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Com o ano lectivo à porta, volta o debate de turmas ao relento e o seu impacto pedagógico. É que nos dias de chuva, milhares de alunos ficam sem estudar. Nampula equaciona recorrer aos parceiros de cooperação para a montagem de tendas para aulas.

O ano lectivo 2026 inicia a 27 de Fevereiro, com abertura oficial, e as aulas arrancam em todo o país no dia 2 de Março. As escolas preparam-se para receber os alunos, com os professores já na fase terminal das dosificações.

“E já fizeram actas, já fizeram planificações quinzenais, quase já receberam o material, já está tudo pronto. Nós só estamos à espera do dia chegar e daí arrancarmos”, confirmou Horácio Luís, Director-adjunto Pedagógico de uma das escolas de Nampula.

Entretanto, há uma situação que inquieta: Novo ano, e velhos problemas.

A Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vai funcionar com mais de 3500 alunos e porque as salas convencionais são poucas, muitos alunos estudam ao relento, para a preocupação de pais e encarregados de educação.

“Quando chove não há nada, não costumam dar aulas porque os alunos ficam debaixo das árvores. Aí não tem chance de ficar para estudar”, lamenta Cidália João, encarregada de educação.

Durante o período lectivo, as árvores servem de salas de aula. São turmas que correspondem a cada árvore. É lá onde parte dos alunos da Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vão iniciar o ano lectivo e o chão está húmido, justamente porque ainda é período chuvoso.

E em Nampula são muitas escolas que estão na mesma situação e condições, onde os alunos poderão ter suas aulas debaixo das árvores.

Horácio Luís confirma que a situação vai continuar, até porque não houve acréscimo das salas de aula. “No ano passado nós tivemos 30 salas ao ar livre, no relento, e espero que também este ano este número vai permanecer porque as salas que tivemos no ano passado são as mesmas”, disse.

Ou seja, cresce o número de alunos a cada ano e o ritmo de construção de novas salas é muito baixo. Na falta da melhor solução, a direcção provincial de Educação em Nampula pensa em recorrer às tendas.

“Estamos num período chuvoso, estamos a rezar para que não haja catástrofe, mas como sabem nós trabalhamos com parceiros, sempre temos tido backups. A educação sempre sofreu por conta das épocas chuvosas, como também da época ciclónica”, frisou William Tuzine, Director de Educação em Nampula.

Até ao ano passado, ao nível da província de Nampula, estimava-se que cerca de 290 mil crianças estudam ao relento, pelo menos no ensino primário, um cenário que provavelmente não vai alterar bastante, mas para pior.

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A fome agrava o drama de mais de 500 pessoas, que perderam o emprego, devido às cheias na zona comercial de Xai-Xai, província de Gaza. Jovens e mulheres  acabam recorrendo aos alimentos deteriorados para conseguirem, no mínimo, ter uma refeição. 

A capital provincial de Gaza está em alerta para o risco iminente de fome aguda, na sequência das cheias que destruíram campos agrícolas e forçaram o encerramento da  zona comercial.

Marta Tina é um dos exemplos dos que ficaram desempregados por conta das cheias e diz estar à procura de uma oportunidade de emprego, pois tem enfrentado dias difíceis. O mesmo acontece com Luís Manuel, vendedor de um dos principais mercados da cidade de Xai-Xai, que viu a sua mercadoria a ser arrastada pela fúria das águas. 

“Estamos a sofrer, pois a vida está difícil”, conta Luís Manuel, que também enfrenta dificuldades para poder se alimentar. 

A vida continua dura e dias de incertezas agravam o desespero de muitos residentes da zona alta de Xai-Xai que dependiam de actividades comerciais nas ruas e avenidas do coração da cidade para gerar rendimento. 

“Estamos com fome, as pessoas sofrem devido à fome. E não temos apoio, e procuramos, sem sucesso, alguma ocupação nas lojas. Pedimos apoio em alimentos, pois as crianças estão a passar fome”, diz Rita Come, também desempregada devido às cheias. 

Agora sem alternativa, atravessam os piores dias e porque a fome não pode esperar são obrigados a recorrer a produtos deteriorados para poderem se alimentar.

O presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, alerta para o aumento do nível de desemprego face à continuidade da suspensão do comércio e defende a retoma gradual da actividade.  

“Temos cerca de 5 mil vendedores informais que, neste momento, estão sem exercer as suas actividades. Se atrasarmos a retoma das actividades comerciais na cidade de Xai-Xai, poderemos ter um cenário de caos”, alerta o edil de Xai-Xai. 

Além disso, há pelo menos seis bancos que continuam encerrados, revelou Ossemane Adamo durante o encontro com o Secretário de Estado em Gaza, Jaime Neto.

“Neste momento, temos apenas dois bancos a funcionarem na zona alta da cidade e isso cria embaraços para os nossos munícipes”, explica.

O Secretário de Estado em Gaza admitiu a retoma gradual da vida comercial, mas exige padrões de higiene e segurança, o que poderá ser garantido por uma equipa multisectorial de fiscalização, liderada pela pelo sector da Indústria e Comércio.

“Queremos evitar que, com a reabertura gradual do comércio sem as condições necessárias, haja contaminação dos produtos e, consequentemente, a sobrecarga dos nossos hospitais”, alerta Jaime Neto. 

Dados indicam que as cheias forçaram o encerramento de pelo menos 750 empreendimentos comerciais em Chókwè e Xai-Xai, gerando prejuízos que já superam 850 milhões de meticais.

A China vai implementar um regime de tarifas zero para as importações provenientes de 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, a partir de 1 de Maio de 2026, incluindo Moçambique, noticiaram os meios de comunicação estatais, numa medida que alarga o regime preferencial de comércio de Pequim a todo o continente.

Segundo noticiou o Business Insider Africa, a China decidiu aplicar o tratamento de tarifa zero às importações de 53 países africanos, numa decisão que surge num contexto de incerteza persistente quanto à renovação da Lei Africana de Crescimento e Oportunidades dos Estados Unidos (AGOA) e de tensões comerciais contínuas entre os países africanos e a União Europeia (UE) em torno dos Acordos de Parceria Económica.

A decisão resulta de um envolvimento diplomático sustentado por parte dos líderes africanos.

Além da isenção tarifária, o governo chinês continuará a impulsionar negociações e a assinatura de acordos de parceria econômica conjunta com países africanos. A iniciativa busca consolidar a cooperação bilateral e criar condições mais favoráveis para o comércio.

A China também pretende expandir o acesso de produtos africanos ao seu mercado interno por meio de mecanismos considerados aprimorados, como o chamado “canal verde”, ferramenta destinada a facilitar e agilizar processos de exportação. O objectivo é ampliar a presença de mercadorias africanas na segunda maior economia do mundo.

A medida reforça a estratégia chinesa de aprofundar relações comerciais com a África, região que tem ganhado relevância nas cadeias globais de suprimentos e no comércio internacional. A iniciativa pode representar uma oportunidade significativa para exportadores africanos ampliarem sua participação no mercado chinês.

O governo chinês confirmou que o único país que não será incluído na isenção de taxas é o Eswatini, pequena Nação sem saída para o mar e que não tem relações diplomáticas oficiais com Pequim.

Um dos motivos da decisão do governo chinês foi o crescente volume do comércio com o continente. Em 2024, atingiu 2,1 trilhões de yuans. As principais indústrias que impulsionaram a parceria comercial foram de agricultura e infra-estrutura.

Nas últimas décadas, a China estabeleceu presença significativa em África, com investimentos concentrados principalmente em infra-estrutura logística. O país asiático tem controlo ou participação em 1/3 dos portos do continente africano, onde suas empresas estatais financiam, constroem ou operam instalações.

Um relatório divulgado pelo CAEE (Centro Africano de Estudos Estratégicos) em Março de 2025 mostra que a China tem presença em 78 das 231 instalações portuárias existentes no continente. Os dados indicam que a participação chinesa corresponde a aproximadamente 33,7% da infra-estrutura portuária.

O fim-de-semana dos jogadores moçambicanos a evoluírem na diáspora foi intenso, com regressos importantes, golos decisivos, estreias marcantes e jogos que mantêm viva a ambição nas respectivas competições em África, Europa e Ásia.

Os jogadores moçambicanos que têm sido “habitués” na selecção nacional, nos últimos tempos, tiveram um fim-de-semana de emoções diferentes, com alguns a saírem sorridentes, outros tristes e mais alguns de fora por opção técnica ou por lesão.

Faizal Bangal, avançado moçambicano que actua no AC Mestre da terceira divisão da Itália, foi o que mais alegria teve no fim–de-semana. O atleta marcou um golo decisivo no embate diante do Vigasio, que terminou com a vitória da sua equipa por 2-1, que consolida a terceira posição na tabela classificativa e mantém acesa a luta pela subida de divisão.

Já Geny Catamo regressou de lesão mais cedo do que o previsto, uma vez que a previsão era de duas a três semanas. Começou o jogo diante do Famalicão no banco de suplentes, entrando aos 62 minutos para ajudar a equipa a vencer por uma bola sem resposta, com golo de Daniel Bragança, de cabeça, após canto de Trincão.

O Sporting mantém a perseguição ao FC Porto, líder, estando há quatro pontos, e com vantagem de três pontos em relação ao Benfica, que segue na terceira posição.

Quem marcou estreia na sua nova equipa foi Luís Miquissone. Transferido da União Desportiva de Songo para representar o Al Ahly Benghazi da Líbia, demorou para merecer confiança, mas no sábado acabou por ser chamado e ajudou a sua equipa a vencer o Al Borouq por uma bola sem resposta, mantendo-se na zona de apuramento à fase seguinte do Campeonato Líbio.

Também na Líbia, mas para a Taça, Nenê foi titular na vitória da sua equipa, o Abu Salim SC, por 1–0, diante do Al Ittihad Misrata, garantindo passagem à fase seguinte. Recorde-se que Nenê esteve lesionado e recuperou, sendo agora titular na sua equipa.

Witi Quembo foi titular no Nacional e realizou uma boa exibição frente ao FC Porto, sem no entanto conseguir evitar a derrota por 0-1, em jogo da 22.ª jornada da Liga Portuguesa.

Quem também saiu derrotado foi Mexer Sitoe, ao serviço do Ankaragücü da Turquia. O internacional moçambicano entrou na segunda parte e não evitou a derrota por 3-4 frente ao Bodrum FK, em jogo da 25.ª jornada.

Chamito Alfândega foi titular pela sua equipa, o Varzim SC, e saiu aos 73 minutos, sem evitar a derrota fora frente ao CD Mafra para a segunda divisão portuguesa.

Diogo Calila não saiu do banco na derrota da sua equipa, Santa Clara, por 1-2, frente ao Benfica, para o campeonato português. A equipa de Calila cai para o 16.º lugar com 17 pontos.

Já Ricardo Guima não saiu do banco, mas viu a sua equipa, Zira FK, vencer o Karvan por 1-0, em partida da 20.ª jornada do campeonato do Azerbaijão.

Fora dos convocados esteve Bruno Langa, por lesão, e Reinildo Mandava, por opção, para descanso, este fim-de-semana. Langa lesionou-se durante a semana, depois de ter feito estreia no Estrela da Amadora de Portugal e foi da bancada que viu a equipa ser derrotada por 2-1 diante do Vitória de Guimarães.

Já Reinildo Mandava foi poupado na Taça da Inglaterra, num jogo em que o Sunderland venceu o Oxford United por 1-0 e avançou para a próxima fase da prova.

Alfons Amade e o Dunfermline Athletic visitam, nesta terça-feira, o Greenock Morton, em partida da 22.ª jornada da Championship escocesa.

O Conselho Municipal de Maputo (CMM), através do Pelouro de Saúde e Qualidade de Vida, tem estado a reforçar a vigilância contra a cólera no Distrito Municipal KaTembe, de modo a fazer face à presente época chuvosa.

A vereadora de Saúde e Qualidade de Vida, Alice de Abreu, explicou que o sector da saúde realizou visitas domiciliares para investigar casos suspeitos de cólera e deixar recomendações sobre boas práticas de higiene e saneamento.

Nestas actividades, a equipa de saúde escalou o Centro de Saúde de KaTembe, local onde visitou a enfermaria, consulta externa, laboratório e farmácia, para além da realização de uma palestra de sensibilização aos utentes sobre doenças hídricas.

O Ministério da Justiça ainda não tem data para o estabelecimento penitenciário de Gaza voltar a receber reclusos depois de serem retirados, devido às cheias em Xai-Xai. O Ministério continua a fazer o levantamento de danos nas províncias que registaram inundações.

Mais de 100 reclusos foram retirados do estabelecimento penitenciário de Gaza, na cidade de Xai-Xai, devido às águas das últimas cheias que assolaram a capital provincial de Gaza. Os reclusos foram levados para os estabelecimentos prisionais de Mandlakazi, na mesma província, mas parte deles foram levados para Inhambane, e, até aqui, não há data para o seu retorno.

“Os danos são visíveis. Estamos na fase de limpezas e recuperação para o pleno funcionamento, porém admitimos que tivemos danos severos nos nossos estabelecimentos penitenciários nas quatro províncias”, disse Mateus Saize, ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, saindo de um encontro com a embaixada americana em Maputo, na qual abordaram várias matérias relacionadas à “humanização das cadeias”, e assegurou que, dentro de quinze dias, as pulseiras electrónicas entram em pleno funcionamento.

“Nós pedimos aos Estados Unidos uma linha de apoio, formação e também na humanização das nossas penitenciárias. E as pulseiras electrónicas fazem parte desse pacote, e já temos o centro a funcionar, e estamos a finalizar alguns pormenores de regulamento para permitir a correcta aplicação dessas medidas. Queremos garantir que, entre esta e a próxima semana, já teremos alguns a circular com as pulseiras electrónicas”, afirmou.

Haverá emissão de documentos nos centros de acolhimento

Em relação aos cidadãos que perderam documentos de identificação na sequência das inundações, o ministro assegura para breve campanhas massivas de registos de nascimento e de atribuição de Bilhetes de Identidade.

“Nós não vamos esperar a normalização da situação, temos uma meta ambiciosa de recuperar a identificação de quatro milhões de cidadãos. Vamos emitir certidões de nascimento, vamos emitir os BI e vamos emitir também os passaportes o mais breve possível”, assegurou Mateus Saize.

O ministro da Justiça e a representação da embaixada norte-americana falaram  da influência que os condenados pelo terrorismo podem exercer sobre os estabelecimentos penitenciários.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, apelou para o fim da exploração dos recursos naturais africanos, durante a 39ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana.

Nesta cimeira, o político portugues afirmou que já basta “de exploração e pilhagem”, e reafirmou que África será uma prioridade até ao minuto final do seu mandato como secretário-geral, de acordo com a Lusa.

António Guterres apelou ainda à garantia de que os países africanos sejam os principais beneficiários dos seus próprios recursos minerais, por meio de cadeias de valor e manufatura justas e sustentáveis, sublinhando as recomendações do painel da ONU sobre Minerais Críticos para a Transição Energética.

No seu discurso, Guterres também deu destaque à acção climática, realçando a urgente necessidade de sistemas resilientes de água e saneamento, tendo em conta o aquecimento global. 

O secretário geral da ONU destacou o potencial de África como potência de energia limpa, tendo em conta que possui 60% da energia solar disponível a nível mundial. Apesar disto, o continente só recebe 2% do investimento mundial em energias limpas.

Em seguimento, Guterres pediu aos países desenvolvidos para triplicar o investimento na adaptação africana às alterações climáticas, relembrando que África será uma das regiões mais afectadas pelas mesmas, citando o aquecimento acelerado, secas, cheias, e níveis de calor fatais como exemplos de consequências que irão afectar África, mesmo tendo tido um dos menores contributos para o problema.

Numa declaração final, Guterres afirmou que é necessário incluir África na discussão das de decisões para o seu futuro, e que a ausência de representação africana permanente no conselho de segurança da ONU e “indefensável”, acrescentando que “estamos em 2026, não em 1946”; e defendeu a reforma de instituições globais para o efeito de resolver este problema.

Depois das reuniões de alto nível na Conferência de Segurança de Munique, Volodymyr Zelensky sublinhou que o foco mantém-se na defesa aérea, para protecção contra os mísseis balísticos russos. O Presidente da Ucrânia espera receber novo apoio militar dos aliados.

“Houve muitas reuniões e, o mais importante ainda, haverá um novo pacote de apoio à Ucrânia. A prioridade são os mísseis para  a defesa aérea, sobretudo, para nos protegermos das ameaças balísticas”, disse Zelensky, sublinhando que essa foi umas das questões levantadas em Munique. 

O presidente ucraniano disse esperar acordos que funcionem, visto que a defesa aérea é uma necessidade diária.

O Comité Executivo da Confederação Africana de Futebol reuniu-se, na passada sexta-feira, e tomou decisões importantes para o desenvolvimento do futebol africano, com destaque para as datas da realização da próxima edição do CAN, que será em Junho e Julho em três países, nomeadamente Quénia, Tanzânia e Uganda. Na mesma reunião, falou-se da possibilidade de aumento do número de selecções a disputar a prova, de 24 para 28, sem, no entanto, se adiantarem detalhes sobre a prova africana de 2028.

O Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2027 irá realizar-se nos meses de Junho e Julho, confirmou o presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe.

O líder do órgão máximo do futebol africano desmentiu também os rumores sobre um possível adiamento ou mudança de datas, classificando-os como “totalmente infundados”.

A competição, que será organizada em conjunto por Quénia, Tanzânia e Uganda, tem levantado dúvidas quanto à prontidão das infra-estruturas necessárias nos três países da África Oriental.

No entanto, Motsepe mostrou-se optimista durante uma conferência de imprensa na Tanzânia, em Dar-es-Salaam, na última sexta-feira, após uma reunião do comité executivo da CAF, que contou com a presença de Faizal Sidat, presidente da Federação Moçambicana de Futebol e 5º vice-presidente da CAF.

“O CAN do próximo ano no Quénia, na Tanzânia e no Uganda vai ser um enorme sucesso”, afirmou Motsepe, acrescentando ainda que “estou extremamente confiante. Existem sempre desafios. Temos de acreditar em nós próprios como africanos e acreditar no nosso povo. A qualidade das pessoas que temos a liderar o futebol africano é de classe mundial”.

Apesar destas declarações, um adiamento seria recebido com algum agrado por Nicholas Musonye. O presidente do comité organizador local do Quénia disse à AFP na quinta-feira que um adiamento da próxima edição do CAN para 2028 “seria bom para o Quénia”, uma vez que o País terá eleições gerais em Agosto de 2027.

Até amanhã, terça-feira, 17 de Fevereiro, uma equipa de inspecção da CAF estará a avaliar as instalações e infra-estruturas nos três países anfitriões. As datas exactas da prova serão anunciadas oportunamente, segundo Motsepe.

Recorde-se que a CAF se comprometeu, a partir de 2019, a realizar o CAN a meio do ano civil, mas as últimas três edições acabaram por decorrer em torno do mês de Janeiro.

A realização do torneio a meio da época dos clubes europeus tem gerado conflitos pela libertação de jogadores. Além disso, a partir de 2028, a competição passará a ser disputada de quatro em quatro anos, em vez de bianualmente.

O presidente da CAF não avançou detalhes sobre as candidaturas para a edição de 2028, mas expressou o desejo de, no futuro, alargar o torneio de 24 para 28 selecções.

A Primeira-Dama de Moçambique, Gueta Chapo, escalou a localidade de Guara-Guara, no distrito de Búzi, para prestar apoio directo às famílias acolhidas nos centros de acomodação após as cheias em Sofala, deixando um apelo à mobilização de todos os moçambicanos, dentro e fora do País, para o reforço do apoio material e emocional aos sobreviventes que perderam todos os seus bens.

A chegada da Primeira-Dama ao centro de acomodação na noite de sábado foi marcada por um cenário de esperança. Ao interagir com as comunidades deslocadas, Gueta Chapo destacou a resiliência das vítimas: “Chegámos a Guara-Guara e encontrámos muita gente à nossa espera. Encontrámos as pessoas felizes, apesar de estarem a sofrer, longe das suas casas”, afirmou, sublinhando que a prioridade da sua visita foi o contacto humano e a partilha de momentos básicos de dignidade.

Durante a estadia, a esposa do Chefe do Estado envolveu-se directamente na logística do centro, participando na preparação e distribuição das refeições. “Ajudámos a confeccionar o jantar e servimos o jantar, jantámos juntos das nossas crianças; primeiro são as crianças, depois são as mães grávidas, lactentes, idosos, entre outros”, relatou a Primeira-Dama, descrevendo um ambiente de confraternização que incluiu momentos de lazer com os mais novos para aliviar o trauma das inundações.

A essência da visita foi resumida numa mensagem de união nacional. Segundo Gueta Chapo, o momento exige que as diferenças sejam postas de lado em prol do bem comum. “A principal mensagem é aquela, que temos de estar juntos em todos os momentos, bons e difíceis. Esta é a mensagem-chave que nós temos estado a dizer neste momento a todos os moçambicanos, não só os que estão em Moçambique, mas também os que estão fora do nosso país”, enfatizou.

A Primeira-Dama fez questão de lembrar que o apoio necessário transcende o conforto moral, focando na urgência de bens de primeira necessidade. “Continuem a apoiar as famílias que se encontram, neste momento, a sofrer, que estão longe das suas casas, que se encontram nos centros de acomodação. Precisam de muito apoio nosso, não somente emocional, mas também material, porque perderam tudo”, apelou, notando que qualquer contributo, por mais pequeno que pareça, como um quilo de açúcar ou uma barra de sabão, é vital.

Com o ano lectivo à porta, a preocupação com a educação das crianças foi um dos pontos focais do discurso. Gueta Chapo alertou para a falta de condições mínimas para o regresso às aulas: “Qualquer coisa que alguém tiver vai ajudar bastante, mesmo que seja […] um lápis ou caderno, porque as crianças perderam tudo, e daqui a pouco iniciam as aulas e não têm nem um caderno sequer. Então, precisamos de muito apoio, muito material escolar”.

Para além do apelo, a visita foi acompanhada de uma entrega de donativos destinados a reforçar o trabalho do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). Entre os bens entregues constam produtos alimentares como arroz e açúcar, além de kits de higiene feminina, fraldas, leite e papas para bebés. Para as crianças, foram distribuídos brinquedos, bolachas e sumos, visando devolver alguma normalidade ao quotidiano infantil no centro.

Olhando para a sustentabilidade e a recuperação pós-desastre, a Primeira-Dama entregou também insumos e ferramentas agrícolas, como enxadas e catanas. “A chuva veio e as pessoas precisam de produzir. Não vamos ter comida todos os dias, não vamos estender a mão todos os dias, precisamos de produzir para nos podermos alimentar”, defendeu, salientando que a produção excedente servirá para a comercialização e aquisição de outros bens necessários.

Gueta Chapo concluiu a sua intervenção assegurando que a assistência não se limitará ao distrito de Búzi, prometendo uma monitoria contínua e a extensão do apoio a outras regiões fustigadas pelas intempéries. “Esperamos ainda outro apoio, que teremos daqui a algumas semanas para podermos entregar à nossa população não só aqui em Búzi, mas também em Maputo, Gaza e em todo o sítio onde nós iremos passar”, garantiu, reafirmando o compromisso do Gabinete da Primeira-Dama com o bem-estar social.

A Primeira-Dama pernoitou no local.

 

Primeira-Dama apela às mulheres para prestarem apoio às vítimas das cheias

A Primeira-Dama encontrou-se, nesta sexta-feira, na cidade da Beira, com mulheres da comunidade local, às quais dirigiu uma mensagem de reconhecimento e mobilização solidária, no âmbito da sua visita à província de Sofala, destinada a acompanhar a situação das populações afectadas pelas cheias e inundações e a reforçar as acções de apoio humanitário nos centros de acomodação.

A deslocação enquadra-se no compromisso contínuo da Primeira-Dama em promover a solidariedade nacional, o voluntariado e a atenção humanitária às populações em situação de vulnerabilidade, em consequência dos efeitos das chuvas intensas, cheias e inundações que assolam várias regiões do País.

No encontro com as mulheres, Gueta Chapo começou por reconhecer o papel central da mulher moçambicana na resposta imediata às calamidades naturais, afirmando: “Agradecemos com muita força a nossas mulheres, que têm apoiado as nossas filhas, os nossos filhos, as nossas mães, os nossos irmãos, desde o primeiro momento”.

A Primeira-Dama destacou igualmente os gestos concretos de partilha e sacrifício protagonizados pelas mulheres, sublinhando que “conseguiram tirar um copo de arroz e contribuíram, tiraram capulanas, tiraram farinha, açúcar, panelas, roupas para apoiar os nossos irmãos que se encontram neste momento nos centros de acomodação”.

Apelando à união e à coesão social, defendeu uma actuação conjunta e livre de divisões, afirmando: “Estamos juntas nesta luta e vamos continuar a trabalhar juntas, unidas, firmes, sem discriminação, sem intriga, sem fofoca. Nós convidamos todas as mulheres a nos unirmos para trabalharmos para o bem do nosso povo”.

No seu discurso, a esposa do Presidente da República assegurou que todos os apoios recebidos estão a ser canalizados directamente para as populações necessitadas, sublinhando que as famílias acolhidas nos centros de acomodação enfrentam carências básicas, nomeadamente de espaços adequados para as refeições, vestuário, colchões, baldes e utensílios domésticos.

“Mas nós temos casa, e quando voltarmos vamos encontrar comida. Então, temos que doar”, disse, incentivando igualmente a integração de mulheres nos grupos de apoio e voluntariado que actuam nos centros de acomodação.

A Primeira-Dama explicou que a intervenção humanitária assenta no envolvimento directo e no trabalho conjunto, sublinhando que “todos nós trabalhamos, todos nós estamos lá a carregar sacos, estamos lá a carregar baldes, a arrumar as mantas, a cozinhar, a conversar com as nossas crianças, com as nossas mães, com os nossos pais”, acrescentando que “tudo é de borla, não se paga nada”.

Concluindo, Gueta Chapo afirmou que a presença no terreno visa partilhar a realidade vivida pelas populações afectadas. “O nosso objectivo é estar no terreno, sentir a dor que a população sente, comer a refeição que a nossa população também come, sentar no chão como a nossa população senta, dormir na esteira também como a nossa população dorme”, numa acção que inclui igualmente a avaliação das condições de funcionamento dos centros de acolhimento e das necessidades mais urgentes, em coordenação com as autoridades locais e parceiros sociais.

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