Skip to main content

O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

A Organização das Nações Unidas, ONU, alertam que o financimenro da resposta humanitária em Mocambique garente apenas 30% das necessidades deste ano, numa altura que se estima que o terrorismo tenha provocado mais de 28 mil deslocados, so este.

O mais recente relatório do Gabinete das Nações Unidas para Assuntos Humanitários aponta que Moçambique continua a debater-se com múltiplas crises simultâneas, impulsionadas pelos impactos de eventos climaticos e pelo terrorismo.

Moçambique continuou a enfrentar desafios humanitários sobrepostos em julho de 2026, impulsionados pelos deslocamentos relacionados com o conflito no norte, pelas necessidades contínuas de recuperação após cheias severas e pelo aumento dos riscos de seca associados ao El Niño, refere o documento citado pela RPT Noticias.

Quanto ao terrorismo, as Nacoes unidas relatam que só em Julho deste ano, cerca de 1.979 pessoas foram deslocadas devido ao conflito armado, elevando para 28.163 o número de deslocados registados desde o início do ano. 

“O Plano de Necessidades e Resposta Humanitária, da ONU, de 2026 requer 534 milhões de dólares (34,176 mil milhões de meticais), mas apenas cerca de 160 milhões de dólares (cerca de 10,2 mil milhões de meticais) tinham sido mobilizados até Julho, encontrando-se assim financiado em apenas 30% face às necessidades totais”, refere a organização.

O relatório alerta igualmente para um novo risco climático relacionado com o fenómeno El Niño, que pode comprometer a produção agrícola e agravar a insegurança alimentar durante a próxima época chuvosa, de outubro a abril.

“O El Niño deverá agravar a segurança alimentar durante a época chuvosa de 2026/27. As previsões apontam para precipitação abaixo da média e aumento do risco de seca, particularmente no sul e centro de Moçambique, lê-se no relatório”, explicou.

As Nações Unidas mostram-se ainda preocupadas com a situação humanitária em Gaza, onde a organização diz ter registado 176% mais casos de malária face ao mesmo período de 2025.

Vídeos

NOTÍCIAS

A Organização das Nações Unidas (ONU) considera que uma vitória militar sobre os grupos jihadistas que actuam na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, não parece iminente e defende a necessidade de negociações para pôr fim ao conflito que assola a região desde 2017.

A avaliação consta de um relatório do Relator Especial das Nações Unidas sobre a promoção e protecção dos direitos humanos e das liberdades fundamentais no contexto da luta contra o terrorismo, Ben Saul, divulgado na sexta-feira, após uma visita a Moçambique, realizada entre 4 e 14 de Agosto.

Segundo o documento, a frequência, a gravidade e a dimensão dos ataques contra civis aumentaram ao longo do último ano. O conflito, ligado ao grupo Estado Islâmico, tem sido marcado por ataques contra populações civis e forças de segurança, incluindo casos de decapitações, provocando milhares de mortos e deslocados.

Embora as forças ruandesas estejam destacadas em Cabo Delgado desde 2021, em apoio às Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, numa operação que conta igualmente com o apoio da União Europeia, o relatório considera que a actual estratégia militar assenta numa postura de «defesa ofensiva», em vez de uma perseguição activa aos grupos armados.

Na avaliação de Ben Saul, esta abordagem pode contribuir para reduzir as hostilidades, mas também cria o risco de permitir que os grupos insurgentes se reorganizem e mantenham a capacidade de realizar novos ataques.

O relatório indica que, entre 2017 e meados de 2026, o conflito provocou a morte de 6.632 pessoas, das quais 2.772 eram civis. Os dados, citados a partir da organização ACLED, que acompanha conflitos em diferentes partes do mundo, revelam ainda a dimensão da crise humanitária provocada pela insurgência.

Estima-se que cerca de 1,5 milhões de pessoas tenham sido deslocadas das suas zonas de origem, enquanto aproximadamente 1,7 milhões necessitarão de assistência humanitária em 2026.

Além das mortes e deslocações, a violência provocou a perda de terras, meios de subsistência e propriedades, bem como dificuldades no acesso a serviços básicos e a separação de famílias.

Cabo Delgado é também uma região estratégica para a economia moçambicana devido às suas vastas reservas de gás natural, que atraíram investimentos de grandes empresas internacionais, entre as quais a francesa TotalEnergies, a italiana ENI e a norte-americana ExxonMobil.

Os especialistas independentes da ONU são mandatados pelo Conselho de Direitos Humanos para avaliar e apresentar conclusões sobre situações relacionadas com os direitos humanos. Apesar de actuarem no âmbito das Nações Unidas, não falam oficialmente em nome da organização.

As autoridades de Marrocos e Espanha reforçaram as medidas de segurança na fronteira com Ceuta, perante novos apelos nas redes sociais para uma entrada colectiva e ilegal no enclave espanhol. As autoridades marroquinas dizem ter detectado uma nova onda de desinformação online que incentiva migrantes a dirigirem-se à fronteira.

Há mais de uma semana, circulam nas redes sociais publicações segundo as quais a passagem fronteiriça entre a cidade marroquina de Fnideq e Ceuta estaria aberta a 15 de Agosto, feriado em Espanha. Perante estes apelos, o Ministério do Interior marroquino anunciou medidas para impedir novas tentativas de travessia irregular.

O porta-voz do Ministério do Interior, Rachid El Khalfi, afirmou que foram adoptadas todas as medidas necessárias para impedir passagens ilegais e interceptar pessoas que tentem participar em movimentos colectivos. Segundo o responsável, as autoridades detectaram recentemente a circulação de mensagens anónimas nas redes sociais que apelam à organização de tentativas de entrada ilegal em Ceuta.

O Ministério do Interior marroquino advertiu ainda que serão adoptadas medidas legais contra os responsáveis pela divulgação destes apelos. Um grupo de pessoas suspeitas de envolvimento na mobilização terá sido convocado para interrogatório, segundo declarações de El Khalfi divulgadas pela agência estatal MAP.

Os novos alertas surgem pouco depois de uma entrada massiva de migrantes em Ceuta, registada no final de Julho. Cerca de 72 mil pessoas, na sua maioria marroquinas, terão entrado irregularmente no enclave espanhol durante alguns dias, num movimento considerado recorde. A maioria foi posteriormente devolvida a Marrocos.

Apesar dos retornos, cerca de duas mil pessoas continuam em território espanhol, incluindo aproximadamente mil menores não acompanhados, segundo as autoridades locais. O Ministério do Interior marroquino pediu às autoridades espanholas que acelerem o processo de retorno dos menores.

A crise migratória também provocou um elevado número de mortes. As autoridades marroquinas recuperaram os corpos de 11 pessoas, enquanto Espanha informou que pelo menos 80 pessoas morreram. Já a Associação Marroquina para os Direitos Humanos, uma organização não-governamental, estima que o número de vítimas mortais possa ser de, pelo menos, 141.

Com a aproximação de 15 de Agosto e a circulação de novos apelos nas plataformas digitais, Marrocos e Espanha mantêm o dispositivo de segurança reforçado para evitar uma nova corrida à fronteira.

 

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) recebeu, esta quinta-feira, o Gerente de Desenvolvimento para Moçambique da ExxonMobil, Anthony Pryde, num encontro destinado a discutir oportunidades de participação de empresas nacionais no Projecto Rovuma LNG.

O encontro teve lugar uma semana depois de uma delegação empresarial moçambicana, liderada pela CTA, ter visitado o campus da ExxonMobil, em Houston, nos Estados Unidos da América, onde manteve contactos com a multinacional sobre as perspectivas de desenvolvimento do projecto.

A ExxonMobil lidera o consórcio do Rovuma LNG, na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, projecto cujo investimento estimado na fase de desenvolvimento ronda os 30 mil milhões de dólares.

Durante o encontro, a multinacional reiterou o seu compromisso de criar oportunidades para empresas moçambicanas, através do fortalecimento das capacidades nacionais e da integração do empresariado local na cadeia de fornecimento do projecto.

“Isso decorre de uma reunião que tivemos na semana passada em Houston, quando a sua equipa se juntou a nós. Tivemos uma conversa muito produtiva. Naturalmente, nós, na ExxonMobil, estamos ansiosos por dar continuidade ao nosso projecto e tomar a Decisão Final de Investimento (FID) ainda este ano. Estamos muito empenhados e determinados em trabalhar com empresas locais e organizações como a CTA para garantir que podemos maximizar as oportunidades para que as empresas e os trabalhadores contribuam para o sucesso do projecto. Por isso, mais uma vez, gostaria de agradecer o tempo dedicado e esperamos trabalhar muito mais juntos”, afirmou Anthony Pryde.

Na ocasião, a CTA apresentou o Gabinete de Conteúdo Local, concebido para apoiar as empresas na identificação de oportunidades, na partilha de conhecimento e na facilitação do acesso às cadeias de fornecimento.

No âmbito do conteúdo local, a Fase 1 do Rovuma LNG poderá gerar cerca de quatro mil milhões de dólares em oportunidades para empresas nacionais, reforçando as perspectivas de participação do sector privado moçambicano no megaprojecto de gás natural liquefeito.

No final do encontro, a CTA e a ExxonMobil reafirmaram o compromisso de manter um diálogo permanente, com vista à materialização do projecto e à maximização das oportunidades para empresas e trabalhadores moçambicanos.

A província de Tete registou, nos últimos seis meses, cerca de 600 casos de conflitos entre o homem e a fauna bravia, que resultaram na morte de 62 pessoas.

O fenómeno preocupa o Governo Provincial, sobretudo devido ao aumento de ataques envolvendo crocodilos e elefantes, espécies que, para além de ameaçarem vidas humanas, têm causado prejuízos às comunidades através da destruição de culturas agrícolas.

Os dados foram divulgados esta quinta-feira pelo Governador da Província de Tete, Domingos Viola, durante uma sessão de governação aberta realizada no distrito de Marara.

O governante manifestou preocupação com o agravamento dos conflitos entre as comunidades e os animais bravios, destacando os crocodilos e elefantes como as espécies que mais têm estado na origem dos incidentes registados na província.

Face ao cenário, o Governo Provincial prevê a criação de um comité que terá a missão de identificar e propor medidas para reduzir os conflitos e reforçar a protecção das comunidades que vivem em zonas consideradas de maior risco.

Ainda no âmbito da governação aberta, Domingos Viola procedeu à entrega de duas ambulâncias, destinadas aos distritos de Marara e Cahora Bassa.

Os meios deverão reforçar a capacidade de resposta dos serviços de saúde, particularmente no transporte de pacientes e no atendimento às comunidades que enfrentam dificuldades de acesso às unidades sanitárias.

As obras de manutenção da Estrada Nacional Número 1 (EN1), no troço entre Nicoadala e Chimuara, na província da Zambézia, estão em curso numa extensão de cerca de 165 quilómetros. As intervenções têm como objectivo melhorar as condições de transitabilidade e garantir maior fluidez do tráfego rodoviário.

Ao longo do troço, três empreitadas estão envolvidas nos trabalhos de manutenção da via. Apesar das intervenções em curso, persistem pontos que exigem atenção, sobretudo devido ao estado de degradação de algumas secções e aos constrangimentos enfrentados pelos empreiteiros no terreno.

Segundo o delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE) na Zambézia, Roberto Tonissai, decorrem trabalhos de manutenção periódica em diferentes pontos do traçado.

“Fundamentalmente, neste momento, decorrem ao longo do traçado trabalhos de manutenção periódica. Há secções degradadas onde os empreiteiros estão a fazer corte, escarificação, preparação da base e posterior revestimento. Noutras secções, estamos a tapar buracos e a colocar revestimento com argamassa asfáltica. Temos ainda intervenções nas bermas não revestidas”, explicou Tonissai.

Em termos orçamentais, estão previstos cerca de 400 milhões de meticais para o troço Nicoadala–Lua-Lua, 162 milhões de meticais para Lua-Lua–Zero e aproximadamente 400 milhões de meticais para o segmento Zero–Chimuara, totalizando cerca de mil milhões de meticais.

As obras enfrentam, entretanto, constrangimentos relacionados com a escassez de combustível, factor que tem condicionado a mobilização de maquinaria pesada e o ritmo de execução dos trabalhos.

“Neste momento, o constrangimento que estamos a enfrentar está exactamente ligado à escassez de combustível. Estamos a movimentar equipamento pesado, que consome muito combustível e que, na praça, está difícil de encontrar. Os empreiteiros fazem esforços junto das bombas para conseguirem combustível e, por outro lado, através dos Serviços de Infra-Estruturas da Província, são emitidas credenciais para o transporte de determinadas quantidades. Diante de todas estas adversidades, estamos a trabalhar”, precisou o delegado da ANE.

Para os automobilistas que percorrem a EN1, sobretudo os que realizam viagens de longo curso, as condições de circulação continuam a constituir uma preocupação. O percurso entre Inchope e Caia é apontado como um dos segmentos mais difíceis, não apenas pelas condições da estrada, mas também pelos riscos de segurança associados ao transporte de mercadorias.

Pedro Elias, motorista de longo curso, afirma que os transportadores enfrentam situações de insegurança, sobretudo nas zonas onde a circulação se torna mais lenta.

“Como sabem, nos troços que estamos a referir não há segurança. Jovens mal-intencionados aproveitam-se desta situação para saquear mercadorias. Muitas vezes, munidos de objectos cortantes, rasgam as lonas dos camiões e retiram produtos. Este facto preocupa-nos sobremaneira e esperamos que quem de direito veja esta triste realidade”, relatou.

Apesar dos constrangimentos, a circulação tende a apresentar maior fluidez no segmento entre o rio Zambeze e Nicoadala. Os utentes da via defendem, contudo, a necessidade de acelerar as intervenções nos pontos que continuam degradados.

A manutenção deste corredor rodoviário é considerada estratégica para a circulação de pessoas e mercadorias, tendo em conta o seu papel na ligação entre diferentes regiões do país e no transporte de carga de longo curso

 

O governador do Banco de Moçambique desafia filiais a assumirem papel estratégico na modernização do sistema financeiro nacional. Rogério Zandamela quer eficiência na gestão do numerário e expansão segura dos pagamentos digitais.

O distrito de Metangula, na província de Niassa, sediou, nesta quarta-feira, a sétima reunião do Banco de Moçambique com as respectivas filiais de todo o País. Na reunião que pode ser uma das últimas do actual governador, Rogério Zandamela, que, durante o seu mandato, impulsionou as representações do banco nas províncias, foi reforçado o papel das filiais na articulação com os serviços da sede.

“As filiais não são apenas unidades de representação territorial. São extensões estratégicas do Banco de Moçambique, essenciais para assegurar a presença institucional, a gestão de numerário, a recolha de informação económica e financeira, e a implementação, no terreno, das orientações do Conselho de Administração”, sublinhou Zandamela.

O encontro decorre numa altura em que se aproxima o término do mandato de Rogério Zandamela à frente do Banco de Moçambique, e essas ocasiões têm sido usadas para o balanço dos progressos do seu mandato.

A consolidação da SIMOrede, a interoperabilidade entre sistemas e o lançamento do METIX, são para Zandamela parte de ganhos da sua vigência, porém reconhece que nem todas as pessoas estão na moeda electrónica, por isso “o nosso objectivo é assegurar que as notas e moedas de boa qualidade cheguem a todos os pontos do País com segurança, eficiência e regularidade”, disse.

Como quem se despede dos seus, Zandamela desafiou os directores a assumirem a transformação do sistema financeiro com estratégias “ajustadas à realidade local e a converter os investimentos realizados em ganhos efectivos de eficiência, segurança, inclusão e qualidade dos serviços prestados à sociedade”, concluiu.

 

Sem ajuda da indústria do gás natural, a economia nacional praticamente ficará desamparada nos próximos três anos. Por exemplo, vai crescer apenas 3,7% em 2029. No entanto, com o gás, o crescimento poderá atingir 9,5%, mais do que o dobro.

Enquanto isso, as contas públicas vão continuar pressionadas por despesas obrigatórias como dos salários e da dívida do Estado. Por isso, o Governo vai tomar uma série de medidas nos próximos anos para contornar a situação.

Uma das medidas a serem implementadas pelo Executivo é limitar novas admissões de pessoas para trabalhar no aparelho do Estado, embora com certas excepções pontuais, segundo o Cenário Fiscal de Médio Prazo 2027-2029.

De acordo com o documento, o Governo vai também reduzir pela metade o abono de diuturnidade civil que é dado aos funcionários públicos com base no tempo de serviço efectivo prestado ao Estado ou carreira na função pública.

Segundo o artigo 14 do decreto nr. 31/2022 de 13 de Julho, “na data em que se perfazem 24 e 30 anos de serviço efectivo, o funcionário ou agente do Estado recebe diuturnidade correspondente a 10% do vencimento do seu nível salarial”.

Tal diuturnidade está incorporada no salário do funcionário previsto na Tabela Salarial Única (TSU). Contudo, o Executivo promete, neste período, retomar os actos administrativos para a regularização das novas carreiras criadas pela TSU.

O Executivo pretende ainda reforçar as auditorias no aparelho de Estado e a prova de vida dos funcionários públicos, para reduzir o peso da massa salarial de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2027 para 10,7% em 2029.

Sem quantificar, o documento aprovado pelo Conselho de Ministros prevê ainda rever os critérios de atribuição dos subsídios de localização pagos a todos os funcionários do Estado quando colocados em áreas territoriais para o efeito.

Essas alterações vão ocorrer, segundo o documento, num contexto em que o mercado de trabalho moçambicano é dominado pelo emprego informal e pela elevada concentração da mão-de-obra em actividades de baixa produtividade.

São mudanças que acontecem também num ambiente limitado de criação de emprego formal, como consequência de constrangimentos estruturais da economia e o reduzido nível de industrialização do País e reduzida capacidade de absorção de mão-de-obra pelo sector empresarial formal.

“Persistem desafios associados aos baixos níveis de qualificação da força de trabalho, à reduzida produtividade laboral e ao desfasamento entre as competências disponíveis e as necessidades do mercado”, refere o documento.

De acordo com o Cenário Fiscal de Médio Prazo 2027-2029, são esperados três cenários no período: optimista, prudente e adverso ou pessimista. O optimista prevê um crescimento da economia nacional mais favorável ao crescimento.

“Continuidade da produção da Coral Sul, entrada da Coral Norte e da Total (Área 1) em 2028 [no gás]. Desenvolvimento das cadeias de valor caracterizado por maior desempenho dos sectores primário, secundário e tercearios”, aponta.

No cenário prudente, espera uma recuperação mais moderada da actividade económica, embora condicionada por tensões geopolíticas e atrasos na implementação de grandes projectos, com destaque para Coral Norte, em 2029.

Já o cenário pessimista considera a materialização de choques externos adversos, maior volatilidade cambial, aceleração inflacionária e nenhum registo da operacionalização de grandes projectos no sector da energia e extrativo.

Nos próximos três anos, destacam-se ainda riscos ligados à segurança em Cabo Delgado e à ocorrência de choques climáticos recorrentes (ciclones, cheias e secas), com grande impacto sobre a actividade económica e a despesa pública.

REDUZIR DÍVIDA PÚBLICA ENTRE PRIORIDADES

Espera-se que o rácio do serviço da dívida e receitas fiscais se estabilize em torno de 31% a 32% no período 2027-2029, embora persistam riscos associados à dívida, o que reforça a necessidade de uma gestão prudente da dívida pública.

“O serviço da dívida constitui uma restrição central à política fiscal, ainda que em trajectória de normalização, reduzindo-se de 130,3% das receitas em 2025 para cerca de 31-32% no período 2027-2029”, lê-se na previsão do Governo.

O rácio da dívida pública aumentou de 72,2% do Produto Interno Bruto em 2024 para 74,43% em 2025. O rácio continua acima do recomendado em termos de sustentabilidade (60% do PIB) para economias de baixo rendimento.

Mesmo assim, a dívida pública apresenta uma trajectória de estabilização e redução gradual no médio prazo, e espera-se que atinja 67,1% em 2029, suportada pelo crescimento económico e contenção do endividamento líquido.

O cenário é assistido num contexto em que a dívida interna tende a aumentar e equivale a 31,43% do PIB. Enquanto isso, o custo médio da dívida reduziu de 5,0% para 4,2%, o que reflecte condições de financiamento mais favoráveis ao País.

O Cenário Fiscal de Médio Prazo 2027-2029 constitui o principal instrumento de programação macrofiscal do Estado. Define os limites globais de despesa, tendo em conta a trajectória das receitas, o financiamento e a dívida pública.

O objectivo macrofiscal para o período 2027-2029 consiste em assegurar a estabilidade macroeconómica, a sustentabilidade da dívida pública e a criação de espaço fiscal para o financiamento das prioridades de desenvolvimento.

O Governo diz que se deve sempre garantir clareza e interesse público na informação difundida pelas instituições. O posicionamento foi defendido durante o primeiro Fórum Nacional dos Comunicadores do Governo. Enquanto isso, pesquisadores e organizações desafiam o Governo a promover uma comunicação clara, inclusiva e isenta de manipulação. 

O Governo reuniu, nesta quinta-feira, em Maputo, mais de 120 gestores de comunicação institucional Estatal, para a identificação dos desafios do sector e suas soluções.

O primeiro diagnóstico do executivo é a clareza da informação difundida e fraco interesse público. 

“O comunicador de Governo deve compreender que cada informação que transmite representa uma instituição pública e, em última análise, o próprio Estado. A comunicação pública deve, por isso, ser orientada pelo interesse público e pelo compromisso com a verdade e com a responsabilidade institucional. Por isso, a comunicação do Governo deve ser articulada, coerente e harmonizada. Precisamos fortalecer mecanismos de coordenação e de partilha de informação entre comunicadores dos diferentes sectores do Governo e este Fórum é um espaço privilegiado para esse efeito”, referiu Inocêncio Impissa, ministro da Administração Estatal e Funcao Público, durante a sessão de abertura do fórum. 

Impissa, que representava a Primeira-ministra na cerimónia, apontou ainda a necessidade de domínio das novas tecnologias, para fazer face à onda de desinformação. 

“Perante este cenário e para evitar reiterados desmentidos através de comunicados, briefings e sessões de esclarecimento, cabe aos comunicadores se transfigurarem e se adaptarem às novas realidades, devendo utilizar as novas plataformas como a inteligência artificial e responsabilidade, para além de se antecipar a alguns fatos, fatores ou fenómenos. Devem dominar as redes sociais, adaptar conteúdos às novas abordagens e às novas tecnologias e plataformas, facilitando a inclusão digital e transformando a comunicação institucional em um diálogo aberto com a sociedade”.

Subordinada ao tema “Fortalecendo a governação através de uma comunicação eficiente e inovadora”, o evento é tido como uma plataforma essencial para melhorar a actuação dos comunicadores do Governo. 

Quem o diz é Luis Canhemba, Director do Gabinete de Informação do Governo, Gabinfo. 

“Estão na lista assessores, adidos de imprensa, chefes dos gabinetes de comunicação, que  para  nós termos uma voz única para encontrarmos uma plataforma de comunicar bem e quase que de forma uníssona em relação àquilo que o Governo tem feito. Vamos, neste fórum, perceber o que de errado temos estado a fazer e como é que podemos melhorar. E, para isso, convidamos alguns oradores portugueses e outros moçambicanos para entendermos quais são as melhores práticas internacionais e percebermos como é que nós podemos melhorar e como é que podemos, de forma antecipada, transmitir informação útil até o lugar mais recôndito do nosso país”, disse.

Da sessão de abertura, seguiu-se um painel de debate.

O Pesquisador e Director executivo do Misa Moçambique desafia o Governo a promover uma comunicação clara, inclusiva e isenta de manipulação.  

“Temos de sair da ideia de que podemos controlar a opinião pública, que muito marca o nosso pensamento político, que é objectivamente contrário ao princípio da comunicação política. Porque a comunicação política define-se como o uso de técnicas diversificadas para  influenciar a opinião pública. Ora, meus caros, há dois conceitos que eu introduzi aqui.

O controlo e a influência. São duas coisas totalmente diferentes. E uma das grandes críticas que temos vindo a receber como Governo é a nossa baixa capacidade de sermos proativos na comunicação. Temos uma comunicação reactiva e muitas vezes incipiente na própria tentativa de reagir”.

A consequência directa desta manipulação, de acordo com o orador, é o descrédito dos órgãos tradicionais. 

“Sejam eles controlados por entes privados, sejam eles controlados pelo Estado, muito  pelo facto de as pessoas terem ganhado consciência de que o jornalismo tradicional passou muito  tempo na lavagem de que é objectivo, é verdadeiro, para tal esconder muita propaganda. Por quê? Porque esses órgãos são detidos por pessoas que têm interesses comerciais e políticos. Esses órgãos são detidos, nos nossos contextos, pelo Estado, que tem partidos dominantes. Então as pessoas já estão a se dar contas disto. Estão a desacreditar. Então, se não nos confiarmos em passar a nossa mensagem só na imprensa tradicional, corremos sérios riscos de falhar. ”

Já Fernando Ribeiro, especialista em propaganda, defende que o executivo deve separar claramente a comunicação pública e propaganda partidária. E diz mais: reconhece que o papel dos comunicadores do Governo é promover a boa imagem do seu Governo, mas isso deve ser acompanhado por “boa Governação”, para que a sua comunicação seja baseada na verdade. 

Ribeiro diz que a mentira, embora usada por políticos, não deve ser base para a comunicação. 

Um aluno da Escola Secundária do ISCTEM agrediu fisicamente o colega, dentro da sala de aulas, na cidade de Maputo. Ainda são desconhecidos o motivo da violência. O ISCTEM está a averiguar o caso.

Imagens que circulam nas redes sociais e mostram mais um caso de violência entre alunos no recinto escolar, chocaram o país. O referido vídeo denuncia um adolescente que agride o colega com duas fortes bofetadas. O caso aconteceu na presença de outros estudantes, que assistiram o episódio sem acudir, além de filmar. 

Um outro vídeo dos mesmos alunos está a viralizar nas redes sociais, a suceder o primeiro, mas neste segundo a vítima que sofreu bofetadas  é que dá um carolho ao seu suposto agressor, à saída da escola.

“O País” aproximou-se à escola para entender os contornos do caso, entretanto a chegada constatou que a segurança foi reforçada para impedir o acesso ao recinto escolar, além de que os alunos foram instruídos a não falar com  a imprensa.

A direcção da Escola Secundária do ISCTEM emitiu um comunicado, nesta quarta-feira, no qual anuncia o início da investigação interna do caso.

“Foi constituída uma Comissão de Averiguação, incumbida de apurar as circunstâncias em que a ocorrência teve lugar, ouvir os intervenientes e outras pessoas que possam contribuir para o esclarecimento dos factos.”, lê-se no comunicado. 

A comissão de averiguação deverá igualmente “analisar os elementos relevantes para a determinação de eventuais responsabilidades, assegurando que o processo seja conduzido com responsabilidade, imparcialidade e respeito pelos procedimentos aplicáveis.”

Com mais de 20 anos de carreira, o psicólogo Camilo Ussene, professor universitário,  alerta para a necessidade de medidas pedagógicas para o bem dos próprios alunos. Sobre o consumo de álcool por menores nas escolas, Ussene aponta problemas nas famílias e educação das crianças.

Até ontem (quinta-feira),  o caso de agressão no ISCTEM ainda não havia sido apresentado à Polícia da República de Moçambique (PRM).

+ LIDAS

Siga nos

Galeria