A África do Sul está a solicitar a vários países africanos o reembolso dos custos relacionados com o repatriamento de dezenas de milhares de cidadãos estrangeiros, depois de o país ter deportado ou ajudado no regresso de mais de 80 mil migrantes aos seus países de origem.
Segundo o Ministério dos Assuntos Internos da África do Sul, o Governo gastou cerca de 18 milhões de dólares norte-americanos para acomodar e transportar migrantes que regressaram aos seus países. Pedidos formais de compensação foram já enviados ao Malawi, Etiópia e Nigéria.
Os custos incluem transporte em autocarros, instalação de centros temporários de repatriamento e pagamento de horas extraordinárias aos funcionários envolvidos nas operações. O director-geral do Departamento de Assuntos Internos, Tommy Makhode, classificou as despesas como “imprevistas e inevitáveis”.
O ministro dos Assuntos Internos, Leon Schreiber, considerou sem precedentes o actual volume de deportações e repatriamentos, realizados num contexto de crescente tensão em torno da imigração ilegal na África do Sul.
Grupos que se opõem à imigração ilegal têm promovido protestos e, em alguns casos, registaram-se ataques contra cidadãos estrangeiros. Os manifestantes acusam os imigrantes de contribuírem para o desemprego, o aumento da criminalidade e a sobrecarga dos serviços públicos.
Alguns países africanos acusaram o Governo sul-africano de não proteger devidamente os seus cidadãos, acusação rejeitada pelas autoridades de Pretória. O Gana chegou recentemente a defender a inclusão da situação dos migrantes na África do Sul na agenda de uma próxima reunião da União Africana, proposta que acabou por ser rejeitada.
Dados do Governo sul-africano indicam que 82.875 pessoas foram voluntariamente repatriadas ou deportadas desde o início do actual período de tensão migratória. Contudo, números apresentados pelos países de origem apontam para cerca de 178 mil pessoas que terão regressado.
Entre Abril e Julho, 16.078 cidadãos estrangeiros, sobretudo do Lesotho, Malawi, Tanzânia, Zimbabwe e Moçambique, foram deportados através do Centro de Repatriamento de Lindela.
As autoridades policiais sul-africanas anunciaram ainda o reforço das operações contra a imigração ilegal e crimes associados. Quase 60 mil pessoas em situação irregular foram detidas, das quais 16.208 apenas durante o mês de Julho.
A questão migratória continua, assim, a gerar tensão entre a África do Sul e outros países africanos, ao mesmo tempo que o Governo sul-africano procura fazer face aos elevados custos das operações de deportação e repatriamento.
O director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou para a rápida propagação do surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), após uma visita ao país, onde se reuniu com o Presidente e destacou os esforços das autoridades no combate à doença.
Segundo o responsável da OMS, a actual epidemia já é a segunda maior de que há registo e está a propagar-se mais rapidamente do que qualquer outro surto anterior. Ao ritmo actual, poderá ultrapassar a epidemia registada na África Ocidental entre 2014 e 2016.
Até ao momento, foram oficialmente reportados 4.449 casos confirmados e 2.061 mortes em cinco províncias e 53 zonas de saúde.
Tedros manifestou ainda preocupação com o elevado número de mortes registadas nas comunidades, sobretudo em locais onde não existem centros de tratamento, situação que dificulta o rastreio e acompanhamento dos contactos.
“O mais preocupante é que vemos uma alta proporção de mortes nas comunidades, em vez de em unidades de tratamento, fora das listas de contactos conhecidos”, afirmou, alertando que os dados indicam a existência de cadeias de transmissão ainda desconhecidas.
O director-geral da OMS sublinhou que, enquanto essas cadeias não forem identificadas e interrompidas, será difícil conter o surto.
A actual epidemia é provocada pela variante Bundibugyo do vírus Ébola e, segundo a OMS, a tendência de propagação indica que poderá superar a epidemia da África Ocidental, que entre 2014 e 2016 provocou milhares de mortes.
Pelo menos 44 pessoas morreram afogadas depois de uma balsa sobrelotada ter virado no Lago Kariba, no Zimbabwe, anunciou a polícia esta quarta-feira, actualizando o balanço do acidente ocorrido na véspera.
O desastre aconteceu na terça-feira, em condições meteorológicas adversas. Uma testemunha contou à AFP que, pouco depois do naufrágio, era possível avistar corpos na água enquanto as equipas de socorro tentavam alcançar a embarcação.
Segundo a Unidade de Protecção Civil (CPU), a balsa transportava 114 passageiros adultos, cinco tripulantes e um número ainda desconhecido de crianças. A embarcação, pertencente à Agência de Desenvolvimento de Infra-estruturas Rurais (RIDA), tinha capacidade para 90 pessoas, mas fazia o transporte de passageiros entre a cidade de Kariba, no norte do país, e várias ilhas e comunidades piscatórias do lago.
Inicialmente, as autoridades tinham informado que 77 pessoas haviam sido resgatadas e que 15 corpos tinham sido recuperados. Na quarta-feira, porém, a Polícia da República do Zimbabué (ZRP) confirmou um aumento significativo do número de vítimas mortais.
“A ZRP informa o público de que o número de mortos no acidente com a embarcação Kariba RIDA é agora de 44”, escreveu a polícia na rede social X.
O acidente é considerado um dos mais graves desastres envolvendo embarcações de passageiros registados no Lago Kariba, situado na fronteira entre o Zimbabué e a Zâmbia, a mais de 300 quilómetros a nordeste de Harare. Trata-se do maior lago artificial do mundo em volume.
As operações de busca e salvamento prosseguem, uma vez que continuam a existir pessoas dadas como desaparecidas. A Unidade de Protecção Civil informou que foram contratadas duas agências funerárias para proceder à recolha dos corpos.
Maxton Kanhema, uma das testemunhas, relatou que a embarcação deixou a margem durante a manhã, apesar do mau tempo, e poderá ter sido atingida por uma onda, provocando, aparentemente, a paragem dos motores.
“Quando estávamos na água, vimos um sinal de socorro e, pouco depois, embarcações que se encontravam nas proximidades dirigiram-se para o local”, contou Kanhema à AFP.
Um parque nacional disponibilizou um helicóptero para apoiar as operações, enquanto barcos de maior dimensão, mergulhadores locais e elementos do exército também participam nas buscas. Uma equipa especializada em salvamento aquático foi ainda transportada de avião para a região.
Kanhema descreveu a situação como particularmente dramática, afirmando que havia pessoas em perigo e corpos a flutuar na água. Os sobreviventes resgatados foram posteriormente transportados para Long Island, uma ilha situada no interior do Lago Kariba.
As autoridades continuam a procurar eventuais sobreviventes e a recuperar os corpos das vítimas, enquanto deverão ser investigadas as circunstâncias que levaram ao naufrágio da embarcação.
Famílias desalojadas pela Polícia da República de Moçambique de um espaço alegadamente alheio no bairro das Mahotas continuam a viver ao relento três semanas após o despejo. nunca foi apresentado o mandado judicial para demolições, e o Município de Maputo não quer falar do assunto.
Nos últimos três dias, o frio apertou em Maputo, e para estas famílias, que há três semanas vivem sem casas no bairro das Mahotas, na capital do País, as baixas temperaturas tornam ainda mais difícil enfrentar a realidade.
Entre tendas improvisadas, lareiras e cobertores, procuram abrigo para mais um dia.
“Estamos aqui, ao relento”, introduziu Hortência Eugénia, uma moradora entrevistada na manhã desta quarta-feira. Segundo a fonte, “aqui ninguém aparece do Governo, eles não conhecem esta população aqui acampada.”
Margarida Zimila, outra entrevistada no local, denuncia um alegado “esquecimento” questionando “porque Rasaque Manique não levanta para vir ver esta situação aqui? As famílias foram vítimas de uma suposta acção judicial que culminou com a destruição de casas construídas num espaço alegadamente alheio. Depois da demolição, as famílias continuam a passar as noites frias na rua. “Estamos na rua, a sofrer, mas nós não vamos sair daqui, nós queremos que a senhora que nos colocou aqui venha, e ainda que não venha, um dia, a justiça será feita”, desabafou Margarida Zimila
A estes dias, a preocupação nem é com a comida, se bem que também falta. A chuva que pode molhar o pouco que salvaram do despejo, atormenta as pessoas principalmente as crianças que “passam mal e algumas estão frequentemente doentes”.
Embora os moradores citem uma entidade ligada ao Município de Maputo como responsável de atribuição de espaços onde foram desalojados, a comunicação e imagem do Conselho Municipal reiterou, nesta quarta-feira, que não vai pronunciar-se sobre o caso.
Enquanto as famílias permanecem ao relento, o alegado proprietário do espaço, que nunca apresentou o mandado judicial que fundamentou o uso da força do Estado para desalojar as famílias, avança com obras de vedação do espaço ora ocupado.
Município de Quelimane prepara intervenções de protecção costeira e drenagem avaliadas em mais de 20 milhões de euros. O avanço da erosão costeira continua a ameaçar várias zonas da cidade de Quelimane, na província da Zambézia. Os bairros de Icidua, Sangariveira e Murropué estão entre as áreas consideradas mais vulneráveis, devido à degradação progressiva das margens e aos efeitos das mudanças climáticas.
Perante o cenário, o Conselho Municipal de Quelimane já iniciou os estudos preparatórios para identificar as zonas prioritárias de intervenção e definir as obras necessárias para conter o avanço da erosão e melhorar o sistema de drenagem da cidade. Segundo o edil de Quelimane, Manuel de Araújo, uma empresa holandesa encontra-se actualmente no terreno a realizar o levantamento primário, etapa que deverá anteceder o início das obras.
A expectativa da edilidade é de que as intervenções propriamente ditas possam arrancar no próximo semestre. “Nós ainda estamos a trabalhar no cronograma de actividades, é só no primeiro trimestre do próximo ano é que as obras propriamente ditas poderão iniciar. Neste momento decorrem os estudos, semana passada esteve cá uma equipa técnica, próxima a semana virá uma equipa da Holanda, para mais estudos” disse o autarca adiantando que quando as equipas vem, recolhe os dados para país de origem por forma a modelar os dados, por forma a fazer ensaio e isso leva algum tempo.
O projecto de resiliência urbana está orçado em mais de 20 milhões de euros e foi anunciado em Março deste ano pelos embaixadores da Alemanha e do Reino dos Países Baixos, durante uma visita à cidade de Quelimane. As intervenções deverão abranger a faixa costeira e outras áreas consideradas vulneráveis. Um dos principais eixos prevê o acompanhamento da linha da marginal, desde o Porto de Quelimane até ao bairro Icidua, passando por Ivagalane e prolongando-se até Murropué.
“Como sabemos o Rio dos bons sinais movem em duas direções dependendo do nível das águas do mar. Quando a maré é alta a água toma direcção contrária quando a maré baixa. O movimento das águas, influenciam o comportamento não só dos afluentes, como também afecta as infraestruturas” disse Manuel de Araújo para quem o semi-circulo que parte do Porto de Quelimane até aos bairros vulneráveis, visa proteger a zona costeira criando vasos comunicantes que permitam controlar a subida e a baixa da maré.
Antes da disponibilização do financiamento, o Município de Quelimane, em parceria com instituições académicas, já vinha realizando levantamentos para compreender a dimensão da erosão e identificar possíveis áreas de intervenção. Contudo, a insuficiência de recursos financeiros condicionou a capacidade do município de avançar com obras de maior dimensão.
Com o novo projecto, as autoridades municipais esperam reforçar a protecção da cidade contra a erosão costeira, melhorar a drenagem e aumentar a resiliência das comunidades e infra-estruturas localizadas nas zonas de maior risco
O partido Frelimo reconhece que persistem desafios que exigem respostas concretas, entre os quais o acesso ao emprego, à educação de qualidade, à habitação e à formação técnico-profissional, entre outros. Superar estes desafios requer o compromisso conjunto da juventude, do Estado, do sector privado e da sociedade civil.
A posição é assumida pelo partido no âmbito do Dia Internacional da Juventude, que se assinala hoje, 12 de Agosto, defendendo que os jovens devem ocupar um lugar central nas estratégias de desenvolvimento do País, por constituírem uma parcela significativa da população.
Para a Frelimo, a juventude não representa apenas o futuro de Moçambique, mas constitui uma força presente, com capacidade para impulsionar transformações económicas, sociais, tecnológicas e culturais. O partido considera que o talento, a criatividade e a capacidade de inovação dos jovens devem ser aproveitados para acelerar o desenvolvimento nacional e reduzir os níveis de pobreza.
Neste quadro, o partido destaca a necessidade de ampliar as condições para que os jovens desenvolvam competências e encontrem oportunidades de inserção económica. O empreendedorismo surge como uma das áreas apontadas para aumentar as possibilidades de realização pessoal e profissional da juventude.
A Frelimo aponta o Projovem como uma das iniciativas destinadas a responder a este desafio. O programa é apresentado como uma iniciativa estruturante para impulsionar projectos, emprego e oportunidades para os jovens, tendo sido anunciado pelo Presidente da República e da Frelimo, Daniel Francisco Chapo, durante a abertura da IX Conferência Nacional da Juventude, em Pemba, província de Cabo Delgado.
O partido apela aos jovens para que aproveitem as oportunidades existentes e participem activamente nos processos de transformação económica e social do País. A aposta, segundo a Frelimo, deve passar pela valorização do conhecimento, do talento, da criatividade e do espírito empreendedor da nova geração.
A força política recorda, igualmente, o papel desempenhado pela juventude nos principais momentos da história de Moçambique, desde a luta pela emancipação política até à defesa e consolidação das conquistas nacionais.
Neste Dia Internacional da Juventude, a Frelimo defende, por isso, a construção de um país onde o esforço, o mérito e o talento dos jovens tenham espaço para se desenvolver, associando essa aposta à construção de um Moçambique mais próspero, inclusivo e rumo à independência económica.
A posição foi divulgada pela Frelimo num documento enviado à nossa redacção, no qual o partido saúda a juventude moçambicana, a Organização da Juventude Moçambicana (OJM) e as organizações da sociedade que trabalham com jovens.
Duas irmãs foram agredidas e um guarda ficou gravemente ferido durante um assalto à Paróquia Nossa Senhora da Assunção de Mecubúri, em Nampula. A igreja nega, entretanto, que tenha havido violação sexual.
A Igreja Católica em Nampula manifesta preocupação com a onda de violência que tem atingido membros do clero e comunidades religiosas na província. O caso mais recente ocorreu na madrugada do último sábado, quando um grupo de indivíduos desconhecidos invadiu a Paróquia Nossa Senhora da Assunção de Mecubúri e agrediu fisicamente duas religiosas e o guarda que se encontrava em serviço.
O guarda sofreu ferimentos graves na cabeça e perdeu três dedos da mão esquerda, depois de ser atingido com uma catana durante o assalto.
“Ele foi espancado, contraiu ferimentos na cabeça e foram amputados três dedos da mão esquerda”, explicou Estêvão Júlio, padre vigário-geral da Arquidiocese de Nampula.
Durante a invasão, duas irmãs que se encontravam na paróquia também foram agredidas fisicamente. A Arquidiocese de Nampula esclarece, no entanto, que não houve violação sexual das religiosas, contrariando informações que circulavam nas redes sociais.
“Não é verdade o que foi veiculado nas redes sociais. Nenhuma irmã foi violada e muito menos as meninas que estão no lar. Ficamos indignados com essas falsas notícias”, afirmou o vigário-geral.
Na mesma paróquia funciona um lar feminino que acolhe 42 alunas provenientes de zonas recônditas da província, que frequentam os estudos em regime de internato. Durante o assalto, os criminosos levaram telemóveis pertencentes às estudantes e um computador da congregação.
A Igreja Católica considera o episódio particularmente preocupante por ocorrer num contexto em que persistem receios relacionados com a segurança dos seus membros. Para a Arquidiocese de Nampula, o ataque constitui mais um sinal da vulnerabilidade das comunidades religiosas perante a criminalidade.
O padre Estêvão Júlio relacionou ainda o episódio com o sentimento de insegurança deixado pela morte de Dom Osório, também vítima de violência criminosa. Segundo o sacerdote, os recentes acontecimentos reavivam as feridas provocadas por aquele caso e aumentam a preocupação entre os membros da igreja.
A Arquidiocese de Nampula apela à investigação dos crimes e ao reforço da segurança nas instituições religiosas, sobretudo nas comunidades que acolhem estudantes e outras pessoas em situação de vulnerabilidade.
O Conselho Municipal de Maputo (CMM) vai disponibilizar vagas nos seus serviços para a execução de penas alternativas à prisão, permitindo que cidadãos condenados cumpram determinadas sanções através da prestação de trabalho socialmente útil. A medida resulta de um protocolo de cooperação assinado nesta terça-feira entre o Município e o Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP).
O acordo pretende dar maior concretização à aplicação das penas alternativas à privação da liberdade, apostando na responsabilização dos condenados, mas também na sua reabilitação e reinserção social. A iniciativa prevê que os cidadãos abrangidos possam realizar actividades de interesse público nas áreas a serem definidas pelo Conselho Municipal de Maputo.
Na cerimónia de assinatura, o director-geral do SERNAP, David Henrique, explicou que “a prestação de trabalho socialmente útil constitui uma das modalidades previstas no quadro das penas alternativas à prisão e é destinada a condenados que preencham determinados requisitos estabelecidos na legislação”.
Segundo Henrique, entre as condições está a qualidade de réu primário, uma pena não superior a três anos e a restituição de bens ou reparação dos prejuízos causados à vítima, nos casos aplicáveis. A pena consiste na realização gratuita de actividades, serviços ou tarefas em benefício da comunidade, podendo ser executada em entidades públicas ou privadas com fins de interesse público ou comunitário.
Entre as actividades que podem ser atribuídas aos condenados estão trabalhos de construção, conservação e manutenção de infra-estruturas e vias públicas, saneamento, limpeza geral, bem como conservação e manutenção de jardins e parques.
O responsável destacou que a execução destas penas exige uma articulação entre as instituições envolvidas, cabendo ao SERNAP assegurar a triagem dos condenados, tendo em conta os seus perfis psicológico e comportamental, bem como as respectivas aptidões.
O SERNAP deverá igualmente acompanhar os condenados durante o cumprimento da pena e manter a articulação com os órgãos judiciais, reportando o nível de cumprimento e a assiduidade de cada beneficiário.
Ao Município de Maputo caberá identificar as áreas de intervenção, planificar as tarefas, disponibilizar ferramentas e equipamentos necessários e supervisionar a execução dos trabalhos no terreno.
Para o director-geral do SERNAP, a parceria com o Município de Maputo representa um passo relevante para a consolidação de um modelo de justiça penal que não se limita à privação da liberdade, mas procura criar condições para que o condenado possa assumir a responsabilidade pelos seus actos e, simultaneamente, preparar o seu regresso à sociedade.
O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, defendeu a mesma perspectiva, considerando que a execução de penas alternativas deve conciliar justiça, responsabilização e reinserção social.
“Um cidadão que cumpre uma pena deve responder pelos seus actos, mas deve igualmente encontrar oportunidades para reconstruir a sua vida e reintegrar-se plenamente na sociedade”, afirmou Manhique.
A iniciativa surge num contexto em que as autoridades procuram reforçar mecanismos de execução de penas que possam contribuir para a reinserção social dos condenados, sem descurar a responsabilização pelos actos praticados.
DIREITOS HUMANOS
Além do protocolo com o SERNAP, o Conselho Municipal de Maputo assinou um memorando de entendimento com a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), destinado a reforçar a promoção, protecção, monitorização e documentação dos direitos sociais, económicos e culturais no município.
O acordo prevê acções de formação e capacitação dos membros da Assembleia Municipal e funcionários municipais em matéria de direitos humanos, bem como iniciativas de educação e sensibilização dos munícipes.
A protecção de grupos em situação de maior vulnerabilidade, incluindo crianças, idosos, mulheres e pessoas com deficiência, figura igualmente entre as áreas de intervenção previstas.
O memorando estabelece ainda a necessidade de fortalecer a cultura institucional de respeito pelos direitos humanos e melhorar os mecanismos de recepção, tratamento e encaminhamento de queixas e denúncias relacionadas com a prestação de serviços municipais.
Para Manhique, a parceria assume particular importância porque a governação municipal envolve diariamente direitos fundamentais dos cidadãos, relacionados com o acesso aos serviços públicos, mobilidade, ambiente, inclusão e tratamento digno.
“A autoridade pública deve estar ao serviço do cidadão, e as nossas instituições devem ser capazes, não apenas de aplicar a lei, mas também de proteger direitos, criar oportunidades e promover a reintegração social”, afirmou.
O presidente da CNDH, Albachir Macassar, considerou que o memorando representa uma evolução de iniciativas anteriormente realizadas de forma pontual para um quadro de cooperação mais estruturado e permanente entre as duas instituições.
Macassar salientou que muitos direitos humanos se materializam no quotidiano das cidades, através de questões como acesso aos serviços públicos, mobilidade, habitação, saneamento, utilização dos espaços públicos, segurança e resposta às situações de vulnerabilidade.
Quatro pessoas morreram e outras 14 ficaram feridas na sequência de um acidente de viação ocorrido na tarde desta segunda-feira, na localidade de Caphirizange, distrito de Moatize, província de Tete.
O sinistro envolveu um transporte semicolectivo de passageiros que fazia a ligação entre Angónia e a cidade de Tete e terá ocorrido depois de a viatura se ter despistado.
Três das vítimas mortais, todas do sexo masculino, perderam a vida no local. Uma quarta vítima morreu posteriormente numa unidade sanitária, elevando para quatro o número de óbitos.
Entre os feridos, três foram classificados como graves e 11 como moderados. De acordo com a directora-clínica do Hospital Provincial de Tete, Julieta Agy, os feridos foram encaminhados para diferentes unidades sanitárias, onde receberam assistência médica.
Entretanto, 13 dos pacientes já tiveram alta hospitalar, permanecendo apenas um internado.
Segundo o chefe das Operações da Polícia de Trânsito em Tete, a velocidade terá contribuído para a perda de controlo da viatura e consequente despiste.
Entre os sobreviventes está Pedro, de 60 anos, que perdeu a esposa no acidente. Ainda internado, o homem lamenta a alegada demora no socorro às vítimas e considera que a sua esposa poderia ter sobrevivido caso tivesse recebido assistência atempada.
O testemunho volta a levantar preocupações sobre a rapidez da resposta em situações de emergência, sobretudo em acidentes ocorridos fora dos principais centros urbanos.
O acidente reacende igualmente o debate sobre a segurança rodoviária na província de Tete, onde as autoridades têm manifestado preocupação com a ocorrência de acidentes graves, incluindo casos envolvendo motociclistas e transportes de passageiros.
A ocorrência acontece num ano em que a sinistralidade rodoviária continua entre os principais desafios de segurança pública em Moçambique.
Dados divulgados pelas autoridades em 2026 apontam para a persistência de um número elevado de acidentes e vítimas mortais nas estradas nacionais, levando o Governo e o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários a reforçar os apelos ao cumprimento das regras de trânsito e à adopção de medidas de prevenção.
Em Tete, a preocupação ganhou maior dimensão em Março, quando um acidente no distrito de Marávia provocou 15 mortos e 17 feridos. O acidente envolveu um camião de mercadorias que transportava passageiros e que acabou por se despistar e capotar.
Meses depois, as autoridades revelaram também a morte de seis crianças em acidentes de viação na província, quando estas se deslocavam para a escola.
Apesar das diferentes medidas de fiscalização e sensibilização, o excesso de velocidade continua a ser apontado entre os principais factores associados aos acidentes graves.
As autoridades apelam aos automobilistas e motociclistas para que cumpram rigorosamente as regras de trânsito, respeitem os limites de velocidade, evitem manobras perigosas e adoptem uma condução defensiva.
A Polícia de Trânsito defende que a redução da sinistralidade exige igualmente maior responsabilidade dos transportadores, fiscalização permanente das condições dos veículos e maior prudência no transporte de passageiros.
Os zambianos vão às urnas esta quinta-feira para eleger o Presidente da República e os representantes parlamentares, naquela que será a oitava eleição geral do país desde o regresso à democracia multipartidária, em 1991. A economia surge como a principal preocupação dos eleitores.
O Presidente Hakainde Hichilema e o seu partido, o Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), procuram conquistar um novo mandato de cinco anos, defendendo que precisam de mais tempo para consolidar as reformas económicas iniciadas depois de assumirem o poder. O actual Governo herdou uma dívida externa estimada em cerca de 19 mil milhões de dólares.
Apesar de alguns sinais de recuperação económica, muitos zambianos afirmam que ainda não sentiram melhorias significativas nas suas condições de vida. O desemprego, sobretudo entre os jovens, continua elevado e constitui uma das principais preocupações da população.
A analista política Leah Mitiba considera que o resultado das eleições permanece imprevisível e poderá depender, em grande medida, do nível de participação eleitoral. Segundo a especialista, uma elevada afluência às urnas, semelhante à registada em 2021, poderá traduzir-se numa forte mobilização dos eleitores contra o partido no poder.
Por seu turno, o economista Trevor Hambayi considera que o Executivo já dispôs de tempo suficiente para apresentar resultados mais concretos na economia. O especialista entende ainda que a Zâmbia não conseguiu aproveitar plenamente a subida dos preços internacionais do cobre, principal produto de exportação do país, para acelerar a recuperação económica.
Com cerca de 70 por cento da população zambiana com menos de 30 anos, o voto da juventude deverá assumir um papel decisivo na definição do próximo Governo. O desemprego, o custo de vida e as perspectivas económicas poderão, assim, ser determinantes para o comportamento dos eleitores nas urnas.