O Presidente da República, Daniel Chapo, apresentou esta terça-feira, em Nova Iorque, as reformas em curso e as oportunidades de investimento em Moçambique, defendendo o sector privado como factor central para a diversificação e o desenvolvimento da economia nacional.
Falando por ocasião do Forbes Africa Day e do lançamento da versão inglesa do livro “Do Cativeiro à Presidência da República”, intitulada “From Captivity to the Presidency of the Republic”, o Chefe do Estado destacou o potencial do país nos sectores de energia, agricultura, turismo, mineração, infra-estruturas, logística e economia digital. O evento reuniu investidores, empresários e outros actores ligados ao desenvolvimento económico de África.
Na sua intervenção, o Presidente Chapo referiu que o Governo está a implementar reformas para criar melhores condições para a realização de negócios e atrair investimentos, incluindo através da criação, no seu Gabinete, de uma unidade de entrega para acompanhar investimentos. “É por isso que estamos a fazer muitas reformas, estamos a abrir Moçambique aos negócios, porque temos um potencial enorme”, afirmou.
O estadista apontou ainda os projectos de gás natural liquefeito em Cabo Delgado, envolvendo a ENI, a Total e a ExxonMobil, como parte das oportunidades existentes no país, sublinhando, contudo, que a estratégia do Governo passa pela diversificação económica.
“Mas a nossa visão em Moçambique é que queremos diversificar a nossa economia”, disse, indicando a agricultura, infra-estruturas, turismo, digitalização, corredores de desenvolvimento e energia como áreas a privilegiar.
Sobre o papel do sector privado, o Presidente moçambicano afirmou que o Governo está a remover obstáculos à realização de negócios, melhorar o ambiente empresarial e estabelecer parcerias com investidores nacionais e internacionais.
“Mas o sector privado é a chave para o desenvolvimento de Moçambique”, declarou, acrescentando que logística, transportes, agricultura, turismo e digitalização devem ser encarados como áreas de negócio.
Na área energética, o Chefe do Estado destacou a posição geográfica de Moçambique e o potencial de Cahora Bassa para o fornecimento de electricidade aos países da região da SADC. Informou que o país pretende ampliar a produção de energia, incluindo através do aproveitamento do gás natural, e desenvolver linhas de transmissão para responder à procura regional, tendo
convidado investidores norte-americanos a conhecerem os activos e as oportunidades existentes.
O Chefe do Estado abordou igualmente a questão da disciplina fiscal, referindo o pagamento antecipado da dívida de Moçambique ao Fundo Monetário Internacional (FMI) como uma demonstração de “disciplina e responsabilidade”. Disse que Moçambique mantém negociações com o FMI para um novo programa e indicou que as conversações decorrem de forma positiva.
No que respeita ao ambiente de negócios, referiu a aprovação de novas leis nos sectores de minas, petróleo e gás e conteúdo local, explicando que o processo procurou considerar experiências de outros países. O estadista acrescentou que o Governo pretende aumentar a arrecadação de receitas e, simultaneamente, criar condições para que os investimentos contribuam para a criação de emprego e oportunidades para os jovens.
Ao falar sobre o conteúdo local, o Presidente da República apontou os grandes projectos de gás como uma oportunidade para financiar a diversificação da economia, defendendo investimentos em agricultura, infra-estruturas, turismo, energia, digitalização, corredores de transporte e projectos financeiros.
O Forbes Africa Day é um fórum internacional de negócios e liderança dedicado às oportunidades económicas de África, organizado no âmbito da marca Forbes Africa e, nesta edição de 2026 foi realizado em Nova Iorque à margem da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas