Há postos de venda de combustíveis, na cidade e província de Maputo, com falta de stock, sobretudo da gasolina. O facto provocou longas filas nas poucas bombas que tinham disponibilidade.
Maputo e Matola voltaram a ser assombrados pela falta de combustíveis, sobretudo da gasolina, depois de quase dois meses de aparente acalmia.
Na ronda que o “O País” fez, nos principais postos de abastecimento, constatou que a escassez começou timidamente no final do mês de Julho e foi ganhando intensidade no fim de semana último.
“Já passei por quase quatro bombas. Desde onde estamos a ter esse problema? Eu pensei que fosse uma coisa normal, porque normalmente nas segundas-feiras tem problema de gasolina. Só que já está para prolongar hoje, é terça-feira e ainda estamos com problema.
Quase toda a cidade não há gasolina. E se encontrares umas bombas com gasolina, tens que formar longas filas”, contou Nelson Figueiredo, interceptado a saída da quinta bomba, sem conseguir abastecer.
Nalguns postos, até há stock, mas este é apenas para clientes com contratos. Quem não tem contrato entrava e saía do mesmo jeito.
Nas poucas bombas com stock de combustível suficiente e sem restrições, o cenário que se registou foi de longas filas e congestionamento interminável.
Ibrahimo, outro automobilista entrevistado, revelou ter combustível suficiente para mais dois dias, sem muitos movimentos, findo qual, será obrigado a arrumar a viatura, caso não consiga abastecer a viatura.
As filas longas foram a única opção para quem tinha o piloto quase aceso.
“Desde Boane até a Matola não tinha nada. Por isso vim aqui. Tive que deixar o carro porque não tinha como andar. Assim, estou nesta fila há bastante tempo. Vamos ver se aqui consigo. Estava muito cheio quando cheguei”, desabafou Dário Moisés, visivelmente agastado com a situação.
Nas filas, formadas nos postos citos na Avenida Vladimir Lenine, Karl Marx e Praça da OMM, na cidade de Maputo, os automobilistas tinham algo em comum: o facto de já terem visitado vários postos de venda de combustíveis, todos cheios ou sem combustíveis.
Nalguns casos, os motores foram abaixo e empurrar era a solução. Mas, Bobotchuana, outro automobilista, não teve a mesma chance de arrastar a sua viatura até a bomba.
“Eu estava a caminho de casa, nem sabia que em Tchumene não havia gasolina. Então tive que sair de Tchumene para vir abastecer aqui. Dizem que há pequenas dificuldades, por causa do fornecedor, e mais tarde terão. Assim, felizmente emprestaram-me esse bidon aqui (galão de alumínio, próprio para transporte de combustíveis), como não aceitam bidão plástico, então acabei por comprar, vou pegar o “chapa” e vou recuperar o carro abandonado”, explicou Bobotchuana Alberto.
Mas houve quem desdramatiza a situação e deixa um alerta.
“Basta vermos nas redes sociais, uma situação qualquer, precipitamos em demasia. Alguns faltaram nos locais de trabalho por causa do combustível, mas há muito combustível por aí. Na minha zona residencial, como a cultura é de abastecer combustível de 500 meticais, tem a fartura, mas na cidade todo mundo está a correr para abastecer, sem necessidade nenhuma”, disse Juca Sadraque.
Diante do cenário de falta de gasolina em muitos postos de venda de combustível, muitos são os automobilistas que temem reviver a crise assistida entre Abril e Maio último. Enquanto isso aguardamos esclarecimentos do Governo sobre esta aparente crise.