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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou aos líderes religiosos para que promovam o respeito pela diversidade religiosa e reforcem a cooperação em prol da paz e da convivência harmoniosa entre os moçambicanos. O Chefe do Estado falava, na cidade da Matola, durante a IX Conferência Nacional Religiosa.

Daniel Chapo defendeu que a diversidade religiosa, cultural, linguística e de tradições deve ser encarada como uma riqueza da sociedade moçambicana e não como motivo de divisão ou conflito.

O Presidente da República considerou que, apesar das diferenças de fé e convicções, os moçambicanos estão unidos pelo mesmo país e por um destino comum, que passa pela construção de uma sociedade baseada na paz, reconciliação, fraternidade, comunhão, amor ao próximo e prosperidade.

“Uma sociedade em que o cristão respeita o muçulmano, o muçulmano respeita o judeu e cada crente respeita aquele que professa uma fé diferente da sua, ou que não professa nenhuma religião, é uma sociedade que está consolidada nas bases profundas da paz”, afirmou.

O Chefe do Estado condenou, igualmente, qualquer forma de violência motivada pelas diferenças religiosas, políticas, culturais ou sociais, defendendo que as convicções devem ser apresentadas através do diálogo e da argumentação, e não impostas pela força.

Para Daniel Chapo, a existência de diferentes religiões, línguas, culturas, partidos políticos e formas de pensar constitui uma característica natural da sociedade e deve ser respeitada.

“Não podemos violentar um irmão só porque pensa diferente de si”, sublinhou, defendendo que qualquer pessoa que pretenda convencer os outros a aderir às suas convicções deve fazê-lo através da fundamentação e do diálogo.

O Presidente da República destacou ainda o papel das lideranças religiosas na construção de uma sociedade moralmente íntegra, considerando que o poder, seja exercido por líderes religiosos, políticos ou de qualquer outra natureza, só assume verdadeiro significado quando colocado ao serviço do povo.

Daniel Chapo recordou que, desde o início da sua missão à frente dos destinos da República de Moçambique, tem procurado transmitir a importância do envolvimento das diferentes lideranças na promoção do bem-estar da população.

A IX Conferência Nacional Religiosa reúne líderes e representantes de diferentes confissões religiosas, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação, num espaço de reflexão sobre o papel da religião na promoção da paz, da fraternidade e da coesão social.

O encontro decorre sob o lema “Celebrar a diversidade religiosa, promovendo os laços da fraternidade entre os moçambicanos”, considerado pelo Chefe do Estado como oportuno para reforçar a unidade nacional num contexto marcado pela diversidade de crenças e convicções.

 

 

Presidente da República reconhece desafios nas Forças Armadas, com destaque para equipamento, logística, infra-estruturas e profissionalização, e assegura que o Governo vai trabalhar para ultrapassá-los.

O Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, Daniel Chapo, assegurou o apoio do Governo aos militares das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), destacando o seu empenho na defesa da soberania, integridade territorial e segurança do país, particularmente no Teatro Operacional Norte, em Cabo Delgado.

Falando por ocasião das celebrações do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, Chapo reconheceu os sacrifícios dos militares que se encontram destacados em diferentes frentes, longe das suas famílias, incluindo os que participam em operações de combate ao terrorismo.

“A Pátria reconhece o vosso sacrifício. A Pátria reconhece o vosso esforço. A Pátria acompanha a vossa missão”, afirmou o Chefe do Estado, dirigindo uma mensagem de apreço aos militares envolvidos nas operações.

Chapo garantiu que os militares não estão sozinhos, assegurando que o Governo e o povo moçambicano acompanham as missões das Forças Armadas.

“Vós não estais sozinhos. O vosso Comandante-Chefe está convosco 24 sobre 24 horas, de segunda a segunda, faça sol, faça chuva, faça frio. O vosso Governo está convosco. O povo moçambicano está convosco”, declarou.

 

PROTECÇÃO DOS MILITARES

O Presidente da República defendeu, igualmente, que a segurança dos militares deve constituir uma prioridade no planeamento e execução das operações.

Considerou o soldado “o activo mais precioso” das Forças Armadas e instruiu os comandantes a assegurar que nenhuma operação seja realizada sem preparação adequada e informação suficiente.

“Nenhuma operação deve ser conduzida sem preparação adequada. Nenhuma missão deve ser cumprida sem informação suficiente. Nenhum soldado deve ser colocado desnecessariamente em risco”, afirmou.

Segundo Chapo, a protecção dos militares deve acompanhar o esforço de defesa do país, sobretudo nas zonas afectadas pelo terrorismo.

DESAFIOS ESTRUTURANTES

Apesar dos progressos registados pelas FADM nas operações de defesa e segurança, o Presidente reconheceu a existência de desafios estruturantes que ainda afectam a instituição.

Entre os principais constrangimentos, apontou as necessidades relacionadas com equipamentos, logística, infra-estruturas militares, sustentabilidade e profissionalização das Forças Armadas.

“Juntos e unidos, temos de cimentar as energias para que esses desafios façam parte do passado”, afirmou, acrescentando que o Governo continuará a trabalhar para responder às necessidades das Forças Armadas.

Chapo destacou igualmente o contributo dos militares para a melhoria da estabilidade e segurança no Teatro Operacional Norte, em Cabo Delgado, salientando os resultados alcançados nas diferentes frentes de operações.

DEFESA COMO RESPONSABILIDADE COLECTIVA

Na sua intervenção, o Presidente da República defendeu que a defesa nacional não deve ser entendida como uma responsabilidade exclusiva das Forças Armadas.

Segundo Chapo, a defesa do país constitui um compromisso colectivo de todos os moçambicanos, independentemente da sua orientação política, religião, origem étnica ou condição social.

“A defesa nacional é um compromisso colectivo e responsabilidade de todos nós, como povo moçambicano”, afirmou.

O Chefe do Estado apelou, neste contexto, à vigilância e à defesa do património nacional, considerando que nenhum moçambicano deve contribuir para a destruição do próprio país.

Para Chapo, quem ama Moçambique deve contribuir para o seu desenvolvimento e não para a sua destruição.

APOIO ÀS POPULAÇÕES

O Presidente destacou ainda o papel das Forças Armadas no apoio às populações afectadas por calamidades naturais, considerando que a defesa nacional está directamente ligada à protecção da vida dos cidadãos.

Segundo afirmou, a actuação das FADM não se limita às operações militares, abrangendo também missões de apoio às populações em situações de emergência.

Chapo aproveitou igualmente a ocasião para reconhecer o sacrifício das famílias dos militares, que, muitas vezes, permanecem afastadas dos seus familiares durante os períodos de missão.

No final da intervenção, o Presidente da República felicitou as Forças Armadas de Defesa de Moçambique pelo trabalho realizado em defesa da soberania nacional, da integridade territorial e da independência do país, encorajando os militares a permanecerem firmes no cumprimento da sua missão.

A cerimónia terminou com um brinde à valentia das Forças Armadas, à integridade territorial e à soberania da República de Moçambique, bem como às famílias dos militares e à saúde dos membros das FADM.

Benvinda Levi considera que as finanças islâmicas podem ampliar as fontes de financiamento e contribuir para a inclusão financeira, o investimento produtivo e o desenvolvimento de Moçambique.

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, defende que Moçambique deve diversificar os instrumentos de financiamento da economia, incluindo através das finanças islâmicas, como forma de ampliar o acesso ao capital e apoiar sectores estratégicos do desenvolvimento nacional.

A governante falava em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do livro “Introdução às Finanças Islâmicas Princípios, Contratos e Modelos de Intermediação”, da autoria dos economistas moçambicanos Janfar Abdulai e Carino Modan.

Segundo Levi, o país precisa de construir um sistema financeiro “mais profundo, diversificado, competitivo e inclusivo”, capaz de mobilizar poupança interna e capital internacional para sectores produtivos.

A Primeira-Ministra apontou como áreas prioritárias a agricultura, industrialização, energia, infra-estruturas, habitação, micro, pequenas e médias empresas, cadeias de valor, inovação tecnológica e novos negócios.

“Precisamos de ampliar as nossas opções, com prudência e responsabilidade”, afirmou Maria Levi, defendendo que o financiamento deve estar associado à produção, produtividade e criação de emprego.

A governante destacou que as necessidades de investimento de Moçambique ultrapassam a capacidade de financiamento assegurada pelos recursos públicos e pelos mecanismos actualmente disponíveis, razão pela qual considera necessário explorar novas alternativas.

 

FINANÇAS ISLÂMICAS

 

Para Maria Levi, as finanças islâmicas não devem ser analisadas apenas na sua dimensão religiosa, mas também como uma indústria financeira internacional com princípios próprios de estruturação, intermediação e gestão de risco.

A Primeira-Ministra considera que o conhecimento desta modalidade de financiamento permitirá ao país avaliar, com rigor, as oportunidades que poderá oferecer à economia nacional.

“Como podemos aproveitar, de forma responsável, as finanças islâmicas em benefício do desenvolvimento nacional?”, questionou, salientando que qualquer novo instrumento financeiro deve ser utilizado de forma prudente e sem comprometer a sustentabilidade financeira do Estado.

Levi defendeu ainda que o financiamento deve estar ligado à economia real, permitindo apoiar agricultores, pequenas empresas, jovens empreendedores e famílias na concretização dos seus projectos.

 

INCLUSÃO FINANCEIRA

A governante relacionou igualmente o desenvolvimento das finanças islâmicas com os esforços de inclusão financeira no país.

Segundo Maria Levi, a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025–2031 estabelece metas para aumentar o acesso da população aos serviços financeiros, incluindo a elevação da proporção de contas bancárias formais de 31 para 60 por cento até 2031, bem como o aumento do acesso ao crédito de 20 para 30 por cento.

A estratégia prevê igualmente o aumento da posse de seguros para 31 por cento e a cobertura universal de contas de moeda electrónica.

Para a Primeira-Ministra, a diversificação dos produtos financeiros poderá permitir alcançar segmentos da população e do tecido empresarial que ainda não utilizam plenamente os mecanismos existentes.

Neste contexto, apontou oportunidades para o financiamento de micro, pequenas e médias empresas, agricultores, cooperativas e jovens empreendedores.

 

CAPITAL E DESENVOLVIMENTO

Maria Levi defendeu igualmente o aprofundamento do mercado de capitais moçambicano, considerando que o país precisa de ampliar as alternativas ao crédito bancário convencional.

As finanças islâmicas, segundo a governante, poderão contribuir para mobilizar recursos destinados ao financiamento de activos e projectos de longo prazo, incluindo iniciativas relacionadas com a adaptação às mudanças climáticas.

A Primeira-Ministra salientou que Moçambique está exposto a fenómenos como ciclones, cheias e secas, defendendo a necessidade de instrumentos financeiros que possam apoiar a protecção de infra-estruturas, habitações, escolas, estradas e actividades produtivas.

A governante considerou ainda que a diversificação financeira poderá reforçar a inserção internacional de Moçambique, através da aproximação a investidores de África, Médio Oriente, Ásia e outros centros internacionais de capital.

Contudo, advertiu que a mobilização desse capital exige projectos bancáveis, estruturas jurídicas claras, transparência, capacidade técnica e instituições credíveis.

LIVRO LANÇA DEBATE SOBRE NOVAS FORMAS DE FINANCIAMENTO

Na ocasião, Maria Levi felicitou os autores da obra pela contribuição para o debate sobre o financiamento do desenvolvimento em Moçambique.

A Primeira-Ministra afirmou que o livro poderá servir de instrumento de consulta para estudantes, decisores, profissionais do sector financeiro e outros interessados no conhecimento das finanças islâmicas.

Levi defendeu que a publicação deve estimular um debate aberto e orientado para a criação de oportunidades económicas para os cidadãos.

A cerimónia de lançamento da obra decorreu em Maputo, reunindo membros do Governo, dirigentes do Banco de Moçambique, representantes de instituições financeiras e seguradoras, académicos, empresários, líderes religiosos e representantes da sociedade civil.

 

A FRELIMO considera o 25 de Setembro uma data de grande significado histórico para o povo moçambicano, por assinalar o início da luta armada de libertação nacional, iniciada em 1964, contra o domínio colonial português.

Numa mensagem alusiva ao Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, que hoje se assinala, o partido destaca o papel da chamada “geração 25 de Setembro”, enaltecendo o seu espírito de entrega e coragem na luta pela independência do país.

A FRELIMO refere que a data constitui igualmente um momento de reflexão sobre a história de Moçambique e os sacrifícios que contribuíram para a construção da Nação.

Na mensagem, o partido presta homenagem às Forças de Defesa e Segurança, destacando o seu papel na defesa da soberania, da liberdade e da integridade territorial do país.

A FRELIMO defende ainda que as novas gerações devem inspirar-se nos exemplos deixados pelos protagonistas da luta de libertação nacional, valorizando a paz e a unidade nacional e contribuindo para a independência económica de Moçambique.

Sobre as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, a formação política considera que estas desempenham um papel relevante na defesa dos interesses do Estado, sublinhando que o cumprimento da sua missão exige disciplina, profissionalismo, patriotismo e dedicação ao serviço da Pátria.

A FRELIMO apela igualmente ao reforço do sentido de responsabilidade de todos os moçambicanos na promoção da paz, com vista à construção de uma sociedade mais justa, segura e próspera.

O partido sustenta que a construção de Moçambique constitui uma responsabilidade colectiva e requer o contributo de todos os cidadãos.

A mensagem termina com um apelo à união, à paz e ao desenvolvimento do país, por ocasião do 25 de Setembro, Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

 

A Primeira-Ministra,  Benvinda Levi, afirmou, em Maputo, que a tomada de posse dos novos dirigentes constitui “a assunção de um compromisso perante o Estado, o povo moçambicano e os diversos segmentos da nossa sociedade”, tendo-os exortado a contribuir para a implementação bem-sucedida do Programa Quinquenal do Governo.

A governante falava durante a cerimónia de tomada de posse de Víctor Luís Timóteo, Presidente do Conselho de Administração da ENAPP, Adérito Salvador Mavie, Presidente da Comissão Executiva da ADISUL, Ana da Graça Simione Uamusse, Directora-Geral da Escola de Governação, e Nelson Laura Mabucanhane, Director-Geral Adjunto da mesma instituição.

Ao novo PCA da ENAPP, a dirigente recomendou “garantir a segurança do abastecimento e da distribuição de produtos petrolíferos em todo o

país”, com especial atenção à expansão da rede de distribuição às zonas rurais, bem como à criação de reservas estratégicas de combustíveis.

À ADISUL, confiou a missão de fazer da instituição “uma verdadeira plataforma de desenvolvimento integrado”, capaz de articular sectores como o agronegócio, agroindústria, turismo, pescas, indústria, energia, transportes e logística, transformando recursos em “produção, emprego, rendimento e serviços de qualidade”.

Na Escola de Governação, Benvinda Levi orientou os novos dirigentes a apostarem em programas de formação que respondam às necessidades do Aparelho do Estado, defendendo uma Administração Pública “mais próxima do cidadão, mais eficiente, mais transparente e mais voltada para a resolução dos problemas concretos das comunidades”.

A PM apelou, por fim, aos empossados para que exerçam as suas funções com “liderança, dedicação, sentido de Estado e criatividade na busca de soluções”, observando os princípios da legalidade, imparcialidade, probidade, transparência e interesse público.

A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos Lucas, vai co-presidir, na sexta-feira, 25 de Setembro, em Gaborone, capital do Botswana, à nona sessão da Comissão Mista Permanente de Cooperação entre Moçambique e Botswana.

A reunião será co-presidida pela Ministra Maria Manuela Lucas e pelo Ministro das Relações Internacionais do Botswana, Phenyo Butale, que deverão traçar estratégias para alavancar e dinamizar a cooperação bilateral em áreas consideradas prioritárias para os dois países.

Entre os sectores em análise estarão os transportes e logística, comunicação e transformação digital, recursos minerais e energia, finanças, defesa e segurança, justiça, obras públicas, habitação e recursos hídricos, agricultura, pescas e meio ambiente.

Durante a nona sessão da Comissão Mista Permanente de Cooperação, as partes deverão igualmente abordar o fortalecimento das relações bilaterais nos domínios do trabalho, género e desenvolvimento social, juventude e desporto, informação e comunicação social, educação e cultura, saúde, administração estatal e serviço público.

A reunião ministerial será antecedida pelo encontro dos Altos Funcionários, que decorre entre os dias 23 e 24 de Setembro, sob direcção do Director para África e Médio Oriente no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Hermenegildo Caetano, e do Secretário Permanente do Ministério das Relações Internacionais do Botswana, Thuso Ramodimoosi.

A nona sessão da Comissão Mista Permanente de Cooperação constitui, assim, uma plataforma para o aprofundamento e dinamização da cooperação bilateral entre Moçambique e Botswana nos diversos sectores de interesse comum.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, sublinhou, a importância crucial do Diálogo Nacional Inclusivo como instrumento estratégico para superar a polarização política e consolidar uma sociedade mais pacífica, reconciliada e democrática. O Chefe de Estado falava durante um evento de alto nível subordinado ao tema “Building Sustainable Peace: Mozambique’s Experience and Lessons Learned”, organizado em co-parceria que incluiu a Missão Permanente de Moçambique junto das Nações Unidas.

Na sua intervenção, o Presidente enquadrou este processo no contexto dos desafios políticos e eleitorais que o país tem enfrentado desde a introdução do multipartidarismo, em 1990. Daniel Chapo reconheceu que a violência eleitoral tem sido um fenómeno recorrente em diferentes ciclos, com consequências devastadoras que incluem a perda de vidas humanas, a destruição de património público e privado, graves prejuízos económicos e a erosão da estabilidade social.

Ao referir-se ao período posterior às eleições de 2024, o estadista lembrou que assumiu a liderança do país num ambiente marcado por uma acentuada “polarização política e alta tensão pós-eleitoral”, sublinhando que os conflitos políticos e militares não constituem um fenómeno inédito, mas acompanham a trajectória democrática do país nas últimas décadas.

O DIÁLOGO COMO ÚNICA VIA

Fiel à convicção que orientou a sua campanha eleitoral, o Chefe de Estado reiterou que a resposta aos conflitos deve assentar, invariavelmente, no diálogo. “Sempre acreditei que os conflitos só podem terminar com sucesso através do diálogo”, afirmou, vincando que a sua visão para o futuro de Moçambique se baseia precisamente nesta premissa.

Para Daniel Chapo, o Diálogo Nacional Inclusivo que o Executivo promove permite ampliar o espaço de debate público, contribuindo para a “transformação gradual dos corações e das mentes para uma sociedade mais pacífica, harmoniosa, justa, reconciliada e democrática”. O Presidente defendeu ainda que o reforço da participação dos cidadãos na vida pública é indispensável, uma vez que a democracia deve procurar alcançar consensos e definir políticas públicas através de um diálogo “permanente, franco, sincero e honesto”.

APOIO INTERNACIONAL E DESENVOLVIMENTO

O Presidente da República destacou o papel fundamental das Nações Unidas na consolidação da paz em Moçambique, recordando o contributo histórico da organização na implementação do Acordo Geral de Paz, através da ONUMOZ, bem como o actual suporte do PNUD ao processo do Diálogo Nacional Inclusivo, complementado pelo apoio da União Europeia e de Portugal.

A terminar, o Chefe de Estado estabeleceu uma ligação directa entre a estabilidade política e o progresso socioeconómico. “Não há desenvolvimento sem paz e não há paz sem desenvolvimento”, alertou, assegurando que Moçambique possui imensas potencialidades e vantagens comparativas que, num clima de paz duradoura, permitirão alavancar o desenvolvimento nacional. 

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, anunciou  em Nova Iorque, a intenção do Governo de criar uma coligação estratégica de financiamento destinada à electrificação fora da rede em Moçambique. O projecto, apresentado durante uma Mesa Redonda de Alto Nível, visa mobilizar recursos, reduzir riscos e transformar uma carteira de empreendimentos em investimentos financiáveis, de forma a acelerar o acesso universal à energia até 2030.

O encontro, subordinado ao tema “Financiamento da Próxima Fase: Redução de Riscos no Mercado de Electrificação Fora da Rede em Moçambique”, congregou representantes de instituições financeiras de desenvolvimento, fundos climáticos, parceiros de cooperação, fundações e investidores privados.

“Queria usar este momento para anunciar a intenção do governo de Moçambique de lançamento de uma coligação estratégica de financiamento da electrificação fora da rede”, afirmou o Chefe do Estado. Segundo explicou, a estrutura da iniciativa, liderada a nível nacional, tem como objectivo central articular o Executivo e os seus parceiros em torno da mobilização de capital e da viabilização de projectos concretos.

ROTEIRO NACIONAL E METAS AMBICIOSAS

O primeiro produto desta iniciativa será um roteiro nacional de financiamento, que deverá identificar a carteira de projectos prioritários, as principais lacunas de financiamento, os riscos associados e as responsabilidades de cada interveniente.

Esta coligação surge como resposta à necessidade premente de ampliar o financiamento, num cenário em que o Governo prevê a execução de aproximadamente 2,5 milhões de ligações fora da rede para atingir a meta de acesso universal. Para este efeito, o Presidente moçambicano indicou ser necessária a mobilização de cerca de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos.

Para assegurar a transição da intenção para a acção, Daniel Chapo delineou três compromissos fundamentais aos participantes: a confirmação do interesse de cada instituição em integrar a coligação; a identificação clara dos riscos, instrumentos financeiros ou etapas de mercado onde cada entidade poderá contribuir; e, por fim, o mandato para que as respectivas equipas trabalhem com o Executivo na preparação de propostas concretas de financiamento até Novembro de 2027, em antecipação à COP2032.

RESILIÊNCIA E DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

Durante a sua intervenção, o Presidente destacou que a expansão da electrificação combina a rede nacional com soluções descentralizadas  que já contribuem com cerca de 12 por cento do acesso à electricidade, sublinhando que a prioridade deve incidir sobre as comunidades rurais. Desde 2015, a taxa de acesso à energia em Moçambique evoluiu de cerca de 26 por cento para aproximadamente 70 por cento, com um registo de 400 mil novas ligações anuais nos últimos dois anos.

O estadista realçou ainda a importância das soluções descentralizadas para a resiliência climática das comunidades. “Sistemas isolados e construídos com mecanismos de resiliência podem permitir que determinadas comunidades mantenham o fornecimento de energia quando interrupções na rede nacional afectam cidades ou distritos inteiros”, observou.

Para Daniel Chapo, o acesso à energia deve estar intrinsecamente ligado ao desenvolvimento económico e social, fomentando actividades produtivas como a irrigação e a conservação de alimentos. Neste âmbito, defendeu a criação de um mercado “financiável, previsível e capaz de crescer à escala nacional”, que beneficie famílias e empresas, com particular atenção para a capacitação de jovens e mulheres.

Moçambique conta já com o suporte financeiro de 47 milhões de euros do Fundo Verde para o Clima e 20 milhões de euros da União Europeia para mini-redes e usos produtivos, além do apoio do Banco Mundial, através do programa “Mais Energia”, e outras iniciativas apoiadas pela KfW, reforçando o compromisso nacional com o acesso universal à energia até 2030. 

 

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou esta quarta-feira, em Nova Iorque, que Moçambique continuará a pautar a sua actuação no plano internacional pela defesa intransigente do diálogo como via preferencial para a resolução de conflitos. No balanço da sua participação na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), o Chefe de Estado apelou a uma resposta global e coordenada aos desafios prementes da paz, do terrorismo e do desenvolvimento sustentável.

Daniel Chapo elegeu a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável como os três eixos fundamentais da intervenção de Moçambique no fórum nova-iorquino, sublinhando a relevância do multilateralismo e o papel crucial das Nações Unidas na prevenção e na pacificação. O Presidente moçambicano recordou, a propósito, o contributo histórico daquela organização para a independência nacional e para o processo de paz, incluindo a implementação do Acordo Geral de Paz de 1992, experiências que, a seu ver, comprovam a eficácia da diplomacia internacional.

“O diálogo deve ser a base para a resolução de conflitos e não a força, como tem-se registado nos últimos anos”, defendeu o estadista, ao abordar os focos de tensão que afectam diversas regiões do globo. No que concerne à situação de segurança em Cabo Delgado, o Presidente assegurou que nenhuma vila da província se encontra, actualmente, sob ocupação de grupos terroristas, embora tenha reconhecido a persistência de ataques esporádicos que continuam a provocar o deslocamento de populações. Neste âmbito, destacou o valor do apoio humanitário prestado pelas agências das Nações Unidas.

“Não há desenvolvimento sem paz e não há paz sem desenvolvimento. São duas faces da mesma moeda”, declarou, relacionando a consolidação da estabilidade com a estratégia do Executivo em lançar os alicerces para a independência económica e a diversificação da economia nacional.

APOSTA NO GÁS E ELECTRIFICAÇÃO RURAL

No domínio do desenvolvimento sustentável, Daniel Chapo realçou os progressos significativos na electrificação rural, indicando que o acesso à energia eléctrica em Moçambique ascendeu de cerca de 26 por cento para mais de 60 por cento da população. A meta, segundo o Presidente, é acelerar este processo através do programa “Energia Para Todos”, contando com o suporte de parceiros nacionais e internacionais, com vista ao cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.

Quanto aos contactos bilaterais efectuados à margem da Assembleia Geral, o destaque vai para o projecto de gás natural na Bacia do Rovuma. O Chefe de Estado revelou que o Governo trabalha em estreita colaboração com a ExxonMobil para a aprovação do plano de desenvolvimento e, consequentemente, da decisão definitiva de investimento. “Tudo indica que, antes do final do ano, vamos conseguir aprovar o plano de desenvolvimento deste projecto e também a decisão definitiva de investimento”, garantiu.

Segundo as projecções apresentadas, a concretização destes projectos na Bacia do Rovuma poderá mobilizar entre 50 e 60 mil milhões de dólares norte-americanos em investimentos na próxima década. Chapo sublinhou, contudo, que a direcção estratégica do Executivo é utilizar as receitas provenientes do gás para impulsionar sectores estruturantes — como a agricultura, turismo, infra-estruturas, digitalização, economia azul e agronegócio — visando diversificar a economia e elevar as condições de vida dos moçambicanos.

O Presidente da República classificou o balanço desta visita como “extremamente positivo”, destacando a oportunidade de levar ao fórum internacional as posições de Moçambique e de reforçar o contacto com parceiros estratégicos para a mobilização de investimentos. 

 

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