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Depois de vários dias marcados por paralisação parcial do transporte semi-colectivo de passageiros, caos nas paragens e pressão crescente sobre a mobilidade urbana, a Assembleia Municipal de Inhambane aprovou esta sexta-feira novas tarifas de chapa 100, numa tentativa de pôr fim à crise que mergulhou a cidade num dos momentos mais difíceis dos últimos anos em matéria de transporte público.

A decisão foi tomada durante uma sessão extraordinária convocada em resposta ao agravamento da tensão entre transportadores e autoridades municipais, depois da subida do preço do gasóleo em Moçambique, um aumento que os operadores consideram insustentável para a continuidade da actividade.

Durante a reunião, marcada por longos debates e negociações intensas, os transportadores defenderam um agravamento de 44,4 por cento no preço do bilhete de passagem, alegando que os custos operacionais dispararam nas últimas semanas, sobretudo devido ao preço dos combustíveis, manutenção de viaturas, peças e despesas associadas ao funcionamento diário dos semi-colectivos.

No final, os membros da Assembleia Municipal aprovaram um reajuste na ordem dos 40 por cento, decisão que altera praticamente todas as rotas urbanas e suburbanas da cidade de Inhambane.

Na prática, os novos preços representam agravamentos entre 2 e 5 meticais por percurso, dependendo da rota utilizada pelos passageiros.

Um dos exemplos mais visíveis é o trajecto entre a Cidade de Inhambane e a Paragem Espada, cujo preço sobe de 14 para 18 meticais. Já a ligação entre a Cidade de Inhambane e a Praia do Tofo passa de 25 para 30 meticais.

As alterações abrangem ainda os estudantes, num dos pontos considerados mais sensíveis do novo pacote tarifário aprovado pelo município.

Os alunos que anteriormente beneficiavam de tarifas reduzidas entre 10 e 12 meticais passam agora a pagar uma tarifa única de 14 meticais, independentemente da distância percorrida ou da rota utilizada.

A medida surge numa altura particularmente delicada para centenas de famílias que dependem diariamente do transporte semi-colectivo para deslocação de estudantes, trabalhadores e pequenos comerciantes.

A crise no transporte começou a ganhar dimensão no início da semana, quando transportadores decidiram suspender parcialmente as actividades em diferentes pontos da cidade, alegando incapacidade de continuar a operar perante os novos custos do combustível.

A paralisação provocou enormes constrangimentos nas principais paragens e terminais da cidade. Passageiros chegaram a passar horas à espera de transporte, enquanto estudantes eram obrigados a percorrer longas distâncias a pé para chegar às escolas numa semana marcada por testes e avaliações.

Em vários bairros, o cenário era de incerteza e desespero. Trabalhadores faltaram aos seus empregos, pequenos negócios sofreram redução de clientes e até unidades sanitárias enfrentaram dificuldades devido à escassez de transporte.

A pressão social provocada pela paralisação acabou por acelerar as negociações entre os transportadores, o Governo Provincial e o município.

Antes da sessão extraordinária da Assembleia Municipal, o governador de Inhambane, Francisco Pagula, chegou a reunir-se com os operadores e pediu uma trégua de cinco dias para permitir diálogo e avaliações técnicas sobre a revisão das tarifas.

Mesmo depois desse entendimento, muitos transportadores mantiveram a paralisação, defendendo que apenas retomariam totalmente as actividades após aprovação formal dos novos preços.

Foi neste contexto de forte pressão social e económica que a Assembleia Municipal decidiu avançar para aprovação da nova tabela tarifária.

O edil de Inhambane, Benedito Guimino, considera que a decisão cria condições para o regresso imediato dos transportadores às estradas e para o restabelecimento gradual da circulação normal de passageiros na cidade.

“Solicitámos à Assembleia para que esta medida fosse observada a partir de hoje. Portanto, acreditamos que há de haver paz, porque há condições criadas para os nossos transportadores poderem exercer a sua actividade e também aliviar os nossos munícipes”, declarou o edil.

Guimino recordou que a cidade enfrentava vários dias consecutivos de paralisação, situação que afectou profundamente a mobilidade urbana e aumentou a pressão sobre passageiros.

Apesar da aprovação das novas tarifas, os transportadores afirmam que os valores ficaram abaixo das expectativas da classe e admitem algum descontentamento com os cortes feitos durante as negociações.

Segundo os operadores, algumas rotas sofreram reduções em relação aos valores inicialmente consensualizados durante os encontros técnicos realizados com o município.

“Para nós não está tão confortável isto porque praticamente mudou-se aquilo que nós combinámos ou debatemos com o Conselho Municipal”, afirmou um representante dos transportadores.

Entre os exemplos apresentados pelos operadores está a rota de Guiúa, onde os transportadores defendiam uma tarifa de 25 meticais, mas o valor final aprovado acabou fixado em 20 meticais.

Mesmo demonstrando insatisfação, a Associação dos Transportadores Rodoviários de Inhambane garante que a tendência é para retoma gradual das actividades nos próximos dias.

A decisão final sobre o regresso completo às estradas deverá, entretanto, ser discutida internamente entre os operadores.

“Estamos aqui, vamos à praça, vamos nos reunir e informarmos aos demais. Acredito que a ideia é boa de voltar, mas o colectivo vai decidir”, afirmou Marcos Sambo, presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Inhambane.

A crise expôs fragilidades antigas do sistema de transporte semi-colectivo na cidade de Inhambane, fortemente dependente dos custos dos combustíveis e com pouca margem para absorver oscilações económicas abruptas.

O aumento do preço do gasóleo acabou por desencadear um efeito em cadeia que atingiu directamente passageiros, estudantes, comerciantes e trabalhadores, levantando novamente o debate sobre sustentabilidade do transporte público urbano e os impactos sociais dos sucessivos aumentos dos combustíveis em Moçambique.

Em vários pontos da cidade, passageiros manifestavam preocupação com o impacto das novas tarifas no orçamento familiar, sobretudo num contexto em que muitas famílias já enfrentam dificuldades relacionadas com alimentação, renda, energia e outros serviços essenciais.

Ao mesmo tempo, os transportadores insistem que os novos preços ainda estão abaixo do necessário para garantir equilíbrio financeiro sustentável da actividade.

Com a aprovação formal das tarifas, o município espera agora evitar novas paralisações e restaurar gradualmente a normalidade na circulação urbana.

Mas o episódio deixa claro que qualquer alteração nos preços dos combustíveis tem capacidade de provocar impacto imediato não apenas no transporte, mas em toda a dinâmica económica e social da cidade.

O que começou como uma reivindicação dos transportadores transformou-se rapidamente numa crise de mobilidade que afectou milhares de pessoas e obrigou autoridades municipais e provinciais a agir sob forte pressão pública.

Agora, passageiros e operadores aguardam para perceber se os novos preços serão suficientes para garantir estabilidade no sector ou se novas tensões poderão surgir nas próximas semanas.

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A Missão de Assistencia Militar em Moçambique (EUMAM) considera que o combate ao terrorismo em Cabo Delgado não depende apenas da componente militar, defendendo igualmente maior proximidade com as populações afectadas pela violência armada. O posicionamento surge numa altura em que a União Europeia decidiu prorrogar até Dezembro, o mandato da EUMAM, para consolidar a capacitação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e reforçar a estabilidade operacional no teatro de conflito.

O comandante da missão, César Pires Correia, explicou que a prioridade da missão europeia continua centrada no apoio às forças moçambicanas, sobretudo na sustentabilidade das unidades especiais treinadas pela União Europeia nos últimos anos. “A nossa missão aqui foca-se, essencialmente, no apoio às Forças Armadas de Defesa de Moçambique, na sustentabilidade de 11 companhias de forças especiais, as chamadas Forças de Reação Rápida”, afirmou. Segundo o responsável, o apoio europeu está virado para “as áreas logísticas, as áreas de manutenção, mas também de treino operacional”.

A missão europeia entende que a extensão do mandato permitirá consolidar os avanços alcançados desde 2024, numa altura em que vários factores condicionaram o ritmo das actividades inicialmente previstas. “Estes seis meses de prorrogação, de extensão do mandato, no fundo vão permitir uma continuidade e uma solidificação de todo o trabalho que foi feito até agora”, declarou César Correia. 

O comandante recordou ainda que os eventos pós-eleitorais e as recentes cheias e inundações tiveram impacto na implementação das acções da missão, atrasando parte da execução do mandato.

Desde a sua instalação no país, a missão europeia afirma ter contribuído para a capacitação de milhares de efectivos moçambicanos. Segundo César Correia, cerca de 1.700 militares e 100 formadores nacionais já beneficiaram de programas de assistência e treino em diferentes áreas. “Recentemente, foram executados cerca de 40 programas, envolvendo 1200 militares”, na formação, envolvendo matérias como cooperação civil-militar, direito internacional militar, género, comunicação estratégica e treino operacional. Neste momento, a missão acompanha duas companhias, uma do Exército de Comandos e outra da Marinha, estando igualmente prevista a regeneração e formação de uma terceira companhia de fusileiros.

Para a EUMAM, o fortalecimento da capacidade militar das FADM é importante, mas insuficiente para eliminar a insurgência em Cabo Delgado. “O que eu posso dizer sobre a situação de Cabo Delgado é que é uma situação muito complexa, envolve várias dimensões, não só a questão militar”, afirmou César Correia. O comandante defendeu uma abordagem integrada, com maior envolvimento das comunidades locais nas estratégias de estabilização das zonas afectadas pelo conflito. “Considero que é muito importante o relacionamento com as comunidades locais” e “não será apenas com o instrumento militar que se vai resolver a questão em Cabo Delgado”, declarou, acrescentando que “tem que haver uma intervenção mais ampla, integrada com o instrumento militar, mas também com uma colaboração muito grande com as comunidades”.

O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo confirmou a decisão que suspende os efeitos da sanção disciplinar aplicada ao histórico membro da RENAMO, António Muchanga, mantendo válida a providência cautelar que anulou a sua suspensão do partido.

Num despacho datado de 12 de Maio, o tribunal refere que a RENAMO, enquanto requerida no processo, não compareceu à audiência nem apresentou qualquer contraditório juridicamente atendível, deixando de exercer o direito de defesa nesta fase processual.

Perante a ausência da formação política liderada por Ossufo Momade, o tribunal entendeu não existirem elementos capazes de contrariar os fundamentos que sustentaram o decretamento da providência cautelar, decidindo, por isso, manter “íntegros os pressupostos legais” da medida.

O caso insere-se no actual conflito interno vivido na RENAMO, que opõe António Muchanga à liderança de Ossufo Momade, sobretudo na sequência dos resultados das eleições gerais de 2024, nas quais o partido perdeu o estatuto de principal força da oposição.

Muchanga, membro da RENAMO desde Agosto de 1992, tem vindo a contestar publicamente a liderança de Momade e participou em movimentos internos de contestação que envolveram antigos guerrilheiros e a ocupação de sedes partidárias.

Em Fevereiro, o antigo deputado afirmou publicamente que participaria no afastamento de Ossufo Momade da liderança do partido, declarações que antecederam a sua suspensão por tempo indeterminado.

Na decisão agora confirmada, o tribunal considera existirem indícios de ilegalidade na sanção aplicada a António Muchanga, apontando, entre outros aspectos, a ausência de processo disciplinar prévio, a falta de garantia do direito ao contraditório e a inexistência de notificação formal ao visado.

O despacho refere igualmente dúvidas quanto à competência do órgão que decidiu a suspensão, bem como à conformidade estatutária da aplicação de uma sanção por tempo indeterminado.

O tribunal sublinha ainda que, tratando-se de um partido político, as exigências legais devem ser particularmente rigorosas, por estarem em causa direitos de participação política consagrados constitucionalmente.

Os deputados da oposição na África do Sul abandonaram o parlamento, numa pressão política para o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, renunciar ao cargo após acusações de lavagem de dinheiro. 

O protesto levado a cabo pelos deputados da oposição no parlamento sul-africano ocorreu durante uma sessão de perguntas e respostas ao Governo deste país, liderado por Cyril Ramaphosa.

A oposição contestou a continuidade dos trabalhos parlamentares, enquanto persistem as acusações contra Ramaphosa. Os parlamentares defendem que Ramaphosa deve responder politicamente pelas acusações de lavagem de dinheiro.

O governante enfrenta acusações relacionadas com o alegado encobrimento de um assalto ocorrido em 2020 numa das suas propriedades privadas, onde teriam sido roubadas grandes somas em moeda estrangeira. 

Ramaphosa rejeita qualquer envolvimento em irregularidades e insiste que não pretende abandonar o cargo.

Refira-se que na semana passada, o Tribunal Constitucional sul-africano considerou que o relatório independente produzido em 2022 deveria ter sido encaminhado para um comité parlamentar de impeachment, ou seja, de destituição, destinado a aprofundar a investigação sobre o escândalo.

Para que a destituição de Ramaphosa avance, será necessário o apoio de pelo menos dois terços dos 400 deputados do Parlamento, entretanto, antes, o comité multipartidário encarregado do processo ainda terá de conduzir investigações adicionais.

Os Presidentes dos Estados Unidos da América e da China defenderam a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego internacional de petróleo e gás, numa altura em que o bloqueio iraniano continua a provocar tensão nos mercados energéticos mundiais. O encontro entre os governantes decorreu em Pequim e marcou uma nova aproximação diplomática entre as duas maiores economias do mundo.

Em comunicado de imprensa, a Casa Branca afirmou que Xi Jinping e Donald Trump querem a abertura do estreito Ormuz para garantir o livre fluxo de energia.

“Ambos partes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para garantir o livre trânsito de energia. O presidente Xi deixou clara a oposição da China à militarização do estreito e a quaisquer esforços para impor taxas pelo seu uso”, disse Donald Trump.

Trump revelou ainda que Xi Jinping manifestou disponibilidade para ajudar na resolução da crise e apontou que  Pequim garantiu que não vai  apoiar o Irão.”O Presidente Xi gostaria de ver um acordo. Ele disse: Se eu puder ajudar de alguma forma, terei todo o prazer em ajudar (…) Ele disse que não iria fornecer equipamento militar ao Irão”.

Por sua vez, Xi Jinping defendeu que os projectos das duas nações devem avançar. “Alcançar o rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente pode avançar plenamente em paralelo, reforçar-se mutuamente e beneficiar o mundo”, afirmou o Presidente da China.

Apesar do ambiente de cooperação, houve alertas para os Estados Unidos. “Washington deve estar atento aos riscos de conflito caso os Estados Unidos desrespeitem as pretensões chinesas sobre Taiwan”, sublinhou.

As conversações terminaram com um convite formal de Donald Trump para que Xi Jinping visite a Casa Branca em Setembro.

A governadora da província de Manica, Francisca Tomás, defendeu a responsabilização criminal dos autores de boatos sobre alegados casos de atrofiamento de órgãos genitais masculinos, fenómeno que já provocou 13 mortos e mais de 20 feridos em diferentes distritos da província.

Os episódios de violência popular foram registados nos distritos de Chimoio, Vanduzi, Báruè, Mossurize e Gondola, sendo este último o mais afectado, com quatro mortes confirmadas.

Falando durante uma visita de trabalho ao distrito de Mossurize, Francisca Tomás condenou os ataques motivados por desinformação e apelou ao fim da justiça pelas próprias mãos.

“Não podemos matar por causa de um boato dessa natureza. Não podemos nos matar entre nós. Primeiro temos de verificar se, de facto, esse indivíduo tem órgãos genitais atrofiados. Não é logo que ouviu um boato que correm atrás da pessoa indicada e começam a bater até matar”, afirmou.

A governadora sublinhou que as autoridades de saúde têm observado os supostos casos denunciados pela população e garantiu não haver evidências de desaparecimento ou mutilação de órgãos genitais.

“De todos os casos que aconteceram, levamos as pessoas ao hospital para serem observadas, e não há nada que está desaparecendo. Isso é boato”, declarou.

Francisca Tomás considerou preocupante a propagação de informações falsas que acabam por desencadear violência colectiva e instou as autoridades policiais e judiciais a agirem com firmeza contra os responsáveis.

“Nós temos de acabar com esses boateiros. Temos de prender esses boateiros e entregá-los à justiça para serem julgados”, defendeu.

Os rumores sobre supostos casos de “roubo” ou atrofiamento de órgãos genitais têm provocado episódios semelhantes em vários países africanos ao longo das últimas décadas, frequentemente associados a crenças supersticiosas e desinformação comunitária.

Durante a deslocação a Mossurize, a governadora orientou um comício popular na localidade de Chaiva, inaugurou empreendimentos socioeconómicos e visitou obras de construção de dez residências destinadas a funcionários do Estado, incluindo a casa do administrador distrital.

A primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, defendeu uma profunda reestruturação do sector empresarial do Estado, com foco na sustentabilidade financeira, controlo do risco fiscal e prevenção do sobre-endividamento das empresas públicas.

A posição foi apresentada durante a cerimónia de tomada de posse dos novos presidentes dos conselhos de administração do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e do Fundo de Fomento da Habitação (FFH).

Foram empossados Danilo Nanla para liderar o IGEPE, Rudêncio Morais para a ENH e Amorim Pery para o FFH. Segundo Benvinda Levi, os novos dirigentes assumem funções num momento de reformas estruturais no sector empresarial do Estado.

“Pretende-se, com estas medidas, tornar os sectores estratégicos da nossa economia mais competitivos e virados para o desenvolvimento socioeconómico do nosso país, com o objectivo último de lançar os alicerces para a tão almejada soberania económica”, afirmou.

No caso do IGEPE, a chefe do Governo destacou a necessidade de consolidar os processos de reestruturação e viabilização económica das empresas participadas pelo Estado, defendendo maior rigor financeiro e transparência na gestão pública.

“O IGEPE deverá reforçar as boas práticas de governação corporativa, transparência, prestação de contas e controlo interno das empresas públicas e participadas”, declarou.

Benvinda Levi alertou ainda para a necessidade de evitar situações de sobre-endividamento no sector empresarial do Estado, recomendando uma gestão orientada para resultados e geração de receitas para o Tesouro Público.

Relativamente à Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, a primeira-ministra considerou que o País atravessa uma fase decisiva no aproveitamento dos recursos naturais, sobretudo do gás natural da Bacia do Rovuma.

“O processo de exploração dos hidrocarbonetos requer um reposicionamento institucional para salvaguardar o interesse estratégico económico e energético nacional”, disse.

A governante defendeu que os grandes projectos de gás natural devem traduzir-se em benefícios concretos para os moçambicanos, incluindo criação de emprego, industrialização e redução da dependência de combustíveis importados.

Benvinda Levi referiu ainda que Moçambique deve aproveitar as oportunidades resultantes das tensões internacionais no Estreito de Ormuz, importante rota global de petróleo e gás, para fortalecer o posicionamento do País como produtor de gás natural.

No sector da habitação, a primeira-ministra pediu ao FFH maior dinamismo na implementação de programas de urbanização e expansão do acesso à habitação condigna.

“Esperamos o estabelecimento de mais parcerias estratégicas para o desenvolvimento acelerado de projectos de habitação e urbanização em todo o País”, afirmou.

Durante o discurso, Benvinda Levi sublinhou que Moçambique necessita de instituições públicas “fortes, modernas e transparentes”, orientadas para resultados concretos que impactem positivamente a vida dos cidadãos.

A governante aproveitou ainda a ocasião para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos anteriores dirigentes do IGEPE, ENH e FFH, destacando o contributo dado à consolidação institucional daqueles organismos do Estado.

 

Empossados prometem trabalho

Todos os empossados têm passagem pelas instituições que passam a dirigir. Em poucas palavras, Danilo Nanla comprometeu-se a garantir a sustentabilidade das empresas, apontando “boa organização e boa direcção e transparência” como principais estratégias a usar.

A nova direcção do Fundo de Fomento à Habitação assumiu ser “um desafio proporcionar moradia digna, criar uma nova centralidade”, mas apontou coordenação interinstitucional como a chave de sucesso para que espaços atribuídos sejam efectivamente ocupados, “bastando haver infra-estruturas de água e energia e qualidade de saneamento”.

Já a nova direcção da EHN comprometeu-se a “dar novo dinamismo à empresa, para que os recursos petrolíferos que o País possui possam trazer uma mudança de vida dos moçambicanos”, disse Rudêncio Morais.

O empossamento foi testemunhado pelos titulares dos ministérios das Finanças e das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

A empresa mineira África Grest Wall fez a entrega das terras para o cultivo de arroz, mandioca e gergelim no posto administrativo de Mitange, província de Tete

‎A Africa Great Wall Mining Development Company concluiu a doação de 108.000 m² (10,8 hectares) de terra agrícola a 216 famílias reassentadas no posto administrativo de Mitange, província de Tete. A iniciativa integra o programa de responsabilidade social da empresa e visa garantir segurança alimentar e sustento às comunidades afectadas pela actividade mineira na região. As terras vão servir para o cultivo de arroz, mandioca e gergelim.

‎A primeira fase é de 28.000 m² destinados ao cultivo de arroz, beneficiando 56 famílias. Cada agregado recebeu uma parcela de 20×25 metros, devidamente identificada com placa de propriedade.

‎A segunda fase é de uma área de 80.000 m² destinados à mandioca, beneficiando 160 famílias, também com parcelas individuais de 20×25 metros.

‎Além das culturas alimentares, a empresa apoia a introdução do gergelim como cultura de rendimento de alto valor no mercado internacional, disponibilizando assistência técnica chinesa, sementes melhoradas, formação prática e acompanhamento durante todo o ciclo agrícola.

‎Um dos beneficiários da aldeia de reassentamento 3573 manifestou satisfação: “A casa é boa. Eu gosto. Esta é a nossa casa.”

‎A Africa Great Wall afirma que a doação de terras agrícolas representa o cumprimento integral do compromisso de reassentamento, quando ocupa terras da comunidade, constrói novas casas; quando altera modos de vida, apoia novas formas de sustento.

A vida de futebolistas como Eusébio, nascidos nos subúrbios da capital moçambicana e que alcançaram o estatuto de vedetas na metrópole, é o mote de uma exposição que revela como a sua ascensão foi uma exceção no sistema colonial.

“Fintar a Vida. Caniço, Futebol e o Estado Novo” é o nome da exposição que o Museu Nacional de Etnologia abre esta sexta-feira ao público, em Lisboa, e que propõe uma viagem aos subúrbios de Lourenço Marques, nas décadas de 1950-70, convidando a uma reflexão sobre cultura, desporto e os legados do colonialismo.

Nuno Domingos, investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e curador desta exposição, disse à Lusa que a mostra se foca na vida de jogadores como Eusébio, Matateu, Coluna, Hilário e Vicente, procurando ir “à sua base, ao mundo onde eles nasceram e a uma cidade como Lourenço Marques, que é uma cidade colonial profundamente dividida entre o seu centro e o seu subúrbio”.

“Esta divisão claramente projecta as bases do sistema colonial português, as suas lógicas descritas, que tinham inevitavelmente uma componente racial”, adiantou.

Por esta razão, a exposição fala do Caniço, que “é precisamente a cidade suburbana onde vivia grande parte da população africana e onde muitos destes jogadores cresceram”.

“Digamos que é uma procura de encontrar um pouco as origens destes jogadores que muitas vezes são só conhecidos a partir das suas trajectórias, a partir do momento em que chegam a Lisboa para jogar no Benfica, no Sporting e no Belenenses, esquecendo nós que eles tiveram uma vida anterior”, disse.

A exposição recorda a guerra colonial, que em Moçambique começou em 1964, bem como “o modo como o Estado Novo procurou instrumentalizar os percursos destes jogadores de futebol para defender um pouco o império na altura, que estava sob pressão internacional grande”.

“Nomeadamente após as vitórias do Benfica na Taça dos Campeões em 1961, 1962, depois a vitória do Sporting e depois, fundamentalmente, a participação no Mundial de 1966, estes jogadores tornaram-se muito visíveis e o Estado Novo claramente percebeu que os podia utilizar para defender a sua perspectiva lusotropical plural e racial do Império, que claramente não tinha muito a ver com o que se passava no terreno.

A mostra recorre à fotografia, a objectos da cultura pop da metade do século XX, a publicações de imprensa e a objectos da esfera futebolística, que, em estreito diálogo com as colecções do museu, desvendam os contrastes culturais e sociais existentes na cidade de Lourenço Marques.

Além de Nuno Domingos, a exposição, inaugurada hoje, tem a curadoria de Gonçalo Amaro, director do Museu Nacional de Etnologia.

A primeira mão da final da Liga dos Campeões da CAF 2025/26 coloca frente a frente os técnicos portugueses Miguel Cardoso e Alexandre Santos. O confronto inédito entre o Mamelodi Sundowns (África do Sul) e o FAR Rabat (Marrocos) inicia-se este domingo, 17 de Maio, no Loftus Versfeld Stadium, em Pretória.

Uma final, dois jogos, um duelo de treinadores portugueses e a disputa dos polos  continentais no embate decisivo da Liga dos Campeões africanos. Mamelodi Sundowns da África do Sul e AS FAR Rabat do Marrocos disputam a final da liga milionária africana.

O primeiro jogo dos dois da final da prova disputa-se este domingo, 17 de Maio, a partir das 16h00 locais (mesma hora em Moçambique), no Loftus Versfeld Stadium, Pretória.

Esta final marca um momento histórico para o futebol lusitano, sendo a primeira vez que dois técnicos de Portugal decidem o título máximo de clubes em África. Miguel Cardoso atinge a sua terceira final consecutiva na prova. Do outro lado, Alexandre Santos lidera a armada de Rabat após eliminar os compatriotas do RS Berkane nas meias-finais.

De acordo com a análise oficial da CAF Online, a partida de Pretória apresenta “um claro choque de estilos”. Espera-se que os Sundowns controlem a posse de bola e o ritmo de jogo. Por sua vez, o FAR Rabat deverá apresentar um bloco defensivo compacto focado em transições rápidas.

O Mamelodi Sundowns chega a este jogo focado em recuperar o moral após perder por 3-2 contra o TS Galaxy na liga sul-africana. Na rota continental, os sul-africanos eliminaram o Espérance de Tunis nas meias-finais com um agregado de 2-0. O FAR Rabat carimbou o passaporte para a final ao bater o Berkane por 2-1 no cômputo geral.

Para além do prestígio desportivo, o incentivo financeiro bate recordes nesta temporada. O vencedor do torneio vai arrecadar um prémio monetário de 6 milhões de dólares. Este valor representa um aumento de 50% em comparação com os 4 milhões pagos na edição anterior.

A segunda mão do torneio que decide o novo campeão africano e o qualificado para a Taça Intercontinental da FIFA está marcada para o dia 24 de Maio, em Rabat.

Vencedor da Taça CAF conhecido já no sábado

O USM Alger da Argélia defende a vantagem de um golo contra o Zamalek SC na grande decisão da Taça da Confederação CAF no próximo sábado, 16 de Maio de 2026, no Estádio Internacional do Cairo.

O primeiro confronto da final, disputado no superlotado Estádio 5 de Julho, em Argel, terminou com uma vitória magra mas crucial de 1-0 para os argelinos. O desfecho foi marcado por uma reviravolta dramática nos descontos.

O Zamalek chegou a celebrar o que seria o golo inaugural do suplente Juan Alvina. Contudo, o videoárbitro (VAR) interveio para anular o lance por falta de Hossam Abdelmaguid na origem da jogada. 

Na sequência imediata do mesmo lance, o VAR assinalou penálti a favor do USM Alger. Ahmed Khaldi converteu friamente a grande penalidade aos 90+8 minutos, garantindo o triunfo caseiro.

O técnico do USM Alger, Lamine N’Diaye, destacou a resiliência do plantel antes da partida: “Os jogadores estão naturalmente motivados para procurar mais um título”. 

Pelo lado egípcio, o desaire deixa a equipa sob pressão, necessitando de uma vitória por dois golos de diferença no Cairo para erguer o troféu sem depender das grandes penalidades.

O embate põe frente a frente dois gigantes invictos em finais desta competição. O Zamalek procura a sua terceira coroa após as conquistas de 2019 e 2024, enquanto o emblema de Argel tenta repetir o feito de 2023. Além da glória desportiva, o vencedor vai arrecadar um prémio recorde de 4 milhões de dólares.

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