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Centenas de pessoas tomaram as ruas da cidade sul-africana de Durban na quarta-feira em um novo protesto contra a imigração ilegal.

O grupo anti-imigrante March e March havia estabelecido a data 30 de setembro como um prazo não oficial para que imigrantes indocumentados deixassem o país. O movimento realizou manifestações em várias províncias.

A África do Sul enfrentou uma intensa campanha anti-imigração nos últimos meses, levando a episódios de violência contra cidadãos estrangeiros.

Vários imigrantes foram mortos, embora o número oficial de mortos permaneça contestado entre autoridades sul-africanas e estrangeiras.

Enquanto isso, mais de 200.000 pessoas fugiram do país, segundo uma contagem da AFP baseada em dados divulgados por governos africanos que repatriaram seus cidadãos.

Os organizadores dos protestos de quarta-feira também disseram que as marchas denunciaram a violência de gênero, após uma série de feminicídios chocar o país.

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Durante décadas, Anita procurou o filho que nunca chegou. Tentou hospitais, medicamentos, tratamentos tradicionais e carregou comentários que lhe chegaram até da própria família. Por outro lado, Telma esperou dez anos até conseguir ser mãe. As duas histórias expõem uma realidade que continua escondida dentro de muitas casas: quando um casal não consegue ter filhos, a sociedade ainda tende a procurar primeiro uma culpada. A mulher. A medicina, porém, mostra que a infertilidade também pode ter origem masculina e que o estigma, além de injusto, pode atrasar a procura de diagnóstico e tratamento.

No quintal de casa, Anita Chitsungo cultiva couves e alfaces. Prepara a terra, planta, rega e espera. Aos 57 anos, aprendeu a conhecer o tempo das coisas que crescem. Mas houve uma espera que atravessou grande parte da sua vida e nunca terminou como desejava. Anita queria ser mãe. Durante décadas imaginou uma criança dentro de casa, alguém a quem pudesse chamar filho, com quem pudesse conversar, dividir os problemas e deixar a própria história. Engravidou apenas uma vez, aos 31 anos. A alegria durou pouco. Segundo conta, os médicos explicaram-lhe que a gravidez representava um risco para a sua vida e acabou por ser interrompida antes de completar três meses. Dai, nunca mais engravidou.

O que se seguiu foi uma peregrinação conhecida por muitas mulheres que enfrentam dificuldades para ter filhos. Anita procurou hospitais, fez exames, tomou comprimidos e injecções. Sem encontrar a resposta que procurava, recorreu também à medicina tradicional e seguiu recomendações de pessoas que lhe diziam conhecer uma solução. “Eu já não sabia escolher”, recorda. Os exames, segundo relata, não indicavam uma doença que explicasse aquilo que estava a acontecer, mas cada resultado sem resposta significava voltar ao princípio. Até que se cansou. “Chegou uma altura em que disse: Deus é que sabe. Se quer acontecer, vai acontecer. Se não quer acontecer, vou fazer o quê?”

A decisão de parar de procurar respostas não fez desaparecer o desejo. Anita fala da maternidade como uma ausência que aprendeu a transportar. Houve momentos em que ver outra mulher com uma criança nos braços lhe provocava uma dor difícil de explicar. Não era apenas o filho que não tinha. Era também a ideia, construída à sua volta, de que uma mulher deveria necessariamente ser mãe. “Deus disse: nasçam, cresçam, reproduzam. Eu sou uma delas que não consegui. Então, isso dói.”

Mas talvez algumas das feridas mais profundas não tenham vindo da infertilidade. Vieram das pessoas. Anita lembra-se de uma relação amorosa que poderia ter terminado de outra maneira. O homem com quem se relacionava também não tinha filhos e, durante algum tempo, os dois imaginaram uma vida juntos. Até alguém lhe dizer que aquela mulher não lhe poderia dar descendência. Ele terminou a relação. “Disse que não ia perder o seu rico tempo”, recorda Anita. “Eu disse: obrigado. A frente é que é o caminho. Procura a pessoa que te vai dar frutos.”

As palavras ficaram. Noutra ocasião, uma prima disse-lhe que não tinha filhos porque teria medo de sustentá-los. Desta vez, Anita nem respondeu. “Agora é uma família que me diz isso. Os de fora que me dizem… Olhei para ela e não tive resposta. Mantive-me calada.”

É neste ponto que a história de Anita deixa de ser apenas sobre infertilidade e passa a ser também sobre o que acontece quando uma condição médica é transformada num julgamento sobre o valor de uma mulher.

O gineco-obstetra François Kissonboulle explica que a infertilidade é geralmente considerada quando um casal mantém relações sexuais regulares, sem contracepção, durante cerca de um ano, sem conseguir uma gravidez. E chama atenção para uma distinção importante: infertilidade não significa necessariamente impossibilidade definitiva de ter filhos. Há situações que podem ser investigadas e tratadas e outras em que condições anatómicas ou clínicas tornam impossível uma gravidez por vias naturais.

Mas existe outro erro que, segundo o médico, continua profundamente instalado em muitas comunidades: presumir que, quando não há filhos, o problema está na mulher. “Infelizmente, ainda continuamos a culpar a mulher”, afirma.

Kissonboulle explica que os factores masculinos representam uma parcela importante dos casos de infertilidade. Um homem pode ter ejaculação normal e, ainda assim, apresentar ausência, quantidade insuficiente, baixa mobilidade ou outras alterações dos espermatozóides capazes de dificultar a fecundação. “Não é porque eu ejaculo que significa que tenho espermatozóides dentro de mim. Posso não ter. Ou posso ter, mas não serem de boa qualidade.”

O problema é que procurar uma resposta médica significa, para alguns homens, enfrentar uma barreira construída pela própria sociedade. Segundo o especialista, ainda existe uma associação errada entre fertilidade, virilidade e masculinidade. O medo de descobrir uma alteração no espermograma pode fazer com que alguns homens evitem os exames e deixem a investigação concentrada sobre a mulher. E, enquanto isso acontece, é ela quem muitas vezes toma medicamentos, realiza exames, procura tratamentos tradicionais e enfrenta as perguntas da família e da comunidade.

A história de Thelma mostra outra face dessa mesma realidade. Ela conseguiu ser mãe, mas esperou dez anos. A primeira filha nasceu quando tinha 31 anos, depois de uma década marcada por consultas, tratamentos, atrasos menstruais que alimentavam esperança e testes que voltavam a destruí-la. “Já eram tantas tentativas, tantos atrasos, tantas falhas”, conta.

Thelma diz que os exames não revelavam miomas, quistos ou outra alteração que lhe permitisse finalmente dar um nome ao problema. A ausência de uma explicação tornava a espera ainda mais difícil. Continuou a procurar ajuda até chegar a um tratamento recomendado por outras pessoas. A certa altura, depois de tanta medicação, pensou em desistir. “Eu cansei. Pensei: isto acho que não é para mim. Já tomei tanta medicação que agora o medo que tenho é de eu mesma ficar doente.”

E então aconteceu. Depois de tantos resultados negativos, Thelma descobriu que estava grávida. Não acreditou imediatamente. A gravidez que procurara durante uma década finalmente existia e, com ela, surgiu também uma sensação que ajuda a perceber a violência silenciosa do estigma: Thelma sentiu necessidade de mostrar às pessoas que também era uma “mulher normal”.

Não deveria ser necessário provar isso, mas durante anos ouvira comentários sobre a idade, sobre o tempo que estava a passar e sobre os riscos de uma gravidez tardia. Houve quem lhe dissesse que já era tarde. Houve quem sugerisse que deveria desistir. O marido, conta, tornou-se uma barreira contra parte dessa pressão e recusava que ela fosse responsabilizada pelo facto de o casal não conseguir ter filhos.

Quando a filha finalmente nasceu, Thelma acordou horas depois do parto e precisou de algum tempo para compreender aquilo que tinha acontecido. “Comecei a dizer: eu sou mãe. Sou mãe de verdade. Sou mãe de uma menina.”

Hoje tem 45 anos. Gostaria de ter outro filho e voltou a enfrentar dificuldades para engravidar, mas a experiência mudou a maneira como olha para outras mulheres e casais que atravessam o mesmo caminho. “Devemos parar de criticar essas pessoas, de culpá-las. Quando falamos ‘aquela pessoa não tem criança’, parece que ela pediu para não ter.”

E faz uma observação que deveria parecer óbvia, mas que ainda precisa de ser repetida: existem também homens inférteis. O problema é que o julgamento social frequentemente acontece antes do diagnóstico. Uma relação termina e a mulher é considerada incapaz de ter filhos. Mais tarde, ela pode engravidar numa nova relação enquanto o antigo parceiro continua sem descendência. Até esse momento, porém, a sentença social já foi pronunciada.

A medicina não sustenta essa lógica. A infertilidade deve ser investigada no casal, e não tratada automaticamente como um problema feminino.

Há ainda consequências que não aparecem num espermograma, numa ecografia ou num exame hormonal. A psicóloga Reinalda Raimundo acompanha algumas delas e explica que descobrir que uma gravidez desejada pode não acontecer pode desencadear um processo semelhante ao luto. Há pessoas que conseguem gradualmente adaptar-se à realidade, enquanto outras permanecem presas à negação, ao sofrimento e à procura incessante de uma resposta.

A pressão torna-se particularmente pesada quando à dor individual se juntam cobranças da família, comentários da comunidade e a sensação de fracasso. Em alguns casos, explica Reinalda, ansiedade e depressão podem surgir ou agravar-se. Existem ainda situações de pseudociese, conhecida como gravidez psicológica, em que a mulher desenvolve a convicção de que está grávida e pode apresentar sinais que interpreta como confirmação dessa gravidez.

A psicóloga recorda um dos casos que mais a marcaram: uma mulher que durante muito tempo procurou simultaneamente assistência tradicional e hospitalar e estava profundamente convencida de que esperava um filho. A crença persistiu até à unidade sanitária, onde a investigação clínica acabou por mostrar que não existia gravidez. Para Reinalda, situações extremas como esta não podem ser separadas do ambiente emocional em que muitas mulheres vivem.

Em algumas comunidades, a infertilidade ainda é explicada através de crenças, acusações e histórias sem fundamento médico. Há mulheres acusadas de terem provocado abortos no passado, de terem usado contraceptivos em excesso ou de carregarem alguma responsabilidade moral pela impossibilidade de engravidar. O resultado é que uma pessoa que já procura respostas para uma condição médica passa também a defender-se de uma acusação social.

É exactamente essa acusação que Thelma quer desmontar e que Anita carregou durante décadas.

Aos 57 anos, Anita não teve o filho biológico que desejava, mas a sua vida não ficou vazia. Encontrou outra forma de exercer o afecto que guardou durante tantos anos. Aproximou-se ainda mais dos sobrinhos, acompanhou o crescimento deles e hoje os filhos destes chamam-lhe avó. “Mesmo que eu não tenha os meus filhos gerados por mim, estou feliz porque tenho os meus sobrinhos”, diz. “Os filhos deles são meus netos. Chamam-me avó.”

Não é a maternidade que imaginou aos 31 anos. É a vida que construiu depois dela.

A história de Anita também mostra por que razão combater o estigma da infertilidade não significa prometer que todas as mulheres conseguirão engravidar. Nem toda investigação termina num diagnóstico simples, nem todo tratamento termina num nascimento. Significa garantir que ninguém seja diminuído, abandonado ou culpado porque um filho não chegou.

Significa também retirar dos ombros da mulher uma responsabilidade que a medicina nunca colocou exclusivamente sobre ela e levar o homem para dentro da investigação da infertilidade, não como acompanhante, mas como parte do casal que precisa de ser avaliado.

Thelma conseguiu realizar o sonho depois de dez anos. Anita não conseguiu. Uma tornou-se mãe depois de uma longa espera. A outra encontrou nos sobrinhos e nos filhos deles uma maneira diferente de dar e receber o amor que durante anos imaginou entregar a um filho.

As duas, porém, conheceram a mesma pergunta, dita ou insinuada de diferentes maneiras: por que não tens filhos?

Talvez esteja aí uma das mudanças mais simples que a sociedade pode fazer: parar de perguntar como se alguém devesse uma explicação. Porque fertilidade não determina o valor de uma mulher, infertilidade não retira masculinidade a um homem e ter filhos não é um certificado de realização humana.

O filho que Anita esperou nunca chegou. O que não pode continuar a chegar são as acusações, o abandono e a vergonha impostos a quem já trava, dentro de casa, uma batalha que quase ninguém vê.

Subiu para 400 o número de casas inundadas nas zonas altas de Xai-Xai, na sequência das chuvas que caem desde segunda-feira. As famílias afectadas pedem uma intervenção rápida do município, que dispõe de apenas 350 parcelas para o reassentamento, enquanto prossegue a identificação de novas áreas para acomodar as vítimas.

A chuva que cai desde a manhã desta segunda-feira voltou a agravar o drama de famílias que, desde Janeiro, vivem com água dentro das suas casas. Só na zona de Bokola, na zona alta de Xai-Xai, 45 residências voltaram a ficar totalmente inundadas

“Há muita coisa que está ali naquela casa que está a apodrecer por causa da água. Nós estamos a sofrer com a água. Quando cai a chuva, nem para andar nós estamos a conseguir. Temos que ficar ali dentro para não entrar água”, relata uma residente de Bokola.

A situação afecta também as actividades básicas das famílias. “Nem para cozinhar, não se cozinha. Temos que pedir socorro para conseguir cozinhar lá dentro. Estamos a sofrer. Estamos dentro de água”, conta a moradora, que vive com seis crianças. O chefe do quarteirão de Bokola admite que, nas actuais condições, a permanência das famílias naquele local tornou-se insustentável. “Nós não temos condições. Se tivéssemos condições, já devíamos ter saído há muito tempo deste lugar. Só se vê que é melhor mesmo continuar aqui, embaixo d’água. Preferem conviver dia a dia com água, mas isso não fica bem para uma criança. Às vezes tem que estar a dormir à noite. Você não sabe quando a chuva pode chover”, afirma.

 

O cenário de Bokola repete-se em quatro bairros do município de Xai-Xai, particularmente nas zonas de Madagáscar, Quartel e Bairro 2, onde cerca de 400 famílias vivem em áreas alagadas. “A situação não está boa mesmo. Nem para sair de casa conseguimos. Conforme estão a ver, as crianças, outras não foram à escola por causa da situação dessa chuva. Está assim, não temos como passar. Conforme estão a ver, esta zona toda está inundada”, relata uma residente.

 

Em Madagáscar, cerca de 30 famílias já abandonaram as suas casas devido à subida das águas e procuraram abrigo numa escola. “As águas fecharam essas ruas. Choveu acho que 24 horas. Então tiveram que sair até lá na escola. Foram na escola para ficarem lá. As condições não estão bem, a água. Sabemos que quando chove toda a sociedade vem acumular no mesmo sítio. Então não é saudável”, explica a moradora.

 

Perante a situação, os residentes admitem deixar as zonas afectadas caso sejam criadas condições para o reassentamento. O presidente do município de Xai-Xai, Ossemane Adamo, reconhece que a situação é crítica e que as últimas chuvas agravaram o problema na zona de Patrice Lumumba. “Na zona do Patrice temos cerca de 350 famílias. Mas no Chongoene conseguimos 300 espaços. Então identificámos aqueles que estão em situações péssimas, por conta das últimas chuvas que criaram outro problema na zona de Patrice Lumumba, naquelas lagoas. Também temos população que está em lugares impróprios”, explica Ossemane Adamo.

O edil diz que as tentativas de sucção das águas não produziram resultados devido à localização geográfica das áreas afectadas. “Fomos lá fazer um trabalho para ver se podíamos aliviar aquelas águas. Mas, devido à sua localização, estão numa zona onde não é possível criar alguma infraestrutura para podermos aliviar aquelas águas”, afirma.

 

Perante a dificuldade de escoamento, a retirada das famílias das áreas consideradas de risco passa a ser a principal medida das autoridades municipais. O processo deverá ser faseado e incluir a identificação de áreas ociosas em Xai-Xai, além de terrenos no distrito de Chongoene. “A única saída é retirá-los dali para lugares seguros. Mas esse é um processo que continuamos a trabalhar dentro daquilo que são as amizades que temos com outros parceiros para podermos conseguir uma solução para aliviar o sofrimento daquelas famílias”, diz o presidente do município.

Ossemane Adamo explica que o reassentamento exige a criação prévia de condições básicas nas novas zonas de residência, uma vez que muitas das famílias afectadas vivem actualmente em áreas com acesso a água, energia, escolas e serviços de saúde. “Já fizemos esse trabalho. Então agora estamos a trabalhar com o Chongoene. Como sabemos, as pessoas estão a sair da cidade onde tinham água, tinham energia, tinham escola, tinham saúde. Então é nosso dever criarmos essas condições antes de transferir as pessoas para aquele local. Esse é um trabalho conjunto que estamos a trabalhar. Não temos datas ainda, como eu disse, temos que criar algumas condições para aquele local”, esclarece.

Ao todo, mais de sete mil pessoas vivem em zonas de risco em Xai-Xai. Deste universo, cerca de cinco mil encontram-se em áreas consideradas de alto risco de inundações.

 

A crise de combustíveis continua a afectar a província de Nampula, onde automobilistas e transportadores enfrentam dificuldades para abastecer, com relatos de longas filas e dias de espera nas bombas de combustível.

A situação é também reconhecida pela Petróleos de Moçambique (Petromoc), que admite constrangimentos no abastecimento e aponta para limitações no processo de facturação e disponibilidade de produto no terminal de Santiago de Nacala.

Segundo a Petromoc em Nampula, apesar de existirem programas de abastecimento, têm-se registado dificuldades na facturação, situação que está a condicionar o fornecimento de combustíveis. A empresa refere igualmente que camiões continuam a chegar ao terminal para carregar e descarregar produto.

A empresa reconhece que a situação chegou a ser crítica, tendo sido necessário recorrer a um reforço de combustíveis proveniente da província de Cabo Delgado.

“Estávamos muito mal. Tivemos que receber algum reforço de Cabo Delgado”, explicou a Petromoc, acrescentando que havia indicações de que um navio deveria atracar no dia 24 de Setembro.

A empresa espera que, após a chegada do navio e a consequente injecção de combustível no terminal de Santiago de Nacala, seja possível determinar com maior precisão as quantidades disponíveis para abastecer a província.

“Depois desta injecção ao nível do terminal é que vamos ter a informação real sobre a quantidade de combustível já existente”, explicou a Petromoc, sublinhando que, até ao momento, ainda não dispunha de dados definitivos sobre os níveis de stock.

Enquanto isso, automobilistas relatam dificuldades para encontrar gasolina e gasóleo, com alguns a permanecerem vários dias junto às bombas na tentativa de conseguir abastecer.

“Desde que chegámos aqui, na quinta-feira, não há combustível”, relatou um automobilista, que se queixa também de situações em que o combustível chega às bombas, mas não é disponibilizado de forma regular aos consumidores.

Os utentes questionam igualmente as razões pelas quais a escassez se prolonga em Nampula, enquanto, segundo relatam, a situação não se verifica com a mesma intensidade noutras províncias.

A crise tem provocado longas filas e constrangimentos para transportadores e demais consumidores, que apelam a uma explicação sobre a origem da ruptura e à normalização do fornecimento de gasolina e gasóleo na província

 

O capitão Ibrahim Traoré completa quatro anos no poder no Burkina Faso, período equivalente ao tempo em que Thomas Sankara liderou o país, entre 1983 e 1987. Ambos chegaram ao poder como jovens capitães do Exército, usando boinas vermelhas e defendendo a soberania nacional, o pan-africanismo e uma maior independência económica.

Sankara assumiu o poder em 1983 e lançou a chamada “revolução democrática e popular”, com uma agenda centrada na educação, no empoderamento das mulheres, na auto-suficiência e no incentivo à produção local.

Quatro décadas depois do seu assassinato, em 1987, Traoré apresenta-se como continuador do legado de Sankara, embora num contexto político, económico e de segurança significativamente diferente.

Sob a liderança de Traoré, o Governo nacionalizou minas de ouro, promoveu o desenvolvimento de indústrias locais e lançou o programa Faso Mebo, uma iniciativa de infra-estruturas destinada à construção de estradas e ao desenvolvimento urbano com recurso a meios e materiais locais.

A principal diferença entre os dois períodos, contudo, está no contexto de segurança. O Burkina Faso continua a enfrentar a acção de grupos jihadistas, que afectam extensas áreas do território e mantêm algumas cidades sob bloqueio.

No plano interno, Traoré adoptou igualmente uma linha política mais rígida. Jornalistas, magistrados e membros da sociedade civil foram recrutados à força e enviados para a linha da frente, enquanto as actividades da oposição política foram restringidas.

No plano externo, o Governo de Traoré afastou-se da antiga potência colonial, a França, e aprofundou as relações com a Rússia. O Burkina Faso reforçou ainda a cooperação com o Mali e o Níger, países com os quais criou uma nova estrutura de integração regional, a Confederação dos Estados do Sahel.

A trajectória de Ibrahim Traoré é, assim, marcada pela tentativa de recuperar princípios associados ao legado de Thomas Sankara, mas num país confrontado com uma grave crise de segurança e com profundas mudanças nas suas alianças políticas e estratégicas.

 

O United Bank for Africa (UBA) reforçou o interesse em apoiar o investimento e o desenvolvimento económico de Moçambique durante a 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reuniu-se à margem do evento com o Director Executivo do Grupo UBA, Oliver Alawuba, num encontro que abordou oportunidades de investimento, financiamento e desenvolvimento económico.

A reunião acontece num momento em que Moçambique procura mobilizar mais capital para sectores estratégicos, entre os quais energia, agricultura, turismo, infra-estruturas, logística e economia digital. O UBA considera a articulação entre governos, instituições financeiras e investidores essencial para transformar prioridades de desenvolvimento em projectos concretos.

Além de Moçambique, a agenda do banco na Assembleia Geral esteve centrada na mobilização de capital para África. Alawuba reuniu-se também com o Presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, para discutir financiamento de projectos em áreas como infra-estruturas, energia, agronegócio, pequenas e médias empresas e comércio regional.

O UBA reiterou ainda o compromisso de disponibilizar seis mil milhões de dólares para financiar pequenas e médias empresas, com o objectivo de ampliar o acesso ao capital, apoiar a expansão empresarial e contribuir para a criação de emprego.

Com presença em 20 países africanos, o grupo bancário procura posicionar-se como uma plataforma de ligação entre empresas africanas, investidores, governos e parceiros internacionais.

 

O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Sudão, Mohieldin Salim Ahmed Ibrahim, criticou os Estados Unidos por não terem concedido visto ao chefe do Exército sudanês, general Abdel-Fattah Burhan, para participar na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Durante uma intervenção na Assembleia Geral, Ibrahim acusou o país anfitrião de impedir a participação de Burhan no segmento de alto nível do encontro, ao não emitir o visto necessário. “o país anfitrião impediu isso ao não emitir o visto apropriado para que Sua Excelência participasse do segmento de alto nível”, afirmou o governante.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, os Estados Unidos terão retido o visto de Burhan na sequência de divergências relacionadas com uma proposta de cessar-fogo destinada a pôr termo à guerra entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar envolvido no conflito.

Na mesma intervenção, o Ministro dos Negócios Estrangeiros sudanês apelou ao fim do fornecimento de armas, munições e combatentes estrangeiros às partes envolvidas no conflito. Ibrahim defendeu ainda que as armas devem permanecer exclusivamente sob controlo do Estado.

“A solução justa no Sudão, que garanta que o conflito não reacenda, exige a interrupção das contínuas intervenções estrangeiras”, afirmou.

O governante defendeu igualmente o desarmamento das forças paramilitares, considerando necessário garantir que o armamento permaneça sob controlo estatal.

O Sudão está mergulhado numa guerra entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido desde Abril de 2023. O conflito provocou uma grave crise humanitária e obrigou milhões de pessoas a abandonar as suas casas.

Uma investigação apoiada pelas Nações Unidas, realizada este mês, concluiu que redes de apoio estrangeiras têm fornecido combatentes, armas e tecnologia militar, contribuindo para a continuidade do conflito.

 

A Polícia de Trânsito apreendeu, nesta segunda-feira, mais de 150 motorizadas na cidade da Beira, numa operação de endurecimento das medidas contra os moto-taxistas, face ao elevado índice de acidentes de viação.

Segundo a corporação, as apreensões resultam de diversas irregularidades, nomeadamente a condução sem capacete de protecção e sem colete, excesso de lotação, com casos de três a cinco ocupantes numa motorizada concebida apenas para dois, para além de motas sem documentos e sem matrícula.

A medida surge numa altura crítica, em que a sinistralidade causada por moto-táxis constitui uma das principais causas de procura de cuidados médicos no Hospital Central da Beira, cuja ortopedia se encontra superlotada. A polícia diz estar preocupada com as vidas que se perdem nas estradas.

A corporação refere ainda que grande parte dos moto-taxistas não passou por nenhuma formação nem frequentou escola de condução, desconhecendo por isso as regras básicas de trânsito.

Para além da fiscalização punitiva, a polícia realizou uma acção pedagógica, com a distribuição simbólica de equipamentos de protecção aos condutores que já cumpriam as regras, para consciencializar que a segurança na via pública é responsabilidade tanto do condutor como do passageiro.

A Polícia de Trânsito avisa que as operações vão continuar e serão mais duras nos próximos dias, até ao final do ano, sublinhando que o objectivo não é apenas apreender motas, mas reduzir os acidentes e salvar vidas nas estradas da Beira.

Populares de quatro comunidades de Nguluzane, no distrito de Xai-Xai, província de Gaza, voltam a denunciar alegados esquemas de desvio e exclusão na distribuição de alimentos, envolvendo secretários dos bairros. A população diz que mais de 150 famílias carenciadas ficaram de fora entre Junho e Setembro. A administradora de Xai-Xai, Avelina Nhanzimo rejeita a existência de desvio de ajuda humanitária, mas admite má conduta de responsáveis locais e promete medidas caso as denúncias sejam comprovadas.

Populares de quatro comunidades de Nguluzane, no distrito de Xai-Xai, na província de Gaza, acusaram, esta segunda-feira, líderes locais de envolvimento em alegados esquemas de desvio de produtos alimentares destinados às populações carenciadas.

“A luta continua. Os líderes já não têm espaço nas suas casas devido à quantidade de produtos que recebem. São recipientes abarrotados. Nada lhes falta, enquanto a população morre de fome”, denuncia Lídia, residente de Chilaulene, em Nguluzane.

A denúncia é corroborada por Domingos Boca, líder em Nguluzane, que acusa responsáveis locais de beneficiarem de produtos alegadamente desviados.

“Toda a zona de Chilaulene sofre por causa disto. A comida foi desviada e, nos registos, houve roubo. Todos os dias há roubo aqui em Chilaulene. O camião foi desviado, os líderes sabem disso e beneficiaram-se”, afirma.

População de Nguluzane fala de exclusão

Segundo os residentes, a alegada irregularidade começa nas listas de beneficiários, onde secretários dos bairros terão incluído familiares e outras pessoas que, de acordo com a população, não residem nas comunidades abrangidas.

Sara, chefe de quarteirão em Nguluzane, descreve os produtos recebidos por algumas famílias.

“Receberam 25 quilos de arroz, 25 quilos de farinha, dois litros de óleo, feijão e três quilos de açúcar.”

Nora, residente do Bairro 3 de Nguluzane, questiona igualmente o processo de registo dos beneficiários.

“O registo é clandestino. Só vemos pessoas a receber alimentos.”

A população afirma que a alegada prática terá contribuído para a exclusão de mais de 100 famílias carenciadas nos últimos dois meses.

“A maioria da população não foi contemplada na distribuição”, diz Maria Jovete, residente do Bairro 3 de Nguluzane.

Governo de Xai-Xai admite irregularidades

Contactada pelo jornal O País, a administradora de Xai-Xai, Avelina Nhanzimo, rejeitou a existência de desvio de ajuda humanitária e explicou que a distribuição abrangia 620 famílias.

“E nos dias 16 e 17 houve a distribuição da comida, não houve confusão. São 620 famílias, cada família recebeu 25 quilos de arroz, recebeu 25 quilos de farinha, recebeu três quilos de feijão, três quilos de açúcar e dois litros de óleo, cada família. Lamentavelmente, tomamos conhecimento hoje, através de vozes e silêncios, que houve confusão.”

Apesar de afastar a hipótese de desvio de ajuda humanitária, Nhanzimo admite a possibilidade de má conduta por parte dos secretários dos bairros apontados pela população.

“Porque aqui não estamos a tratar de desvio, estamos a tratar de perceber que os chefes, os secretários dos bairros, não são tão honestos como nós podemos pensar. Como se comportam? Acabam beneficiando algumas pessoas que nem sequer deviam estar naquelas listas.”

A administradora diz que a situação deverá ser apurada para determinar quem recebeu os produtos e em que circunstâncias.

“O chefe da secretaria, com mais tempo, poderá apurar o que aconteceu, quem são as famílias que receberam, mas, no meio disso, para ver aquela insurgência por parte daquelas populações, alguma coisa aconteceu”, sublinhou.

Perante as denúncias, a população exige a intervenção das autoridades do Governo do distrito de Xai-Xai e o esclarecimento do processo de inscrição das famílias beneficiárias.

“Pedimos aos líderes que trabalham em conjunto que venham aqui para acabar com o esquema de fazer inscrições durante a noite. Afinal, onde irão comer aqueles que foram excluídos?”, questiona a população.

Assistência para 14 mil famílias continua incerta

Questionada sobre a dimensão das necessidades e a capacidade de resposta às populações de Nguluzane, Nhanzimo reconheceu limitações na assistência alimentar e apontou o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) como parceiro.

 

“Mas, como Governo, não podemos assumir que vamos conseguir. O INGD é o nosso parceiro, sim, está fazendo a sua parte, mas neste preciso momento também não garante esta assistência, porque fizemos há pouco tempo uma cobertura total do custo administrativo. Se não me falha a memória, foi no mês de Maio que fizemos a cobertura.”

Sem avançar uma data, a administradora de Xai-Xai garantiu que irá deslocar-se ao terreno para aferir a situação e prometeu medidas caso seja comprovado o envolvimento dos secretários dos bairros nas alegadas irregularidades.

O Presidente da República, Daniel Chapo, destacou, no Botsuana, o apoio prestado por aquele país a Moçambique em áreas como o combate ao terrorismo, resposta às cheias, electrificação, segurança e desenvolvimento económico, defendendo o aprofundamento da cooperação bilateral.

Falando no âmbito da sua visita de Estado ao Botsuana, Chapo começou por agradecer ao Governo e ao povo daquele país pelo apoio prestado a Moçambique durante o período em que a Força Conjunta da SADC esteve envolvida no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

O Chefe do Estado moçambicano destacou igualmente a solidariedade do Botsuana durante as cheias e inundações que afectaram Moçambique, bem como o apoio ao processo de diálogo nacional actualmente em curso no país.

Daniel Chapo manifestou ainda o interesse de Moçambique em continuar a trabalhar com o Botsuana no sector da electrificação e na troca de experiências em áreas como turismo, agricultura, pecuária e saúde animal.

O Presidente salientou a importância da cooperação no domínio da produção e sanidade animal, incluindo a partilha de experiências e o fornecimento de vacinas destinadas ao controlo de doenças que afectam o gado.

 

PORTOS E CORREDORES LOGÍSTICOS EM DESTAQUE

 

No domínio das infra-estruturas, Chapo apontou como prioridade a concretização de projectos destinados a reforçar os corredores de transporte que ligam Moçambique ao interior da África Austral.

O Presidente referiu-se particularmente ao projecto de desenvolvimento do porto de Techobanine, envolvendo Moçambique, Botsuana e Zimbabwe, que deverá contribuir para aumentar a capacidade do corredor de Maputo e facilitar o acesso do Botsuana ao mar.

“Temos que continuar a trabalhar juntos para ver como materializar este projecto”, afirmou Daniel Chapo.

O Chefe do Estado mencionou igualmente os investimentos em curso para aumentar a capacidade do porto da Beira, mas sublinhou a importância estratégica do porto de Maputo e dos depósitos de combustíveis existentes na Matola para o abastecimento e a economia do Botsuana.

Segundo Chapo, a actual conjuntura internacional, marcada entre outros factores pelo conflito no Médio Oriente, reforça a importância das infra-estruturas de armazenamento e dos corredores logísticos para a segurança económica e energética dos países da região.

 

MOÇAMBIQUE QUER APRENDER COM EXPERIÊNCIA DO BOTSUANA NA MINERAÇÃO

Na área dos recursos minerais, o Presidente da República disse que Moçambique está a actualizar a sua legislação e pretende aproveitar a experiência do Botsuana no sector.

A intenção, segundo Chapo, é aumentar a capacidade de produção e exportação, mas também promover a industrialização e acrescentar valor aos recursos minerais explorados no país.

O Presidente defendeu ainda o reforço da cooperação nos sectores do turismo e da cultura, bem como nas áreas da segurança e defesa, com vista ao aumento da capacidade dos dois países para responder aos desafios comuns.

 

COMISSÃO MISTA DEVERÁ ACELERAR ACORDOS

 

Daniel Chapo destacou também a importância da Comissão Mista de Cooperação entre os dois países, defendendo que os trabalhos devem permitir a conclusão e assinatura de acordos e, posteriormente, a criação de equipas responsáveis pela sua implementação.

O Presidente da República manifestou satisfação pelo convite do seu homólogo tswana para participar nas celebrações relacionadas com os diamantes no Botsuana, considerando a ocasião uma oportunidade para aprofundar os laços entre os dois países.

“Estamos aqui como um país irmão para continuarmos a trabalhar juntos”, afirmou Daniel Chapo, reiterando o compromisso de Moçambique em preservar e aprofundar as relações históricas de amizade e cooperação com o Botsuana.

 

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