O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

Um automobilista morreu carbonizado na madrugada deste sábado, na sequência de uma colisão entre uma viatura ligeira e um camião, na Estrada Nacional Número Um (EN1), no Distrito Municipal da Katembe, Cidade de Maputo. O acidente provocou ainda dois feridos.

O sinistro ocorreu nas primeiras horas da manhã e destruiu completamente a viatura ligeira, que se incendiou após o embate, impossibilitando o condutor de escapar às chamas.

No camião seguiam duas pessoas. Uma sofreu ferimentos graves e a outra contraiu ferimentos ligeiros. Ambas foram socorridas e transportadas para uma unidade hospitalar, onde recebem assistência médica.

O proprietário do camião afirmou que, de acordo com as informações que lhe foram transmitidas, o veículo seguia normalmente no seu percurso quando ocorreu a colisão.

As circunstâncias em que o acidente se deu continuam por esclarecer. Contudo, a Polícia de Trânsito admite, como hipótese preliminar, que o sinistro tenha resultado de uma alegada circulação em contramão por parte do condutor da viatura ligeira. As investigações prosseguem para o apuramento das causas do acidente.

Até ao fecho desta edição, as viaturas sinistradas permaneciam no local do embate, enquanto decorriam os trabalhos das autoridades competentes.

Vídeos

NOTÍCIAS

 Tensão e revolta popular marcaram a madrugada desta sexta-feira no distrito de Limpopo. Uma viatura onde, segundo relatos da população, seguiam supostos agentes da polícia, do SERNIC e outros 3 suspeitos de envolvimento em assaltos foi incendiada por populares. Em resposta, a polícia retirou os  indiciados do local, mas a população voltou a bloquear a Estrada Nacional Número Um e cercou o comando distrital, exigindo justiça e esclarecimentos.

A madrugada desta sexta-feira foi marcada por momentos de tensão no distrito de Limpopo, província de Gaza.Populares incendiaram uma viatura na qual supostamente  seguiam um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), um membro do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e três mecânicos, suspeitos de envolvimento em assaltos registados no distrito.

 “A revolta popular surge na sequência de uma alegada tentativa de saque desta viatura na comunidade de Licilo” o mais recente caso atribuído ao grupo, disse uma fonte local.

Perante a agitação, a polícia interveio e conseguiu neutralizar e transferir pelo menos três dos suspeitos para um local seguro. Entretanto, dois indivíduos colocaram-se em fuga.

Insatisfeita com a atuação das autoridades, a população voltou a bloquear a Estrada Nacional Número Um (N1), na zona de Chicumbane, e concentrou-se junto ao comando distrital da PRM para exigir a entrega dos suspeitos.

Detidos na Segunda Esquadra da PRM, em Xai-Xai, um dos  indiciados recusou-se a prestar declarações à imprensa, enquanto outros negaram qualquer envolvimento nos crimes de que são acusados.

A polícia não confirmou a existência de dois suspeitos em fuga nem esclareceu se entre os implicados existem agentes das forças de defesa e segurança. O Porta-Voz, Júlio avançou que ainda continuam investigações para apurar o paradeiro dos dois suspeitos em fuga.

Esta é a segunda vez, em menos de três meses, que a população do distrito de Limpopo bloqueia a N1 em protesto contra a alegada falta de esclarecimento de casos de assassinato e de roubos que têm preocupado as comunidades locais.

As bancadas parlamentares da FRELIMO e do PODEMOS realizaram visitas de fiscalização a unidades sanitárias da província de Inhambane, onde constataram vários constrangimentos que continuam a comprometer a prestação de cuidados de saúde, com destaque para a escassez de profissionais.

A Bancada Parlamentar da FRELIMO iniciou a acção no Hospital Provincial de Inhambane, a maior unidade sanitária da província, com o objectivo de avaliar as condições de funcionamento dos serviços e inteirar-se dos principais desafios enfrentados pelo sector. Durante a visita, os deputados receberam informações sobre o desempenho da unidade e constataram que a insuficiência de recursos humanos continua a constituir uma das maiores dificuldades para assegurar um atendimento adequado aos utentes.

Entretanto, os deputados da Bancada Parlamentar do PODEMOS deslocaram-se ao Hospital Rural de Chicuque, uma das mais antigas unidades sanitárias da província, onde percorreram diversos sectores da instituição para avaliar as condições de funcionamento. A visita surge na sequência de preocupações manifestadas por utentes e profissionais de saúde relativamente à qualidade dos serviços prestados e às limitações existentes.

No término das visitas, os parlamentares afirmaram que as constatações efectuadas serão reunidas num relatório a ser submetido ao Governo. Entre as principais preocupações figuram a carência de profissionais de saúde e outras limitações que afectam o funcionamento das unidades sanitárias.

Os deputados defenderam a adopção de medidas que permitam reforçar a capacidade do sector da saúde na província, com vista à melhoria da qualidade dos serviços e do atendimento prestado à população.

Salimo Abdula assumiu, no dia 1 de Julho, a presidência do Conselho de Administração (PCA) da empresa Vodacom Moçambique. O anúncio foi feito pela empresa em comunicado. O mandato é de três anos.

Abdula foi eleito por consenso dos accionistas. O empresário sucede a Lucas Chachine, cujo mandato chegou ao fim. “A entrada de Salimo Abdula representa, para a Vodacom, um regresso de uma figura profundamente ligada à história da empresa”, lê-se na nota de imprensa.

Salimo Abdula é accionista da Vodacom desde 2007, através do Grupo Intelec Holdings. Já presidiu ao Conselho de Administração da empresa, tendo liderado, nos últimos três anos, o Conselho de Administração da Vodafone M-Pesa.

“Este percurso confere-lhe um conhecimento aprofundado do negócio, do ecossistema de telecomunicações e da agenda de inclusão financeira do País”, explica a empresa na nota de imprensa.

Fundador e presidente do Conselho de Administração da Intelec Holdings, grupo com actuação em sectores estratégicos como energia, telecomunicações, finanças, recursos minerais e turismo, Salimo Abdula é uma das figuras mais influentes do tecido empresarial moçambicano.

Foi presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) e da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), com um contributo para a promoção do investimento, do empreendedorismo e da capacitação da iniciativa privada nacional.

No arranque do mandato, a liderança da Vodacom reafirma o compromisso da empresa com a expansão e a qualidade da rede, a conectividade rural e a continuada agenda para a aceleração da digitalização da economia moçambicana, consolidando a posição da operadora como parceira no desenvolvimento do País e na vida quotidiana dos moçambicanos.

“É com enorme sentido de responsabilidade que regresso à presidência do Conselho de Administração da Vodacom Moçambique, uma empresa que conheço bem e na qual acredito profundamente. Herdo um legado sólido e comprometo-me a dar continuidade a uma estratégia centrada nas pessoas, em ligar cada moçambicano, aproximar serviços e capacidades, e contribuir para um país mais próximo, coeso, inclusivo e competitivo tendo as telecomunicações como base”, afirma Salimo Abdula, presidente do Conselho de Administração da Vodacom Moçambique.

A Lucas Chachine, a Vodacom Moçambique deixa uma palavra de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo do seu mandato.

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, durante a abertura da Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável, nesta semana, a transformação dos recursos naturais do País em prosperidade nacional, através da diversificação económica e fortalecimento das instituições.

O Chefe do Estado moçambicano destacou ainda os avanços alcançados pelo País nas últimas décadas, mas apontou desafios como a pobreza, desigualdades, baixa produtividade e necessidade de industrialização ainda por ultrapassar.

Chapo apelou à construção de consensos nacionais e anunciou a continuidade de reformas para promover um desenvolvimento inclusivo e sustentável, esperando que o encontro resulte em compromissos estratégicos para os próximos 25 anos.

Segundo Virgínia Videira, antiga directora nacional do Plano, o desalinhamento entre a Agenda Nacional 2025 e os Planos Quinquenais do Governo travaram o desenvolvimento do País nos últimos 25 anos.

“De cinco em cinco anos, nós mudamos as instituições, os planos, e parece que já não são os mesmos objectivos que pretendemos atingir. Há muitos documentos feitos, mas difíceis de implementar”, concluiu Virgínia Videira.

Da academia, uma voz que dispensa apresentações. O cientista político José Macuane apontou como falha a divisão do poder entre partidos políticos e a transferência do poder político para nível local sem competências técnicas.

“Nós teríamos evitado algumas crises que nos colocaram numa situação que teve um impacto em múltiplas áreas que retardaram o nosso desenvolvimento se tivéssemos conseguido criar algum quadro institucional de governação que distribuísse de forma um pouco mais equitativa o poder”, disse José Macuane.

No entender do académico, teria sido fundamental criar uma base efectiva para  resolver problemas de desenvolvimento que o País hoje enfrenta. Entende que não bastava distribuir poder, era necessário também criar condições para que houvesse um desenvolvimento socioeconómico mais equitativo e que resolvesse algumas questões relacionadas com os desequilíbrios regionais.

Mas nem tudo gira na política e nos planos. O jovem economista Egas Daniel entende que o Estado falhou o cálculo ao isentar os megaprojectos de impostos.

“Não era determinante a magnitude com a qual nós abrimos mão das receitas para que o investimento viesse para cá. Então, 25 anos depois, temos a certeza de que a economia cresceu por causa desses grandes projectos, mas, ao mesmo tempo, temos a certeza de que cresceu apenas a parte relacionada aos grandes projectos, que não tinham ligações com o resto da economia e não conseguimos arrecadar receitas para que o Estado tivesse a capacidade financeira para poder investir em sectores para diversificar a economia. Então, no fim, temos agora a lição tirada de que este modelo não deu certo”, defende Egas Daniel.

Por sua vez, Luís Magaço, gestor e um dos produtores da Agenda 2025, acrescenta que tudo começou a falhar entre 2005 e 2014, quando a aposta do Estado deixou de ser as Pequenas e Médias Empresas (PME).

“Entre 2005 e 2014, o nosso foco mudou, infelizmente. O nosso foco foi no carvão e depois no gás natural. Então, houve poucas reformas que permitiram que as PME crescessem. Nesse período, as taxas de juro de financiamento às empresas aumentaram imenso. Não é possível a empresa crescer a taxas de juro de 20%. (…) Há preferência pelo financiamento do Estado e, infelizmente, neste momento, todos os bancos estão entalados, porque os bancos não estão a pagar”, referiu o gestor empresarial Luís Magaço Júnior.

Por sua vez, o antigo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Castigo Langa, falou de falhas na Educação nos 25 anos e deu ênfase às interferências políticas como factor que prejudicou as empresas e, por fim, o desenvolvimento.

“Porque, 25 anos depois, ainda não foi construído o Mphanda Nkuwa? E, se a gente vê a história, há-de ver que não, é porque houve interferências no meio, fora daquilo que estava decidido ou que era o caminho a seguir para a construção deste projecto. Uma coisa fundamental que foi dita aqui é a empresa que tem de ser acarinhada por todos nós. O Estado tem de acarinhar a empresa, como uma mãe acarinha o seu bebé. Não podemos permitir que indivíduos corruptos que estão no Estado inviabilizem as empreass”, disse Castigo Langa.

Da experiência internacional, o Banco Mundial esteve presente no evento e sua economista, Elisa Gamberoni, deixou ficar sugestões para os próximos 25 anos. 

“Ouvimos o orador anterior, por exemplo, mencionar como o crescimento médio de 8% que observámos entre 1995 e 2015 foi cada vez mais impulsionado pelo sector extractivo e era muito intensivo em capital. E, agora, isto não está a conduzir à criação de emprego nem a empregos melhores. Portanto, penso que é precisamente isto que o Banco Mundial tem tentado implementar com o nosso novo quadro de parceria com Moçambique, ou seja, ter um crescimento que gere muitos empregos, e o nosso foco é alcançar isso através de um ambiente macrofiscal estável e da diversificação para a energia, agro-negócios e turismo e competências que são vitais para sustentar este tipo de crescimento”, defendeu a economista do Banco Mundial em Moçambique.

MOÇAMBIQUE DEVE INVESTIR NO HOMEM PARA SE DESENVOLVER

Moçambique deve investir no capital humano para poder evitar erros do passado e dar um salto no desenvolvimento nos próximos 25 anos. O pensamento saiu da Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável.

Depois de 25 anos de implementação da Agenda 2025, é chegada a hora de reflectir sobre as lições e definir passos para as próximas duas décadas e meia.

O sociólogo Elísio Macamo recorre à famosa expressão “o cabrito come onde está amarrado” para explicar a importância da produtividade do capital humano.

“O problema não é o cabrito estar amarrado onde ele está. O problema é quem amarrou o cabrito ali. O cabrito é muito auto-suficiente e contenta-se com o pouco. O caranguejo, com aquelas voltas que ele dá, ele está a explorar o mundo. Tem muita curiosidade. O cágado é prudente. Então, em vez de nos concentrarmos apenas num animal, devíamos procurar saber quais são as qualidades que cada animal tem e que condições nós podemos criar para tirar proveito das boas qualidades que cada animal tem”, defendeu o sociólogo.

Já o economista Fáusio Mussá defende a aposta na educação e no interesse comum, para que as pessoas acreditem cada vez menos em conversas de rua.

“Se nós não abdicarmos um pouco do interesse pessoal para o interesse colectivo e se nós não começarmos a educar os nossos filhos dessa forma para influenciar as próximas gerações, eu penso que nós vamos correr o risco de nos próximos 25 anos viver ciclos de instabilidade”, alerta o economista.

Por seu turno, o reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, propôs um pacto entre a educação e a planificação, para reduzir as desigualdades e a ausência dos alunos e professores nas escolas.

“O segundo pacto seria desenharmos respostas diferenciadas por província, por distrito e por grupo social, porque essas desigualdades educativas, elas também são desigualdades territoriais”, concluiu o académico.

Caso prevaleça a cultura de ódio, a deputada Ivone Soares alerta que será difícil alcançar o desenvolvimento. Por isso, sugere a criação de um projecto da Nação.

“É importante olharmo-nos como irmãos e trabalharmos como irmãos e quebrarmos completamente esta cultura de que se não está comigo, está contra mim, então não tem direito sequer a ter um biscate, em como limpador, varredor. É isso que agudiza as diferenças e as tensões”, considera Soares.

Para recriar a Nação, serão necessários fundos, que, para o Banco Africano de Desenvolvimento, África possui, mas está concentrado em algumas entidades.

“Estimamos que hoje nós estamos sentados, no continente africano, em quatro trilhões de dólares em poupanças. Esse dinheiro está em fundos de pensões africanos, milionários africanos, africanos fora do continente, seguradoras, etc. Só com esse dinheiro, nós iríamos conseguir mobilizar o capital necessário anualmente para cumprir a lacuna de desenvolvimento”, disse Rômulo Correia, representante do Banco Africano de Desenvolvimento em Moçambique.

Quem também deve contribuir são as multinacionais. Porém, Marica Calabrese, CEO da Eni em Moçambique, entende que estas não devem impor regras internacionais arbitrariamente, ignorando a realidade das empresas locais.

“Quando trabalho com alguma empresa internacional, eu posso pagar em 90 dias. Não posso fazer o mesmo com empresas pequenas. Em 90 dias, a empresa vai fechar. Então, a empresa internacional deve fazer a sua parte com prazos de pagamento mais curtos, os bancos têm de fazer a sua parte e, claramente, as autoridades devem também garantir o quadro legal”, disse Marica Calabrese.

Diante das ideias, o PNUD, braço das Nações Unidas para o Desenvolvimento, espera que o País defina prioridades para as duas décadas e meia que se seguem.

 

O Governo considera o reforço do subsector das sementes uma aposta estratégica para aumentar a produção agrícola, reduzir a pobreza e promover o desenvolvimento económico nas zonas rurais. A posição foi reafirmada esta sexta-feira, durante o lançamento do Projecto de Fortalecimento do Subsector das Sementes, avaliado em 12,5 milhões de euros.

Segundo o Executivo, cerca de 65 por cento da população moçambicana reside nas zonas rurais e, deste universo, aproximadamente 70 por cento depende da agricultura e de actividades conexas para garantir a sua subsistência. Neste contexto, a disponibilização de sementes certificadas é apontada como um dos principais factores para elevar a produtividade agrícola, em conjugação com o acesso a fertilizantes e outros insumos.

O projecto terá como principais beneficiários os pequenos produtores dedicados ao cultivo de arroz, milho, mandioca, hortícolas e outras culturas de importância económica, numa iniciativa que visa aumentar a produção, melhorar o rendimento das famílias rurais e promover um crescimento económico mais inclusivo, contribuindo para a redução das desigualdades sociais.

O Governo defende ainda que a iniciativa se enquadra na estratégia de diversificação da economia nacional e de valorização do potencial agrícola do País. Neste âmbito, anunciou que continuará a reforçar o papel das agências regionais de desenvolvimento, transformando-as em instituições mais capacitadas para impulsionar o crescimento económico sustentável e criar oportunidades para as micro, pequenas e médias empresas, em articulação com outros programas de financiamento e promoção do investimento.

Entretanto, a Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze (ADVZ) esclareceu que a eventual implementação de uma segunda fase do projecto dependerá dos resultados alcançados ao longo dos primeiros cinco anos de execução. A instituição considera ainda prematuro avançar com essa possibilidade, uma vez que a iniciativa acaba de ser lançada, embora manifeste confiança de que os resultados obtidos poderão justificar a sua continuidade.

O projecto resulta de uma parceria entre a Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze e a Embaixada do Reino dos Países Baixos, no âmbito de uma cooperação iniciada em 2012 para o fortalecimento do sector agrícola em Moçambique.

A implementação será assegurada por um consórcio que integra, entre outras instituições, a Universidade Eduardo Mondlane, o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) e outros parceiros especializados.

Ao contrário de mecanismos como o Fundo Catalítico, esta iniciativa não prevê a distribuição directa de recursos financeiros aos pequenos produtores. O seu principal objectivo consiste em reforçar o quadro institucional e técnico do subsector das sementes, promovendo a investigação, a produção e a disponibilização de sementes certificadas de qualidade, consideradas fundamentais para o aumento da produtividade agrícola e para a segurança alimentar no País.

Arrancou, nesta quinta-feira, a segunda fase da reabilitação de emergência da Estrada Nacional Nº 6. A intervenção abrange os troços com maior nível de degradação ao longo dos 300 quilómetros que ligam a Beira ao Zimbabwe.

Segundo a REVIMO, concessionária da rodovia, esta fase passa por uma reabilitação estruturante do pavimento dos troços que apresentam maior nível de degradação, com objectivo de melhorar a segurança rodoviária e garantir maior durabilidade das cargas e incluiu trabalhos

de drenagem.

Há igualmente trabalhos em curso, na fase conclusiva, na antiga ponte sobre o rio Metuchira em Manica, para garantir uma maior fluidez do trânsito.

A reabilitação, orçada em cerca de 600 milhões de meticais, visa reduzir os riscos de acidentes e melhorar a circulação enquanto se aguarda uma intervenção de maior escala. As obras compreenderão também a reabilitação de pontos críticos danificados pelas intempéries; melhoramento do pavimento em segmentos degradados e trabalhos para reforçar a segurança e garantir maior fluidez do tráfego, especialmente no corredor Beira–Machipanda.

A conclusão está prevista para dentro de cinco meses. A primeira fase, iniciada em Maio, consistiu no tapamento de buracos.

A EN6 é uma das vias mais importantes do País, ligando o Porto da Beira à fronteira com o Zimbabwe. Por isso, as obras procuram assegurar o transporte de pessoas e mercadorias, reduzindo interrupções provocadas pela degradação da estrada.

 

Mais de 10 mil clientes da empresa Águas e Saneamento da Zambézia (ASZ) estão a enfrentar restrições no abastecimento de água na cidade de Quelimane, na sequência do rompimento de uma das principais condutas da rede de distribuição. A avaria ocorreu por volta das 19 horas de quarta-feira e obrigou à interrupção parcial do fornecimento de água em vários bairros da cidade, afetando milhares de famílias.

Desde as primeiras horas desta quinta-feira, equipas técnicas da ASZ encontram-se no terreno a executar trabalhos de reparação da infraestrutura danificada. A empresa assegura que mobilizou todos os recursos humanos e materiais necessários para restabelecer o abastecimento no mais curto espaço de tempo. 

“Estamos a trabalhar a todo vapor para repor a tubagem, dez mil clientes não é número pequeno embora seja apenas de uma parte inferior da cidade. Estamos a mobilizar maios materiais e humanos para que com brevidade os trabalhos terminem e o abastecimento volte a normalidade” disse Carlos Jamal responsável técnico da empresa. 

Entretanto, a empresa reconhece que a conduta afetada tem registado avarias recorrentes, uma situação que evidencia a necessidade de uma intervenção estrutural para aumentar a fiabilidade da rede de distribuição e reduzir o risco de novas interrupções no fornecimento de água. 

“Esta conduta foi construída e colocada no tempo colonial, daí que estamos consciente que se deve fazer uma reposição do equipamento para garantir fiabilidade no fornecimento. Por hora queremos pedir aos clientes serenidade e garantir que tudo estamos a fazer para reposição” precisou. 

Enquanto decorrem os trabalhos, os consumidores afetados enfrentam dificuldades no acesso ao precioso líquido, aguardando pela conclusão da reparação e pela normalização do serviço. Após a conclusão da obra, a empresa deverá proceder à reposição do asfalto nos locais intervencionados, devolvendo a normal circulação nas vias onde foram abertas valas para a substituição da tubagem.

Mais de 60 dadores voluntários de sangue abandonaram os serviços de doação no Hospital Provincial de Xai-Xai, em Gaza, alegadamente devido à falta de apoio em suplementos alimentares após as doações. A Associação de Dadores alerta que a redução do número de voluntários poderá comprometer a disponibilidade de sangue para transfusões nos próximos dias.

O  problema não é recente, mas agravou-se desde o ano passado. De acordo com Filimone Mapilele dos cerca de 400 dadores atualmente registados, uma parte significativa deixou de comparecer às campanhas de recolha.

“Temos aproximadamente 400 dadores que nós atualizamos neste momento, mas desses, muitos são agressivos e desistiram devido à alegada falta de apoio, em particular de suplementos alimentares”, explicou o presidente executivo da associação de dadores.

Os voluntários reclamam a reposição de incentivos básicos após a doação, como água, sumos e bolachas, considerados importantes para a recuperação dos dadores.

“O que nós estamos a falar são incentivos no sentido de produtos alimentares. Falamos de sumos, falamos de bolachas, falamos de água. Andámos em todos os cantos a fazer expeditórios, mas esses expeditórios não tinham sido satisfatórios”, afirmou.

A associação alerta que a desistência dos voluntários pode reduzir os níveis de sangue disponíveis no banco hospitalar, numa altura em que a procura continua elevada.

“Porque o sangue não tem fábrica, não tem valores monetários. Tem tido muita falta nos hospitais. Temos aqui muita gente acamada nos hospitais que precisa de transfusão líquida”, disse.

Em reação às preocupações levantadas pelos dadores, o Director do Hospital Provincial de Xai-Xai, Moisés  Mubango reconhece limitações financeiras, mas defende a criação de um pacote integrado de assistência para fortalecer a capacidade da instituição e garantir a continuidade dos serviços.

“De escassos não é falta de incentivos para dadores. No âmbito daquilo que é o pacote de atendimento integrado, nós podemos fazer o reforço da capacidade institucional”, explicou o director do hospital.

A fonte acrescenta que a unidade sanitária enfrenta diariamente elevados encargos financeiros, com cerca de 200 admissões no banco de socorro por dia.

“Estamos numa fase em que por dia estamos a perder 20, 30, 50 mil meticais. E no mês um milhão de meticais. Com um milhão nós íamos contratar guardas para o hospital, íamos contratar maqueiros, serventes e até pagaríamos as horas extras que os médicos vão reclamar”, referiu.

As dificuldades enfrentadas pelos dadores surgem num contexto de pressão sobre o Hospital Provincial de Xai-Xai, que também enfrenta problemas como cortes frequentes de energia devido à avaria do gerador central, cuja reparação está avaliada em mais de um milhão de meticais.

Com quase 40 anos de carreira como treinador, Jorge Jesus atinge, aos 71 anos, o pináculo do percurso nos bancos, assumindo uma selecção portuguesa novamente a ‘carpir mágoas’ após mais um ‘banho de realidade’ numa competição de futebol.

A derrota com Espanha nos oitavos de final teve como consequência maior a eliminação do Mundial 2026, mas também a saída do espanhol Roberto Martínez do cargo de seleccionador, três anos e meio após ter rendido Fernando Santos na sequência de outra desilusão mundial, no Qatar – a narrativa das candidaturas lusas às grandes competições tem sido, invariavelmente, contrariada no campo.

A substituição do técnico não é propriamente uma novidade, e o nome do novo responsável menos ainda, tendo em conta que Jorge Jesus era apontado há muito como o senhor que se seguiria, nomeadamente desde que José Mourinho se afastou do rol de opções da FPF com a ida para o Real Madrid.

Jorge Jesus é, assim, a primeira escolha de Pedro Proença desde que foi eleito presidente da FPF, alcançando o maior e mais prestigiante cargo em quase quatro décadas de banco, mesmo que tenha no currículo passagens por clubes com a grandeza de Benfica, Sporting ou Flamengo.

“Quem é que pode dizer que não à selecção? Já disse que não a uma das melhores selecções do mundo, não posso dizer a outra”, confessou no final de maio.

Quando decidiu pendurar as botas e assumir-se como treinador, Jesus começou por baixo, na III Divisão, no Amora, em 1989, chegando a esta fase com um total de 16 clubes treinados, maioritariamente em Portugal, mas também na Arábia Saudita – onde se cruzou com Rúben Neves, João Cancelo, João Félix e Cristiano Ronaldo –, no Brasil e na Turquia, que lhe proporcionaram praticamente 1500 partidas como técnico.

Estrela da Amadora e Benfica foram os únicos emblemas que comandou em duas ocasiões distintas, sendo que foi na liderança dos ‘encarnados’ que emergiu internacionalmente e começou a compor o palmarés de conquistas – à cabeça, três títulos de campeão nacional entre 2009 e 2015.

Na Luz, cruzou-se com dois internacionais argentinos insuspeitos, Pablo Aimar e Javier Saviola, que, anos mais tarde, lhe reservaram elogios pelo conhecimento do jogo e pela forma como vive o treino.

“Aprendi muito com ele, pela sua forma de ver o futebol e a paixão que transmitia. Foi um excelente técnico”, apontou o antigo avançado, cuja opinião foi reforçada por ‘el mago’, atual treinador-adjunto de Lionel Scaloni na seleção argentina: “Gostava de treinar com o Jorge no Benfica. Gostava dos exercícios e das explicações. Gostava da paixão com que ele vivia o futebol. Aprendi com ele e uso muito dele no meu papel de treinador”.

Se a presença no Euro 2028 é a exigência mais próxima do novo selecionador, não se pode descurar – ainda que esteja mais distante – o Mundial 2030, a segunda competição organizada por Portugal desde o Europeu de 2004, agora juntamente com Espanha e Marrocos.

Contudo, outros desafios estarão mais próximos no horizonte de ‘JJ’, desde logo se será levada a cabo alguma renovação da selecção, se é possível aumentar o nível qualitativo da equipa com jogadores que estão espalhados por vários campeonatos e equipas de caraterísticas diferentes, sem esquecer o mais premente: qual será no curto prazo o papel de Cristiano Ronaldo, com quem o técnico esteve no Al Nassr até há poucos meses.

O capitão da equipa das ‘quinas’ anunciou que não disputaria mais nenhum Mundial, mas não revelou se pretende abandonar a seleção definitivamente, isto depois de uma fase final em que foram notórias as limitações do avançado na integração de um coletivo que, também ele, nunca foi potenciado por Martínez – embora muitos queiram fazer da Liga das Nações algo que a competição não é.

Por outro lado, Jesus é, desde já, uma ‘pedrada no charco’ das escolhas da federação, tendo em conta que nunca treinou uma seleção, ao contrário dos seus antecessores mais recentes: Fernando Santos comandou a Grécia durante três anos antes de conduzir Portugal ao maior feito nacional em 2016 e Roberto Martínez esteve à frente da Bélgica, entre 2016 e 2022.

Neste particular, ergue-se uma outra curiosidade: sendo Jesus um assumido ‘obsessivo’ pelo treino de campo diário, com uma preocupação contínua com o pormenor e correção táticos, como irá adaptar-se a uma função que somente lhe permite ter jogadores de forma intermitente, na maioria das vezes durante oito a 10 dias e com dois ou três jogos pelo meio.

+ LIDAS

Siga nos

Galeria