O País – A verdade como notícia

Por: David Abílio

Vejo os sons teleguiando o delírio das bailarinas, dos bailarinos. Da magia dos sons ondulando no tecido dos ritmos contagiantes desta terra, os corpos não resistem à tentação.

Eis que vejo a “molesa” a apatia se desfazendo perante o impetuoso dos ritmos: São os corpos se exprimindo, gesticulando movimentos cúmplices, como se enfeitiçados pela delícia dos sons, como que excitados pela sedução dos ritmos.

Eis que vejo os ritmos desta terra se revibrando na gente da terra.

– Vejo DANÇA esta arte viva!
É DANÇA! Esta, a arte de expressão número um em África. Só em Moçambique, cerca de 250 danças diferentes foram recenseadas em 1978, mas nada se tem dito deste manancial artístico.

Hoje a propósito das comemorações do Dia Mundial da Dança, venho expor não apenas o meu jeito pessoal de ver a dança como sobre tudo uma breve análise do desenvolvimento deste género artístico no nosso País.
Entendo esta exposição como uma celebração da integridade da nossa cultura, uma homenagem a sua criatividade e um apelo a preservação do que verdadeiramente nos identifica. Farei a exposição em três momentos que corresponde ao nosso devir histórico. Primeiro vou falar da função social no contexto pré-colonial; em seguida debruçar- me- ei sobre a “folclorizaçao” da dança no contexto colonial, no terceiro momento dissertarei sobre a tentativa de recuperação da dança com a conquista da independência e terminarei a minha exposição com um olhar critico sobre a modernização da dança, com particular destaque para os esforços de domesticação de técnicas académicas e modernas na dança de raiz.

A DANÇA NA SOCIEDADE TRADICIONAL

A necessidade que o homem teve para explicar os fenómenos da natureza e convertê-los em seu benefício, obrigou-o a criar rituais que representavam o bem e o mal. Esses rituais reproduziam, portanto, esta luta em que os bons espíritos repeliam os maus espíritos. A dança era parte integrante desses rituais e foi um importante meio de comunicação com os poderes ocultos da natureza. E por isso que encontramos nas danças a evocação ou dedicação a chuvas, à caça, à morte, o nascimento, à guerra, etc, etc…

Os movimentos de dança tinham um significado preciso, através dos quais o homem aspirava dominar a natureza de acordo com as suas necessidades vitais. Recordo aqui, sem querer entrar em muito detalhe sobre o assunto ,a ideia transmitida por Placide Tempels, um missionário belga no Congo dos anos quarenta, autor da obra “A filosifia Bantu”, de que o essencial desta filosofia residia justamente na manipulação da força vital. Aqueles movimentos, por vezes, rudes, agressivos ou brutais e ameaçadores em algumas ocasiões, e noutros casos, cheios de erotismo e graciosidade ou ainda cheios de unção religiosa, eram de um vocabulário muito limitado, na sua maioria repetitivo, não existindo nessa altura prática ou gosto de dança pela dança, mas sim dançar como forma de cumprir uma finalidade mágica e precisa.

Provavelmente este não e o lugar para abordar algumas controvérsias antropológicos sobre a relação entre os africanos e a arte. De qualquer maneira gostaria de recordar que já houve vários estudiosos que defenderam a ideia de que em Africa existe estética, mas não há arte. Como e evidente, não concordo com esta ideia. Não e possível estética sem arte. O argumento pretende, naturalmente, retirar aos africanos a capacidade de produzirem eles próprios os critérios de apreciação do que e belo e sublime. A dança nas suas varias manifestações revela, contudo, que isto não pode ser verdade. Mesmo quando ela e embuida de uma função social, a dança e arte e estética, ao mesmo tempo que festeja a criatividade africana.

Dada a sua importância social, a dança era praticada colectivamente por toda a comunidade, e pode-se mesmo dizer que a sua prática era imprescindível por homens, mulheres, jovens, crianças e velhos. De facto, a dança era tão importante como as leis da comunidade, a organização do trabalho bem como outras normas regentes da sociedade tradicional. No entanto, a sua execução era simples e básica, mas profunda e vital ao mesmo tempo. A dançapodia ser vista de varias maneiras e dependendo do contexto era perfeitamente possível que se não procurasse nela o prazer estético. Em certos contextos a dança não era um exercício recreativo e não tinha também implicações decorativas.

A EVOLUÇÃO DE DANÇA EM MOÇAMBIQUE

Com o advento do colonialismo e a introdução da religião cristã e a subsequente instalação da Igreja Católica como religião oficial, passa a ser cultivada uma filosofia de “desprezo” pelos bens terrenos, pelas culturas indígenas.

A prática de tal desprezo chegava mesmo a assumir formas de repressão forte quando a coacção psicológica se mostrava insuficiente, tendo feito desaparecer, aos poucos, o estilo de vida e de organização das sociedades tradicionais e, consequentemente, várias das suas manifestações artísticas e culturais.

Nesta etapa, danças de caracter magico-religioso como o Nhau e danças guerreiras e espectaculares como o Muthine, foram severamente restringidas.

Deste modo, começa a surgir aquilo a que podemos considerar de dança folclórica. Entende-se por dança folclórica. Este processo foi muito bem elucidado pelos historiadores ingleses Terence Ranger e Eric Hobsbawn na sua obra “The Ivention of Tradition”. Na verdade, a ideia de “invenção da Tradiçao” referia se a transformação de manifestações culturais profundamente enraizadas no imaginário de um Povo em artefactos da vontade colonial de tornar a cultura africana “exótica”. Entende-se por dança folclorica aquela que o povo dança e se transmite de geração em geração e pode ter um caracter religioso ou social. Estas danças aprendem-se por imitação, sem técnica, nem escola, de expressão espontânea e evolução constante.

Foi assim que foram surgindo grupos relativamente autónomos e de certo modo com algum carácter recreativo, chegando inclusive a competirem entre eles. Pois a dança nesses momentos, apesar de continuar ligada ao funcionalismo religioso, começa a autonomizar-se e constituir-se numa expressão vital em si, independentemente das necessidades religiosas. Exemplo: dançar para alegrar turistas ou para satisfazer autoridades coloniais. Esta prática de dançar só por dançar, apesar de tudo, provocou uma certa viragem cultural. E importante não assumir uma atitude demasiado essencialista da cultura. Com efeito, a cultura marca passo com a Historia, molda-se e transforma-se nela.

Mas, mesmo assim, a dança nunca pôs completamente de lado a sua função educativa. Por exemplo a dança xigubo: servia para treinar técnica e militarmente os jovens guerreiros. Algumas danças continuam ligadas às cerimónias de ritos de iniciação consideradas verdadeiras escolas tradicionais informais sob ponto de vista das autoridades oficiais. Até aos dias de hoje, e em todas as culturas do mundo, DANÇAR ainda pode significar RECONCILIAR: RECONCILIAR O CORPO COM ESPÍRITO, TERRA COM CÉU, A PESSOA COM O VIZINHO. Também significa CONFIAR. DANÇANDO, O BAILARINO CONFIA NAS SUAS CAPACIDADES FÍSICAS E ESPIRITUAIS. O aspecto da AUTO-CONFIANÇA, BEM NO BAILARINO AO LADO, NO RITMO DA MÚSICA E NO DIÁLOGO ENTRE TODOS OS PARCEIROS- NO SENTIDO DE ESTABELECER CONFIANÇA MUTUA.

É, talvez, por causa destas qualidades e outras, que tornam a dança em África a expressão artística número um, quer também pela quantidade dos praticantes, que se pode afirmar sem nenhum exagero, que cerca de metade da população da África negra pratica a dança ou como ritual, ou como arte, ou simplesmente como diversão. Também a dança em África constitui o maior e o mais rico espólio cultural que o povo possui, cuja diversidade ultrapassa de longe a própria diversidade étnica.

A incrementação da política colonial, sobretudo nos domínios económicos, e culturais a imposição de certos valores nos “ “assimilados” e a tolerância a prática de algumas manifestações culturais fizeram surgir alguma prática de dança de salão moçambicana protagonizada pelos grupos como KWENGUELEKEZE, JOÃO DOMINGOS DILON Ndjindji, FRANCISCO MAHECUANE, LISBOA MATAVELE, DJAMBO e outros, muito antes do Raul Baza Baza apresentar o seu xigubo e marrabenta em palcos lisboetas para uma audiência sedenta de ver o “exotismo” e “erotismo” das danças africanas assim classificadas por uma certa crítica racista e ignorante dos significados e do simbolismo da dança africana. Assim, alguns artistas, por necessidade de ganhar dinheiro, e/ou por necessidade de preservar a cultura num ambiente hostil, procederam a adaptações notáveis e estilização das danças como XIPARATUANE, MFENA, XIGUBO e outras com destaque para a MARRABENTA, uma dança popular e de salão mais conhecida dentro e fora do país, que surgiu da evolução de uma outra dança conhecida como MAJICA, e passou a ser uma referência nos palcos do então SHOW BIZZ Lourenço Marquino.

Desde esse período para cá é notório o desenvolvimento da dança popular, a dança que o povo converte ou convenciona como sua durante um período de tempo que pode ser curto ou infinito, às vezes, é de criação anónima, como é o caso da Marrabenta ou “Djiva mafuruta” ou pode ser criado por um coreógrafo como o caso TXUKETA ou XITXUKETI, criado pelo popular Raul Baza, ou ainda a mais recente PANDZA que alguns atribuem a sua autoria ao ZIQO.

Este tipo de dança pode-se comparar com o mambo ou o chachachá na América Latina, samba no Brasil, kwassa-kwassa na R.D.C. Ela aparece em períodos curtos ou longos de acordo com a aceitação do povo.

DANÇA PÓS INDEPENDÊNCIA

A verdadeira modernização da sociedade em Moçambique ocorre em pleno com a libertação do Homem Moçambicano, o que propiciou a libertação de todo o seu potencial criativo.

Um dos grandes feitos pós-independencia na área da dança se relaciona com a realização do 1ºFestival Nacional de Dança Popular em 1978, que quase movimentou todo o povo desde “círculo à nação” expressão usada nessa altura para significar que o festival decorreu desde o bairro da localidade até à capital do país, tendo sido na altura inventariadas mais de 250 danças diferentes.

Na sequência do êxito deste festival, foi criado em Maputo, em 1979, o GRUPO NACIONAL DE CANTO E DANÇA , que integrava jovens vindos de diferentes sectores da vida económica e social do país nascidos em diferentes regiões constituindo um mosaico cultural representativo de todo o povo.

No seu repertório, figuravam ,para além de canções, poemas e danças representativas de todo o país, e no seu programa de apresentação se afirmava que esses números eram “o testemunho das alegrias e conquistas do povo moçambicano na criação da nova vida, das novas relações entre os homens”.

A dança ao longo de todos os tempos, constituiu-se num veículo transmissor de educação e cultura de geração em geração. A dança foi ( e será) sempre um meio através do qual o homem expressou seus diferentes estados de ânimo ,as suas ideias e preocupações, alegrias e tristezas, usando desde as formas mais simples, como as que vemos num grupo da população, até as mais complexas, as que a CNCD, por exemplo, desenvolve. Mas todas elas, encerram em si um conteúdo artístico profundo e são adaptadas pelo homem às suas condições de vida.

Observando a minha experiência por exemplo sempre usei a dança como instrumento para elevar os conhecimentos culturais e artísticos da população contribuindo na formação de hábitos de disciplina individual e colectiva desenvolvendo o sentido de trabalho em grupo, criando hábitos de boa conduta e ralações apropriadas de companheirismo.

É sempre bom recordar que alguém ao praticar a dança, também desenvolve a sua personalidade a sua capacidade de observação e a sua criatividade, facilitando deste modo a coordenação de movimentos rítmicos e harmónicos com que assegura a expressão artística.

A prática da dança, não só favorece ao homem fisicamente, como também contribui para o seu crescimento intelectual. Isto fundamenta-se no facto de a dança ser uma integração viva de outras formas de arte como a música, a poesia e as artes plásticas, permitindo assim o desfruto de outras expressões artísticas que se encerram na sua performance.

A criação da Escola Nacional de Dança em 1982 vem provar este empenho dos moçambicanos na valorização da dança ,confirmando a sua grande importância.

A Escola de Dança surge como a maturação de um curso de formação de instrutores de dança ministrado no Centro de Estudos Culturais em Maputo.

Aliás é neste Centro onde se formaram as famosas bailarinas Joaquina Siquice, Maria José Sacur, Perola Jaime, Rosa Vasco , Maria josé Gonçalves, Noé Manjate, Augusto Cuvilas e Maria Helena Pinto, muitos deles ainda no activo da Companhia Nacional de Canto e Dança, como professores e coreógrafos.

A nossa Escola de Dança hoje dirigida pela Maria Luisa Mugalela, antiga bailarina da CNCD trabalha seriamente com as jovens gerações na formação de uma cultura de dança para que sejam capazes de apreciar os grandes valores estéticos e ao mesmo tempo valorizar a nossa cultura e a de outros povos.

E é por isso que se introduziu no nosso país o ensino da técnica académica ou ballet, um género de dança espectacular nascido no século XVI na corte de Catalina de Médicis na Europa, com a apresentação do chamado “O BALLET CÓMICO DA RAINHA”. Este género já sofreu muitos enriquecimentos desde o seu nascimento, sendo que a técnica de dançar em pontas se mantém até hoje, e possui um vocabulário técnico de origem francesa.

Mas esta não é a única técnica que se ensina no nosso país. Também já esta introduzida a dança moderna, um género que nasceu nos princípios do século passado, criado pela senhora ISADORA DUCAN, que consiste em romper com todos os esquemas da conhecida dança clássica e propõe que a dança seja uma emanação da alma e que a mesma devia exprimir nos seus temas a vida do homem actual. A sua técnica desenvolveu-se e enriqueceu-se através de diferentes figuras: MARTHA GRAHAM, DORRIS HUMPHREY e CHARLS WEIDMAN, e outras figuras mais recentes de diferentes nacionalidades, o que faz com que não seja possível definir uma técnica única para este género de dança, que por sua vez gerou o movimento que assistimos especialmente na Europa, designada de “dança contemporânea”. Este mesmo género, já tem muitos adeptos no nosso continente, e foi estimulado pelos franceses através dos seus programas “África em Criação”. O Augusto Cuvilas, Maria Helena Pinto; Panaibra Gabriel, Edna Jaime são os ponta de lança deste género no nosso Pais.

Os problemas que os bailarinos africanos encontraram para desenvolver uma técnica específica baseada em passos de dança e movimentos tipicamente africanos, fizeram com que em 1977 MAURICE BÉJART e o antigo presidente e intelectual Senegalês LEOPOLD SENGHOR criassem uma escola Pan-Africana chamada MUDRA AFRIQUE, e reinventassem os passos de danças africanas , absorvendo os valores de outras formas de dança, de modo a permitir a criação de um género de dança negro-africana, capaz de ser entendida a apreciada pelos povos de todas as culturas. Esta técnica tem em GERMAINE ACOGNY a sua expoente máxima.

Nestas pesquisas e buscas no sentido de encontrar soluções técnicas para a dança africana, Moçambique não ficou atrás.

Em 1987, tomei iniciativa e encorajei um grupo de jovens entre os quais os irmãos Nhussi, para desenvolvermos um trabalho idêntico ao da Escola Mudra Afrique, cujos resultados já são visíveis em obras como a “NOIVA DE NHA-KEBERA” da minha autoria, “ NZUZE O DEUS DO MAR” do Augusto Cuvilas” “AMATODOS”, da Perola Jaime e “ODE À PAZ” do Casimiro Nhussi, para citar alguns.

Com relação à experiência moçambicana, nunca é demais recordar aquilo que escrevi em 1992, quando me referia à concepção coreografica de ODE A PAZ, dizendo que o Sr. Casimiro Nhussi detinha uma autoridade na dança moçambicana, que o permitia “brincar” com ela no bom sentido, ao trazer para o contexto universal uma experiência inédita com rótulo “de Made in Mozambique”. No nosso Pais decorre neste momento uma campanha de promoção e valorização dos produtos nacionais. A nossa obra foi um importante precursor cultural desta campanha.

Escrevia eu então que…” o inédito está na fusão do moderno com o folclore, numa perspectiva diferente das experiências já conhecidas, sobretudo nos Estados Unidos da América, Cuba e Brasil, naquilo que é chamado de “AFRO MODERNO” ou simplesmente “AFRO DANCE”. No lugar de integrar os elementos indígenas na técnica moderna, nos optamos pelo inverso. São os elementos do “moderno” que são integrados na dança tradicional moçambicana. Nesta perspectiva, os elementos da técnica moderna não subordinam o movimento da dança moçambicana, pelo contrário, eles estão a obedecer a esta. A simbiose não resulta da modernização da dança tradicional em obediência aos padrões do moderno convencional, mas sim do afogamento do moderno no passo+movimento+gesto caracteristicamente africanos ficando apenas legíveis alguns elementos, mas já sem a força própria para continuar a merecer o seu reconhecimento original de “moderno”.

As coreografias “PERSPECTIVA”. “KHAPULA MULHER”, “EROS EM XIPADJA”todas da Pérola Jaime, sao um exemplo acabado de como alguns artistas apropriam-se das técnicas ocidentais, e as “nacionalizam” criando verdadeiras obras espectaculares, com marcas genuinamente nossas.

As experiências aqui relatadas, permitem efectivamente criar coreografias ou dança teatral que incorporam temas actuais, como foi o caso de ODE Á PAZ, que para além da mensagem de reconciliação nacional era uma aula sobre a Democracia e os Processos Eleitorais.

O espectáculo ao ser visto por mais de dois milhões de espectadores, o que corresponde a 10 por cento de toda a população de Moçambique, contribuiu para o êxito do processo eleitoral de 1994 que registou uma grande afluência popular para a votação, cerca de 90%, desafiando previsões iniciais de apatia generalizada e ignorando inclusive o boicote do primeiro dia de votação imposto pelo principal candidato da oposição. Ao se registarem grandes enchentes em todos os comícios de campanhas eleitorais, o espectáculo da CNCD provou a sua efectividade e o valor inquestionável da dança, como sendo ainda um dos meios de comunicação e de educação de massas mais importantes nas sociedades africanas, caracterizadas pela diversidade linguistica, carência de meios de comunicação modernos , ect.

Sobre o valor e o papel da dança na sociedade africana e no mundo em geral exercidos ao longo da história, coloca-se esta expressão artística acima das demais e por isso torna-se urgente que, os organismos governamentais e não governamentais, os agentes económicos, a sociedade em geral virem as suas atenções para a preservação, criação e desenvolvimento da dança, injectando meios e recursos às poucas instituições existentes que demonstram o seu empenho no impulsionar desta arte milenar, cujos resultados acabam beneficiando todo o conjunto da sociedade, conforme se demonstrou nas experiências aqui relatadas, e em tantas outras que se seguiram, tais como “ARVORE SAGRADA” um bailado ambientalista , “AMATODOS” um bailado escola de educação cívica sobre a problemática do do HIV/SIDA e muito recentemente “SONHADORES” um bailado sobre os “Objectivos do Desenvolvimento do Milénio.

 

Jorge Ferrão e Amosse Mucavele estarão na 16a edição do Fórum das Letras de Ouro Preto, no Brasil, que decorre durante três dias (5, 6, 7 de Maio), voltada para a discussão dos problemas culturais atravessados no difícil contexto da pandemia.

 

O evento é promovido pela Universidade Federal de Ouro Preto, com o Camões – Centro Cultural Português em Brasília e a Câmara Brasileira do Livro e o Fórum das Letras, que comemora o Dia Mundial da Lingua Portuguesa, com uma programação riquíssima, cuja intenção é de promover o diálogo entre os autores e leitores de literaturas de língua portuguesa.

O Fórum das Letras de Ouro Preto pretende promover a valorização da identidade, da diversidade e da literatura produzida, principalmente, pelos países de língua portuguesa. A acção será realizada por meio da cooperação mútua entre Brasil, Portugal e demais nações da África onde se fala a língua portuguesa, fundamentais para a formação da cultura brasileira.

A participação de Jorge Ferrão foi agendada para 16 horas desta quarta-feira, numa conversa sobre “A pandemia e outros desafios da contemporaneidade para a união entre os países de língua portuguesa”. Já o poeta e curador do Templos de Escrita, Festa Literária Internacional da Lingua Portuguesa, Amosse Mucavele, entra em acção no dia 7 de Maio, pelas 16 horas, no painel sobre “A mutação dos festivais literários na era digital”.

Desde sua primeira edição, em 2005, o Fórum das Letras vem recebendo os mais importantes autores da literatura contemporânea do Brasil e do mundo.

 

 

O festival literário organizado pela Cavalo do Mar e pelo Camões arranca hoje, a partir da Cidade de Maputo. Nesta edição online, o evento homenageia Aldino Muianga.

Ano passado, a COVID-19 complicou tudo, por isso não houve RESILIÊNCIA – Festival de Literatura, organizado pela editora Cavalo do Mar e pelo Camões – Centro Cultural Português em Maputo. Este ano, com efeito, o evento volta aos carris com um novo formato. Durante três dias (5, 6 e 7 deste mês de Maio), as conversas sobre a arte literária e sobre a vida podem ser acompanhadas através das redes sociais.

Como o habitual, o RESILIÊNCIA reúne escritores e autores de Moçambique e de outros países que têm a língua portuguesa como oficial, designadamente, Portugal e Brasil. Nesta edição, ao todo, são 14 vozes que vão romper fronteiras e contribuir para a homenagem a Aldino Muianga.

Segundo a organização, o festival literário tem como base de realização a “nova normalidade”, numa plataforma em que se encontram os escritores e todo o sistema literário, com a impossibilidade de viagens, festivais literários e lançamentos de livros com a presença do público. E porque 5 de Maio é Dia da Língua Portuguesa e das Comunidades, o evento vai “olhar para a língua portuguesa, língua de trabalho e criação do escritor, como oportunidade de fortalecimento de uma comunidade intercontinental, promovendo acções de diálogo e intercâmbio entre autores e circulação de obras literárias”.

Neste dia inaugural, o festival contará com uma conferência de abertura com o autor homenageado, a ser moderada por Lucílio Manjate, escritor e ensaísta, professor de literatura na Universidade Eduardo Mondlane. Ainda neste dia 5, haverá quatro mesas de conversas com outros autores. Por exemplo, “Escrever em português hoje: como, porquê e para quem” com a escritora moçambicana Virgília Ferrão, vencedora do Prémio 10 de Novembro 2019, o escritor português João Pinto Coelho, prémio Leya 2017, e o brasileiro Itamar Vieira Júnior, vencedor de Prémio LeYa de 2018, do Prémio Jabuti de 2020 e do Prémio Oceanos de 2020.

Nesta quinta-feira, serão transmitidas duas mesas, uma às 16 horas de Moçambique, com Nazir Can, professor de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Francisco Noa, ensaísta e professor de Literatura Moçambicana na Universidade Eduardo Mondlane, que falarão da “Recensão crítica à obra de Aldino Muianga”, sob a moderação do jornalista Elton Pila. Às 17h30, será transmitida a terceira mesa com o tema “Ainda há histórias por escrever” com o escritor, jornalista e editor moçambicano Nelson Saúte, autor de obras de poesia, narrativa, crónicas e entrevistas e o escritor português Afonso Cruz, autor de mais de trinta livros, entre romances, novelas, teatro e poesia, sob a moderação da professora Olga Pires.

O festival literário vai encerrar com uma mesa em que o autor convidado especial do RESILIÊNCIA 4, Rogério Manjate, falará do seu processo criativo, às 16 horas.

 

 

O Centro Cultural Português em  Maputo e a rede de leitores do Camões em Moçambique organizaram iniciativas que se irão realizar a propósito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa. As actividades exploram diferentes domínios artísticos e promovem a diversidade e plasticidade da Língua Portuguesa.

 

Desde esta terça-feira até 21 deste mês,  decorre a exposição digital “O abismo aos pés”, realizada em colaboração com a revista Literatas. A mostra reúne rostos e testemunhos de 25 escritores de países de Língua Portuguesa sobre a eminência do fim do mundo. Esta exposição realiza-se no âmbito do projecto editorial conjunto que consiste em entrevistas aos autores participantes: Bruno Gaudêncio, Ronaldo Cagiano, Eltânea André, Sérgio Tavares, Jeferson Tenório, Mia Couto, Lucílio Manjate, Francisco Guita Jr., Celso C. Cossa, Hirondina Joshua, Pedro Pereira Lopes, M.P Bonde, Bento Baloi, Sara Jona, Amosse Mucavele, Japone Arijuane, Mauro Brito, Léo Cote, Mário Forjaz Secca, Valter Hugo Mãe, Patrícia Reis, Samuel F. Pimenta, Ana Mafalda Leite, Valério Romão e Goretti Pina.

Para esta quarta-feira, está agendada a sessão “Olimpíadas da Língua Portuguesa”, prova realizada online, através da aplicação google forms, entre às 09h00 e às 11h00. A prova é composta por um questionário que aborda questões morfológicas, sintáticas, ortográficas e lexicais da língua portuguesa, assim como temas de Cultura Geral. Através da actividade, procura-se promover uma postura reflexiva sobre a língua portuguesa; incentivar o conhecimento de temas de âmbito cultural; desenvolver competências de expressão escrita na língua oficial de Moçambique, assim como o gosto pela sua utilização correcta. A actividade é dirigida a estudantes moçambicanos dos diferentes níveis de ensino e é realizada em parceria com as Universidades Pedagógica de Maputo, Eduardo Mondlane, Save, Licungo e Rovuma.

Ainda esta quarta-feira, avança o Camões CCP, realiza-se o lançamento do Concurso Literário Dia da Língua Portuguesa: “Estórias pandémicas”, iniciativa da Rede Brasil Cultural e da Rede Camões em Moçambique.  O concurso, cujos vencedores serão anunciados no dia 5 de Maio de 2022, tem como objectivo principal estimular a criação de narrativas literárias em língua portuguesa, a partir de textos produzidos por estudantes matriculados em universidades moçambicanas.

Para este Dia Mundial da Língua Portuguesa, está prevista uma homenagem ao escritor Calane da Silva, que faleceu recentemente. A homenagem incluirá a leitura e a dramatização de textos seleccionados da autoria de Calane da Silva e uma exposição/instalação elaborada a partir de textos e fotos do autor.

Igualmente, a programação das actividades inclui apresentação do livro (físico e digital) “Contar histórias com a avó ao colo”, evento online realizado em parceria com a Escola Portuguesa de Moçambique, com representação no feminino dos países da CPLP.

 

Por: Eunice Moreira

 

O amor… tenho ouvido muito falar dessa palavra, mas, até agora, não entendo o verdadeiro sentido, só sei que amo o amor.

O amor, às vezes, nos confundi, mas não deixa de estar lá. Olha para mim, já fui iludida, mas o amor esteve lá. E não falo do amor dele, falo daquilo que sinto cada vez que o olho, quando vejo aquela postura de homem, os cabelos meio ondulados, a barba mal feita, até os espaços entre os seus dentes, vejo com amor.

Eu o amo e estou amando cada borboleta que sinto no estômago, cada sorriso bobo que sai quando o negócio é ele, a vontade que sinto de estar sempre por perto segurando na mão dele, me deitando em seu colo e acariciando-o.

Amo mesmo furiosa, afinal o amor não vai embora só por causa de uma prosa. Mesmo quando não podia, não queria, o amor não deixou de estar lá.

Fui traída, mas continuei amando, não como forma de justificar o erro ou convencer-me a ficar, mas porque o amor esteve lá, mesmo ferida o amor não me deu outra escolha se não continuar a amar-lhe.

Amo não só porque ele merece ser amado, mas porque hoje em dia o amor não passa de um teatro e, nesse mundo de cinema, eu escolhi marcar a diferença, até porque o amor não passa de uma crença.

Quando eu amo, tem que ser de verdade. Sim, amar sem restrições, sem limites, amar enquanto ainda se pode amar, amar enquanto o amor existe.

E quando falo de amar, não me limito apenas ao amor de um homem e uma mulher, falo também do amor que o mundo pode ter, o amor que não chega a ser palpável, nem mensurável, mas de um amor insaciável e inexplicável.

Amo porque o amor é bom, e quando acaba, não me arrependo de ter amado. Não amei apenas a ele, amei a mim também e fui feliz em cada momento, sem excepção. Porque amar, para mim, sempre será a melhor sensação.

A Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo, reabriu, semana passada, com a exposição Debaixo do sol, de Mário Tique. A individual de artes plásticas reúne um conjunto de 17 telas e pode ser visitada até dia 30 deste mês.

 Mário Tique conta que a ideia inicial não era fazer a exposição Debaixo do sol. No entanto, a pandemia chegou a Moçambique e isso lhe exigiu capacidade de adaptação. Reformulou os seus projectos. Pôs-se a pintar incessantemente para uma individual cheia de cor e imagens verosímeis.

Nas 17 telas de pintura de Mário Tique, observam-se imagens de mulheres, homens e crianças a desempenharem actividades diversas. Na percepção do pintor, as telas transmitem um certo quotidiano e esmeram-se em veicular alguma esperança, daí retratarem vidas e emoções.

Em Debaixo do sol, Mário Tique investe na intensidade da cor e no impacto da forma. É no que à composição diz respeito que se percebe o interesse de o autor comunicar com a realidade.

Não obstante, de acordo com a Fundação Fernando Leite Couto, “Mário Tique, propositadamente, quer colocar o sol nas duas dimensões de compreensão, pois tanto o bem quanto o mal acontecem debaixo do sol. É por baixo do sol onde a vida humana se desenrola em ciclos repetitivos: as crises, as guerras, as desigualdades sociais, a fome, as flores, os milagres e outras pequenas alegrias”.

A individual Debaixo do sol marca a reabertura da Galeria da Fundação Fernando Leite Couto, depois do decreto do Conselho de Ministros. Assim, a mostra com curadoria de Yolanda Couto pode ser visitada presencialmente até dia 30 deste mês.

Mário Tique é artista plástico e designer gráfico. Em 1992, ganhou o prémio de pintura do Banco Fomento Exterior, português, num concurso internacional com artistas de mais de 30 países. O prémio, avança a nota da Fundação Fernando Leite Couto, deu-lhe a oportunidade de estagiar na cooperativa Árvore do Porto (Portugal), trocando experiências e novas técnicas com artistas portugueses e latino americanos. Em 1993/94 participou, com Naguib, em exposições de pintura no Porto e em Lisboa (Portugal), tendo tido oportunidade de aprender outras técnicas com Chichorro no seu atelier. Em 1994, recebeu uma bolsa para estudar design gráfico em Paris (França), onde desenvolveu a sua aprendizagem em artes plásticas, conheceu outros artistas de várias partes do mundo e visitou museus conceituados. Ainda em França, participou em exposições de pintura em Paris, Lyon e Marsseille.

Em 2009, Mário assume a realização da sua primeira exposição individual no Camões (Maputo). Este ano, depois de um longo período de interregno, Tique volta a expor as suas obras numa individual.

Na passada sexta-feira, na Cidade de Maputo, foi concretizado acordo de financiamento com vista a realização da curta-metragem de ficção “Nhinguitimo”, Licínio Azevedo.

Na cerimónia, banco BCI rubricou com a produtora Ébano Multimédia o memorando que formaliza o patrocínio que concede para a efectivação do projecto. De igual modo, segundo avança a nota daquela instituição bancária, foram firmados outros protocolos, envolvendo, entre outras instituições, a Vodacom Moçambique, numa cerimónia que contou, ainda, com a presença do académico Jorge Ferrão, na qualidade de produtor; do escritor Luís Bernardo Honwana e do próprio realizador do filme, Licínio Azevedo.

No evento, o administrador do BCI, Rogério Lam, reiterou o compromisso do BCI no apoio à cultura, salientando que é com prazer e orgulho que o Banco patrocina a obra-prima moçambicana de enorme valor estético, informativo e educacional. Lam evidenciou ainda dois pormenores: o facto de a realização desta curta-metragem estar a ocorrer num cenário complexo de COVID-19.

Igualmente no evento, Luís Bernardo Honwana afirmou que é importante que, de vez enquando, iniciativas como a curta-metragem de Licínio Azevedo surjam para ajudar a compreender, inclusive, o actual momento que o país enfrenta. Já o realizador, disse que acredita que a sua curta-metragem poderá servir para estimular a aprendizagem na “escola do cinema” a nível nacional.

As rodagens de “Nhuinguitimo”, filme adaptado de um dos contos de Nós matámos o cão-tinhoso, de Luís Bernardo Honwana, está em redoganes no Distrito de Boane, na Província de Maputo.

Por: José Paulo Pinto Lobo

 

Agora que me apresentei, convém explicar como fui parar à direcção da FAMOL – Fábrica de Automóveis de Moçambique, Lda., a tal linha de montagem de camiões e manufactura de caixas de carga na Machava, vizinha da Socimol e do então Aviários Paula.

Tive a honra de ser nomeado numa reunião geral de trabalhadores, sob a orientação de Marcelino dos Santos e Prakash Ratilal, numa situação inusitada e algo caricata.

Na época trabalhava na Direcção dos Serviços de Indústria, na Praça 7 de Março hoje Praça 25 de Junho, onde ingressei em 1978 a convite de um dos meus professores da Faculdade de Economia, Ventura Leite, integrando a equipa da Célula Técnica da Metalurgia e Metalomecânica e, por inerência da função, acompanhava as fábricas deste sector. Das que me recordo para além da FAMOL, Indústria Costa e Incar, boas amizades fiz com pessoas de outras fábricas, muitas das quais também desaparecidas, como a MAQUINAG, Ciclomotores, Fábrica de Bicicletas, Fábrica de Calços TED, Forjadora, L. Duarte dos Santos.

Tendo sido convocado para a dita reunião, sentei-me ao fundo da sala ao lado do meu primo Jorge Eurico, com o intuito de passar o mais despercebido possível, até porque não estava trajado à altura das circunstâncias. Apenas umas calças jeans Wrangler e camisa de capulana aos quadrados, ao menos de manga comprida, típico da irreverência de quem tinha acabado de completar 21 anos, como diria um outro primo meu, o Carlos Eduardo.

Decorria a reunião, com a apresentação das queixas dos trabalhadores contra a Comissão Administrativa que na altura dirigia a fábrica, secundada por um rol de acusações por parte das estruturas presentes, que concluíram com a demissão imediata e prisão dos três membros da referida Comissão.

Eis se não quando, Marcelino levanta-se faz uma prelecção inicial sobre a justeza da luta dos operários e da necessidade de defesa da indústria nacional, proclamando que iria nomear um quadro da confiança do Partido e com a adequada capacidade técnica. Em surdina e galhofando, auscultei o meu primo Jorgico sobre quem seria o tão competente desgraçado que iria assumir a direcção daquela empresa, sob a lupa de tão aguerrida e reivindicativa classe operária e que também se arriscaria a ir bater com os costados na prisão.

– José Paulo da Fonseca Pinto Lobo, é o novo director da FAMOL, apresente-se e chegue-se aqui à frente, junto da mesa.

Ainda olhei em redor e perscrutei a assembleia presente, esperançado na existência de um sósia ou um homónimo, já que nem sequer era membro do Partido, mas nada a fazer, era eu mesmo, o próprio, o tal desgraçado, nomeado sem sequer ter sido previamente consultado ou pelo menos informado dessa intenção. Ao menos a fama de competente já tinha. O pior seria ter de comprovar o merecimento de tal epíteto.

Levantei-me que nem um condenado às galés e lá fui palmilhando o corredor entre as cadeiras, sob o olhar reprovador de alguns dos camaradas presentes, certamente porque nem uma balalaicazinha tinha sido capaz de vestir.

Melhor ainda só a minha nomeação para director das Carroçarias Indústrias Costa, Lda. e Incar; Sociedade Construtora de Serralharia e Mecânica, Lda. Uns meses após esta reunião na FAMOL, fui chamado ao Ministério da Indústria pelo camarada Secretário-Geral. Este entregou-me um Boletim da República onde constava a minha nomeação para director das duas empresas e desejou-me boa sorte no desempenho da tarefa.

Assim, aos 21 anos vi-me repentinamente director de três empresas.

Jimmy Dludlu vai lançar o seu mais recente trabalho discográfico este mês. History in the flame é um álbum constituído por 20 músicas e terá a chancela da Universal Records da África do Sul.

Com 13 anos de idade, Jimmy Dludlu frequentava a Escola Estrela Vermelha, na Cidade de Maputo. Nos finais dos anos 70/ início de 80, num ápice, Stewart Sukuma descobriu o talento do guitarrista e, aí, iniciou uma relação musical que, mais tarde, resultou na participação de Jimmy Dludlu na gravação de oito músicas do álbum Afrikiti, do seu mentor. Teve de acontecer, contra as expectativas de produtores sul-africanos. “Na África do Sul, não conhecendo Jimmy, quando gravávamos para Afrikiti, os produtores disseram que havia grandes guitarristas em Joanesburgo e questionaram-me por que queria gastar dinheiro ao chamar um guitarrista em Cape Town. Eles disseram assim: ‘queres gastar dinheiro por causa de uma guitarra? Eu respondi que sim, por causa de uma guitarra especial”. Os mesmos produtores que confrontaram Stewart Sukuma, com efeito, passaram a ter Jimmy Dludlu como guitarrista de eleição.

O autor de Tonota, Echoes from the past ou Afrocentric não se esquece do peso que o seu mentor teve na sua carreira. “Foi Stewart que me chama de Cape Town para fazer gravação do Afrikiti, com Hugh Masekela. Foi aí que eu aprendi o afro/jazz”. Jimmy aprendeu e, ao longo da viagem pelo ritmo que escolheu, nunca cessou. Lá vão nove discos. O 10º, History in the flame, será lançado este mês. Primeiro, na África do Sul, e, depois, em Moçambique.

Constituído por 20 músicas, no novo álbum, pela primeira vez, Jimmy Dludlu faz uma fusão dos ritmos mapiano e jazz. Com efeito, mais do que música, o disco é uma homenagem a Bob Marley, Aretha Franklin, James Brown, Hugh Masekela e Miriam Makeba, artistas que marcaram, profundamente, a carreira de Jimmy. Do mesmo modo, o guitarrista homenageia Eugénio Mucavele, com uma música sobre o metical, recriação feita ao original daquele astro da música ligeira moçambicana. A música que diz “metical não tem azar está disponível nas redes sociais desde esta sexta-feira, em jeito de contributo para as celebrações do Dia Internacional do Jazz.

“Quero dar parabéns ao Jimmy pela carreira fulgurante. Em termos musicais, é dos que atingiu níveis impensáveis. É uma boa referência para os músicos novos e engana-se quem pensa que ele apenas toca jazz, ele toca tudo e escolheu o jazz como forma de estar e de viver a música”, afirmou Stewart Sukuma, numa sessão em que, na companhia de Ótis, os três músicos lembraram velhos e bons tempos.

Com colaborações de Moreira Chonguiça, Rodhália Silvestre e Camilo Lombard, fazem parte do 10º disco de Jimmy Dludlu músicas como “Get up stand up”, “Vamu Txadile”, “Fruitf spirit”, “Human trafficking”, “Gove”, “Mediterrean crossing”, “Levanta poeira”.

History in the flame sai sob a chancela da Universal Records da África do Sul.

+ LIDAS

Siga nos

Visualizações: 1.707