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A Electricidade de Moçambique está a fazer uma auscultação pública aos seus clientes no bairro Polana Caniço, na cidade de Maputo. A actividade vai durar três dias, a contar a partir desta quarta-feira.

A provedoria itinerante é uma iniciativa da empresa pública Electricidade de Moçambique, que visa facilitar o atendimento ao consumidor levando os serviços para mais perto das comunidades.

“Estaremos aqui das 7h30 às 15h30 onde teremos os nossos técnicos a atenderem os clientes e ao cidadão até aquele que não tem energia pode aproximar-se, apresentar as suas questões, as suas inquietações. Aquele que tiver reclamações que ainda não foram atendidas pela EDM também pode se aproximar para apresentar. Temos uma equipa técnica que está aqui de prontidão para responder a essas situações”, explica  Elsa Prata da Silva, representante da EDM.

O campo 7 de Abril, no bairro Polana Caniço na cidade de Maputo, foi o local escolhido para os utentes apresentarem as suas preocupações, na esperança de ter soluções.

“A preocupação é pedir um candeeiro, porque temos um poste ali. Ali é um sítio onde aglomeram-se esses meninos que quando fumam e assaltam pessoas. Mas com o candeeiro, acho que a situação poderá melhorar”, disse um dos utentes presentes no local.  

Em função da complexidade, a  EDM explica que alguns problemas serão resolvidos no momento.

“Temos aqui uma equipa técnica que está pronta para resolver as questões que serão apresentadas durante estes três dias. Obviamente, dependendo de situação para situação, mas aquelas que podemos resolver em tempo útil serão todas resolvidas em tempo útil. Aquelas que precisarem de um pouco mais tempo, de uma apreciação um pouco mais profunda, poderemos levar connosco mas na esperança e na expectativa de que serão resolvidas com a maior brevidade possível”, acrescenta Elsa Prata da Silva.

Durante os três dias, a EDM espera atender uma média de 300 consumidores.

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A província moçambicana de Nampula está a enfrentar um surto de sarampo que já afectou 10 distritos, com um total de 1.498 casos registados e três mortes, segundo dados divulgados hoje pelas autoridades de saúde.

De acordo com a diretora provincial de Saúde, Selma Xavier, citada pela Lusa, a doença já está a afetar os distritos de Nampula, Nacarôa, Nacala-Porto, Malema, Memba, Mecubúri, Muecate, Mogovolas, Eráti e Liúpo.

A responsável explicou, em conferência de imprensa, que a situação está a levar o setor a reforçar as ações de vacinação, numa altura em que continuam a surgir novos casos diariamente.

Recentemente, as autoridades realizaram uma campanha de vacinação de bloqueio em sete distritos considerados prioritários devido à maior concentração de casos, numa tentativa de travar a propagação da doença.

“Como nós sabemos, a campanha de bloqueio é uma campanha que requer algum financiamento, alguns recursos adicionais, como vacinas adicionais. Neste momento, nós tivemos em consideração os distritos que têm mais casos”, explicou.

Selma Xavier esclareceu, contudo, que os distritos não abrangidos por essa campanha financiada não ficaram sem vacinação.

“Eles estão a fazer vacinação de bloqueio em comunidades, através de brigadas móveis”, afirmou, reconhecendo, porém, que não é possível realizar uma campanha de grande dimensão em toda a província devido às limitações de recursos.

A intervenção está também a contar com o apoio de parceiros locais.

“Temos um parceiro da [universidade] Unilúrio, que também está a apoiar na componente de vacinação”, disse a diretora, acrescentando que aquela instituição já realizou uma campanha de bloqueio em Nacarôa e prepara novas intervenções nos distritos de Memba e Liúpo, onde está prevista a vacinação de cerca de 200 mil crianças.

A responsável apontou a existência de crianças que nunca receberam a vacina como um dos fatores associados ao surto, sobretudo em comunidades mais distantes das unidades de saúde.

“A maior parte destas pessoas que apanharam o surto são pessoas que nunca se vacinaram”, afirmou, acrescentando que estas populações são normalmente alcançadas através de brigadas móveis.

Segundo Selma Xavier, o funcionamento dessas brigadas foi condicionado este ano por vários fatores, entre os quais a escassez de combustível nos distritos.

“Nem todas as brigadas móveis planificadas foram cumpridas na sua íntegra por diversos fatores. E um dos condicionantes foi a escassez de combustível que se verificou a nível dos distritos”, explicou.

Até ao momento, cerca de 500 mil crianças menores de 5 anos já foram abrangidas pelas ações de vacinação na província.

Entretanto, está a ser preparada uma campanha nacional mais abrangente, destinada a incluir crianças até aos 15 anos, tendo em conta que estão a ser registados casos também em faixas etárias superiores aos 5 anos.

“Não só crianças de 5 anos estão a ter sarampo, mas crianças acima desta faixa etária”, referiu a directora, acrescentando que a operação está a ser preparada pelo Ministério da Saúde em coordenação com parceiros, entre os quais a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Em Coropa, no distrito de Moma, em Moçambique, a chegada da electricidade está a transformar o quotidiano dos moradores: abriram barbearias, surgiram estúdios de gravação musical e o trabalho dos revendedores de peixe tornou-se mais fácil.

A 30 de Agosto de 2024, realizou-se a cerimónia de inauguração da infra-estrutura de ligação de Coropa à rede eléctrica nacional. Com financiamento da Haiyu Mining, esta comunidade da localidade de Mpago passou a estar ligada à rede.

Após a electrificação, em 2024, mais de 800 consumidores já beneficiavam da energia, e a infra-estrutura tinha capacidade para servir mais de 3 000. Com a chegada das linhas eléctricas à comunidade, começaram também a surgir novas actividades económicas.

Com electricidade, novas condições para os negócios

As barbearias e os estúdios de gravação musical estão entre os novos negócios que surgiram em Coropa depois da electrificação. São empreendimentos de pequena dimensão, mas ambos dependem de equipamentos e de electricidade. A ligação à rede criou condições para que estes serviços pudessem funcionar na comunidade.

As barbearias respondem a necessidades do dia-a-dia; os estúdios permitem a produção musical. Duas actividades distintas partilham a mesma infra-estrutura. Para quem as desenvolve, dispor de electricidade é uma condição para poder pensar nos equipamentos a utilizar e nos serviços a prestar.

Contudo, a chegada da electricidade não significa que os negócios prosperem automaticamente. Abrir um estabelecimento exige investimento, os equipamentos precisam de manutenção e os serviços dependem da procura. A ligação à rede assegura uma condição básica, mas essencial, para o exercício dessas actividades.

Uma linha eléctrica ligada ao sustento quotidiano

Os revendedores de peixe da comunidade também sentiram as facilidades trazidas pela electricidade. A forma de conservar o peixe fresco após a compra e o prazo para o vender têm consequências directas na qualidade do produto e nas perdas do negócio.

A electricidade permite o funcionamento de equipamentos de refrigeração e de produção de gelo, acrescentando uma opção para melhorar a conservação. Mas a compra de equipamentos e o consumo de energia também têm custos, pelo que os comerciantes precisam de ajustar o investimento à quantidade de peixe que movimentam e às possibilidades de venda.

Das barbearias à gravação musical e à venda de peixe, as necessidades de electricidade da comunidade estendem-se às actividades de sustento. As infra-estruturas eléctricas servem tanto os aparelhos domésticos como as ferramentas com que os moradores ganham a vida.

Levar a rede eléctrica a mais comunidades

As mudanças em Coropa inserem-se no processo de expansão do acesso à electricidade em Moçambique. Segundo dados divulgados pelo Banco Mundial em 2025, a taxa de acesso à electricidade no país passou de 31% em 2018 para 60% no final de 2024. A cobertura está a aumentar, embora uma parte significativa da população continue sem acesso.

Levar a rede eléctrica às comunidades exige investimento em infra-estruturas. O projecto de Coropa foi integrado no Plano Estratégico de Responsabilidade Social da Haiyu Mining para 2022–2026, com financiamento da empresa. O então administrador do distrito de Moma, Abacar Chande, presidiu à cerimónia de inauguração e manifestou expectativas quanto ao desenvolvimento da economia local.

Para os moradores e comerciantes, essas expectativas terão de se concretizar no quotidiano: poder utilizar aparelhos eléctricos, transformar uma habilidade num negócio e trabalhar com maior facilidade. As barbearias, os estúdios de gravação e as mudanças no comércio de peixe já observadas em Coropa representam um passo dado após a chegada da electricidade.

Mais de um milhão de pessoas no Sudão do Sul correm o risco de perder a ajuda alimentar vital, alertou o Programa Mundial de Alimentos (PMA) na terça-feira.

Conflitos, deslocamentos, choques climáticos e a guerra no vizinho Sudão estão convergindo para empurrar milhões de pessoas para uma situação de vulnerabilidade ainda maior. E os cortes na ajuda internacional estão exacerbando esses efeitos, afirmou à agência da ONU.

“Hoje, 7,8 milhões de pessoas, mais da metade da população do país, lutam para encontrar comida todos os dias. 2,2 milhões de crianças e 1,2 milhão de gestantes e lactantes precisam de apoio nutricional urgente”, disse Matthew Hollingworth, Diretor Executivo Adjunto de Operações do PMA, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

“A menos que recursos adicionais sejam garantidos, mais de um milhão de pessoas vulneráveis ​​poderão perder o acesso a alimentos e assistência nutricional essenciais até outubro. Portanto, essa é uma situação iminente.”

O PMA afirma que atualmente enfrenta um déficit de US$ 86 milhões e uma lacuna de mais de US$ 400 milhões nos próximos seis meses.

A crise de financiamento ocorre no auge da estação chuvosa, quando os alimentos se tornam mais escassos, os preços sobem e as estradas alagadas dificultam cada vez mais o acesso humanitário.

Muitas famílias sobrevivem comendo menos, vendendo o que possuem e cortando gastos com saúde, educação e moradia.

“Embora o Sudão do Sul seja um país que enfrentou muitos desafios em sua curta existência como nação independente, estamos vendo algo diferente agora”, disse Hollingworth. “Estamos prestes a cair em um abismo financeiro em um momento em que as necessidades estão no nível mais alto dos últimos 13, 14 anos.”

A assistência alimentar continua sendo essencial para evitar uma catástrofe humanitária, afirmou a agência, mas ressaltou que ela também deve servir como uma ponte para a recuperação a longo prazo.

O documento fez um apelo ao governo do Sudão do Sul para que comece a mobilizar seus próprios fundos para apoiar seu povo.

 A regulamentação sobre o uso da inteligência artificial no sector da educação encontra-se em fase avançada de elaboração e deverá ser submetida ao Conselho de Ministros ainda este ano, para apreciação e aprovação.

A informação foi avançada, esta quarta-feira, pela Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, em Maputo, à margem da abertura da 4.ª Conferência Nacional de Educação à Distância, que debate os desafios e as soluções para o sector.

Segundo a governante, o documento pretende estabelecer balizas concretas para o uso da inteligência artificial nas instituições de ensino, com vista a salvaguardar a qualidade da educação e assegurar que esta tecnologia seja utilizada de forma responsável e ética.

A regulamentação deverá abranger, particularmente, o uso da inteligência artificial generativa, ferramenta capaz de produzir conteúdos e apresentar respostas a partir de comandos introduzidos pelos utilizadores.

“Estamos a trabalhar com todas as instituições. Já tivemos encontros de trabalho e o documento está a ser produzido. Dentro de pouco tempo vamos apresentá-lo e, posteriormente, as normas serão levadas ao Conselho de Ministros para aprovação”, explicou Samaria Tovela.

A ministra esclareceu que as futuras normas terão âmbito nacional e deverão abranger todos os níveis de ensino, desde o primário ao superior.

 

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA GANHA ESPAÇO

Durante a conferência, foram igualmente apresentados dados preliminares relativos à educação à distância no ensino superior, referentes a 2025. Os números apontam para cerca de 75.200 estudantes matriculados nesta modalidade, correspondentes a 26,6 por cento do total de estudantes do ensino superior a nível nacional.

Para a Ministra da Educação e Cultura, os números representam mais do que uma realidade estatística, traduzindo o acesso de jovens, mulheres, trabalhadores e outros cidadãos que encontram na educação à distância uma oportunidade para adquirir competências e transformar as suas vidas.

Segundo Samaria Tovela, a expansão desta modalidade de ensino constitui também uma via para reforçar a contribuição dos cidadãos para o desenvolvimento do país.

 

Jornalista José de Nascimento defende reforço da segurança e revisão da governação sul-africana perante a persistência dos actos xenófobos

As manifestações que têm ocorrido na África do Sul, particularmente às quintas-feiras, continuam a suscitar preocupações sobre a segurança dos imigrantes e o impacto da xenofobia na economia do país. Segundo o jornalista José de Nascimento, que se encontra na África do Sul, os protestos, inicialmente mais concentrados em Durban, agora denominada eThekwini, deverão estender-se à província de Mpumalanga, onde estão previstas novas manifestações.

José de Nascimento explica que, ao contrário da mobilização registada a 30 de Junho, os actuais protestos têm tido uma incidência mais localizada, embora exista preocupação com a sua expansão para outras regiões do país.

O jornalista considera que as autoridades sul-africanas devem reforçar a segurança e actuar de forma mais firme para proteger os imigrantes. Segundo afirma, a polícia tem demonstrado maior intervenção, citando como exemplo um episódio recente em que impediu manifestantes de atacarem um grupo de imigrantes que se encontrava acampado junto do Departamento de Administração Interna, na tentativa de solicitar o estatuto de refugiado ou asilo político.

Para José de Nascimento, a persistência de actos xenófobos está a afectar negativamente a imagem internacional da África do Sul e poderá ter consequências económicas, sobretudo nas zonas fronteiriças e nas regiões que mantêm fortes relações comerciais com os países vizinhos.

XENOFOBIA AFECTA ECONOMIA

O jornalista chama particular atenção para a província de Mpumalanga, onde, segundo explica, a actividade económica está fortemente ligada ao intercâmbio com Moçambique.

Nascimento destaca o crescimento de Mbombela, anteriormente conhecida como Nelspruit, atribuindo parte desse desenvolvimento ao intercâmbio comercial e industrial com Moçambique. Salienta que a circulação de cidadãos moçambicanos que atravessam a fronteira para realizar compras e desenvolver actividades comerciais representa uma importante fonte de dinamização económica para a região.

Neste contexto, alerta que a continuidade dos actos xenófobos e a eventual redução da circulação de cidadãos estrangeiros poderão provocar consequências negativas para a economia local e, de forma mais ampla, contribuir para o enfraquecimento da economia sul-africana.

O jornalista defende, por isso, que o Governo sul-africano deve rever aspectos da sua governação, particularmente no que diz respeito à política migratória e à forma como as autoridades respondem aos episódios de violência contra estrangeiros.

 

POLÍCIA DEVE ACTUAR CONTRA VIOLÊNCIA

 

José de Nascimento considera que, numa primeira fase, as autoridades devem reforçar a presença policial e responsabilizar criminalmente os autores de ataques contra imigrantes.

Defende igualmente uma intervenção de maior alcance, acompanhada por programas de educação cívica dirigidos não apenas às escolas, mas à sociedade sul-africana no seu conjunto, com o objectivo de combater preconceitos e reduzir a hostilidade contra estrangeiros.

Na sua análise, a questão ultrapassa a situação dos imigrantes em situação irregular ou sem documentação, uma vez que, independentemente do seu estatuto migratório, todos os indivíduos estão protegidos pelos direitos humanos e não devem ser vítimas de violência física, psicológica ou emocional.

 

RELAÇÕES COM MOÇAMBIQUE EM RISCO

O jornalista considera ainda que a xenofobia pode prejudicar as relações da África do Sul com outros países africanos, particularmente com os Estados vizinhos. No caso de Moçambique, recorda que milhares de pessoas atravessam regularmente a fronteira para trabalhar, fazer negócios ou realizar compras na África do Sul, contribuindo para a circulação de bens e capitais entre os dois países.

Nascimento defende que a África do Sul deve adoptar uma abordagem migratória mais inclusiva e transformar as declarações políticas em medidas concretas.

Para o jornalista, a União Africana e a SADC também devem assumir uma posição mais exigente perante as autoridades sul-africanas, tendo em conta que os episódios de xenofobia têm ocorrido de forma cíclica nos últimos anos.

 

MANIFESTAÇÕES CHEGAM A MPUMALANGA

As manifestações que têm ocorrido regularmente às quintas-feiras deverão, desta vez, ter como novo foco a província de Mpumalanga. José de Nascimento admite que a mobilização poderá manter-se pacífica, mas alerta para a necessidade de reforço da segurança, considerando que a evolução dos protestos poderá ser imprevisível. O jornalista recorda ainda que a actual situação ocorre num país cuja história de luta contra o apartheid contou com o apoio de vários Estados africanos, incluindo Moçambique, Angola e Zimbabwe.

Na sua perspectiva, a defesa dos direitos dos imigrantes e o combate à xenofobia devem ser encarados também como uma questão de responsabilidade regional, num continente onde a mobilidade das populações e as relações económicas entre países são cada vez mais importantes.

 

A Amnistia Internacional instou, na terça-feira, o Governo da Argélia a abandonar os planos de retomar as execuções e de alargar a aplicação da pena de morte a responsáveis por incêndios florestais, na sequência dos fogos que devastaram o nordeste do país no mês passado.

Os incêndios, que atingiram várias zonas do nordeste da Argélia, provocaram oficialmente 12 mortos, embora testemunhas tenham relatado um número de vítimas significativamente superior.

A Argélia não realiza execuções desde 1993, apesar de os tribunais continuarem a proferir sentenças de morte em alguns casos, incluindo processos relacionados com terrorismo. As penas, contudo, não têm sido executadas.

Na sequência dos incêndios, o Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, ordenou ao ministro da Justiça que preparasse alterações ao Código Penal para permitir a aplicação da pena de morte a pessoas consideradas responsáveis por provocar incêndios florestais.

Num comunicado, a Amnistia Internacional apelou às autoridades argelinas para que abandonem imediatamente qualquer plano destinado a ampliar o âmbito da pena de morte ou a retomar as execuções, depois de mais de três décadas sem que nenhuma tenha sido concretizada.

A organização defendeu ainda a adopção de uma moratória oficial sobre as execuções como primeiro passo para a abolição total da pena de morte no país.

Tebboune afirmou que as pessoas condenadas à pena capital deverão ser executadas imediatamente depois de esgotadas todas as possibilidades de recurso. O Governo iniciou este mês a análise de propostas de alteração ao Código Penal.

Além dos responsáveis por incêndios florestais, o Presidente argelino indicou que os planos de alargamento da pena de morte poderão abranger também casos de rapto e abuso de crianças.

Os incêndios florestais são frequentes no norte da Argélia durante o Verão. Especialistas apontam, contudo, que as alterações climáticas têm contribuído para agravar o fenómeno, através de períodos de seca mais prolongados e temperaturas elevadas.

Tebboune, por sua vez, afirmou que os incêndios registados recentemente apresentavam indícios de uma acção criminosa.

A Amnistia Internacional afirmou igualmente ter recebido relatos de fontes consideradas credíveis que apontam para um número de vítimas muito superior ao balanço oficial, incluindo mais de 70 mortos num único município.

Em Julho de 2023, mais de 30 pessoas morreram quando incêndios atingiram milhares de hectares de florestas e terras agrícolas na Argélia, destruindo também centenas de habitações.

No mesmo ano, mais de 50 pessoas foram condenadas à pena de morte, algumas à revelia, pelo linchamento de um homem de 38 anos que tinha sido falsamente acusado de provocar incêndios florestais mortais dois anos antes.

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, e o Presidente do Grupo Singita, Luke Bailes, avaliaram ontem, em Maputo, o avanço dos projectos de investimento turístico que o grupo está a desenvolver no Arquipélago de Bazaruto, numa altura em que o Chefe do Estado tem intensificado os esforços de promoção de Moçambique como destino de investimento, estando prevista a abertura do primeiro lodge da Singita no país dentro de quatro anos.

Segundo o comunicado da Presidência, no encontro, realizado no Gabinete do Presidente da República, Luke Bailes actualizou o Chefe do Estado sobre os progressos alcançados no projecto da Ilha Santa Carolina e sobre o trabalho adicional em curso em Inhassoro e Vilankulo, incluindo a participação das equipas de arquitectura responsáveis pelos empreendimentos.

“Acabei de ter uma reunião com o Presidente e atualizei-o sobre a Singita e o trabalho que estamos a fazer no Arquipélago de Bazaruto e todo o trabalho adicional que estamos a fazer em Inhassoro e Vilankulo, quem são os nossos arquitectos e quão longe chegámos até agora”.

A evolução dos projectos ocorre no contexto das iniciativas do Presidente da República para mobilizar novos investimentos e criar condições para o desenvolvimento de sectores com potencial de geração de emprego, receitas e valorização dos recursos naturais, com particular atenção para o turismo.

Segundo Luke Bailes, o Chefe do Estado mostrou-se satisfeito com os progressos alcançados, numa fase em que a empresa continua a preparar o desenvolvimento dos seus empreendimentos no país.

“E o Presidente está muito contente com os progressos até agora, e estamos todos ansiosos por finalmente abrir, mas há muito trabalho a ser feito entre agora e essa altura”.

O Presidente da Singita indicou que a empresa espera abrir o primeiro lodge em Moçambique dentro de quatro anos, devendo a Ilha Santa Carolina constituir a primeira etapa da expansão do grupo no Arquipélago de Bazaruto.

A estratégia prevê uma segunda fase de expansão no arquipélago, com a construção de uma unidade hoteleira na ponta norte da Ilha de Bazaruto. “E depois, a seguir ao projecto da Santa Carolina, faremos um hotel em Bazaruto, na ponta norte de Bazaruto”.

Fundada por Luke Bailes, a Singita é uma marca africana de ecoturismo e hotelaria de luxo que combina turismo de alto padrão, conservação da biodiversidade e desenvolvimento das comunidades locais.

O grupo possui propriedades na África do Sul, Tanzânia, Zimbabwe e Ruanda, tendo expandido a sua presença para Botswana em 2026, e estabelece como propósito de longo prazo a preservação e protecção de grandes áreas de natureza selvagem africana para as futuras gerações.

Vendedores de Chongoene voltam a protestar contra a retirada da zona de Senta Baixo. O grupo diz que o mercado de Chongoene não pertence ao governo e recusa-se a ser transferido para uma área que considera de risco, por estar numa curva acentuada da EN1. Os vendedores exigem uma solução.

Quatro semanas depois, cerca de 400 vendedores do Mercado Senta Baixa, em Chongoene, voltaram a protestar contra a transferência para o Mercado da Paz. O grupo recusa-se a abandonar o actual espaço, alegando que a alternativa indicada pelas autoridades está localizada numa zona de risco, junto a uma curva acentuada da Estrada Nacional Número Um.

Para os vendedores, a questão não se resume à mudança de local. O grupo contesta também a utilização do Mercado da Paz como alternativa, alegando que o espaço não pertence ao Governo.

“Ali não vamos entrar, porque não é o nosso espaço. Os proprietários haviam alugado o local aos chineses e, quando estes terminaram as suas actividades, devolveram-no aos proprietários. Nós, aflitos, continuamos aqui fora”, explica Miséria Chachuaio, vendedeira em Chongoene.

A insegurança junto ao Senta Baixo é outro dos argumentos apresentados pelos vendedores para rejeitar a transferência. A proximidade com a curva da EN1, dizem, coloca em risco a vida de quem trabalha e circula naquele ponto.

“Quase que acontecia um acidente. O carro saiu da via e veio na nossa direção. Um dia, os carros ainda vão acabar por nos atropelar aqui”, alerta Miséria Chachuaio.

A preocupação é partilhada por Lurdes Bocal, vendedeira em Chongoene.

“O que vamos fazer? Um carro quase atropelou as pessoas ali. E veja que esta é uma curva muito acentuada”, afirma.

Os vendedores contestam ainda as informações do Governo sobre a titularidade do Mercado da Paz e acusam as autoridades de tentar ocupar o espaço à força, sem diálogo com os proprietários.

“Aquele mercado não foi construído pelo Governo. Querem tomar de assalto e à força uma propriedade alheia, e o dono revolta-se. Os donos do espaço têm as suas tradições, mas o Governo não quer aproximar-se para dialogar; querem tomar à força por serem Governo”, acusa Marieta, representante do grupo de vendedores.

A situação, segundo os vendedores, agrava-se com as dificuldades enfrentadas por quem permanece no Senta Baixa, onde alegam existir episódios de agressão e dificuldades de circulação.

“Estamos a ser agredidos. As pessoas são obrigadas a descer pela linha férrea, carregando sacos de 25 quilogramas até Venhene”, denuncia Marieta.

Perante o impasse, o grupo pede uma intervenção das autoridades para encontrar um espaço que reúna condições de segurança para o exercício da actividade comercial.

“Queremos pedir ao Chapo que nos arranje um espaço e queremos saber para onde vamos”, apela Miséria Chachuaio.

A reivindicação ocorre num contexto de crescente insegurança no Senta Baixa, apontada como zona de concentração de pessoas e onde, nas últimas semanas, foram registados pelo menos nove casos criminais.

Entre os casos está o de um agente económico que terá sido assaltado duas vezes no mesmo dia, por grupos diferentes. Depois de perder uma motorizada para os meliantes, dois homens terão ainda tentado assaltá-lo, sem conseguir levar os 20 mil meticais que transportava quando seguia para casa.

No último caso, um estudante e o seu tio terão confessado o envolvimento no crime, alegando que pretendiam obter dinheiro para despesas de viagem e para uma tentativa de deslocação a Portugal.

“Queríamos apenas 10 ou 15 mil meticais para juntar ao 60 mil e  pagar um contrato em Portugal”

Carlos Macuácua, a polícia vai reforçar a presença policial no local para travar a onda de crimes no local. Com estes últimos casos, sobe para 12 o número de agentes de carteira móvel assaltados na zona de Senta Baixa nos últimos meses.

Os administradores das áreas de conservação afirmam que os ataques terroristas começam a comprometer o desempenho e os ganhos esperados, podendo colocar em causa vários projectos desenvolvidos em benefício das comunidades vizinhas. A preocupação foi manifestada esta terça-feira, à margem da apresentação dos resultados do programa de promoção da biodiversidade, desenvolvido pela Biofund ao longo dos últimos dez anos.

Mais um ataque terrorista assolou a zona-tampão da Reserva Especial do Niassa, no passado dia 3 de Setembro. Não foi o primeiro incidente do género. A sucessão dos ataques começa a preocupar os administradores das áreas de conservação, que alertam para os impactos negativos na segurança, na conservação da biodiversidade e nos projectos de desenvolvimento comunitário.

“Gostaríamos que continuássemos a manter esta relação com as comunidades para desenvolvermos as cadeias de valor. Se há um ataque em áreas de conservação, para nós é um retrocesso, porque as comunidades passam a ter receio, medo de continuar lá a desenvolver os seus projectos. Nós mesmos, como fiscais e gestores dos parques, ficamos com o receio de estar a enfrentar guerras que não esperávamos que pudessem acontecer nas áreas de conservação”, disse João Muchanga, Administrador da Reserva Nacional do Gilé.

A preocupação foi manifestada esta terça-feira, à margem da apresentação dos resultados do programa de promoção da biodiversidade, desenvolvido nos últimos dez anos pela Biofund, que permitiu implementar diversas acções nas áreas de conservação.

“Então, é todo um problema que deve ser ultrapassado. A abertura de 65 quilómetros de picada, estabelecendo o limite sul do Parque Nacional do Gilé, a translocação de 200 búfalos, a instalação de sistemas de monitoria ecológica, incluindo o VHF, F-Ranger e coleiras GPS, bem como o reforço das estruturas de gestão nas três áreas. O Monte Mabo merece particular destaque, com a constituição legal da Associação Conserva Mabo e a recente declaração de Mabo como área de conservação comunitária”, explicou Luís Bernardo Honwana, Director-Geral da Biofund.

Para a União Europeia, o término do programa não significa o abandono dos resultados alcançados. Por isso, os parceiros prometem dar continuidade ao apoio e apelam a um maior envolvimento do sector privado na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento das comunidades.

“A conservação e o desenvolvimento local precisam caminhar juntos. Isso exige uma análise económica sólida, cadeias de valor realistas, maior envolvimento do sector privado e soluções adaptadas às realidades locais”, afirmou Anne-Ael Pohu, representante da União Europeia.

No seminário de apresentação dos resultados, foram debatidas estratégias para o combate aos conflitos relacionados com a fauna bravia, bem como mecanismos de financiamento de projectos destinados à localização e catalogação de espécies nas áreas de conservação.

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