Os municípios de Xai-Xai, Inhambane e Chimoio informaram ao Governo que não vão aderir ao subsídio de transporte, tendo preferido agravar as tarifas. O Ministério dos Transportes e Logística diz que o processo de verificação dos transportadores licenciados e pagamento do subsídio é acompanhado por uma auditoria e se não houver conformidade, poderá haver responsabilização.
O Ministério dos Transportes assegura ter feito o pagamento do primeiro mês de subsídio ao transportador, depois da verificação do número de transportadores licenciados e após agravar-se o preço dos combustíveis a 7 de Maio. Mas, neste processo, houve quem rejeitou o subsídio.
O processo de verificação dos transportadores licenciados é acompanhado por uma auditoria e terá de ser refeita a verificação nos próximos pagamentos. Enquanto isso, vários municípios ainda não deram informação sobre adesão ao subsídio.
Depois dos três meses de pagamento de subsídio, será instalado um sistema nos transportes para melhor controlo das despesas relativamento ao combustível.
A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários, por sua vez, confirma ter sido feito o pagamento do primeiro mês do subsídio e explicou as razões do subsídio não abranger o transporte interdistrital e interprovincial.
Enquanto isso, o Executivo diz ter recebido da FEMATRO uma proposta sobre tarifas interprovinciais ainda não homologadas. As informações foram avançadas em conferência de imprensa convocada pelo Ministério dos Transportes para dar o ponto de situação do pagamento de subsísio ao transporte.
Meses depois das inundações, o Instituto Politécnico de Chókwè (ISPG) continua a contabilizar perdas que vão muito além dos campos alagados.
Uma motobomba com capacidade para bombear 900 metros cúbicos de água por hora permanece inutilizada após ter ficado submersa, comprometendo a capacidade produtiva da instituição, assim como a formação prática dos estudantes
Os prejuízos provocados pelas inundações estão a limitar a actividade produtiva na instituição. Os números revelam a dimensão da situação. A instituição projectava explorar 60 hectares nesta campanha agrícola, mas a realidade actual não ultrapassa os 18 hectares.
É uma queda superior a 70 por cento, num estabelecimento criado precisamente para ensinar produção agrícola através da prática. Sem a motobomba a diesel, utilizada para garantir a rega durante interrupções de energia, os intervalos de irrigação tornaram-se mais longos e, por isso, a produtividade caiu.
Na aquacultura, o desastre segue a mesma lógica de perdas, pois as enxurradas destruíram 12 tanques de engorda de peixe. O impacto dos danos não se limita à produção agrícola. A redução das áreas em exploração afecta igualmente a componente prática dos cursos ministrados pela instituição, sobretudo nas áreas de Engenharia Agrícola e Hidráulica, onde os campos funcionam como extensão das salas de aula.
Sem uma avaliação financeira concluída, a instituição ainda não sabe quanto será necessário para reparar os danos. Enquanto isso, os efeitos das enxurradas continuam presentes nos campos, nos sistemas de produção e nas actividades de formação.
O Marrocos empatou com o Brasil a uma bola em jogo da primeira jornada do grupo C do Mundial de futebol que decorre nos Estados Unidos, México e Canadá. Qatar e Suíça também empataram a um golo e Austrália e Escócia vencerem os seus jogos.
Marrocos tornou-se na segunda equipa africana a estrear-se no Mundial 2026, depois da África do Sul, no jogo inaugural da competição. E o adversário dos magrebinos não podia ser outra, a justificar a quarta posição alcançada em 2022: o Brasil.
A selecção africana até teve o melhor arranque na partida, ao marcar primeiro, através de Ismael Saibari, aos 21 minutos, num magistral chapéu a Álisson, já fora dos postes.
Marrocos até podia ter feito o 2-0 ainda antes da meia hora do jogo, quando Hakimi galgou terreno e à entrada da área rematou ao lado.
O Brasil, penta-campeão mundial, não desfaleceu e acordou do sono, com Vinícius Júnior a carregar a escrete para o empate, num remate cruzado, aos 32 minutos, após jogada individual.
Paquetá também testou os reflexos de Bounou, mas o guardião marroquino esteve mais atento.
O Brasil queria a todo custo sair com a vitória, mas Bounou mostrou-se seguro nos postes e nem mesmo Raphinha conseguiu acertar nas redes.
A Escócia torna-se assim o líder do grupo C, após vencer o Haiti no outro jogo, graças ao golo apontado por John McGinn, aos 28 minutos.
Pelo grupo B, Qatar e Suíça empataram a um golo na noite deste sábado. Breel Emboló abriu o marcador para os europeus, de grande penalidade, aos 17 minutos, mas os asiáticos empataram ao apagar das luzes, graças ao golo de Miro, de cabeça, aos 90+4 minutos.
A Austrália, que venceu a Turquia por 2-0 na madrugada deste domingo, lidera o grupo com três pontos.
Dezenas de pessoas com albinismo marcharam, neste sábado, pelas ruas da cidade de Maputo, para exigir maior inclusão social, igualdade de oportunidades e acesso ao protector solar, um produto considerado essencial para a prevenção do cancro da pele.
A iniciativa enquadra-se nas celebrações do Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo, assinalado anualmente a 13 de Junho, e visou chamar a atenção para os desafios que continuam a afectar esta camada da população.
Munidos de cartazes e palavras de ordem, os participantes percorreram várias artérias da capital moçambicana para denunciar o estigma social, a discriminação e as dificuldades de acesso ao emprego que ainda enfrentam.
Entre as principais reivindicações dos manifestantes destacou-se o acesso ao protector solar, cuja utilização regular é fundamental para proteger a pele dos efeitos nocivos da exposição ao sol. Segundo os participantes, o elevado custo do produto continua a impedir que muitas pessoas com albinismo tenham acesso a este meio indispensável de prevenção.
As celebrações do Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo contaram igualmente com a participação de pessoas com diferentes tipos de deficiência, numa demonstração de solidariedade e defesa conjunta da inclusão social.
A efeméride culminou com a realização de um workshop subordinado ao lema “Na Minha Pele”, durante o qual foram debatidos os desafios, as conquistas e as perspectivas para a promoção dos direitos das pessoas com albinismo em Moçambique.
Os participantes defenderam a adopção de medidas concretas para garantir o acesso à saúde, à educação, ao emprego e à protecção social, reiterando o apelo para que as pessoas com albinismo sejam reconhecidas e tratadas com dignidade e respeito.
A população de Chilembene, no distrito de Chókwè, província de Gaza, interceptou na madrugada deste sábado um camião que transportava 175 sacos de adubo, alegadamente desviados dos armazéns do distrito de Chibuto. O caso eleva para quatro o número de ocorrências do género, registadas em menos de dois meses, envolvendo insumos destinados às vítimas das recentes cheias.
O material era transportado por um camião de seis toneladas da marca Hino, surpreendido quando tentava descarregar a carga num alegado armazém clandestino, localizado em Chiduachine, no Posto Administrativo de Chilembene.
Segundo o chefe do Posto Administrativo de Chilembene, Noé Vasco, há fortes indícios de que parte dos fertilizantes tenha sido desviada dos armazéns de Chibuto, onde estavam armazenados insumos destinados à assistência e recuperação dos agricultores afectados pelas inundações.
De acordo com a mesma fonte, outra parcela do adubo poderá ter sido adquirida de forma irregular junto de agricultores da localidade de Macavelane.
A descoberta ocorre numa altura em que milhares de camponeses continuam a enfrentar dificuldades para recuperar das perdas provocadas pelas cheias, que afectaram a província de Gaza nos últimos meses. Os insumos agrícolas, distribuídos por parceiros e pelo Governo para apoiar a retoma da produção, têm sido alvo de sucessivos casos de alegado desvio.
Com este novo episódio, sobe para quatro o número de casos de apreensão ou denúncia de desvio de sementes e fertilizantes registados em menos de dois meses na região.
Entretanto, o Governo distrital de Chibuto ainda não se pronunciou sobre a sucessão destes casos. Por sua vez, a Polícia da República de Moçambique (PRM) informou que deverá apresentar um posicionamento oficial sobre a ocorrência na próxima segunda-feira.
As autoridades prosseguem com as investigações para determinar a origem da carga e identificar os responsáveis pelo alegado esquema de desvio de insumos agrícolas destinados às populações afectadas pelas calamidades naturais.
Um incêndio de grandes proporções destruiu, na noite de quinta-feira, o supermercado Spar, localizado na cidade da Matola, provocando avultados prejuízos materiais e deixando em choque clientes e trabalhadores do estabelecimento.
O fogo deflagrou por volta das 21 horas e consumiu praticamente toda a infra-estrutura, incluindo o armazém e os produtos armazenados. Na manhã seguinte ao sinistro, equipas do Serviço Nacional de Salvação Pública continuavam a trabalhar para debelar os últimos focos de incêndio ainda activos no interior do edifício.
No local, o governador da província de Maputo, Simão Tule, afirmou que os trabalhos de rescaldo prosseguiam e que ainda era prematuro avançar com conclusões sobre as causas do incêndio.
“Neste momento ainda decorrem os trabalhos para debelar o fogo, porque ainda há focos de incêndio no interior. Os bombeiros estão aqui desde ontem a fazer este trabalho”, declarou.
Segundo o governador, somente após a conclusão das operações será possível avaliar a extensão dos prejuízos e iniciar o processo de apuramento das causas do sinistro.
“Assim que terminar o trabalho dos bombeiros, poder-se-á fazer a avaliação do que aconteceu e procurar saber das causas que estarão na origem deste incêndio”, referiu.
Simão Tule lamentou a destruição do estabelecimento, destacando a importância do supermercado para os residentes da Matola e zonas circunvizinhas.
“É com muita pena que assistimos a esta situação. Muitas pessoas tinham este supermercado como local habitual para fazer as suas compras. Infelizmente, ficou completamente destruído”, afirmou.
Apesar da dimensão dos danos, o governador revelou que o estabelecimento possui cobertura de seguro, o que poderá facilitar o processo de recuperação.
“Felizmente, o supermercado está assegurado. Depois da avaliação dos prejuízos, poder-se-á decidir os próximos passos e avançar para uma possível reabilitação e retoma das actividades”, explicou.
Questionado sobre as possíveis causas do incêndio, Simão Tule recusou-se a avançar qualquer hipótese, sublinhando que ainda decorrem avaliações técnicas no local.
“É difícil prever o que aconteceu. Neste momento não é possível dizer quais são as causas ou o que está por detrás deste incêndio. Depois da avaliação, a informação será divulgada”, declarou.
Até ao momento, não há registo de vítimas. As autoridades continuam concentradas na conclusão das operações de rescaldo e no apuramento das circunstâncias que estiveram na origem do incêndio.
O Papa Leão XVI nomeou novos administradores apostólicos para as arquidioceses da Beira e de Quelimane.
Trata-se de Dom António Manuel Bogaio Constantino, bispo de Caia, que passa a liderar a administração apostólica da Beira, enquanto Dom Estêvão Ângelo Fernando, bispo de Alto Molócuè, assume a Diocese de Quelimane.
As nomeações foram divulgados através de um comunicado da Conferência Episcopal de Moçambique, dias após o assassinato de Dom Osório Citorra, entao bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira.
As decisões enquadram-se no processo de reorganização pastoral das duas circunscrições eclesiásticas.
Os administradores apostólicos terão a missão de assegurar a continuidade pastoral e administrativa até à eventual nomeação dos respetivos titulares pelo Santo Padre.
O Município de Maputo vai interditar a venda de mariscos na praça 25 de Junho, nas imediações do Porto de Maputo, a partir do próximo domingo, 14 de Junho. A medida não está a ser bem acolhida pelos informais que operam no local.
Mariscos expostos ao ar livre, garrafas de bebidas alcoólicas jogadas no chão e viaturas estacionadas longe de qualquer organização, é o actual retrato das imediações da praça 25 de Junho e a emblemática fortaleza e o Porto de Maputo. Mas há uma nova ordem para o local de busca de subsistência dos vendedores informais.
O conselho municipal de Maputo quer organizar o local
A medida ressurge em um contexto de requalificação da praça após longos anos de enceramento. A eventual reabertura, vai obrigar realocação dos comerciantes nos mercados formais.
Embora o Município garanta haver mercados preparados para receber os vendedores, os informais recusam abandonar o local onde dizem conseguir sobreviver
O Governo reafirmou, esta sexta-feira, o seu compromisso com o fortalecimento do Subsistema Comunitário de Saúde como estratégia fundamental para reduzir a mortalidade materna, neonatal e infantil no País, defendendo uma maior aproximação dos serviços de saúde às comunidades, sobretudo nas zonas mais remotas.
A posição foi expressa pela Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, durante a cerimónia de abertura do Fórum Internacional sobre o Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil, realizado em Maputo, em representação do Presidente da República, Daniel Chapo.
Na sua intervenção, a governante sublinhou que o desafio actual não consiste apenas em expandir os serviços de saúde, mas, sobretudo, em integrá-los e torná-los mais acessíveis às populações.
«A saúde começa onde as pessoas vivem», afirmou a Primeira-Ministra, defendendo o reforço da ligação entre as comunidades e o sistema nacional de saúde como forma de salvar mais vidas e garantir melhores condições de saúde para mulheres e crianças.
Maria Benvinda Levi reconheceu que o País continua a enfrentar desafios significativos, assinalando que muitas mulheres ainda morrem por causas evitáveis relacionadas com a gravidez e o parto, enquanto numerosos recém-nascidos não sobrevivem aos primeiros dias de vida.
Perante este cenário, destacou o papel dos Agentes Polivalentes de Saúde, dos líderes comunitários, activistas e parteiras tradicionais, que asseguram cuidados primários de saúde em comunidades onde o acesso aos serviços públicos continua a ser limitado. Segundo a governante, estes profissionais desempenham uma missão essencial na promoção da saúde e na prevenção de doenças junto das populações.
A Primeira-Ministra reiterou, igualmente, o compromisso do Executivo de melhorar as condições de trabalho dos Agentes Polivalentes de Saúde, expandir as infra-estruturas comunitárias, reforçar os mecanismos de referência e contra-referência e modernizar os sistemas de informação e acompanhamento dos pacientes.
Entre as prioridades do Governo figuram, igualmente, a expansão da rede sanitária nacional, o aumento do número de profissionais de saúde, o reforço das consultas pré-natais, a promoção do parto seguro, a ampliação do acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e o alargamento da cobertura vacinal.
Durante o encontro, foi igualmente lançada a Aliança Nacional para a Aceleração da Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil, iniciativa que visa reforçar a coordenação entre o Governo, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil, instituições académicas e comunidades religiosas na implementação de políticas de saúde materno-infantil.
A governante alertou ainda para os desafios que a saúde global enfrenta actualmente, marcados pela redução do financiamento internacional, pelas mudanças climáticas, pelos conflitos armados e pelas emergências sanitárias, factores que exigem novas formas de cooperação e mobilização de recursos para garantir o acesso universal aos cuidados de saúde.
Ao encerrar a sua intervenção, Maria Benvinda Levi agradeceu o apoio dos parceiros internacionais e declarou oficialmente aberto o Fórum Internacional sobre o Subsistema Comunitário de Saúde e Redução da Mortalidade Materna, Neonatal e Infantil, reafirmando o compromisso de Moçambique com a melhoria dos indicadores de saúde e com a construção de um sistema mais inclusivo, resiliente e centrado nas necessidades das comunidades.
O académico e escritor moçambicano Narciso Matos lançou, na quinta-feira, na cidade de Maputo, a sua mais recente obra literária, Kusheni, assinada sob o pseudónimo de Musumbuluku Nhuvu. O livro propõe uma viagem pelos últimos cinquenta anos da história de Moçambique, cruzando memória pessoal e história colectiva através da trajectória de uma família moçambicana.
Inspirada em factos e personagens reais, a obra acompanha o percurso de um jovem, da sua companheira e dos seus filhos, tendo como pano de fundo alguns dos principais acontecimentos que marcaram o País desde a Independência Nacional até aos nossos dias.
Durante a apresentação do livro, Narciso Matos afirmou que Kusheni resulta de um esforço de preservação da memória histórica e de valorização das identidades moçambicanas.
“Quando os colonizadores chegaram às nossas terras, tiraram-nos os nomes e, com eles, tiraram-nos o clã, a tribo e o grupo social. Depois disseram que nós não temos história. Musumbuluku procura negar essa falsidade. Procura dizer que temos, sim, um passado, temos um presente e desenhamos um futuro”, declarou.
Segundo o autor, a obra procura evitar que experiências, vivências e acontecimentos marcantes da história nacional caiam no esquecimento, preservando testemunhos para as gerações actuais e futuras.
Na ocasião, o académico, escritor e chanceler da Universidade Politécnica, Lourenço do Rosário, destacou a originalidade da narrativa, observando que Narciso Matos recorre ao personagem Musumbuluku Nhuvu para relatar a sua própria história na terceira pessoa.
Para Lourenço do Rosário, Kusheni ultrapassa a dimensão estritamente autobiográfica, constituindo igualmente o retrato de uma geração que viveu a transição para a Independência, participou na construção do Estado moçambicano e testemunhou profundas transformações sociais e políticas ao longo das últimas cinco décadas.
«A teoria literária consagra diferentes formas de um autor se apresentar como outro, seja através de pseudónimos ou heterónimos. Contudo, neste caso, Musumbuluku Nhuvu remete-nos para uma realidade associada às identidades construídas ao longo da história dos cidadãos moçambicanos nascidos no Estado colonial», referiu.
Kusheni é a quarta obra publicada por Musumbuluku Nhuvu, depois de Ndangu wa Txindi na Musumbuluku (2023), Mishu 1952–1975 (2024) e Matlavi (2025), consolidando um percurso literário marcado pela valorização da memória, da cultura e da identidade moçambicanas.
Através desta obra, Narciso Matos convida os leitores a revisitarem momentos marcantes da história recente de Moçambique, reflectindo sobre a construção da identidade nacional, os desafios enfrentados por diferentes gerações e a importância da preservação da memória colectiva.

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