A ONU alertou, nesta segunda-feira, que as reservas alimentares para o Sudão se esgotam em Outubro e a ajuda económica será suspensa em Setembro, caso não receba financiamento imediato, o que deixará 1,5 milhões de pessoas sem apoios.
Segundo o último relatório do Programa Alimentar Mundial (PMA), a organização necessita urgentemente de 288 milhões de dólares para manter os seus níveis mínimos de assistência durante os próximos seis meses, sem ser obrigada a reduzir as rações nem a excluir beneficiários.
No entanto, para operar na escala necessária e cumprir o plano anual completo no país africano, o orçamento necessário ascende a 624 milhões de dólares, indicou a agência da Organização das Nações Unidas (ONU).
Apesar do défice financeiro e dos crescentes obstáculos no terreno, o PAM conseguiu prestar assistência, em Julho, a 3,7 milhões de pessoas em todo o país, atingindo, assim, o seu nível de cobertura mensal mais elevado desde o início do ano.
Deste número, um milhão de beneficiários recebeu alimentos em zonas classificadas como estando em risco iminente de fome, enquanto 1,3 milhões de pessoas beneficiaram de ajudas económicas directas para adquirir alimentos em mercados locais que ainda se mantêm em funcionamento.
As operações humanitárias continuam gravemente prejudicadas pelo recrudescimento do conflito armado – que inclui ataques com drones e confrontos entre comunidades em Darfur (região fronteiriça a oeste) e no Cordofão (centro-sul) –, bem como pelos graves obstáculos burocráticos e pelo impacto da estação das chuvas torrenciais.
No estado do Cordofão do Norte, os combates em torno de Al-Obeid – cidade estratégica que liga Cartum e o centro do país a Darfur – continuam a provocar deslocações em massa da população, enquanto nas regiões de Kassala, Gedaref, Nilo Branco e Nilo Azul, as graves inundações danificaram infra-estruturas essenciais e bloquearam a passagem de comboios.
A estes obstáculos junta-se o bloqueio de dezenas de camiões com milhares de toneladas de alimentos retidos nas estradas do interior.
Apesar disso, a agência conseguiu reativar vários postos fronteiriços essenciais, alargar a assistência médica e nutricional a mulheres e crianças e retomar a distribuição de alimentos nas escolas após a sua reabertura.
A guerra no Sudão entre o Exército e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) causou dezenas de milhares de mortos desde o seu início, em 15 de Abril de 2023, e forçou o êxodo de cerca de 14 milhões de pessoas na pior crise de deslocamento e fome do mundo, segundo a ONU.
As divergências internas na Renamo continuam a subir de tom. O chefe nacional de mobilização do partido, Geraldo Carvalho, acusa António Muchanga de estar a contribuir para a destruição da organização e de agir em benefício de interesses externos. Em resposta, Muchanga desvaloriza as acusações e considera Carvalho “insignificante” e “irrelevante”.
Carvalho reagia aos pronunciamentos de Muchanga contra a liderança da Renamo, numa altura em que o antigo deputado exige mudanças na condução do partido e a realização de um congresso extraordinário.
Segundo Geraldo Carvalho, Muchanga estará a aproveitar-se das oportunidades que lhe foram dadas pela Renamo para promover uma agenda que, na sua leitura, acaba por beneficiar a Frelimo.
“Ele está a tentar aproveitar-se das oportunidades que foram dadas pela Renamo. Ele tem objectivos a atingir que só beneficiam a Frelimo.”
Carvalho considera ainda que Muchanga não tem legitimidade para decidir sobre quem deve ou não dirigir o partido, tendo classificado o antigo deputado como alguém que está a actuar contra a Renamo.
O chefe nacional de Mobilização minimiza as críticas de Muchanga e afirma que continuará a trabalhar nas bases do partido, incluindo nas províncias da Zambézia e Manica.
AMEAÇA DE RETALIAÇÃO
A questão do encerramento de delegações da Renamo também mereceu fortes críticas de Geraldo Carvalho. O dirigente deixou um aviso aos responsáveis pelas acções, afirmando que o partido poderá responder na mesma medida. “Quem vier com pau vai ser recebido com pau. Quem vier com respeito vai ser recebido com respeito.”
Carvalho rejeita aquilo que considera uma tentativa de alguns membros de agir à margem das estruturas do partido e questiona a legitimidade de grupos que dizem falar em nome dos desmobilizados.
Por sua vez, o porta-voz da Renamo, Marcial Macome, reconhece a existência de divergências internas, mas defende o respeito pela ordem institucional e pelos estatutos do partido.
Macome considera que a contestação à liderança não deve servir de fundamento para quebrar as regras internas, alertando para o risco de se criar um precedente que possa comprometer o funcionamento das instituições partidárias.
Sobre a exigência de um congresso extraordinário, Marcial Macome afirma que existem procedimentos estatutários para a convocação deste órgão e que os membros que conhecem as regras do partido devem segui-los. “Estatutariamente, existe um procedimento para se convocar o congresso.”
MUCHANGA RESPONDE
Reagindo às declarações de Geraldo Carvalho, António Muchanga desvaloriza o seu colega, considerando-o “insignificante” e “irrelevante”.
Muchanga recupera episódios da trajectória política de Carvalho, incluindo a sua passagem pelo MDM, e acusa-o de estar novamente a preparar uma saída da Renamo.
O antigo deputado vai mais longe e critica a forma como Carvalho tem conduzido a sua intervenção política, recorrendo a uma comparação para descrever a sua actuação.
Muchanga afirma ainda que Ossufo Momade é o principal responsável pelos problemas que enfrenta actualmente a Renamo, acusando o presidente do partido de não convocar reuniões estatutárias e de permitir práticas que, segundo afirma, prejudicam a organização.
O antigo deputado garante, por outro lado, que a sua intervenção política não visa proteger interesses individuais, mas defender aquilo que considera ser o interesse do povo e o futuro da Renamo. As trocas de acusações entre os dois dirigentes expõem, assim, as profundas clivagens internas que marcam actualmente o principal partido da oposição em Moçambique, com a liderança de Ossufo Momade sob forte contestação de sectores descontentes.
Domingos Tivane denuncia corrupção, arrogância e falta de coragem dentro da Frelimo. Na Reunião Nacional de Quadros, o membro do partido defendeu que dirigentes incompetentes ou envolvidos em práticas irregulares devem ser afastados e que as suas saídas sejam explicadas publicamente ao povo.
Falando este sábado, num encontro de grupos de trabalho constituídos para discutir diferentes matérias, no âmbito da Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, Domingos Tivane considerou que a corrupção e a arrogância no seio do partido estão entre os factores que prolongam os debates internos.
O membro da Frelimo diz que, no passado, os quadros tinham maior coragem para apontar publicamente comportamentos considerados desviantes e defender o afastamento de dirigentes quando existissem evidências.
Na sua intervenção, Domingos Tivane apelou igualmente para a renovação geracional, defendendo maior espaço para os jovens na liderança da Frelimo, com destaque para a composição da Comissão Política do partido.
Apesar do apelo para a renovação, Tivane defende que os jovens devem beneficiar da experiência dos quadros mais antigos, que considera fundamentais para a transmissão do conhecimento e da experiência acumulada no partido.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, alerta que qualquer país que participar da guerra económica dos EUA contra o Irão será considerado um “inimigo” por Teerão
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, fez essas declarações em uma entrevista à emissora estatal de TV, IRIB.
Começou por afirmar que o Irão iria, primeiro, negociar com tais países aliados dos EUA na guerra económica e pediria que se mantivessem fora do conflito, mas alertou que, se eles se recusassem, Teerã atacaria seus interesses.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã sublinhou ainda que o Irã aprendeu a contornar as sanções dos EUA ao longo dos anos e continuou a vender petróleo, apesar de meses de bloqueio naval americano.
Rezaei também reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado a menos que os Estados Unidos cumpram seus compromissos previstos no memorando de entendimento de paz entre Irã e EUA, assinado em Junho.
O Irão terá como alvo qualquer movimentação dos EUA ao longo da rota de navegação sul no Estreito de Ormuz e atacará quaisquer reuniões que envolvam os Estados Unidos e grupos anti-Irã na região, disse Rezaei.
Donald Trumpdisse, na quarta-feira, que os Estados Unidos lançariam “a operação económica mais devastadora de todos os tempos” contra o Irã, através de uma “guerra económica e um isolamento em uma escala sem precedentes”.
El Niño atrasa as chuvas e reduz os níveis do Nilo, agravando a crise alimentar num país já devastado pela guerra e pelo aumento dos custos de produção
Ao longo das margens ressequidas do Nilo, no Sudão, agricultores lutam para levar água às suas plantações, enquanto outros recorrem a orações para pedir chuva sobre uma terra marcada por profundas fendas.
Em todo o país, vastas áreas agrícolas que poderiam contribuir para alimentar milhões de pessoas permanecem abandonadas. A guerra, a escassez de combustível e fertilizantes e, agora, a falta de chuva estão a empurrar os agricultores para uma das épocas agrícolas mais difíceis de que há memória.
O Sudão enfrenta desde Abril de 2023 uma guerra entre o exército e as Forças de Apoio Rápido, conflito que provocou centenas de milhares de mortos e deixou milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.
A crise agravou-se com o aumento dos preços dos combustíveis e fertilizantes, num contexto de perturbações no abastecimento internacional. Agora, o fenómeno climático El Niño veio acrescentar uma nova ameaça, atrasando as chuvas e contribuindo para a redução dos níveis de água do Nilo.
Ao sul de Cartum, o agricultor Al-Tigani Fadlallah aponta para uma ilha de areia que normalmente estaria coberta pelas águas do rio nesta época do ano.
“Normalmente, a água cobre tudo em Julho, mas já é possível ver agora”, afirmou Fadlallah, citado pela AFP, considerando o aparecimento do banco de areia um mau presságio para as suas culturas.
De norte a sul, agricultores relatam dificuldades semelhantes. A água não chega em quantidade suficiente através do rio e as chuvas, essenciais para as culturas de sequeiro, tardam em aparecer.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) alerta que a actual campanha agrícola decorre sob elevado risco climático, associado às condições do El Niño, caracterizadas por chuvas tardias e abaixo da média, bem como períodos prolongados e frequentes de seca.
O cientista climático e hidrólogo Elfatih Eltahir, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que há três décadas estuda a relação entre o El Niño e o Nilo, considera que existe uma forte ligação entre o fenómeno climático e a redução do caudal do rio.
Segundo a sua investigação, quando o El Niño se manifesta no final da Primavera, aumenta a probabilidade de ocorrência de seca no sudeste do Sudão e no noroeste da Etiópia, região onde nasce o Nilo Azul.
Dados da Universidade de Tübingen, na Alemanha, indicam que os níveis de água no reservatório da Grande Barragem da Renascença Etíope, no Nilo Azul, estavam, em Julho, cerca de seis metros abaixo dos registados no mesmo período do ano passado.
Eltahir defende, por isso, maior transparência e cooperação entre a Etiópia, o Egipto e o Sudão na gestão dos recursos hídricos do Nilo, sobretudo num contexto de alterações climáticas que favorecem fenómenos extremos, como secas e cheias mais intensas.
No Estado de Gedaref, junto à fronteira com a Etiópia e uma das principais regiões produtoras de sorgo e sésamo do Sudão, os efeitos da seca já são visíveis.
Com a chegada de Agosto, campos que habitualmente apresentam uma paisagem verde permaneciam castanhos e secos. Agricultores reuniram-se junto de líderes religiosos para rezar por chuva.
“Precisamos destas chuvas para as nossas plantações e para o nosso gado, e elas estão atrasadas”, afirmou o agricultor Abdelmajid Hussein, depois de uma oração.
A ministra da Agricultura, Ismat Qurashi, disse que os agricultores estão a ser aconselhados a optar por culturas mais resistentes à seca e a adiar o período de plantio.
Moussa Yaacoub, de 75 anos, cultiva sésamo há décadas e já enfrentou três campanhas agrícolas durante a guerra. Cada uma, segundo relata, foi mais difícil do que a anterior.
Com a terra novamente rachada pela seca, o agricultor teme não conseguir suportar os custos da próxima campanha, que, segundo afirma, estão quatro vezes mais elevados.
“Não consigo ter um momento de paz”, lamenta.
Mais abaixo, no Estado de Al-Jazira, outra importante região agrícola e produtora de cereais, Hassan Ahmed observa a propriedade da família, cultivada há cerca de um século.
Depois de regressar à exploração no ano passado, na sequência da recuperação da região pelo exército, Ahmed encontrou a propriedade saqueada e as árvores debilitadas pelo calor.
Juntamente com os filhos, começou a recuperar a fazenda, mas este ano voltou a enfrentar dificuldades devido à falta de água.
“Tenho 63 anos e nunca vi o Nilo tão baixo em Agosto”, afirmou. Segundo Ahmed, nesta altura do ano a água deveria ter encharcado o solo a vários metros de profundidade, permitindo a utilização das bombas de irrigação.
A combinação entre a escassez de água, o aumento dos custos de produção e um mercado profundamente fragilizado está a levar muitos agricultores a abandonar as suas terras.
Cerca de 65 por cento das extensas terras aráveis do Sudão são consideradas inutilizáveis, agravando uma crise alimentar que já afecta milhões de pessoas.
Alguns agricultores chegaram a iniciar o cultivo, mas acabaram por abandonar as plantações quando perceberam que a colheita não compensaria os custos.
“Plantaram as suas culturas, mas depois deixaram-nas morrer porque simplesmente não valia a pena fazer a colheita”, afirmou o jovem agricultor Mohamed al-Tijani, citado pela AFP, nas proximidades de Cartum.
O Sudão depende da importação de combustível e de grande parte dos fertilizantes utilizados na agricultura. Os custos destes produtos terão aumentado até cinco vezes este ano, agravando as dificuldades provocadas pela guerra e pela crise económica.
Para muitos agricultores, o risco é perder não apenas a colheita, mas também o investimento realizado.
Ainda assim, alguns insistem em continuar a trabalhar.
O agricultor veterano Ahmed Othman sabe que poderá não recuperar o dinheiro investido na campanha, num mercado debilitado e com grande parte da população sem emprego.
“Mas pelo menos posso dizer que estou a trabalhar”, afirmou, mantendo-se nos campos apesar das condições adversas.
Entre a guerra, a seca e a crise económica, os agricultores sudaneses enfrentam uma realidade em que produzir alimentos se tornou cada vez mais difícil, justamente quando o país mais precisa da sua agricultura para combater a fome.
A República Democrática do Congo (RDC) recebeu, na noite de sexta-feira, um carregamento contendo mais de 16 mil doses da vacina Ervebo. A chegada do fármaco ao aeroporto de Kinshasa representa um passo crucial no combate ao 17.º surto de Ébola da história do país, numa altura em que as autoridades sanitárias alertam para uma progressão exponencial da doença.
O lote, composto especificamente por 16 250 doses, foi recepcionado sob a vigilância das autoridades locais, num cenário de crise humanitária complexa. Declarado oficialmente a 15 de Maio, este surto de Ébola que já terá causado 2 516 mortes entre os 5 290 casos confirmados tem-se revelado um desafio de difícil gestão para as equipas de saúde.
A precariedade das infraestruturas médicas e a persistente instabilidade provocada por grupos armados nas regiões do norte e do leste do país constituem obstáculos significativos ao controlo da epidemia.
A vacina Ervebo, produzida na Alemanha e desenvolvida pela empresa farmacêutica Merck, é actualmente a única aprovada contra o Ébola. Contudo, a sua aplicação neste surto particular levanta questões científicas importantes: o fármaco é eficaz contra a estirpe Zaire, mas não existe confirmação absoluta da sua protecção contra a estirpe Bundibugyo, que é a que circula presentemente na RDC.
Samuel Roger Kamba, ministro da Saúde da RDC, sublinhou a importância do recurso a este medicamento, referindo que o mesmo “já foi usado diversas vezes”, nomeadamente durante o surto de 2018-2020. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem, contudo, uma estratégia cautelosa. De um total de 70 000 doses destinadas ao país, 20 000 foram alocadas para a realização de ensaios clínicos, enquanto as restantes 50 000 serão direccionadas para os profissionais de saúde e equipas que se encontram na linha da frente.
Os especialistas esperam que os dados, até ao momento derivados principalmente de ensaios em animais, se traduzam numa protecção cruzada eficaz em humanos. “Está a crescer exponencialmente”, alertou Julien Harneis, coordenador sénior da ONU para o Ébola, sublinhando a gravidade do panorama actual.
O Governo orientou os ministérios e demais instituições do Estado a cumprirem, de imediato, a nova idade de reforma obrigatória dos funcionários e agentes do Estado, fixada em 65 anos, contra os anteriores 60 anos.
A medida resulta da alteração do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado, aprovada pela Assembleia da República em Abril de 2026 e promulgada pelo Chefe do Estado em Junho último.
Através de um ofício, o Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, orienta as instituições a accionarem o processo de reforma de todos os funcionários que já tenham completado 65 anos de idade.
A nova legislação, contudo, prevê excepções. O Estatuto permite a prorrogação do limite de idade de reforma até aos 70 anos para determinadas carreiras, nomeadamente diplomatas, docentes e assistentes universitários, médicos especialistas, magistrados e investigadores, entre outras.
Os funcionários abrangidos por estas carreiras dispõem de um prazo de 45 dias, contado a partir de 14 de Agosto, para requerer a extensão do limite de idade de reforma.
A legislação prevê igualmente uma excepção por razões devidamente fundamentadas de interesse público. Assim, os funcionários e agentes do Estado que, à data da entrada em vigor da nova lei, já tenham atingido os 65 anos podem permanecer em funções, desde que a sua continuidade seja considerada indispensável ao normal funcionamento do serviço.
Nestes casos, o pedido deve ser apresentado pelo dirigente máximo da instituição ao ministério que superintende a área da função pública, até 27 de Setembro de 2026, nos termos previstos na lei.
Com a entrada em vigor do novo regime, o processo de aposentação passa também a ser automático, cabendo às instituições desencadear os procedimentos administrativos correspondentes para os funcionários que atinjam o limite legal de idade.
Subiu para 52 o número de mortos na sequência do naufrágio de uma embarcação sobrelotada, ocorrido esta quinta-feira no Estado de Sokoto, no norte da Nigéria. Entre as vítimas encontram-se dezenas de crianças.
O acidente ocorreu quando a embarcação atravessava um curso de água, transportando agricultores e trabalhadores que se dirigiam para campos de arroz. Segundo relatos divulgados pela imprensa, o barco transportava mais de 70 pessoas e encontrava-se sobrecarregado.
As autoridades locais confirmam a morte de 52 passageiros, enquanto cerca de 15 pessoas foram resgatadas com vida. Entre as vítimas mortais estão várias crianças, algumas com idades estimadas entre os 10 e os 15 anos.
Equipas da Agência Nacional de Gestão de Emergências, autoridades de navegação, agentes da Polícia e mergulhadores locais continuam no terreno, empenhados nas operações de busca e resgate de possíveis sobreviventes, bem como na recuperação dos corpos.
Os naufrágios de embarcações de passageiros são frequentes na Nigéria, sobretudo durante a época chuvosa. A sobrelotação, a deficiente manutenção das embarcações e a fraca fiscalização das normas de segurança nas vias navegáveis são apontadas como algumas das principais causas destes acidentes.
A Primeira-Dama da República, Gueta Selemane Chapo, felicitou as atletas moçambicanas Vanessa Muianga e Ana Paula Sinaportar pela qualificação para as meias-finais do Campeonato Continental de Voleibol de Praia – CAN 2026, da Confederação Africana de Voleibol (CAVB).
A qualificação, alcançada em Alexandria, coloca a dupla moçambicana entre as quatro melhores do continente africano e garante, igualmente, a presença de Moçambique no Campeonato do Mundo de Voleibol de Praia, a realizar-se no próximo ano, em Haia.
Numa mensagem de felicitação, Gueta Chapo enaltece a determinação, o espírito de sacrifício e a excelência demonstrados pelas duas atletas, considerando o feito um motivo de orgulho para todos os moçambicanos.
Para a Primeira-Dama, o desempenho de Vanessa Muianga e Ana Paula Sinaportar demonstra também a capacidade da juventude moçambicana de alcançar resultados de elevado nível no panorama desportivo internacional.
Gueta Chapo encorajou as atletas a prosseguirem firmes na competição, mantendo a determinação e a ambição na luta pelas medalhas, tendo desejado sucessos nas meias-finais e nos próximos desafios internacionais.
A Primeira-Dama considera, igualmente, que a conquista da dupla poderá servir de inspiração para outras jovens moçambicanas acreditarem no seu potencial, perseguirem os seus sonhos e contribuírem para o desenvolvimento e engrandecimento do desporto nacional.
Um tribunal da Tanzânia decidiu, na sexta-feira, que vai prosseguir o julgamento por traição contra o líder da oposição, Tundu Lissu, depois de considerar que existem provas suficientes para que o político responda às acusações que pesam sobre si.
Lissu, presidente do partido de oposição Chadema, foi detido em Abril de 2025 e acusado de traição, crime que pode ser punido com pena de morte. A acusação está relacionada com alegadas incitações ao boicote das eleições realizadas no país no ano passado.
Durante a sessão, o juiz Dunstan Ndunguru anunciou que o painel de três magistrados concluiu que a acusação apresentou provas suficientes para que o processo avance. A decisão foi tomada dias depois de os procuradores terem apresentado as suas provas e ouvido 17 testemunhas contra o dirigente da oposição.
Lissu, que se encontra a representar-se a si próprio no processo, apresentou uma lista de altas figuras do Governo que pretende chamar como testemunhas de defesa, entre as quais a Presidente tanzaniana, Samia Suluhu Hassan. O opositor pediu ao tribunal que as testemunhas fossem formalmente intimadas.
O líder do Chadema queixou-se ainda das dificuldades que enfrenta na preparação da sua defesa, alegando que os seus advogados e testemunhas não têm autorização para o visitar na prisão.
“Preciso de me reunir com os meus advogados e testemunhas, mas eles não têm autorização para me visitar na prisão”, afirmou Lissu perante os juízes, pedindo uma intervenção do tribunal para resolver a situação.
A audiência decorreu sob fortes medidas de segurança no Supremo Tribunal, onde apoiantes de Lissu ocuparam a sala para acompanhar a leitura da decisão. Diplomatas estrangeiros também estiveram presentes.
A decisão provocou desilusão entre os apoiantes do dirigente da oposição. Benitho Mwapinga, líder juvenil do Chadema, disse à AFP que não esperava que o tribunal decidisse pela continuidade do processo, mas afirmou que o partido está preparado para avançar para a próxima fase.
Lissu, uma figura histórica da oposição tanzaniana, regressou ao país em 2023, depois de anos no exílio. O político já foi detido várias vezes e sobreviveu, em 2017, a uma tentativa de assassinato.
O processo ocorre num contexto de forte tensão política na Tanzânia. A oposição e organizações de defesa dos direitos humanos acusam as forças de segurança de terem reprimido violentamente os protestos que se seguiram às eleições de Novembro, alegando que milhares de pessoas terão sido mortas.
O Governo tanzaniano reconheceu mais de 500 mortes relacionadas com os distúrbios pós-eleitorais, mas não especificou os responsáveis pelas mortes.
Antes das eleições, o Chadema lançou uma campanha de reformas eleitorais sob o lema “Sem reformas, sem eleições”, exigindo alterações ao sistema eleitoral. A iniciativa acabou por contribuir para a detenção de Lissu.
O partido acusa ainda a Presidente Samia Suluhu Hassan, que terá obtido cerca de 98 por cento dos votos nas últimas eleições, de recuperar métodos repressivos associados ao seu antecessor, John Magufuli.
Lissu nega as acusações e considera o processo de traição politicamente motivado, enquanto o Governo sustenta que as autoridades estão a agir no quadro da lei.