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Mulheres da sociedade civil de várias partes do País apresentaram propostas de reformas no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, com foco nos sectores de recursos naturais, economia e políticas públicas, defendendo maior inclusão da perspetiva de género nas decisões nacionais.

As vozes e experiências das mulheres estiveram no centro das contribuições apresentadas à Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo. Representantes da sociedade civil reuniram-se para elaborar um conjunto de propostas destinadas a promover mudanças estruturais em diferentes sectores do País.

No eixo dos recursos naturais, as participantes defenderam reformas legais que permitam harmonizar a legislação sobre igualdade de género com as leis que regulam o sector.

Entre as propostas está também a revisão das directrizes de cálculo de indemnizações para garantir compensações mais justas às comunidades afectadas por projectos de exploração de recursos.

As mulheres propõem ainda que o Governo assuma a responsabilidade pela elaboração de estudos de impacto ambiental, incluindo avaliações detalhadas sobre impactos sociais e de saúde, assegurando que a perspectiva de género seja integrada nesses processos.

O documento, entregue nesta quinta-feira ao presidente da Comissão Técnica do Diálogo Nacional, inclui igualmente propostas para o fortalecimento do sector económico.

Entre as recomendações está a criação de programas nacionais de formação em literacia financeira e gestão de negócios, bem como a integração do empreendedorismo nos currículos escolares e universitários.

As participantes defendem também a criação de centros locais de apoio empresarial para impulsionar iniciativas lideradas por mulheres.

No que diz respeito ao acesso ao financiamento, as propostas incluem a criação de linhas de crédito específicas com taxas bonificadas sob coordenação do Banco de Moçambique, o estabelecimento de fundos de garantia e a promoção de mecanismos de microfinanciamento adaptados às necessidades das mulheres rurais e do sector informal.

A Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo afirmou ter registado as contribuições apresentadas, destacando que algumas propostas podem ter impacto imediato, enquanto outras deverão produzir resultados a médio e longo prazo.

Segundo a comissão, parte das recomendações poderá resultar em reformas legislativas, exigindo a revisão de algumas normas existentes. Outras contribuições enquadram-se na formulação ou redefinição de políticas públicas, enquanto algumas têm um papel essencialmente educativo para a sociedade.

O calendário do Diálogo Nacional Inclusivo prevê que até Março seja concluído o processo de sistematização das propostas recolhidas durante a auscultação pública que decorre desde Setembro do ano passado.

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O valor do Fundo Soberano de Moçambique (FSM) cresceu 6,5% nos primeiros três meses desde que o Governo enviou a primeira tranche para o Banco de Moçambique (BM), atingindo cerca de 117 milhões de dólares americanos.

Os dados constam das informações disponibilizadas pelo banco central, nesta quarta-feira, indicando que o fundo iniciou a sua trajectória com uma evolução positiva, impulsionada sobretudo pelas primeiras receitas provenientes da exploração de gás natural liquefeito no País.

A criação do Fundo representa um dos instrumentos estratégicos definidos pelo Estado para gerir as receitas provenientes dos recursos naturais, particularmente do gás natural descoberto na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado. O mecanismo pretende assegurar que parte significativa desses recursos seja canalizada para a poupança nacional e para o financiamento de iniciativas estruturantes de desenvolvimento, com impacto tanto no presente como nas gerações futuras.

Os dados oficiais indicam que o crescimento registado no valor do fundo ocorreu entre Dezembro de 2025 e o início de Março de 2026, período que coincide com os primeiros meses de funcionamento efectivo da estrutura. No dia 2 de Março, segundo o banco central, o valor do fundo era de cerca de 117 milhões de dólares.

O ponto de partida para o Fundo Soberano ocorreu a 10 de Dezembro de 2025, quando o Governo transferiu para o Banco de Moçambique o primeiro montante destinado à capitalização do fundo. Na altura, foram depositados 109,97 milhões de dólares, provenientes das receitas iniciais da exploração de gás natural.

O valor constituiu a base financeira para o arranque das operações do FSM e para a implementação do seu modelo de gestão. Posteriormente, a 6 de Janeiro de 2026, foi realizada uma nova transferência de recursos para o fundo, desta vez no valor de cerca de 6,2 milhões de dólares.

A soma desses montantes, aliada à valorização dos activos financeiros nos quais o capital começou a ser aplicado em três bancos no exterior, contribuiu para o crescimento global do fundo ao longo dos primeiros três meses de actividade.

O Fundo Soberano de Moçambique foi oficialmente criado após a aprovação da respectiva lei pela Assembleia da República em 15 de Dezembro de 2023. A legislação estabelece as bases de funcionamento, os objectivos estratégicos e os mecanismos de governação do fundo, que deverá desempenhar um papel central na gestão das receitas provenientes do sector de hidrocarbonetos.

Entre as principais disposições da lei encontra-se a determinação de que 40% das receitas anuais provenientes da exploração de gás natural sejam canalizadas para o Fundo Soberano. As projecções indicam que, a partir da década de 2040, essas receitas poderão alcançar cerca de 6 mil milhões de dólares por ano, dependendo da evolução da produção e das condições do mercado internacional de energia.

De acordo com o Banco de Moçambique, que assume a gestão operacional do fundo, o FSM deve ser entendido como uma carteira de investimentos estruturada segundo critérios técnicos rigorosos e alinhada com a legislação nacional. A instituição esclarece que “o FSM é uma carteira de activos financeiros, gerida de acordo com os princípios, regras e procedimentos estabelecidos na lei”.

A função do banco central consiste em gerir os recursos no mercado financeiro internacional, aplicando os fundos em activos que permitam preservar e aumentar o valor do capital ao longo do tempo, respeitando simultaneamente os limites de risco definidos pela política de investimentos.

A instituição explica que a criação do FSM foi “motivada pela necessidade imperativa de garantir que as receitas geradas pela exploração de petróleo e gás impulsionam o desenvolvimento social e económico do País”.

Para além deste objectivo, o banco central sublinha que o fundo deverá desempenhar um papel importante na estabilidade macroeconómica e na construção de uma base sólida de poupança nacional. Nesse sentido, acrescenta que o mecanismo visa “maximizar os benefícios para a economia nacional e assegurar que estas receitas sirvam como um pilar de estabilização do Orçamento do Estado, bem como uma base sólida para a criação de poupança e acumulação de riqueza para as gerações futuras”.

A estrutura institucional do Fundo Soberano prevê uma divisão clara de responsabilidades entre diferentes entidades do Estado. O Governo é responsável pela supervisão global e pela definição das orientações estratégicas, enquanto o Banco de Moçambique assegura a gestão operacional e a execução da política de investimentos.

A gestão do Fundo está sujeita a mecanismos de controlo e auditoria, incluindo fiscalização interna e externa, com o objectivo de garantir transparência, responsabilidade e conformidade com as normas legais e financeiras.

A evolução inicial positiva do Fundo Soberano ocorre num momento em que Moçambique continua a desenvolver projectos de grande escala para exploração de gás natural na Bacia do Rovuma, considerada uma das maiores reservas mundiais desse recurso.

Actualmente, três grandes projectos de exploração estão aprovados para a região. Um deles é liderado pela multinacional francesa TotalEnergies e prevê a produção de cerca de 13 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano. O projecto encontra-se numa fase de retoma gradual após ter sido suspenso, devido aos ataques terroristas registados na província de Cabo Delgado.

Outro projecto de grande dimensão é liderado pela ExxonMobil, empresa norte-americana que planeia desenvolver uma capacidade de produção de aproximadamente 18 milhões de toneladas anuais de gás natural liquefeito. No entanto, a decisão final de investimento ainda não foi anunciada, estando dependente de diversos factores, incluindo condições de segurança, viabilidade económica e evolução do mercado energético global.

Além desses projectos localizados na península de Afungi, existe ainda a Área 4 da Bacia do Rovuma, um consórcio liderado pela empresa italiana Eni. Nessa área, já se encontra em operação, desde 2022, a unidade flutuante Coral Sul, destinada à produção de gás natural liquefeito em águas ultraprofundas.

A evolução dessas iniciativas é considerada fundamental para o financiamento do Fundo Soberano, uma vez que a legislação estabelece que parte significativa das receitas geradas por esses projectos seja destinada ao fundo.

O bispo emérito da Diocese dos Libombos, Dinis Sengulane, celebrou esta quinta-feira, 5 de Março, 80 anos de vida. Ao longo de várias décadas, dedicou-se à fé, à reconciliação entre moçambicanos e à promoção de iniciativas sociais que continuam a transformar comunidades.

Considerado por muitos um peregrino da paz, Dom Dinis tornou-se uma das vozes morais mais respeitadas de Moçambique.

Filho de Salomoni Sengulane e de Rosita Massango, nasceu em 1946, no posto administrativo de Zandamela, na província de Inhambane Province. Desde cedo demonstrou uma inclinação para a vida religiosa. Conta-se que, ainda criança, inventava missas e brincava de baptizar bonecos.

Quando nasceu recebeu o nome Nyanzume, do cicopi, que significa “fazedor das coisas do céu”. Para muitos, esse nome acabou por se tornar um verdadeiro prenúncio da missão que viria a abraçar.

Com o passar dos anos, a vocação transformou-se em realidade. Em 1976 foi consagrado bispo anglicano, iniciando um percurso de liderança religiosa que marcaria profundamente a igreja e a sociedade moçambicana.

 

O homem por trás do bispo

Antes de ser uma figura pública, Dom Dinis é também o pilar de uma família numerosa. Aos 80 anos é pai de nove filhos, avô de vinte netos e referência para uma extensa família.

A vida familiar conheceu também momentos difíceis. Em 1998 perdeu a sua esposa, um episódio que marcou profundamente a família. Mesmo assim, decidiu seguir em frente e dedicar-se ainda mais aos filhos, assumindo simultaneamente o papel de pai e mãe.

Hoje, filhos, netos e sobrinhos reconhecem nele um conselheiro permanente, alguém que em momentos de dificuldade encontra sempre palavras de encorajamento e orientação.

 

Uma voz pela paz

A liderança de Dom Dinis ganhou especial relevância durante um dos períodos mais difíceis da história de Moçambique: a guerra civil que dividiu o país durante anos.

Nesse contexto, a sua missão religiosa ultrapassou os limites da igreja. O bispo passou a desempenhar um papel activo na promoção do diálogo e da reconciliação entre moçambicanos, contribuindo para aproximar partes em conflito.

Esse esforço culminaria na assinatura do acordo geral de Paz, em Outubro de 1992. 

Para muitas figuras da sociedade moçambicana, Dom Dinis foi um dos líderes religiosos que ajudaram a criar pontes num momento em que o país mais precisava de reconciliação.

 

Transformar armas em enxadas

Depois da guerra, quando o silêncio das armas ainda ecoava na memória colectiva, Dom Dinis lançou uma iniciativa que viria a tornar-se conhecida internacionalmente.

O projecto Transformar armas em enxadas, incentivou antigos combatentes e comunidades a entregarem armas em troca de instrumentos de trabalho.

As armas recolhidas foram depois transformadas em ferramentas agrícolas e também em peças de arte, num poderoso símbolo de reconciliação e reconstrução nacional.

 

Compromisso social

A acção de Dom Dinis não se limitou à promoção da paz. O bispo também se destacou no combate à malária, através da campanha Fazer Recuar a Malária. 

A sua intervenção ajudou a chamar a atenção para o paradoxo de milhares de pessoas continuarem a morrer de uma doença que tem tratamento, pressionando governos e instituições a reforçarem a resposta ao problema.

Ao longo do seu ministério, que este ano assinala 50 décadas de sacerdote,  Dom Dinis tem sido reconhecido dentro e fora do país pela sua coragem moral e pela defesa da justiça social.

 

Um legado que continua

Mesmo depois de se retirar das funções episcopais, Dom Dinis Sengulane continua activo em projectos sociais e iniciativas de fé, mantendo o compromisso com a paz, a justiça e o bem-estar das comunidades.

Aos 80 anos, a sua trajectória continua a inspirar muitos moçambicanos , não apenas como líder religioso, mas como um homem que procurou transformar a fé em acção concreta.

 

Depoimentos 

 

Lina Sengulane – Esposa 

“É uma pessoa de fácil trato. É uma pessoa que não quer ver conflitos, não quer ver confusão. É uma pessoa calma, serena. Ele consegue ficar igual a si, mesmo, em momentos bons e em momentos difíceis. É um grande contador de anedotas. Ele conta anedotas uma acima da outra, então aí toda a gente ri, toda a gente fica feliz.Não somos só marido e mulher, somos companheiros, somos amigos”. 

 

Esperança Mangaze – Amiga/ Crente 

A ti, sacerdote para sempre, escolheu teu Pai dos céus para que fosses um outro Cristo. Para que os teus pés continuassem a caminhar nos caminhos do mundo. Eu tinha nove anos,  mas essa mensagem ficou e eu olho para o Dom Dinis Sengulane a representar essa figura, não só para mim, mas para muitas outras pessoas. É aquele exemplo de pessoa que nós todos queremos seguir.

 

Graça Machel – Activista Social / Amiga 

O Bispo foi falar com o Presidente Chissano e disse que é preciso acabar com a guerra entre moçambicanos e explicou muito bem, o que aquela guerra significava para milhões de moçambicanos (…) Encontrou-se com Afonso Dlhakama, também para o convencer de que o sacrifício enorme que era exigido ao povo moçambicano não justificava.

 

Joaquim Chissano – Antigo Presidente da República

Formaram um grupo que foi aos Estados Unidos da América por minha sugestão. Lá foram à procura de elementos capazes de nos conduzirem a um contato com a liderança da Renamo, para iniciarmos um diálogo mais credível, começando pela preparação. É assim que fomos dialogando até se constituir a delegação que foi à Nairobi. O bispo Sengulane disse que nós devíamos nos transformar, nós próprios, em paz, que nós somos paz, então criou a saudação: Olá Paz”

 

Armando Guebuza – Antigo Presidente da República 

Quando ele diz Olá Paz, a gente sente que está a dizer uma coisa que vem do fundo do coração, e transmite essa convicção também,essa boa vontade aos outros, às pessoas que o ouvem, por isso,eu o conheço neste processo de paz e no processo da necessidade de apaziguar, ainda mais, os corações, as mentes dos cidadãos.

 

Bruno Sengulane – Filho 

Dom Dinis Sengulane é pai, mas, acima de tudo, é um pilar e a fundação que moldou o homem que eu sou hoje e também que molda os valores que vou passando para as pessoas com quem convivo, especialmente para os meus filhos. É Uma pessoa que está a completar 80 anos, mas tem projectos para daqui há 10 anos e 20 anos e vai fazendo a sua vida nesse ritmo”.

A morte de António Lobo Antunes é a notícia que marcou nesta quinta-feira, de 5 de Março, a imprensa cultural dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP.

António Lobo Antunes é um dos maiores escritores da literatura portuguesa contemporânea e autor de uma vasta obra.

Ao longo de várias décadas, uma das vozes literárias mais importantes da história recente de Portugal, publicou mais de três dezenas de romances.

A sua obra é motivo de orgulho nacional, mas tem também mérito reconhecido lá fora, merecendo hoje destaque em vários meios internacionais, que destacam os feitos do escritor luso.

O escritor António Lobo Antunes, Prémio Camões 2007, morreu esta quinta-feira aos 83 anos.

O escritor, que se definia como “caçador de palavras”, foi médico psiquiatra e escrevia romances para combater a depressão que afirmava existir em todas as pessoas.

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, a 01 de Setembro de 1942. A escolha do curso universitário “foi para dar prazer aos pais que entendiam que devia ter uma enxada”, contou à Lusa. António Lobo Antunes licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa, em 1969, e especializou-se em Psiquiatria, depois do regresso de Angola.

O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, foi publicado em 1979.

O público desde cedo demonstrara apreço pela obra, tornando-o um dos autores mais lidos de língua portuguesa, o que nem sempre facilitou a crítica da época nos momentos iniciais do seu percurso.

Depois, veio o reconhecimento no estrangeiro, com a edição dos seus romances em países europeus, como Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido, a que se juntaram os mercados livreiros do Brasil, Estados Unidos e Canadá.

O Governo português decretou que no dia 7 de Março far-se-á um dia de luto nacional em homenagem a António Lobo Antunes.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, recebeu hoje, os  titulares dos órgãos sociais da Câmara de Comércio de  Moçambique (CCM), que se apresentaram com a missão de  cumprimentar o Chefe do Estado e demonstrar prontidão para o  mandato recém-iniciado. Durante a audiência, o Chefe do Estado  enfatizou a importância do trabalho conjunto entre o Estado e o  sector privado para o desenvolvimento do empresariado nacional. 

“Vamos trabalhar juntos com o mesmo objectivo de desenvolver o  empresariado moçambicano, as suas relações com os empresários  dos outros países ao nível do mundo, sobretudo a actividade  principal da Câmara de Comércio que sempre realizou ao longo destes cerca de 46 anos de existência. Então, queremos, mais uma  vez, reiterar os nossos parabéns”, afirmou o Presidente Chapo,  destacando a trajetória da CCM e a relevância do sector  empresarial para a economia do país. 

A nova direcção da Câmara de Comércio foi representada pelo  seu presidente, Lucas Chachine, que, em declarações à imprensa, expressou a satisfação da instituição por ter sido recebida pelo  Chefe do Estado e apresentou as prioridades da sua gestão. 

“Tivemos a honra de sermos recebido por sua Excelência o  Presidente da República. Transmitimos à Sua Excelência o  Presidente da República a nossa agenda de desenvolvimento do  sector empresarial, com foco na promoção da produção  nacional”, disse o dirigente da CCM. 

Entre as principais metas apresentadas está a capacitação dos  produtores moçambicanos para facilitar a sua inserção nos  mercados e fortalecer a cadeia de valor nacional. “Nós queremos  capacitar os produtores para poderem entrar nos mercados. Temos  visto que os nossos produtores não têm acesso à nossa rede de  distribuição nacional, sobretudo de grande qualidade, porque a  qualidade de produção, muitas vezes, não é atractiva para os  grandes centros comerciais”, explicou o presidente da CCM. 

O dirigente acrescentou que o foco na qualidade da produção  nacional visa valorizar os produtores e reduzir a dependência de  importações, alinhando-se com a política do governo para o  sector. “Eu penso que isto cria valor, valoriza o produtor e pode  contribuir para aquilo que o governo almeja, que é a redução das  importações”, sublinhou. 

O Presidente da República destacou, por sua vez, durante o  encontro, a necessidade de sinergia entre a Câmara de Comércio  e o Governo para materializar os objectivos do sector empresarial e  do país. O diálogo entre o Estado e o sector privado, segundo o  Chefe do Estado, é essencial para a promoção de um ambiente de  negócios mais competitivo e integrado internacionalmente.

O presidente da CCM reforçou que a instituição trabalhará em  estreita coordenação com o governo, incluindo o Ministério da  Economia, para alcançar os objetivos definidos. “Sua Excelência o  Presidente tem uma visão muito clara. Nós vamos trabalhar em  coordenação com Sua Excelência o Ministro da Economia para  materializar a nossa visão, e esta visão coincide com aquilo que é o  plano do governo para este mandato, que é aumentar a  produção, diminuir as importações, aumentar as exportações e criar  a renda para os moçambicanos”, afirmou. 

Durante a audiência, ficou evidenciado o compromisso do governo  e da Câmara de Comércio em fortalecer a produção nacional,  expandir a presença de empresas moçambicanas no mercado  internacional e promover políticas de incentivo à economia local. A  cooperação institucional surge como factor determinante para  acelerar o crescimento sustentável e inclusivo do país. 

Ao final do encontro, o Presidente Chapo renovou votos de sucesso  à nova direcção da CCM, reforçando que a parceria entre Estado  e sector privado é estratégica para consolidar o desenvolvimento  económico de Moçambique e aumentar a competitividade do  empresariado nacional.

O programa apoiou milhares de estudantes, professores, artistas e empreendedores culturais em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e Timor-Leste, nas áreas da música, artes cénicas e literatura infanto-juvenil.

A presidente do instituto Camões, Florbela Paraíba, admitiu esta quinta-feira, em Maputo, que o projecto Procultura mudou, em sete anos, a vida de milhares de pessoas que, nos países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste, querem trabalhar na cultura.

“Houve formação, houve espaço de criação, os artistas precisam ter espaços tranquilos para criar, para aprender, para crescer juntos”, disse a presidente do Camões, à margem da apresentação dos resultados e encerramento do Procultura, que arrancou a 01 de Abril de 2019 e termina a 31 de Março, sessão que decorreu em Maputo.

Na ocasião, Paraíba disse que o projecto “permitiu-lhes internacionalizar as suas carreiras” e que “mais de 80% tiveram uma projecção internacional e regional, que é muito bom, mais de 60% têm hoje carreiras no sector”.

Para a Presidente do Instituto Camões, este sector da cultura “é sempre muito volátil, digamos assim, em termos de empregabilidade e fixar estas pessoas num sector em que elas querem trabalhar, em que elas sonham expressar-se, é muito importante. Portanto, os resultados são muito, muito positivos”, disse.

O programa apoiou, neste período, sob implementação do Instituto Camões com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e financiamento da União Europeia (UE), avaliado em 19 milhões de euros, milhares de estudantes, professores, artistas e empreendedores culturais em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), e Timor-Leste, nas áreas da música, artes cénicas e literatura infanto-juvenil.

“Envolveu mais de 1.800 estudantes, artistas, teve uma acção muito abrangente nas áreas da música, nas áreas da produção de literatura infanto-juvenil, nas artes cénicas e o objectivo era criar maior renda, maior possibilidade de emprego a estes profissionais, tanto aqueles que se exibem nas câmaras como aqueles que estão atrás das câmaras, técnicos de som, de iluminação, cenógrafos, no sentido de possibilitar espaço de criação cultural e artística”, apontou Florbela Paraíba.

Acrescentou a importância da formação que foi permitida a esses profissionais, além das várias residências artísticas e da mobilidade internacional, com a “possibilidade de intercâmbio de experiências”, incluindo entre as entidades de ensino superior e de ensino secundário destes países, que “puderem replicar” conhecimentos.

O Procultura, que terá continuidade para o Procultura II com 10 milhões de euros da UE anunciado ontem, financiou o lançamento de cursos técnicos e de ensino superior na área cultural, actividades de 108 entidades, a maioria sem fins lucrativas, bolseiros do Ensino Superior, em que 106 estudantes terminaram os cursos.

Levou ainda à criação de mais de 600 postos de trabalho, além da realização de residências artísticas por 50 artistas e a mobilidade académica entre 11 universidades portuguesas e nove destes países.

“Formámos muitos professores também, formámos muitos estudantes, dando-lhes sensibilização. E, no fundo, isto é um projecto para o Camões que corporiza aquilo que nós fazemos: O nexo cultura-desenvolvimento, a possibilidade de termos aqui um crescimento, uma cocriação em que nós e as entidades destes países agimos em parceria, potenciámos sonhos e damos acesso a igualdade de oportunidades a todos”, reconheceu Florbela Paraíba.

“A cultura não é residual, a cultura é investimento, é economia, é promoção da diversidade, é promoção da coesão nacional, de apropriação comunitária e, acima de tudo, é um factor de identidade e de futuro para todos aqueles que estão envolvidos”, enfatizou,

O Camões vai implementar o Procultura II, cuja nota conceptual já está a ser desenhada.

“Vai permitir, nesta segunda fase, consolidar as aprendizagens, continuar o crescimento e a mobilidade entre os artistas dos países, entre os técnicos dos países, entre os agentes culturais destes países, e dar-lhes também uma possibilidade de fortalecimento das capacidades a nível das entidades públicas de promoção da cultura nestes países, o que é também muito importante”, concluiu Florbela Paraíba.

A guerra no Médio Oriente continua a alastrar-se, tendo esta quinta-feira abrangido o Azerbaijão, atingido por um ataque de um drone iraniano, e registado a intenção de vários países europeus enviarem meios navais para defenderem o Chipre.

Enquanto vários países se apressam a retirar os seus cidadãos dos países atingidos pela guerra, a Europa decide ajudar o membro da União Europeia Chipre, atingido por drones iranianos alegadamente lançados pelo movimento libanês Hezbollah para bases aéreas britânicas.

As explosões continuam a fazer-se ouvir sobretudo no Irão e em Israel, mas outras capitais do Golfo estão a ser arrastadas pelo conflito que o Governo de Telavive pretende manter “até ao fim” com o apoio de Washington.

A Espanha e a Itália anunciaram que vão enviar navios de guerra para Chipre para missões de protecção, depois de uma base aérea britânica na ilha ter sido atingida, na segunda-feira, por um drone iraniano.

Os meios destes países vão juntar-se ao porta-aviões francês ‘Charles de Gaulle’ e outros navios de guerra gregos que já avançaram na terça-feira.

A Itália também vai enviar ajuda para defesa aérea dos países do Golfo afectados pelos ataques iranianos, segundo anunciou a primeira-ministra, Giorgia Meloni.

Outros países como a Alemanha ou os Países Baixos ponderam seguir o mesmo caminho.

Entretanto, o secretário da Defesa britânico, John Healey, chegou ao Chipre depois de o embaixador cipriota no Reino Unido ter pedido mais cooperação.

Por seu lado, a Rússia afastou a possibilidade de dar ajuda militar ao Irão, garantindo que não foi feito nenhum pedido por Teerão, um aliado próximo de Moscovo.

O Azerbaijão, que faz fronteira com o Irão, é mais um país atingido pela guerra, depois de o aeroporto de Nakhchivan ter sido atacado por um drone iraniano, provocando ferimentos em duas pessoas.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros azeri prometeu que “isto não ficará sem resposta”.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou ontem que as forças do país darão apoio aos países do Médio Oriente na defesa de ataques de ‘drones’ iranianos, que a Rússia tem usado contra cidades ucranianas desde 2022.  

 

Líderes do Hamas e de grupo iraquiano mortos

Um ataque aéreo israelita matou um líder do Hamas no norte do Líbano, o primeiro líder do grupo islamista palestiniano morto desde o início da ofensiva EUA-Israel contra o Irão.

Os ataques de Israel no país também provocaram a morte de oito pessoas, incluindo seis membros de duas famílias, tendo o exército israelita renovado a sua ordem de evacuação de grandes partes da região sul.

O grupo iraquiano Kataib Hezbollah também anunciou a morte de um dos seus comandantes, Ali Hussein al-Freiji, num ataque contra grupos pró-Irão no Iraque.

O Irão também disparou mísseis contra o quartel-general das forças curdas na região autónoma do Curdistão iraquiano, que alberga tropas norte-americanas.

Por seu lado, o movimento xiita libanês Hezbollah, pró-Irão, reivindicou a responsabilidade por um ataque com mísseis contra posições no extremo norte de Israel.

 

Novos ataques do Irão e de Israel 

Várias explosões atingiram, na manhã de ontem, Teerão e os seus subúrbios, enquanto o exército israelita anunciava ter identificado novos mísseis disparados a partir do Irão e fazia soar os alarmes em Jerusalém.

“Os sistemas de defesa estão a ser activados para interceptar esta ameaça”, disse o exército em comunicado.

O Irão afirmou ter atingido um petroleiro norte-americano no Golfo que “está actualmente em chamas”, mas não adiantou mais pormenores.

Além disso, houve novas explosões na capital do Qatar, Doha, e na capital do Bahrein, Manama, segundo avançaram jornalistas da agência de notícias francesa AFP.

As autoridades do Qatar tinham anunciado algumas horas antes a retirada de residentes próximos da embaixada dos EUA.

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou que o seu homólogo norte-americano, Pete Hegseth, lhe garantiu o firme apoio de Washington e instou-o a continuar a campanha militar contra o Irão “até ao fim”.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, acusou Washington de cometerem uma atrocidade ao afundarem uma fragata da Marinha iraniana perto do Sri Lanka sem aviso prévio, matando pelo menos 87 pessoas, e garantiu que os EUA vão lamentar a decisão.

Um segundo navio de guerra iraniano esteve ontem a caminho do Sri Lanka, no Oceano Índico, com mais de 100 tripulantes a bordo.

Em Abu Dhabi, os estilhaços de drones feriram seis pessoas, perto da base aérea de al-Dhafra, que alberga forças norte-americanas. Os feridos eram do Nepal e do Paquistão.

 

Repatriamentos continuam

Dois voos, um de Atenas e outro de Roma, com israelitas que regressavam ao seu país aterraram na manhã de ontem no aeroporto Ben Gurion de Telavive, que estava encerrado desde o início da ofensiva, a 28 de Fevereiro, anunciou o Ministério dos Transportes.

O Paquistão retirou ainda ontem quase 2.000 dos seus cidadãos do Irão, incluindo cerca de três dezenas de diplomatas. Cerca de 3.500 peregrinos, estudantes e empresários paquistaneses estavam no Irão quando os ataques começaram.

A Coreia do Sul também ordenou aos seus cidadãos que abandonem o Irão após emitir uma proibição de viagens a partir das 18:00 desta quinta-feira. As autoridades sul-coreanas já retiraram 24 cidadãos do Irão para o Turquemenistão e 62 de Israel para o Egipto.

O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou hoje o compromisso do Estado com a salvaguarda da infância e a continuidade do processo de ensino-aprendizagem, destacando a importância da solidariedade nacional e do papel do sistema judiciário na protecção dos

menores como pilares para o futuro de Moçambique.

O Chefe do Estado recebeu, no Gabinete da Presidência, uma comitiva da Organização Continuadores de Moçambique (OCM). O encontro decorreu no contexto do arranque do ano leticvo de 2026 e do ano judicial, num momento em que o país busca normalizar as actividades sociais após um período marcado por eventos climáticos extremos.

Um dos pontos centrais da audiência foi a convergência entre a educação e a justiça. O estadista realçou que a escolha do lema para a abertura do ano judicial – Promoção e Protecção Integral dos Direitos da Criança – não foi por acaso, focando-se na urgência de garantir um ambiente seguro para o crescimento dos mais novos.

O Chefe do Estado aproveitou a ocasião para sensibilizar a sociedade sobre a vulnerabilidade de diversos grupos dentro da camada infantil, sublinhando que existem muitas crianças necessitadas e órfãs no país e que os seus direitos precisam da protecção dos adultos, uma vez que representam o futuro de Moçambique.

A notícia do adiamento do início das aulas foi contextualizada pelo Presidente, que justificou a decisão com base na crise ambiental que assolou o país. “O que nos levou a prolongar um pouco as férias das crianças foram cheias e inundações. Todos nós assistimos na televisão”, recordou, referindo-se aos impactos do ciclone “Gezani” e das chuvas intensas que afectaram várias províncias.

Daniel Chapo detalhou que o prolongamento das férias foi uma medida de empatia e logística necessária. “Havia muitas crianças que estavam ainda nas escolas [centros de acomodação temporários], não tinham regressado para casa, aqui em Maputo Cidade, Maputo Província, Gaza, Sofala e outros pontos do país. Tínhamos que ser solidários com estas crianças e eu estou muito feliz porque as nossas crianças perceberam isso”, afirmou.

Em resposta, as crianças da OCM enalteceram os esforços do Governo na criação de condições para o arranque do ano lectivo,  mesmo perante o cenário de destruição causado pelas cheias. A mensagem do grupo destacou a resiliência do sector da educação e a importância de colocar a protecção dos direitos da criança sob a égide do compromisso do sistema judicial.

O Presidente da República exortou às crianças presentes e a todos os alunos moçambicanos ao empenho escolar. “Agora que as aulas começaram, vamos todos estudar, para nós podermos ser, amanhã, adultos que vão servir o país”, apelou o Chefe do Estado.

Comportamento humano e chuvas intensas estão por detrás do lixo espalhado, do cheiro a urina e das águas paradas constatadas no Jardim Tunduru, na cidade de Maputo. A explicação é do Conselho Municipal de Maputo, que garante já ter iniciado uma operação de limpeza considerada robusta e promete reforçar a fiscalização para preservar aquele que é considerado um dos principais espaços verdes da capital.

A reacção da edilidade surge dois dias depois da equipa de reportagem do O País, na última terça-feira, ter constatado que o Jardim Tunduru estava um pouco distante da imagem de refúgio verde e espaço de lazer que motivou a sua requalificação e reabertura ao público em 2015.

As imagens captadas no local revelavam lixo espalhado em diferentes pontos do jardim, incluindo garrafas plásticas, papéis e embalagens de comida do tipo take-away. O cheiro nauseabundo provocado por urina em determinadas zonas e a presença de águas paradas agravavam ainda mais o cenário, levantando preocupações entre frequentadores.

Para muitos utentes, a situação coloca em causa as condições de higiene e saúde pública no interior do jardim, sobretudo por existir receio de proliferação de mosquitos e outras pragas em zonas onde a água permanece estagnada.

O caso reacendeu, igualmente, o debate sobre a preservação dos espaços verdes na cidade de Maputo, com destaque para o Jardim Tunduru, frequentemente descrito como o “pulmão” da capital e um dos locais mais procurados por estudantes, turistas e trabalhadores que procuram um ambiente de lazer, descanso ou leitura no centro da cidade.

Confrontado com o cenário apresentado na reportagem, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo explicou, esta quinta-feira, que a situação resulta, por um lado, do comportamento inadequado de alguns utentes e, por outro, do impacto das chuvas intensas registadas nas últimas semanas.

O porta-voz da Empresa Municipal de Infra-Estruturas de Maputo (EMIM), Finiasse Michaque, reconheceu que houve um período menos favorável no que diz respeito à manutenção do espaço, sobretudo devido às prioridades impostas pela época chuvosa.

“Relativamente à limpeza, nós tivemos um período não muito bom. Depois das chuvas que aconteceram houve muito capim na cidade de Maputo. Diria que nos distraímos com prioridades da via pública, porque o capim estava muito alto em quase toda a cidade”, explicou.

Segundo o responsável, nesse período as equipas municipais foram mobilizadas principalmente para trabalhos de limpeza e corte de vegetação em vias públicas e outros espaços urbanos.

“Então, a nossa prioridade foi cortar o capim e fazer limpeza na via pública e nos jardins de fora. Acabamos deixando, de certa forma, o Jardim Tunduru para trás”, acrescentou.

Apesar disso, a edilidade garante que as actividades de manutenção já foram retomadas e que está em curso uma operação de limpeza mais intensa no interior do jardim.

Com carácter de urgência, o município afirma ter mobilizado equipas para devolver dignidade ao espaço, envolvendo cerca de dez trabalhadores que realizam diariamente trabalhos de limpeza e manutenção no interior do recinto.

Além da limpeza, a edilidade aponta o comportamento de alguns frequentadores como um dos factores que contribuem para a degradação do espaço, sobretudo no que diz respeito ao lixo espalhado.

“Tem duas vertentes. A primeira é que os munícipes nem todos colaboram. Temos caixotes de lixo, mas nem todos deitam os plásticos ou as embalagens dentro dos caixotes para fazermos a remoção.Tem muitos corvos aqui, exactamente por causa dos restos de comida. Eles procuram isso e vão aos caixotes que não têm tampas, retiram as embalagens para procurar comida e acaba ficando tudo espalhado”, explicou Michaque.

Outro factor mencionado pela edilidade é a presença de catadores informais que procuram material reciclável nos recipientes de lixo.

“Há também pessoas que procuram lixo reciclado. Retiram as garrafas ou outros materiais dos caixotes e, muitas vezes, não têm o cuidado de voltar a colocar o que ficou espalhado”, disse.

Entre os problemas relatados pelos frequentadores está também o cheiro intenso de urina em determinadas zonas do jardim, situação que, segundo o Conselho Municipal, resulta igualmente de comportamentos inadequados. “Infelizmente, fiquei também chocado quando percebi que temos essa situação. É um ponto apenas, mas não deixa de ser preocupante. Isto é comportamento humano”, afirmou o porta-voz da EMIM.

O responsável recorda que o Jardim Tunduru possui sanitários públicos disponíveis para os utentes. “Nós temos sanitários públicos dentro do jardim. A pessoa não precisa sair para encontrar um sanitário, mas algumas preferem esconder-se no meio do caniço para fazer as suas necessidades”, lamentou.

Face à situação, a edilidade garante que a Polícia Municipal já foi alertada para intensificar a fiscalização no interior do espaço, com vista a desencorajar este tipo de práticas. “A polícia está a trabalhar no sentido de sensibilizar as pessoas e também de reforçar a vigilância para evitar que esta situação continue”, explicou.

Outro aspecto que chamou atenção, foi a presença de águas paradas em alguns pontos do jardim, situação que levantou receios de possíveis riscos sanitários. Segundo o Conselho Municipal, o problema esteve relacionado com a ruptura de uma tubagem no sistema interno do espaço.

“Em relação às águas paradas, tivemos sim esta situação porque tínhamos um tubo rompido, mas os canalizadores estão a trabalhar no sentido de substituir a tubagem”, explicou Michaque.

De acordo com o responsável, os trabalhos de reparação já estão em curso e a situação encontra-se em fase de resolução. “Neste momento já não temos aquela situação de águas paradas. Estamos a resolver o problema de canalização e acreditamos que dentro de cerca de um mês já não teremos obras naquele local”, afirmou.

O Conselho Municipal reconhece ainda que a percepção de abandono em algumas zonas do jardim pode ter sido influenciada pela presença dessas águas estagnadas, que dificultavam os trabalhos de limpeza. “Houve essa percepção porque a parte que estava mais afectada era a zona de baixo, onde estavam acumuladas águas. Aquilo acabou dando um cenário de abandono, mas não significa que o jardim estivesse abandonado”, esclareceu.

Apesar das críticas, a edilidade garante que as actividades de limpeza e manutenção fazem parte de um processo rotineiro e que o objectivo é assegurar que todo o espaço esteja em condições adequadas para os utentes.

Sem avançar uma data exacta para a conclusão de todos os trabalhos em curso, o município estima que o problema relacionado com a tubagem e eventuais obras civis esteja resolvido dentro de aproximadamente um mês.

Enquanto isso, a edilidade promete reforçar as acções de sensibilização e fiscalização para garantir o cumprimento das regras de utilização do espaço verde. “Esta situação de lixo espalhado ou urina no caniçal não é o Conselho Municipal que está a fazer. É importante que os utentes percebam que este espaço é um património público e que todos somos chamados a preservá-lo. O Jardim Tunduru é um pulmão da cidade de Maputo que responde ambientalmente não só à cidade, mas também às zonas à volta. É importante que as pessoas tenham consciência de que precisam preservar este espaço”, afirmou.

E deixou um apelo directo aos frequentadores: “Se a pessoa conseguiu chegar, sentar e encontrar o espaço limpo, significa que alguém cuidou dele. O mínimo que pode fazer é deixar o local limpo para o próximo utente.”

A África do Sul está disponível para desempenhar um papel de mediação no conflito no Médio Oriente, caso seja solicitada. À margem de uma conferência sobre energia, na Cidade do Cabo, o Presidente Cyril Ramaphosa disse  à imprensa local que o seu país está disponível para mediar o conflito em curso no Médio Oriente.

“Estamos sempre prontos para desempenhar um papel contributivo, seja na mediação ou noutra vertente. E se surgir uma oportunidade ou se formos solicitados, cumpriremos sempre as nossas obrigações”, disse  Ramaphosa, tendo acrescentado que

“Se a oportunidade se abrir, defenderemos que deve haver um cessar-fogo. O diálogo é sempre a melhor forma de pôr termo a um conflito e, consequentemente, à guerra. E queremos que esta termine imediatamente”.

Cyril Ramaphosa referiu ainda que o Governo sul-africano está a fazer tudo o que está ao seu alcance para repatriar os seus cidadãos que se encontram retidos na região.

No sexto dia do conflito, esta quinta-feira os Estados Unidos e Israel continuam a atacar o Irão, tendo matado pelo menos 1.045 pessoas desde sábado, enquanto as forças israelitas pressionam o sul do rio Litani no Líbano, com ordens de evacuação sob a ameaça de ataques iminentes.

Mais de 80.000 pessoas deslocadas das suas casas procuraram abrigo, devido à nova onda de combates entre Israel e o Hezbollah.

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