O Presidente da República, Daniel Chapo, considera que a visita de Estado ao Botswana abriu uma nova etapa nas relações de amizade e cooperação entre os dois países, com particular enfoque nas áreas económica e comercial.
No balanço da visita, realizada a convite do Presidente do Botswana, Duma Gideon Boko, Chapo agradeceu a hospitalidade dispensada pela liderança e pelo povo daquele país, bem como o convite para participar nas celebrações dos 60 anos da independência do Botswana.
Durante a visita, os dois Chefes de Estado mantiveram conversações oficiais, num ambiente que Chapo descreveu como de amizade, confiança, fraternidade, cooperação e abertura. Segundo o Presidente moçambicano, os encontros permitiram uma troca de pontos de vista sobre questões de interesse comum e a definição de novas áreas de cooperação.
Um dos principais resultados da visita foi a decisão de elevar a Comissão Mista de Cooperação entre Moçambique e Botswana para uma Comissão Binacional, que será co-presidida pelos dois Chefes de Estado.
De acordo com Daniel Chapo, o novo mecanismo permitirá uma maior coordenação, acompanhamento e orientação política das relações entre os dois países, sobretudo no domínio económico e comercial.
A partir de 2026, Moçambique e Botswana deverão reunir-se de dois em dois anos, ao mais alto nível, para avaliar o cumprimento das decisões tomadas. O próximo encontro está previsto para 2028.
“Traçamos, no fim desta visita, tanto Botswana como Moçambique, uma matriz de seguimento das decisões que nós tomamos e, a partir daí, vamos monitorar, e a monitoria vai ser ao mais alto nível dos dois Chefes de Estado”, explicou Chapo.
Aposta no comércio e investimento
Durante a visita, foi realizado o Fórum de Negócios Moçambique-Botswana, que reuniu empresários dos dois países, com participação da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e da Câmara do Comércio.
O encontro serviu para identificar oportunidades de investimento, parcerias e negócios, tendo em conta o potencial dos recursos de Moçambique e as oportunidades oferecidas pelo mercado do Botswana.
Chapo reiterou a importância do sector privado para a transformação da economia moçambicana, defendendo o processamento dos recursos naturais no país, a criação de empregos e o aumento das receitas do Estado, que poderão ser aplicadas em sectores sociais como saúde, educação e assistência social.
O Presidente destacou igualmente reformas institucionais e legais em curso, incluindo alterações no quadro regulatório dos sectores mineiro e petrolífero, bem como a aprovação do Banco de Desenvolvimento pela Assembleia da República.
Porto de Nacala pode servir o Botswana
O acesso do Botswana às infra-estruturas portuárias moçambicanas esteve também entre os assuntos discutidos durante a visita.
Chapo afirmou que o Botswana utiliza actualmente o corredor do Limpopo, através do porto de Maputo, e também o porto da Beira para a importação e exportação de diversos bens.
Contudo, defendeu que o porto de Nacala poderá constituir uma alternativa para o país do interior, sobretudo devido à sua profundidade e ao potencial de expansão das ligações ferroviárias e rodoviárias com outros países da região.
Moçambique está a trabalhar na possibilidade de alargar as ligações ferroviárias do corredor de Nacala ao Malawi, Zâmbia e, eventualmente, Botswana, criando um corredor de desenvolvimento que inclua não apenas transportes, mas também agricultura, turismo e indústria.
Energia para a região
A cooperação energética foi outro dos pontos destacados pelo Presidente da República. Segundo Chapo, o Botswana já recebe energia eléctrica proveniente de Moçambique, mas o custo continua elevado. O Governo pretende aumentar a capacidade de produção nacional através de investimentos em diferentes fontes de energia.
Entre os projectos mencionados estão a segunda fase da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), a central de Temane, projectos de produção de energia a partir do gás e investimentos em fontes hídrica, eólica e solar.
Chapo afirmou que Moçambique pretende reforçar a sua capacidade de produção não apenas para responder às necessidades internas, mas também para aumentar as exportações de energia para os países da região.
África do Sul, Zimbabwe e Malawi estão entre os países que já recebem energia moçambicana, enquanto o Governo considera a possibilidade de aumentar o fornecimento a outros mercados regionais, incluindo o Botswana.
Chókwè? Projecto de Chongoene mantém desafios ambientais
Relativamente ao projecto do porto de Chobanine, que envolve Moçambique, Botswana e Zimbabwe, Daniel Chapo afirmou que o empreendimento não foi abandonado.
O principal desafio continua a ser a questão ambiental, uma vez que a área prevista para a implementação do projecto é considerada ambientalmente sensível.
“É um projecto que tem desafios ambientais. Então, por causa destes desafios ligados ao meio ambiente, ainda tem que ser muito bem trabalhado e aprofundado para as salvaguardas ambientais”, explicou.
Segundo o Presidente, os três países continuam empenhados em encontrar uma solução que permita a concretização do projecto, desde que sejam salvaguardadas as questões ambientais.
Defesa e segurança
A cooperação no domínio da defesa e segurança também fez parte da agenda da visita.
O Ministro da Defesa Nacional de Moçambique integrou a comitiva presidencial e manteve encontros com a sua contraparte do Botswana. Chapo recordou ainda o papel desempenhado pelo Botswana no apoio à luta contra o terrorismo em Cabo Delgado, através da missão da SADC.
O Presidente afirmou que Moçambique pretende continuar a reforçar a cooperação com os países da região neste domínio.
Sobre a situação em Cabo Delgado, Chapo reconheceu que persistem ataques terroristas esporádicos, embora tenha referido uma melhoria da situação em comparação com os primeiros anos do conflito.
Segundo o Presidente, actualmente não existe nenhuma vila ocupada por grupos terroristas na província, mas continuam a ocorrer ataques em algumas aldeias, provocando deslocações da população.
A assistência às pessoas deslocadas continua, por isso, a constituir um dos principais desafios, com apoio de agências das Nações Unidas e da União Europeia.
Memória histórica e relações entre os povos
Durante a visita, Chapo visitou também o Museu Samora Machel, em Lobatse, local que classificou como símbolo da irmandade entre os povos moçambicano e botswanês.
A visita permitiu recordar o apoio prestado pelo Botswana à luta de libertação nacional de Moçambique.
O Presidente visitou ainda a Botswana Meat Commission, empresa estatal dedicada ao abate, processamento, comercialização e exportação de carne bovina.
Chapo destacou o modelo de ligação da empresa às comunidades produtoras, através da compra de gado aos criadores locais, considerando que esta experiência poderá constituir uma referência para o desenvolvimento das cadeias de valor pecuárias.
A comitiva visitou igualmente a Okavango Diamond Company, onde o Presidente disse ter conhecido a experiência do Botswana na gestão e valorização dos recursos minerais.
Para Chapo, essa experiência assume particular importância num momento em que Moçambique está a implementar reformas no sector dos recursos minerais, com o objectivo de assegurar que estes contribuam para a criação de riqueza no país.
Apoio à comunidade moçambicana
O Presidente manteve também um encontro com a comunidade moçambicana residente no Botswana, durante o qual foram apresentadas diversas preocupações.
Chapo afirmou que algumas das questões levantadas já começaram a ser respondidas, incluindo a disponibilização de equipamento para o registo dos cidadãos moçambicanos residentes naquele país, através do Alto Comissariado de Moçambique.
O Chefe do Estado reiterou o compromisso do Governo de continuar a prestar apoio aos moçambicanos na diáspora e encorajou-os a participar no desenvolvimento do país.
Desporto como instrumento de aproximação
O futebol constituiu igualmente um dos momentos da visita. Chapo acompanhou a partida entre as selecções Sub-20 de Moçambique e do Botswana, considerando o desporto um instrumento importante de aproximação entre os dois povos.
O Presidente aproveitou ainda para felicitar os Mambas pela vitória por 4-1 frente à selecção do Senegal, no Estádio Nacional do Zimpeto, felicitando o seleccionador nacional, a equipa técnica, os jogadores e a Federação Moçambicana de Futebol.
Para Chapo, o desempenho da selecção nacional constitui motivo de orgulho para os moçambicanos e deve ser acompanhado com humildade, integridade, responsabilidade e competência.
Nova etapa nas relações bilaterais
No final do balanço, Daniel Chapo considerou que a visita de Estado permitiu lançar as bases para uma nova fase das relações entre Moçambique e Botswana.
“Terminamos convictos que esta visita abriu uma nova etapa das relações de amizade e cooperação entre Moçambique e Botswana, elevando-as a um patamar mais estratégico e orientado, sobretudo, para resultados na componente comercial e económica”, afirmou.
O Presidente reiterou a determinação de Moçambique em trabalhar com o Governo e o povo do Botswana para aprofundar os laços de amizade, solidariedade e cooperação entre os dois países, tendo como principal objectivo a melhoria das condições de vida das populações.