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O País – A verdade como notícia

O presidente da Comunidade de Santo Egídio em Moçambique, Nelson Moda, defendeu, ontem, na Beira, que o país deve recorrer à sua história de reconciliação e diálogo para travar a onda de assassinatos de figuras políticas, sublinhando que ser adversário político não significa ser inimigo.

Moda falava à imprensa à margem da cerimónia em que foi distinguido com a Ordem da Estrela de Itália, condecoração honorífica atribuída a cidadãos estrangeiros que se destacam na promoção da amizade, cooperação e dos laços culturais entre Itália e outros países. A distinção foi entregue pelo embaixador de Itália, que destacou o compromisso dos dois países na promoção da paz.

Reagindo aos assassinatos de figuras políticas que têm abalado o país, o dirigente apelou à memória colectiva e à necessidade de aprender com a história de Moçambique.

“Precisamos sempre de recorrer à nossa história. Como é que a guerra civil, o conflito político-militar, começou em Moçambique? Foi através das incompreensões. Não esqueçamos a nossa história, porque esquecer a nossa história faz-nos repetir, no presente”, afirmou.

Nelson Moda foi peremptório na defesa da tolerância política e do respeito pelas diferentes opções partidárias.

“Ninguém deve ter medo por pertencer a um partido histórico como a Frelimo. Ninguém deve ter medo por pertencer a um partido novo como a ANAMOLA. Ninguém deve ter medo por pertencer à Renamo, com a sua história. Todos nós temos opções políticas e é de lei. Nenhum partido político vai engrandecer eliminando membros de outro partido político”, disse.

O presidente da Comunidade de Santo Egídio alertou ainda para os perigos da utilização da violência como instrumento político, defendendo o diálogo como principal via para a resolução das divergências.

“Não se pode experimentar a violência, porque a violência é como um fogo que arde. A pessoa que inicia a violência pode ter a capacidade de iniciar, mas gradualmente perde a capacidade de controlar. Cada incompreensão que existir em Moçambique deve voltar sempre pelo diálogo”, defendeu.

Para Nelson Moda, o recurso ao diálogo não representa um sinal de fraqueza, mas uma alternativa à violência.

“Quem dialoga reconhece que a força das armas nunca leva à paz. Não existe paz alguma que já se conseguiu por via das armas”, afirmou.

Sobre a condecoração, Nelson Moda manifestou a sua gratidão e reafirmou o compromisso da Comunidade de Santo Egídio com a promoção da paz em Moçambique.

A cerimónia decorreu na Assembleia Municipal da Beira e contou com a participação de representantes de vários sectores da sociedade.

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, quarta-feira, em Nova Iorque, o reforço do multilateralismo e da cooperação internacional como mecanismos para responder aos principais desafios que afectam o mundo, incluindo os conflitos armados, as crises humanitárias, as alterações climáticas e as desigualdades no desenvolvimento.

Intervindo no Debate Geral da 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Chapo afirmou que a Organização enfrenta um dos períodos mais exigentes da sua história, num contexto marcado pela multiplicação de conflitos, rivalidades geopolíticas, terrorismo, crime organizado transnacional e eventos climáticos extremos.

Segundo o Chefe do Estado, a recuperação da confiança nas Nações Unidas passa pela aplicação justa do Direito Internacional e pela adopção de decisões capazes de produzir resultados concretos na vida das populações.

Chapo recordou a relação histórica entre Moçambique e as Nações Unidas, destacando o papel da Organização no processo de independência, na construção da paz, na reconstrução nacional, na resposta às catástrofes naturais e na promoção do desenvolvimento sustentável.

O Presidente moçambicano enalteceu igualmente o trabalho desenvolvido pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, considerando positivo o seu legado à frente da Organização e defendendo a continuidade dos esforços para fortalecer o multilateralismo.

 

PAZ E SEGURANÇA

No domínio da paz e segurança, Daniel Chapo apelou ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução pacífica de conflitos, com base na Carta das Nações Unidas e no respeito pela soberania, integridade territorial e direitos humanos.

O Presidente reafirmou a posição de Moçambique em defesa da solução de dois Estados para a questão israelo-palestiniana e manifestou apoio ao direito à autodeterminação do povo saharawi.

Chapo criticou ainda a aplicação de medidas coercivas unilaterais contra Estados, defendendo o levantamento do bloqueio económico, comercial e financeiro contra Cuba, bem como o levantamento das sanções contra o Zimbabwe e outros países.

 

CABO DELGADO CONTINUA A EXIGIR APOIO INTERNACIONAL

Sobre a situação interna, o Presidente afirmou que Moçambique está empenhado na consolidação da paz, no fortalecimento das instituições democráticas e na condução de um Diálogo Nacional Inclusivo, liderado pelos moçambicanos.

Em relação a Cabo Delgado, Chapo reconheceu progressos no combate ao terrorismo e no reforço da segurança, atribuindo parte desses avanços ao trabalho das Forças de Defesa e Segurança e ao apoio da SADC, União Europeia, Ruanda e Tanzânia.

Entretanto, considerou que a estabilização da província permanece incompleta, defendendo uma resposta concertada e maior cooperação internacional para consolidar a segurança, a reconstrução e o desenvolvimento das zonas afectadas.

 

RECURSOS NATURAIS DEVEM GERAR MAIS VALOR

No capítulo económico, Daniel Chapo afirmou que Moçambique pretende transformar o seu potencial em prosperidade partilhada, através da valorização dos recursos naturais e do investimento no desenvolvimento humano.

Entre as prioridades apontadas estão a modernização da agricultura, a industrialização, a expansão do acesso à energia e o investimento em infra-estruturas, educação, saúde, ciência e economia digital.

O Chefe do Estado defendeu que os recursos naturais devem contribuir para a diversificação da economia, a mobilização de receitas e a criação de oportunidades para a população, sobretudo jovens e mulheres.

Chapo afirmou ainda que a localização estratégica de Moçambique no Oceano Índico, os corredores logísticos e o potencial agrícola, energético e mineral podem transformar o país numa plataforma de investimento e integração regional.

O Presidente defendeu uma mudança no modelo de exploração dos recursos africanos, passando da simples extracção para a transformação e criação de valor, com maior aposta em cadeias de valor nacionais e regionais.

 

ÁFRICA EXIGE MAIOR REPRESENTAÇÃO NO CONSELHO DE SEGURANÇA

Daniel Chapo defendeu igualmente uma maior participação de África na governação global, considerando necessário corrigir os actuais desequilíbrios de representação no sistema internacional.

Neste contexto, reafirmou o apoio de Moçambique à posição comum africana sobre a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, baseada no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte.

A proposta africana, segundo o Presidente, prevê pelo menos dois assentos permanentes, com todas as prerrogativas e privilégios, incluindo o direito de veto enquanto este existir, e cinco assentos não permanentes para o continente.

 

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS PREOCUPAM MOÇAMBIQUE

O Presidente alertou também para os impactos das alterações climáticas em Moçambique, apontando para perdas de vidas humanas, deslocamentos de famílias, destruição de colheitas e danos nas infra-estruturas.

Chapo manifestou preocupação com a previsão de ocorrência de El Niño e os possíveis impactos no centro e sul do país, sobretudo em matéria de seca, insegurança alimentar e perda de meios de subsistência.

Face a este cenário, defendeu o reforço do financiamento para a adaptação climática, o acesso aos fundos climáticos, a operacionalização dos mecanismos de perdas e danos e o investimento em sistemas de alerta prévio e infra-estruturas resilientes.

Na área da transformação digital, o Chefe do Estado defendeu investimentos em conectividade, capacidade computacional, investigação científica, formação, transferência de tecnologia e governação ética da inteligência artificial.

Ao terminar a sua intervenção, Daniel Chapo apelou ao fortalecimento da cooperação internacional e à construção de uma Organização das Nações Unidas mais forte, capaz de responder aos desafios actuais e de promover uma prosperidade partilhada.

O Presidente da República,  Daniel Chapo, e o Presidente da UN Sustainable  Development Solutions Network, Jeffrey Sachs, analisaram esta  terça-feira, em Nova Iorque, formas de acelerar o desenvolvimento  económico de Moçambique, através de investimentos em  educação, saúde e infra-estruturas e da mobilização de parcerias  internacionais. 

O encontro de trabalho decorreu à margem da participação do  Chefe do Estado na 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações  Unidas. Jeffrey Sachs disse acreditar que Moçambique pode alcançar um  rápido desenvolvimento económico, referindo que, durante o  encontro, foram discutidas estratégias para orientar o país nesse  sentido. 

“Acredito que Moçambique pode alcançar um desenvolvimento  económico muito rápido, uma quantidade tremenda de progresso,  e discutimos algumas das estratégias para um futuro brilhante de  desenvolvimento para Moçambique”. 

Sachs destacou a educação como uma das áreas fundamentais  para o desenvolvimento económico, defendendo que todas as  crianças devem adquirir competências que lhes permitam ser  produtivas e qualificadas na economia actual. 

“Pessoalmente, dou muita ênfase à educação como sendo  absolutamente fulcral para um desenvolvimento económico bem sucedido, porque todas as crianças em Moçambique devem ser  dotadas de competências, de modo a que, quando os rapazes e  as raparigas crescerem, sejam pessoas muito produtivas e  qualificadas na economia do século XXI”. 

A par da educação e da saúde, o responsável apontou a  necessidade de investimentos em infra-estruturas, incluindo o acesso  à electricidade, internet, conectividade digital e estradas, bem  como a protecção contra fenómenos naturais que afectam  Moçambique. 

Segundo Sachs, também foram discutidas possibilidades de  estabelecimento de parcerias com diferentes países e de  realização de investimentos em Moçambique, tendo mencionado a  China e a Índia entre os países interessados em apoiar o  desenvolvimento económico. 

“Por isso, discutimos que tipo de parceiros e que tipo de estratégia”,  afirmou, acrescentando que pretende, junto dos seus colegas, dar  seguimento às discussões e prestar apoio ao desenvolvimento do  país. 

O Presidente da República,  Daniel Chapo, apresentou esta terça-feira, em Nova  Iorque, as reformas em curso e as oportunidades de investimento  em Moçambique, defendendo o sector privado como factor central para a diversificação e o desenvolvimento da economia  nacional. 

Falando por ocasião do Forbes Africa Day e do lançamento da  versão inglesa do livro “Do Cativeiro à Presidência da República”,  intitulada “From Captivity to the Presidency of the Republic”, o  Chefe do Estado destacou o potencial do país nos sectores de  energia, agricultura, turismo, mineração, infra-estruturas, logística e economia digital. O evento reuniu investidores, empresários e outros  actores ligados ao desenvolvimento económico de África.  

Na sua intervenção, o Presidente Chapo referiu que o Governo está  a implementar reformas para criar melhores condições para a  realização de negócios e atrair investimentos, incluindo através da  criação, no seu Gabinete, de uma unidade de entrega para  acompanhar investimentos. “É por isso que estamos a fazer muitas  reformas, estamos a abrir Moçambique aos negócios, porque temos  um potencial enorme”, afirmou. 

O estadista apontou ainda os projectos de gás natural liquefeito em  Cabo Delgado, envolvendo a ENI, a Total e a ExxonMobil, como  parte das oportunidades existentes no país, sublinhando, contudo,  que a estratégia do Governo passa pela diversificação económica. 

“Mas a nossa visão em Moçambique é que queremos diversificar a  nossa economia”, disse, indicando a agricultura, infra-estruturas,  turismo, digitalização, corredores de desenvolvimento e energia  como áreas a privilegiar. 

Sobre o papel do sector privado, o Presidente moçambicano  afirmou que o Governo está a remover obstáculos à realização de  negócios, melhorar o ambiente empresarial e estabelecer parcerias  com investidores nacionais e internacionais. 

“Mas o sector privado é a chave para o desenvolvimento de  Moçambique”, declarou, acrescentando que logística, transportes,  agricultura, turismo e digitalização devem ser encarados como  áreas de negócio. 

Na área energética, o Chefe do Estado destacou a posição  geográfica de Moçambique e o potencial de Cahora Bassa para o  fornecimento de electricidade aos países da região da SADC.  Informou que o país pretende ampliar a produção de energia,  incluindo através do aproveitamento do gás natural, e desenvolver  linhas de transmissão para responder à procura regional, tendo 

convidado investidores norte-americanos a conhecerem os activos  e as oportunidades existentes. 

O Chefe do Estado abordou igualmente a questão da disciplina  fiscal, referindo o pagamento antecipado da dívida de  Moçambique ao Fundo Monetário Internacional (FMI) como uma  demonstração de “disciplina e responsabilidade”. Disse que  Moçambique mantém negociações com o FMI para um novo  programa e indicou que as conversações decorrem de forma  positiva. 

No que respeita ao ambiente de negócios, referiu a aprovação de  novas leis nos sectores de minas, petróleo e gás e conteúdo local,  explicando que o processo procurou considerar experiências de  outros países. O estadista acrescentou que o Governo pretende  aumentar a arrecadação de receitas e, simultaneamente, criar  condições para que os investimentos contribuam para a criação de  emprego e oportunidades para os jovens. 

Ao falar sobre o conteúdo local, o Presidente da República  apontou os grandes projectos de gás como uma oportunidade  para financiar a diversificação da economia, defendendo  investimentos em agricultura, infra-estruturas, turismo, energia,  digitalização, corredores de transporte e projectos financeiros. 

O Forbes Africa Day é um fórum internacional de negócios e  liderança dedicado às oportunidades económicas de África,  organizado no âmbito da marca Forbes Africa e, nesta edição de  2026 foi realizado em Nova Iorque à margem da 81.ª Assembleia  Geral das Nações Unidas 

A Primeira-Dama da República, Gueta Selemane Chapo, defendeu, em Nova Iorque, a necessidade de colocar a independência económica das mulheres africanas no centro da agenda de desenvolvimento do continente.

A posição foi apresentada durante a sua participação no evento “Um Legado de Liderança – Promovendo Resultados para as Mulheres e Meninas”, promovido pela Organização das Primeiras-Damas para o Desenvolvimento (OAFLAD), que debateu as perspectivas para os próximos 25 anos do Afreximbank e o papel da instituição na promoção da autonomia económica das mulheres.

Gueta Chapo defendeu o reforço do acesso das mulheres a competências, financiamento, tecnologia, mercados e protecção social, considerando estes factores fundamentais para a sua autonomia e participação no desenvolvimento económico.

“Ao olharmos para os próximos 25 anos da Afreximbank, a minha aspiração é que coloquemos a independência económica das mulheres africanas no centro da nossa visão de desenvolvimento”, afirmou.

Segundo a Primeira-Dama, as mulheres africanas desempenham já um papel relevante na sustentação das famílias, na produção agrícola, no desenvolvimento de negócios e na coesão das comunidades. No entanto, continuam a enfrentar limitações no acesso a recursos e oportunidades.

Neste contexto, Gueta Chapo apelou à Afreximbank para que contribua para uma mudança de abordagem, passando de uma resposta centrada na vulnerabilidade para uma estratégia que disponibilize às mulheres ferramentas e oportunidades que lhes permitam determinar o seu próprio futuro.

A Primeira-Dama defendeu igualmente o investimento nas raparigas desde as primeiras fases da vida, com prioridade para a saúde, educação e desenvolvimento de competências. A aposta, segundo explicou, deverá contribuir para preparar uma nova geração de mulheres africanas com maior capacidade de escolha e participação económica.

Gueta Chapo manifestou ainda a expectativa de que, dentro dos próximos 25 anos, a Afreximbank possa contribuir para a formação de uma geração de mulheres africanas que, para além de beneficiárias do desenvolvimento, sejam também proprietárias, empreendedoras, empresárias, líderes e criadoras de prosperidade no continente.

Moçambique e Angola vão reforçar a cooperação no domínio da segurança interna, com destaque para o combate ao crime organizado e terrorismo. O compromisso foi assumido nesta terça-feira, em Maputo, durante a reunião ministerial entre os dois países, que prevê ainda o reforço da formação policial, do controlo de fronteiras e da proteção civil.

Delegados dos ministérios do Interior de Moçambique e Angola, incluindo gestores dos serviços de Migração e de Salvação Pública, partilharam nesta terça-feira a mesma sala, em Maputo, para reforçar a cooperação ministerial entre as duas nações.

Para Moçambique, o reforço da parceria vai permitir a partilha de conhecimento,  técnicas e informações para o combate à criminalidade organizada e transnacional. O encontro foi orientado ao mais alto nível pelos ministros do Interior dos dois países.

Paulo Chachine, de Moçambique, defende a necessidade de os países cooperarem cada vez mais para fazer face a uma tipologia criminal que não respeita fronteiras.

“No domínio policial, validaremos a troca de informações operativas contra o crime e projectaremos a indicação mútua de adidos de polícia até ao final de 2027. Reforçaremos igualmente o intercâmbio no combate dos crimes cibernéticos e ambientais,  na segurança rodoviária e no policiamento comunitário. Destacamos com orgulho a concessão mútua da bolsa de estudo para a formação contínua de quadros na nossa Academia de Ciências Policiais ACIPOL e nos Institutos e Escolas  Policiais de Angola a partir de 2027”, avançou o ministro, diante de quadros das duas delegações. 

Manuel Gomes reitera que a cooperação histórica entre as nações ganha uma nova etapa com esta reunião de quadros que já garantiu a existência de relatórios e diagnósticos precisos sobre os desafios e realidades de cada instituição. 

“Enaltecemos o excelente trabalho realizado pelas equipas de peritos, onde foi  possível tratar-se e consolidar toda uma actividade de grande relevância, para que pudéssemos identificar e alcançar entendimentos e definir programas e planos de actuação que certamente irão prevenir e combater várias tipicidades de crimes, promover a troca de  experiências e a formação de quadros cujas realizações, com certeza, contribuirão para que efectivemos uma cooperação cada vez mais sólida”.

ACORDO DE COOPERAÇÃO MIGRATÓRIA 

Durante a reunião ministerial,  as delegações de Maputo e Luanda assinaram um acordo bilateral de Cooperação no domínio Migratório, com objectivos bem definidos: facilitar e tornar mais seguro e menos burocrática a circulação entre as duas nações irmãs.

“Constitui um marco histórico na nossa relação bilateral. Ao assinarmos este importante instrumento, respondemos diretamente aos anseios dos nossos povos e estabelecemos as bases para facilitar a mobilidade humana, promovendo uma circulação mais fluida, segura e digna para os cidadãos de ambos os países, fortalecendo os laços comerciais, culturais e acadêmicos que nos unem. Modernizar e desburocratizar, simplificando os procedimentos migratórios e os serviços de identificação, garantindo um atendimento mais célere, eficiente, humanizado e livre de entraves burocráticos. Garantir a segurança e o controle de fronteiras, combatendo com firmeza a migração ilegal, o tráfico de seres humanos e a falsificação de documentos, através de partilha de dados, de informação e de coordenação operacional entre os nossos serviços migratórios”, defendeu Chachine. 

Facilitar a mobilidade segura e livre de burocracias é o que espera a contraparte de Angola, daqui para frente, sem pôr de lado o combate ao crime transnacional. Manuel Gomes diz que está convicto de que a cooperação trará resultados positivos para os dois países, no domínio da gestão de pessoas.

“A dinâmica do mundo actual e a crescente internacionalização dos fenômenos criminais impõe-nos a necessidade de agirmos em conjunto e de forma coordenada, com vista à protecção de interesses recíprocos  no plano da segurança dos nossos países alinhados aos objectivos da frente da SADC e da União Africana, tendentes à garantia da estabilidade da África Austral. Para o efeito, é fundamental estabelecer e reforçar as relações de cooperação no âmbito da actividade policial, gestão migratória, protecção civil e bombeiros”. 

Manuel Gomes efectuou um convite para o seu homólogo visitar oficialmente Angola, um convite imediatamente aceite, embora sem avançar datas.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, defende mais financiamento para a adaptação às alterações climáticas e uma maior capacidade de resposta aos danos provocados pelo clima. Guterres quer que os países desenvolvidos cumpram os compromissos assumidos e reforcem o apoio aos países mais vulneráveis.

A posição foi defendida nesta terça-feira, em Nova Iorque, na abertura da 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que reúne chefes de estado e de governo para discutir os principais desafios internacionais. 

No seu discurso, Guterres colocou a questão climática como um desafio mais amplo e defendeu a necessidade de preservar os princípios que sustentam a Organização das Nações Unidas.

“Precisamos de justiça climática, com foco na adaptação e no financiamento. Os países desenvolvidos devem respeitar os seus compromissos. Devem triplicar o financiamento para a adaptação e fazer com que o Fundo de Perdas e Danos funcione em escala. Os fundos actualmente disponíveis no Fundo de Perdas e Danos são ridiculamente pequenos”, disse.

Guterres defendeu ainda que a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos devem continuar a ser prioridade de todos, e que a carta das Nações Unidas deve continuar a ser a base da cooperação internacional.

“A Organização das Nações Unidas existe porque o poder requer regras e a humanidade precisa de um lugar onde o poder responda aos princípios. E a Carta das Nações Unidas não deixa espaço para uma leitura selectiva. A Carta criou uma organização baseada em três pilares: a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos. E estes não são temas separados, são uma realidade interligada. Não há paz sem desenvolvimento, não há desenvolvimento sem paz, e não há paz nem desenvolvimento sem direitos humanos. Pretender que a paz pode ser separada da dignidade, das oportunidades e dos direitos humanos é uma ilusão inaceitável.”

O discurso teve, também, um significado particular para Guterres. É a sua última participação na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, enquanto secretário-geral do órgão, cargo que deixará no final deste ano.

Na despedida, garantiu que a saída do cargo não significará o fim do seu compromisso com os valores que defendeu durante o mandato.

“No dia 1 de Janeiro, quando eu já não for Secretário-Geral, tenham a certeza disso: onde quer que eu esteja, o que quer que eu faça, continuarei a defender a convicção de que a paz é possível, que a dignidade humana é universal, que o poder da lei não deve prevalecer sobre a lei do mais forte e que o nosso futuro comum vale a pena ser defendido. Continuarei a defender os valores da Carta das Nações Unidas e nunca, nunca vou desistir”, conclui António Guterres. 

António Guterres termina o segundo mandato como secretário-geral das Nações Unidas a 31 de Dezembro de 2026. 

A Primeira-Ministra da República, Benvinda Levi, recebeu, hoje, em audiência de cortesia, o Ministro do Interior da República de Angola, Manuel Gomes da Conceição Homem.

O encontro serviu para a apresentação dos resultados da reunião ministerial entre os Ministérios do Interior dos dois países, realizada no âmbito da visita de trabalho da delegação angolana a Moçambique.

Na ocasião, o Ministro do Interior de Angola destacou a importância do acordo celebrado entre os dois países no domínio da migração, sublinhando que o instrumento irá permitir, entre outras possibilidades, “a melhoria do processo de circulação dos cidadãos angolanos e moçambicanos nos nossos territórios”.

Manuel Gomes da Conceição Homem referiu que as reuniões realizadas permitiram igualmente abordar questões relacionadas com a criminalidade transfronteiriça, o cibercrime, a criminalidade transnacional e a imigração ilegal, matérias que, segundo afirmou, “merecem a atenção dos nossos dois países”.

No domínio da capacitação institucional, o governante angolano destacou o compromisso de ambos os países com a formação contínua dos seus efectivos, anunciando que “quer em Angola, como nas escolas práticas da polícia de Moçambique e de Angola, vão receber quadros de ambos os países”.

O Ministro informou ainda que Moçambique e Angola estão a trabalhar na revisão de diversos acordos de cooperação no domínio da Segurança Pública, alguns dos quais remontam a 1988.

“Até ao mês de Dezembro, os grupos técnicos têm que trabalhar para actualizar estes documentos”, afirmou, acrescentando que já foram identificados pontos focais para assegurar o processo de avaliação e revisão dos instrumentos existentes.

O Presidente da República, Daniel Chapo, já se encontra em Nova Iorque, onde vai partilhar a experiência de Moçambique na promoção da paz e do desenvolvimento, com destaque para o Diálogo Nacional Inclusivo, durante uma intensa agenda de alto nível que inclui encontros com dirigentes das Nações Unidas, instituições financeiras internacionais e o sector privado.

A informação foi avançada pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, à imprensa, por ocasião da chegada do Chefe do Estado à cidade norte-americana, onde participa na 81.a Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU).

Segundo a governante, a partilha da experiência moçambicana sobre paz e desenvolvimento constitui uma das actividades que serão chefiadas pelo Presidente da República durante a sua estadia em Nova Iorque, nos dias 22 e 23 de Setembro.

“Sua Excelência o Presidente traz a mensagem de paz. E como dizemos aqui, vem partilhar com o mundo sobre o Diálogo Nacional Inclusivo”, afirmou Maria Lucas, acrescentando que a experiência de Moçambique tem despertado interesse de outros países, particularmente da região.

Além da participação nas actividades das Nações Unidas, o Presidente da República vai manter contactos com o sector privado e instituições financeiras internacionais, incluindo um encontro com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional.

“Sua Excelência o Presidente vai ter não só actividades nas Nações Unidas, mas também com o sector privado, também com as instituições financeiras internacionais, incluindo com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional”, explicou a ministra.

A agenda presidencial inclui igualmente o lançamento da versão inglesa da autobiografia de Daniel Chapo, intitulada “Do Cativeiro à Presidência”, numa das actividades previstas para os dois dias de permanência do Chefe do Estado em Nova Iorque.

No quadro dos contactos diplomáticos, o Chefe do Estado moçambicano terá ainda um encontro de cortesia com o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, num momento em que termina o seu mandato e decorre o processo para a eleição do próximo titular da organização.

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