O Gabinete Parlamentar da Assembleia da República manifestou hoje o seu reconhecimento pelo empenho humanitário da Primeira-Dama da República, Gueta Selemane Chapo, no auxílio às famílias afectadas pelas recentes inundações na província de Gaza.
Durante um encontro de trabalho com a equipa liderada pela presidente da estrutura técnica, Maria Marta, foi destacada a prontidão da Primeira-Dama em unir esforços com as deputadas para garantir que a assistência chegue de forma célere e digna às populações vulneráveis, reforçando o papel da fiscalização e do apoio social em tempos de crise nacional.
A presidente do Gabinete Parlamentar sublinhou a relevância da colaboração interinstitucional no terreno, enfatizando que a união de esforços tem sido determinante para mitigar o sofrimento das comunidades atingidas. Segundo a responsável, a presença estatal e o suporte do Gabinete da Primeira-Dama são pilares que sustentam a eficácia das operações de socorro em curso nas zonas mais críticas do sul do país.
Ao detalhar a experiência da missão conjunta, Maria Marta fez questão de pontuar a importância da iniciativa da esposa do Presidente da República ao incluir a estrutura parlamentar na linha da frente. “Queremos enaltecer o convite que a Primeira-Dama fez ao Gabinete da Mulher Parlamentar na sua deslocação à província de Gaza, em apoio às vítimas das cheias”, afirmou a presidente, em declaracoes à imprensa, destacando o impacto positivo desta sinergia.
A actuação no terreno não se limitou ao protocolo, envolvendo um trabalho directo de assistência e levantamento de necessidades das populações que perderam bens e meios de subsistência devido à fúria das águas. “O gabinete esteve lá, trabalhou junta e prontamente com a Primeira-Dama, ela que esteve a apoiar as populações, esteve a dar o ombro àquelas populações que estão sofrendo neste momento”, declarou Maria Marta.
A presidente contextualizou a gravidade da situação climática que Moçambique atravessa, lembrando que o país enfrenta um período cíclico de desafios ambientais extremos. “Nós sabemos que o país está a ser assolado pelas cheias e inundações, e a Primeira-Dama tem estado a fazer tudo para esta população”, observou, reiterando a necessidade de uma vigilância contínua pelas autoridades.
O foco da actuação do Gabinete da Primeira-Dama e parlamentar, conforme descrito pela responsável, assenta na inclusão e na garantia de que nenhum moçambicano seja esquecido durante o processo de realocação e assistência humanitária. Maria Marta reforçou que o objetivo é “fazer tudo para que todos se sintam acomodados, todos se sintam apoiados e que nenhuma pessoa fique para trás”.
No encerramento das suas declarações, Maria Marta reiterou o agradecimento institucional pela postura proactiva da Esposa do Chefe do Estado, validando o impacto das suas acções na coesão social do país. “Portanto, agradecer mais uma vez à Primeira-Dama do país por tudo que tem feito para o povo moçambicano”, concluiu a presidente do Gabinete Parlamentar.
Um funcionário do Estado, de 38 anos, perdeu a vida ao tentar atravessar a via que liga os distritos de Guijá e Chókwè, na província de Gaza, arrastado pela forte corrente de água que há duas semanas condiciona a circulação naquele troço. Os residentes desta via reclamam das péssimas condições de travessia e falam dos perigos que assombram a via.
O caso reacende críticas das populações à falta de alternativas seguras de travessia e à demora no cumprimento de promessas governamentais.
Segundo testemunhas, o homem tentava alcançar o município de Chókwè quando foi surpreendido pela força das águas. O corpo foi recuperado no dia seguinte à sua morte.
“O jovem é de Guijá e perdeu a vida aqui. Ele tentou passar por aqui, mas não conseguiu. A água puxou e ele perdeu a vida”, relatou Lucas, residente local, frisando ainda que “ninguém está bem, mesmo eu não estou bem, mas é para fazer o que? Ninguém mandou isso aqui”.
A estrada, considerada estratégica por ligar Chókwè, Guijá e a vila de Caniçado, permanece parcialmente submersa desde as últimas cheias, dificultando a mobilidade de pessoas e bens. A situação tem forçado a população a recorrer a pequenas embarcações artesanais, muitas vezes em condições precárias.
Dias antes do incidente, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, havia reconhecido o risco e apelado à prudência, além de prometer reforço nos meios de travessia.
“Esta via é de capital importância. Queremos apelar àqueles que continuam a arriscar a atravessar esta água com muita corrente que não o façam. Tivemos situações não muito agradáveis nas cheias de Janeiro, com carros arrastados, pessoas arrastadas”, disse Mapandzene a 20 de Março.
Na ocasião, a Governadora realçava que a interrupção da mesma era preciso haver alguma alternativa para a comunicabilidade dos dois locais, e que “neste momento, estamos a ver aqui umas embarcações que ajudam a travessia da nossa população, e também temos uma embarcação movida a motor que vamos meter nesta via para ajudar cada vez mais a nossa população”.
No entanto, moradores dizem que as medidas ainda não se concretizaram. A ausência de fiscalização e de transporte público seguro agrava o cenário, segundo os utentes.
“Quem quer passar tem que pagar o barco. E nem todos têm dinheiro”, lamentou Lino Manuel.
“São barcos com infiltrações, mesmo assim as pessoas arriscam a vida por necessidade”, acrescentou Januário, outro utente.
No local, embarcações chegam a transportar até oito passageiros por viagem, além de mercadorias, sem controlo das autoridades. O custo da travessia varia entre 50 e 100 meticais, valor considerado elevado para muitas famílias num contexto de desemprego e dificuldades económicas.
Apesar dos riscos evidentes, muitos continuam a atravessar diariamente, pressionados pela necessidade de trabalho e acesso a serviços. Outros, por falta de recursos, ficam retidos.
A situação insere-se num quadro mais amplo de cheias na província de Gaza. Na cidade de Xai-Xai, autoridades mantêm alerta máximo devido à interrupção recorrente da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1) nos últimos dias. Pelo menos 10 bairros estão inundados, afectando mais de 6.100 pessoas, segundo dados preliminares.
Enquanto isso, a travessia entre Chókwè e Guijá permanece um ponto crítico, onde a urgência por soluções seguras se torna cada vez mais evidente após mais uma vida perdida.
A missão de paz da ONU na República Democrática do Congo alertou, esta quinta-feira que as hostilidades entre o governo estão a espalhar-se para além do epicentro tradicional de Kivu do Norte e do Sul, atingindo a província de Tshopo, longe das linhas de frente.
Em declarações ao Conselho de Segurança, Vivian van de Perre, vice-chefe da MONUSCO, citada pelo Africanews, afirmou que os recentes combates têm sido marcados pelo uso crescente de drones ofensivos e pela interferência sistemática em sinais de GPS em áreas urbanas.
Ela citou incidentes que afetaram o Aeroporto de Bangoka em Kisangani e localidades em Goma, levantando “sérias preocupações sobre os riscos para civis e infraestrutura civil”.
Van de Perre também observou que as restrições de acesso dificultam a capacidade da ONU de monitorar abusos, enquanto jornalistas e defensores dos direitos humanos em áreas controladas pelo M23 enfrentam intimidação e detenção arbitrária.
Prevê-se que a insegurança alimentar afete 26,6 milhões de pessoas este ano – aproximadamente um quarto da população.
O embaixador da República Democrática do Congo, Zénon Ngay Mukongo, disse ao Conselho que as ofensivas do M23 continuam com o apoio das Forças de Defesa de Ruanda, classificando-as como “uma grave violação da soberania e integridade territorial” de seu país.
A África do Sul foi retirada da lista de convidados da próxima cimeira do G7, após pressão dos Estados Unidos, num episódio que evidencia o aumento das tensões diplomáticas.
De acordo com a presidência sul-africana, o convite foi retirado pela França, anfitriã do encontro, marcado para 15 e 17 de Junho deste ano.
O governo sul-africano afirma que Washington terá ameaçado boicotar a reunião caso Pretória mantivesse a sua participação.
As relações entre o presidente Donald Trump e o governo sul-africano deterioraram-se nos últimos meses, sobretudo devido a disputas comerciais e críticas às políticas internas de redistribuição económica, consideradas discriminatórias pelos Estados Unidos.
As divergências estendem-se ao plano internacional, após a África do Sul levar Israel ao Tribunal Internacional de Justiça.
Apesar da exclusão, Pretória reafirma o compromisso com o diálogo e garante que continuará a defender os seus interesses no cenário global.
A ministra das Finanças, Carla Louveira, defende que o desenvolvimento do País exige fontes de financiamento diversificadas, sustentáveis e crescentes, baseadas na mobilização da poupança interna e do investimento externo.
“O mercado de capitais é, neste contexto, um instrumento incontornável, não apenas como alternativa ao financiamento bancário, mas como mecanismo de democratização do acesso ao investimento”, referiu a governante.
Carla Louveira falava durante a cerimónia de premiações da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM 2026), encontro que contou com a presença dos presidentes da Bolsa de Valores de Cabo-Verde, Angola, entre outras personalidades.
Por sua vez, o presidente da Bolsa de Valores, Pedro Cossa, explicou que a cerimónia visa reconhecer o papel de cada empresa cotada na Bolsa pela dinamização do mercado de capitais moçambicano para financiar a economia.
Já a presidente da Bolsa de Valores de Cabo-Verde, Júlia Alves da Cruz, justificou a sua presença no evento com a necessidade de renovar o compromisso dos dois países firmado em 2022 para a partilha de conhecimentos.
Segundo uma nota publicada na página electrónica do Ministério das Finanças, ao longo dos 27 anos de sua existência, a Bolsa de Valores foi marcada por uma trajectória de resiliência e um compromisso constante com a modernização.
O Governo reafirma o compromisso com a legalidade, a protecção dos direitos humanos e o respeito pelo Estado de Direito Democrático consagrado na Constituição da República, explicando que não tolera condutas que atentem contra a vida, a integridade física, a liberdade e a dignidade dos cidadãos.
A informação foi avançada nesta quarta-feira, na Assembleia da República, pelo ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, durante a Sessão de Informação do Governo.
Saize assegurou que o Executivo moçambicano acompanha com atenção os relatórios e preocupações apresentadas por organizações nacionais e internacionais, incluindo a Human Rights Watch, reiterando que quaisquer alegações de abusos por parte de agentes do Estado são tratadas com a máxima seriedade.
“Não são toleradas condutas que atentem contra a vida, a integridade física, a liberdade e a dignidade dos cidadãos”, sublinhou o ministro, acrescentando que “é neste sentido de responsabilidade e compromisso com o futuro de Moçambique que o Governo tem vindo a definir e implementar um conjunto de acções estratégicas destinadas a reforçar a transparência, a responsabilização institucional e a confiança dos cidadãos nas instituições públicas”.
O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos destacou o reforço dos mecanismos de fiscalização e combate à impunidade, incluindo investigações independentes e imparciais sobre eventuais abusos cometidos pelas Forças de Defesa e Segurança.
O governante referiu-se ao fortalecimento da independência do Ministério Público e dos tribunais, bem como à criação e activação de mecanismos de inquérito transparentes para assegurar que os responsáveis por eventuais violações de direitos humanos sejam devidamente julgados e punidos.
Segundo o ministro, “com estas acções, o Estado pretende garantir que os responsáveis por violações de direitos humanos sejam devidamente julgados e punidos, consolidando-se, assim, uma cultura de responsabilidade e respeito pela lei”.
No plano institucional, Saize destacou a revisão da Lei do Serviço Nacional de Investigação Criminal, através da Lei n.º 5/2025, de 13 de Junho, que reforçou o carácter científico e investigativo da instituição, colocando-a sob tutela do Procurador-Geral da República.
Outro marco mencionado pelo Ministro tem a ver com a assinatura, a 24 de Fevereiro do ano em curso, em Genebra, do acordo para o estabelecimento do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Moçambique, considerado um mecanismo concreto de promoção e protecção dos direitos humanos.
Falando sobre a liberdade de imprensa e o acesso à informação, Saize disse que constituem pilares essenciais da democracia. “O Governo reafirma o seu compromisso na protecção de jornalistas e defensores de direitos humanos contra quaisquer actos de intimidação, com a implementação efectiva das leis de acesso à informação pública e com o respeito pelo direito à manifestação pacífica, nos termos da Constituição e das demais leis”, afirmou.
No domínio político-eleitoral, o governante explicou que prosseguem esforços para melhorar a gestão eleitoral e consolidar a legitimidade democrática, garantindo processos eleitorais transparentes, justos e verificáveis, o reforço da independência das instituições eleitorais e a facilitação da observação eleitoral independente, nacional e internacional, através das reformas legais necessárias.
O ministro garantiu que o Executivo moçambicano permanece aberto à fiscalização parlamentar, ao escrutínio público e à cooperação com todos os actores que contribuam para o reforço das instituições democráticas, a consolidação do Estado de Direito e a salvaguarda efectiva dos direitos fundamentais de todos os moçambicanos.
O Governo moçambicano está ciente do carácter cíclico e cada vez mais intenso dos eventos climáticos que assolam o País, causados por ciclones, chuvas, inundações e secas na sua acção governativa e continua a apostar na adopção e implementação de medidas e acções que concorram, entre outros, para a construção de infra-estruturas resilientes às mudanças climáticas, tais como edifícios públicos, estradas, pontes, linhas de transmissão de energia, sistemas de abastecimento de energia, entre outros.
A informação foi tornada pública nesta quarta-feira, na Assembleia da República, pela primeira-ministra do País, Maria Benvinda Levi, durante a sessão de informações do Governo, em resposta às perguntas feitas pelas quatro bancadas parlamentares, nomeadamente Frelimo, Podemos, Renamo e MDM, sublinhando que a aposta do Executivo inclui a reabilitação e construção de barragens, represas, diques, sistemas de drenagem no âmbito da gestão dos recursos hídricos, assim como a modernização da rede nacional de estações hidroclimatológicas.
Respondendo a uma pergunta da bancada parlamentar da Frelimo relativa à avaliação global do estado sobre a situação das cheias e inundações ocorridas no presente ano, incluindo os seus impactos, Levi referiu-se ao fortalecimento do sistema de aviso prévio e reforço da capacidade de prontidão e de resposta aos desastres naturais, permitindo que, em tempo útil, a população esteja informada e precavida das intempéries; e ao reforço do mapeamento das zonas de risco de ocorrência das calamidades e reassentamento das populações em zonas seguras.
“Neste momento, o Governo está a finalizar a elaboração do Plano de Reconstrução Pós-Cheias 2026 que visa assegurar, a médio prazo, a recuperação da capacidade produtiva, reconstrução definitiva e resiliência das infra-estruturas económicas e sociais destruídas, assim como a restauração dos meios de subsistência das populações, de entre outros”, disse a primeira-ministra moçambicana.
Segundo a governante, relativamente à resposta de emergência, o Governo assegura, de entre várias, a reposição da transitabilidade de várias vias de acesso, sendo de destacar os troços na Estrada Nacional nº.1, 3 de Fevereiro–Incoluane, Baixa de Nguluzane (Xai-Xai) e Rio Save–Muxúnguè, possibilitando a retoma da ligação do Norte ao Sul do nosso país.
Mas também assegura o restabelecimento de energia eléctrica em todos os distritos afectados da província de Gaza; a disponibilização de tendas-escolas e kits de alunos para garantir a retoma do ensino, onde as salas de aulas foram parcial ou totalmente destruídas nas províncias de Maputo, Gaza e Sofala.
Igualmente, falou do restabelecimento de serviços de atendimento hospitalares em 205 unidades sanitárias de um universo de 302 que foram afectadas pelas chuvas e inundações e a distribuição de talhões no âmbito do reassentamento em zonas seguras.
Relativamente à reabilitação das infra-estruturas hidráulicas estratégicas, Benvinda Levi disse que o Governo tem vindo a mobilizar investimentos do sector público e privado, assim como a encorajar o estabelecimento de parcerias público-privadas para assegurar a construção, de entre outras, das barragens de Moamba Major, no rio Incomáti; Mapai, no rio Limpopo e Revúbuè, no rio Zambeze, bem como a construção de sistemas de protecção e diques em Chókwè, Xai-Xai, Ilha Josina Machel, Nova Mambone, Caia, Marromeu e Nante.
“É nossa convicção que, com a implementação destas e outras acções, estamos a criar condições para que o nosso país seja, cada vez mais, seguro e resiliente às calamidades naturais, tanto ao nível das comunidades, da economia e das infraestruturas económicas e sociais”, afirmou a primeira-ministra.
Abordando a questão colocada pela bancada parlamentar do PODEMOS inerente ao conteúdo do Decreto n.º 75/2014, de 12 de Dezembro, que aprovou o primeiro Regulamento de Controlo de Tráfego de Telecomunicações no país, Maria Benvinda Levi sublinhou que, com este instrumento, o Governo actualizou e reforçou um regime já existente.
“Ao rever o Decreto n.º 38/2023, em 2025, o Governo tinha como objectivo principal reforçar a clareza procedimental, os critérios de actuação e as garantias legais aplicáveis, introduzindo com ênfase o judiciário como o legitimador das actuações do Instituto Nacional de Comunicação de Moçambique (INCM), autoridade reguladora do sector”, afirmou.
A governante acrescentou que o Decreto n.º 48/2025, de 16 de Dezembro, deve ser compreendido no quadro mais amplo da consolidação da soberania digital do Estado e do reforço da confiança no ecossistema das telecomunicações, estabelecendo mecanismos técnicos e jurídicos que permitem prevenir e mitigar riscos concretos, sem comprometer o objectivo estratégico de expansão da conectividade e da inovação tecnológica no nosso país.
Levi frisou que o Governo está comprometido e engajado no desenvolvimento, respeito e defesa dos Direitos Humanos, com especial destaque ao direito à vida e ao exercício das liberdades fundamentais consagradas na Constituição da República.
Respondendo a uma pergunta da bancada parlamentar da Renamo relativa à violação dos direitos humanos no país, a primeira-ministra disse que a assinatura do acordo, em Fevereiro último, visando o estabelecimento do Escritório do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Maputo, consubstancia o compromisso e a determinação do Governo em assegurar a protecção e a promoção dos Direitos Humanos no nosso país.
“A materialização prática dos direitos humanos, os quais incluem os direitos de liberdade e de igualdade, é da responsabilidade de todos os moçambicanos, sem distinção de raça, expressão religiosa, cor partidária, de entre outros factores”, frisou Levi, exortando todos os moçambicanos a respeitarem as leis e as autoridades, como condição para garantia de uma vida harmoniosa em sociedade, “que é o anseio de todos nós.”
O Governo regressa, nesta quinta-feira, para responder às perguntas de insistência dos deputados das quatro bancadas da Assembleia da República.
Moçambique e Quénia assinaram três novos instrumentos jurídicos de cooperação bilateral, com destaque para as áreas da Juventude e Desporto, Serviços Penitenciários e Correccionais, bem como formação diplomática, investigação e reforço de capacidades.
A assinatura ocorreu no âmbito do encontro entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e o seu homólogo queniano, William Ruto, reforçando os laços históricos entre os dois países.
Estes instrumentos, segundo o Presidente da República, Daniel Chapo, vão imprimir maior dinâmica nos sectores respectivos, capitalizando a experiência acumulada nos dois países.
Segundo Daniel Chapo, os instrumentos agora firmados deverão imprimir uma nova dinâmica nos sectores abrangidos, tirando partido da experiência acumulada por ambas as Nações. “Ficou claro que as áreas nas quais nós precisamos de cooperar são as áreas que a Sua Excelência fez muito bem referência. Precisamos de cooperar na área da agricultura, no transporte, na logística, no turismo e na transformação digital”, afirmou.
No domínio da segurança, os dois países acordaram intensificar a cooperação no combate ao terrorismo, com partilha de experiências e definição conjunta de mecanismos para a operacionalização das estratégias, sendo que as respectivas áreas vão estabelecer as melhores formas para essa operacionalização.
No sector da Juventude e Desporto, o chefe de Estado moçambicano destacou o potencial de aprendizagem com o Quénia, reconhecido pelo seu desempenho desportivo internacional. A expectativa, segundo afirmou, é que essa cooperação contribua para elevar o nível dos atletas moçambicanos em competições globais.
Outro ponto considerado estratégico é o reforço da conectividade aérea. Chapo defendeu a retoma dos voos directos entre Nairobi e Maputo, sublinhando que “a conectividade entre as duas capitais é importante para o desenvolvimento de negócios”, além de fortalecer as relações bilaterais.
“No domínio de transporte para lenda a conectividade aérea existente entre os dois países, onde temos cinco voos semanais de Nairobi para Nampula, as cartas de condução são válidas mutuamente, portanto, um queniano pode estar em Moçambique a conduzir à vontade e um moçambicano pode estar no Quénia a conduzir à vontade”, disse Chapo.
Durante a visita, o estadista moçambicano destacou ainda a experiência queniana em políticas macroeconómicas e desenvolvimento urbano, após uma visita a um projecto de cidade inteligente naquele país.
“Foi bom termos visitado o Smart City, a cidade inteligente, e uma grande aposta do Quénia para o futuro, não só do Quénia, mas do continente africano. Foi uma grande aprendizagem que pode ser replicada à luz das especificidades de cada país”, disse.
A cooperação entre Moçambique e Quénia já resultou na assinatura de cerca de 20 instrumentos jurídicos ao longo dos anos, abrangendo áreas como diplomacia, defesa, segurança, migração e transporte. Segundo Chapo, muitos desses acordos já estão em implementação, com “resultados tangíveis”.
No domínio da formação, o Presidente revelou que cerca de 65 estudantes moçambicanos frequentam actualmente universidades quenianas, incluindo cinco cadetes na academia militar daquele país. Em contrapartida, seis estudantes quenianos encontram-se em Moçambique, sobretudo em cursos de pós-graduação na área agrária.
“Por isso, excelência, nos congratulamos pelos programas de troca de estudantes em curso, revestindo-se de capital importância para o desenvolvimento do capital humano”, disse, ressaltando ainda que “para nós, esta troca de estudantes é, sem margem de dúvidas, desenharmos o futuro dos nossos países e o futuro dos nossos povos”.
A cooperação estende-se também ao sector dos transportes, onde já existem facilidades como o reconhecimento mútuo de cartas de condução, permitindo que cidadãos de ambos os países conduzam livremente nos respectivos territórios — um sinal, segundo Chapo, da “irmandade, amizade e excelente cooperação” existente.
“Portanto, a polícia moçambicana não tem razões para não deixar o queniano conduzir a Moçambique e a polícia queniana não tem razões para deixar um moçambicano conduzir no Quénia”, frisou, destacando que esta cooperação “constitui um ganho e facilita a vida dos nossos cidadãos”.
O chefe de Estado destacou ainda o sentimento de integração das comunidades nos dois países, referindo que moçambicanos residentes no Quénia afirmam sentir-se “como se estivessem em casa”, realidade que, segundo disse, também se verifica com cidadãos quenianos em Moçambique.
Agostinho Zacarias, antigo reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais, critica a falta de posicionamento de Moçambique e do continente africano nos conflitos mundiais movidos pelas grandes potências do sistema das Nações Unidas. Por sua vez, o filósofo Severino Ngoenha adverte o País para não se tornar o próximo campo de batalhas das potências.
Agostinho Zacarias falou em Maputo, no primeiro evento promovido pelo recém-criado centro de diálogo Ndzualo. Zacarias, antigo reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais, questiona a posição de Moçambique no contexto político global.
“Há uma transformação da Ordem Global, e nós precisamos de saber como nos situar e responder a essas transformações”, apelou Agostinho Zacarias, recorrendo ao adágio do primeiro-ministro canadiano que disse “se você não faz parte da mesa, faz parte do menu”. Então, prosseguiu Zacarias, “o que é que nós faremos se amanhã recebemos ameaças iguais às de Cuba? Estamos numa era em que é fácil raptar um chefe de Estado quando não é agradável e não segue o que lhe é dito. Estamos numa era em que as regras mudam constantemente e que precisam de respostas adequadas a estas situações todas”, apelou.
Severino Ngoenha foi um dos convidados para falar da paz em Moçambique. Criticou influências externas nos esforços de paz em África e advertiu o País para não se tornar o próximo campo de batalhas das potências.
“Este é o mundo em que nós estamos, de relações de forças em que uns querem ser mais fortes do que os outros, vão ditar as próprias leis e com todos os meios que são necessários. A chefe de negócios americanos em Moçambique diz em voz alta para quem quer ouvir, que é preciso proteger os interesses americanos. Diz que Nacala é um ponto estratégico. Ela pede a Moçambique para não dar prioridade nos melhores aos chineses, mas abrir para os americanos. Se os chineses e americanos puserem-se a lutar, se os europeus e americanos lutarem, o que é que nós temos de fazer para que nós não sejamos de novo terreno de batalha e de conflito? O que é que temos de fazer para priorizar os nossos interesses?” questionou.
Ibrahim Gambri, subsecretário-geral da ONU para assuntos políticos entre 2005-2007, criticou o facto de esforços de paz em vários palcos de guerra no continente africano serem financiados externamente.
“Temos de encontrar uma nova maneira de financiar nossas operações de paz. Porque, infelizmente, dois terços de financiamento de todas as operações de paz em curso no nosso continente vêm da União Europeia. Eu não estou orgulhoso disso. Nós temos recursos suficientes neste continente para financiar nossas operações de paz. Temos de encontrar novas maneiras de fazer isso, taxar produtos de luxúria no comércio intra-africano.”
Participaram no evento membros da sociedade civil, pesquisadores moçambicanos, de Zimbabwe, África do Sul e Nigéria.
Moçambique participa da 14.ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), de 26 a 29 de Março, na cidade de Yaoundé, República dos Camarões. A conferência reúne os ministros do sector do comércio e outras entidades relevantes do sistema multilateral mundial.
A Conferência decorre num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, incertezas económicas, rápidas transformações tecnológicas e desafios crescentes ao Sistema Comercial Multilateral. Sendo parte desta organização, Moçambique participa da Conferência com uma delegação multissectorial chefiada por Basílio Muhate, Ministro da Economia.
A MC14 assume particular relevância, num contexto em que Moçambique, na qualidade de Coordenador do Grupo Africano na Organização Mundial do Comércio (OMC), teve a responsabilidade de liderar o processo de concertação africana, em preparação à 14ª Conferência Ministerial da OMC.
A Reunião dos Ministros Africanos do Comércio, realizada a 26 de Fevereiro de 2026, em Moçambique, produziu a Declaração Ministerial de Maputo, um instrumento adoptado, que reflecte a posição Africana a ser apresentada na 14ª Conferência Ministerial da OMC.
A agenda da MC14, prevê que sejam debatidas e decididas matérias estruturantes para o futuro da OMC, com destaque para a reforma institucional da Organização, a agricultura, as subvenções à pesca, a moratória sobre o comércio eletrónico, bem como questões específicas de interesse para os Países Menos Avançado (PMA), categoria na qual Moçambique se insere.
A participação de Moçambique ao mais alto nível político permitirá: Reafirmar o compromisso do País com o sistema multilateral de comércio, baseado em regras; Defender de forma eficaz, os interesses nacionais e dos PMA, nas negociações multilaterais; Influenciar as discussões sobre a reforma da OMC, de modo a torná-la mais inclusiva, responsiva e alinhada com as realidades dos países em desenvolvimento; Acompanhar e intervir nas negociações sobre temas sensíveis para a economia nacional, como agricultura, segurança alimentar, subsídios à pesca e comércio digital; Reforçar a visibilidade e o posicionamento de Moçambique no seio da OMC e junto dos seus parceiros de desenvolvimento.

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