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A instabilidade no Estreito de Ormuz mantém-se, depois de uma embarcação ter sido atingida durante a madrugada desta terça-feira, por um projéctil de origem desconhecida.

O incidente ocorre num momento em que Washington insiste que decorrem negociações com o Irão para reabrir uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, enquanto Teerão rejeita qualquer diálogo directo com os Estados Unidos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu ontem que as conversações com o Irão estão em curso e poderão conduzir à reabertura do Estreito de Ormuz esta terça-feira.

A resposta iraniana foi imediata. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou que existam negociações directas com os Estados Unidos, esclarecendo que os contactos decorrem exclusivamente com Omã, país que procura mediar um entendimento destinado a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

O estreito permanece, contudo, fortemente condicionado desde o início de Julho, quando fracassou o processo de desanuviamento entre Washington e Teerão e o Irão voltou a restringir a circulação marítima.

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Por volta de 1995 tinha eu já a idade de homem, embora fosse o mais novo de casa e fosse vivo nessa altura o meu pai. As aldeias que nos circundavam, as quais entrávamos como suspeitos de algum crime e saíamos como se voltássemos de uma festa, tinham um aspecto à primeira vista silencioso, porém de pândega para quem olhasse com olhos de ver; mesmo que nos rostos de quem os habitasse vivesse pendurada uma lágrima. Destas lágrimas preguiçosas para cair. Anos mais tarde – era eu uma espécie de rato de biblioteca – vim a saber que aquele bairro que nos circundava – e que se encolhia ao nascente e se reanimava ao sol poente – era, afinal, um campo de refugiados. A guerra já havia terminado, é verdade. A paz nem tanto. Cada um daqueles habitantes que vinham à distância de dias e noites intermináveis tinha algures um morto por enterrar e, quem sabe, um pecado inconfessável.

As manhãs começavam com música na casa do meu pai. A menininha trazia água numa bacia metálica e pousava-a sobre a mesa. Quem me dera se eu lembrasse o seu rosto. A garotinha de idade pouco maior que a minha, mas demasiadamente inferior à do meu irmão mais velho, mesmo que só dois anos nos separassem, era solícita e vívida. Sob suas mãos, o chá escorria quente e fumegante para dentro da chávena que retinha o olhar do meu pai. A menina havia entrado pela porta de casa agarrada pelo ombro de minha mãe, que a havia encontrado algures vagamundando.

Eu podia esquecer de tudo, menos o cheiro de um pão. O cheiro da menininha esqueci, como esqueci o cheiro da casa, a cor daquele mar particular que eu via da janela, a areia que se deixava antever de longe e as palavras que pronunciavam os bêbados nos seus circos nocturnos, esquecidos da sede da matança e da fruição do medo. Sucedeu, porém, que por razões que até hoje ignoro, e que eram ainda mais confusas ou banais na altura, a meninha punha-se sempre a chorar quando fosse pontualmente dezassete horas. Daí a trinta minutos chegaria o meu pai, mão tomada por um cigarro e outra ocupada por um novelo que escondia um cesto de peixe, reclamando da severidade das ondas e da palidez que o legava a água do mar. Nunca me acostumo a essa vida – dizia. Mas no minuto seguinte era eu quem fungava e jurava aos deuses não ser capaz de tocar um fio que fosse da menininha. Não importa, o jantar estava servido. A minha mãe voltava do mercado puxando pelo braço do meu irmão. Havia sempre mais um jantar sobrando para mim.

Como eu frequentasse as aulas no período da manhã, passava toda a tarde em casa com a menina, brincando de ajudar nas tarefas domésticas. Antes de descascarmos a batata doce ou pôr de molho as folhas da aboboreira, fazíamos viagens em batéis de lata de atum, nadávamos no mar raso das folhas das mangueiras e baloiçávamos na imaginação de um dia poder vir a ter baloiços. No entanto, mal o começasse o sol a por-se e, meticulosamente calculado, a menina desatava ao choro, apontando-me com o seu indicador todas as culpas. A princípio não percebi nada, como na verdade nunca cheguei a perceber. Por dias longos, chegava o meu pai as dezassete e trinta, a mão tomada pelo cigarro e na outra o chinelo cantava.

Em “Talpa” de Juan Rulfo extraído de “El Llano en llamas”, a Virgem do Santuário de Talpa é um símbolo religioso destinado a curar os enfermos e outros problemas. Natália aventurar-se-á para aqui, guiada por um peregrino, para cumprir uma promessa. Tanilo está doente e é a ele que interessa salvar. Entretanto, é enterrado ali, com a sepultura cavada à mão, sem que ninguém ajudasse. A viagem é em suma um pesadelo, contudo Natália não derrama uma única lágrima. Talvez não a afligisse o luto, mas chegados a Zenzotla, percorridos dias e léguas de viagem, ao ver a mãe Natália despontou a chorar como se precisasse de algum consolo.

Não me cabe a mim – hoje – reflectir acerca do infortúnio de Natália ou sobre a narrativa de Juan Rulfo. Nossa terra ainda carregava a cor de chumbo. A menininha podia ser tão vítima quanto vilã, como mais tarde descobrimos em Talpa. O que sei, porém, é que um dia a minha mãe regressou mais cedo e pôs-se em tocaia algures próximo de casa. Claro, que desconfiava que alguma coisa não ia bem. Não tardou que as aves se pusesse em direccão ao sol poente e a menina ligasse a corda do seu choro, eram precisamente cinco da tarde. O choro durara os exactos trinta minutos até que no ar flutuasse o fumo de tabaco do meu pai. A minha mãe no camarote assistia àquele ensaiado ballet de lágrimas. Quando o chinelo ia começar outra vez a cantar…

Os meus pais estavam envergonhados, acreditaram por longos dias que eu tivesse violentado a menina, que fora o infantil carrasco, quando eram lágrimas de invenção. Se calhar ela não se sentisse confortável separada da sua família ou tivesse, quem sabe, motivos piores. Ninguém conhece a verdadeira dimensão da dor. A precisão com que a garota domesticava o choro, a sua duração matemática, a arte de compadecer o outro. Isso me fez acreditar que não há nada tão efémero como a felicidade, porque por mais que pudéssemos inventá-la nunca nos sairia tão perfeita e duradoira como a tristeza daquela pequena actriz da vida. Os refugiados de guerra retornaram cada um à sua maneira e nunca cheguei a vê-los chorar.

Visando o reforço do sistema de aviso prévio e adaptação às mudanças climáticas, Moçambique e Noruega assinaram, esta quarta-feira, uma parceria, cujo foco será a troca de conhecimentos para uma acção antecipada.

Face à ocorrência cíclica de eventos climáticos extremos, Moçambique busca melhorar a sua capacidade de previsão meteorológica com vista à tomada de decisões mais acertadas e mitigação de riscos.

Para o efeito, foi assinado, esta quarta-feira, em Maputo, um acordo de transferência de conhecimento entre o Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique (INAM) e o Instituto de Meteorologia da Noruega (MET Noroway) .

“O nosso principal objectivo é melhorar os dados meteorológicos e o conhecimento sobre o clima para melhor orientar o processo de tomada de decisão e a resposta a nível provincial, distrital e nacional. No final do dia, os serviços meteorológicos podem salvar vidas e assegurar a nossa sobrevivência”, disse Haakon Gram-Johannesen, embaixador da Noruega.

O embaixador abordou as similaridades entre Moçambique e Noruega, a destacar a vasta costa oceânica que caracteriza os dois países, pelo que pensa que a experiência norueguesa sobre a análise de ondas oceânicas é um valor adicional, isto para além das habilidade na análise climática.
Gram-Johannesen foi mais longe ao dizer que “não se pode pensar em relevância no sector da agricultura, pesca e águas sem o INAM. Este aspecto torna a nossa relação relevante, mas por outro lado traz uma responsabilidade acrescida, no sentido de assegurarmos que os resultados sejam tomados em tempo hábil”.

O embaixador apelou para que haja comprometimento de ambas partes.

Do lado de Moçambique, o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, falou do apoio da Noruega como relevante para o reforço da resiliência do país.

“Com esta parceria que irá envolver o estabelecimento de melhores práticas, discussões colegiais e treinamento no uso de ferramentas compartilhadas, disseminação dos resultados, partilha de ferramentas para gerir e avaliar a qualidade de dados meteorológicos, é nossa expectativa que, até 2030, o INAM consiga Melhorar a prestação de serviços meteorológicos e climáticos, para informar os decisores a nível nacional, provincial e local, em Moçambique e na Região”, disse Magala.

O governante abordou a necessidade de implementação de acções adequadas por parte dos sectores-chave para evitar os efeitos nefastos das mudanças climáticas.

“Neste contexto, precisamos de conjugar todos os esforços para a implementação de acções adequadas para assegurar a redução e gestão dos riscos e fortalecer a resiliência climática, bem como apoiar o desenvolvimento sustentável”, explicou.

A parceria é formalizada numa altura em que acaba de se iniciar mais uma época chuvosa, que nos últimos tempos tem sido caracterizada pela ocorrência cíclica de eventos extremos do tempo, cujo impacto devastador muito nos preocupa, uma vez que,  continuamos a assistir a perdas de vidas humanas, deslocação de pessoas, destruição de infra-estruturas, fomentando a insegurança alimentar e outras vulnerabilidades, criando impactos expressivamente negativos, em vários sectores-chave da economia e desenvolvimento do país.

Com este passo, o governante entende que Moçambique concorre para um dos objectivos da ONU no que se refere à nova iniciativa de “fornecer a todos os cidadãos do planeta, nos próximos cinco anos, um sistema integrado de aviso prévio para uma acção antecipada”.

As partes não se referiram a qualquer custo no acordo rubricado por Adérito Aramuge, director-geral do Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique e Rasmus Benestad, representante do Instituto de Meteorologia da Noruega.

Refira-se que para a presente época chuvosa ainda não foi aprovado o plano de contingência. A comissão técnico-científica, reunida, esta segunda-feira, na quarta sessão ordinária para debater, entre os vários assuntos, o impacto dos desastres naturais da época chuvosa já em curso no país e a questão do aviso prévio, avançou que a elaboração do plano de contingência está na fase final.

A instituição acrescentou que “não era possível produzir o documento antes do início do período”, pelo que se espera que, dentro de dias, o plano seja aprovado.

Nesta época, chuvas torrenciais já mataram pelo menos oito pessoas e destruíram mais de 60 casas no distrito de Gurúè. A secretária de Estado na Zambézia, Cristina Mafumo, que reagia à situação ocorrida há duas semanas, disse que se sabia que haveria “este período de chuva, mas não na magnitude com que está a acontecer e muito menos com os estragos que a mesma está a causar”.

O empresário e antigo presidente do Textáfrica de Chimoio, Quinito Jr., é candidato assumido na corrida à presidência da Liga Moçambicana de Futebol (LMF). O jovem dirigente tem, na sua carteira de promessas, um Moçambola com 14 equipas e um prémio de cinco milhões de Meticais para o vencedor da prova.

Com o segundo mandato de Ananias Couana no fim, procura-se pelo seu sucessor na Liga Moçambicana de Futebol. Há novos actores na órbita.
Quinito Jr. tomou a dianteira na corrida ao escrutínio que vai eleger o novo homem forte do organismo responsável pela organização do Moçambola.

O jovem empresário já começou a vender as suas ideias. Uma das linhas de força do seu manifesto tem a ver com a necessidade de se retornar ao modelo de um Moçambola com 14 equipas, contrariamente ao que foi usado na recém-terminada temporada, em que a maior prova futebolística nacional foi disputada por 12 clubes.

É que, na opinião de Quinito Jr., isso poderá conferir maior competitividade à prova, tendo em conta que as equipas terão mais jogos. Quinito Jr. pretende, ainda, caso seja eleito presidente da LMF, reactivar a Taça da Liga, prova que só teve uma edição, precisamente no consulado de Alberto Simango Jr.

Essa prova, segundo Jr., reveste-se de capital importância para o futebol moçambicano, na medida em que, mais do que conferir mais traquejo aos jogadores, poderá dar outra dimensão ao desporto moçambicano, mormente na região, em que muitos países não têm apenas uma competição.
Mais do que isso, assegura Quinito, a selecção nacional vai ter maiores benefícios, pois os jogadores a serem convocados, no caso os que actuam internamente, vão ter muitos jogos nos pés e, acima de tudo, muita maturidade competitiva.

Consta, ainda, no seu rol de promessas a necessidade de se incrementar o valor do prémio do vencedor da prova, dos actuais 600 mil Meticais para cinco milhões de Meticais. Com um prémio aliciante, na óptica do candidato, o Moçambola poderá ser uma prova atractiva e o nível de competitividade vai ser interessante.

Além de Quinito Jr., o actual secretário-geral da Liga Moçambicana de Futebol, Augusto Pombuane, é apontado como um dos candidatos na corrida à presidência deste organismo.

Conhecedor da casa, uma vez que já assumiu várias funções no organismo desde o mandato de Alberto Simango Jr., Pombuane representa a continuidade.

Augusto Pombuane tem sido um dos rostos mais visíveis do actual elenco da LMF liderado por Ananias Couana, que já não se pode candidatar por força dos estatutos que permitem dois mandatos consecutivos.

A assembleia-geral da Liga Moçambicana de Futebol que vai culminar com a eleição de novos corpos gerentes está marcada para Dezembro próximo, faltando apenas a confirmação da data.

O membro da Frelimo e antigo combatente de luta de libertação nacional, Eduardo Nihia, admite que o partido está em crise, visto que não se tem realizado reuniões nos vários órgãos partidários. Nihia alinha na ideia de que deve haver uma reunião nacional na Frelimo e diz ainda que há, de facto, pessoas que entraram no partido por vias não pré-definidas.

Entrevistado na manhã desta quarta-feira, na Assembleia da República, Eduardo Nihia defendeu que a razão de membros seniores escrevem e publicarem cartas justifica-se pela falta de reuniões partidárias. Segundo disse, sempre foi hábito, no partido Frelimo, o debate de ideias que, posteriormente, eram levadas ao Comité Central. “Hoje não há [reuniões]… Não sei explicar porquê”. E disse mais: “Penso que é por isso que as pessoas falam noutras redes”.

Para Eduardo Nihia, a crise que existe no partido Frelimo deve-se, portanto, à falta de reuniões que antes eram habituais. Também por isso, Nihia concorda que deve haver uma reunião nacional de quadros e com membros da ACLLN, para as pessoas poderem expressar os seus pontos de vista.

À pergunta há infiltrados na Frelimo?, Eduardo Nihia respondeu nos seguintes termos: “A questão é que há pessoas que entraram [na Frelimo] não por vias próprias”.

Duas mulheres foram assassinadas num intervalo de uma semana, no Município da Matola. Os autores do crime ainda não foram identificados. No entanto, a Polícia diz estar a trabalhar para esclarecer os casos.

Crime violento está a tomar conta do bairro Siduava, na Matola. Uma jovem que tinha 31 anos de idade, foi assassinada no fim do mês passado, quando voltava do trabalho. No meio da noite, cruzou-se com supostos malfeitores, que a impediram de seguir a casa. O sorriso e os sonhos da jovem apagaram-se. Deixou dois filhos.O mais velho com seis anos de idade e a mais nova com apenas 4 meses de vida. O marido está inconsolável.

Os supostos malfeitores ainda ligaram para o marido a exigir dez mil meticais, de modo a restituirem a liberdade da esposa . O marido enviou, por via de moeda electrónica, 4500 mt e o remanescente entregaria fisicamente conforme o combinado.

O apoio familiar tem sido imprescindível para Gabriel Adriano, que ficou sem a sua esposa com quem vivia há mais de dez anos.
A polícia diz ter tomado conhecimento dos dois casos de assinato, mas ainda não têm pistas dos autores.

A falta de transporte, ruas sem iluminação pública aliado a falta de patrulhamento da polícia são apontados como elementos catalisadores do crime violento no bairro Siiduava.

Próxima terça-feira, às 18h00, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo vai inaugurar a exposição colectiva “Obra dádiva”, organizada pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) por ocasião do oitavo Encontro Internacional sobre Educação Artística, que se realiza na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA-UEM), de 15 a 17 de Novembro (8º Encontro Internacional sobre Educação Artística.

O encontro envolve docentes e investigadores da CPLP, particularmente de Moçambique — da ECA-UEM, da Universidade Pedagógica (UP), do Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC), e da Escola Nacional de Artes Visuais (ENAV).

A exposição “Obra dádiva” é comissariada por Paulo Luís Almeida, artista plástico e Professor Associado da FBAUP e director da sua Unidade de Investigação. A exposição apresenta cerca de 50 trabalhos originais, todos eles produzidos em papel. São autores professores da FBAUP e estudantes de pós-graduação da FBAUP e um pequeno grupo de autores de Moçambique, que, com o ‘movimento intercultural Identidades’, se têm cruzado.

Reconhecidos como Identidades, movimento intercultural, grupo de professores, artistas ligados à Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), estabeleceram, a partir de 1996, em Moçambique, laços de partilha artística e cultural.

Por: Huwana Rubi

Gonçalves Patrício para os afáveis ( Djogorro) é um nome sonante no panorama literário Moçambicano vem se consolidando através do seu legado e densidade que os seus escritos emanam. De fala mansa, disciplinado talvez pela sua profissão de coronel e também poder-se-á dizer um “zambeziano de gema” demostra no seu livro “As conversas de Nhamacata” um nicho de contos com alguns guinchos tais como memorias vagas da terra que lhe passou o “feitiço” das historias que vivenciou e de personagens disparas. O curioso do nome Nhamacata é que na província de Sofala pejorativamente reconhecida na tradução portuguesa como “homens-catanas” malfeitores que jazeram por aquelas jeremiadas. Entretanto o presente titulo do livro tem origem sobre a localidade de Nhamacata, um dos embriões da província da Zambézia.

O nicho
Trata-se de um livro que cotem vinte e dois riquíssimos contos, os retratos que carregam “historias” tais como, A chegada, João não treme, O cão de Nhamacata, Estou a vir, Ladrão de sutiã, Pegadas vagabundas.
O autor também nos remete a outros aguçares como o mistério das cores, estórias que remetem ao leitor o mais íntimo sentimento, claro com o mérito da naturalidade discretiva do autor. Os textos como, Assim há-ser, Zefa, Jamy, A chuva de setembro, são alguns dos contos que carregam consigo a lareira acesa que o autor descreve quase que em forma de provocação.
Outros temas tais como Ave Maria, Covid-19, A mesa da revolução, A ultima rede de tempo, suscitam temas contemporâneos, temas que nos chamam a uma reflexão, atiçando ao leitor um momento “Deja vu”, em que o por do sol é inesperado mas também pode ser atemporal.

“O caminho das nuvens”
Um conto que transborda poesia numa situação caótica em que uma personagem vivera.
Djogorro com a sua caneta faz uma pincelada, com seguimento das diretrizes do maior escultor Michelangelo, onde a escultura é ciência e técnica ela é crua e bela, eloquente, como a melodia e finura da quinta sinfonia do Beethoven e nota se nestas notas:

“Ao atingir o cume da montanha, essa única nuvem desceu quase a sua altura. Podia toca-la. Era de um vapor frio que se movia preguiçosa. Esta envolveu o seu corpo como se quisesse reconhece la e num enlace carinhoso guiou-na pela estrada que terminava no desfiladeiro. Estava tensa. São poucos os que haviam apalpado uma nuvem igual a ela. Se fosse os que haviam apalpado uma nuvem igual a ela. Se fosse a contar as pessoas veriam nela alguma demência. As nuvens não convivem com os homens há sempre uma distância que os separa. Quado muito são apeladas durante a estiagens, nos versos românticos dos namorados ou na dúvida de um insano (…)
Por isso, deixou se transportar, qual pena quieta nas gotículas das nuvens”.

Djogorro na sua maestria do livro remete nos a outros grandes nomes como o Alan Poe, no seu manuscrito “o corvo” e com a mesma intensidade de um expressionista abstrato como o Jackson Polloch, evidencia o belo que sai de um perfecionalíssimo exacerbado em que o talento e a técnica confundem se com a majestade da obra.

 

 

O Governo decidiu alocar brigadas do Conselho de Ministros para províncias com eclosão da cólera a partir da próxima sexta-feira. A informação foi partilhada, ontem, pelo Executivo, que revelou ainda a celebração de um acordo bilateral com Zimbabwe para cooperar na gestão dos recursos hídricos.

Arnosso Cuco
O País

Em mais uma sessão do Conselho de Ministros, realizada esta terça-feira, na capital do país, o Executivo disse que vai enviar brigadas para as províncias com eclosão de cólera como é o caso da Zambézia, Tete, Nampula e Cabo Delgado.

“Por causa da necessidade de uma abordagem mais expressiva e mais abrangente sobre a questão do lançamento da época agrária, foram despachadas brigadas do Conselho de Ministros, que poderão fazer a partir de sexta-feira desta semana”, avançou Filimão Suazi, porta-voz do Conselho de Ministros.

Nesta terça-feira, o Governo aprovou uma resolução segundo a qual Moçambique chegou a um acordo com Zimbabwe para a gestão de suas bacias hidrográficas.
“Foi aprovada a resolução que ratifica o Acordo Bilateral entre a República de Moçambique e a República do Zimbabwe, sobre o estabelecimento da Comissão das Bacias Hidrográficas do Búzi, Púnguè e Save, celebrado em Harare, Zimbabwe, no dia 17 de Maio de 2023.”

A resolução que ratifica o Acordo Bilateral entre a República de Moçambique e a República do Zimbabwe, sobre o Acolhimento do Secretariado da Comissão das Bacias Hidrográficas do Búzi, Púnguè e Save, foi celebrado em Harare, Zimbabwe, no dia 17 de Maio de 2023”, avançou.

O Conselho de Ministros aprovou, ainda, o regulamento de equivalências e homologação dos graus e títulos académicos adquiridos no exterior e no país.

De acordo com o Executivo, o decreto visa ajustar as competências de Equivalências e Homologações de Habilitações de todos os tipos e níveis de ensino obtidos no país; sanar as lacunas existentes no que concerne aos requisitos para as equivalências e homologações; aglutinar, num único instrumento normativo, os conteúdos sobre a matéria, dispersos em vários instrumentos normativos, por forma a permitir que a tramitação de um expediente do pedido de equivalência ou homologação seja mais célere e exequível, quer para o sector administrativo do Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalências (INECE), quer para os cidadãos, instituições, entidades e os demais interessados que pretendam fazer valer os seus direitos previstos no Regulamento.

O Município de Chimoio é acusado, pelo Grupo de Educação Social de Manica (Gesom), de pretender destruir uma rádio comunitária, que se localiza no recinto da exposição Feira de Chimoio, para, no mesmo espaço, segundo o coordenador geral da Gesom, construir-se um empreendimento económico.

Sérgio Silva, em conferência de imprensa por si convocada na manhã desta terça-feira, revelou que parte das obras a serem erguidas pelo empresário que ganhou o concurso de requalificação da Exposição Feira de Chimoio irá levar a destruição da estrutura onde está implantada a antena da Rádio e o Centro Multimídia, principal fonte de geração de renda da emissora.

“A Gesom quer uma carta escrita pelo edil a dizer que não vai tirar-nos daqui. Depois disso, iremos ficar calmos, antes disso, nem pouco”, disse Sérgio Silva.

João Ferreira diz que tal não constitui verdade, até porque o Município que dirige sempre apoiou a Rádio Gesom, que sequer paga renda nas instalações pertencentes à edilidade, onde funciona desde 2009.

“Nós não queremos fazer isso (a destruição), só tem um pequeno compartimento que tem que sair para outro sítio e já criamos as condições para isso”, explicou Ferreira

O diferendo entre o Conselho Municipal de Chimoio e a Rádio Gesom já está em sede da Procuradoria da Cidade de Chimoio, onde as duas partes serão ouvidas esta quarta-feira.

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