O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou esta terça-feira, em Pemba, o compromisso do Governo com o empoderamento da mulher moçambicana e com a reconstrução social e económica de Cabo Delgado, destacando o papel central das mulheres no desenvolvimento do país, no âmbito da iniciativa de Governação de Proximidade com o Povo.
O anúncio da operacionalização do fundo “Pro Mulher” foi o ponto alto do encontro interactivo, onde o Executivo desenhou novas linhas de financiamento distrital e assegurou esforços contínuos para garantir a estabilidade na região Norte.
Durante uma interacção com mulheres da província, o Chefe do Estado sublinhou que a aposta em programas específicos para o género feminino decorre da confiança na sua capacidade de gestão e liderança, afirmando que o desenvolvimento de Moçambique não é possível sem a participação activa da mulher. No seguimento da sua visita de trabalho que realiza desde segunda-feira, o governante expressou o entusiasmo da liderança central com este diálogo directo.
Para sustentar a visão de inclusão do Executivo, o estadista moçambicano revisitou o percurso histórico do país desde a independência, em 1975, lembrando que a nação contou com uma única mulher no cargo de Primeira-Ministra, a falecida Luísa Diogo. A seguir, defendeu que a actual filosofia de governação assume como critério o equilíbrio de género nas tomadas de decisão na esfera do poder, estabelecendo que, caso a presidência seja ocupada por um homem, a liderança do Conselho de Ministros deve ser confiada a uma mulher.
O Presidente fundamentou que essa divisão de responsabilidades decorre do reconhecimento de que as mulheres são grandes gestoras, justificando assim a nomeação de quadros femininos para a pasta das Finanças, além dos ministérios da Educação, Combatentes, Trabalho e Negócios Estrangeiros. Em tom descontraído e próximo, o Presidente Chapo recorreu a exemplos do quotidiano doméstico para ilustrar a eficácia das cidadãs na administração de orçamentos familiares curtos, contrapondo com a facilidade com que os homens esgotam recursos.
Como resposta prática aos desafios económicos, o Chefe do Estado apresentou as directrizes do fundo “Pro Mulher”, um programa de financiamento estruturado que irá funcionar nos moldes do fundo Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL) e que se estenderá a todos os distritos do país. Esta iniciativa surge para dar robustez financeira ao programa “Empondera”, lançado no ano passado pela Primeira-Dama em Nampula, tendo como único requisito de acesso a confirmação de que a beneficiária é uma mulher moçambicana.
O governante enalteceu a resiliência das mulheres de Cabo Delgado, classificando-as como o símbolo máximo da resistência feminina no país por manterem o foco no trabalho e no desenvolvimento local, mesmo sob o peso das adversidades. Expressou a sua gratidão pelas ofertas e mensagens de apoio recebidas durante o evento em Pemba, notando que a capacidade de agradecer pelos pequenos gestos é a base para o crescimento colectivo. Durante a interacção, o Presidente Chapo abordou a crise humanitária provocada pelo terrirismo na província, tendo manifestado solidariedade para com as famílias deslocadas e sobreviventes, asseverando que a dor de Cabo Delgado repercute-se em todo o território nacional.
O Chefe de Estado lamentou que as acções terroristas estejam a desestruturar o tecido social através da separação forçada de famílias, mortes e destruição de infra-estruturas vitais, tais como escolas, hospitais e campos de cultivo que garantem o sustento comunitário. Diante deste cenário, o Executivo reafirmou o compromisso de trabalhar ininterruptamente para a reposição da ordem pública e da paz, garantindo que as raparigas e mulheres em situação de deslocação não percam o acesso à saúde e à educação. No encerramento do encontro, o Presidente Daniel Chapo apelou a um esforço conjunto de homens e mulheres para erradicar o terrorismo, e sublinhou que a violência nas famílias, seja ela física ou psicológica, compromete a harmonia social, destacando que os Gabinetes de Atendimento à Mulher e à Criança da Polícia da República de Moçambique (PRM) estão igualmente instruídos para acolher e mediar conflitos que afectem qualquer um dos cônjuges.
O crescimento acelerado do turismo e da indústria do gás está a impulsionar uma nova fase de investimentos em infra-estruturas de saúde na província de Inhambane. Numa região onde chegam, todos os anos, milhares de turistas nacionais e estrangeiros e onde decorrem alguns dos maiores projectos de exploração de gás natural do país, aumenta também a exigência por serviços médicos capazes de responder a situações de emergência, acidentes de trabalho e cuidados especializados.
É neste contexto que as autoridades de saúde defendem uma participação cada vez mais activa do sector privado como complemento ao Serviço Nacional de Saúde, considerando que o desenvolvimento económico exige igualmente o fortalecimento da capacidade de resposta médica.
Para o director provincial de Saúde de Inhambane, Carlos Estevão, o Estado não pode, por si só, responder a todas as necessidades da população, razão pela qual a legislação moçambicana prevê a participação do sector privado e do subsistema comunitário na prestação de cuidados de saúde.
Segundo o responsável, o surgimento de unidades privadas dotadas de padrões internacionais de qualidade representa um reforço importante para o sistema de saúde e para o próprio desenvolvimento económico da província.
“Quando surge um empreendimento desta categoria e com certificação de qualidade de serviço, é uma valia para o Estado moçambicano, para o Governo da província e para o distrito de Vilankulo”, afirmou.
Carlos Estevão lembra que o turismo é um dos principais motores da economia de Inhambane e que a existência de serviços médicos de qualidade constitui um factor decisivo para muitos visitantes internacionais no momento de escolherem um destino.
“Muitas vezes, quando os turistas procuram um pacote turístico, uma das perguntas que fazem é se existe acesso a serviços de saúde de qualidade no local. O sector privado pode dar uma resposta importante a essa necessidade”, explicou.
Na visão das autoridades provinciais, a expansão do investimento privado na saúde deverá continuar a ser estimulada, à semelhança do que acontece noutros sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento do país.
“O Governo incentiva a participação do sector privado na saúde, na educação, na agricultura e em várias outras áreas fundamentais para o crescimento económico”, acrescentou.
Contudo, Carlos Estevão considera que o maior desafio começa depois da obtenção de certificações internacionais de qualidade.
“Conseguir a certificação é importante, mas a verdadeira batalha passa pela manutenção desses padrões e pela sua disseminação para outras instituições, públicas e privadas, para que todo o sistema de saúde evolua”, defendeu.
A aposta em cuidados de saúde especializados surge também como resposta às necessidades criadas pela crescente actividade económica no corredor Vilankulo–Inhassoro, onde operam empresas ligadas ao turismo de luxo e à indústria extractiva.
O investidor moçambicano Sérgio Dique explica que a decisão de investir naquela região nasceu precisamente da constatação de que existia uma lacuna na oferta de serviços médicos compatíveis com a dimensão dos investimentos em curso.
Segundo refere, muitos visitantes estrangeiros demonstram preocupação quanto ao acesso a assistência médica antes mesmo de escolherem Moçambique como destino turístico.
“Quando um turista pensa em viajar para África, uma das primeiras perguntas que faz é: se eu adoecer, onde é que vou ser tratado?”, afirmou.
Além da actividade turística, o empresário aponta o crescimento da indústria do gás como outro factor determinante para a instalação de uma unidade hospitalar com capacidade de resposta diferenciada.
“As operações ligadas à indústria extractiva obedecem a rigorosos padrões internacionais de saúde ocupacional. Era necessário existir uma unidade capaz de responder a essas exigências e também a situações de emergência”, explicou.
Até há poucos anos, acidentes graves ocorridos naquela região obrigavam frequentemente à evacuação dos pacientes para hospitais situados a centenas de quilómetros de distância.
Segundo Sérgio Dique, essa realidade aumentava os riscos clínicos e comprometia a rapidez da resposta médica.
“Hoje já conseguimos estabilizar e tratar uma grande parte das situações de emergência sem necessidade de transferências imediatas”, afirmou.
Para garantir essa capacidade de resposta, a unidade investiu em ambulâncias equipadas para suporte avançado de vida, criou uma unidade de trauma e reforçou a formação dos profissionais de saúde.
O empresário explica que o investimento em qualidade começou muito antes da construção da infra-estrutura hospitalar.
A motivação surgiu de uma experiência pessoal vivida durante o nascimento da sua segunda filha, quando considerou que os cuidados recebidos pela família não correspondiam aos padrões que considerava aceitáveis.
Foi a partir dessa experiência que decidiu desenvolver um projecto assente em protocolos clínicos, formação contínua e mecanismos permanentes de controlo de qualidade.
Esse processo prolongou-se durante cerca de uma década e culminou com a obtenção de uma certificação internacional, resultado de investimentos em equipamentos, capacitação do pessoal e implementação de procedimentos técnicos reconhecidos internacionalmente.
Para Sérgio Dique, a certificação não deve ser vista apenas como um documento formal.
“Ela representa a confirmação de que os serviços prestados obedecem efectivamente a padrões internacionais de qualidade”, sublinhou.
O reconhecimento internacional abre igualmente novas perspectivas para empresas nacionais que pretendem prestar serviços a grandes multinacionais instaladas em Moçambique.
Segundo o empresário, durante vários anos algumas empresas moçambicanas ficaram afastadas de determinados contratos por não reunirem certificações exigidas pelas operadoras internacionais.
Com o cumprimento desses requisitos, acredita que as empresas nacionais passam a competir em igualdade de circunstâncias.
“O caminho não passa por reduzir as exigências das multinacionais. Passa por elevarmos os nossos próprios padrões de qualidade”, defendeu.
Na sua opinião, flexibilizar critérios técnicos pode comprometer a segurança dos trabalhadores e afectar a qualidade dos serviços prestados.
“Na saúde não pode haver espaço para relaxamento dos padrões. Temos de investir para responder às exigências internacionais e conquistar a confiança dos clientes pela qualidade do nosso trabalho”, acrescentou.
À medida que Inhambane consolida a sua posição como um dos principais destinos turísticos do país e reforça o seu papel na economia do gás, especialistas defendem que o desenvolvimento das infra-estruturas sociais deverá acompanhar o ritmo dos investimentos económicos.
Para as autoridades provinciais, saúde, turismo e investimento privado deixam, assim, de ser sectores isolados e passam a integrar uma mesma estratégia de desenvolvimento, na qual a qualidade dos serviços prestados poderá assumir um papel determinante na competitividade da província e na confiança de investidores, trabalhadores e visitantes.
O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) pretende aprimorar a sua estratégia com vista a acelerar a modernização dos serviços prestados aos cidadãos e responder aos desafios da segurança rodoviária.
Reunida na cidade da Beira, até quinta-feira, em VI Conselho Consultivo, a instituição declara que pretende dedicar especial atenção a matérias ligadas à transformação digital, modernização e qualidade dos serviços prestados.
No evento, o secretário de Estado dos Transportes reconheceu que persistem desafios ligados ao tempo de espera dos utentes, simplificação de procedimentos, uniformização do atendimento e de qualidade dos serviços.
“A resposta a estes desafios passa inevitavelmente pela transformação digital. Atenção que digitalizar não significa apenas informatizar processos. Significa repensar como os serviços públicos são concebidos e prestados”, disse Mabote.
Consiste ainda em, de acordo com o secretário de Estado dos Transportes, eliminar burocracia, simplificar procedimentos, integrar plataformas e colocar o cidadão no centro de prestação dos serviços do instituto público.
Para o secretário de Estado dos Transportes, a digitalização deve constituir uma ferramenta para aumentar a transparência, reduzir os custos, melhorar a eficiência administrativa e elevar os níveis de satisfação dos utentes.
“O INATRO deve posicionar-se no âmbito desta transformação. É igualmente necessário reflectirmos sobre o futuro da regulação. As entidades reguladoras modernas já não se definem pelo volume de serviços que executam directamente. A sua principal missão consiste em regular, supervisionar e monitorar o desempenho dos operadores, estabelecer padrões de qualidade, proteger interesses públicos e promover ambientes concorrenciais equilibrados”, disse.
Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração do INATRO, Nelson Nunes, convidou os funcionários da instituição a consolidar reformas orientadas para o fortalecimento da capacidade técnica, operacional e organizacional.
“De modo a assegurar uma regulação mais eficiente do sector rodoviário e uma prestação dos serviços públicos mais moderna, célere e transparente centrada no cidadão”, concluiu o presidente do Conselho de Administração.
No evento, o INATRO pretende fazer o balanço das actividades do ano passado e terá sessões de capacitação sobre prevenção e combate à corrupção e outras matérias para o fortalecimento da cultura organizacional.
É ainda objectivo do encontro melhorar a prestação de serviços públicos, com a aposta na competência e integridade do capital humano.
O Governo da província de Gaza confirmou o afastamento definitivo dos gestores das fazendas Muthemba e Safari, no distrito de Massangena, no âmbito de acusações de bloqueio de vias de acesso utilizadas por comunidades locais.
Em paralelo, foi aberta uma investigação a operadores suspeitos de exploração ilegal de recursos faunísticos, numa operação que aprofunda o escrutínio sobre a gestão de terras e fauna bravia na província localizada na região Sul do País.
Quem confirmou a decisão foi o secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto. Revela que os gestores visados tiveram de abandonar o País, na sequência da abertura do processo na Procuradoria Provincial de Gaza.
Neto explica que o afastamento dos gestores visa garantir que as investigações decorram sem interferências, sobretudo num contexto em que se procura apurar denúncias sobre o bloqueio da circulação de pessoas nas áreas concessionadas.
“Ele foi suspenso, foi afastado… para não perturbar o normal andamento do trabalho que está a ser feito”, afirmou o secretário de Estado e explicou que a medida visa assegurar condições para a continuidade das investigações.
Paralelamente ao afastamento dos gestores das fazendas Muthemba e Gaza Safari, as autoridades intensificaram a fiscalização sobre operadores suspeitos de exploração ilegal de recursos faunísticos no distrito de Massangena.
De acordo com o secretário de Estado, o foco da investigação passa por clarificar a legalidade das actividades, incluindo eventuais abates de animais sem autorização e o cumprimento das normas de gestão de fauna bravia.
“Precisamos de ver que tipo de animais têm autorização para abater e tudo mais, porque esses animais são o nosso património”, referiu Jaime Neto e defendeu maior rigor na fiscalização das actividades económicas ligadas à fauna.
As autoridades indicam ainda que o processo de controlo não se limita às fazendas envolvidas no caso, devendo ser alargado a outras unidades de exploração na província, com verificação de licenças, contributos fiscais e funcionamento de actividades turísticas instaladas em propriedades privadas.
No terreno, as denúncias incluem também alegações de bloqueio de vias usadas por comunidades locais, situação que tem alimentado tensões entre residentes e gestores de concessões, e por isso, está sob análise das autoridades.
Com afastamentos já concretizados, o governo de Gaza quer reforçar o controlo sobre a exploração de recursos naturais, num equilíbrio cada vez mais tenso entre interesses privados, comunidades locais e património faunístico.
O Grupo SOICO e a Televisão de Moçambique (TVM) assinaram, nesta terça-feira, um memorando de entendimento que estabelece a partilha de conteúdos editoriais relacionados com eventos oficiais e de elevado interesse público, numa iniciativa que as duas instituições consideram um marco para a comunicação social moçambicana.
O acordo visa reforçar a cooperação entre o maior grupo privado de comunicação social do País e a televisão pública, permitindo que ambas as instituições partilhem sinais de transmissão e outros conteúdos editoriais, sobretudo em coberturas de actos de Estado e de governação, garantindo uma maior difusão da informação junto dos cidadãos.
Na ocasião, o presidente do Conselho de Administração (PCA) do Grupo SOICO, Daniel David, afirmou que o memorando representa um compromisso com os moçambicanos e não apenas entre as duas instituições.
“Este memorando não é para a SOICO nem para a TVM; é para os moçambicanos. É uma demonstração de que servir o público significa garantir que a informação chegue aos cidadãos em qualquer circunstância”, afirmou.
Segundo Daniel David, a parceria traduz uma visão de complementaridade entre os dois órgãos de comunicação, colocando o interesse nacional acima dos interesses institucionais ou comerciais.
“O grande ganho deste entendimento é percebermos que, trabalhando em conjunto, conseguimos servir melhor os moçambicanos. Este acordo coloca o cidadão no centro do nosso trabalho e demonstra que o interesse nacional deve prevalecer sobre qualquer interesse individual”, sublinhou.
O gestor destacou ainda que a cooperação entre as duas instituições já vinha acontecendo em algumas ocasiões, nomeadamente na cobertura de grandes eventos nacionais, esclarecendo que o memorando apenas formaliza uma prática existente e cria bases para o seu fortalecimento.
Por sua vez, o PCA da TVM, Victor Nhatitima, considerou que a assinatura do memorando constitui um momento histórico para a comunicação social moçambicana, por aproximar uma televisão pública e um grupo privado em torno de um objectivo comum.
“Este memorando permite-nos partilhar conteúdos editoriais ligados aos eventos de Estado e amplia o alcance da informação produzida por ambas as instituições. Nem sempre a TVM está onde o Grupo SOICO está, assim como o contrário. Com este entendimento, passaremos a complementar-nos para que a informação de interesse público chegue a mais moçambicanos”, explicou.
Victor Nhatitima acrescentou que o acordo representa um importante passo na cooperação institucional e poderá ser alargado futuramente para incluir programas de intercâmbio entre profissionais das duas organizações.
“Esperamos que este seja apenas o início de uma parceria mais ampla, permitindo a troca de experiências entre os profissionais da TVM e do Grupo SOICO, contribuindo para o fortalecimento das capacidades técnicas e profissionais de ambas as instituições”, referiu.
O responsável revelou ainda que a televisão pública dispõe de equipamentos e recursos técnicos que poderão ser utilizados pelo Grupo SOICO, mediante entendimentos específicos, em futuras produções audiovisuais.
Além da partilha de conteúdos editoriais, as duas instituições manifestaram interesse em desenvolver novas formas de cooperação, incluindo a partilha de conhecimentos, experiências e recursos técnicos, com o objectivo de melhorar a qualidade da informação disponibilizada ao público e fortalecer o sector da comunicação social em Moçambique.
Já decorrem as obras de reparação de emergência no troço da Estrada Nacional Número 260, na região de Dacata, distrito de Mossurize, província de Manica. A intervenção foi desencadeada depois de, em março passado, uma erupção do solo, provocada pelas chuvas intensas, ter comprometido a circulação de viaturas e condicionado a ligação entre o distrito de Mossurize e a cidade de Chimoio.
A degradação da via dificultou, sobretudo, a passagem de viaturas de grande tonelagem, obrigando os automobilistas a redobrar a atenção naquele ponto crítico da estrada. Passados cerca de três meses, a empreitada de emergência já está em curso e as máquinas trabalham na remoção dos solos instáveis e na reposição das condições de circulação numa das principais vias de acesso ao distrito de Mossurize.
No terreno, as intervenções incidem na estabilização da plataforma da estrada, etapa considerada essencial para garantir a durabilidade da infraestrutura e evitar novos abatimentos.
“Concretamente neste ponto já fizemos a remoção de todos solos e esta actividade já foi executada que é a remoção destes solos, lembrando que era cerca de um metro acima do nível de estrada e fizemos a escavação a bivel do ponto onde tivemos o defeito”, explicou Moisés Dzimba, delegado da ANE em Manica.
Segundo o delegado da Administração Nacional de Estradas em Manica, os trabalhos decorrem dentro do cronograma estabelecido, sendo que a fase seguinte consistirá na reconstrução da estrutura do pavimento, antes da reposição da camada de revestimento.
“Nós vamos fazer a construção da base e sub-base e vamos concluir com o revestimento em conformidade com o pavimento que aqui existe. Estamos em crer que em menos de um mês teremos tudo isso pronto”, avançou.
A intervenção faz parte das acções de emergência levadas a cabo pela Administração Nacional de Estradas para repor a transitabilidade nas vias afectadas pelas chuvas da última época chuvosa. Em toda a província de Manica, os danos estenderam-se por mais de 800 quilómetros de estradas, dos quais cerca de 400 quilómetros ficaram em estado crítico, exigindo obras urgentes para restabelecer a circulação de pessoas e bens.
Mais de duas décadas após a atribuição de licenças para exploração mineira em Massangena, no Sul de Moçambique, o Governo distrital ameaça avançar com a retirada de concessões que permanecem sem actividade produtiva. A medida visa travar a ocupação prolongada de áreas com potencial económico sem retorno visível para o Estado e para as comunidades locais.
Texto: Ângelo Tsane
Foto: O País
O alerta foi lançado pelo administrador distrital, Sancho Humbana, que confirma a existência de 11 empresas registadas no cadastro mineiro para a exploração de diamantes e minerais associados. Destas, três detêm concessões activas e quatro encontram-se ainda na fase de pesquisa, sem passagem à exploração efectiva.
Apesar do interesse geológico identificado na região, o Governo esclarece que não há, até ao momento, exploração de diamantes em curso. Segundo o administrador, várias das actividades observadas no terreno se limitam a fases de prospecção e recolha de dados, frequentemente confundidas pelas comunidades com extracção mineira.
Entre os projectos em avaliação destaca-se o trabalho da empresa Torell, cujos resultados laboratoriais deverão ser determinantes para a eventual viabilidade de exploração futura na área. Até lá, o distrito continua sem benefícios económicos concretos provenientes do sector.
A demora na materialização dos investimentos é apontada como um dos principais bloqueios ao desenvolvimento local. Para as autoridades, a manutenção prolongada de concessões sem produção efectiva representa, não apenas perda de oportunidades económicas, mas também um travão à criação de emprego, sobretudo para jovens.
“As empresas não podem estar licenciadas durante tantos anos e continuarmos à espera que as máquinas comecem a trabalhar”, afirmou Sancho Humbana.
Com base nesta posição, o Governo distrital já admite avançar com processos de revogação de áreas consideradas improdutivas, abrindo espaço para novos operadores com capacidade comprovada de investimento e execução de projectos.
“A legislação é muito clara. Há áreas que já estão a ser encaminhadas para revogação e vamos continuar esse trabalho”, acrescentou o administrador.
As zonas com maior incidência de actividades de pesquisa concentram-se nos postos administrativos de Mavue, Muzamane, Xipilimo e Xigamane, regiões consideradas de elevado potencial mineiro, mas ainda sem exploração estruturada.
Sobre alegações de exploração ilegal de recursos, o administrador afastou a existência de mineração ilegal no distrito, defendendo que as comunidades locais têm desempenhado um papel activo na vigilância e denúncia de movimentos suspeitos.
“A nossa comunidade é a primeira linha de defesa. As pessoas estranhas que entram no distrito são rapidamente identificadas e denunciadas”, referiu.
Apesar das reservas geológicas, Massangena continua a enfrentar fragilidades estruturais, com destaque para as dificuldades de circulação na estrada que liga Mapai ao distrito, particularmente agravadas durante a época chuvosa — um factor que limita a atracção de investimento.
Com cerca de 22 mil habitantes, o distrito mantém a expectativa de que a exploração dos seus recursos naturais possa impulsionar a economia local. Porém, a mensagem das autoridades é cada vez mais firme: concessões sem actividade efectiva poderão deixar de permanecer nas mãos de quem apenas detém licenças sem produzir resultados.
Os pilotos moçambicanos voltaram a evidenciar o seu talento na 2.ª Prova do Troféu ATCM 2026, disputada no fim de semana no Autódromo Internacional de Maputo, ao conquistarem vitórias, pódios e tempos de referência nas categorias Grupo M e Históricos.
Um dos grandes destaques da jornada foi André Bettencourt, da equipa Rasteirinho Racing, que protagonizou uma recuperação notável na Classe X. Depois de arrancar da última posição da grelha na primeira manga, o piloto recuperou terreno até conquistar a vitória, completando 10 voltas e registando a melhor volta em 1:34.791. Na segunda manga, confirmou o domínio ao vencer novamente, fixando o melhor tempo da classe em 1:30.147, novo registo de referência.
Na Classe B, Vítor Manuel Dias destacou-se desde a sessão de qualificação, ao garantir a pole position com o tempo de 1:49.872, superando Zein Hussein e Faudo Sidique. O piloto confirmou o favoritismo ao vencer as duas mangas da competição. Faudo Sidique terminou a primeira manga na quinta posição, mas recuperou na segunda corrida para assegurar o segundo lugar da classe, registando ainda a melhor volta em 1:33.042.
Também em evidência esteve Zein Hussein, vencedor das duas mangas da Classe C. Após uma qualificação consistente, com o tempo de 1:50.254, manteve um ritmo competitivo ao longo da prova, assegurando dois triunfos consecutivos.
Na Classe D, Mauro Costa e Afonso Magalhães protagonizaram uma disputa equilibrada. Na primeira manga, Mauro terminou na segunda posição da classe, seguido por Afonso em terceiro. Na segunda corrida, Afonso Magalhães subiu ao segundo lugar, enquanto Mauro Costa completou o pódio da categoria.
A competição contou ainda com a participação do jovem Gabriel Figueiredo, na Classe E, integrada na Mini Resistência. O piloto terminou a prova na quinta posição da classe, completando nove voltas e registando a melhor marca pessoal de 1:52.650, numa prestação que reforça a sua evolução num pelotão competitivo.
Os resultados alcançados por André Bettencourt, Vítor Manuel Dias, Zein Hussein, Faudo Sidique, Mauro Costa, Afonso Magalhães e Gabriel Figueiredo reflectem o crescimento do automobilismo moçambicano e a competitividade dos seus pilotos nas diferentes categorias do Troféu ATCM.
Com vitórias, pódios, recuperações notáveis e novos tempos de referência, a segunda prova do Troféu ATCM 2026 confirmou o bom momento do desporto motorizado nacional, evidenciando a qualidade dos pilotos e o fortalecimento da modalidade em Moçambique.
Já decorrem as obras de reparação de emergência no troço da Estrada Nacional Número 260 (EN260), na região de Dacata, distrito de Mossurize, província de Manica, com vista à reposição da transitabilidade entre Espungabera e a cidade de Chimoio.
A intervenção surge na sequência de uma erupção do solo registada em Março último, provocada pelas chuvas intensas, que afectou gravemente a circulação de viaturas, sobretudo as de grande tonelagem, naquela importante via de ligação regional.
Cerca de três meses depois do incidente, máquinas e equipas técnicas já se encontram no terreno a executar trabalhos de reabilitação de emergência, com o objectivo de restabelecer a circulação normal naquela estrada estratégica.
O delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE) em Manica, Moisés Dzimba, assegura que os trabalhos decorrem a bom ritmo e que a conclusão da intervenção está prevista para menos de um mês.
Segundo dados das autoridades, durante a última época chuvosa a província de Manica registou danos significativos na rede viária, com mais de 800 quilómetros de estradas afectados, dos quais cerca de 400 ficaram em estado crítico.
Milhares de migrantes oriundos de vários países africanos continuam a abandonar a África do Sul nesta segunda-feira, 30 de Junho, data fixada por grupos anti-imigração para a saída de estrangeiros em situação irregular do país.
A medida, que não possui carácter oficial, segundo o African News, surge após várias semanas marcadas por manifestações, intimidações e episódios de violência dirigidos contra cidadãos estrangeiros. O clima de insegurança levou milhares de migrantes a procurar refúgio temporário em acampamentos improvisados ou a iniciar o regresso voluntário aos seus países de origem.
De acordo com informações divulgadas por organizações de apoio aos migrantes, pelo menos três cidadãos estrangeiros — dois moçambicanos e um malawiano — perderam a vida em incidentes associados à crescente tensão anti-imigração, aumentando o receio entre as comunidades migrantes.
Muitos estrangeiros afirmam estar a deixar o território sul-africano por temerem pela sua segurança. Um migrante, apesar de possuir documentação regularizada, revelou ter decidido regressar ao seu país depois de receber ameaças constantes de residentes da sua comunidade.
Outros relatam situações familiares difíceis provocadas pela crise. Alguns foram obrigados a separar-se dos seus familiares e a abandonar bens e actividades económicas construídas ao longo de vários anos de permanência na África do Sul.
Perante o agravamento da situação, diversos países africanos, entre os quais Malawi, Zimbabwe, Moçambique, Gana, Nigéria, Quénia e República Democrática do Congo, intensificaram operações de repatriamento voluntário para apoiar os seus cidadãos que pretendem regressar aos respectivos países.
Entretanto, o Governo sul-africano voltou a condenar os actos de violência e de intimidação contra estrangeiros. As autoridades garantem que as forças de segurança permanecem em prontidão para prevenir confrontos durante as marchas previstas para hoje e advertiram que qualquer tentativa de incitar à violência ou de fazer justiça pelas próprias mãos será severamente punida nos termos da lei.
A situação continua a ser acompanhada com preocupação por organizações de defesa dos direitos humanos, que apelam ao respeito pelos direitos dos migrantes e à manutenção da ordem pública em todo o território sul-africano.

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