O líder do principal partido da oposição na Tanzânia, Tundu Lissu, foi condenado, esta sexta-feira, a quatro anos de prisão, por incitação à violência, depois de ter sido absolvido da acusação de traição, que poderia resultar na aplicação da pena de morte. A decisão está a gerar fortes críticas da comunidade internacional, que considera o processo judicial politicamente motivado.
Tundu Lissu, de 58 anos, líder do partido Chadema, foi detido antes das eleições presidenciais de Outubro de 2025, tendo permanecido 19 meses na prisão. O tribunal considerou-o inocente da acusação de traição, mas condenou-o por incitação, apesar de este crime não constar formalmente do processo. Durante a leitura da sentença, o juiz afirmou que as declarações do político tinham como objectivo perturbar o processo eleitoral e instigar actos de violência.
Em reacção, Lissu classificou o julgamento como uma perseguição política e acusou os magistrados de actuarem sob ordens do Governo da Presidente Samia Suluhu Hassan.
A condenação surge num contexto de crescente tensão política na Tanzânia, onde o Governo tem sido acusado de reprimir opositores e críticos. Antes das eleições de Outubro de 2025, foram registadas detenções e raptos de membros da oposição, seguidos de manifestações de grande dimensão.
Samia Suluhu Hassan venceu as eleições com 98 por cento dos votos. Segundo a oposição e organizações de defesa dos direitos humanos, milhares de pessoas terão sido mortas pelas forças de segurança durante a repressão dos protestos. O Governo, por sua vez, reconhece oficialmente 518 mortos.
A decisão judicial provocou reacções de condenação no estrangeiro. Parlamentares britânicos e a União Europeia consideram o processo politicamente motivado e exigem a libertação imediata de Tundu Lissu. O embaixador dos Estados Unidos da América na Tanzânia, William Trachman, também manifestou preocupação com as implicações do julgamento para o Estado de Direito no país.
Na Tanzânia, as medidas de segurança foram reforçadas na capital comercial, Dar es Salaam, e nas imediações do tribunal, antes da leitura da sentença.
Este é o terceiro julgamento por traição de grande repercussão na história da Tanzânia continental. Os dois anteriores ocorreram nas décadas de 1970 e 1980, envolvendo acusações de conspiração para derrubar e assassinar o primeiro Presidente do país, Julius Nyerere.
Em 2017, Tundu Lissu sobreviveu a uma tentativa de assassinato, durante a qual foi atingido por 16 tiros. O político, que acredita que o ataque teve motivações políticas, foi submetido a cerca de 20 intervenções cirúrgicas na sequência dos ferimentos.
O Governo pretende elevar para 75% a extensão da Estrada Nacional Número 1 em boas condições de transitabilidade até ao fim do actual mandato, num projecto cuja dimensão financeira evidencia os desafios que o País enfrenta para recuperar uma das principais infra-estruturas de suporte à actividade económica. A reabilitação integral dos cerca de 2620 quilómetros da estrada está estimada em 3,5 mil milhões de dólares, dos quais 1,1 mil milhões tinham sido assegurados pelo Executivo em Maio de 2025, permanecendo por mobilizar aproximadamente 2,4 mil milhões de dólares.
O compromisso de melhoria das condições da EN1 foi apresentado nesta quarta-feira, na Assembleia da República, pelo ministro dos Transportes e Logística, que revelou que foram identificados aproximadamente 814 quilómetros completamente degradados e que necessitam de intervenção estrutural ou reconstrução. A situação representa um constrangimento à circulação de mercadorias, ao escoamento da produção e ao abastecimento dos mercados, com consequências directas sobre os custos logísticos e a competitividade da economia nacional.
“A degradação da EN1 tem implicações directas nos custos de transporte, nos custos da produção, no abastecimento dos mercados e na mobilidade das nossas populações”, afirmou o governante, defendendo que a recuperação daquela infra-estrutura constitui uma prioridade, não apenas para o sector dos transportes, mas para toda a estratégia de desenvolvimento económico e social do País.
A dimensão dos trabalhos necessários ultrapassa as intervenções convencionais de manutenção. Segundo o ministro, os 814 quilómetros identificados exigem reconstrução do pavimento, incluindo a base, reabilitação das estruturas hidráulicas e aplicação de soluções de engenharia capazes de conferir maior resistência e durabilidade à estrada.
“Estamos a falar de troços cuja recuperação exige muito mais do que operações de manutenção. Exige reconstrução do pavimento, incluindo a base, a reabilitação das estruturas hidráulicas e intervenções que garantam maior durabilidade e resistência aos eventos climáticos extremos”, explicou.
Para financiar o programa, o Governo está a mobilizar recursos junto dos parceiros de cooperação e instituições financeiras internacionais, complementados por fundos internos do Estado e participação do sector privado. A necessidade de encontrar financiamento adicional ganha particular relevância tendo em conta que, dos 3,5 mil milhões de dólares estimados para a reabilitação integral da EN1, o montante anunciado como assegurado em Maio de 2025 representava aproximadamente um terço das necessidades financeiras então identificadas.
No que respeita à execução das obras, o ministro destacou a adjudicação dos trabalhos de aproximadamente 200 quilómetros no troço Gorongosa–Caia, cujos empreiteiros e respectivas equipas de fiscalização estão envolvidos na preparação da implementação dos trabalhos no terreno. Foram igualmente lançados concursos para a reabilitação de outros 200 quilómetros entre Chimuara e Nicoadala.
O Executivo pretende dar continuidade aos processos de contratação e adjudicação dos restantes lotes durante 2027, de modo que os 814 quilómetros identificados estejam integralmente abrangidos por contratos e obras em execução até ao fim daquele ano. O governante esclareceu, entretanto, que o prazo não corresponde à conclusão da reconstrução da estrada, mas à meta de colocar todos os troços abrangidos pelo programa em processo de intervenção.
“É importante que fique claro que o Governo não está a prometer concluir as obras em 2027, mas sim assegurar que durante este ano todos os troços abrangidos pelo programa estejam progressivamente em obras, prosseguindo a sua execução até ao final do mandato”, sublinhou.
Uma das componentes da estratégia governamental passa pelo envolvimento de empresas privadas na gestão e conservação de determinados troços rodoviários. Para o efeito, está em curso o concurso para a selecção do concessionário do segmento Maracuene–Xai-Xai, cujo encerramento está previsto para o primeiro trimestre de 2027.
O Governo está igualmente a avaliar modelos de concessão para outros segmentos, nomeadamente Xai-Xai–Pambara e Nicoadala–Nampula. A intenção é alargar progressivamente esta abordagem a outros troços, desde que os estudos técnicos, económicos e financeiros demonstrem a sua viabilidade e as vantagens para o interesse público.
“Estamos a desenvolver um programa integrado que combina recursos internos, financiamento externo e participação do sector privado, através de parcerias público-privadas, incluindo concessões a determinados troços ao longo da EN1”, referiu o ministro.
Na zona Sul, o programa contempla ainda a preparação dos documentos de concurso para a reabilitação e ampliação do troço Missão Roque–Zimpeto, com 6,7 quilómetros, e a intervenção no segmento 3 de Fevereiro–Coluane, com 17 quilómetros. Na região Centro, estão previstas intervenções em Gorongosa–Caia, Chimuara–Nicoadala e Inchope–Gorongosa, enquanto, no Norte, o Governo prepara a reabilitação de Pemba–Metoro, numa extensão de 94 quilómetros.
Além da reconstrução dos segmentos degradados, o Executivo pretende reforçar a manutenção dos troços que ainda apresentam condições boas ou razoáveis de transitabilidade, procurando evitar que a deterioração se estenda a outras secções da estrada.
O ministro recordou que, desde 2015, foram realizadas intervenções de manutenção e melhoramento localizado em aproximadamente 342 quilómetros da EN1, representando um investimento de cerca de 90 milhões de dólares, provenientes de recursos internos do Estado. Ressalvou, contudo, que estes trabalhos tinham como objectivo melhorar a circulação em secções críticas e não correspondiam à reconstrução integral da estrada.
A estratégia prevê igualmente a incorporação de soluções de engenharia para reduzir a vulnerabilidade da EN1 às cheias e aos ciclones, através da melhoria dos sistemas de drenagem, reforço das estruturas hidráulicas e protecção de pontes. O sector está também a desenvolver o mapeamento dos troços mais vulneráveis a inundações e cortes de circulação, para definir prioridades de intervenção.
A concretização da meta de colocar 75% da EN1 em boas condições dependerá da capacidade de mobilização dos recursos financeiros, da execução dos contratos e da manutenção dos troços recuperados. Mais do que reconstruir o principal eixo rodoviário do País, o desafio será garantir que os investimentos se traduzam numa redução efectiva dos custos logísticos, numa maior facilidade de circulação de mercadorias e no reforço da integração dos mercados nacionais.
A subida dos preços e os custos da energia continuam a preocupar as principais autoridades monetárias. A Reserva Federal dos Estados Unidos manteve os juros, mas o Banco de Inglaterra voltou a aumentá-los, e o Banco Central Europeu já tinha tomado uma decisão semelhante em Setembro.
Os principais bancos centrais continuam atentos à inflação, num cenário marcado pelas tensões no Médio Oriente e pelo aumento dos custos da energia. O controlo dos preços continua a ser uma prioridade.
Nos Estados Unidos, a Reserva Federal decidiu, a 28 de Outubro, manter a taxa de referência entre 3,75% e 4%. A instituição considera que a inflação permanece elevada e que precisa de acompanhar os indicadores económicos.
Na zona euro, o Banco Central Europeu aumentou, em Setembro, as suas três principais taxas de juro em 0,25 pontos percentuais. A taxa aplicada aos depósitos passou para 2,50%, enquanto a taxa das operações principais de refinanciamento subiu para 2,65%. A instituição apontou a pressão inflacionista associada ao conflito no Médio Oriente como uma das razões para a decisão.
No Reino Unido, o Banco de Inglaterra anunciou, nesta quinta-feira, a subida da taxa de referência de 3,75% para 4%. Foi o primeiro aumento em mais de três anos. A decisão surge depois de a inflação britânica ter atingido 3,5% em Setembro, acima da meta de 2%. O aumento dos preços dos combustíveis, associado à guerra no Irão e às dificuldades no transporte de energia, está entre os factores que pressionam os preços.
Quando os bancos centrais aumentam os juros, os empréstimos ficam mais caros. Famílias e empresas tendem a recorrer menos ao crédito, reduzindo despesas e procura. Assim, a pressão sobre os preços pode diminuir.
Mas esta estratégia também tem custos. Juros elevados podem dificultar o financiamento das empresas, reduzir o consumo e adiar investimentos, afectando o crescimento económico e a criação de emprego.
A evolução dos preços da energia será determinante para as próximas decisões. Se o petróleo e o gás continuarem caros, os custos de produção e transporte poderão manter a inflação elevada. Uma descida sustentada poderá aliviar a pressão sobre os preços e reduzir a necessidade de novos aumentos das taxas.
Para Moçambique, que importa combustíveis, a evolução dos preços internacionais da energia influencia a factura de importação e os custos de transporte e produção. Juros elevados nas principais economias podem também encarecer o financiamento nos mercados internacionais.
A economia moçambicana poderá registar um crescimento de aproximadamente 21% a 22% até 2042, caso avance o projecto de gás natural da ExxonMobil, na Área 4 da Bacia do Rovuma, juntando-se ao empreendimento da TotalEnergies, na Área 1. A perspectiva foi apresentada pelo presidente da Câmara de Petróleo e Gás de Moçambique, Florival Mucave, que considera que a concretização dos dois investimentos poderá abrir um novo ciclo de expansão económica, embora coloque desafios importantes ao empresariado nacional.
Florival Mucave baseia a projecção num estudo do Standard Bank, realizado há cerca de dois anos, que apontava para um crescimento de 11% até 2030 com o desenvolvimento do projecto da Área 1, liderado pela TotalEnergies. O empreendimento já tomou a Decisão Final de Investimento (FID) e está na fase de mobilização e preparação da construção da planta.
A projecção mais elevada depende do avanço do projecto da ExxonMobil, na Área 4, cujo FID a empresa se comprometeu a anunciar neste ano. “Se eles anunciarem o FID da Exxon, nós perspectivamos um crescimento, pelo menos até 2042, de aproximadamente 21%, 22% para Moçambique”, afirmou.
Mucave alerta que o País precisa de preparar as empresas para integrarem a cadeia de fornecimento.
As oportunidades deverão abranger construção civil, transporte, logística, fornecimento de alimentos, manutenção, carpintaria e outros serviços de apoio à operação dos projectos.
O fornecimento de alimentos é uma das áreas com potencial para fornecedores nacionais. Actualmente, parte dos produtos destinados aos projectos é adquirida na África do Sul, devido à limitada capacidade de resposta do mercado moçambicano.
“Ainda não temos capacidade suficiente para alimentar estes projectos”, reconheceu. A expectativa é que, nos próximos 18 meses a dois anos, empresas moçambicanas assumam parte do fornecimento. Há também espaço na logística, construção de estradas e manutenção.
A robustez empresarial será determinante num sector exigente.
Mucave explica que as empresas interessadas em fornecer bens e serviços terão de cumprir requisitos que incluem certificação, apresentação das contas dos últimos três anos, contabilidade organizada e demonstração da capacidade técnica para executar os trabalhos a que se candidatam.
“Não chega ser empresário para ter um contrato. A empresa vai ter de se certificar, apresentar as suas contas dos últimos três anos e mostrar a sua capacidade técnica para participar na área específica em que pretende entrar”, afirmou.
Considera-os condições normais de participação na indústria. Por isso, as pequenas e médias empresas devem organizar a gestão e procurar parcerias com companhias estrangeiras experientes.
As parcerias poderão facilitar a transferência de conhecimento, o reforço técnico e o acesso a capital, permitindo que as empresas nacionais ganhem experiência e autonomia.
FINANCIAMENTO E FUNDO DE MANEIO ENTRE OS PRINCIPAIS ENTRAVES
O financiamento continua entre os principais constrangimentos. Muitas pequenas e médias empresas não dispõem de garantias suficientes para obter crédito, mesmo depois de conquistarem contratos.
Mucave revelou que a Câmara assinou um memorando de entendimento com o Standard Bank para promover a participação das empresas nacionais. A incubadora do banco deverá apoiar as PME na compreensão dos requisitos financeiros e na organização da gestão.
A Câmara pretende que a banca aceite contratos como garantia, uma vez que muitas empresas não dispõem de colaterais. A empresa nacional continuará responsável pela execução do serviço e pelo reembolso do crédito.
O responsável considera que a existência de um contrato com uma empresa reconhecida na indústria poderá ajudar a demonstrar aos bancos que existe uma oportunidade comercial concreta. Contudo, adverte que as empresas nacionais também devem demonstrar capacidade para cumprir as obrigações assumidas.
Outro problema é a falta de fundo de maneio. Em determinados contratos, o fornecedor nacional tem de adquirir materiais ou matérias-primas e executar o trabalho antes de receber o pagamento, que pode ocorrer entre 20 e 90 dias depois. Sem recursos para suportar esse intervalo, a empresa pode não conseguir executar um contrato que já conquistou.
“A empresa pode ter um contrato, mas precisa de fundo de maneio para comprar materiais, executar o trabalho e esperar 20, 30 ou até 90 dias para receber”, explicou.
A Câmara defende adiantamentos bancários ou prazos de pagamento mais curtos. Mucave espera também que o Fundo de Garantia Mutuária, o Banco Nacional de Investimento e o Fundo Soberano contribuam para criar mecanismos específicos de apoio às empresas do sector.
CONSTRUÇÃO PODERÁ MOBILIZAR DEZENAS DE MILHARES DE TRABALHADORES
Os efeitos dos projectos também poderão fazer-se sentir no mercado de trabalho. Mucave revelou que, numa visita ao projecto da TotalEnergies, em Afungi, a empresa informou que já tinha cerca de 10 mil pessoas nos trabalhos preparatórios. Na construção da planta de liquefacção, o número poderá subir para 20 mil ou mais.
Considerando os dois projectos, Mucave estima que a construção das respectivas infra-estruturas poderá envolver cerca de 50 mil trabalhadores numa primeira fase. O número é uma estimativa do entrevistado.
“Quando juntamos os dois projectos, estamos a falar de cerca de 50 mil trabalhadores numa primeira fase da construção”, afirmou. Para que os moçambicanos beneficiem dessa procura, defende a formação profissional e a transferência de conhecimento, de modo a permitir o acesso a funções especializadas.
CONTEÚDO LOCAL E GÁS DOMÉSTICO COMO PRIORIDADES
Mucave considera que a implementação da Lei de Conteúdo Local será decisiva para ampliar a participação das empresas moçambicanas. A legislação deverá ser acompanhada por formação dos trabalhadores, transferência de conhecimento e condições para que os operadores nacionais consigam responder às exigências dos grandes projectos.
“Não basta termos uma lei. Nós temos, agora, de fazer a formação dos moçambicanos e trabalhar na transferência de conhecimento”, defendeu.
Além do conteúdo local, Mucave aponta o uso do gás doméstico como estratégico. Moçambique deve definir como usar o gás para desenvolver indústrias e reduzir importações.
“Se queremos projectar Moçambique no futuro como um país industrializado, com base no nosso gás, temos de pensar em como vamos utilizar o gás doméstico”, afirmou, defendendo a identificação das indústrias prioritárias e o reforço da capacidade das instituições do Estado que deverão conduzir esse processo.
A Câmara prevê feiras de parcerias para aproximar empresas nacionais de operadores estrangeiros experientes no sector.
Mucave deixa um apelo aos jovens empresários e às pequenas e médias empresas para que não aguardem o anúncio dos investimentos para começarem a preparar-se. “É muito importante começarmos a formação das nossas empresas, termos uma contabilidade em dia, processos administrativos organizados e, sobretudo, procurarmos parceiros estratégicos”, concluiu.
O Governo prevê que o fenómeno El Niño tenha efeitos severos na campanha agrária 2026-2027, podendo colocar em risco a produção agrícola e a segurança alimentar de 1.277.000 produtores moçambicanos. Para responder à situação, foi elaborado um programa de mitigação orçado em 94,7 milhões de dólares norte-americanos, destinados a apoiar os produtores das zonas consideradas de maior risco.
A informação foi avançada pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante uma sessão da Assembleia da República, na qual apresentou o Programa de Mitigação dos Efeitos do Fenómeno El Niño na Agricultura, para a campanha agrária 2026-2027.
Segundo o governante, as previsões climáticas sazonais apontam para uma elevada probabilidade de ocorrência do fenómeno, historicamente associado, em Moçambique, à redução da precipitação, à distribuição irregular das chuvas e a períodos prolongados de seca e estiagem.
Salim Valá alertou que este cenário poderá comprometer a disponibilidade de água para as culturas e pastagens, afectar a sementeira e a produção agrícola, bem como o efectivo pecuário e a aquacultura, agravando a insegurança alimentar, sobretudo entre as famílias mais vulneráveis.
As províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, no Sul, e Tete, Manica, Sofala e Zambézia, no Centro do país, são apontadas como as regiões que poderão sofrer com maior severidade os efeitos do fenómeno, devido à exposição aos défices de precipitação e às fragilidades estruturais da produção agrária.
O ministro recordou que a experiência do El Niño de 2015-2016 demonstrou que a ausência de respostas atempadas pode resultar em perdas significativas de produção e no agravamento das necessidades humanitárias nos meses seguintes à colheita.
No âmbito do programa, o Governo prevê apoiar directamente 203.850 produtores agrícolas, através da distribuição de insumos e kits agrícolas, enquanto 90.524 criadores de gado deverão beneficiar de assistência, abrangendo cerca de 1,5 milhão de animais.
Na componente agrícola, está prevista a distribuição de 185.500 kits, destinados a uma área estimada de 93.750 hectares. O programa contempla ainda a aquisição de sementes de milho, arroz e feijão, material de plantação de batata-doce e mandioca, fertilizantes e sacos herméticos para a conservação da produção.
Para reduzir a dependência das chuvas, serão igualmente adquiridos cerca de 740 kits de irrigação, destinados a 74 distritos afectados pela seca. A medida deverá permitir a continuidade da produção durante a época seca e contribuir para a recuperação das áreas afectadas pela estiagem.
Na área da pecuária, está prevista a distribuição de feno e a realização de campanhas de suplementação alimentar e assistência veterinária, com o objectivo de reduzir entre 30 e 35 por cento a taxa de mortalidade dos animais.
Salim Valá explicou que o programa será implementado durante a campanha agrária 2026-2027, devendo os insumos chegar aos beneficiários antes do início das sementeiras. A execução deverá envolver instituições nacionais e organizações internacionais, sob coordenação do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas.
O governante referiu ainda que o programa de mitigação agrícola integra o Plano Anual de Contingência 2026-2027, aprovado pelo Governo a 3 de Novembro, orçado em 39,8 mil milhões de meticais, equivalente a cerca de 623 milhões de dólares, e que prevê apoiar 2,2 milhões de pessoas afectadas por diferentes riscos.
O Presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou, esta quarta-feira, que a vitória dos democratas nas eleições intercalares nos Estados Unidos da América renova a esperança de um reforço do apoio de Washington a Kyiv.
Numa entrevista transmitida, na noite desta quarta-feira, pela emissora pública alemã, Volodimir Zelensky afirmou que a vitória dos democratas nas eleições intercalares norte-americanas representa uma oportunidade para reforçar o apoio dos Estados Unidos à Ucrânia, tendo em conta o novo equilíbrio de forças políticas no país.
Zelensky acrescentou que um maior apoio militar e financeiro do Congresso norte-americano poderá exercer pressão sobre a Rússia e abrir caminho a negociações com vista à paz.
A vitória democrata nas eleições intercalares deverá permitir ao partido assumir o controlo do Congresso, limitando a margem de actuação do Presidente Donald Trump nos últimos dois anos do seu mandato.
Apesar disso, Trump continuará a dispor de importantes instrumentos de poder, entre os quais o direito de veto e as competências próprias do poder executivo.
Paralelamente, Volodimir Zelensky anunciou ter mantido contactos com emissários norte-americanos, na sequência do resultado desfavorável a Donald Trump nas eleições intercalares e antes de uma série de encontros relacionados com o conflito na Ucrânia.
Recorde-se que a Rússia anexou a Península da Crimeia, em 2014, e lançou, em Fevereiro de 2022, uma ofensiva militar em larga escala contra o território ucraniano.
Cristiano Ronaldo anunciou o fim da sua carreira na Selecção Nacional de Portugal, após 23 anos ao serviço da equipa das quinas. Através de um vídeo publicado nas redes sociais, o futebolista afirmou que chegou o momento de devolver a camisola número 7 e encerrar uma caminhada iniciada em Agosto de 2003, que, segundo disse, mudou a sua vida para sempre.
Na mensagem de despedida, o internacional português reconheceu que a decisão não foi fácil, por envolver não apenas a razão, mas também os sentimentos. Recordou os jogos, os golos, os recordes e os troféus conquistados, mas destacou sobretudo as pessoas que fizeram parte do seu percurso e o orgulho de ter representado Portugal.
“Dei tudo o que tinha por esta camisola”, afirmou, reconhecendo também os momentos de derrota, sofrimento e falhas ao longo da carreira. Ainda assim, garantiu nunca ter deixado de sentir orgulho por representar o país.
O jogador agradeceu aos companheiros de equipa, aos treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas e restantes profissionais que o acompanharam durante os 23 anos na Selecção, bem como à família, pelos sacrifícios e pela compreensão das ausências.
Cristiano Ronaldo destacou ainda a ligação emocional com os portugueses, recordando os momentos em que o Hino Nacional era entoado nos estádios e todos se uniam em torno de uma única paixão: Portugal.
“Hoje termino a minha caminhada dentro de campo com a Selecção Nacional. Saio de cabeça levantada, com orgulho no caminho que fiz e com a consciência de que dei tudo o que tinha por Portugal”, declarou.
Apesar da despedida dos relvados ao serviço da equipa nacional, Ronaldo garantiu que continuará a acompanhar e a apoiar Portugal, prometendo vibrar e celebrar cada vitória.
“Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo”, afirmou, ao agradecer aos portugueses pelos 23 anos de apoio.
Subiu de quatro para cinco o número de indivíduos que se encontram detidos em conexão com o assassinato do antigo Bispo de Quelimane, Dom Osório Citorra Afonso, ocorrido a 6 de Junho deste ano, na sua residência episcopal. Entre os detidos estão dois padres, um guarda da Diocese de Quelimane e dois civis. O número de arguidos passou de quatro para cinco, mas, cinco meses depois do crime, as circunstâncias do homicídio continuam por esclarecer.
A informação foi avançada pelo Procurador-Chefe Provincial da Zambézia, que assegura que prosseguem os trabalhos com vista ao esclarecimento do caso, que abalou a Igreja Católica e provocou indignação na sociedade moçambicana.
“Felizmente, o prazo da prisão preventiva deixa-nos mais tranquilos para fazer o nosso trabalho com qualidade, uma vez que os mesmos foram prorrogados para 12 meses. Há um trabalho que está a ser feito para encontrar os autores materiais. Preocupa-nos bastante e temos interesse em saber quem cometeu tal crime”, disse o Procurador-Chefe Provincial da Zambézia, que garantiu que será feito o máximo para o esclarecimento do caso.
Os cinco arguidos encontram-se na Penitenciária Provincial da Zambézia, enquanto decorrem os procedimentos judiciais. O caso continua a suscitar questionamentos e preocupações públicas, sobretudo pela demora no esclarecimento das circunstâncias em que ocorreu o assassinato.
Questionado pela imprensa, esta quinta-feira, por ocasião das celebrações do Dia da Legalidade, o magistrado garantiu que o processo continua em andamento, sem avançar detalhes adicionais sobre as investigações.
Na mesma ocasião, o Procurador-Chefe Provincial apelou à sociedade civil para que se constitua assistente no processo, de modo a acompanhar os desenvolvimentos judiciais e contribuir com elementos que possam ajudar a esclarecer o assassinato de Dom Osório Citorra Afonso.
A Comissão Política da FRELIMO anunciou uma contribuição para apoiar a restauração da Unidade de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM), afectada por um incêndio no último domingo. O órgão apela aos membros, simpatizantes e à sociedade em geral a juntarem-se à iniciativa de solidariedade para garantir a recuperação daquele serviço hospitalar.
A decisão foi anunciada no comunicado da 77.ª Sessão Ordinária da Comissão Política da FRELIMO, realizada esta quarta-feira, 4 de Novembro, na sede nacional do partido, sob direcção do Presidente da República e da FRELIMO, Daniel Chapo.
Sobre o incêndio, a Comissão Política saudou a intervenção do pessoal de saúde, do Serviço Nacional de Salvação Pública, da Agência Nacional de Energia Atómica de Moçambique e da população, pelo trabalho desenvolvido no salvamento de vidas. Na mesma ocasião, encorajou o Governo a prosseguir com as investigações para apurar as causas do incidente.
O órgão manifestou igualmente preocupação com os riscos associados ao fenómeno climático El Niño, caracterizado pela ocorrência de seca severa, cheias, inundações e ciclones, apelando à mobilização da sociedade e ao reforço do plano de contingência para reduzir a vulnerabilidade das populações.
No domínio da governação, a Comissão Política destacou a criação da Zona Económica Especial de Moamba, na província de Maputo, considerando que a iniciativa poderá contribuir para o aumento da capacidade produtiva e comercial, criação de empregos, atracção de investimentos e geração de divisas.
A sessão analisou ainda o funcionamento do partido, o desempenho da bancada parlamentar da FRELIMO na Assembleia da República e a actuação das Forças de Defesa e Segurança, tendo enaltecido o seu empenho na defesa do território e da soberania nacional, particularmente no combate ao terrorismo em algumas zonas da província de Cabo Delgado.
No mesmo encontro, foi convocada a V Sessão Extraordinária do Comité Central da FRELIMO, a realizar-se nos dias 27 e 28 de Novembro, na cidade da Matola. Da agenda constam a apreciação das propostas de directiva sobre eleições internas, do Código de Conduta, Ética e Disciplina do partido e das teses ao 13.º Congresso.
A Comissão Política manifestou ainda pesar pelo desaparecimento físico de Deolinda Guezimane e Joaquim Tobias Dai, considerando que o legado de ambos constitui uma fonte de inspiração para os moçambicanos.
O Presidente da República diz que o País deve crescer mais economicamente do que em número de novos nascimentos. Daniel Chapo defende mais financiamento para iniciativas juvenis, para fazer face ao desemprego. Chapo falava na abertura da Conferência Nacional de População e Desenvolvimento.
O Governo reuniu políticos, académicos, estudantes e várias personalidades para discutir estratégias de modo a desenvolver o País, face a um crescimento populacional, na ordem de 1 milhão de habitantes por ano.
O Chefe de Estado, que presidiu a abertura da Conferência Nacional de População e Desenvolvimento, desafiou o público a uma reflexão:
“Ou temos que nascer ao ritmo que a economia tem que crescer mais do que estamos a nascer, que seria o ideal, ou temos que ir para uma solução que é mais difícil de fazer. Nascer não é problema, desde que se produza ao ritmo superior ao nascimento. E, mesmo quando a economia cresce, se esse crescimento não for suficientemente robusto, os ganhos do rendimento médio das famílias serão limitados. Por isso, o nosso desafio não é apenas fazer crescer a economia, é fazê-la crescer de forma sustentada a um ritmo superior ao crescimento da população, de modo a assegurar que essa riqueza se traduz em mais empregos, melhores salários para os moçambicanos, maior produtividade e melhores condições de vida”, afirmou Daniel Chapo.
Anualmente, mais de 500 mil jovens procuram por um novo emprego, porém a economia formal gera apenas cerca de 30 mil postos de trabalho por ano, empurrando mais de 470 mil para o informal ou para o desemprego.
Segundo Daniel Chapo, o Governo está ciente do desafio.
“Não basta que seja um país com mais habitantes, precisamos de construir um Moçambique com cidadãos cada vez mais prósperos. Esta realidade exige de nós uma economia mais dinâmica, produtiva e diversificada, capaz de transformar a energia da nossa juventude em riqueza nacional. Estes 500 mil jovens são uma verdadeira riqueza nacional que deve ser aproveitada. É nessa perspectiva que estamos a implementar reformas para melhorar o ambiente de negócios, promover a industrialização e ampliar os mecanismos de financiamento da economia, com destaque para o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, FDEL, o Promulher, o Fundo de Garantia Mutuária, o Conecta Negócios, o Jobs Now, o Banco de Desenvolvimento do Moçambique”, referiu.
O Reino Unido promete apoio a iniciativas que fomentem a empregabilidade juvenil.
“Através do nosso compacto para o crescimento económico inclusivo, o Reino Unido pretende mobilizar investimento e apoiar reformas que criem mais e melhores empregos. Queremos apoiar uma economia mais diversificada, resiliente e inclusiva, incluindo através do investimento em sectores e cidades de valor capazes de gerar emprego em grande escala. O futuro demográfico de Moçambique está directamente ligado ao seu futuro económico”, disse a Louise Walker, alta-comissária adjunta e chefe de Cooperação do Reino Unido.
Para o economista Prakash Ratilal, para além do aumento da produção, é preciso controlar a natalidade.
“Não se trata de controlar a população, mas trata-se de haver um planeamento familiar, que é esta responsabilidade de cada ser humano de construir uma família sustentável. Tem de se insistir muito nas políticas da educação, do saber fazer, que é muito importante, para permitir que cada um, quando chegar à sua actividade de participar no mercado, possa não estar a depender do Estado. O Estado nunca terá capacidade para absorver esta totalidade da mão-de-obra que está a entrar no mercado. Então, é preciso haver a iniciativa privada que tem de ser acarinhada. E a iniciativa privada precisa de ter um enquadramento de um meio ambiente que funcione, um sistema bancário que funcione, que as divisas sejam disponíveis. Portanto, todos os sinais vermelhos que existem na economia, de burocracia, de uma série de entraves ao crescimento das empresas, é preciso libertar estas forças, e elas possam operar e possam produzir, porque a riqueza bruta, a riqueza natural, existe”, avançou o Chefe do Estado.
Um dos principais objectivos da reunião de dois dias será recolher contribuições para o aperfeiçoamento da proposta da nova Política Nacional da População.