A cidade de Chimoio tornou-se, nestes dias, o epicentro da vida política moçambicana. Três mil delegados e convidados convergem para a capital da província de Manica, no âmbito da 11.ª Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, um encontro que marca o regresso deste formato após uma década de interrupção. O ambiente é de expectativa e responsabilidade, num momento em que a formação política que governa o país se prepara para definir as linhas mestras da sua estratégia futura.
No centro das atenções, a intervenção de Graça Machel trouxe uma reflexão contundente sobre o papel do partido perante os desafios sociais. Ao interpelar os presentes sobre o que se pode esperar do encontro, Machel foi clara a conferência não pode limitar-se a exercícios retóricos. Para a histórica figura da Frelimo, o objectivo fundamental é o de confrontar, com coragem, os problemas que ainda afligem a nação, nomeadamente a pobreza, o analfabetismo, a escassez de água e o flagelo da fome.
“Temos de sair desta reunião tendo discutido os principais problemas que consideramos que o partido tem de atender e propor soluções para daqui trabalharmos com o povo”, defendeu Graça Machel, sublinhando que a tarefa central é a criação de uma “ligação profunda” entre o partido, os seus membros e as largas massas populares. Machel insistiu que a acção política deve transcender a teoria, exigindo o engajamento de todas as forças vivas da sociedade para transformar a realidade económica e social do país. “Essa é a linguagem que eu conheço”, reiterou, apelando a que a consciência colectiva se traduza numa actuação prática e resolutiva.
A Conferência Nacional de Quadros, que decorre sob a direcção do Presidente do partido, Daniel Francisco Chapo, surge numa fase de reorganização interna. Este encontro serve, igualmente, de preparação para os desafios que se avizinham, incluindo a IV Sessão Extraordinária do Comité Central, agendada para o próximo dia 26 de Agosto, também em Chimoio.
O lucro do BCI caiu de cerca de 3,7 mil milhões de meticais para 3,3 mil milhões de Janeiro a Junho deste ano, se comparado a igual período de 2025. Devido ao elevado risco de crédito malparado, as reservas do banco comercial dispararam.
Nos primeiros seis meses deste ano, o Banco Comercial e de Investimentos (BCI), um dos maiores bancos do País, ganhou menos dinheiro e reforçou reservas para eventuais riscos de clientes, mostram demonstrações financeiras.
O banco fechou o semestre com um resultado líquido de 3,3 mil milhões de meticais, depois de cerca de 3,7 mil milhões em igual período de 2025.
Nas contas dos primeiros seis meses, a preocupação vai para as “imparidades”. De Janeiro a Junho deste ano, a instituição reservou 1,3 mil milhões para cobrir perdas ligadas a clientes, caso estes não consigam pagar os seus empréstimos.
Em igual período do ano passado, o valor das imparidades do Banco Comercial e de Investimentos rondava em apenas 988 milhões de meticais.
Embora tenha reforçado as reservas contra o risco de incumprimento, o relatório destaca uma nota positiva: a recuperação de dinheiro em operações anteriores.
“No decurso do primeiro (1º) semestre de 2026, o banco recebeu o valor de 212.291.225,00 MT referente à recuperação de várias operações de crédito, mediante acordo entre as partes”, lê-se nas demonstrações financeiras.
Outro ponto que sofreu queda é a ‘margem financeira’, que mostra o lucro que o banco faz com a diferença entre o que paga nos depósitos e o que cobra nos empréstimos. Reduziu de 8,9 mil milhões de meticais para 8,5 mil milhões.
De Janeiro a Junho últimos, o banco gastou cerca de 74,8 milhões de meticais com remunerações mensais, enquanto em 2025 a despesa foi de 92.4 milhões de Meticais. E, com outras remunerações, a despesa foi de 37.4 milhões nos primeiros seis meses deste ano, contra 46.2 milhões no ano anterior.
O banco comercial e os seus accionistas dizem estar comprometidos em deter capital suficiente para manter o rácio de solvabilidade confortavelmente acima do mínimo exigido pelo Banco de Moçambique.
“Em 30 de Junho de 2026, o rácio de solvabilidade era de 31,40% (2025: 31,44%). O mesmo manteve-se acima do exigido pelo Banco de Moçambique (15%), facto que comprova a solidez financeira do BCI”, revela a instituição.
O valor da contribuição do Banco Internacional e de Investimento para a segurança social ascende a 80.822.524,00 MT (2025: 77.900.366,00 meticais).
Os dados foram extraídos da demonstração de resultados do BCI referentes ao primeiro semestre. Para já, resta saber como será o resto do ano para o banco.
O Banco Comercial e de Investimentos é uma subsidiária do grupo Caixa Geral de Depósitos, que tem a sua sede em Lisboa, Portugal.
De acordo com o Banco de Moçambique, regulador do sistema financeiro moçambicano, o BCI é a instituição bancária doméstica de maior importância, seguida dos bancos Millennium bim e Standard Bank, respectivamente.
A Fundação para Conservação da Biodiversidade não vê problema com o desenvolvimento de estudos de prospecção de hidrocarbonetos ao longo da costa da província de Inhambane. Para a Biofound a conservação só faz sentido se beneficiar as comunidades.
Há quatro meses, activistas e comunidades locais da Província de Inhambane contestaram a realização de estudos de prospecção de hidrocarbonetos na costa da província, alegando que tais projectos colocam em causa a conservação no Arquipélago do Bazaruto.
“Nós trabalhamos em conservação, e pensamos que a conservação não pode ser impedimento ao desenvolvimento”, respondeu Samir Magane Gestor do Programa de Conservação da Biodiversidade da Fundação Para Conservação da Biodiversidade, uma das maiores organizações nacionais de apoio à conservação da diversidade biológica.
Segundo a fonte, “é preciso conciliar desenvolvimento e conservação, assim, o que penso e é importante é que se façam estudos apropriados, para ver os impactos, e com base nisso, tomar-se decisões estratégicas que esteja ao serviço do povo moçambicano”
Samir Magane do Biofund foi entrevista no contexto da apresentação de resultados do programa de conservação da biodiversidade. Um dos maiores marcos do programa foi a realização de censo dos elefantes.
“Conseguimos reforçar a capacidade e o desempenho de algumas áreas de conservação, mas temos consciência que o trabalho não está terminado.” Concluiu
O programa financiado pela Suécia tinha duração prevista para cinco anos, mas foi encurtado para três, no âmbito do encerramento da cooperação bilateral para o desenvolvimento do país nordico.
“A Suécia vai continuar em Moçambique, a embaixada vai permanecer e alguns programas de igual modo vão permanecer, mas de forma reduzida. Por exemplo, os programas de apoio humanitário à província de Cabo Delgado, vitimas de terrorismo e deslocados; cooperação no sector de energia, mas tambem na pesquisa com a Universidade Eduardo Mandelano. Estamos em processo de transição da nossa cooperação com Moçambique, mas vamos continuar em Moçambique efetivamente”, explicou Héric Manuel da Embaixada da Suécia.
Este não é o primeiro programa da Biofund que encerra. Na próxima terça-feira feira está marcado o fim, na Cidade da Beira, do Programa para Liderança para a Conservação de Moçambique, que ofereceu pouco mais de 350 estágios ligados à conservação da natureza
O comandante distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Chinde, na província da Zambézia, está detido desde quarta-feira, no distrito de Mocuba, por ordem do Ministério Público, por razões que ainda não foram oficialmente divulgadas.
Contrariamente à informação veiculada pelo “O País”, o comandante distrital de Mocuba não se encontra detido e nem foi alvo de nenhum processo judicial nem por parte da PRM. Quem efectivamente está detido é o comandante de Chinde, disse a Polícia em declarações à imprensa.
Pelos transtornos causados ao comandante distrital de Mocuba, “O País” apresenta as suas mais sinceras desculpas.
Relativamente à detenção do comandante distrital da PRM em Chinde, cuja informação foi confirmada, nesta quinta-feira, pelas autoridades policiais da província, decorrem investigações para determinar o eventual grau de envolvimento do oficial no caso.
Segundo a PRM, foi constituída uma equipa de inquérito que se deslocou ao local para apurar as circunstâncias da detenção e a veracidade dos factos em investigação.
“Nós confirmamos a detenção do membro da República de Moçambique, no distrito de Mocuba. Ainda estamos a trabalhar para aferir o grau de envolvimento deste”, explicou uma fonte policial.
As autoridades confirmam igualmente que, além do comandante, foram detidos outros dois indivíduos, de nacionalidade chinesa e portuguesa.
A Polícia esclarece que o processo está sob gestão da Procuradoria e, por se tratar de matéria de carácter sigiloso, não pode avançar mais informações sobre o caso.
Entretanto, informações ainda não confirmadas oficialmente apontam que o comandante estará a ser investigado por suspeitas de exploração ilegal de recursos minerais, furto agravado e associação criminosa.
As autoridades não revelaram, até ao momento, a identidade dos outros dois detidos, nem os detalhes das acusações que pesam sobre os envolvidos.
Mais de um milhão de doses de vacina contra a febre aftosa chegam a Moçambique nos próximos 12 a 18 meses para reforçar a protecção do efectivo bovino, anunciou o director nacional-adjunto de Sanidade e Biossegurança.
“Temos já acordos de mais um milhão de doses que vão ser entregues de forma faseada”, disse Abel Chilundo, citado pela Lusa.
O responsável adiantou que o reforço permitirá assegurar as necessidades de vacinação animal durante mais de um ano, principalmente nas províncias de Manica e Tete, no centro de Moçambique.
Apesar do reforço previsto, Chilundo garantiu que o país dispõe atualmente de vacinas suficientes para manter a campanha de imunização, graças também à recepção, há cerca de duas semanas, de 300 mil doses.
“Neste momento, podemos garantir que temos quantidade de vacinas suficiente”, disse o responsável, acrescentando que as províncias de Gaza e Maputo, sul do país, já apresentam uma “larga margem” de cobertura, sobretudo nas zonas consideradas prioritárias.
Segundo o responsável, a disponibilidade de vacinas será reforçada através da compra de novas doses nos próximos 12 a 18 meses, cuja entrega decorrerá de forma faseada devido às limitações de produção do fabricante.
A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afecta animais de casco fendido e pode provocar perdas económicas, redução da produtividade pecuária e restrições ao comércio de animais e produtos de origem animal.
Em Abril, o Governo lançou uma campanha nacional de vacinação com previsão de abranger cerca de 2,4 milhões de bovinos contra a febre aftosa, além de outras doenças, para reduzir os riscos para a produção pecuária e a segurança alimentar.
Já em Junho, o executivo prolongou a campanha até Julho devido a constrangimentos logísticos relacionados com a chegada faseada das vacinas. Na altura, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, anunciou também a intenção de reforçar a produção nacional de vacinas.
A necessidade de reforçar a vacinação surge depois de Moçambique ter registado 542 focos de doenças animais em 2025, mais 63% do que no ano anterior, que provocaram a morte de cerca de 25 mil bovinos, segundo dados oficiais divulgados em Abril.
A Administração Nacional de Estradas (ANE) reconhece a degradação de alguns troços da Estrada Nacional Número Um (EN1), atribuindo o surgimento precoce de buracos à presença de água no pavimento e à ocupação desordenada da área de protecção parcial da via.
Segundo a ANE, estão a ser identificadas, em coordenação com o município, as infra-estruturas que poderão ser afectadas pelo projecto de reabilitação e ampliação da estrada. O levantamento deverá ser seguido pela análise das indemnizações às famílias e proprietários abrangidos.
A instituição afirma que os ocupantes já tinham conhecimento, há bastante tempo, de que as suas infra-estruturas se encontram dentro da área de reserva da estrada.
A ANE explica que o levantamento das construções existentes na área de protecção tem sido realizado de forma contínua e que, no troço em causa, o trabalho já havia sido efectuado anteriormente.
Entretanto, a autoridade rodoviária admite que algumas infra-estruturas terão de ser demolidas para permitir a execução das obras de reabilitação e ampliação da EN1.
Água na origem dos buracos
Sobre a rápida degradação do pavimento, depois de uma intervenção de emergência realizada recentemente, a ANE esclarece que as reparações têm como objectivo garantir condições mínimas de transitabilidade até ao início do projecto de reabilitação definitiva.
A instituição aponta a água como uma das principais causas do surgimento dos buracos. Segundo a ANE, as bacias de retenção existentes nas zonas urbanas continuam a transbordar e a descarregar água sobre a EN1, situação agravada pela circulação de veículos, sobretudo pesados.
A autoridade rodoviária está a trabalhar com o município para encontrar soluções que permitam encaminhar as águas através de canais próprios e evitar que atravessem a estrada.
A ANE reconhece que, enquanto persistir o problema da drenagem, será necessário recorrer a intervenções de emergência para manter a estrada transitável.
A instituição garante, contudo, que os buracos que voltaram a surgir serão tapados pelo empreiteiro responsável pela intervenção. A reparação será feita sem custos adicionais para o Estado, uma vez que está abrangida pelo contrato em vigor.
“Não haverá nem mais um valor adicional para o tapamento dos buracos”, assegurou a ANE, acrescentando que as intervenções fazem parte das obrigações previstas no contrato.
A autoridade rodoviária sublinha que o objectivo é evitar a repetição das mesmas intervenções, defendendo que a solução definitiva passa pela melhoria do sistema de drenagem e pela implementação do projecto de reabilitação da EN1.
Está detido o comandante distrital da PRM de Chinde no distrito de Mocuba, junto de dois cidadãos estrangeiros, um Chinês e outro português. No entanto a PRM na Zambézia apenas confirma a avançar detalhes dos motivos da tal detenção.
A confirmação foi avançada, esta quinta-feira, em conferência de imprensa, pela porta-voz do Comando Provincial da PRM na Zambézia, Belarmina Henriques, que, no entanto, não revelou os detalhes sobre as circunstâncias que levaram à detenção do comandante, nem especificou os factos que pesam sobre o agente.
A porta-voz avançou, contudo, que, em conexão com o caso, estão igualmente envolvidos dois cidadãos de nacionalidade estrangeira, nomeadamente um português e um cidadão chinês.
Segundo a PRM, neste momento decorrem diligências junto da Procuradoria da República, com vista à legalização da detenção e ao cumprimento dos trâmites legais aplicáveis ao caso.
As autoridades policiais dizem que o processo está em curso, não tendo sido, até ao momento, avançados outros detalhes sobre a natureza da ocorrência ou as acusações que pesam sobre os envolvidos.
Moçambique e Índia destacam as excelentes relações de amizade, solidariedade e cooperação existentes entre os dois países. Para o efeito, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação realizou a terceira sessão de Consultas Políticas entre Moçambique e a Índia.
A delegação moçambicana foi chefiada por José Matsinha, director da Direcção para Ásia e Oceânia, e delegação indiana, pelo Janesh Kain, secretário-adjunto (Joint Secretary) para África Austral no Ministério das Relações Exteriores da Índia.
Durante a sessão das Consultas Políticas, os representantes das duas delegações trocaram informações sobre a situação política, de segurança e socioeconómica nos respectivos países e discutiram mecanismos conducentes ao reforço das relações de amizade e de cooperação e de parceria estratégica bilateral e questões multilaterais de interesse mútuo.
As duas partes acordaram continuar a trabalhar em conjunto para o reforço da cooperação entre os dois países, tendo identificado as áreas político-diplomático, defesa, combate ao terrorismo, segurança marítima, segurança pública, educação, energia, mineração, agricultura, saúde, comunicação e transformação digital, transportes logística, indústria farmacêutica, indústria têxtil, comércio e investimento.
Os dois países acordaram ainda a realização, em Nova Deli, da VI Sessão das Consultas Políticas de Cooperação Bilateral, numa data a ser acordada.
A epidemia do vírus Ébola na República Democrática do Congo (RD Congo) ultrapassou os 5 mil casos, anunciaram ontem as autoridades congolesas, e as equipas de resposta alertam que a doença se está a propagar a uma velocidade sem precedentes.
Segundo os mais recentes dados do Ministério da Saúde da RD Congo, a epidemia registou, até ao momento, 5021 casos, incluindo 2378 mortes.
As equipas de resposta alertam que a doença se está a propagar a uma velocidade sem precedentes, ultrapassando os esforços para a conter nas regiões mais remotas do país.
A rápida propagação da doença é alimentada pela insegurança, pelas deslocações forçadas e pelos intensos movimentos populacionais.
A atual epidemia de Ébola infectou e matou mais pessoas a um ritmo mais acelerado do que qualquer outro surto na história.
Desde o primeiro caso detectado, tem-se propagado cerca de três vezes mais rapidamente do que o surto que assolou a África Ocidental entre 2014 e 2016, que foi o surto de Ébola mais mortífero de que há registo, com mais de 11 mil mortes.
O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou na terça-feira que a epidemia do vírus Ébola na RD Congo está “longe de estar controlada” e avisou que há um elevado risco de propagação internacional.
“Há três meses, declarei que a epidemia da doença pelo vírus Bundibugyo na RD Congo constituía uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Desde então, a epidemia espalhou-se rapidamente e o risco de uma propagação nacional e internacional maior continua elevado”, avisou Tedros Adhanom Ghebreyesus, na abertura de uma reunião do comité de emergência sobre o Ébola.
Segundo recentes informações da OMS, o vírus do Ébola começou a circular no leste da RD Congo em Fevereiro, embora uma investigação publicada na revista “Science”, no fim de Julho, tenha sugerido que as primeiras infecções teriam ocorrido ainda antes, pelo menos em Janeiro.
Após a declaração do surto em Ituri, o vírus propagou-se a várias regiões, atingindo o estado de epidemia na RD Congo e atingiu a vizinha Uganda, país que se declarou “livre do Ébola” a 28 de Julho, após registar 20 casos confirmados, incluindo 15 casos considerados importados do país vizinho, entre os quais se contaram duas mortes.
A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a OMS.
O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
Pelo menos 100 pessoas morreram num deslizamento de terra ocorrido numa mina artesanal de ouro no oeste da República Centro-Africana, na localidade de Zamboye, relataram as autoridades locais e testemunhas.
“O jazigo é uma exploração mineira artesanal onde as operações não se realizam de acordo com a regulamentação (…) Por agora, contabilizamos pelo menos 100 mortos, mas este não é o número final e faremos uma atualização no final do dia”, disse à agência espanhola EFE Souleymane Bi, vice-presidente da câmara de Zamboye.
Os factos ocorreram na terça-feira na subprefeitura de Nana-Mambere, na região de Abba, perto da fronteira com os Camarões, país vizinho.
Bi afirmou que o deslizamento era “previsível” porque os mineiros artesanais “cavam poços profundos para extrair ouro”, lamentando que “os jovens que morrem sob os escombros não tenham outra opção senão assumir este risco”.
Imagens difundidas nas redes sociais e pelos meios de comunicação locais, que a EFE não pôde verificar, mostram o momento em que o desmoronamento da terra enterra o que parecem ser centenas de pessoas, perante o olhar de outros tantos que observam sem poder fazer nada.
“É horrível e fazemos um apelo ao Governo e aos seus parceiros, a todas as pessoas de boa vontade e às organizações para que ajudem a resgatar aqueles que estão presos no poço”, acrescentou o vice-presidente da câmara.
Um número indeterminado de feridos foi transportado para Bouar, a capital da subprefeitura, acrescentou.
Alguns mineiros também confirmaram os factos, relatando detalhes do que ocorreu, em declarações à EFE.
“Já estávamos a trabalhar na nossa secção quando nos surpreendeu o ruído de um deslizamento de terra e os gritos de socorro. Ficámos profundamente tristes por termos perdido os nossos colegas sob a massa de terra que desmoronou”, relatou à Wilfried Ngoloyangue.
Outro mineiro, Florian Gaguende, disse que “muitas pessoas continuam desaparecidas” e que as possibilidades de as resgatar “são cada vez menores”.
“A população está em choque e as operações de resgate são limitadas e carecem dos recursos necessários. Apenas pequenos artesãos estão a fazer o que podem, mas não é suficiente”, afirmou Gaguende.
O porta-voz do Executivo da República Centro-Africana, Évariste Ngamana, lamentou o ocorrido e garantiu que “o Governo trabalha incansavelmente para oferecer ajuda e assistência às vítimas e partilha a dor das famílias afetadas por esta tragédia”, pedindo também “solidariedade”.
Este deslizamento de terra ocorreu em meio a um ‘boom’ aurífero na região, que atrai um número crescente de jovens.
Todos os anos, mineiros perdem a vida devido a deslizamentos de terra ou à contaminação da água causada pelos produtos químicos usados na extração de ouro, e aumentam as vozes que exigem ao Governo a aplicação de regulamentos mais rigorosos.
A parte ocidental da República Centro-Africana é rica em importantes jazidas de ouro.
De acordo com o código mineiro, o Governo concede permissões de exploração a cooperativas mineiras. Estas minas operam com métodos artesanais e, em alguns casos, associam-se a empresas chinesas para mineração semi-mecanizada ou industrial.