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A taxa de desemprego em Angola recua de 31,5%, em 2024, para 21,3% no primeiro trimestre de 2026, uma redução de 10,2 pontos percentuais, segundo dados apresentados, esta quinta-feira, pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional, em Luanda. Apesar da descida, o mercado de trabalho continua marcado pelo desemprego juvenil, pelas desigualdades de género e pelo peso da informalidade.

Ao apresentar o balanço da situação económica e social do país, o Chefe de Estado angolano destacou a evolução dos indicadores do emprego como parte dos resultados alcançados pelo Executivo nos últimos dois anos. A redução da taxa de desemprego representa uma melhoria face ao nível registado em 2024, embora os números disponíveis revelem que o acesso ao trabalho continua a constituir um dos principais desafios da economia angolana.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), Angola tinha 2.593.206 pessoas desempregadas com idade igual ou superior a 15 anos no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, a população empregada era estimada em 9.562.740 pessoas, enquanto a taxa de emprego se situava em 42,3%.

Os dados oficiais mostram, entretanto, que a descida do desemprego face a 2024 não correspondeu a uma redução contínua ao longo dos primeiros meses deste ano. Comparativamente ao quarto trimestre de 2025, quando a taxa de desemprego se fixou em 20,1%, o indicador aumentou 1,1 ponto percentual no primeiro trimestre de 2026. O número de pessoas desempregadas cresceu 15,5%, correspondendo a mais 347.311 indivíduos.

O desemprego juvenil continua a ser uma das principais preocupações do mercado de trabalho angolano. Segundo o INE, a taxa de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos atingiu 40,7% no primeiro trimestre de 2026, um nível significativamente superior à taxa geral da população.

A situação evidencia as dificuldades de inserção profissional enfrentadas pelos jovens, num contexto em que a procura por oportunidades de trabalho exige respostas que articulem formação, qualificação profissional e criação de postos de trabalho.

As estatísticas revelam igualmente diferenças entre homens e mulheres. No primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego feminina situou-se em 23,4%, contra 19,3% entre os homens. A taxa de emprego também foi superior no grupo masculino, fixando-se em 45,6%, enquanto entre as mulheres atingiu 39,2%.

Para além do número de pessoas sem trabalho, a qualidade do emprego constitui outro desafio para a economia angolana. A elevada informalidade limita o acesso de muitos trabalhadores à protecção social e a condições laborais estáveis, tornando necessária a expansão de oportunidades formais e sustentáveis.

Em Agosto deste ano, a ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, anunciou que Angola registou mais de 774 mil empregos formais entre 2023 e o primeiro semestre de 2026. Na mesma ocasião, a governante reconheceu a necessidade de reforçar a criação de empregos dignos, sustentáveis e acompanhados de protecção social.

Os dados relativos a 2025 indicavam que cerca de 77,7% da população empregada se encontrava na economia informal, realidade que continua a colocar pressão sobre as políticas públicas destinadas à formalização das actividades económicas.

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A modernização da fronteira de Machipanda, a maior obra do Corredor da Beira, foi parar ao tribunal. O concurso público internacional de 37 milhões de dólares foi suspenso por decisão do Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo, mas o Governo garante que não foi cancelado.

Está em causa o Concurso Público Internacional lançado pelo Ministério dos Transportes e Logística para o Desenvolvimento do Projecto Integrado da Fronteira de Machipanda, em regime de Parceria Público-Privada.

O projecto prevê a construção do Terminal Internacional de Mercadorias, Terminal de Passageiros, uma nova ponte internacional sobre o Rio Machipanda e todas as infra-estruturas do Posto de Fronteira de Paragem Única. O concurso foi adjudicado à empresa UNION ENERGY / ZHONGMEI, pelo valor de 37 milhões  de dólares.

Inconformada com o resultado, a concorrente SAFAGA INTERNATIONAL MANAGEMENT, que alega ter investido mais de 5,8 milhões de dólares na candidatura, apresentou reclamação e depois apresentou recurso contencioso ao Ministro dos Transportes e Logística.

Segundo os autos, o recurso foi declarado improcedente por falta de um formalismo, a junção da garantia bancária. A concorrente decidiu então avançar para o Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo, com um pedido de suspensão de eficácia do acto de adjudicação, alegando ilegalidades como insuficiência de fundamentação, deficiente avaliação dos critérios, dúvidas sobre a exequibilidade técnica e financeira da proposta vencedora, composição irregular do júri e violação dos princípios da igualdade, transparência e concorrência.

O Ministério dos Transportes e Logística, através da Secretária Permanente Irina Amélia Soares Ribeiro, contestou o pedido, invocando ilegitimidade e incompetência daquele tribunal, defendendo que o caso deveria ser apreciado pela Primeira Secção do Tribunal Administrativo, por ter sido o Ministro a proferir a decisão final.

Mas o Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo rejeitou as excepções. No Acórdão de 24 de Setembro de 2026, os Juízes   consideraram que a decisão do Ministro foi meramente confirmativa e que a autora do acto de adjudicação impugnável é a entidade requerida, pelo que aquele tribunal é sim competente.
 

Nestes termos, o Tribunal julgou procedente o pedido da SAFAGA INTERNATIONAL e decretou a suspensão da eficácia do acto administrativo pelo qual o Ministério adjudicou à contra-interessada.   


O Tribunal determinou ainda que o Ministério se abstenha de celebrar o Contrato de Concessão, emitir ordem de início dos trabalhos ou praticar qualquer outro acto de execução susceptível de consolidar os efeitos da adjudicação, até à decisão do recurso contencioso principal ou até decisão judicial que modifique ou faça cessar a providência. A decisão contou com o parecer favorável do Ministério Público. 

 

GOVERNO NEGA CANCELAMENTO DO CONCURSO

Em Comunicado de Imprensa emitido nesta terça-feira, através do Gabinete de Informação, o Governo, através do Ministério dos Transportes e Logística, esclarece que o concurso não foi cancelado.

O Executivo explica que a providência cautelar constitui uma medida judicial de natureza provisória, destinada a salvaguardar direitos enquanto decorre a apreciação da matéria, e que não representa o cancelamento do concurso, nem uma decisão definitiva sobre a legalidade do procedimento.

Segundo uma fonte ligada ao processo, nos termos das alíneas e) e a) do artigo 28 da Lei n.º 24/ 2013, de 1 de Novembro  na redacção da Lei nº 7/  2015 , de 6 de Outubro o Pedido de Suspensão de Eficácia deve ser submetido à Primeira Secção do Tribunal Administrativo, visto que o último acto de tutela graciosa foi praticado pelo Ministro dos Transportes e Logística, membro do Governo.

Assim sendo, em razão da matéria, o Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo não é competente para conhecer, quer do recurso contencioso, quer da providência cautelar, tendo em atenção o último acto administrativo praticado a nível da impugnação graciosa, nos termos do artigo 101 do Código de Processo Civil, conjugado com as alíneas a) e j) do nº 1 do artigo 50 Lei n.º 24/ 2013,   de 1 de Novembro do na redacção da Lei nº 7/ 2015, de 6 de Outubro.

Por essa mesma razão — ser o Ministro, a parte legítima —, a jurisdição competente para apreciar a causa deixa de ser o Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo e passa a ser, por imposição legal estrita, o Tribunal Administrativo.

O Governo reafirma que o processo observou os critérios de elegibilidade, qualificação e avaliação previamente estabelecidos e, por se tratar de um projecto estratégico para o desenvolvimento do Corredor da Beira e para a melhoria da circulação de pessoas e mercadorias, mantém o compromisso de assegurar a sua implementação em condições que salvaguardem o interesse público, reiterando o respeito pelas decisões dos tribunais e o compromisso com a legalidade, a transparência e a defesa do interesse público.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, defende uma transformação digital do Estado  orientada para a eliminação da burocracia desnecessária, a  redução dos custos dos serviços públicos e a melhoria do  atendimento aos cidadãos, independentemente da sua  localização geográfica, considerando que a modernização  administrativa deve produzir resultados concretos na vida dos  moçambicanos.

Falando hoje, em Maputo, na abertura da Conferência Citizen  Connect Africa – Mozambique, o Chefe do Estado afirmou que a  digitalização deve ir além da introdução de equipamentos e  plataformas tecnológicas, implicando mudanças nos  procedimentos e na cultura de funcionamento da Administração  Pública. 

“Não queremos digitalizar a burocracia. Queremos acabar com a  burocracia desnecessária”, declarou, defendendo maior  coordenação entre as instituições públicas e a partilha de  informação, nos termos da lei. 

O Presidente Chapo considerou que a integração dos serviços deve  permitir que os cidadãos tratem de documentos e outras  solicitações sem percorrer várias instituições, enfrentar filas ou  suportar custos elevados de transporte e alojamento. No seu  entender, o tempo dos cidadãos tem valor e o Estado deve  organizar-se para responder às suas necessidades com rapidez,  transparência e eficiência. 

Neste contexto, o estadista destacou a iniciativa Centro Pronto,  apresentada durante o evento, considerando que representa um  passo na construção de serviços públicos mais acessíveis e  integrados. Sublinhou que a experiência, iniciada em Maputo,  deverá ser progressivamente aperfeiçoada e alargada a outras  cidades e regiões, incluindo bairros e localidades onde a  população enfrenta dificuldades de acesso aos serviços. 

O Presidente da República defendeu igualmente que a  transformação digital deve abranger as zonas rurais, os distritos e as 

comunidades mais distantes, sem excluir os cidadãos que não  dispõem de telefone inteligente, acesso regular à Internet ou  conhecimentos para utilizar plataformas digitais. 

“A distância geográfica não deve determinar a qualidade dos  serviços públicos a que um moçambicano tem acesso”, afirmou,  defendendo a combinação de soluções digitais com atendimento  presencial e assistido. 

Na vertente económica, Daniel Chapo apontou a simplificação dos  procedimentos administrativos como um factor importante para  melhorar o ambiente de negócios, estimular o empreendedorismo,  atrair investimentos e criar oportunidades de emprego para jovens e  mulheres. Destacou, igualmente, a plataforma electrónica de vistos,  eVisa, pelo seu contributo para facilitar a mobilidade internacional  e criar condições favoráveis ao desenvolvimento do turismo, do  comércio e do investimento. 

O Chefe do Estado apresentou quatro orientações para aprofundar  a transformação digital: reforçar a integração e a coordenação  institucional; assegurar a inclusão digital e o equilíbrio territorial;  garantir a protecção de dados pessoais, a cibersegurança e a  soberania digital; e estabelecer resultados concretos e mensuráveis. 

Segundo explicou, o sucesso deve ser avaliado pelo tempo, pelas  distâncias e pelos custos que os cidadãos deixam de suportar, e  não apenas pelo número de plataformas ou equipamentos  instalados.

O Presidente Daniel Chapo apelou aos responsáveis das instituições  públicas para trabalharem de forma coordenada, simplificarem os  procedimentos e colocarem o cidadão no centro das decisões. 

Ademais, defendeu parcerias com o sector privado que mobilizem  tecnologia, investimento, inovação e conhecimento, assegurando  a transferência de competências para a juventude moçambicana  e salvaguardando o interesse público e a soberania nacional. 

A Conferência Citizen Connect Africa – Mozambique reúne  representantes de governos, instituições públicas, sector privado,  academia e parceiros internacionais para a partilha de  experiências e a identificação de soluções para a modernização  dos serviços públicos. 

O encontro conta com participantes de vários países africanos e do  Brasil, constituindo uma plataforma de reflexão sobre a  transformação digital e a construção de administrações públicas  mais eficientes e próximas dos cidadãos. 

A ligação lacustre entre Moçambique, Tanzânia e Malawi está condicionada na sequência do incêndio que destruiu completamente a embarcação Chambo, no último domingo, no Lago Niassa, que provocou três mortos. 

A governadora da província do Niassa, Judite Massengele, revelou, nesta quarta-feira, em entrevista ao “O País”, que entre os passageiros da embarcação estavam 23 cidadãos moçambicanos. E entre as vítimas mortais, uma idosa é tanzaniana, o jovem é Malawiano e o bebé de três meses é moçambicano. 

“Todos eles já foram entregues às famílias e realizados os seus funerais. Quanto aos sobreviventes, os tanzanianos disponibilizaram uma embarcação até Côbuè e de Côbuè vieram via terrestre até Metangula, alguns apresentavam cansaço mas estão bem”, explicou a governante. 

As causas do incêndio continuam sob investigação. O fogo destruiu completamente a embarcação, que acabou por afundar, deixando por esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o acidente.

Ainda assim, Massengale avançou que o curto circuito é apontado como causa preliminar do incêndio. 

A governadora afirmou que ainda não é possível estimar os prejuízos provocados pelo sinistro. Entretanto, a perda do Chambo representa um constrangimento para a circulação de pessoas e mercadorias entre Moçambique, Tanzânia e Malawi, uma vez que a embarcação era considerada o único meio de transporte seguro no Lago Niassa.

Antes do acidente, as viagens entre a Tanzânia e Metangula duravam cerca de cinco horas e eram realizadas duas vezes por semana. Entre os principais utilizadores desta ligação estavam comerciantes que dependiam da rota para desenvolver as suas actividades, num contexto em que as vias rodoviárias se encontram degradadas.

Com a destruição do Chambo, o transporte de passageiros e mercadorias no lago passa a depender de pequenas embarcações de pesca, consideradas precárias, aumentando os constrangimentos à circulação na região.

O secretário-geral da Organização Nacional dos Professores (ONP), Teodoro Muidumbe, atribui o atraso na realização do V Congresso da organização, inicialmente previsto para 2024, ao incumprimento do pagamento de quotas pelos membros, situação que, segundo afirma, compromete a capacidade financeira do sindicato e dificulta a mobilização de parceiros para financiar o processo eleitoral.

Muidumbe reconhece que todos os órgãos da organização se encontram fora do mandato, desde os secretários ao nível das escolas até aos órgãos centrais, mas considera que as reclamações sobre a falta de eleições devem ter em conta as dificuldades financeiras enfrentadas pela ONP e as obrigações dos próprios membros.

“Nenhum órgão da ONP agora está dentro do mandato. Desde o secretário da escola até aos órgãos centrais, ninguém”, declarou o dirigente, ao responder a uma questão sobre a ausência de renovação dos mandatos.

O responsável admite, assim, que a situação abrange toda a estrutura sindical, numa altura em que a organização ainda procura reunir as condições necessárias para realizar o congresso e eleger os seus órgãos. Segundo explicou, o encontro deveria ter acontecido em 2024, mas o processo continua por concretizar.

Para Teodoro Muidumbe, a insuficiência de recursos financeiros está directamente relacionada com o incumprimento do pagamento de quotas pelos membros. O secretário-geral afirma que a ONP tem procurado apoio junto de parceiros, mas as respostas dependem também da demonstração de capacidade financeira da própria organização.

“Nós falamos com os parceiros, mas os parceiros querem saber quanto é que vocês têm como ONP para ver o congresso”, explicou.

A declaração evidencia, segundo o dirigente, uma dificuldade para garantir o financiamento necessário à realização do V Congresso. Os parceiros procuram saber qual é a contribuição que a organização consegue assegurar antes de se comprometerem com o apoio ao evento.

Muidumbe responsabiliza os membros pelo não pagamento das quotas e entende que a organização não pode depender exclusivamente de apoios externos para financiar as suas actividades.

“Eu sempre defendo que não se vai à casa de alguém a pedir tudo. Não tenho sal, não tenho colorau, não tenho pão, não tenho isto. Isto desgasta, vai-te cansar”, afirmou, numa comparação usada para ilustrar o que considera ser uma dependência excessiva de terceiros.

O secretário-geral defende que os membros devem assumir as suas responsabilidades financeiras para permitir que o sindicato disponha de recursos próprios, assegure o seu funcionamento e tenha condições para organizar os processos previstos nos seus instrumentos normativos.

A ausência de eleições não afecta apenas os órgãos centrais. De acordo com Muidumbe, toda a estrutura da ONP se encontra fora do mandato, incluindo os responsáveis sindicais ao nível das escolas e os membros que ocupam cargos de direcção.

Questionado sobre como se explica que tanto os dirigentes como os membros estejam fora do mandato, o secretário-geral insistiu na necessidade de os membros compreenderem as condições necessárias à realização do congresso, com destaque para a componente financeira.

“Não pagam quota, mas querem o congresso. Esta forma de agir, eles próprios, estão a desenquadrar-se”, declarou.

O dirigente foi ainda mais incisivo ao questionar a legitimidade das reclamações apresentadas por membros que, segundo ele, não cumprem as suas obrigações contributivas.

“Esse não é membro. Sim, para mim, não é membro, porque o membro tem que pagar quota”, afirmou, defendendo a existência de uma relação entre o cumprimento dos deveres sindicais e o exercício dos direitos dentro da organização.

Apesar das dificuldades apontadas, o secretário-geral anunciou uma nova etapa preparatória para a realização do V Congresso. Segundo Muidumbe, em Novembro deste ano, os órgãos centrais vão convocar a terceira sessão do Conselho Nacional, encontro que deverá aprovar os instrumentos legais necessários para orientar o processo.

“No próximo mês de Novembro, nós, como órgãos centrais, vamos convocar uma sessão do Conselho Nacional, cujos membros vão aprovar instrumentos legais que nos conduzirão a realizar o nosso quinto congresso no ano de 2027”, anunciou.

O dirigente garantiu que os documentos a serem submetidos à apreciação dos membros já estão preparados e que a reunião deverá concentrar-se em matérias concretas relacionadas com a organização e a realização do congresso.

“Os documentos já estão prontos”, afirmou, acrescentando que o secretário nacional já tem os temas previstos para discussão e aprovação.

Entre as matérias a serem apreciadas está a revisão dos estatutos e dos regulamentos da ONP, com o objectivo de adequar os instrumentos internos à realidade actual da organização.

A expectativa, segundo o responsável, é que a aprovação desses documentos permita estabelecer regras mais claras para o funcionamento das estruturas sindicais, o cumprimento das obrigações dos membros e a responsabilização dos dirigentes.

O Japão vai disponibilizar 1,8 milhões de dólares para assistência alimentar a 94 mil pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique, através do Programa Alimentar Mundial (PAM).

“Esta contribuição permitirá apoiar cerca de 94 mil deslocados internos e outras pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado através da distribuição de arroz e conservas de peixe”, disse o embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada, citado pela Lusa, na cerimónia de assinatura do financiamento, formalizado ontem, em Maputo.

Segundo o diplomata, a assistência será assegurada através da distribuição de arroz produzido localmente e conservas de peixe, procurando ajudar as famílias afetadas pelo conflito a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas.

Keiji Hamada acrescentou que, desde 2019, o Japão contribuiu com cerca de 21,38 milhões de dólares  para as operações do PAM em Moçambique.

A diretora nacional do PAM no país, Claire Conan, que também assinou este acordo, afirmou que o financiamento chega numa altura em que as necessidades humanitárias permanecem elevadas e os recursos disponíveis continuam insuficientes para responder à totalidade das populações vulneráveis.

“Permitirá ao PAM prestar assistência alimentar a 94 mil pessoas, ajudando famílias vulneráveis a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas”, afirmou Claire Conan.

Segundo a responsável, o apoio pretende evitar que os agregados familiares recorram a estratégias prejudiciais para lidar com a escassez de alimentos.

A assistência irá combinar produtos adquiridos em Moçambique com conservas de peixe, contribuindo simultaneamente para o apoio às populações afetadas e para a dinamização dos mercados locais.

“Este apoio do Japão não é apenas oportuno, é profundamente significativo”, afirmou a representante do PAM, agradecendo ao Governo japonês pela contribuição.

Claire Conan alertou ainda para os possíveis efeitos do fenómeno El Niño, considerando que um agravamento da seca poderá aumentar o número de famílias em situação de insegurança alimentar numa altura em que o financiamento humanitário enfrenta fortes constrangimentos.

Por sua vez, o vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Gabriel Monteiro, destacou a cooperação japonesa na assistência humanitária e na prevenção de desastres, referindo o apoio à construção de sistemas de drenagem na cidade da Beira, província de Sofala, e os estudos em curso para encontrar soluções para as inundações urbanas em Maputo e Matola.

A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, enfrenta desde 2017 uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo organizações internacionais.

Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas continuam a viver com os efeitos do conflito, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas regressadas às suas zonas de origem.

Os incidentes associados à insurgência aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano anterior.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de uma vaga de calor, com temperaturas máximas entre 35 e 39 graus Celsius, em várias regiões das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, a partir de 15 de Outubro até domingo, dia 19 de Outubro de 2026.

Segundo o INAM, a situação resulta da persistência do transporte de ar quente e húmido e deverá afectar, na província de Maputo, os distritos de Boane, Namaacha, Moamba, Magude, Manhiça, Marracuene e Matutuíne, bem como as cidades de Maputo e Matola.

Na província de Gaza, estão em risco os distritos de Chibuto, Guijá, Mapai, Chicualacuala, Mandlakazi, Chókwé, Massingir, Mabalane, Massangena e Limpopo, além da cidade de Xai-Xai. Em Inhambane, a previsão abrange os distritos de Zavala, Mabote, Funhalouro, Panda e Inharrime.

O INAM alerta ainda que as temperaturas continuarão muito elevadas na região Centro do país, sobretudo nos distritos localizados ao longo do vale do Zambeze.

Face à previsão, o instituto recomenda a adopção de medidas de precaução e segurança para minimizar os efeitos da vaga de calor e do calor intenso.

O distrito de Magude tem, neste momento, uma população de mais de 68 mil pessoas, diz o censo piloto realizado pelo Instituto Nacional de Estatística. O recenseamento serviu para testar as metodologias e tecnologias a usar no V Censo Geral da População, em 2027, que será 100% digital.

Pelo menos 68 492 pessoas em 16 230 agregados familiares foram abrangidos pelo censo piloto de população no distrito de Magude, província de Maputo. A contagem, que durou 15 dias, de 1 a 15 de Agosto, serviu para testar a tecnologia a ser usada em 2027, e os resultados foram apresentados ao INE esta terça-feira.

De acordo com o consultor do INE, Cimar Pereira, a metodologia a ser usada não abre espaço para o empolamento de dados.

“Tudo funcionou online, de forma digital. No momento que colocamos o equipamento na mão de um recenseador, temos tempo, tem percurso, e o contexto local, isso não permite manipular números.”  

O Consultor do INE,  assegura que mesmo debaixo de condições climáticas extremas os sistemas de recolha e envio de dados não vão oscilar. A presidente do Instituto Nacional de Estatística, Eliza Magaua, desafiou as equipas a aperfeiçoar as tecnologias e adaptá-las às condições de cada distrito.

“Deste modo, é necessário assegurar que os equipamentos, as aplicações, a comunicação, as infra-estruturas tecnológicas, os mecanismos de segurança e as equipas técnicas estejam devidamente preparadas para responder às exigências de uma operação desta magnitude. É igualmente indispensável garantir que as inovações tecnológicas sejam acompanhadas pela capacitação dos intervenientes e por estratégias adequadas às diferentes realidades do nosso território”, desafia.  

O Censo Populacional de 2027 está orçado em pouco mais de 110 milhões de dólares americanos, equivalentes a pouco mais de 7 mil milhões de meticais. De acordo com o plano, 29 % do valor será gasto com salários e subsídios, e 27% com equipamento informático. Entretanto, o valor ainda não existe na totalidade.

Pelo menos 4.445 pessoas fugiram entre setembro e outubro de várias localidades da província moçambicana de Cabo Delgado devido a ataques de grupos insurgentes armados, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com o mais recente relatório do mecanismo de monitorização de deslocações de emergência (ETT) da OIM citado pela Lusa, os movimentos populacionais ocorreram entre 21 de Setembro e 02 de Outubro nos distritos de Nangade, Macomia, Muidumbe e Mocímboa da Praia, envolvendo 4.445 pessoas, correspondentes a 1.493 agregados familiares.

Segundo a organização, as deslocações foram desencadeadas por ataques e pelo receio de novos ataques perpetrados por grupos armados não estatais, com os maiores movimentos registados na localidade de Nambedo, distrito de Nangade, de onde saíram 2.682 pessoas, seguindo-se Chai, em Macomia, com 569 deslocados, e Miengueleua, em Muidumbe, com 370.

A maior parte da população deslocada foi registada em Nangade, que acolheu 3.041 pessoas, equivalente a 68% do total, incluindo 2.307 deslocados instalados em Nambedo e 734 que seguiram para o Centro de Muadi, na localidade de Mualela.

No distrito de Macomia foram registadas 1.174 chegadas, sobretudo no Centro de Nondje, em Muagamula, que acolheu 815 pessoas, seguindo-se os centros de Xinavane, Serração e Songueia.

No relatório refere-se ainda a deslocação de 156 pessoas para o distrito de Mueda, 48 para comunidades de acolhimento em Namacande, distrito de Muidumbe, e 26 provenientes de Mocímboa da Praia para a localidade de Mpeme, em Mueda.

A maioria dos deslocados fez o percurso a pé ou de autocarro, incluindo 691 homens, 1.364 mulheres e 2.390 crianças, que representam 54% do total da população afetada.

A OIM identificou ainda 85 mulheres grávidas, 73 idosos com mais de 60 anos, 31 crianças desacompanhadas ou separadas das famílias, 31 pessoas com deficiência e 10 pessoas com doenças crónicas entre os deslocados.

Segundo o levantamento, a duração do deslocamento permanece incerta, enquanto alimentação, abrigo e bens não alimentares constituem as necessidades mais urgentes da população afectada.

Província rica em gás natural, Cabo Delgado, norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e de 1,2 milhões de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.

Os incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.

A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), divulgado em Setembro, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.

Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025”, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.

Actualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respectivas zonas de origem.

“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.

 

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) admite haver agentes a serviço de crime organizado dentro da corporação, facto que tem inviabilizado o trabalho da instituição. Ainda assim, o SERNIC assinala que o registo de um ano sem raptos no País resulta do facto  deste órgão estar sob tutela da Procuradoria-geral da República. 

O SERNIC está num processo de reestruturação e já está a produzir resultados. Segundo o Director-Geral do SERNIC, que falava nesta terça-feira numa conferência de imprensa, é preciso não apontar as falhas do passado, ou “algo que tenha falhado”, mas sim destacar as mudanças em curso, que permitiu o resultado de 12 meses sem os crimes de rapto.

A passagem da instituição para tutela do Procurador-geral da República é apontado como um dos factores determinantes para a reestruturação do SERNIC.

  “Hoje sentimos-nos com maior autonomia e, paralelamente, com recursos materiais e humanos suficientes para responder aos desafios que enfrentamos. Como sabeis, enfrentar o crime organizado exige recursos à altura, desde meios humanos, meios materiais, mas, sobretudo, à componente humana”, disse. 

O SERNIC alerta que não é o momento para relaxar, até porque há fragilidades internas.

“Reconhecemos que há desafios, mesmo no nosso seio, por isso continuamos com o processo de purificação das fileiras, mas isso não é um fenómeno que se circunscreve apenas na Polícia e ao SERNIC. O crime organizado tende a cooptar, a infiltrar-se nas instituições críticas para a lograr os seus resultados e cabe a nós impermeabilizarmos-nos como instituições, impedir que, efetivamente, o crime organizado penetre o nosso seio. Temos colegas que deixaram de fazer parte das nossas fileiras, exatamente por esse comportamento, é um facto que não podemos recusar.”

Calcula-se que o primeiro caso de rapto em Moçambique foi registado em 2011. A partir de 2022, o crime foi apontado como parte das indústrias que financiam o terrorismo, desafiando adopção de vasta legislação especfíca contra os dois tipos de crime.

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