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O País – A verdade como notícia

Grupo de direitos humanos alerta para assédio contra imigrantes na África do Sul

O Estado deve deter os grupos de vigilantes que estão a visar ilegalmente migrantes, empresários e comunidades, afirmou ontem a Amnistia Internacional África do Sul.

O assédio contínuo relatado contra pessoas com base em sua nacionalidade ou devido ao seu status imigratório percebido, frequentemente assumindo a forma de solicitações ilegais de documentos de identificação, intimidação, despejo forçado de empresas e residências e humilhação pública, constitui uma violação dos direitos humanos e do Estado de Direito.

Por vezes, isto acontece enquanto agentes da polícia que acompanham os manifestantes no seu percurso assistem passivamente à retirada de imigrantes suspeitos de serem imigrantes sem documentos das suas casas, tendo os seus pertences danificados ou saqueados.

Observa-se uma crescente normalização do vigilantismo em comunidades por todo o país. Vídeos que circulam nas redes sociais e reportagens sugerem que atos antes considerados inaceitáveis ​​estão sendo cada vez mais tolerados e, em alguns casos, até mesmo celebrados.

“A falha do Estado em agir de forma decisiva contra esses grupos criou uma impressão perigosa de que as pessoas têm o direito de violar os direitos dos outros simplesmente por causa de sua nacionalidade ou status imigratório percebido”, disse Shenilla Mohamed, directora-executiva da Amnistia Internacional África do Sul.

“Embora o governo tenha deixado claro que não tolerará verificações de identidade ilegais, atos de intimidação e comportamento de justiceiros, tais abusos ainda ocorrem. As autoridades devem ir além de declarações de preocupação e demonstrar, por meio de investigações, processos judiciais e medidas de responsabilização eficazes, que nenhuma pessoa ou grupo está acima da lei.”

Alegações de omissão policial em impedir comportamentos ilegais ou de cumplicidade por parte da polícia devem ser investigadas minuciosamente, e qualquer irregularidade deve ser punida com os devidos processos disciplinares e criminais.

A Lei de Imigração é clara: nenhum indivíduo ou grupo privado tem autoridade legal para realizar fiscalização de imigração, exigir documentos de cidadãos, entrar em propriedades privadas ou remover pessoas de suas casas ou empresas. Somente agentes de imigração e membros do Serviço de Polícia Sul-Africano estão legalmente autorizados a fazê-lo. Tal conduta mina o Estado de Direito e ameaça os direitos constitucionais de todos que vivem na África do Sul.

Os empresários têm o direito de exercer suas actividades profissionais sem intimidação, assédio ou perturbação. Da mesma forma, toda pessoa que vive na África do Sul tem direito à dignidade, à liberdade e à segurança, independentemente de ser cidadã, migrante documentada, solicitante de asilo ou migrante indocumentada.

“A dignidade humana não tem nacionalidade e não podemos permitir que a violação desenfreada dos direitos continue”, disse Shenilla Mohamed.

Quando houver preocupações sobre o status imigratório de uma pessoa, estas devem ser tratadas por meio de procedimentos legais que respeitem os direitos constitucionais e a dignidade humana. Mesmo que se constate que um indivíduo está em situação irregular, ele continua tendo direito aos direitos protegidos pela Constituição e pelo direito internacional dos direitos humanos, incluindo o devido processo legal, a dignidade e a protecção contra violência e abusos.

A Anistia Internacional da África do Sul, juntamente com outras organizações da sociedade civil, tem alertado repetidamente que a retórica inflamatória, a mobilização anti-imigrantes e as respostas fracas do Estado podem alimentar a discriminação, a violência e novas violações dos direitos humanos.

“A democracia constitucional da África do Sul se fundamenta na dignidade humana, na igualdade e no Estado de Direito. Esses princípios devem ser protegidos para todos”, afirmou Shenilla Mohamed.

A Moçambique Capitais rebate as declarações do governador do Banco de Moçambique sobre a intervenção no Moza Banco. A entidade afirma que a versão apresentada por Rogério Zandamela não corresponde aos factos nem à lei, considera ilegal a intervenção de 2016 e defende uma auditoria forense independente para apurar o impacto financeiro e as responsabilidades do processo.

Nesta sexta-feira, a Moçambique Capitais, S.A. reagiu, através deste comunicado, às declarações do Governador do Banco de Moçambique, segundo as quais a intervenção no Moza Banco foi em poucos segundo, seguiu a lei e foi tomada para evitar o colapso da instituição.

A Moçambique Capitais diz que as declarações do governador do banco Banco Central “não correspondem aos factos”.

“Em defesa da verdade, da sua reputação e dos seus legítimos direitos, a Moçambique Capitais considera indispensável esclarecer determinadas afirmações que, segundo a documentação disponível e as decisões judiciais proferidas, não correspondem aos factos nem ao enquadramento jurídico aplicável”, refere a instituição.

“Enquanto accionista fundadora do Moza Banco, a Moçambique Capitais sempre defendeu a protecção dos depositantes, a continuidade da instituição e a estabilidade do sistema financeiro nacional. Esse compromisso, porém, não pode ser confundido com consentimento quanto à legalidade dos actos praticados durante a intervenção, aceitação da redução da sua participação social ou renúncia aos direitos da sociedade e dos seus accionistas”.

“Contrariamente ao que foi afirmado, à data da intervenção no Moza Banco existia legislação aplicável, designadamente a Lei nº. 15/99, de 1 de Novembro (Lei das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras), alterada pela Lei nº 9/2004, de 21 de Julho e demais normas relevantes”.

Esse quadro legal, acresceta e instuição, regulava o funcionamento e a supervisão das instituições de crédito, deveria ter sido integralmente observado. Nenhuma situação de urgência suspende a legalidade, afasta as competências dos órgãos instituídos ou permite substituir os procedimentos legalmente estabelecidos por decisões pessoais e verbalmente transmitidas.

No mesmo comunicado, a Moçambique Capitais diz que o ano 2016 foi atípico, em que a economia de Moçambique colapsou, induzindo a quebra da taxa de crescimento do PIB.

Como consequência, verificou-se uma severa depreciação da moeda nacional e alta volatilidade cambial, acompanhada de uma grande subida da taxa de juros. Cerca de 2.900 empresas encerraram as portas, gerando desemprego e quebra de rendimento das famílias.

“Neste contexto, antes da intervenção, e para repor os rácios prudenciais, o Moza Banco submeteu ao Banco de Moçambique um pedido de registo de aumento de capital, num montante superior ao acordado entre as duas instituições. O pedido não foi respondido pelo Banco de Moçambique, como era o seu dever, impedindo assim a conclusão do processo de aumento de capital, condicionando, desta forma, o funcionamento regular do banco”.

“O Banco de Moçambique optou pela intervenção, promovendo a suspensão dos membros do Conselho de Administração e a nomeação de um Conselho de Administração Provisório. Estas medidas foram determinadas e comunicadas verbalmente, posteriormente submetidas ao escrutínio dos tribunais”.

“O Moza Banco, em 2015, contava com cerca de 800 colaboradores e 59 unidades de negócio, tendo sido o seu valor económico avaliado por entidades independentes em 160 milhões de dólares dos Estados Unidos da América, dos quais a Moçambique Capitais detinha 51%”.

“A recente declaração do Senhor Rogério Zandamela, Governador do Banco de Moçambique, de que a intervenção no Moza se tratou de uma “decisão pessoal tomada em segundos”, reforça a necessidade de esclarecer como uma medida desta dimensão, envolvendo uma instituição financeira, pôde ser adoptada sem o cumprimento integral dos requisitos legais aplicáveis”.

A Moçambique Capitais afirma, também, que o Banco de Moçambique acusou os membros dos órgãos sociais do Moza Banco de administração danosa e sujeitos a processos de contravenção e sanções.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República concluiu não existirem provas para sustentar as acusações do Banco Central.

Após vários anos de escrutínio judicial, o Plenário do Tribunal Administrativo, composto por 16 Juízes Conselheiros, deliberou por unanimidade o Acórdão nº. 136/2024, que declarou “a nulidade de todos os actos materialmente administrativos praticados pelo Banco de Moçambique”, abrangidos pelo processo, diz o comunicado.

“Esta decisão constitui o referencial jurídico fundamental para a apreciação da intervenção e não pode ser substituída por interpretações pessoais ou narrativas posteriores aos acontecimentos, como está a ser propalado por alguém que teve oportunidade de se pronunciar nos órgãos judiciais do País”.

“A Moçambique Capitais entende que a decisão do Tribunal Administrativo deve ser respeitada e materializada integralmente. O seu cumprimento efectivo constitui uma exigência elementar do Estado de Direito, da segurança jurídica e da estabilidade e credibilidade das instituições”.

“No mesmo contexto, os membros dos órgãos sociais do Moza Banco foram acusados, pelo Banco de Moçambique, de administração danosa e sujeitos a processos de contravenção, sanções e coimas. A Procuradoria-Geral da República concluiu não existirem provas para sustentar as acusações formuladas pelo Banco de Moçambique”.

“Por sua vez, após apreciar os processos de contravenção instaurados pelo Banco de Moçambique, o Tribunal de Polícia declarou nulas e sem efeito a decisão condenatória e as respectivas medidas acessórias”.

Para além da legalidade, a Moçambique Capitais defende a necessidade de se apurar o custo económico e financeiro da intervenção e os seus eventuais efeitos sobre a Kuhanha e o Banco de Moçambique que, por sua vez, impacta no erário público.

“Para clarificar a propalada tese de pretensos “capitais próprios negativos” e “de banco inexistente” e para evitar subjectividades e assegurar uma avaliação objectiva e independente, a Moçambique Capitais defende a realização de uma auditoria forense independente às operações relevantes, entrecruzadas entre o Banco de Moçambique, a Kuhanha e o Moza Banco. Essa auditoria forense deverá examinar:

● As razões por detrás da drástica redução dos depósitos do Moza Banco imediatamente antes e depois da intervenção do Moza;
● A origem, legalidade e aplicação dos recursos financeiros envolvidos;
● Os movimentos financeiros realizados entre as três entidades;
● Os efeitos da redução e dos subsequentes aumentos do capital social;
● A evolução das participações dos accionistas;
● Os resultados anuais, créditos vencidos, empréstimos e demais responsabilidades;
● As opiniões, reservas e qualificações constantes dos relatórios de auditoria desde 2016”.

Essa análise, segundo a Moçambique Capitais, permitiria apurar, com rigor e objectividade, a real situação financeira de cada entidade envolvida, assegurar uma avaliação objectiva e independente, determinar o verdadeiro custo da intervenção e clarificar as respectivas responsabilidades.

“Quando estão em causa recursos públicos ou o património do Estado, deve haver total transparência”.

A Moçambique Capitais diz que continuará a privilegiar o diálogo institucional e garante manter o compromisso com “a legalidade, a transparência, a segurança jurídica e o respeito pelas decisões judiciais”, princípios que considera essenciais para a credibilidade do sistema financeiro.

O musical “O Veredicto” sobe ao palco na próxima sexta-feira, no Centro Cultural Moçambique-China, com a proposta de unir teatro, canto, dança e performance visual numa reflexão sobre as histórias, vivências e expressões que compõem o património cultural moçambicano. Mais do que um espetáculo, os promotores apresentam a iniciativa como um apelo à valorização da cultura nacional e à aproximação do público às produções artísticas do país.

Durante a conferência de imprensa de apresentação do musical, o produtor Zé Pires afirmou que a obra pretende contribuir para o resgate da música moçambicana, que, na sua perspetiva, tem perdido espaço junto da própria sociedade.

“Fazemos com este musical, com esta obra que é um teatro musicado, um clamor a toda a sociedade para o resgate e a recuperação da nossa música como uma plataforma importante que foi praticamente abandonada pela própria sociedade.”

Segundo Zé Pires, a principal razão da criação do espetáculo é formar novos públicos e incentivar os moçambicanos a voltarem às salas de espetáculo.

“A essência deste espetáculo, aquilo que foi a razão por que foi criado, é a construção de uma audiência, a formação de audiências.”

O produtor reconheceu que um dos maiores desafios enfrentados pelos artistas nacionais é conquistar público para os seus eventos.

“Hoje em dia temos muita dificuldade de ter um espetáculo de música ou de qualquer arte sem a gente ter uma casa cheia. Estamos com uma casa de 1.500 lugares e, para a ter cheia, é um transpirar que vocês não estão a imaginar.”

Também presente na conferência de imprensa, o artista Roberto Chitsondzo alertou para o que considera ser um progressivo afastamento dos artistas e do público em relação à cultura moçambicana.

“Nós, artistas, fugimos da nossa essência como artistas para ser melhor aplaudidos. A sociedade deixou de escutar a sua própria cultura para dar mais ‘likes’ àquilo que é dos outros.”

Embora reconheça a importância das influências internacionais na formação dos artistas, Chitsondzo defendeu que é necessário valorizar mais a produção cultural nacional.

“Eu próprio aprendi a cantar com músicas provenientes de outros sítios. Mas isso não significa que devemos deixar de ouvir e promover aquilo que é nosso.”

O artista criticou ainda a escassa presença de conteúdos culturais em alguns programas de entretenimento, considerando que a divulgação do trabalho dos criadores nacionais continua a ser insuficiente.

“Aquilo que a gente assiste ali é fofoca, aberrações, insultos. Daquilo que deveriam apresentar sobre os nossos colegas, eu não vejo nada.”

A organização acredita que “O Veredicto” poderá contribuir para aproximar o público da arte moçambicana, promovendo uma reflexão sobre a identidade cultural e reforçando o papel da música, do teatro e da dança como instrumentos de preservação do património nacional.

A Associação Cultural da Universidade Pedagógica de Maputo (ACUP) vai promover, de 3 a 7 de Agosto, um Ciclo de Cinema Moçambicano, uma iniciativa que pretende aproximar a comunidade universitária da produção cinematográfica nacional e fomentar a reflexão sobre temas sociais, históricos e culturais retratados nas obras.

O evento terá lugar no Centro de Línguas da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo, entre as 9h00 e as 12h00, e contará com a exibição de um filme por dia, seguida de debates com realizadores, actores, produtores, guionistas, editores de vídeo, docentes e estudantes. A organização considera que a iniciativa contribuirá para a valorização da sétima arte moçambicana como instrumento de formação académica e de promoção do pensamento crítico.

A programação inicia-se no dia 3 de Agosto com a exibição da longa-metragem Comboio de Sal e Açúcar, seguindo-se uma conversa que contará com a participação do realizador Licínio Azevedo e do actor Aquirasse Nipita.

 No dia seguinte será apresentado O Ancoradouro do Tempo, com debate orientado por Amílcar Mascarenhas e a presença do realizador Sol de Carvalho e de Horácio Guiamba.

No dia 5 de Agosto será exibido Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, seguido de um encontro com o realizador João Ribeiro e a actriz Anabela Adrianoupolos, moderado por Félix Mambucho. Já no dia 6, o público poderá assistir a O Silêncio da Mulher, com debate conduzido por Daniel Tinga e participação do realizador Gabriel Mondlane e da actriz Júlia Novela. O ciclo encerra no dia 7 de Agosto com a projecção das curtas-metragens A Penumbra, de Jared Nota, e O Sonho, de Ivo Mabjaia, seguida de uma conversa moderada por José dos Remédios, com a participação do produtor Omar Faquirá e do cineasta Jared Nota.

Segundo a ACUP, a realização deste ciclo visa reforçar a formação de públicos mais conscientes e criar um espaço permanente de reflexão sobre os desafios e as potencialidades do cinema moçambicano, consolidando o compromisso da Universidade Pedagógica de Maputo com a cultura, a educação e a produção do conhecimento.

 

Espectáculo que atravessou a noite juntou novos talentos, artistas consagrados e antigos concorrentes do Fama Show, numa celebração que começa a ultrapassar as fronteiras do distrito e a atrair público de diferentes pontos de Inhambane e da vizinha província de Sofala.

A noite caiu, a música subiu e Inhassoro transformou-se num enorme palco a céu aberto, onde mais de 30 mil pessoas, segundo dados avançados no âmbito da organização, acompanharam um espectáculo que começou na noite de sábado e atravessou a madrugada deste domingo, juntando artistas locais, músicos com experiência nos grandes palcos e antigos concorrentes do Fama Show, numa celebração marcada por música, dança e uma intensa interacção entre os artistas e um público proveniente de diferentes distritos da província de Inhambane e até de Machanga, em Sofala.

Para alguns dos jovens que subiram ao palco, estar diante de uma multidão daquela dimensão foi uma experiência completamente nova e, inevitavelmente, acompanhada de nervosismo, sobretudo para artistas que começam agora a procurar espaço no panorama musical e que raramente encontram oportunidades para actuar em eventos desta dimensão.

Puto Ewa foi um desses casos e não escondeu a emoção de finalmente poder mostrar o seu trabalho diante de milhares de pessoas, explicando que na sua zona existem jovens com talento para a música, mas são poucas as oportunidades para chegarem a grandes palcos, razão pela qual actuar nas celebrações de Inhassoro representou muito mais do que uma simples apresentação musical.

Se para uns a noite representou uma estreia, para outros grandes palcos já fazem parte do percurso artístico, mas nem mesmo essa experiência foi suficiente para retirar o elemento surpresa da recepção encontrada em Inhassoro. Camal Giva descreveu a experiência como algo próximo de “voar” e revelou que se preparou para o espectáculo, embora não esperasse encontrar tamanha resposta do público, que permaneceu durante horas diante do palco, cantando, dançando e acompanhando as diferentes actuações pela noite dentro.

A festa reservou igualmente espaço para uma história particularmente simbólica para Inhassoro, o regresso ao palco de artistas da própria terra que passaram pelo Fama Show e voltaram agora com maior experiência e outra preparação artística. Mércia, ex-concorrente do concurso, considera que a passagem pelo Fama Show mudou a sua forma de encarar os grandes espectáculos e explica que a experiência adquirida permitiu-lhe actuar diante da multidão sem o nervosismo que normalmente acompanha quem enfrenta milhares de espectadores, destacando a formação recebida durante o concurso como determinante para aprender a postura necessária dentro e fora do palco.

O reencontro entre os talentos locais e o público de Inhassoro acrescentou uma componente emocional ao espectáculo, porque parte dos artistas que agora regressam mais experientes começou precisamente nestas comunidades, antes de conquistar exposição para além das fronteiras do distrito. A presença de antigos concorrentes do Fama Show ganha ainda maior significado num ano em que Inhassoro viu Hilário Mussagy conquistar a edição 2026 do concurso, resultado que aumentou a projecção dos artistas locais e reforçou, entre autoridades e residentes, a percepção de que o distrito pode produzir talentos capazes de competir nos grandes palcos nacionais.

Mais do que uma sucessão de actuações, o espectáculo acabou transformado numa permanente troca de energia entre artistas e espectadores. Enia, uma das cantoras que passou pelo palco, descreveu o público como carinhoso e conhecedor do seu trabalho, admitindo que a resposta encontrada obrigou também os músicos a entregarem ainda mais durante as actuações. “É um público maravilhoso, carinhoso e, acima de tudo, acarinha bastante o meu trabalho. 

Eles gostam muito daquilo que eu faço e não tinha como ser diferente, eu também retribuí da mesma maneira”, afirmou. Entre os artistas convidados estava Nelson Tivane, que visitou Inhassoro pela primeira vez e acabou por transformar a sua passagem pelo distrito numa declaração de admiração pela terra e pelo público que o recebeu. 

O músico reconheceu que a presença no espectáculo resulta também da procura que a sua música conquistou entre os residentes e agradeceu o apoio dos seguidores, antes de se render a outros atractivos que encontrou durante a estadia. “Sem vocês eu não sou ninguém”, disse ao público, numa intervenção em que agradeceu a recepção e classificou Inhassoro como “um pedaço do paraíso”, destacando as praias, o marisco e a hospitalidade encontrada no distrito.

Para o Governo distrital, a dimensão da celebração ganha significado adicional num momento em que Inhassoro beneficia de maior exposição através dos seus talentos. O Administrador do distrito, Fernando Doda, entende que a festa deste ano acabou por juntar dois motivos de celebração, o aniversário de Inhassoro e os resultados alcançados por representantes locais no Fama Show, onde o distrito conseguiu colocar um dos seus talentos no primeiro lugar, numa conquista que ajudou a projectar o nome de Inhassoro para o resto do país.

A leitura das autoridades é de que a cultura começa a assumir uma função que ultrapassa o simples entretenimento e pode transformar-se num instrumento de promoção territorial, sobretudo quando artistas originários do distrito conquistam reconhecimento nacional e regressam posteriormente para actuar perante as suas próprias comunidades. 

O desafio passa agora por aproveitar essa exposição para revelar novos talentos e criar oportunidades para jovens que, tal como alguns dos músicos que subiram pela primeira vez ao palco neste fim-de-semana, ainda enfrentam dificuldades para encontrar espaços onde possam mostrar aquilo que sabem fazer.

A SASOL, que apoia as celebrações, entende igualmente que o crescimento do evento demonstra uma capacidade cada vez maior de mobilização e considera particularmente importante a presença de antigos participantes do Fama Show entre os artistas que animaram a noite. 

Mateus Mosse, representante da multinacional, destacou o movimento registado na vila durante as festividades e a diversidade de proveniências do público, entendendo que a quantidade de pessoas que chega a Inhassoro para participar nas celebrações mostra uma dimensão que começa a ultrapassar os limites do próprio distrito.

“É impressionante ver como Inhassoro está hoje”, afirmou Mateus Mosse, chamando atenção para o intenso movimento nas ruas e para o número de visitantes que, terminado o programa, regressará aos diferentes pontos de onde partiu para acompanhar a festa. 

Para a SASOL, esta capacidade de atracção reforça a dimensão social e cultural das celebrações e demonstra que iniciativas desta natureza podem funcionar também como espaços de encontro entre comunidades, artistas e visitantes.

O impacto de uma concentração desta dimensão não se limita, contudo, ao recinto do espectáculo. A chegada de milhares de pessoas representa igualmente movimento para transportadores, pequenos comerciantes, vendedores de alimentos, estabelecimentos de restauração e outros serviços existentes na vila, embora não tenham sido apresentados dados que permitam quantificar o impacto económico gerado durante as festividades. 

O que ficou visível ao longo do fim-de-semana foi uma vila com circulação intensa e um evento capaz de atrair visitantes para além das fronteiras de Inhassoro.

Os números avançados no final ajudam a dimensionar aquilo que aconteceu durante a noite. Mais de 30 mil espectadores terão passado pelas celebrações, provenientes de diferentes distritos da província de Inhambane e com registo igualmente de participantes oriundos de Machanga, na província de Sofala, num espectáculo que atravessou a madrugada e terminou apenas ao amanhecer deste domingo.

Mais do que a dimensão da multidão, porém, a noite deixou outro sinal para Inhassoro: artistas locais que antes procuravam uma oportunidade começam a dividir o palco com músicos de projecção nacional, antigos concorrentes regressam mais preparados depois de passarem pelo Fama Show e milhares de pessoas deslocam-se de diferentes pontos para acompanhar as celebrações, uma combinação que começa a transformar uma festa essencialmente local num evento com capacidade de atracção regional.

Para Inhassoro, o desafio que se segue será transformar esse crescimento em continuidade, criando condições para que o espectáculo não seja apenas uma grande noite de música uma vez por ano, mas também uma plataforma capaz de revelar artistas, promover a cultura local e gerar oportunidades à volta da economia criativa. 

Porque se mais de 30 mil pessoas conseguem deslocar-se para assistir a uma festa que só termina ao nascer do sol, o que aconteceu neste fim-de-semana já começa a ser maior do que um simples espectáculo musical.

Vencedor do Fama Show 2026 foi recebido por uma caravana de residentes, entre buzinas, cânticos e aplausos, numa celebração que transformou a conquista individual num motivo de orgulho para Inhassoro. Governo promete apoiar os próximos passos do músico e a SASOL considera que a vitória confirma o potencial dos talentos locais

Uma longa caravana, buzinas, cânticos, aplausos e sucessivas paragens para cumprimentar quem aguardava nas ruas marcaram o regresso de Hilário Moussagy a Inhassoro, desta vez não apenas como mais um jovem músico da terra, mas como vencedor do Fama Show 2026, uma conquista que levou o nome do distrito ao palco nacional e que, no regresso a casa, mobilizou residentes para uma recepção que surpreendeu até o próprio artista. Visivelmente emocionado diante da dimensão da festa preparada para recebê-lo, Hilário teve dificuldades para encontrar palavras e repetiu várias vezes que não esperava tamanho carinho, limitando-se, nos primeiros momentos, a contemplar a multidão e a agradecer uma manifestação que transformou a sua chegada numa celebração colectiva.

“Não sei explicar. Não esperava o calor que estou a ter agora”, confessou o jovem, ainda surpreendido com aquilo que encontrava ao longo do percurso, enquanto a caravana avançava lentamente pelas ruas de Inhassoro e era obrigada a parar em diferentes pontos para permitir que o vencedor cumprimentasse residentes que aguardavam a sua passagem. Para muitos, mais do que receber um músico, tratava-se de celebrar alguém que saiu do distrito, enfrentou concorrentes de outras regiões do país e regressou com o principal título da edição 2026 do concurso, uma vitória que passou rapidamente a ser assumida pela população como uma conquista da própria terra.

A emoção, porém, não retirou de Hilário Moussagy a percepção de que vencer um concurso nacional representa apenas uma etapa de um percurso que agora se torna mais exigente. Passado o impacto inicial da recepção, o músico reconheceu que o título aumentou as expectativas do público e que a responsabilidade passa por corresponder à confiança de quem o apoiou durante a competição, prometendo trabalhar para oferecer boa música e consolidar uma carreira que não termine com a conquista do Fama Show. “Alimentar esse povo com boa música, dar o melhor de mim para não decepcioná-los”, resumiu, numa declaração que revela a dimensão do desafio que começa precisamente depois da vitória.

Ao longo do trajecto, o entusiasmo obrigou a caravana a reduzir a marcha e a interromper várias vezes o percurso, numa sequência de abraços, cumprimentos e manifestações de orgulho. João e Ernesto, residentes de Inhassoro, estavam entre aqueles que celebravam o regresso do jovem e defendem que a conquista ficará marcada na memória do distrito, não apenas pelo título alcançado, mas pela forma como Hilário conseguiu representar uma comunidade que, até há pouco tempo, dificilmente seria colocada entre as favoritas de uma competição musical de dimensão nacional.

“Não vamos esquecer esta data”, dizia um dos residentes, enquanto outro deixava já um pedido ao vencedor: continuar a trabalhar e não permitir que a conquista represente o ponto mais alto da carreira. É justamente neste ponto que a recepção deixa de ser feita apenas de aplausos e passa também a carregar expectativas, porque, no meio da celebração, há quem considere que o Fama Show deve funcionar como porta de entrada para uma caminhada artística muito maior.

Joaquim, também residente em Inhassoro, é uma das vozes que coloca a fasquia mais alta e espera ver no futuro um Hilário muito maior do que aquele que venceu o concurso. Para ele, o título pertence também à comunidade que acompanhou e apoiou o concorrente, mas essa relação traz consigo uma cobrança clara: depois de provar que consegue competir e vencer, o jovem precisa agora de transformar a oportunidade numa carreira consistente.

A pressão pode parecer grande para um artista ainda no início do percurso, mas traduz um fenómeno frequente depois de competições desta natureza: ganhar proporciona visibilidade, mas é aquilo que acontece depois que determina se o vencedor consegue permanecer no mercado musical. Hilário regressa, por isso, com duas conquistas nas mãos, o título e uma base popular que demonstrou estar disposta a acompanhá-lo, mas terá pela frente o desafio de produzir música, encontrar oportunidades, construir uma identidade artística e transformar a notoriedade conquistada durante o programa numa carreira que sobreviva para além da exposição televisiva.

Para o Governo do distrito, a vitória deve também ser aproveitada como uma oportunidade para dar maior visibilidade aos talentos de Inhassoro e estimular outros jovens que procuram espaço na música. O Administrador de Inhassoro, Fernando Doda, considera que a conquista não surgiu isoladamente e entende que houve um percurso de acompanhamento que contribuiu para que Hilário chegasse ao resultado alcançado, razão pela qual garante que o Executivo distrital pretende continuar próximo do artista nesta nova etapa.

“Nós vamos continuar a fazer alguma assistência a ele dentro das nossas condições, dando algumas instruções, dando algum apoio material dentro daquilo que pudermos e conquistando mais parcerias para poder financiá-lo”, afirmou Fernando Doda, apontando para uma estratégia que pretende fazer da vitória um ponto de partida para novas oportunidades. A intenção manifestada pelo Governo é evitar que o reconhecimento conquistado desapareça depois da competição e procurar parceiros capazes de ajudar o músico a desenvolver o seu potencial.

A conquista ganha também uma dimensão que ultrapassa o percurso individual de Hilário, porque coloca no debate a capacidade de distritos afastados dos grandes centros urbanos de revelar talentos quando existem plataformas capazes de lhes proporcionar exposição. Para Inhassoro, a vitória tornou-se precisamente uma demonstração de que a distância em relação às principais cidades do país não significa necessariamente ausência de capacidade artística.

Essa é também a leitura feita pela SASOL, que patrocinou a edição do concurso e considera que o resultado dissipou dúvidas sobre a capacidade de Inhassoro competir musicalmente com centros urbanos de maior dimensão. Mateus Mosse, representante da empresa, admite que inicialmente existiam interrogações sobre até onde poderia chegar um concorrente proveniente de uma vila relativamente pequena quando colocado numa competição com representantes de grandes cidades como Maputo, Beira e Nampula, mas entende que o desfecho do concurso acabou por oferecer uma resposta inequívoca.

“Tínhamos muita dúvida sobre a capacidade de Inhassoro competir no Fama Show com as grandes cidades regionais de Maputo, Beira e Nampula e hoje, ao vermos o Hilário como vencedor, sentimo-nos muito satisfeitos, porque não é só o Hilário que venceu, é Inhassoro, uma vila pequena, que competiu com grandes cidades e venceu esta edição do Fama Show”, afirmou Mateus Mosse.

Para a SASOL, o resultado reforça a necessidade de continuar a criar espaços onde jovens das comunidades possam revelar capacidades que, muitas vezes, permanecem desconhecidas simplesmente porque não encontram oportunidades para chegar a palcos de maior dimensão. A vitória de Hilário passa, assim, a funcionar também como argumento para uma aposta mais ampla na descoberta de talentos fora dos grandes centros urbanos.

O entusiasmo demonstrado durante a recepção ajuda a explicar por que razão a conquista ganhou uma dimensão colectiva. Hilário Moussagy não regressou apenas com um prémio, regressou com uma visibilidade que Inhassoro pretende aproveitar para projectar a sua cultura e mostrar que os seus jovens podem competir em igualdade de circunstâncias quando lhes são criadas oportunidades, enquanto para os residentes que acompanharam a caravana, a expectativa é que o título seja apenas o primeiro grande capítulo de uma carreira ainda por construir.

Depois de atravessar Inhassoro entre aplausos, cânticos e manifestações de carinho, Hilário Moussagy voltou a encontrar o público no palco, onde participou no concerto integrado nas celebrações do aniversário da vila, fechando um dia que começou com a recepção ao vencedor e terminou precisamente no lugar onde nasceu toda esta história: a música.

A festa confirmou o tamanho da conquista, mas também deixou evidente o desafio que vem a seguir. Hilário já provou que consegue vencer o Fama Show, agora terá de provar que consegue transformar a vitória numa carreira e Inhassoro, que saiu às ruas para celebrar o seu campeão, espera que o título conquistado em 2026 seja apenas o começo.

O país registou um crescimento significativo da população de elefantes, que passou de pouco mais de nove mil animais, em 2018, para cerca de 22.700, em 2025. Apesar dos resultados positivos, as autoridades alertam que a expansão da agricultura, dos assentamentos humanos, da exploração florestal e da mineração continua a ameaçar a fauna bravia e os seus habitats.

Moçambique conta actualmente com uma população estimada em cerca de 22.700 elefantes, segundo os resultados do Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025, divulgados esta sexta-feira pela Administração Nacional das Áreas de Conservação.

O número representa um aumento expressivo em relação aos 9.114 elefantes contabilizados no último censo, realizado em 2018. O levantamento aponta igualmente para uma redução significativa do número de carcaças de elefantes, com o rácio a baixar de 48,35%, em 2018, para 4,6%, em 2025, não obstante a continuidade de invasões de reservas.

O censo foi financiado pelo Governo da Suécia, através do Programa de Conservação da Biodiversidade, coordenado pela BIOFUND, com o envolvimento da Universidade Eduardo Mondlane.

Mais do que preocupação, os dados devem ser aproveitados para tirar proveito económico e financeiro.

O relatório refere ainda que os dados do norte do país poderão estar subestimados, uma vez que algumas zonas de Cabo Delgado e da Reserva Especial do Niassa não foram abrangidas pelo levantamento, devido às limitações de segurança.

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, visitou nesta terça-feira a residência da escritora moçambicana Paulina Chiziane, num encontro marcado por momentos de convivência, reconhecimento mútuo e reafirmação do compromisso de valorização da cultura nacional. 

Durante a visita, Gueta Chapo destacou o significado do encontro e assegurou à escritora o apoio às suas iniciativas culturais, gesto que foi acolhido com emoção por Paulina Chiziane.

A Primeira-Dama manifestou ainda a satisfação pelo tempo partilhado com a primeira mulher moçambicana distinguida com o Prémio Camões, sublinhando o significado pessoal e nacional da visita.

“Estou muito feliz por ter estado hoje em casa da nossa mãe, minha avó, a avó de todos. É uma mulher que todo mundo conhece, uma mulher extremamente importante para o mundo todo, de forma especial para o nosso belo Moçambique, a mamã Paulina Chiziane”, afirmou.

Gueta Chapo explicou que o encontro decorreu num ambiente familiar, distante de formalismos institucionais, privilegiando o diálogo e a convivência. 

“Hoje ela abriu as suas portas para poder receber-nos, não receber como Primeira-Dama, mas receber como sua filha, sua neta. E estou aqui em casa da minha avó, em casa da minha mãe. Viemos conversar. Passámos toda a manhã juntas, tomámos chá e também tive a oportunidade de conhecer a machambinha [pequeno espaço de produção agrícola] dela”, declarou.

Durante a passagem pela machamba da escritora, ambas participaram na colheita de produtos agrícolas e na preparação de uma refeição. “Fomos lá, tiramos a mandioca, também tiramos a couve e aproveitamos para cozinhar para ela e ela comeu”, disse.

No fim da visita, Gueta Chapo agradeceu o acolhimento recebido da comunidade e reiterou a sua gratidão pela oportunidade de partilhar aquele momento com a escritora.

“Queremos agradecer imenso, agradecemos também toda a comunidade que esteve aqui, as mamãs da OMM, o nosso líder do bairro. Agradecer a todos, os nossos colegas jornalistas e dizer que estou muito grata. Foi um dia extremamente importante, um dia memorável que nunca irei esquecer, está marcado na minha vida, na minha mente. Agradeço bastante. Mãe, conte com o nosso apoio. E sempre serei sua filha, sua neta, conte connosco”, afirmou.

Paulina Chiziane considerou que o encontro simbolizou a importância da união entre os moçambicanos, independentemente da sua condição social. “Muito obrigado à mamã Geta. Obrigada a todas as pessoas presentes. E eu disse no início: Viemos de longe, de muito longe para chegar aqui onde nós estamos. Diferentes pessoas, diferentes classes sociais, para dizer que a união e a unidade é a coisa mais importante”, declarou.

A escritora destacou ainda a humildade demonstrada pela Primeira- Dama ao participar nas actividades da machamba e ao conviver de forma simples com a comunidade. “Vimos hoje alguém de um estatuto tão alto como a mamã Geta a ir à machamba, buscar mandioca, buscar couve, cozinhar, conversar. Ela não se vê, somos nós que vemos a grandeza da mamã Geta. A humildade dela, a simplicidade dela e a humanidade acima de todas as coisas, porque é assim mesmo, nunca ninguém pode se engrandecer sozinho”, afirmou.

Paulina Chiziane enalteceu, igualmente, o ambiente de fraternidade vivido durante a visita, considerando que a convivência entre diferentes gerações demonstrou a força da união e da celebração da vida. A escritora agradeceu ainda a presença da comunidade e das autoridades locais, apelando para que momentos semelhantes continuem a fortalecer os laços entre os moçambicanos.

Chiziane agradeceu o compromisso manifestado pela Primeira-Dama em apoiar o trabalho desenvolvido na área da cultura. “Obrigado por nos garantir que vai apoiar o nosso trabalho da cultura. Não é um trabalho acabado, nem é perfeito, mas é bom saber que contamos com alguém para esta caminhada tão longa.

Estou muito emocionada, muito emocionada”, afirmou, convidando Gueta Chapo a regressar à sua casa e reiterando o reconhecimento pelo gesto de proximidade demonstrado durante a visita.

 

Despiste seguido de embate contra um coqueiro e uma banca deixa ainda três feridos graves; autoridades apontam velocidade excessiva, fadiga e álcool como prováveis causas do sinistro.

O silêncio da madrugada deste domingo foi interrompido por um violento estrondo que acordou moradores da vila de Morrumbene, na província de Inhambane. O relógio marcava cerca das quatro horas quando um veículo ligeiro perdeu o controlo numa curva da Estrada Nacional Número Um (EN1), saiu da faixa de rodagem e protagonizou um dos mais graves acidentes registados recentemente naquele troço, provocando a morte de três pessoas e deixando outras três gravemente feridas.

Segundo relatos recolhidos no local, a viatura seguia em alta velocidade quando o condutor tentou evitar um veículo que circulava em sentido contrário. A manobra revelou-se insuficiente. Sem conseguir controlar a direcção, o automóvel despistou-se, derrubou um coqueiro e embateu com violência contra uma banca localizada à berma da estrada.

A força do impacto destruiu parcialmente a estrutura da banca e transformou a viatura numa massa de chapas retorcidas, cenário que mobilizou moradores e equipas de socorro nas primeiras horas da manhã.

O Director Clínico do Centro de Saúde de Morrumbene, Amilton Azevedo, confirmou que três ocupantes perderam a vida ainda no local do acidente, antes mesmo de qualquer assistência médica ser possível.

Os outros três sobreviventes sofreram ferimentos considerados graves e, após receberem os primeiros socorros, foram transferidos de urgência para o Hospital Rural de Chicuque, na cidade da Maxixe, onde continuam a receber cuidados médicos especializados.

Embora as circunstâncias exactas do acidente continuem por esclarecer, as primeiras indicações recolhidas pelas autoridades apontam para uma conjugação de factores frequentemente associados aos acidentes rodoviários mais graves no país. Entre eles estão o excesso de velocidade, a fadiga do condutor e a condução sob o efeito de bebidas alcoólicas.

Trata-se de um conjunto de comportamentos que continua a preocupar as autoridades de trânsito e os profissionais de saúde, sobretudo nas viagens nocturnas, período em que a redução da capacidade de reacção do condutor aumenta significativamente o risco de acidentes fatais.

O acidente volta também a chamar a atenção para a vulnerabilidade das infra-estruturas instaladas junto à Estrada Nacional Número Um. Neste caso, a violência do despiste levou o veículo a destruir uma banca construída à beira da via, evidenciando os riscos a que comerciantes e utentes estão diariamente expostos ao longo daquela que é a principal estrada do país.

A equipa de reportagem procurou obter um pronunciamento oficial da Polícia da República de Moçambique (PRM) no distrito de Morrumbene para esclarecer outros detalhes do sinistro e confirmar a identidade das vítimas. No entanto, o agente regulador de trânsito que se encontrava em serviço informou que o oficial autorizado a prestar declarações não estava disponível no momento da nossa deslocação.

Enquanto decorrem os procedimentos para o apuramento das circunstâncias do acidente, mais três famílias enfrentam o luto provocado por um sinistro que volta a colocar em evidência o elevado custo humano da sinistralidade rodoviária em Moçambique. Em poucos segundos, uma viagem terminou em tragédia, deixando vidas interrompidas, feridos em estado grave e um novo alerta sobre a necessidade de maior prudência nas estradas nacionais.

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