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Quatro cidadãos estrangeiros encontram-se detidos na Cidade de Maputo, indiciados pelos crimes de uso de documentos falsos e imigração ilegal.  Parte dos casos está associada a um alegado esquema de intermediação para obtenção de documentos migratórios, no qual indivíduos que se faziam passar por funcionários do Serviço Nacional de Migração (SENAMI) prometiam facilitar e acelerar processos de legalização de residência no País. A instituição, no entanto, rejeita qualquer envolvimento de funcionários no suposto esquema.

Os detidos são de nacionalidade brasileira, maliana, nigeriana e congolesa.

De acordo com informações apuradas, dois dos casos estão ligados a um alegado processo fraudulento de obtenção de documentos. Os indiciados de nacionalidade brasileira e maliana procuravam regularizar a sua situação migratória em Moçambique, nomeadamente através da obtenção de autorização de residência permanente e da prorrogação de vistos. Para tal, terão recorrido a intermediários que alegadamente operam nos serviços de migração e que prometiam tratar de toda a tramitação documental de forma mais rápida.

Segundo os próprios detidos, foram feitos pagamentos elevados a esses intermediários, que garantem possuir contactos dentro da instituição capazes de agilizar os processos. Em alguns casos, os valores pagos terão chegado a cerca de 100 mil meticais.

O cidadão brasileiro, que afirma viver em Moçambique há mais de 13 anos e ter família constituída no País, relata que decidiu recorrer a um intermediário por acreditar que este trabalhava no Serviço Nacional de Migração. Segundo conta, acabou por ser enganado após entregar uma quantia significativa para tratar da sua documentação. “Eu coloquei minha família cá, tenho duas filhas aqui, sou casado aqui, 13 anos, e fui burlado por alguém que disse que trabalha aqui. Entreguei 100 mil na mão dele para fazer meu documento, e ele aldrabou-me, disse que trabalha aqui. Então, agora eu quero os meus direitos, eu paguei e ele disse que trabalha na Migração”, relatou.

Situação semelhante foi descrita por um cidadão maliano, que também afirma ter sido persuadido por um intermediário a tratar da renovação do visto através de contactos internos no SENAMI, numa altura em que tem mais de 80 mil meticais em dívida na instituição correspondente a permanencia no país. O estrangeiro conta que esta seria já a terceira tentativa de regularizar o seu visto de permanência no País e que acreditou na promessa de que havia alguém dentro da instituição que poderia ajudar a acelerar o processo.

“Então ele disse que tem uma pessoa aqui dentro que vai me ajudar para tratar, esse aqui é o terceiro visto. Se eu sabia, não ia ter com ele, ele disse que há uma pessoa que trabalha ali dentro que te vai ajudar a tratar aquele visto. Eu não sabia que o visto não é original, tem meu contrato, tem tudo, meu documento completo. Então, de repente, a imigração pegou na minha loja, disseram que eu pedi o documento, tirou o meu passaporte, deu, eu pedi o contrato, tirou, deu, disse ‘vamos lá, esse visto é falso’”, contou.

Apesar das alegações apresentadas pelos dois estrangeiros, o Serviço Nacional de Migração na Cidade de Maputo afirma não ter qualquer registo de funcionários envolvidos em esquemas de facilitação ilegal de documentos migratórios. A instituição considera que os cidadãos terão sido enganados por terceiros que se fazem passar por funcionários públicos.

O porta-voz do SENAMI, Fernando Jamal, esclarece que todos os procedimentos para a obtenção ou renovação de documentos migratórios devem ser realizados exclusivamente através dos canais oficiais da instituição e mediante a emissão de comprovativos de pagamento. “Nós aqui não temos nenhum registo de nenhum intermediário do SENAMI que esteja envolvido em qualquer tipo de documentação falsa ou qualquer tipo de tramitação de documento. O que podem ver é que claramente esses cidadãos adquiriram esses documentos e fizeram pagamento a terceiros que não são, nenhum deles pertence a esta instituição. Todo o cidadão que trata documentos nos nossos serviços têm um recibo de pagamento”, explicou.

Os outros dois estrangeiros detidos, de nacionalidades nigeriana e congolesa, enfrentam acusações relacionadas com imigração ilegal. Segundo as autoridades migratórias, os dois terão entrado em território moçambicano a partir da África do Sul sem cumprir os procedimentos legais exigidos para a entrada e permanência no País.

Um dos detidos, de nacionalidade congolesa, afirma que decidiu viajar para Moçambique depois de receber uma promessa de oportunidade no futebol. O cidadão diz que foi convidado para integrar uma equipa no País e que acabou detido logo após a sua chegada. “Alguém me convidou para vir jogar futebol, então eu vim. No mesmo dia que cheguei, fui preso. Eu não vim com o visto”, disse.

No entanto, o Serviço Nacional de Migração refuta a versão apresentada pelos dois estrangeiros e sustenta que a detenção ocorreu no âmbito das operações de fiscalização que têm sido intensificadas na região, sobretudo devido ao aumento de movimentos migratórios provenientes da África do Sul.

Segundo o porta-voz da instituição, as autoridades moçambicanas estavam já atentas à entrada de cidadãos estrangeiros em situação irregular, tendo procedido à detenção logo após a sua chegada ao território nacional. “Devido ao aperto da fiscalização que está a decorrer lá, por parte das autoridades sul-africanas, contudo, ao desembarcarem aqui, em território nacional, nós, a Migração, também estávamos prontamente no terreno e acabamos por detê-los e retê-los”, explicou Fernando Jamal.

Perante estes casos, o Serviço Nacional de Migração reforça o apelo para que cidadãos estrangeiros que pretendam residir ou trabalhar em Moçambique façam o uso apenas dos procedimentos legais estabelecidos. A instituição alerta que o recurso a intermediários pode resultar em situações de burla, perda de dinheiro e responsabilização criminal.

As autoridades indicam ainda que continuam em curso investigações para apurar as circunstâncias em que os documentos falsos foram obtidos e identificar eventuais redes de falsificação ou de intermediação ilegal de processos migratórios.

Paralelamente, decorrem os trâmites legais que poderão culminar com a deportação dos quatro estrangeiros para os seus países de origem.

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A Vodacom anunciou a entrega de mil kits de dignidade para mulheres e raparigas, além da mobilização de cerca de 20 toneladas de bens essenciais, enquanto o Moza Banco disponibilizou um apoio financeiro simbólico para apoiar as acções sociais do Gabinete da Primeira-Dama. As partes manifestaram ainda interesse em fortalecer parcerias institucionais, incluindo a possibilidade de assinatura de um memorando de entendimento para aprofundar a cooperação em iniciativas de carácter social.

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, recebeu em audiência esta segunda-feira, no seu gabinete, a directora da Fundação Vodacom, Cristina Azevedo, e o membro da Comissão Executiva do Moza Banco, Jaime Joaquim, encontros durante os quais foram anunciados apoios destinados a reforçar a assistência às populações afectadas pelas recentes cheias e a fortalecer futuras parcerias de carácter social.

Em declarações à imprensa no final da audiência, Cristina Azevedo explicou que a visita teve como objectivo a entrega de mil kits de dignidade destinados a mulheres e raparigas afectadas pelas cheias, no quadro da resposta de emergência promovida pela Fundação Vodacom.

“Foi uma boa oportunidade para a Fundação, de poder canalizar ajudar que é especificamente para mulheres e meninas, porque nós sabemos que, normalmente, é este grupo que fica mais vulnerável quando se trata de situações de emergência. Então, o que o Gabinete de Sua Excelência Primeira-Dama nos permitiu foi, no fundo, contribuir desta forma”, afirmou.

A responsável acrescentou que a Fundação Vodacom mobilizou cerca de 20 toneladas de bens essenciais para apoiar as populações afectadas, com particular atenção às necessidades das mulheres e raparigas atingidas pelas inundações.

“Neste caso foi especificamente para acautelar as necessidades das meninas e das mulheres que foram, infelizmente, afectadas pelas cheias”, declarou.

Durante o encontro, as duas instituições analisaram igualmente a possibilidade de formalizar a cooperação através de um instrumento de parceria institucional. “No âmbito desta colaboração, percebemos que poderia ser uma boa oportunidade, como nós Vodacom, formalizar esta relação com o Gabinete da Primeira-Dama. Todos nós temos visto quão preocupada, quão activa Sua Excelência Primeira-Dama, Gueta Chapo, tem sido. E isso ajuda-nos a colaborar, a aprofundar aqueles que são os nossos ideais, aquilo que é o nosso objectivo”, disse.

Segundo Cristina Azevedo, as partes discutem actualmente um memorando de entendimento que deverá ser assinado em breve. “Então, hoje conversámos também sobre a possibilidade de assinarmos um memorando de entendimento entre ambas as instituições. E é com muito prazer que eu digo que será feito em breve.

Neste momento temos um texto a ser discutido. Portanto, muito em breve estaremos aqui de novo para formalizarmos, então, esta parceria entre a Fundação Vodacom e o Gabinete de Sua Excelência Primeira-Dama”.

Num encontro realizado separadamente, o membro da Comissão Executiva do Moza Banco, Jaime Joaquim, explicou que a instituição solicitou a audiência para manifestar o seu apoio às iniciativas sociais promovidas pelo Gabinete da Primeira-Dama.

“Pedimos este encontro porque reconhecemos que o Gabinete da Primeira-Dama tem um papel muito importante a desempenhar na economia de Moçambique, e o país enfrenta, neste momento, vários desafios. E nós quisemos juntar-nos ao Gabinete da Primeira-Dama no apoio que pode ser dado à sociedade”, afirmou.

Na ocasião, o Moza Banco anunciou a entrega de um apoio financeiro simbólico destinado a reforçar as acções sociais do Gabinete da Primeira-Dama, sobretudo no actual contexto de calamidades naturais.

“Portanto, viemos hoje oferecer um apoio simbólico, monetário, para que junto de outros apoios que o Gabinete da Primeira-Dama tem recebido se possa fazer face aos desafios que os moçambicanos enfrentam neste momento, particularmente num período em que se registam calamidades naturais no país. Julgamos que este apoio é muito importante para a Primeira-Dama poder levar a cabo aquilo que são os seus programas, e nós estamos muito gratos, em nome da Comissão Executiva do Moza Banco”.

Jaime Joaquim acrescentou que o Moza Banco está aberto a continuar a desenvolver parcerias que possam ajudar o Gabinete da Primeira-Dama a levar a cabo os seus programas, sobretudo no apoio às comunidades carenciadas e às populações afectadas pelas diversas calamidades naturais que se registam no país.

Liga Desportiva de Maputo, Black Bulls (pela Série A), Costa do Sol e Ferroviário de Maputo (pela Série B) garantiram lugares nas meias-finais da Liga Jogabets, o torneio de abertura da Cidade de Maputo. Os jogos disputam-se nesta quarta-feira, dia em que serão conhecidos os finalistas da prova.

Com o encerramento da fase regular da prova, a Black Bulls foi a última equipa a conseguir o apuramento nas meias-finais, depois de ter disputado o derradeiro jogo nesta segunda-feira, diante do Maxaquene.

Tratava-se de um jogo de destaque para as duas equipas que procuravam um lugar nas meias-finais da prova, tendo em conta que qualquer delas tinha possibilidade de chegar, sendo que os “touros” precisavam de um empate, enquanto os “tricolores” eram obrigados a vencer por números gordos.

As duas equipas entraram fortes, procurando o golo mais cedo, mas sem sucesso, chegando o intervalo com o nulo e a decisão deixada para a segunda parte.

Foi preciso a magia de Jafete, de cabeça, para destronar o guarda-redes da Black Bulls, após cruzamento da direita, a abrir o marcador e deixar aberta a partida. Porém, mesmo com inúmeras tentativas de marcar mais golos, o resultado terminou com vitória magra dos maxacas, ainda assim insuficiente para garantir lugar nas meias-finais.

As duas equipas terminaram com o mesmo número de pontos, mas a Black Bulls beneficia do maior número de golos e termina em segundo lugar, atrás da Liga Desportiva de Maputo, que nesta jornada empatou sem abertura de contagem diante do Vulcano.

Para cumprir calendário, Mahafil derrotou o Estrela Vermelha de Maputo por 3-1 e ambos ficam eliminados da prova.

Pela Série B, qualificam-se para as meias-finais as duas melhores equipas do grupo, ambos dos Moçambola, nomeadamente o Costa do Sol e o Ferroviário de Maputo. 

Os “canarinhos” terminaram na primeira posição depois de mais uma vitória na prova, desta feita diante do Ntsondzo, com Amadou, Davis e Mbulu a apontarem os golos do Costa do Sol, e Djeny a reduzir aos 93 minutos.

Por seu turno, o Ferroviário de Maputo acabou por garantir a vaga nas meias-finais após vitória categórica diante do Matchedje por duas bolas sem resposta com golos apontados por Hoopsi e Laque.

Os “locomotivas” precisavam de vencer o jogo, sob pena de ficarem arredados, uma vez que os “militares” também perseguiam a vaga, mas a sua superioridade acabou por vincar e a passagem, garantida.

Nas meias-finais, a disputarem-se na quarta-feira, a Liga Desportiva de Maputo, única equipa que não seja do Moçambola, defronta o Ferroviário de Maputo, enquanto Costa do Sol e Black Bulls se digladiam por um lugar na final de domingo.

Os comentadores da STV, Hélder Jauana e Alberto da Cruz, criticaram a actuação do Município de Maputo na gestão de obras públicas na cidade, apontando falhas na planificação e na definição de prioridades.

Hélder Jauana destacou que a prática de asfaltar estradas e pouco tempo depois voltar a escavá-las revela um problema de organização. “Quando estás numa situação em que uma estrada é asfaltada hoje, amanhã é rebentada, escavada, o problema deixa de ser técnico, ele passa a ser um problema de planificação”, disse.

O comentador acrescentou que a gestão da coisa pública exige responsabilidade. “Cada metical que nós empregamos deve ser para resolver um problema e cada metical que nós duplamente empregamos para a mesma acção deve se responsabilizar quem o faz”, frisou.

Por sua vez, Alberto da Cruz criticou a falta de priorização das obras, apontando que bairros periféricos continuam a sofrer com problemas estruturais, enquanto outras zonas recebem intervenções constantes. 

“Se aqui na Baixa, nós, por exemplo, vimos ontem que encheu a água… se há uma prioridade, esta prioridade devia ser a drenagem nas zonas onde o povo está”, disse.

Da Cruz ressaltou ainda a situação de residentes de bairros como Albazine e Magoanine, afectados por cheias. “Agora que estamos a falar, há gente que não consegue ou não dormiu nas suas casas porque houve inundações… o município pode pegar o dinheiro que existe e investir onde há um problema real e poder resolver aquele problema de tal forma que não haja necessidade de a STV e outros canais irem a estes lugares reportarem situações dramáticas e muitas das vezes desumanas”, concluiu.

O debate dos comentadores evidencia a necessidade de uma planificação mais eficiente e de uma definição clara de prioridades para evitar desperdício de recursos públicos e melhorar a qualidade de vida dos munícipes.

A fase de recenseamento piloto, que terá lugar na primeira quinzena de Agosto próximo, vai permitir assegurar que todas as componentes estejam devidamente ajustadas antes da implementação do censo nacional de 2027, avaliado em pouco mais de 110 milhões de dólares, pouco mais de sete mil milhões de meticais.

Moçambique vai realizar em Agosto próximo um recenseamento piloto da população, para assegurar que todas as componentes estejam devidamente ajustadas antes da implementação do censo nacional de 2027, anunciou esta segunda-feira a presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), citado pela imprensa moçambicana.

“Importa referir que o licenciamento piloto do censo de 2027 terá lugar no mês de Agosto deste ano. Esta fase é de extrema importância na medida em que permitirá avaliar e validar os questionários, os sistemas tecnológicos, os procedimentos operacionais e a organização do trabalho de campo”, disse, em Maputo, Eliza Magaua, durante o lançamento da cartografia para a operação do próximo ano.

Segundo a responsável, esta fase vai permitir assegurar também que todas as componentes estejam devidamente ajustadas antes da implementação do censo nacional, avaliado em pouco mais de 110 milhões de dólares (7.029.000.000 de meticais ao câmbio de ontem), em que o Banco Mundial já garantiu o financiamento inicial de 12,7 milhões de dólares (811.530.000 de meticais pelo mesmo câmbio).

“A informação recolhida nesta fase permitirá preparar com rigor a etapa final do licenciamento, que está prevista para decorrer de 01 a 15 de Agosto de 2027”, avançou, acrescentando que com a colaboração de todos, este recenseamento demográfico será um marco histórico na modernização das estatísticas em Moçambique.

Aos agentes cartógrafos que nos próximos meses estarão no terreno, Eliza Magaua pediu dedicação, profissionalismo, disciplina e elevado sentido de responsabilidade, bem como o respeito e cordialidade no contacto com as comunidades e com os agregados familiares, reiterando ainda que a colaboração da população será igualmente essencial para o sucesso da operação.

“Gostaria, igualmente, de apelar à colaboração de todos, autoridades administrativas, líderes comunitários, organizações da cidade civil, partidos políticos e cidadãos, para que recebam e apoiem os agentes cartógrafos no exercício das suas funções”, acrescentou, citado pela imprensa nacional.

Teles Huo, director Nacional de Políticas Económicas e Desenvolvimento, recordou na ocasião que o censo de 2027 será particularmente relevante para Moçambique, já que será o primeiro totalmente digital a ser realizado no país, representando um avanço significativo.

“Quarenta e seis anos depois, teremos então um censo totalmente digital. É, de facto, um avanço importante a ser sinalizado e isto mostra que estamos também a apostar neste campo”, destacou, citado pela mesma fonte.

Huo acrescentou que os dados que resultarão deste exercício serão fundamentais para apoiar a formação de políticas públicas, orientar a planificação territorial e reforçar a monitorização das estratégias de desenvolvimento de memória social, desde o nível local até ao nível nacional.

“É óbvio que para qualquer país, para que possa haver uma boa planificação de desenvolvimento, é preciso que haja dados, haja evidências. Então, a planificação, o desenvolvimento é feito com as pessoas, é preciso que saibamos como é que está a nossa dinâmica populacional, onde é que as pessoas estão localizadas, para que possamos planificar de uma forma mais calibrada”, concluiu.

Em Junho passado, o INE anunciou que prevê registar, no recenseamento populacional de 2027, 36 milhões de habitantes, mais dez milhões face ao censo de 2017.

Ao apresentar a estrutura organizativa do plano do quinto recenseamento geral da população e habitação, Elisa Magaua avançou que se espera um crescimento face à operação de 2017, quando foram registados pouco mais de 26 milhões de habitantes em Moçambique.

O recenseamento geral da população e habitação vai decorrer de 01 a 15 de Agosto de 2027, pela primeira vez através das plataformas digitais e com resultados em seis meses.

 O INE estimou em 34 milhões a população moçambicana em 2025, contra pouco mais de 26 milhões do último censo de 2017.

Uma jovem de 37 anos de idade foi assassinada na madrugada deste sábado, na cidade de Chimoio, província de Manica. A família da vítima acusa o namorado de ser o principal suspeito do crime, alegando que o casal vivia frequentemente em constantes desentendimentos.

Uma mulher perdeu a vida após um desentendimento com o namorado numa barraca localizada no mercado Mapulango, no bairro Centro-Hípico.

Mizédia Domingos Serpa, mãe de dois filhos menores, trabalhava como vendedora de carne de porco no mercado Mapulango. Segundo familiares, na tarde de sexta-feira ela saiu do local de trabalho acompanhada pelo namorado em direcção a casa.

Durante a madrugada de sábado, moradores ouviram gritos de socorro vindos das proximidades da sua residência e quando se aproximaram para perceber o que aconteceu, encontraram-na morta.

De acordo com a irmã da vítima, quando chegou ao local encontrou Mizédia inconsciente e com sinais de agressão física, e logo suspeitaram do namorado, com quem tinha um histórico de brigas e agressões.

Horas depois, não resistiu aos ferimentos e perdeu a vida. A família da vítima tem o namorado como o principal suspeito e pede justiça. Entretanto, o mesmo desapareceu depois do sucedido e encontrava-se em parte incerta, tendo depois sido accionada a polícia para os trâmites legais, bem como a denúncia.

A Polícia da República de Moçambique em Manica, reagiu ao caso do alegado assassinato de uma jovem pelo seu namorado. Segundo a corporação, o principal suspeito apontado pela família da vítima encontra-se internado no Hospital Provincial de Chimoio, em estado de coma e a lutar pela vida.

De acordo com a Polícia, neste momento ainda é prematuro avançar com a sua responsabilização formal no caso. As autoridades aguardam pela recuperação do suspeito para que possam ser realizadas mais averiguações e esclarecidos os contornos do crime.

Segundo a Polícia, o casal encontrava-se no estabelecimento comercial a consumir bebidas alcoólicas quando iniciou uma discussão no interior da barraca. A população presente no local interveio e conseguiu separá-los.

Momentos depois, os dois abandonaram o local juntos numa motorizada pertencente ao namorado. Entretanto, a Polícia foi acionada por populares que relataram que uma mulher estava a pedir socorro.

No local, as autoridades encontraram a vítima estendida e em estado grave. A mulher foi socorrida e levada ao hospital, mas acabou por perder a vida horas depois.

“Deste caso temos a referenciar que também encontra-se o cidadão que com ela estava no estabelecimento comercial a consumir álcool, neste exacto momento internado e em coma. A família da vítima acaba acusando este cidadão porque os mesmos vinham com histórico de violência, já passaram por várias vezes nas nossas subunidades policiais com histórico de violência, mas há um trabalho que está sendo feito para apurar a veracidade deste facto”, disse Mouzinho Manasse, porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Manica.

As autoridades afirmam que continuam a trabalhar para apurar as circunstâncias do caso e aguardam pela recuperação do suspeito para recolher mais informações que possam esclarecer os factos.

“Ele é apontado como o suspeito pela família, nós temos de manter a custódia até o momento que ele sair do coma para podermos colher mais informações em torno deste caso”, concluiu Manasse.

O Exército israelita exigiu, no sábado, a retirada imediata dos moradores que ainda se mantêm nos arredores do Sul de Beirute, numa antecipação de novos ataques de Telavive na capital do Líbano.

“Alerta urgente aos moradores dos subúrbios do Sul de Beirute, especialmente àqueles que ainda não se retiraram da área. Repetimos: salvem as vossas vidas e retirem-se das vossas casas imediatamente”, disse o coronel Avichay Adraee, porta-voz do Exército de Israel, num comunicado citado pela Lusa.

O comunicado antecipa novos ataques israelitas nos subúrbios da capital libanesa, justificando a agressão ao país vizinho com actividades do grupo xiita pró-iraniano Hezbollah.

Segundo a declaração publicada no Telegram e ilustrada com um mapa da área em questão, o Exército diz que irá “agir com força” nos subúrbios do Sul de Beirute, tido como bastião do movimento Hezbollah.

O aviso surge dois dias depois de o ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, ter ameaçado os habitantes do Sul de Beirute de sofrerem a mesma devastação que Israel infligiu a Gaza, onde o país foi acusado de genocídio. “Muito em breve, Dahiyeh (bairro a Sul de Beirute) será parecida a Khan Yunis”, declarou o membro do Governo, associado à extrema-direita israelita.

Na quinta-feira, avisos de retirada naquela zona de Beirute levaram milhares de habitantes a fugir da área, juntando-se também àqueles que fugiam do Sul do Líbano, alvo de vários ataques e incursões israelitas.

 

Já foram mortas 300 pessoas

Os ataques israelitas já mataram quase 300 pessoas no Líbano, país que foi arrastado para a guerra em curso no Médio Oriente, provocada por um ataque conjunto de Israel e Estados Unidos contra o Irão.

Segundo o Exército israelita, o Hezbollah disparou 70 foguetes e drones contra o território desde o recomeço das hostilidades, e, no sentido contrário, 26 vagas de ataques aéreos foram lançadas por Israel no Líbano.

Na sexta-feira, o Primeiro-Ministro libanês, Nawaf Salam, alertou que se aproxima um “desastre humanitário” com a deslocação em massa da população libanesa, devido aos ataques das forças israelitas no país.

Apesar de esta ofensiva ser lançada no contexto da guerra contra o Irão, Telavive realizou nos últimos meses dezenas de bombardeamentos contra o Líbano, violando o cessar-fogo alcançado em Novembro de 2024.

Nesses ataques anteriores, Israel, que mantém cinco postos no território do país vizinho, alegou que actuava contra actividades do Hezbollah, em acções que foram condenadas pelas autoridades libanesas e pelas Nações Unidas.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de Fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. O Conselho de Liderança Iraniano assume actualmente a direcção do país.

O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projécteis iranianos também foram registados no Chipre e na Turquia.

 

Cidade histórica do Líbano alvo de bombardeamentos

As Forças Armadas israelitas bombardearam ontem a periferia da cidade histórica de Tiro, no Sul do Líbano, de acordo com a imprensa estatal libanesa e um fotógrafo da agência francesa citados pela Lusa.

A agência de notícias libanesa NNA afirmou que aviões de guerra israelitas atacaram três prédios nos arredores de Tiro que tinham sido identificados como alvos e imagens da AFP mostravam densas colunas de fumo preto a subir de prédios que Israel alega serem usados pelo grupo xiita libanês Hezbollah. 

Horas antes, Telavive instou os moradores daquele bairro a retirarem-se, ao mesmo tempo que dava ordem a todos os cidadãos para abandonar o território libanês situado a Sul do rio Litani, onde estão cidades como Tiro, Sidon, Nabatiye e Yezin.

Numa ofensiva militar contra o Hezbollah, grupo pró-iraniano, a força aérea israelita já tinha atacado na sexta-feira Tiro, considerada uma das mais antigas cidades do mundo continuamente habitadas, com sítios arqueológicos classificados como Património Mundial.

Ontem, o ministro da Cultura libanês, Ghassan Salameh, denunciou que os bombardeamentos israelitas provocaram danos materiais no perímetro de um complexo de ruínas romanas de Tiro, inscritas no património classificado.

Apesar desta ofensiva ser lançada no contexto da guerra conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irão, Telavive realizou, nos últimos meses, dezenas de bombardeamentos contra o Líbano, violando o cessar-fogo de Novembro de 2024.

 

Estados Unidos começam a usar as bases britânicas

As Forças Armadas Americanas começaram a usar bases militares britânicas para conduzir “operações defensivas” contra o Irão, afirmou, ontem, o Ministério da Defesa britânico.

“Os Estados Unidos começaram a usar bases britânicas para operações defensivas específicas, a fim de impedir que o Irão lance mísseis na região, o que coloca em risco vidas britânicas”, afirmou o Ministério da Defesa, na rede social X (ex-Twitter).

Bombardeiros B-1 da Força Aérea americana pousaram na base aérea da RAF (Força Aérea Britânica) em Fairford, no Sudoeste da Inglaterra, observou a agência francesa France Presse.

O aval de Londres para que os Estados Unidos utilizem algumas das suas bases militares, incluindo Fairford e Diego Garcia (no Oceano Índico) para realizar ataques contra o Irão, surge depois de o Governo britânico ter sido criticado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por se recusar a permitir o uso dessas bases para os ataques iniciais conjuntos de Washington e Telavive contra o Irão.

“O que eu não estava preparado para fazer era levar o Reino Unido à guerra sem uma base legal e sem um plano viável e bem-elaborado”, defendeu-se o Primeiro-Ministro britânico, Keir Starmer, na quarta-feira.

Segundo uma sondagem publicada na sexta-feira, 56 por cento dos britânicos apoiam a decisão inicial do primeiro-ministro e 49 por cento consideram que o Reino Unido deve permanecer neutro neste conflito. 

Ontem, em Fairford, manifestantes concentraram-se à frente da base militar contra o conflito no Médio Oriente, enquanto as agências internacionais de notícias davam conta de milhares de pessoas a protestarem em Londres contra a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Seis meses depois de a edilidade de Maputo ter flexibilizado as regras para o exercício do comércio informal nos arredores do Mercado de Xiquelene, vendedores voltaram a ocupar passeios e outros espaços considerados impróprios, contrariando as orientações municipais e reacendendo o debate sobre a organização da actividade na capital do país.

Em Agosto do ano passado, depois de uma operação de retirada que gerou tensão entre as autoridades municipais e os vendedores, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo recuou da decisão de interdição total do comércio informal nos passeios das avenidas que cruzam a Praça dos Trabalhadores. 

A medida tinha como objectivo libertar os passeios e melhorar a circulação de peões e viaturas numa das zonas mais movimentadas da cidade.

Após negociações com os comerciantes, a edilidade acabou por flexibilizar a decisão e permitiu que os vendedores continuassem a exercer as suas actividades nas imediações do mercado, mas apenas a partir das 16 horas. A solução foi apresentada como uma forma de equilibrar a necessidade de organizar o espaço público com a realidade de milhares de famílias que dependem do comércio informal para garantir o sustento diário.

Contudo, seis meses depois do entendimento alcançado entre o município e os vendedores, a realidade no terreno revela que o comércio informal voltou a ocupar os passeios em praticamente qualquer momento do dia.

Uma ronda feita nas imediações do Mercado de Xiquelene pela equipa de reportagem do “O País” mostra vendedores instalados desde o início da tarde, e em alguns casos ainda mais cedo, ocupando espaços destinados à circulação de peões.

Na Avenida Guerra Popular, no entroncamento com a Avenida 24 de Julho, um dos pontos onde a polícia municipal já foi interventiva no passado para impedir a ocupação dos passeios, os vendedores informais voltaram a instalar-se.

Alguns comerciantes reconhecem que os locais não são apropriados, mas afirmam que a necessidade de garantir rendimento diário os obriga a regressar aos pontos mais movimentados.

Segundo o vendedor,  Ambrósio Zibia, muitas vezes os vendedores aguardam apenas a saída das equipas de fiscalização para iniciar a actividade e reconhecem o perigo naquele local. “Até eles saírem, assim que saírem, é a hora que nós estamos a começar a trabalhar, sabemos que é muito perigoso, mas não temos muitas opções, é pelo rendimento, se nos tirarem, vamos levar nossas coisas e sair”.

O comerciante, Samuel explicou a dinâmica que ocorre no local, “o município proibiu aqui, porque nós começamos a vender às 13, às vezes às 14, não aceita para nós começar a vender logo de manhã, tirar nós daqui, não ficar pessoas aqui.”

A Polícia Municipal reconhece que, apesar de se tratar de uma actividade considerada ilegal quando exercida em locais impróprios, o comércio informal constitui uma fonte importante de sobrevivência para muitas famílias.

De acordo com a corporação, a realidade socioeconómica do país faz com que milhares de pessoas dependam desta actividade para garantir o sustento diário. “Muito mais mesmo para alguma renda, que está mesmo de sobrevivência, subsistência, várias famílias sobrevivem através do trabalho informal, este é um facto que temos que reconhecer e também reconhecemos a existência, sim, de vendedores de uma forma recorrente a ocuparem lugares impróprios para esta actividade que é, na verdade, de subsistência”, afirma o porta-voz da Polícia Municipal, Naftal Lay.

Apesar disso, as autoridades defendem que a actividade deve ocorrer dentro de regras que permitam manter a organização da cidade e garantir a circulação segura de peões.“Ela tem que ocorrer, ela tem que ser feita de uma forma ordeira”, aponta Lay. 

A edilidade assegura que não recuou do plano de reorganização do comércio informal na capital do país. Segundo o município, foram indicados espaços onde os vendedores poderiam exercer temporariamente as suas actividades enquanto decorre um processo mais amplo de reorganização.

“Os vendedores foram indicados onde pudessem exercer alguma actividade de uma forma temporária enquanto a reorganização de grande vulto ainda esteja a ocorrer.”

Mesmo com estas alternativas, muitos comerciantes continuam a preferir os locais de maior movimento, como os passeios próximos ao Mercado de Xiquelene e às principais avenidas da zona, onde acreditam ter mais possibilidades de venda.

Para lidar com o problema e encontrar soluções mais estruturais, a Polícia Municipal anunciou a criação de um Grupo Multissetorial de Mercados e Mobilidade, que deverá estudar mecanismos de reorganização do comércio informal sem criar embaraços à circulação de pessoas e viaturas nas principais vias da cidade.

Enquanto isso, no terreno, o cenário mantém-se praticamente inalterado, vendedores ocupam novamente os passeios nas imediações do Mercado de Xiquelene, evidenciando os desafios enfrentados pelas autoridades municipais para conciliar a organização urbana com a sobrevivência de milhares de famílias que dependem da economia informal em Maputo.

A candidatura do ex-presidente do Senegal, Macky Sall, ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) está a gerar contestação no seu país, com opositores e associações de vítimas a acusarem o antigo chefe de Estado de repressão política e irregularidades económicas durante o período em que governou.

Em conferência de imprensa realizada na sexta-feira, representantes de colectivos ligados a vítimas de violência política criticaram a eventual nomeação de Sall para o cargo máximo da ONU. Pape Abdoulaye Toure, membro do coletivo Famílias dos Mártires, afirmou que o antigo presidente procura “refúgio na ONU” para escapar a possíveis processos judiciais, defendendo que “não merece ser secretário-geral”.

Também o deputado Guy Marius Sagna, do atual partido governante, declarou que a ONU “não pode tornar-se um espaço de ‘lavagem’ para crimes hediondos e crimes económicos”.

Macky Sall liderou o Senegal entre 2012 e 2024 e é acusado por críticos de ter ordenado repressões contra manifestações da oposição nos últimos anos do seu mandato. Segundo um relatório divulgado em 2024 por um consórcio de jornalistas e investigadores, pelo menos 65 pessoas — na maioria jovens — morreram entre março de 2021 e fevereiro de 2024 durante protestos políticos.

As autoridades atuais estimam um número ainda mais elevado. O governo liderado pelo presidente Bassirou Diomaye Faye e pelo primeiro-ministro Ousmane Sonko aponta para mais de 80 mortos em confrontos relacionados com protestos da então oposição.

O actual executivo anunciou em Agosto a abertura de investigações à violência ocorrida durante o mandato de Sall. Ainda assim, em março de 2024, nas últimas semanas da sua presidência, foi aprovada uma lei de amnistia que abrange atos de violência política registados entre 2021 e 2024.

Paralelamente às acusações de repressão, o antigo chefe de Estado enfrenta críticas relacionadas com a gestão financeira do país. Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu que autoridades senegalesas terão apresentado declarações incorretas sobre os défices orçamentais e a dívida pública entre 2019 e 2023, ocultando a dimensão real do endividamento.

Apesar das críticas, a candidatura de Sall recebeu apoio de alguns círculos políticos e diplomáticos que consideram que a sua eventual eleição poderia reforçar o peso internacional do Senegal.

Na segunda-feira, o Burundi, que actualmente preside à União Africana, indicou oficialmente o antigo presidente senegalês como candidato ao cargo de secretário-geral da ONU.=

Contudo, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Cheikh Niang, afirmou na imprensa local que a candidatura não foi apresentada pelo Governo de Dakar, sublinhando que o atual executivo “não esteve envolvido nesse processo”.

Cento e trinta desmobilizados da Renamo desvincularam-se dos Naparamas e entregaram-se à Polícia na Zambézia. Com a acção, pretendem ser integrados no DDR, algo visto pelo partido com estranheza.

Depois de tomar conhecimento que seus ex-guerrilheiros se entregaram à Polícia para fazer parte do DDR, após desvincularem-se do grupo Naparamas, o partido Renamo chamou a imprensa neste sábado para refutar a informação.

Na verdade, este é mais um capítulo da novela dos desentendimentos na Renamo. O partido distancia-se do grupo e diz ser obra de pessoas de má-fé. 

Embora o processo esteja a ser demorado, a Renamo assegura que as pensões no âmbito do DDR continuam a ser pagas aos ex-guerrilheiros. 

O partido liderado por Ossufo Momade desafia as autoridades moçambicanas a investigarem o caso dos referidos ex-guerrilheiros e a punir os infractores. 

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