O Anamola dá 10 dias ao Presidente da República para fazer um pronunciamento público a repudiar as perseguições, agressões e assassinatos a membros do partido, que diz serem motivados por questões políticas. O partido submeteu uma carta a Daniel Chapo.
Não é a primeira vez que o Anamola se queixa de perseguição, violência física e psicológica contra seus membros, que é, segundo o partido, protagonizada por agentes da Polícia e indivíduos não identificados.
Para colocar um ponto final na onda de assassinatos, ao que a formação política considera fruto de intolerância política, o partido de Venâncio Mondlane submeteu, nesta terça-feira, uma carta dirigida ao Presidente da República, com intenções bem definidas.
“Exigimos que ninguém nos mate, só porque estamos a exercer os nossos direitos, ninguém nos mate. Que o Presidente da República declare publicamente tolerância zero à violência política e assuma um compromisso inequívoco com o fim do derramamento do sangue por razões políticas em Moçambique. Que condene todos os atos de violência política, independentemente de quem sejam as vítimas ou os alegados responsáveis, reafirmando que nenhuma divergência política justifica a agressão, a perseguição ou morte de um cidadão; Que condene expressamente o uso desproporcionado da força contra cidadãos, com particular atenção às situações onde envolvem crianças, jornalistas, pessoas com deficiência; Que instrua as instituições competentes a investigar de forma imparcial, célere e transparente todos os casos de violência política, denunciados e outros conexos, garantindo que nenhuma situação seja ignorada por razões partidárias ou institucionais”, declarou James Njiji.
De acordo com o documento, Daniel Chapo tem até ao dia 30 de Outubro para demonstrar o seu interesse em combater a violência política.
“Solicitamos que essas declarações públicas sejam feitas no prazo de 10 dias, contados a partir da recepção da comunicação formal dirigida ao chefe do Estado. Esperamos que a resposta presidencial não se limite a palavras circunstanciais, mas representa um compromisso efectivo com a prevenção da violência política, a protecção dos cidadãos, a investigação dos casos denunciados e a responsabilização dos eventuais actores”, acrescentou.
ANAMOLA INOCENTA VENÂNCIO MONDLANE
É que o Anamola diz já terem sido mortos pelo menos 65 membros, cujos autores dos assassinatos continuam desconhecidos. Em relação ao julgamento de Venâncio Mondlane, marcado para 17 de Novembro, o secretário-geral diz que o seu líder é inocente e tal será provado.
“Nós sabemos que o presidente Venâncio será absolvido neste processo e nunca pensamos em nenhum momento em vê-lo fora de ser tão político. Tudo o que nós fazemos, todos os passos que nós tomamos, é na base daquilo que os estatutos internos dizem e é assim que faremos, seja qual for a decisao”.
Recorde-se que o Tribunal Supremo rejeitou o pedido da defesa de Mondlane, para a transmissão em directo da audiência, permitindo apenas a presença de cidadãos na sala, acompanhamento e registo escrito pela comunicação social.
Os Estados Unidos da América elevaram o nível de alerta de viagem para o Quénia, de dois para três, recomendando aos cidadãos norte-americanos que reconsiderem deslocações àquele país da África Oriental, devido aos riscos associados ao surto de Ébola e à situação de segurança. A actualização, divulgada a 19 de Outubro, aponta igualmente para ameaças relacionadas com a criminalidade, raptos, terrorismo, agitação civil e segurança rodoviária.
Washington mantém o alerta de nível quatro, o mais elevado, para determinadas zonas, incluindo os bairros de Eastleigh e Kibera, na capital, Nairobi, bem como áreas de vários condados, para as quais desaconselha todas as viagens.
Entretanto, as autoridades sanitárias quenianas anunciaram que o número de casos de Ébola no país subiu para oito, depois de uma pessoa que se encontrava em quarentena ter testado positivo. O paciente foi identificado como um acompanhante de doentes, de 49 anos, que prestou cuidados ao primeiro caso confirmado no país.
Segundo o director-geral do Ministério da Saúde do Quénia, Patrick Amoth, os indivíduos em quarentena estão a ser submetidos a testes sempre que apresentam sintomas. O responsável acrescentou que seis dos outros pacientes se encontravam estáveis, após receberem tratamento de suporte.
As autoridades identificaram cerca de 130 pessoas que tiveram contacto com o primeiro paciente, incluindo profissionais de saúde. Deste grupo, 128 permaneciam em quarentena, na sequência da morte do primeiro caso, registada a 5 de Outubro.
O primeiro paciente era um cidadão queniano de 40 anos que viajou da República Democrática do Congo, passando pelo Uganda, antes de chegar ao Quénia, a 3 de Outubro. Dois dias depois, morreu num hospital de Nairobi.
O Ébola é uma doença altamente contagiosa, transmitida através do contacto directo com o sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas, bem como com materiais e superfícies contaminados.
Apesar do aumento do número de casos, as autoridades sanitárias quenianas afirmam não existirem evidências de transmissão comunitária alargada e garantem que estão em curso medidas de contenção. O Ministério da Saúde considera que o risco para a população em geral permanece baixo.
O alerta norte-americano surge num momento em que o Quénia procura reforçar a vigilância sanitária e tranquilizar a população e os visitantes internacionais quanto à evolução do surto e às condições de segurança no país.
Um tribunal de Mombasa divulgará na segunda-feira um veredicto há muito aguardado no julgamento de um autoproclamado pregador queniano e seus associados, acusados de assassinar 191 pessoas, a maioria crianças, em um infame culto da fome. Centenas de corpos foram descobertos desde 2023 na base da seita, localizada no interior do país, próximo ao balneário queniano de Malindi, no que ficou conhecido como o “Massacre da Floresta de Shakahola”.
O autoproclamado pastor Paul Mackenzie é acusado de incitar seus seguidores a morrerem de fome para “encontrarem Jesus”. Mackenzie e seus associados se declararam inocentes de 191 acusações de assassinato em 2024. Ele também negou acusações de homicídio culposo e terrorismo em casos separados. Nos três anos que se seguiram à descoberta macabra, mais corpos de crianças, mulheres e homens foram desenterrados, elevando o total para mais de 400.
Mackenzie parecia impassível ao chegar ao Tribunal de Justiça de Mombasa nesta segunda-feira, acompanhado por outros 29 acusados, que desceram de um autocarro com janelas gradeadas, algemados aos pares. Familiares das vítimas também estavam presentes no tribunal, muitos deles vindos de comunidades rurais ao longo da costa, a caminho de Mombasa. Francis Wanje, de 62 anos, perdeu oito membros da família, incluindo sua filha e dois netos, em Shakahola. “Este dia é muito, muito importante para mim”, disse ele à AFP antes do início da sessão. “Esperamos uma decisão que sirva de lição para toda a população, para que esse tipo de coisa não volte a acontecer”, disse ele, expressando indignação com a inação inicial do governo.
No Quénia, surgiram apelos por regulamentações mais rígidas para organizações religiosas depois que veio à tona que Mackenzie já havia sido preso duas vezes, mas libertado. A acusação alega que Mackenzie “iniciou e dirigiu” jejuns extremos em seu rancho de 325 hectares na Floresta de Shakahola, afirmando que havia uma “hierarquia estruturada da morte” que determinava que as crianças deveriam morrer primeiro, seguidas pelos adolescentes, mulheres e, por último, os homens. As crianças morreram principalmente à fome, mas também de “asfixia, compressão do pescoço e traumatismo craniano”, disseram os promotores, com base em autópsias e relatórios policiais. Os advogados de Mackenzie disseram que o caso foi “em grande parte baseado em provas circunstanciais, relatos de terceiros e conclusões forenses inconclusivas”.
Mackenzie foi preso em Abril de 2023, depois que um grupo de direitos humanos alertou as autoridades e alguns seguidores foram resgatados. A operação policial subsequente expôs centenas de valas comuns rasas, com um número crescente de mortos, o que exigiu uma pausa nas escavações, pois os necrotérios locais ficaram sem espaço. A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quénia afirmou em 2024 que o número de mortos era de 429. Algumas vítimas ainda não foram identificadas. Em Janeiro, Mackenzie foi acusado em relação a outros 52 corpos encontrados em uma aldeia próxima. O autoproclamado pastor tem um histórico de extremismo e fugiu da justiça durante anos.
Ele fundou a Igreja Internacional Boas Novas em 2003 e estabeleceu filiais em Nairóbi e ao longo da costa do Quénia, que atraíram milhares de devotos, embora ele tenha afirmado que ela fechou em 2019. Ele foi preso em 2017 sob a acusação de “radicalização”, mas foi absolvido. Foi preso novamente em 2019 em relação à morte de duas crianças em Shakahola, mas libertado sob fiança.
O antigo Presidente sul-africano Thabo Mbeki negou ter ordenado aos procuradores que arquivassem processos relacionados com crimes da era do “apartheid”, ou celebrado acordos secretos para proteger antigos agentes de segurança da justiça. Ele afirmou que as alegações são uma invenção total.
“É uma invenção total. Nada disso aconteceu”, afirmou Mbeki perante uma comissão de inquérito judicial em Joanesburgo que analisa as alegações de que a interferência política na África do Sul democrática impediu as investigações e os processos judiciais relativos a crimes cometidos sob o regime da minoria branca.
Mbeki, que sucedeu a Nelson Mandela em 1999 e exerceu o cargo até 2008, afirmou numa declaração escrita que a Autoridade Nacional de Acusação (NPA) deve explicar por que razão não deu seguimento aos processos remetidos pela Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC).
O seu testemunho surge no contexto de esforços renovados para resolver crimes da era do ‘apartheid’ que permaneceram sem julgamento durante décadas.
Antes da sua comparência, a Fundação para os Direitos Humanos e 25 famílias de vítimas e sobreviventes exigiram uma explicação e um pedido de desculpas.
“Após tantos anos de espera e obscuridade, as famílias aguardam ansiosamente uma explicação sincera sobre o motivo pelo qual lhes foi negada justiça”, afirmou o diretor executivo da fundação, Zaid Kimmie, num comunicado.
O Congresso Nacional Africano (ANC) esteve na vanguarda da luta contra o sistema de domínio da minoria branca e conduziu a África do Sul à democracia quando o ‘apartheid’ chegou ao fim em 1994.
No entanto, os governos liderados pelo ANC desde então têm sido alvo de críticas por parte de alguns por darem prioridade à reconciliação nacional em detrimento da justiça para as vítimas.
O Presidente Cyril Ramaphosa ordenou a abertura do inquérito em Abril passado, depois de sobreviventes e famílias das vítimas terem processado sucessivos governos por não terem investigado homicídios, desaparecimentos e outros crimes não resolvidos.
A comissão da verdade, presidida pelo arcebispo Desmond Tutu desde 1996, ofereceu amnistia aos autores dos crimes em troca da revelação completa de crimes de motivação política.
Aqueles a quem foi negada a amnistia – ou que não a solicitaram – continuaram sujeitos a processo judicial, mas muitas famílias das vítimas esperaram décadas por justiça.
A comissão da verdade recebeu cerca de 7.000 pedidos de amnistia.
Em Novembro de 2000, cerca de 850 tinham sido concedidos e cerca de 5.400 recusados, de acordo com um balanço provisório publicado pelo ministério da Justiça, tendo outros pedidos sido parcialmente concedidos, retirados ou ainda em processo de análise.
A comissão da verdade remeteu cerca de 300 casos para investigação adicional e eventual acusação, de acordo com uma análise encomendada pela NPA, mas apenas um pequeno número de casos resultou em processos judiciais bem-sucedidos. Muitos dos casos remetidos ficaram paralisados devido a alegações de interferência política.
As acusações contra Mbeki incluem conversações secretas com antigos generais do exército para garantir um acordo clandestino com vista a evitar a instauração de processos judiciais.
A Bastonária da Ordem dos Advogados diz que nenhum advogado deve ser ameaçado ou intimidado no exercício da profissão. Thera Dai falava hoje, em Maputo, após uma marcha alusiva ao assassinato de Elvino Dias, advogado e entao assessor juridico de Venancio Mondlane.
Passam-se dois anos que Elvino Dias, Advogado e então assessor jurídico de Venâncio Mondlane, foi barbaramente assassinado em circunstâncias até aqui desconhecidas.
Para marcar a data e exigir respostas às autoridades de justiça, a Ordem dos Advogados de Moçambique organizou uma marcha na cidade de Maputo, que culminou na avenida Joaquim Chissano, exactamente no local onde Elvino Dias deu o último suspiro.
“Nós não temos essa informação, por exemplo, de onde é que estão. Tivemos alguma sensação, não deixou de ser sensação, de que algumas pessoas tivessem sido detidas. Não sabemos quem são, onde é que estão, o que é que fazem e não sabemos qual é neste momento o avanço da investigação criminal para este caso. Isto preocupa-nos, mas não nos tira a esperança. E nós vamos continuar a pressionar o Ministério Público, vamos continuar a pressionar o sistema da administração da Justiça, não sei o que, até o Presidente da República, porque ele é advogado. Vamos continuar a pressionar a ele para que ele nos ajude a esclarecer este caso”, disse, após a passeata, Nelson Cossa, Advogado e Presidente da Comissão da Defesa e Reforço das Prerrogativas dos Advogados, a nível da OAM.
Cossa diz que a falta de esclarecimento sobre o assassinato de Dias transmite aos advogados o sentimento de inseguranca.
O 19 de Outubro foi instituído como o dia de reflexão sobre as prerrogativas dos advogados, por isso, a ordem reuniu advogados para dizer que seus direitos são inegociáveis.
A bastonária da ordem, Thera Dai foi quem orientou a abertura da mesa redonda. Teceu duras críticas à intimidação de advogados.
“Ao prestarmos esta homenagem, reafirmamos que nenhum advogado deve ser intimidado, ameaçado ou colocado em risco pelo exercício legítimo da sua profissão. A memória do nosso colega deve traduzir-se num compromisso permanente com a defesa da dignidade da advocacia e com a exigência de esclarecimento e responsabilização pelos actos que atentem contra a vida, a liberdade e a segurança dos profissionais da Justiça”.
Dai destacou, com respeito, o trabalho da antiga equipa gestora da organização, no que concerne a defesa das prerrogativas, mas mostrou preocupação.
“Apesar das conquistas alcançadas, continuamos a confrontar-nos com obstáculos ao exercício pleno das prerrogativas que se manifestam de diferentes formas e com particularidades próprias nas várias províncias do país. Persistem preocupações relacionadas com o acesso aos constituintes detidos, à consulta de processos, às condições de atendimento nos órgãos de administração da Justiça, o relacionamento institucional entre os diferentes operadores e a necessidade de maior respeito pela independência da advocacia. Estas situações exigem respostas que ultrapassam a intervenção pontual perante cada ocorrência”, disse a Bastonária.
Só nos últimos três anos, 35 casos de violação de direitos e garantias dos advogados foram comprovados. Os números tiram sono a classe.
“A defesa das prerrogativas não pode continuar a depender da capacidade individual de cada advogado de fazer valer os seus direitos que a lei o reconhece. Hoje, particularmente, não acho de bom tom dizer que estamos livres quando nós estamos aqui a celebrar esta data que é fruto daquilo que aconteceu com o nosso colega e nós não temos neste momento, até agora, qualquer resposta. Então a minha resposta não seria sim nem não, mas neste momento, tendo em conta a data e a reflexão que estamos a fazer agora, nós entendemos que existe algum tipo de ocultação de alguns factos”, desabafou a advogada Judite Ngula.
Entre os desafios constam a dificuldade no acesso aos constituintes, detenções ilegais, agressão física e assassinatos aos advogados.
A artista visual Patrícia Costa inaugura, na quarta-feira, 21 de Outubro, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, a exposição O Sol da Meia-Noite, um projecto artístico que parte da fotografia documental para reflectir sobre a luz, a esperança e a capacidade humana de resistir às adversidades.
A exposição reúne imagens produzidas ao longo de mais de duas décadas de contacto da artista com comunidades marcadas pela pobreza, conflitos e desigualdades, no âmbito do seu percurso profissional nas áreas do desenvolvimento comunitário e da comunicação para o desenvolvimento. Inicialmente utilizadas como instrumentos de documentação e memória, estas fotografias dão agora origem a uma investigação visual sobre a forma como observamos e interpretamos a realidade.
Em O Sol da Meia-Noite, a fotografia documental cruza-se com a colagem contemporânea, a folha de ouro, os padrões inspirados em África e na Índia e outros elementos simbólicos. Através desta combinação, Patrícia Costa procura revelar dimensões de esperança, força e humanidade que coexistem com situações de vulnerabilidade, sem ocultar as feridas ou suavizar as dificuldades retratadas.
A folha de ouro assume particular importância no conceito da exposição, surgindo como metáfora de transformação. Inspirada na tradição japonesa do kintsugi, que valoriza as fracturas em vez de as esconder, a artista propõe um olhar que reconhece as marcas da experiência como parte integrante das histórias individuais e colectivas.
Nascida em Portugal, Patrícia Costa cresceu entre diferentes países e culturas, incluindo Moçambique, Brasil, Reino Unido, África do Sul e Angola. É formada em Psicologia pela Brunel University, em Londres, e mestre em Development Management pela London School of Economics. Ao longo de mais de vinte anos, trabalhou com organizações nacionais e internacionais em áreas como saúde, educação, conservação, género e desenvolvimento comunitário.
Actualmente a viver e trabalhar em Maputo, a artista desenvolve uma prática que articula fotografia, percepção e construção de significado.
Com O Sol da Meia-Noite, Patrícia Costa convida o público a desacelerar o olhar e a questionar as narrativas construídas em torno da realidade, reconhecendo a coexistência entre luz e escuridão, dor e esperança, fragilidade e resistência.
O Governo de Moçambique foi distinguido com o Prémio Internacional de Género 2026, atribuído pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), em reconhecimento dos resultados alcançados na promoção da igualdade de género e do empoderamento económico das mulheres rurais, através do Programa de Desenvolvimento Inclusivo de Cadeias de Valor Agro-Alimentares (PROCAVA).
A distinção, atribuída na categoria regional da África Oriental e Austral, foi entregue durante uma cerimónia realizada no dia 15 de Outubro de 2026, em Roma, Itália, por ocasião do Dia Internacional da Mulher Rural, no contexto das celebrações do Ano Internacional da Mulher Agricultora.
O Governo de Moçambique esteve representado na cerimónia pela Directora-Geral do Fundo de Fomento Agrário e Extensão Rural, Fundo Público (FAR, FP), Lúcia Luciano, acompanhada pela Especialista de Género do PROCAVA, num momento que assinalou o reconhecimento internacional dos esforços desenvolvidos pelo país na promoção de um sector agrário mais inclusivo, sustentável e sensível às questões de género.
Moçambique figura entre os cinco países distinguidos a nível mundial nesta edição, juntamente com o Paquistão, México, Síria e Burkina Faso, cujos projectos foram reconhecidos pelas abordagens inovadoras e pelos resultados alcançados na promoção da igualdade de género e do empoderamento das mulheres rurais.
PROCAVA impulsiona o empoderamento económico das mulheres rurais
Implementado pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), com apoio financeiro do FIDA, o PROCAVA tem contribuído para a transformação do sector agrário moçambicano, através do fortalecimento das cadeias de valor agro-alimentares, melhoria da produtividade, promoção do acesso aos mercados e criação de oportunidades económicas para as famílias rurais.
De acordo com os dados divulgados pelo FIDA, o Programa já alcançou mais de 167 mil agregados familiares, correspondentes a cerca de um milhão de pessoas, sendo que as mulheres representam 55% dos participantes.
Entre os resultados que contribuíram para esta distinção, destaca-se a implementação da metodologia Gender Action Learning System (GALS), uma abordagem participativa que promove a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, incentivando a tomada conjunta de decisões, a gestão partilhada dos recursos familiares e a participação activa das mulheres nos processos de desenvolvimento económico e comunitário.
Através desta metodologia, mais de 29 mil pequenos produtores beneficiaram de formação, contribuindo para o reforço da participação feminina nas organizações de produtores, nas quais as mulheres ocupam actualmente 42% dos cargos de liderança.
O PROCAVA tem igualmente promovido o acesso das mulheres a tecnologias agrícolas, equipamentos de mecanização e infraestruturas produtivas, contribuindo para a redução do esforço físico, melhoria das condições de trabalho e aumento da produtividade.
No domínio da inclusão económica, mais de 136 mil produtores rurais tiveram acesso a insumos e pacotes tecnológicos, enquanto cerca de 32 mil pessoas beneficiaram de novas oportunidades de emprego.
Os países em desenvolvimento precisam de reforçar a conectividade digital e controlar o endividamento para beneficiarem dos avanços tecnológicos e protegerem as populações mais vulneráveis. A recomendação foi destacada durante as reuniões anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), realizadas em Banguecoque.
De acordo com o mais recente relatório Perspectivas da Economia Mundial, publicado pelo FMI na terça-feira, o crescimento económico global situa-se em 3,1%, enquanto a inflação mundial atingiu 4,7%.
O documento aponta para um cenário económico marcado por desafios geopolíticos, pelo aumento dos custos da energia e pela intensificação dos fenómenos climáticos extremos, que afectam particularmente as economias em desenvolvimento e vulneráveis às alterações climáticas.
Apesar do crescimento impulsionado pelo desenvolvimento da inteligência artificial e da indústria tecnológica em algumas economias, vários países continuam à margem destes benefícios, devido à limitada conectividade digital e à falta de capacidade para acompanhar a transformação tecnológica.
Durante os encontros, os participantes alertaram ainda para a situação da dívida pública, com mais de 60% dos países de baixo rendimento em situação de sobreendividamento ou em risco de atingir esse nível.
Wayne Henry, presidente e director-geral do Instituto de Planeamento da Jamaica, afirmou que as tensões geopolíticas, com impacto nos preços do petróleo e da energia, estão a intensificar as pressões inflacionistas. O responsável destacou igualmente a vulnerabilidade de várias economias aos fenómenos climáticos extremos, com particular incidência na região das Caraíbas.
Henry considerou que, embora o crescimento associado à inteligência artificial esteja a beneficiar os países integrados nas respectivas cadeias de abastecimento, muitas economias em desenvolvimento continuam sem aproveitar plenamente estas oportunidades.
O responsável defendeu, por isso, a necessidade de maiores investimentos na conectividade digital, como forma de permitir que estes países acompanhem os avanços tecnológicos e reforcem a sua participação na economia mundial.
Entre as medidas apontadas para enfrentar os desafios económicos estão o controlo da dívida pública, a consolidação das contas do Estado e a protecção dos sistemas de apoio social, aliadas ao investimento em infra-estruturas digitais.
A combinação destas medidas é considerada fundamental para garantir maior estabilidade económica, proteger as populações vulneráveis e criar condições para que os países em desenvolvimento beneficiem das oportunidades da economia digital.
Depois de uma cirurgia ao pulmão e de ter tido alta ontem, o Papa Leão XIV rezou, este domingo, dia 18 de outubro, a oração do Angelus na Praça de São Pedro, no Vaticano. O Sumo Pontífice agradeceu aos médicos e enfermeiros e deixou também um agradecimento aos fiéis que rezaram por ele.
Papa Leão XIV rezou, este domingo, dia 18 de outubro, a oração do Angelus na Praça de São Pedro, no Vaticano, tendo aproveitado para agradecer aos fiéis as suas orações. O Sumo Pontífice, recorde-se, teve alta hospitalar ontem, sábado, depois de ter sido submetido a uma cirurgia a um pulmão na terça-feira.
“Gostaria de agradecer a todos aqueles que, nestes últimos dias, rezaram por mim. Senti mesmo o vosso apoio. Obrigado!“, disse, agradecendo também “aos médicos, aos enfermeiros e a todo o pessoal médico”.
Leão XIV salientou que “esta experiência” fê-lo “sentir de uma forma muito especial a proximidade com aqueles que enfrentam a doença e uma condição de enfermidade”.
“Depois de ultrapassada esta fase delicada, como sabem, vou retomar gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e das vossas orações. Mais uma vez, obrigado”, sublinhou.
De recordar que Leão XIV foi operado a um cancro no pulmão no Hospital Gemelli, em Roma, na passada terça-feira, dia 13 de outubro.
À saída da unidade hospitalar, o Sumo Pontífice cumprimentou vários pacientes e, em seguida, foi recebido do lado de fora por numerosos fiéis, bem como pela imprensa internacional.
No sábado, Leão XIV saiu sorridente cumprimentando quem o esperava. A certa altura chegou mesmo a falar com uma família, que lhe ofereceu um presente. A jovem que falou com o Papa aparenta, como notaram alguns meios de comunicação social, ter estado também internada.
Milhares de pessoas manifestaram-se em Paris e noutras cidades francesas contra o aumento do custo de vida e em apoio às reivindicações dos estudantes do ensino secundário. Os protestos ficaram marcados por confrontos com a polícia, actos de vandalismo, pilhagens e incêndios.
A jornada nacional de protesto, realizada no sábado, mobilizou centenas de milhares de pessoas em várias localidades do país. No entanto, em algumas zonas, as manifestações deram lugar a episódios de violência, com estabelecimentos comerciais vandalizados e saqueados.
Na manhã seguinte, várias áreas comerciais do centro de Paris apresentavam montras destruídas, vidros espalhados pelas ruas e barricadas improvisadas com contentores, bicicletas, vedações e mobiliário urbano.
Segundo informações divulgadas pela imprensa francesa, com base em fontes policiais, 855 manifestantes tinham sido detidos em Paris, enquanto o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, havia anunciado mais de 1.200 detenções em várias cidades do país. Pelo menos 150 polícias e agentes da Gendarmaria ficaram feridos.
Feridos e uma vítima mortal
Os confrontos provocaram feridos em várias cidades francesas. Em Paris, pelo menos cinco pessoas encontravam-se em estado crítico, enquanto outras 48 estavam em situação de urgência relativa. Também foram registados feridos em Lyon, Lille, Dijon e Rennes.
Em Saint-Étienne, um manifestante sofreu a amputação de uma mão após o lançamento de uma granada pelas forças policiais. O caso voltou a levantar preocupações, depois de um adolescente de 15 anos ter sofrido uma lesão semelhante no início de Outubro, na sequência do disparo de uma granada de atordoamento pela polícia, em Lens.
As autoridades registaram ainda uma vítima mortal em Paris. Segundo informações divulgadas pela imprensa francesa, um manifestante desmaiou na Boulevard Magenta e morreu antes de chegar ao hospital, apesar da assistência prestada. As circunstâncias da morte estavam a ser investigadas.
Confrontos e destruição em várias cidades
Na capital francesa, a polícia recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes encapuzados que lançavam petardos e outros objectos contra as forças de segurança, na Praça da República. Alguns participantes gritavam palavras de ordem a exigir a demissão do Presidente Emmanuel Macron.
Também em Marselha, Rennes, Toulouse e Angers foram registados actos de violência, incluindo tentativas de pilhagem, agressões a agentes policiais, incêndios em mobiliário urbano e ataques a instalações governamentais e órgãos de comunicação social.
Em Marselha, vários estabelecimentos comerciais e uma esquadra da polícia municipal sofreram danos. Manifestantes chegaram ainda a ocupar temporariamente o átrio da Câmara Municipal.
Os protestos incluíram apelos à retoma do movimento dos “coletes amarelos”, que surgiu em 2018 contra a injustiça social e o aumento do custo de vida.
Macron apela à calma
Na sexta-feira, o Presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu o direito constitucional à manifestação e à liberdade de expressão, mas apelou ao respeito pelas pessoas e pelo património público e privado.
Perante os episódios de violência, a polícia proibiu outras concentrações previstas para o centro de Paris e determinou o encerramento de várias estações de metro, incluindo nas imediações dos Campos Elísios, do Palácio do Eliseu, do Parlamento e de edifícios governamentais.
A mobilização ocorre num contexto de contestação social e de protestos estudantis em várias regiões do país, com as reivindicações relacionadas com o custo de vida a dominarem as manifestações.