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Renomado saxofonista moçambicano, Moreira Chonguiça, ministrou uma masterclass na American Schools of Angola, onde o artista moçambicano partilhou suas experiências. A presença do artista moçambicano em Angola insere-se no âmbito da promoção da Cultura de Paz e foi promovida pela Embaixada de Moçambique em Angola.

A American Schools of Angola acolheu, na terça-feira uma Masterclass conduzida pelo renomado saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça, uma das mais destacadas referências da música contemporânea africana.

A iniciativa da American Schools of Angola (ASA) e a Embaixada de Moçambique em Angola reuniu alunos e convidados num momento de partilha artística, formação musical e reflexão sobre o papel da cultura na promoção da paz.

Com uma carreira sólida e amplamente reconhecida a nível internacional, Moreira Chonguiça tem levado a música moçambicana e africana a grandes palcos do mundo, destacando-se pela fusão do jazz com sonoridades tradicionais africanas.

O seu percurso artístico é igualmente marcado pelo engajamento em causas sociais, utilizando a música como instrumento de união, diálogo e solidariedade entre os povos.

A presença do artista em Angola insere-se no âmbito da promoção da Cultura de Paz, bem como das celebrações do Dia dos Heróis Nacionais de Moçambique, assinalado a 3 de Fevereiro, e do início da Luta Armada de Libertação de Angola, celebrado a 4 de Fevereiro, reforçando os laços históricos, culturais e de irmandade entre as duas Nações.

No decurso da sua estadia em Angola, a visita de Moreira Chonguiça estendeu-se ao gabinete do Coordenador do Comité Nacional de Gestão da Bienal de Luanda, Sua Excelência o Embaixador Sita José, num encontro que reforçou o diálogo cultural e a cooperação artística no espaço africano.

O saxofonista foi também destaque no concerto “SOS-Juntos por Moçambique”, uma iniciativa da Embaixada da República de Moçambique em Angola e do ResiliaArt Angola, realizada, no fim da tarde de sábado, no espaço cultural Prova d’Art Miramar.

No concerto, o moçambicano Moreira Chonguiça partilhou o palco com o saxofonista Sanguito e Filipe Mukenga, músicos angolanos que prontamente aceitaram o convite. Os artistas, mesmo sem ensaios, subiram ao palco para brindar os presentes, doando a sua arte, acompanhados por uma banda formada por músicos jovens.

A chuva que afecta Moçambique foi cantada por Filipe Mukenga, em “Nvula”, em dueto com Moreira Chonguiça, que incorporou solos do saxofone neste tema e outros do artista angolano, apreciado no seu país. Sanguito não deixou os seus créditos em mãos alheias ao apresentar parte do acervo de instrumentais.

No fim do concerto, foi leiloado um quadro de um artista plástico moçambicano e o valor arrecadado, assim como as motivações do concerto, foi para apoiar as vítimas das cheias que, no fim de Janeiro, afectaram o país. O evento esteve também enquadrado no âmbito da cultura da paz e alusivo aos Dias dos Heróis Nacionais de Angola e Moçambique.

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A Comissão Europeia quer reforçar a produção industrial de drones na União Europeia e garantir que se utilizam as redes 5G para detectar e neutralizar qualquer entrada não autorizada destes dispositivos no espaço aéreo europeu.

Estas medidas constam de um Plano de Acção para os Drones, divulgado nesta quarta-feira pela Comissão Europeia, que tem como intuito “responder às ameaças crescentes e multifacetadas que têm surgido na Europa ligadas a ‘drones’ e balões para medições atmosféricas” que têm “violado espaços aéreos” e criado “disrupções em aeroportos”.

Entre as medidas apresentadas ontem, a Comissão Europeia defende que é preciso aumentar a produção industrial de ‘drones’ a nível europeu e vai mobilizar 400 milhões de euros para “apoiar os Estados-membros” na comprar destes dispositivos, explicou o comissário para a Administração Interna, Magnus Brunner, em conferência de imprensa em Estrasburgo.

“150 milhões vão ser destinados à segurança das fronteiras, à aquisição de equipamento de vigilância, que servirá não apenas para uso individual dos Estados-membros, mas também para operações conjuntas lideradas pela Frontex. Os restantes 250 milhões vão servir para comprar directamente sistemas de ‘drones'”, indicou.

O executivo comunitário propõe também a criação de um “Centro de Excelência Antidrones”, que estaria operacional a partir de 2027 e tem como objectivo “reunir o financiamento público” europeu para “promover a inovação” e garantir que a produção industrial de ‘drones’ “cresce mais rapidamente”.

Além de propor o aumento da produção local, a Comissão Europeia quer também reforçar a capacidade de resposta perante a entrada não autorizada de ‘drones’ no espaço aéreo europeu e, para tal, quer utilizar as redes móveis 5G para detetar este tipo de dispositivos.

“Os ‘drones’ podem ser detectados transformando as nossas antenas 5G numa capacidade de radar distribuída. É uma tecnologia já existente cuja implementação na Europa é urgente”, frisou a vice-presidente da Comissão Europeia Henna Virkkunen, com a pasta da Soberania Tecnológica.

Como forma de procurar garantir que todos os ‘drones’ que operam em solo europeu “não podem descolar sem ter a certeza que o seu operador é identificado”, o executivo comunitário anunciou também a criação de um pacote de segurança, que deverá ser implementado já este verão, que obriga a que praticamente todos estes dispositivos sejam registados.

Actualmente, apontou o comissário para os Transportes Sustentáveis, Apostolos Tzitzikostas, todos os ‘drones’ equipados com câmaras já precisam de ser registados, assim como os que pesam mais de 250 gramas.

“Mas a tecnologia melhorou e ‘drones’ mais pequenos podem ter capacidades operacionais muito significativas e provocar muitos danos. Por isso, propomos que todos os ‘drones’ com mais de 100 gramas tenham de ser obrigatoriamente registados”, referiu, ressalvando, contudo, que a UE não tenciona limitar a utilização de ‘drones’ para fins amadores ou de passatempo.

“Os utilizadores de ‘drones’ amadores não precisam de se preocupar. A nossa iniciativa quer aumentar a transparência e reforçar a confiança. Nalguns casos, vão ter de registar os seus ‘drones’, mas isso também é do interesse deles”, referiu.

Da mesma maneira, referiu o comissário, a Comissão vai também propor a criação de um “rótulo de confiança da UE para ‘drones'”, que identifica os dispositivos seguros à venda no mercado europeu, e quer harmonizar restrições de circulação aérea em determinadas zonas geográficas, com o objectivo de, a longo prazo, implementar o ‘geofencing’ – uma tecnologia que permite criar uma barreira virtual à volta de um perímetro geográfico específico, impedindo a circulação de ‘drones’ nessa zona.

“Isto tem de ser visto como uma medida de segurança, que ajuda os operadores de ‘drones’ a evitar entrar sem querer em zonas sensíveis de alto risco”, referiu o comissário.

Este plano de acção vai ser agora discutido com os Estados-membros da UE.

O número de filhos por mulheres em Nampula é cada vez mais preocupante. Em média, são seis filhos por mulher, e isso pode levar a uma superpopulação e problemas de saúde da mulher, segundo alerta um especialista.

Dados do Inquérito Demográfico e de Saúde 2022-23 apontam que a taxa global de fecundidade em Nampula é de cerca de 5,8 filhos por mulher. Em outras palavras, estima-se que, em média, cada mulher tem seis filhos ao longo da vida, muito acima da média mundialmente aceite, de dois filhos por mulher.

François Biombe, médico gineco-obstetra e especialista em fertilidade e reprodução assistida, diz que os números são elevados, para além de que  “o risco, do ponto de vista demográfico, é que vai ter mais jovens por meio, vai ter muitos jovens que não são protegidos”, e “mais população”, segundo Biombe, significa “mais pobreza”, o que poderá provocar “desnutrição”. 

Ou seja, segundo François Biombe, isso vai culminar com “uma superpopulação”.

Superpopulação, no caso, significa mais pressão para os serviços sociais básicos como saúde, educação e outros, para não falar do desemprego que se vai agravar, segundo disse. Só para se ter uma ideia, a cada mês nascem 20 mil bebés em Nampula.

“Deve haver coragem num certo momento. Porque, da maneira que estamos, já estamos no grupo dos países em desenvolvimento, dos países que somos pobres. Então, com aumento demográfico, a situação, a pobreza vai piorar. E, quando a educação está em baixo, não percebemos muitas coisas”, frisou, realçando que a essa pobreza vai propiciar “termos muitos ladrões, termos muitas coisas menos boas na sociedade”. 

Com todos os argumentos, o médico gineco-obstetra assume que, “como pesquisador, devemos sentar e tomar uma decisão corajosa”.

É uma decisão que pode passar por impor limite no número de filhos que uma mulher pode ter, como fazem os países com políticas de controlo da natalidade. É que a super-reprodução é, também, um problema de saúde.

“É por isso que nós chamamos de multiparidade. Uma mulher que já teve muitas crianças e continua a ter é uma mulher de alto risco obstétrico e tem mais risco de ter hemorragia, tem mais risco de ter tensão. Então, as mulheres devem, num certo momento, parar”, considera.

François Biombe é médico gineco-obstetra, com especialidade em fertilidade e reprodução assistida e é autor do livro “Nascidas para Viver: A Educação para a Saúde na Prevenção da Mortalidade Materna”, lançado no ano passado.

“Prosaico” é o título da exposição individual do artista moçambicano Luís Sozinho, patente ao público no espaço cultural Galeria no Porto de Maputo.

Com curadoria de Raquel Vedor, a exposição recorre à técnica acrílica e está estruturada em três estâncias, cada uma delas trazendo uma mensagem específica sobre os comportamentos e a realidade social em Moçambique e em África. As estâncias intitulam-se Protocolo, Prosa a Moçambique e Apoéticos.

De acordo com o autor, o tema “Prosaico” surge como uma verdadeira poesia visual, reunindo acontecimentos que reflectem a africanidade e a vivência do povo moçambicano. Nas obras, Luís Sozinho propõe uma poesia pictórica que integra múltiplos eventos recentes ocorridos na região e no mundo, muitos deles marcados por tragédias. Trata-se de uma impressão da realidade contemporânea, apresentada sem a preocupação explícita com acréscimos simbólico-metafóricos, ainda que estes surjam naturalmente.

“Trata-se de uma realidade contemporânea cuja poetização dos eventos advém por si só, em factos inimagináveis, quase fictícios e, ao mesmo tempo, concretos”, refere o artista. Acrescenta ainda que “associam-se ao ‘Prosaico’ motivos estéticos da cultura visual, como a estilização das danças N’sope e Tufo, o mussiro, o circo e o palhaço enquanto personagem central, bem como semblantes e mímicas que traduzem sentimentos — por vezes, paradoxalmente, sem sentimento algum”.

Com base no conhecimento adquirido ao longo da sua formação, enquanto homem profundamente ligado às artes, Luís Sozinho transpõe para a tela o quotidiano, o ritual, as cores e os gestos, conjugando sentimento de pertença e domínio técnico.

Luís Sozinho nasceu a 20 de Março de 1988, no distrito de Nacala-Porto, província de Nampula, norte de Moçambique. Desenha desde a infância e é licenciado em Artes Visuais desde 2014 pelo Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC), onde lecciona, desde 2015, as disciplinas de História da Arte e Direcção de Arte para Cinema.

O artista conta com várias participações colectivas, destacando-se a exposição African Galleries Now 2021, onde foi uma das figuras internacionais em evidência, bem como a feira Go Go Go – Maputo Art Fair 2021, promovida pela Galeria Arte de Gema. Integra ainda diversas edições da colecção Crescente – Kulungwana, entre outras mostras.

“Prosaico” constitui a sua segunda exposição individual.

O presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, poderá estender sua permanência no poder até 2030, caso o Parlamento aprove uma reforma já validada pelo gabinete. A proposta adia as eleições presidenciais previstas para 2028 e altera o modelo de escolha do chefe de Estado.

Na nova reforma, prevê-se que para além de se estender o mandato por dois anos, o presidente passará a ser eleito pelo Parlamento, onde o partido no poder controla dois terços dos assentos.

Ao estender o mandato considera-se que o presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, estaria a usar uma estratégia para garantir um terceiro mandato aos 83 anos, que pelas regras actuais estaria impedido de concorrer novamente após dois mandatos. 

Mnangagwa assumiu o poder em 2017, na sequência da queda de Robert Mugabe.

Os partidos politicos locais classificam a iniciativa como “ilegal”, argumentando que a reforma não prevê consulta pública e altera regras fundamentais em benefício do actual chefe de Estado. 

Ainda assim, o governo aposta na aprovação rápida, com o plano de reforma já em discussão na Assembleia da República, sustentada pela maioria parlamentar confortável do partido no poder Zanu-PF.

A oposição ainda denuncia o que chama de “sequestro da democracia” e alerta para o agravamento da instabilidade num país já marcado por forte crise económica e inflação elevada. 

O Burkina Faso entrou numa nova fase política após o parlamento de transição aprovar, por unanimidade, uma lei que extingue oficialmente os partidos políticos. 

A votação ocorreu em Ouagadougou e contou com o apoio dos 69 membros da Assembleia Legislativa de Transição. Na prática, a medida formaliza a dissolução das formações políticas que já estavam com actividades suspensas desde Setembro de 2022.

O diploma elimina os principais instrumentos que estruturavam o sistema partidário, incluindo a carta dos partidos de 2001, a lei sobre financiamento político de 2009 e o estatuto da oposição. Com isso, desaparece a base legal que regulava a organização, funcionamento e financiamento das forças políticas no Burkina Faso.

O governo defende que o antigo modelo favoreceu a multiplicação de partidos pouco representativos, contribuindo para a fragmentação do cenário político e para o aumento da desconfiança pública. 

As autoridades afirmam que a decisão responde aos actuais desafios de segurança, política e sociais, e que o objectivo é construir um sistema “mais coerente e enraizado nas realidades nacionais”. 

No parlamento, foi igualmente anunciado que os bens dos partidos dissolvidos serão avaliados antes de serem integrados ao patrimônio do Estado.

Tampas metálicas de esgotos que pesam mais de 50 quilos estão a ser roubadas em algumas ruas da cidade da Beira. Os Serviços Autónomos de Saneamento da Beira acreditam que se trata de uma rede de criminosos que podem estar a vender as tampas na sucataria, e estas, para empresas de fundição de ferro.

As estradas ficam com a parte central, por onde passam os esgotos, destampada, o que obriga ao uso de pneus e outros instrumentos para sinalizar o perigo. Munícipes consideram a situação preocupante.

“É um perigo mesmo, é um perigo, porque ali, mesmo se for mesmo de dia, se você não prestar atenção pode entrar nessas covas e, quando você entra, não há alternativa, senão cair e sofrer e até mesmo morrer”, lamenta Isaías Chimene, munícipe da Beira.

As tampas roubadas são das condutas das águas pluviais e dos esgotos, segundo confirmou Henok Chicumbe, Serviços Autónomo de Saneamento da Beira.

“É uma situação que tende a agravar-se, porque no início nós só tínhamos esse problema na Avenida Acordo de Lusaka, na zona do bairro da Munhava, mas agora estamos a ver que está a alastrar-se por toda a cidade, bairro da Ponta Gea, aqui no Esturo, principalmente nas ruas que têm terra batida e que passa lá a nossa rede de saneamento. É necessário referenciar que isso está a causar um grande perigo, tanto para o saneamento assim como para as pessoas que se fazem às ruas”, disse.

O que mais entristece os Serviços Autónomos de Saneamento da Beira é o facto de as alternativas improvisadas para alertar os utentes sobre este perigo nas rodovias não estar a surtir efeitos.

“Após o roubo da tampa, colocámos lá a sinalização de cones, mas também os cones foram roubados. Tivemos de usar agora a alternativa de pneus para ver se se desperta a atenção. O que nós temos de apelar aos munícipes é para que prestem um bocadinho mais de atenção a andar nas nossas vias cá, na cidade da Beira, porque estamos a viver esse cenário de sabotagem, de roubos de tampa, algo que prejudica aquilo que seria o desenvolvimento da nossa própria cidade”, lamentou Henok Chicumbe.

As tampas em causa são importadas da África do Sul e cada uma custa aproximadamente 40 mil meticais, e a edilidade da Beira diz que é um longo processo fazer a aquisição das mesmas.

“Como estão a ver, aqui, nas vias, estão todas elas abertas e já participámos as autoridades policiais. Agora estamos a tentar trabalhar também com o policiamento comunitário, para ver se conseguimos, a nível das zonas, procurar buscar alguma solução para identificar esses malfeitores.”

O chefe dos Serviços Autónomos de Saneamento da Beira diz que, por se tratar de um material de ferro fundido, se suspeita que o material esteja a ser comercializado na sucataria, esperando maior apoio por parte das autoridades policiais na identificação e neutralização dos que praticam esta acção.

Os Serviços Autónomos de Saneamento da Beira estão, neste momento, à procura de soluções para este problema e apelam ao envolvimento de todos na vigilância.

O sociólogo Raúl Chambote defende que a educação deve ser gerida pelas províncias para não ser afectada pela época chuvosa. Já o académico e analista Jorge Matine diz que calendários de exames devem ser elaborados ao nível das províncias.

Diante do adiamento do arranque das aulas devido às inundações em algumas zonas do país, o sociólogo e investigador da área de educação, Raúl Chambote, discorda que uma redefinição da data para o início das aulas resolva o problema.

O facto é que o Governo, numa das sessões do Conselho de Ministros, decidiu adiar o arranque das aulas em todo país para final deste mês de Fevereiro, mesmo estando numa situação em que algumas províncias não se ressentem das cheias e inundações que afectam as zonas Sul e Centro do País.

“Ajustar, pode ajustar até Abril. Então como é que fica o caso da província do Niassa em que a colheita, a disponibilidade do excedente da produção, a possibilidade dos pais pagarem as despesas sobre os ritos de iniciação ocorre e como equacionar quando nós temos as crises?”, questiona Raúl Chambote.

O sociólogo defende que o calendário escolar deve ser repensado nesses termos e diz que os deputados devem conhecer melhor o país antes de tomar decisões. Ou seja, as decisões sobre o calendário escolar num Estado homogêneo como o nosso, que tem províncias com realidades homogêneas, segundo Chambote, são pensadas por pessoas que ignoram completamente a realidade do país.

“A situação das zonas urbanas, as escolas que estão na zona cimento neste país, não são necessariamente iguais, ou não estão em condições iguais que possam permitir o processo de ensino-aprendizagem em todo canto do país”, justifica.

Raúl Chambote diz não entender porque o processo de descentralização é ignorado quando se fala do sector da educação. “Curiosamente, todas as províncias são governadas por membros, digamos assim, eleitos do mesmo partido. Então, não vejo a desconfiança porque não permitirem que um governador da província sente com o seu Executivo e discutam o assunto e que proponham soluções para cada província. Não vejo nenhum porquê”, afirma. 

Por sua vez, o académico e analista Jorge Matine sugere a elaboração de exames provinciais de forma faseada para evitar constrangimentos. “É preciso retirar esses fantasmas e realmente dar às províncias essa autonomia para decidir, para gerir melhor os recursos, de como elas querem começar o ano e como elas podem dialogar em relação aos exames nacionais”, disse, dando como exemplo que “a primeira época pode fazer-se em três fases, ou quatro fases, época 1, época 2, as províncias vão dizer quais são as melhores épocas que elas podem se inscrever para os exames, tendo em conta este impacto”. 

Uma das grandes pressões que Matine diz ser preponderante é o facto do exame também ser nacional e o centro de educação universitária decidir quando é que o exame vai ocorrer. 

“Então, isso também cria uma grande pressão. Não há muita flexibilidade em relação a isso. Eu penso que é preciso repensar um pouco isso. Há países que adaptam-se aos exames diferentes de acordo com o que sabem que cada região tem formas diferentes de ver as coisas”. 

Jorge Matine e Raúl Chambote falavam nesta segunda-feira no programa Pontos de Vista da STV, que questionava a ideia de reprogramação do calendário escolar.

O conhecido campeonato da cidade de futebol, a Liga Jogabets, foi sorteado nesta terça-feira, na capital do País, e será disputado por doze equipas, divididas em seis para cada série, que vão disputar a prova num sistema de uma volta, a partir deste sábado. Os finalistas da edição passada, nomeadamente Maxaquene e Ferroviário, estão em séries diferentes, com os “tricolores” na A e os “locomotivas” na B.

A indefinição do arranque do Moçambola 2026, que ainda não tem datas nem modelo de disputa, começou por atrasar o sorteio da Liga Jogabets em futebol, ao nível da Cidade de Maputo.

É que os clubes queriam saber quando se inicia e quando termina a prova que, geralmente, tem o seu termo duas semanas antes do arranque do campeonato nacional, para que, na semana seguinte, se dispute a Supertaça e depois o arranque do Moçambola.

Sem se saber quando inicia o Moçambola 2026, e tendo em conta que o calendário da Federação Moçambicana de Futebol anuncia a prova máxima para começar na segunda quinzena de Março, houve necessidade de se adequar o final da Liga Jogabets para datas próximas do arranque. Até porque a Supertaça está marcada para se disputar entre 7 e 8 de Março.

Com a data do arranque definida, foi-se ao sorteio, com o finalista vencido da edição passada, o Maxaquene, agora promovido ao Moçambola, a integrar a série A, juntamente com a Black Bulls, a Liga Desportiva de Maputo, o Mahafil, o Estrela Vermelha e o Vulcano.

Por seu turno, a série B terá dois colossos do futebol moçambicano, nomeadamente Ferroviário, actual detentor da Liga Jogabets, e Costa do Sol, duas das mais tituladas do país, juntamente com Águias Especiais, Ntsondzo, Desportivo e Matchedje.

 

LD Maputo vs Maxaquene para abrir a prova

No que aos jogos diz respeito, segundo ditou o sorteio realizado nesta terça-feira, a série A reserva um espectacular embate entre a Liga Desportiva de Maputo e o Maxaquene, duas equipas que protagonizaram despiques interessantes no ano passado, quando ambas estavam na segunda divisão.

Nos dois jogos do campeonato da cidade, as duas equipas dividiram pontos com vitória para cada lado, no jogo que cada equipa fez em casa, terminando a prova com os “tricolores” na liderança e a Liga na terceira posição.

Já o Mahafil recebe o Vulcano, enquanto a Black Bulls terá pela frente o Estrela Vermelha de Maputo, segundo classificado da segunda divisão da Cidade de Maputo do ano passado.

Pela série B, o detentor do troféu, Ferroviário, inicia a defesa do título defrontando o Ntsondzo, equipa que foi sensação na segunda divisão do ano passado, na Cidade de Maputo, enquanto o Desportivo terá pela frente as Águias Especiais.

O Costa do Sol, que garantiu o regresso de Horácio Gonçalves no banco técnico, bem como de alguns jogadores, medirá forças com o Matchedje.

A prova arranca já no sábado e será disputada no fim-de-semana e no meio de semana.

Moçambique surge como o país pior classificado entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no Índice de Percepção da Corrupção (CPI) 2025, divulgado esta terça-feira pela organização Transparência Internacional.

O relatório, citado pela DW, revela que até democracias tradicionalmente associadas a elevados padrões de integridade, como os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Suécia, registam um recuo significativo no combate à corrupção, evidenciando uma tendência global de deterioração da governação pública.

Na sua 31.ª edição, o CPI avaliou mais de 180 países e territórios com base na percepção da corrupção no sector público. Um dos dados mais preocupantes é a redução acentuada do número de países com pontuação superior a 80 pontos, anteriormente considerado um patamar de boa governação, que passou de 12, há cerca de 10 anos, para apenas cinco em 2025.

Entre os PALOP, Cabo Verde destaca-se como o país melhor posicionado, com 62 pontos. Seguem-se São Tomé e Príncipe, com 43 pontos, e Angola, que obteve 32 pontos, situando-se na média da África Subsaariana. Guiné-Bissau e Moçambique ocupam as últimas posições, ambos com 21 pontos.

O relatório assinala progressos em países como Angola, que registou uma subida de 17 pontos desde 2015, fruto de reformas e iniciativas de combate à corrupção. No entanto, segundo a Transparência Internacional, uma parte significativa da população angolana considera que os esforços governamentais continuam a ser insuficientes, existindo ainda receios de represálias contra cidadãos que denunciam práticas corruptas.

A nível global, a Dinamarca mantém-se no topo do índice pelo oitavo ano consecutivo, com 89 pontos, seguida da Finlândia (88) e de Singapura (84). Apesar disso, a Transparência Internacional critica a falta de uma liderança firme no combate à corrupção à escala mundial.

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