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Portugal tem praticamente assegurado o regresso ao sexto lugar do ranking da UEFA no final da época, o que vai permitir voltar a três clubes na Liga dos Campeões europeus, a partir de 2027/2028, uma vez que as alterações no ranking de 2026 só produzem efeitos um ano depois.

Há, no entanto, a possibilidade de antecipar o regresso a esses três clubes já em 2026/2027. Para isso, Portugal teria de terminar o ano como um dos dois países com mais pontos somados nesta temporada.

E esse objectivo ficou mais complicado com a derrota do Benfica, na terça-feira, na recepção ao Real Madrid. Para já, Portugal continua no segundo lugar anual, com a Inglaterra a liderar (e é inalcançável), mas viu Alemanha e Espanha aproximarem-se.

Os espanhóis somaram 0,250 pontos ao seu coeficiente anual graças, precisamente, à vitória do Real na Luz. Já a Alemanha acrescentou 0,286 pontos ao seu total de pontos, por causa do triunfo do Dortmund na recepção à Atalanta (uma vitória vale mais pontos aos alemães por terem começado a época com sete clubes nas provas da UEFA, enquanto a Espanha tinha oito).

Segundo cálculos da conta FootballMeetsData no X, a Alemanha, apesar de estar ainda atrás de Portugal, tem agora 50,77 por cento de possibilidades de assegurar o segundo lugar anual e com isso garantir uma equipa extra na Champions da próxima época.

Portugal viu as suas possibilidades caírem 5 pontos percentuais, para 17,11 por cento. Mas o país mais afectado pelo primeiro dia do play-off da Champions foi a Itália, que com as derrotas de Juventus e Atalanta passou a ter apenas 14 por cento de possibilidades, menos ainda que a Espanha, que subiu para 16,98.

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O Governo está a tentar fugir do pagamento de horas extraordinárias aos professores ao criar terceiro turno para o nível secundário e ao transferir alunos do pós-laboral para o período diurno. O entendimento é do académico e comentador Rogério Uthui, que alerta que a situação vai obrigar a que se façam muito mais investimentos na educação.

O antigo reitor da Universidade Pedagógica, Rogério Uthui, explicou de forma didáctica e simples o que pode estar a acontecer com o Governo ao criar terceiro turno no nível secundário e ao transferir alunos do pós-laboral para curso diurno.

Num contexto de pouca informação da parte do Ministério da Educação e Cultura para clarificar a intenção, o também Uthui entende que o Executivo pode estar a tentar escapulir-se das dívidas de horas extraordinárias acumuladas desde o ano de 2023.

“No sistema há 12 mil professores em falta e esses professores em falta são fechados por outros que estão presentes. E estes que estão presentes, logicamente, estão a fazer mais horas do que deviam. Logo, estão a ter horas extras, e têm de se pagar. E, durante mais de três anos, o Estado não pagava essas horas extras. Este é que é o problema principal que a ministra da Educação e o seu novo elenco encontraram. Então, certamente que se convenceram, a nível do Governo, que vão cortar para que não haja mais horas extras”, explica.

Ademais, segundo Uthui, uma forma de não haver mais horas extras é levar os alunos que estão a mais no curso nocturno e encaixá-los no diurno.

Para já, Rogério Uthui considera que até 28 de Fevereiro o Governo tem tempo para repensar a medida para acabar com o terceiro turno diurno, e como saída sugere a contratação de  mais 12 mil professores para fechar o défice existente.

“É verdade que o Ministério está a tentar fazer diferente, mas cortar as horas deve ser a pior solução que podes encontrar para um sistema que já está a formar alunos sem qualidade”, disse.

Com a passagem de 100 mil alunos do curso nocturno para o diurno e a introdução do terceiro turno, o professor explica que estes passam a estudar 200 horas a menos por ano, o que vai implicar o não término dos conteúdos programáticos, para além de se leccionar apenas metade do livro, realçando que pode não ser a melhor forma para os alunos.

Para o Governo, fica um recado do académico: “Nós temos de olhar para a educação como um investimento e não como um custo. Isso vai obrigar-nos a aceitar investir muito mais na educação. Então, quando investirmos muito mais, nós vamos construir as 35 mil salas de aulas que estão em falta. Temos de construir. E vamos meter, talvez por ano ou de dois anos, os 12 mil professores que estão em falta no sistema”.

 

Capulanas de Gueta Chapo podem vir de cartéis combatidos pelo PR

Num outro desenvolvimento, Rogério Uthui abordou a questão das capulanas prometidas pela Primeira-Dama de Moçambique, Gueta Chapo, a todas as mulheres moçambicanas, para a celebração do Dia da Mulher Moçambicana, 7 de Abril.

O académico e comentador elogiou a iniciativa, mas também alertou para os riscos associados.

“Disse, ela própria, que tem amigos que a apoiam, etc. E tenho visto o actuar do Governo de Chapo. Ultimamente, tem sido muito incisivo sobre cartéis, aquilo que ele próprio chamou cartéis, que dominam uma série de esferas da economia nacional e até da política. E, normalmente, têm sido os donos desses cartéis que são os primeiros a oferecerem as coisas para as causas humanitárias da Primeira-Dama”, disse, dando como exemplos que “houve grandes empresários que se destacavam em comprar charutos, charutos do Presidente da República e depois descobriu-se que eram procurados por tráfico de drogas em outros países”, advertiu.

O Governo está a enfrentar dificuldades para ter acesso ao financiamento, alerta o Fundo Monetário Internacional. Segundo a instituição, os desafios do país continuam significativos, apesar da saída da lista cinzenta do GAFI. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que Moçambique enfrenta condições de financiamento cada vez mais difíceis, levando a cortes na aquisição de bens e serviços em 2025, ano que registou um crescimento económico de 0,5%.

Depois de ter trabalhado em Moçambique, no fim do ano passado, uma delegação do Fundo Monetário Internacional concluiu que os desafios do país continuam enormes, com destaque para os ligados à dívida pública.

Através de um comunicado divulgado esta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional alerta que “o Governo enfrenta condições de financiamento cada vez mais difíceis. Com os atrasos no serviço da dívida, a detenção de títulos públicos pelos bancos nacionais – a principal fonte de financiamento dos grandes e persistentes défices fiscais – estagnou. O financiamento externo líquido tem sido negativo”.

Face a estas condições de financiamento restritivas, de acordo com o FMI, “estima-se que o défice orçamental tenha diminuído significativamente em 2025, descendo para 4,5% do PIB, face aos 6,2% de 2024, principalmente devido à redução das despesas com bens, serviços e projetos de capital”.

Trata-se de uma situação que está a reduzir a ajuda externa e a tornar o endividamento público vulnerável, desequilibrando assim as contas do Estado. Diante do cenário, o FMI prevê crescimento da economia nacional moderado.

“O crescimento económico, excluindo o sector mineiro, deverá manter-se moderado, em torno de 2%, refletindo o fraco crescimento do crédito. A inflação deverá ultrapassar a meta implícita do banco central no médio prazo, impulsionada pelo financiamento monetário dos elevados défices fiscais”, revela. 

“Ao mesmo tempo, o país enfrenta necessidades prementes de desenvolvimento, limitações de capacidade e frequentes desastres naturais”, lê-se.

Face ao constatado, os directores do FMI recomendam ao Governo a formular um pacote abrangente de reformas políticas para consolidar a estabilidade macroeconómica e lançar as bases para um crescimento mais forte e duradouro. 

“Eles destacaram a importância de conter o pagamento da folha salarial, ampliar a base tributária, aprimorar a gestão das finanças públicas, abordar os riscos fiscais das empresas estatais e da assistência social, e fortalecer a gestão da dívida e a transparência e a proteger os grupos vulneráveis”, recomenda o FMI.

Os membros do conselho de administração do FMI saudaram ainda a política monetária prudente do banco central, mas dizem haver espaço para reduzir o aperto à política cambial, apesar do risco de agravar a escassez de divisas. 

“Os membros do Conselho de Administração concordaram que uma maior flexibilidade cambial permitiria à economia ajustar-se às mudanças nas condições externas e apoiar o crescimento, e recomendaram a manutenção de um nível prudente de reservas cambiais”. 

O FMI reconhece que “apesar de alguns desenvolvimentos positivos”, como a “baixa inflação”, as reservas cambiais “adequadas”, a retoma do megaprojeto de gás natural da TotalEnergies e a retirada da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), “os desafios continuam a ser significativos”.

Refere que “as atuais políticas macroeconómicas”, nomeadamente “os grandes défices orçamentais e a necessidade de maior flexibilidade cambial”, irão “provavelmente exacerbar as vulnerabilidades macroeconómicas e da dívida”.

Nas conclusões aprovadas pelo conselho executivo, os diretores do FMI enfatizam “os riscos e vulnerabilidades substanciais decorrentes dos grandes desequilíbrios internos e externos, do fraco crescimento, da elevada dívida pública, dos desafios de segurança, das fragilidades institucionais e dos choques climáticos” que Moçambique enfrenta.

Tropas federais etíopes e forças do Tigray realizam movimentações junto à fronteira interna e aumentam os receios de um retorno ao conflito militar que devastou o país entre 2020 e 2022. Uma escalada militar que deixa o norte da Etiópia em alerta máximo.

Diversas fontes diplomáticas da Etiópia confirmam que o exército federal está a posicionar unidades em diversos pontos próximos da região do Tigray. Do outro lado, as Forças de Defesa do Tigray também avançam para as zonas fronteiriças, avançam algumas agências internacionais.

Analistas alertam que esta movimentação militar é invulgar e pode anunciar uma nova escalada. Amdom Gebreselassie, presidente da Arena Tigray para a Democracia e Soberania, em Mekelle, confirmou à DW que o ambiente é tenso e que “a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF) está militarmente ativa na região.”

“As forças Shabia da Frente Popular de Libertação da Eritreia (EPLF) estão a infiltrar pessoal de inteligência em várias áreas; há muitos indivíduos uniformizados no terreno. As forças de defesa federais também estão estacionadas ali. Muitos estão totalmente mobilizados. Há risco de guerra e teme‑se o reinício do conflito”, conclui Gebreselassie, citado pela DW.

Entre 2020 e 2022, a região foi palco de uma guerra envolvendo tropas federais, milícias aliadas e o exército da Eritreia, causando centenas de milhares de mortos, segundo estimativas da União Africana (UA).

Apesar da assinatura de um acordo político, este nunca foi plenamente implementado e, em janeiro, novos confrontos levaram à suspensão temporária dos voos para a região.

Mustafa Abdu, especialista jurídico e analista político em Mekelle, recorda em entrevista à DW que os “fantasmas” do conflito continuam presentes em Tigray. “O povo de Tigray vive uma situação desesperada. A guerra atingiu-o profundamente, ainda não superou a dor. O facto de o conflito ter terminado com o Acordo de Pretória e agora estar prestes a recomeçar é desanimador. A situação em Tigray é extremamente difícil”, relata ao DW.

Face ao risco elevado de um regresso à guerra no norte da Etiópia, multiplicam‑se os apelos à comunidade internacional para pressionar por um diálogo imediato.

Amdom Gebreselassie reforça que o povo de Tigray não quer um novo conflito, “quer paz, mas as forças armadas chegaram a um ponto em que estão preparadas para uma guerra que ultrapassa as suas capacidades.”

O dirigente acrescenta ainda que a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF), a Shabia e a FANO, a milícia etnonacionalista da Amhara, anunciaram recentemente uma aliança militar para defender Tigray.

As relações entre a Etiópia e a Eritreia também se deterioraram. Adis Abeba acusa Asmara de fornecer armas a grupos armados do Tigray, algo que o Governo eritreu nega.

Na semana passada, o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, apelou a medidas urgentes para evitar um novo conflito. Mustafa Abdu sublinha que a guerra ainda pode ser evitada, desde que o Acordo de Paz de Pretória seja plenamente respeitado.

 

Está tudo a postos para o arranque oficial da época futebolística 2026 no País. A Supertaça Mário Esteves Coluna marca a abertura oficial da época e a Federação Moçambicana de Futebol já marcou a data e o local para a sua realização.

Assim, o dia 22 de Março é a data apontada para a disputa do primeiro troféu oficial da temporada, e será disputada pela União Desportiva do Songo, na qualidade de campeã nacional, que fez a dobradinha ao vencer também a Taça de Moçambique, e a Associação Black Bulls, finalista vencido da Taça de Moçambique.

O embate terá lugar no “Caldeirão” do Chiveve, às 15h00, numa clara indicação de que o Campeonato Nacional de futebol, o Moçambola, deve iniciar no último fim-de-semana de Março ou no primeiro de Abril.

Na temporada 2026/27 as duas colectividades irão representar o país nas competições africanas, nomeadamente a Liga dos Campeões da CAF e a Taça da Confederação, também conhecida como Taça CAF ou Taça Nelson Mandela.

A Black Bulls conquistou a prova pela última vez em 2024 e a União Desportiva do Songo em 2023. O Ferroviário de Maputo é o detentor da prova, após derrotar a Black Bulls no ano passado, enquanto o Costa do Sol é a equipa com mais conquistas, 11 ao todo.

Newcastle da Inglaterra, Atlético Madrid da Espanha, Inter de Milão da Itália e Bayern Leverkusen da Alemanha disputam o jogo da primeira mão de acesso aos oitavos-de-final da liga milionária fora de portas. Será uma noite para ganhar vantagem na eliminatória, que deverá ser confirmada na próxima semana.

No prosseguimento da primeira mão do play-off de acesso aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões europeus, os principais candidatos a passarem para a fase seguinte jogam fora de portas.

 

Qarabağ vs Newcastle

Este será um duelo de novidades, já que ambas as equipas se estreiam na fase a eliminar. O Qarabağ é também o primeiro clube azeri a participar nesta fase e o Newcastle nunca defrontou uma formação do Azerbaijão.

O Qarabağ não venceu os nove jogos anteriores frente a adversários ingleses, tendo empatado um jogo e perdido oito.

O Newcastle venceu apenas dois dos últimos 15 jogos europeus fora. Na fase de liga, a equipa terminou com um registo de uma vitória, dois empates e uma derrota.

 

Club Brugge vs Atlético

As equipas defrontaram-se oito vezes e o saldo é equilibrado com três vitórias para cada uma. Os duelos mais recentes aconteceram nesta competição, na fase de grupos de 2022/23, quando o Club Brugge venceu por 2-0 em casa e empatou a zero em Madrid.

A equipa belga levou a melhor nos duelos a eliminar ante o Atlético. Apurou-se com um resultado total de 4-3 nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus de 1977/78 e repetiu o feito na mesma fase, mas da Taça das Taças, em 1991/92.

O Club Brugge não perdeu em quatro jogos caseiros frente ao Atlético, onde somou três vitórias e um empate, que por seu lado foi afastada em quatro das últimas seis eliminatórias da Champions League.

 

Bodø/Glimt vs Inter de Milão

Frente-a-frente vão estar duas equipas em extremos opostos no que toca a experiência, já que o Inter foi finalista da prova em duas das últimas três edições e o Bodø/Glimt cumpre a primeira campanha no torneio. Ainda assim, já se defrontaram, na segunda eliminatória da Taça das Taças de 1978/79, com um resultado total de 7-1 a apurar o Inter.

O Bodø/Glimt eliminou a Lazio na Europa League da época passada, mas foi o seu único sucesso em cinco eliminatórias ante italianos. Contam com Kasper Høgh para mudar essa tendência, pois o avançado apontou três golos nos últimos dois jogos da Champions League e frente a adversários de peso (Manchester City e Atlético).

O Inter venceu os quatro jogos disputados frente a adversários noruegueses e prevaleceu em seis das últimas sete eliminatórias disputadas nesta prova.

 

Olympiacos vs Leverkusen

As equipas defrontaram-se na Jornada 7 desta edição, com o Olympiacos a vencer por 2-0. Antes, em 2002/03, também se tinham encontrado na Champions League, com cada uma a vencer em casa na primeira fase de grupos.

O recente triunfo encerrou uma série de 13 jogos sem vencer da formação grega contra equipas alemãs, que tinha alcançado um empate e 12 derrotas.

O Leverkusen está a um golo dos 200 nesta competição, e o próximo poderá ser marcado pelo defesa goleador Alejandro Grimaldo, que facturou em três das últimas quatro partidas na Champions League. Um golo faria com que o Leverkusen atingisse a marca dos 200 golos nesta competição.

À excepção do embate entre Qarabağ e Newcastle que inicia quando forem 20h00 de Moçambique, os restantes jogos arrancam quando forem 22h00 de Moçambique.

Em Inhambane o ciclone Gezani deixou casas reduzidas a escombros, mais de duas centenas de salas de aula sem tecto e bairros inteiros marcados pela força implacável do vento, revelando a vulnerabilidade de famílias que já viviam no limite.

Enquanto moradores recolhem o pouco que restou das suas vidas e tentam erguer-se entre destroços, o INGD assegura que está a mobilizar assistência para os mais vulneráveis, numa corrida contra o tempo para devolver dignidade a quem perdeu quase tudo.

Catarina Rafael é uma das vítimas do ciclone Gezani, que a encontrou dentro da sua residência, construída de material precário, onde dormia com cinco netos, quando os ventos violentos do ciclone mudaram o rumo da noite do dia 14 de Fevereiro, sábado.

A estrutura começou a ceder sob a força das rajadas e, em desespero, Catarina Rafael abandonou tudo, levou as crianças e correu para a casa de um vizinho. Ao amanhecer, veio a confirmação de que a residência tinha sido totalmente derrubada, deixando a família ao relento.

Luísa Facitela é outra idosa, com mobilidade reduzida, que também atravessou momentos de terror na madrugada de sábado. Sem conseguir reagir com rapidez à violência dos ventos, viu-se obrigada a procurar refúgio improvisado numa pequena barraca onde guarda os seus pertences, como se tivesse pressentido que o tecto da sua casa não resistiria.

Acabou salvando a sua vida, mas não conseguiu salvar a sua residência, que agora está no chão, deixando-a ao relento.

Nem as instituições públicas escaparam à fúria dos ventos. Uma das escolas viu parte das suas oito salas de aula ruírem, além da destruição total do bloco administrativo, comprometendo o arranque das actividades lectivas.

No Bairro de Salela, o mercado local amanheceu irreconhecível. Os ventos arrancaram completamente o tecto, deixando as bancas expostas ao sol e à chuva, e dezenas de comerciantes sem abrigo para proteger os seus produtos e o sustento diário das suas famílias.

Os dados preliminares apontam para mais de mil habitações destruídas ou parcialmente danificadas pela fúria dos ventos do ciclone. Ainda assim, o Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres garante que equipas já estão no terreno a prestar assistência às famílias mais vulneráveis.

Para além das residências particulares, a tempestade deixou um rasto de destruição nas infraestruturas públicas: centenas de salas de aula ficaram total ou parcialmente sem teto, e várias unidades sanitárias perderam cobertura, fragilizando a prestação de cuidados de saúde.

Com o ano lectivo à porta, volta o debate de turmas ao relento e o seu impacto pedagógico. É que nos dias de chuva, milhares de alunos ficam sem estudar. Nampula equaciona recorrer aos parceiros de cooperação para a montagem de tendas para aulas.

O ano lectivo 2026 inicia a 27 de Fevereiro, com abertura oficial, e as aulas arrancam em todo o país no dia 2 de Março. As escolas preparam-se para receber os alunos, com os professores já na fase terminal das dosificações.

“E já fizeram actas, já fizeram planificações quinzenais, quase já receberam o material, já está tudo pronto. Nós só estamos à espera do dia chegar e daí arrancarmos”, confirmou Horácio Luís, Director-adjunto Pedagógico de uma das escolas de Nampula.

Entretanto, há uma situação que inquieta: Novo ano, e velhos problemas.

A Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vai funcionar com mais de 3500 alunos e porque as salas convencionais são poucas, muitos alunos estudam ao relento, para a preocupação de pais e encarregados de educação.

“Quando chove não há nada, não costumam dar aulas porque os alunos ficam debaixo das árvores. Aí não tem chance de ficar para estudar”, lamenta Cidália João, encarregada de educação.

Durante o período lectivo, as árvores servem de salas de aula. São turmas que correspondem a cada árvore. É lá onde parte dos alunos da Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vão iniciar o ano lectivo e o chão está húmido, justamente porque ainda é período chuvoso.

E em Nampula são muitas escolas que estão na mesma situação e condições, onde os alunos poderão ter suas aulas debaixo das árvores.

Horácio Luís confirma que a situação vai continuar, até porque não houve acréscimo das salas de aula. “No ano passado nós tivemos 30 salas ao ar livre, no relento, e espero que também este ano este número vai permanecer porque as salas que tivemos no ano passado são as mesmas”, disse.

Ou seja, cresce o número de alunos a cada ano e o ritmo de construção de novas salas é muito baixo. Na falta da melhor solução, a direcção provincial de Educação em Nampula pensa em recorrer às tendas.

“Estamos num período chuvoso, estamos a rezar para que não haja catástrofe, mas como sabem nós trabalhamos com parceiros, sempre temos tido backups. A educação sempre sofreu por conta das épocas chuvosas, como também da época ciclónica”, frisou William Tuzine, Director de Educação em Nampula.

Até ao ano passado, ao nível da província de Nampula, estimava-se que cerca de 290 mil crianças estudam ao relento, pelo menos no ensino primário, um cenário que provavelmente não vai alterar bastante, mas para pior.

A fome agrava o drama de mais de 500 pessoas, que perderam o emprego, devido às cheias na zona comercial de Xai-Xai, província de Gaza. Jovens e mulheres  acabam recorrendo aos alimentos deteriorados para conseguirem, no mínimo, ter uma refeição. 

A capital provincial de Gaza está em alerta para o risco iminente de fome aguda, na sequência das cheias que destruíram campos agrícolas e forçaram o encerramento da  zona comercial.

Marta Tina é um dos exemplos dos que ficaram desempregados por conta das cheias e diz estar à procura de uma oportunidade de emprego, pois tem enfrentado dias difíceis. O mesmo acontece com Luís Manuel, vendedor de um dos principais mercados da cidade de Xai-Xai, que viu a sua mercadoria a ser arrastada pela fúria das águas. 

“Estamos a sofrer, pois a vida está difícil”, conta Luís Manuel, que também enfrenta dificuldades para poder se alimentar. 

A vida continua dura e dias de incertezas agravam o desespero de muitos residentes da zona alta de Xai-Xai que dependiam de actividades comerciais nas ruas e avenidas do coração da cidade para gerar rendimento. 

“Estamos com fome, as pessoas sofrem devido à fome. E não temos apoio, e procuramos, sem sucesso, alguma ocupação nas lojas. Pedimos apoio em alimentos, pois as crianças estão a passar fome”, diz Rita Come, também desempregada devido às cheias. 

Agora sem alternativa, atravessam os piores dias e porque a fome não pode esperar são obrigados a recorrer a produtos deteriorados para poderem se alimentar.

O presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, alerta para o aumento do nível de desemprego face à continuidade da suspensão do comércio e defende a retoma gradual da actividade.  

“Temos cerca de 5 mil vendedores informais que, neste momento, estão sem exercer as suas actividades. Se atrasarmos a retoma das actividades comerciais na cidade de Xai-Xai, poderemos ter um cenário de caos”, alerta o edil de Xai-Xai. 

Além disso, há pelo menos seis bancos que continuam encerrados, revelou Ossemane Adamo durante o encontro com o Secretário de Estado em Gaza, Jaime Neto.

“Neste momento, temos apenas dois bancos a funcionarem na zona alta da cidade e isso cria embaraços para os nossos munícipes”, explica.

O Secretário de Estado em Gaza admitiu a retoma gradual da vida comercial, mas exige padrões de higiene e segurança, o que poderá ser garantido por uma equipa multisectorial de fiscalização, liderada pela pelo sector da Indústria e Comércio.

“Queremos evitar que, com a reabertura gradual do comércio sem as condições necessárias, haja contaminação dos produtos e, consequentemente, a sobrecarga dos nossos hospitais”, alerta Jaime Neto. 

Dados indicam que as cheias forçaram o encerramento de pelo menos 750 empreendimentos comerciais em Chókwè e Xai-Xai, gerando prejuízos que já superam 850 milhões de meticais.

Morreu, esta terça-feira, o líder dos direitos civis dos Estados Unidos, Jesse Jackson, aos 84 anos. Jackson foi um pastor baptista criado no sul segregado dos Estados Unidos, que se tornou próximo de Martin Luther King Jr.

Em vida, ele concorreu duas vezes à indicação presidencial democrata. Ao longo da vida, Jackson atuou em negociações diplomáticas, missões humanitárias e campanhas contra a discriminação racial, deixando um legado marcado pela defesa dos direitos civis nos Estados Unidos.

Jesse Jackson foi um proeminente activista dos direitos civis que concorreu duas vezes à nomeação do Partido Democrata para presidente, em 1984 e 1988.

Nascido no dia 8 de Outubro de 1941 em Greenville, Carolina do Sul, Jackson envolveu-se na política desde cedo.

Ele ganhou destaque na década de 1960 como líder da Conferência de Liderança Cristã do Sul, de Martin Luther King.

Jackson estava presente com King quando este foi assassinado em Memphis em 1968.

Ele lançou duas organizações de justiça social e ativismo: a Operation PUSH em 1971 e a National Rainbow Coalition doze anos depois.

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