A Justiça egípcia ordenou o encerramento do portal noticioso independente Mada Masr e condenou a directora, Lina Attalah, a uma multa de 48.000 euros, por gerir o sítio sem licença.
O Tribunal de Pequenos Delitos de New Cairo, na zona oriental do Cairo, “ordenou o encerramento do sítio noticioso Mada Masr e aplicou uma multa de três milhões de libras egípcias à sua directora, sob a acusação de operar o sítio sem a devida licença”, informou o tribunal, em comunicado.
Fontes judiciais disseram à agência noticiosa espanhola EFE que, após a sentença, Lina Attalah ficou sob custódia das forças de segurança, sendo esperado que a sua equipa de defesa recorra da decisão ou pague a multa para conseguir a libertação.
Por seu lado, o Mada Masr indicou, em comunicado, que a sessão de hoje, realizada na nona secção do tribunal e presidida pelo juiz Mohamed Mubarak, “foi suspensa” durante algum tempo “para deliberação, depois de a defesa de Attalah ter pedido tempo para consultar o processo”.
Após a deliberação, “o juiz ordenou a retirada de todos da sala, permitindo que nela permanecessem apenas Attalah e a sua equipa de defesa”, relatou Hossam Bahgat, diretor da Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais (EIPR), que assistiu à sessão.
“O juiz presidente e um representante da Procuradoria Suprema de Segurança do Estado regressaram à sala e o juiz anunciou que o tribunal mantinha a rejeição de todos os argumentos processuais apresentados pela defesa, incluindo os pedidos para apresentar documentação ou interrogar testemunhas”, refere o comunicado.
A organização denunciou que, de seguida, o juiz nomeou “de surpresa” um advogado externo para representar Attalah, apesar de esta já estar acompanhada por oito advogados na sala.
Tanto a jornalista como a equipa rejeitaram a nomeação, mas o juiz recusou registar a objeção de Attalah e chegou a anotar alegados pedidos do advogado nomeado sem que este tivesse falado.
Por fim, proferiu uma sentença condenatória, perante os protestos da defesa, impondo a Attalah uma multa de três milhões de libras egípcias, o encerramento do Mada Masr e o confisco dos seus bens.
Attalah foi interrogada durante mais de seis horas na quarta-feira passada, a propósito da cobertura feita pelo seu órgão de comunicação social sobre a vaga de protestos nas prisões egípcias e da situação legal da licença do Mada Masr.
ACABOU POR SER LIBERTADA MEDIANTE O PAGAMENTO DE UMA CAUÇÃO DE 100 MIL LIBRAS EGÍPCIAS
Na sexta-feira passada, cerca de uma centena de organizações, entre elas a Amnistia Internacional (AI) e a Human Rights Watch (HRW), manifestaram solidariedade com a jornalista, após ter sido enviada a julgamento pela Procuradoria, e condenaram “o ataque sem precedentes à liberdade de imprensa no Egipto”.
As organizações recordaram que a directora foi convocada para comparecer perante a Procuradoria poucas horas depois de o Mada Masr se ter associado a outros sete órgãos de comunicação social independentes árabes para criar uma redacção solidária, destinada a colmatar o vazio deixado pelo portal egípcio de verificação de notícias Matsadaash, depois de todos os seus redatores terem sido presos.
O Mada Masr é um portal digital criado em 2013, crítico do poder egípcio e um dos poucos órgãos de comunicação social independentes do país. Está bloqueado no Egipto há vários anos e tem sido alvo de pressão judicial e policial.
Não é a primeira vez que Attalah, tal como outros jornalistas da publicação, enfrenta detenções e processos judiciais relacionados com a sua atividade, nem que são apreendidos computadores e telemóveis dos profissionais do órgão de comunicação social.
O Moza Banco acolheu, esta terça-feira, em Maputo, a cerimónia de assinatura de um novo contrato de distribuição e comercialização de produtos de seguro com a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE, S.A.), que redefine os termos em que o Banco distribui e comercializa os produtos de seguro da EMOSE junto dos seus clientes, através da sua rede de agências e dos seus canais digitais.
O acordo dá continuidade a uma colaboração iniciada em 2018, ano em que as duas instituições celebraram o primeiro contrato para a disponibilização de produtos de seguro da EMOSE aos clientes do Moza Banco. O novo instrumento substitui o anterior e actualiza os termos da parceria, adequando-os à evolução do mercado, às mudanças no enquadramento regulatório do sector segurador e à crescente utilização dos canais digitais pelos clientes.
Ao abrigo do acordo, o Moza Banco actua como canal de distribuição. À EMOSE, com experiência no sector segurador nacional, cabe a concepção dos produtos, a avaliação e aceitação do risco, a emissão das apólices e a gestão dos sinistros. A parceria prevê a disponibilização de soluções dos ramos Vida e Não Vida, associadas às operações de crédito ou contratadas de forma independente, nos termos acordados entre as instituições.
O acordo foi assinado pelo Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, Manuel Soares, e, em representação da EMOSE, pelo Presidente do Conselho de Administração, Janfar Abdulai. Na sua intervenção, Manuel Soares destacou o papel da banca no acesso a soluções de protecção, lembrando que é ao banco que as pessoas recorrem quando compram uma casa, adquirem uma viatura ou investem no seu negócio. Sublinhou que é precisamente quando um projecto se concretiza que mais faz sentido protegê-lo.
“Para o Moza Banco, esta parceria traduz uma convicção: uma banca mais próxima das pessoas é também uma banca que ajuda a proteger aquilo que elas constroem”, afirmou Manuel Soares.
A parceria insere-se no compromisso do Moza Banco com a promoção da inclusão financeira, entendida não apenas como o acesso a produtos e serviços bancários, mas também como o acesso a mecanismos de protecção que permitam às famílias e aos pequenos negócios enfrentar as consequências de um acidente, de uma doença ou de uma catástrofe natural reduzindo o impacto financeiro desses acontecimentos.
O chefe de diplomacia senegalesa, mediador da CEDEAO para a Guiné-Bissau, iniciou no domingo uma visita à capital guineense para analisar uma nova data para as eleições gerais.
O chefe de diplomacia senegalesa, mediador da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para a Guiné-Bissau, iniciou este domingo uma visita à capital guineense para analisar uma nova data para as eleições gerais.
O ministro da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses no Estrangeiro, Cheikh Niang, foi recebido no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, pelo ministro guineense da Justiça e dos Direitos Humanos, João Bernardo Vieira.
Durante a visita de trabalho de dois dias, está previsto que Niang se reúna com os principais responsáveis políticos e militares do país, incluindo o presidente de transição, general Horta N’ta, o primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, e o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Tomás Djassi.
O governante senegalês deverá também encontrar-se com representantes dos partidos políticos, da sociedade civil e do corpo diplomático.
O Senegal exerce atualmente a presidência rotativa do bloco regional.
A visita ocorre depois de Vieira Té ter admitido no passado dia 08, após uma reunião com o presidente de transição, que “nas circunstâncias atuais, não estão reunidas as condições necessárias para a realização das eleições” na data prevista.
Vieira Té alegou então limitações relacionadas com a organização e o funcionamento dos partidos políticos.
Por seu lado, a secretária-executiva adjunta da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Felisberta Moura Vaz, afirmou que a actual data é “inviável” e que “a maior parte do calendário eleitoral está em risco”.
O Exército derrubou em 26 de Novembro de 2025 o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló – três dias após as eleições gerais e antes da divulgação dos resultados -, suspendeu o processo eleitoral e nomeou o general Horta N’ta como presidente de transição.
A junta militar convocou novas eleições presidenciais e legislativas para 06 de dezembro e promoveu uma nova Constituição, aprovada em referendo, que alarga os poderes do Presidente e altera as regras eleitorais.
No início de Outubro, a junta militar anunciou que, para já, não permitiria o regresso ao país de Embaló, que planeava regressar no passado dia 04, com o objetivo de se candidatar às eleições de Dezembro.
A Guiné-Bissau sofre há anos de instabilidade política e institucional, tendo sofrido cinco golpes de Estado desde a independência de Portugal, em 1974.
O Sunderland não está perto de desistir de tentar contratar Geny Catamo ao Sporting, mas a verdade é que o preço pode ser um entrave ao negócio, já que o clube da Premier League não está preparado para pagar a cláusula de rescisão.
Geny Catamo é um jogador cobiçado após um início de temporada algo irregular no Sporting. O extremo moçambicano começou a época da melhor forma, mas tem vindo a perder o ‘gás’ no ataque leonino. Ainda assim, a imprensa internacional deu conta, nesta segunda-feira, de que o Sunderland não está a repensar o seu interesse no jogador e vai mesmo tentar contratá-lo.
De acordo com o jornalista Sacha Tavolieri, através da Sky Sports da Suíça, o camisola 10 dos leões continua bem presente na lista de potenciais reforços dos black cats, ainda que exista um entrave a ter em conta.
A sua procura por um extremo direito continua activa e Geny Catamo deve ser revisitado em Janeiro, ainda que o orçamento para a transferência tenha de ser aprovado internamente pela direcção do clube.
A mesma publicação indica que o Sunderland está interessado no extremo internacional por Moçambique, mas que não está disposto a pagar mais do que 35 milhões de euros pelo jogador de 25 anos.
Depois de uma proposta rejeitada no mercado de transferências de verão avaliada em cerca de 30 milhões de euros, a verdade é que a resposta do Sporting deverá ser a mesma que a de há uns meses: ou pagam a cláusula de rescisão avaliada em 60 milhões de euros, ou nada feito.
O treinador Régis Le Bris gosta do perfil de Catamo, de forma a complementar o de Malick Fofana na ala contrária do ataque do Sunderland, ainda que a forma como flete para o meio desde a direita é algo que atrai ainda mais os responsáveis ingleses para um investimento avultado pelo jogador do clube de Alvalade.
Apesar do interesse ser activo desde o último mercado de transferências, a verdade é que o Sunderland pode não conseguir obter a autorização necessária para aceder aos fundos caso consiga chegar a acordo com o Sporting.
Isto porque a direcção dos black cats ainda não deu a luz verde para ser feita uma investida ‘à séria’ pelo extremo de 25 anos, sendo necessárias mais reuniões internas para que se chegue a uma decisão sobre se irá (ou não) ser feita alguma proposta formal pelo internacional por Moçambique.
No entanto, a presença de Geny Catamo nos alvos de transferência do Sunderland é algo inegável, ainda que contem com uma competição feroz de clubes da Premier League.
Além do conjunto do norte de Inglaterra, há ainda interesse por parte dos seus rivais Newcastle United, assim como do Everton, do Leeds United, do Bournemouth e até do Brentford.
Esta temporada, Geny Catamo conta com 12 jogos realizados pelo Sporting, com um total de dois golos marcados e quatro assistências no seu registo, tendo contrato até Junho de 2029 com o conjunto verde e branco.
A Unizambeze passa a investigar e trazer soluções para o fenómeno El Niño que ameaça deixar a fome mais de 5 milhões de pessoas em todo o país. A iniciativa está a ser materializada com o lançamento do curso de doutoramento em agricultura familiar
Ciente do problema, a Universidade Zambeze acaba de lançar o curso de Doutoramento em Agricultura familiar onde através de pesquisas deverá trazer soluções para minimizar o impacto do El Niño, segundo avançou Luis Cristovao, Reitor da Unizambeze.
“Não podemos ignorar o impacto crescente do fenómeno el niño . El niño não é apenas uma variação climática, é a machamba que não produz, é a colheita que se perde, é a família que fica sem sustento e é a comunidade que vê a sua segurança alimentar ameaçada. É aqui que este doutoramento ganha sentido. É aqui que este programa se torna necessário. É aqui que a Universidade de Zambeze assume o seu papel histórico, introdução do doutoramento em agricultura familiar e sustentabilidade”, explica Luís Cristóvão, Reitor da Unizambeze.
O curso vai ser ministrado em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria do Brasil, que avança que irá usar o critério de problemas locais para soluções locais.
“De maneira nenhuma a gente pode imaginar, nem nós do Brasil, nem vocês em Moçambique, que nós vamos trazer soluções prontas. Isso não existe. Isso não existe em Moçambique, isso não existe no Brasil. O que nós precisamos é conversar, é conhecer os nossos países, conhecer as técnicas que nós usamos em cada local e adaptar. Acho que a grande palavra nesse contexto é adaptação. Nós conhecermos os nossos contextos e ninguém conhece um contexto territorial tão bem quanto o agricultor e nós conseguirmos beber dessa fonte do conhecimento do agricultor e aí com o nosso conhecimento académico, fazer com que isso se torne soluções”, anota Ricardo Schenato, da Universidade Santa Maria.
Não é de hoje que a Unizambeze procura por soluções para contornar eventos climatéricos na agricultura. Tem estado nas comunidades a introduzir hidroponia, uma técnica de cultivo de plantas sem utilizar solo. As raízes recebem água com nutrientes minerais dissolvidos, necessários para o crescimento e desenvolvimento das plantas.
O Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC, IP) realiza, esta terça-feira, 27 de Outubro, uma mesa-redonda subordinada ao tema “Memória Audiovisual Moçambicana: Desafios da Preservação e do Acesso”, no âmbito das celebrações do Dia Mundial do Património Audiovisual.
A iniciativa visa sensibilizar a sociedade para a importância da preservação dos documentos audiovisuais, enquanto instrumentos fundamentais para a conservação da memória colectiva e da história cultural, social e linguística dos povos. As celebrações incluem, igualmente, uma exposição de fotografias, cartazes e outros documentos históricos, bem como a exibição do filme “Tempo dos Leopardos”.
O Dia Mundial do Património Audiovisual assinala a adopção, em 1980, pela 21.ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), da Recomendação para a Salvaguarda e Preservação das Imagens em Movimento.
A data constitui uma oportunidade para reforçar a consciência sobre a necessidade de salvaguardar os arquivos audiovisuais, que representam um património inestimável e uma fonte de conhecimento para as gerações presentes e futuras.
A preservação e a garantia de acesso público a estes registos são consideradas fundamentais para assegurar a continuidade da memória histórica e valorizar a diversidade cultural. Com a realização da mesa-redonda e das demais actividades, o INICC pretende contribuir para a reflexão sobre os desafios da conservação e do acesso ao património audiovisual moçambicano.
O opositor político da Tanzânia Tundu Lissu, detido desde 2025 e acusado de traição, ameaçou iniciar uma greve de fome contra a proibição de permitir conversas privadas com os seus advogados.
Figura emblemática da oposição ao partido que está no poder desde a independência da Tanzânia, em 1961, Lissu, de 58 anos, foi detido em abril de 2025 depois de ter exigido uma reforma no sistema eleitoral.
Lissu corre o risco de ser condenado à pena de morte. O veredicto é esperado em 06 de Novembro.
O Partido Pela Democracia e o Progresso da Tanzânia (Chadema), o movimento de Lissu, disse no sábado que o Supremo Tribunal da Tanzânia decidiu, na semana passada, que os direitos constitucionais do opositor foram violados, uma vez que as conversas com os seus advogados não estavam a decorrer a título privado.
No entanto, segundo o partido, a decisão judicial não foi respeitada.
“A partir de segunda-feira, 26 de Outubro de 2026, Lissu vai iniciar uma greve de fome”, declarou o assessor jurídico do partido, Rugemeleza Nshala, durante uma conferência de imprensa.
“Como a administração prisional viola abertamente as ordens judiciais, o nosso presidente Lissu teme, legitimamente, pela sua vida e segurança pessoal”, afirmou, por sua vez, o secretário-geral do Chadema, John Mnyika
“Questiona-se se é possível confiar na comida fornecida por funcionários que violam a lei de forma deliberada”, acrescentou.
Após vários anos de exílio e de ter sobrevivido a uma tentativa de assassínio em 2017, Lissu regressou à Tanzânia em 2023, na sequência da revogação, pela Presidente Samia Suluhu Hassan, da proibição de comícios da oposição, medida que tinha sido decretada pelo antecessor, John Magufuli (2015-2021).
Lissu foi um dos três finalistas do prémio Sakharov, atribuído pelo Parlamento Europeu (PE) na quinta-feira ao Tribunal Penal Internacional.
A presidente do PE, Roberta Metsola, destacou a luta por “eleições livres e justas na Tanzânia” do advogado, que foi proposto pelo Partido Popular Europeu e pelos Conservadores e Reformistas Europeus.
A Tanzânia foi a eleições em Outubro de 2025, marcadas por uma contestação reprimida com violência letal. A oposição e os defensores dos direitos humanos afirmam que cerca de duas mil pessoas foram mortas pelas forças de segurança.
Pelo menos 40 pessoas, incluindo crianças, foram assassinadas num ataque perpetrado por homens armados e atribuído a pastores da etnia fulani no leste da Nigéria, no estado de Taraba, segundo fontes locais e a Amnistia Internacional (AI).
Conforme avançou à agência espanhola EFE Musa Abdullah, um líder comunitário local, mais de 50 homens armados invadiram na última sexta-feira a aldeia de Binnari, na localidade de Karim Lamido, e começaram a disparar.
“Os fulani atacaram a aldeia a partir de duas direcções pouco depois da oração de sexta-feira. Disparavam contra todos aqueles que se cruzavam no seu caminho”, relatou Abdullah.
Segundo o líder comunitário, “até ao momento, foram recuperados 42 corpos e as buscas continuam, porque algumas pessoas continuam desaparecidas”, enquanto alguns feridos estão a receber cuidados médicos.
OS ATACANTES TAMBÉM SAQUEARAM LOJAS E INCENDIARAM CASAS
“Muitas pessoas fugiram das suas casas após os ataques. Deixaram a aldeia praticamente em ruínas”, acrescentou.
Outro residente, chamado Aminu Yohanna, estimou em 40 o número de mortos e explicou à EFE que entre as vítimas há mulheres e crianças.
“Há cadáveres por todo o lado. Muitos foram capturados antes de serem mortos a tiro, enquanto outros foram abatidos quando tentavam fugir”, assinalou Yohanna.
“Não sabemos o motivo dos massacres. Os fulani chegaram à aldeia vindos do estado de Plateau. Não sabemos o que fizemos de errado”, lamentou o morador.
No sábado, a delegação nigeriana da organização de direitos humanos Amnistia Internacional (AI) confirmou os factos.
“Além de assassinarem pessoas de forma indiscriminada, os homens armados também incendiaram alimentos, casas, estabelecimentos comerciais e motociclos. A comunidade encontra-se agora repleta de cadáveres, alguns deles carbonizados até ficarem irreconhecíveis, enquanto as famílias denunciam que muitas pessoas continuam desaparecidas”, assinalou a ONG na rede social X.
A Polícia de Taraba confirmou também o assalto, mas estimou inicialmente o número de mortos em 10 num comunicado e indicou que as suas forças tinham sido destacadas para a zona, sem fornecer detalhes sobre os alegados autores.
Taraba e outros estados situam-se na zona que divide o norte e o sul do país, um território que tem sido palco de confrontos por recursos naturais e de tensões étnicas e religiosas.
Nesta zona existe um conflito entre pastores da etnia fulani — principalmente muçulmanos —, que procuram pastagens para o seu gado, e agricultores — na sua maioria cristãos, mas também muçulmanos ou animistas —, que necessitam de terras aráveis.
A esta situação acresce o facto de vários estados do centro e noroeste da Nigéria sofrerem incursões constantes de “bandidos”, termo utilizado no país para se referir a bandos criminosos que cometem assaltos e sequestros em massa para exigir resgates, e que as autoridades por vezes classificam como “terroristas”.
Populares da aldeia de Nangunde, na província de Cabo Delgado, encontraram restos mortais em avançado estado de decomposição na zona baixa de Muanga, distrito de Muidumbe. Fontes locais, citadas pela Lusa, admitem que se possa tratar de mais uma vítima dos grupos insurgentes que actuam no norte de Moçambique.
Os restos mortais foram encontrados na manhã deste domingo, entre um riacho e um campo de produção de tomate, por um grupo de camponeses que se deslocara ao terreno para trabalhar.
“Encontrámos um corpo lá em Muanga, mas não sabemos quem era’, disse uma fonte local, em declarações à Lusa.
Os populares suspeitam que a vítima tenha sido morta por grupos extremistas que operam naquela região, considerada insegura devido à presença dos insurgentes. Na semana passada, os mesmos grupos terão matado duas pessoas e raptado outras duas.
“Só podem ser terroristas, é uma região que dá medo circular porque ainda estão lá”, afirmou uma das fontes citadas pela agência.
A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, enfrenta desde 2017 uma insurgência armada que, segundo organizações internacionais, já provocou mais de 6.600 mortos e cerca de 1,2 milhões de deslocados.
De acordo com o relatório “Moçambique: O custo da inacção”, divulgado em Setembro pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), os incidentes associados ao conflito aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025.
O documento alerta ainda para o recurso crescente a raptos para obtenção de resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças, num contexto de agravamento da insegurança e de aumento dos riscos para a população civil no norte do país.
A empresa de exploração de areias pesadas Disheng poderá retomar as actividades nos próximos dias, após meses de paralisação. A chegada de rebocadores ao Porto de Chongoene, na província de Gaza, prevista até ao final deste mês, é um dos passos que poderão viabilizar a retoma das operações.
Em declarações ao O País, o secretário de Estado da província de Gaza, Jaime Neto, afirmou que parte dos constrangimentos que condicionavam o funcionamento da empresa está a ser ultrapassada.
Além da aquisição dos rebocadores, já foram concluídas as instalações que vão acolher os diferentes serviços do Estado no Porto de Chongoene, infra-estrutura importante para o escoamento da produção.
O Governo espera que a retoma das exportações permita à empresa gerar receitas para responder às reivindicações das comunidades locais, que incluem compensações e maior participação em projectos de desenvolvimento.
A Disheng interrompeu as actividades na sequência de vários constrangimentos, entre os quais os danos provocados pelas cheias, incêndios em duas fábricas e insuficiência de energia eléctrica.
A empresa enfrenta ainda dificuldades para exportar a produção em grande escala. Segundo Jaime Neto, o transporte de pequenas quantidades através do Porto de Maputo não é economicamente viável, situação que tem condicionado o escoamento das areias pesadas.