazeres no dia da mulher moçambicana.

No jogo de destaque, a chamada final antecipada, Costa do Sol e Black Bulls protagonizaram um excelente espectáculo de futebol que só foi decidido na marca das grandes penalidades.

Ao longo dos 90 minutos as duas equipas procuraram chegar ao golo, visitando sempre as balizas adversárias, mas sem conseguir abanar as redes.

Perto do final do jogo, Ernan, guarda-redes da Black Bulls, ainda pediu a entrada de Guirrugo, herói da final da Supertaça, para entrar e defender das grandes penalidades. 

O herói entrou e até fez o seu papel, mas os seus colegas não ajudaram e os “touros” vergaram diante do canário, que assim volta a voar alto, mesmo não tendo sido dia de sol.

O Costa do Sol conseguiu regressar a uma final três anos depois, desta vez para procurar conquistar mais um troféu para a sua vitrina, que é a mais preenchida de todas equipas do País.

O adversário dos “canarinhos” não podia ser uma grande equipa, para proporcionar uma final de luxo e de grande nível. Trata-se do Ferroviário de Maputo, que na outra meia-final não teve muitas dificuldades para superar a Liga Desportiva de Maputo, apesar de ter apanhado um pequeno susto.

O Ferroviário de Maputo chegou primeiro ao golo ainda na primeira parte, quando aos 37 minutos do jogo Ezequiel introduziu a bola nas malhas adversárias, após livre indirecto.

Mas a Liga Desportiva de Maputo soube reagir e dois minutos depois voltou a restabelecer o empate, através de Luther, que manteve justiça no marcador, já que o equilíbrio era a nota dominante na primeira parte.

Mas foi na segunda parte onde a superioridade dos “locomotivas” veio ao de cima, aproveitando as falhas defensivas para marcar golos que deram o apuramento à final. 

Apenas dois minutos decorridos após o reatamento, Naftal tirou proveito das fragilidades defensivas da Liga para fazer o 2-1, antes de Atílio voltar a aproveitar brincadeiras defensivas para fixar o 3-1 final, aos 54 minutos.

Já não houve espaço para reacção e o Ferroviário de Maputo continua firme na revalidação do título da cidade de Maputo, conquistado ano passado.

Desta vez será com o Costa do Sol, seu maior rival, não sendo elas as duas equipas com mais títulos no País.

Sábado, no mesmo relvado dos “canarinhos”, Black Bulls e Liga Desportiva de Maputo disputam o chamado jogo da consolação, lutando pelo terceiro lugar, enquanto o Ferroviário e o Costa do Sol disputam o troféu.

 

A população de Mucojo, na província de Cabo Delgado, denunciou, nesta terça-feira, a circulação de supostos terroristas dentro da comunidade, a 40 quilómetros de Macomia, provocando o receio entre os moradores.

Segundo fontes locais, citadas pela Lusa, os supostos terroristas surgem como civis entre os residentes e, após alguns dias, desaparecem, deixando os residentes preocupados e com medo de possíveis ataques.

“Às vezes lá aparecem pessoas e depois somem, sem as comunidades saberem ao certo para onde vão”, relatou uma fonte em Macomia.

As fontes, citadas pela Lusa, acrescentam que alguns suspeitos são jovens da comunidade, alegadamente integrantes do grupo armado que realiza ataques em Cabo Delgado.

“Alguns não são estranhos, são de lá de Mucojo, mas ficam e depois somem sem dizer para onde é que vão”, disse outra fonte.

As informações, acrescentam, são do conhecimento das Forças de Defesa e Segurança, que têm estado no terreno para monitorizar a situação e evitar qualquer oportunismo.

“As forças sabem e sempre estão lá em coordenação com as comunidades, monitorizam e tudo fazem para evitar infiltrados”, disse.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado a 05 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou dois eventos violentos nas duas últimas semanas, um envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 13 mortos, elevando para 6515 os óbitos desde 2017.

Um total de 8369 casos de cólera foi registado, em Moçambique, segundo os dados mais recentes da Direcção Nacional de Saúde Pública (DNSP).

A mesma fonte refere, também, que, em sete meses, pelo menos 83 pessoas perderam a vida devido à doença.

O boletim mais recente da DNSP sobre a evolução da cólera, com dados de 3 de Setembro a 4 de Abril, aponta a província de Nampula com um total de 39 mortos e 2815 em Tete, com 32 óbitos, além de 1071 em Cabo Delgado, onde foram registados oito mortos.

No relatório, é indicado ainda o registo de 136 casos e um morto na província da Zambézia, 153 casos e dois mortos em Manica, 495 casos e um morto em Sofala, dois casos entre a cidade e a província de Maputo e um na província de Gaza.

Nas 24 horas anteriores ao encerramento do boletim (4 de Abril) foram confirmados 22 novos casos, com a taxa de letalidade geral em Moçambique a manter-se em 1% e 42 pessoas internadas, não havendo registo de óbitos há praticamente um mês, reporta a agência noticiosa portuguesa.

 

Subiu para 11 o número de numeradores artesanais que morreram após o desabamento, no sábado, de uma mina no distrito de Vandúzi, província de Manica, avançou a polícia nesta terça-feira.

“Ficaram soterradas 10 pessoas, estas acabaram perdendo a vida no local, e cinco feridos. Destes, três encontravam-se em estado grave, acabaram sendo transferidos ao Hospital Provincial de Chimoio. Chegados lá, um acabou perdendo a vida”, disse o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Manica, Mouzinho Manasse, citado pelo Notícias ao Minuto.

As autoridades de saúde explicaram que as vítimas ainda internadas se encontram estáveis, apesar de ainda carecerem de cuidados médicos.

O secretário de Estado na província de Manica, Lourenço Lindonde, tinha explicado anteriormente que o acidente ocorreu na zona tida como “Seis Carros”, esclarecendo que “é a zona de grande concentração de jovens que procuram sustento”, acrescentando que “é verdade que devemos procurar o sustento, mas essa procura do sustento tem de ser com base em regras, com base em comportamentos que evitem situações como estas, de mortes”.

Segundo o responsável, citado pela mesma fonte, o incidente que ocorreu dentro daquela mina, que registou nos últimos meses dezenas de mortos por mineração ilegal, resultou em 10 mortos e o resgate de cinco pessoas, três dos quais se encontram em estado grave.

Lindonde defendeu ainda que a mineração deve ser feita com recurso a equipamentos apropriados e que os mineradores devem pagar os impostos de que o Estado precisa para a arrecadação de receitas.

A 16 de Janeiro, pelo menos três mineradores morreram por asfixia num incidente com um gerador naquela mina de Vandúzi, conforme avançou na altura o ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, durante uma visita à mina “Seis carros”, em Manica.

No dia 08 de Janeiro, pelo menos uma pessoa morreu e outras duas ficaram gravemente feridas num desabamento na mesma mina em Manica, avançou na altura fonte do hospital provincial.

O incidente ocorreu quando um grupo de pessoas invadiu a mina para explorar os recursos, com populares a contabilizarem mais de 100 pessoas no local. Contudo, há registo de que apenas três dos feridos, homens, deram entrada no Hospital Provincial de Manica.

Os incidentes sucedem numa altura em que vigora a medida do Governo de suspensão de actividades mineiras, como forma de travar a erosão e o arrastamento de terras, face aos impactos ambientais da actividade desordenada.

O Governo anunciou, recorde-se, em Dezembro do ano passado, que as mineradoras tinham 90 dias para repor e estabilizar solos, bem como restaurar os caudais de rios afectados pela mineração. 

O ministro dos Recursos Minerais e Energia recordou, na altura, estarem em curso medidas para travar a degradação ambiental devido à exploração mineira.

Segundo Estêvão Pale, na província de Manica, onde a mineração foi suspensa, a Agência de Controlo de Qualidade Ambiental notificou, a 28 de Outubro, “25 empresas mineiras para iniciarem o processo de reabilitação das áreas e reposição dos solos degradados resultantes das suas actividades de exploração”, enquanto na província de Tete uma comissão multissectorial avaliava o incumprimento dos planos ambientais.

A suspensão das licenças mineiras em Manica ocorre após o Executivo ter apreciado o relatório do comando operativo das Forças de Defesa e Segurança (FDS) que trabalhou naquela província entre 17 e 19 de Julho, para avaliar a situação ambiental face à mineração.

 

A escritora e activista social moçambicana Énia Lipanga foi seleccionada para integrar o ciclo II do Fundo de Investimento para a Criação de Obras Digitais no Oceano Índico, uma iniciativa que apoia projectos inovadores na área cultural e digital na região.

Para a escritora, integrar o ciclo II do Fundo de Investimento para a Criação de Obras Digitais no Oceano Índico significa “a concretização de um sonho e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade maior com o público que desejo alcançar. Este apoio permite-me custear etapas fundamentais do projecto e transformar o meu livro numa experiência acessível também em formato sonoro”. 

“A minha eleição reflecte não apenas um reconhecimento individual, mas também um avanço colectivo, sobretudo, no que diz respeito ao espaço que as mulheres escritoras vêm conquistando. O país ganha sempre que uma moçambicana é reconhecida e apoiada”, explicou.

Entre cinco artistas e projectos seleccionados para este ciclo, Énia Lipanga representa Moçambique, destacando o país no panorama da criação contemporânea e reforçando a presença de narrativas autorais comprometidas com questões sociais e com o acesso democrático à cultura.

O fundo é promovido pela Comissão do Oceano Índico, no âmbito do projeto Indústrias Culturais e Criativas (ICC), com o apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), e tem como objectivo impulsionar a produção de conteúdos digitais inovadores e de impacto.

A proposta da Énia Lipanga centra-se na adaptação do seu mais recente livro publicado no Brasil, Nada Será Devolvido em Silêncio, para o formato de audiobook.

Lipanga avança que mais do que uma transposição de linguagem, o projecto nasce de uma intenção clara, ampliar o alcance da literatura para além das barreiras tradicionais de leitura. A obra pretende chegar a mulheres que não tiveram acesso à alfabetização, bem como a pessoas com deficiência visual, criando novas possibilidades de escuta, identificação e pertencimento.

Conhecida por uma escrita feminista, Énia Lipanga leva para este projecto uma abordagem sensível e politicamente consciente, onde a palavra falada se torna também ferramenta de inclusão e transformação social.

“Quero que a minha literatura possa ser ouvida por quem nunca pôde lê-la. Que essas histórias encontrem vidas, mesmo quando os olhos não podem alcançá-las”, afirma a autora.

A participação no fundo permitirá o desenvolvimento de uma obra digital com impacto social direto, contribuindo para a democratização do acesso à literatura no contexto moçambicano e na região do Oceano Índico.

Énia Lipanga é escritora, poetisa, jornalista e activista moçambicana. A sua obra e trajectória cruzam arte, direitos humanos e inclusão, com foco na valorização das mulheres e de pessoas com deficiência. É curadora do Palavras São Palavras e mentora do movimento Incluarte. Já representou Moçambique em diversos países e é autora de várias obras de poesia. Foi nomeada uma das 10 mulheres mais inspiradoras de 2022 pela Hamasa Magazine, incluída entre as 100 personalidades negras mais influentes da lusofonia pela Bantu Man, considerada melhor artevista de 2025 pela Plan International e condecorada com a Medalha de Honra e Direitos Humanos pelo Governo do Brasil em 2024.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, afirmou esta segunda-feira, na cidade de Nampula, que o reforço  do transporte público urbano constitui um passo estratégico para  promover a mobilidade, impulsionar a economia e melhorar a  qualidade de vida dos cidadãos, no quadro da construção de um  sistema nacional de transportes mais inclusivo e sustentável. 

Falando na cerimónia de entrega de 100 autocarros para transporte  público de passageiros, o Chefe do Estado sublinhou o alcance social  e económico da iniciativa. “Não se trata apenas de mais um acto  administrativo. Trata-se de um passo concreto na construção de um  país mais integrado, mais produtivo, mais digno e que está  preocupado com o bem-estar do seu povo”.

Na ocasião, destacou o significado da escolha da cidade de  Nampula para o evento, descrevendo-a como um dos principais polos  de dinamismo económico do país e reiterando a visão de um  desenvolvimento equilibrado. “A escolha de Nampula para este  momento não é casual. Esta cidade, coração pulsante do Norte, é um  dos principais eixos de mobilidade, comércio e dinamismo económico  do país”, afirmou. 

O estadista explicou que os meios serão distribuídos por vários  municípios estratégicos, abrangendo diferentes regiões do país, com o  objectivo de reduzir assimetrias e fortalecer os centros urbanos como  motores de crescimento económico local e regional. 

Segundo o Presidente Chapo, os autocarros representam mais do que  simples meios de transporte, constituindo instrumentos de integração e  desenvolvimento. “Os autocarros que hoje entregamos, mais do que  meios de transporte, são pontes vivas entre distâncias e destinos,  motores de esperança que levam consigo sonhos do povo  moçambicano”, declarou. 

O Chefe do Estado enquadrou a iniciativa num programa mais amplo  do Governo para reforço da mobilidade, que prevê a aquisição de  mais de mil meios de transporte, incluindo soluções adaptadas tanto  para zonas urbanas como rurais. 

Com a introdução destes veículos, o Governo espera reduzir o tempo  de espera nas paragens, aumentar a capacidade de transporte,  melhorar a segurança e elevar a qualidade de vida dos cidadãos.  Estima-se que os novos meios venham a beneficiar cerca de 780 mil  passageiros por mês, contribuindo para uma economia mais dinâmica  e inclusiva. 

O governante destacou ainda a aposta em soluções ambientalmente  sustentáveis, referindo que parte significativa dos autocarros é movida  a gás natural veicular, e anunciou a introdução de um sistema de  transporte público escolar com tarifa acessível, visando garantir  melhores condições de acesso à educação.

Dirigindo-se aos municípios e aos utentes, o Presidente da República  apelou à responsabilidade na gestão e utilização dos meios,  enfatizando a necessidade de segurança rodoviária e conservação  dos veículos. 

“Servir bem o povo, que nos votou, tanto nos municípios, como a nível  nacional, significa garantir que estes autocarros circulem com  segurança, limpeza, regularidade e dignidade”, afirmou, antes de  declarar oficialmente entregue o primeiro lote de autocarros no actual  ciclo de governação. 

Receberam os autocarros os municípios de Nampula e Nacala, na  província de Nampula; Pemba e Montepuez (Cabo Delgado);  Lichinga e Cuamba (Niassa); Mocuba e Gurué (Zambézia); Chimoio e  Manica (Manica); Beira, Dondo e Nhamatamnda (Sofala) e Tete e  Moatize, na província de Tete. 

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