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A instabilidade no Estreito de Ormuz mantém-se, depois de uma embarcação ter sido atingida durante a madrugada desta terça-feira, por um projéctil de origem desconhecida.

O incidente ocorre num momento em que Washington insiste que decorrem negociações com o Irão para reabrir uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, enquanto Teerão rejeita qualquer diálogo directo com os Estados Unidos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu ontem que as conversações com o Irão estão em curso e poderão conduzir à reabertura do Estreito de Ormuz esta terça-feira.

A resposta iraniana foi imediata. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou que existam negociações directas com os Estados Unidos, esclarecendo que os contactos decorrem exclusivamente com Omã, país que procura mediar um entendimento destinado a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

O estreito permanece, contudo, fortemente condicionado desde o início de Julho, quando fracassou o processo de desanuviamento entre Washington e Teerão e o Irão voltou a restringir a circulação marítima.

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A nova direcção da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo, ABCM, será conhecida no dia 5 de Dezembro, quando se realizar a assembleia-geral desta agremiação, cujo ponto principal de agenda é a eleição de novos órgãos sociais.

Estas eleições serão o culminar de seis meses de liderança interina por parte da Comissão de Gestão da ABCM, indicada em Abril passado depois da destituíção pelos clubes da capital do país do elenco que deu continuidade ao mandato de Rui Hélder Guilaze, antigo presidente que perdeu a vida em Maio de 2021.

Para já, não há indicação oficial de figuras que poderão concorrer ao cargo de presidente da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo, agremiação que mais clubes e atletas movimenta em Moçambique.

O que é certo é que a Comissão de Gestão da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo, dando continuidade aos seus antecessores, conseguiu dinamizar a modalidade na capital, organizando regularmente provas.

O primeiro passo foi em Maio, quando promoveu “Doze horas de basquetebol”, uma maratona de jogos em todos os escalões. Depois, levou a cabo com sucesso o Torneio de Abertura, competição muito bem disputada.

A Taça Maputo Jogabets 100 Paus foi das provas melhor organizadas pela Comissão de Gestão da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo, destacando-se o facto dos vencedores, em ambos, terem recebido o valor monetário de 70 mil Meticais. Ao segundo classificado, coube a quantia de 30 mil Meticais. A organização reservou ainda prémios individuais ao MVP (Most Valuable Player – Melhor Jogador), Melhor Ressaltador, Melhor Defesa, Melhor Triplista e Melhor Treinador, sendo que, para cada categoria, está destinado o valor de 10 mil Meticais.

O Campeonato da Cidade teve mais jogos, pese embora o facto de ter terminado sem a disputa dos “play-offs” das meias-finais e finais em seniores masculinos e femininos.

O jogo 1 dos “play-offs” da final entre o Costa do Sol e Ferroviário de Maputo está agendado para domingo, às 18h00, no pavilhão do Maxaquene. Já na terça-feira, no mesmo recinto, os dois conjuntos batem-se às 17h30.

Costa do Sol e Ferroviário de Maputo reeditam, a partir de domingo, a final da Liga Feminina de Basquetebol Sasol. Trata-se de um jogo entre as duas melhores equipas do panorama do basquetebol feminino, tanto mais que contribuem com o maior número de atletas para a selecção nacional.

Depois de terem feito o 2-0 nos “play-offs” das meias-finais – a melhor de três jogos – diante da A Politécnica e Lázio, respectivamente, Costa do Sol e o Ferroviário de Maputo procuram fechar em grande a temporada, conquistando, desta forma, o mais ambicionado troféu.

Esta temporada, os dois conjuntos travaram despiques interessantes, dividindo, diga-se, os louros entre si. O Ferroviário de Maputo derrotou o Costa do Sol na final da Taça Maputo Jogabets 100 Paus, tendo, depois, vencido o mesmo conjunto por 21 pontos no Campeonato da Cidade.

Mas, no Torneio de Abertura, o Costa do Sol levou a melhor sobre o seu adversário, bem como na segunda volta do Campeonato da Cidade.
Ano passado, o Costa do Sol conquistou o título depois de vencer o Ferroviário de Maputo, por 2-0 no “play-off” da final, a melhor de três jogos, com vitórias por  62-51 e  52-63.

A  Sasol patrocina o campeonato através de um memorando de entendimento assinado com a Liga Moçambicana de Basquetebol (LMB), para as temporadas 2021, 2022 e 2023.

O acordo prevê ainda a alocação de 24% do orçamento para o desenvolvimento do basquetebol em Inhambane, através de apoio institucional à Associação Provincial de Basquetebol, ajuda na realização de competições provinciais e promoção de competições locais em Govuro, Inhassoro e Vilankulo, distritos que acolhem as operações da Sasol.

Ferroviário da Beira termina em quinto lugar

O Ferroviário da Beira terminou na quinta posição  na edição 2023 da Liga Feminina de Basquetebol Sasol. Para o efeito, as “locomotivas” do Chiveve derrotaram, esta quinta-feira, o Clube Desportivo Município da Beira, por 64-46, no jogo 2 dos “play-offs” das classificativas do 5º e 6º lugares da prova.

Neste duelo, realizado no pavilhão do Maxaquene,  o Ferroviário da Beira liderou todos os quartos do jogo com os parciais de 15-13, 12-11,  24-13 e 13-9.

Destaque, em termos individuais, para Fátima Vilankulos, que contabilizou 19 pontos e sete ressaltos em 26:24 minutos na quadra, tendo sido secundada por Elizethe Mondlane com 14.

Com dez pontos, Nolcita João foi a melhor cestinha do Clube Desportivo Município da Beira.
No jogo 1, na quarta-feira, o Clube Desportivo Município da Beira perdera por uma diferença de dez pontos: 61-51.

A lista de Namoto Chipande diz que houve manobras dilatórias para inviabilizar a sua candidatura à presidência da Federação Moçambicana de Futebol. Entende ainda que lhe foi vedada a possibilidade de concorrer em pé de igualdade com o actual presidente da FMF, Feizal Sidat

As eleições na Federação Moçambicana de Futebol continuam na ordem do dia, mesmo depois da tomada de posse do elenco ora vencedor, esta quinta-feira.

A lista de candidatura de Namoto Chipande ainda não se conforma com o que aconteceu no antes e durante as eleições e continua a reivindicar. Esta quinta-feira, a lista da Namoto Chipande chamou a imprensa para explicar o que esteve por detrás do abandono nas eleições.

O representante da lista, Edson Ussaca, explicou que Namoto Chipande não concorreu em pé de igualdade com o actual presidente da FMF, Feizal Sidat. “Foi, desde o primeiro minuto, nossa vontade participar no pleito eleitoral, mas foi-nos vedada a possibilidade de concorrer em pé de igualdade com o actual presidente da Federação Moçambicana de Futebol, porque este processo decorreu dentro de um autêntico secretismo”, referiu Ussaca.

Aliás, a lista de Chipande diz que este secretismo foi muito devido ao momento que se vivia no país, onde a questão das eleições autárquicas estava a ser badalada e “porque todo o mundo estava ligado ao processo eleitoral, tendo em conta que muitos temos filiações partidárias, aproveitaram disso para nos deixar para trás”, acrescentou Ussaca.

O mandatário da lista diz ainda que o processo esteve enfermo de vícios. “Tentámos submeter aquilo que era a nossa candidatura e, logo a priori, optámos por irmos pedir o adiamento das eleições. Começámos por submeter o nosso requerimento de candidatura que foi várias vezes devolvido numa manobra dilatória para que não tivéssemos tempo sequer de dialogar com o nosso eleitorado”, disse.

Eleitorado, para a lista, são as associações  e os clubes, que consideram serem os “principais beneficiários e donos deste processo”.
Diante dessa situação, a lista de Chipande teve de accionar outros mecanismos de modo a salvaguardar os seus direitos, uma vez que, para eles, “fomos a um pleito ou a um suposto pleito arrastados pelo presidente da mesa da Assembleia Geral”.

Afinal, houve troca de correspondência entre a lista de candidatura e o Secretário  Geral da FMF, mas “quando nos apercebemos que se tratava de uma manobra dilatória com vista a bloquear a nossa candidatura, acabámos recorrendo à FIFA e fizemos uma exposição. A FIFA fez uma vídeo-conferência com os responsáveis da Federação Moçambicana de Futebol, uma semana antes das eleições, a recomendar que fosse desbloqueado todo o processo que impedia a candidatura de Namoto Chipande”, explicou.

Lamentam que o processo tenha sido gerido de forma tendenciosa e, por isso, assumem: “o senhor Namoto Chipande e a sua equipa teriam retirado a sua candidatura, porque não estavam reunidas as condições para que fóssemos ao pleito eleitoral da Federação Moçambicana de Futebol”.
A lista de Chipande garante que vai continuar a lutar junto das instâncias superiores do futebol, tendo em conta a exposição das suas inquietações.

A província da Zambézia acaba de anunciar a primeira morte, devido à cólera, depois de as autoridades sanitárias terem declarado, no domingo, a eclosão da doença nos distritos de Gurúè, Gilé e Mocuba.

A morte foi registada em Mocuba, onde o cumulativo de casos de cólera atingiu 50, 40 dos quais em internamento.

Cumulativamente nos três distritos da província da Zambézia, foram já notificados perto de 600 casos de cólera.

Entretanto, a secretária de Estado na Zambézia, Cristina Mafumo, que concluiu, esta quarta-feira, uma visita de trabalho de dois dias ao distrito de Mocuba, renovou o apelo para o reforço das medidas de higiene individual e colectiva.

Entretanto, a secretária de estado na Zambézia, Cristina Mafumo, repudia a onda de desinformação a volta da cólera que culminou com assassinato a um membro da PRM e destruição de infra estruturas públicas.

A secretária de estado na Zambézia recordou que, na semana passada, alguns populares no distrito de Gurue, assassinaram um membro da Polícia da República de Moçambique e feriram quatro líderes comunitários, supostamente por estarem a contribuir para a propagação da cólera.

A dirigente clarifica que o alastramento da cólera é originado pela falta de higiene individual e colectiva, como lavagem das mãos, dos alimentos entre outras formas.

Ainda durante a sua interacção a secretária de estado desafiou a população para se engajar na produção agraria.

Numa mensagem apresentada na ocasião, a população agradece o esforço do executivo na criação de condições para a redução da vulnerabilidade.

Cristina Mafumo visitou, há dias, uma visita de trabalho a Mocuba, com algumas actividades como a inauguração de uma clínica para prestação de serviços de oftalmologia, realização de encontro com jovens e visita ao hospital distrital. 

Cinquenta pesquisadores da África Austral estão reunidos na Cidade de Maputo para debater mudanças climáticas e o futuro de África. Da reunião, devem surgir recomendações que minimizem o impacto das alterações climáticas no continente.

Moçambique procura partilhar no evento as suas experiências em matérias de gestão de crises resultantes de desastres naturais, mas também capitalizar experiências. Por isso, a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) já se adiantou na instalação de um centro regional para pesquisa e gestão de crises climáticas, como deu a conhecer Vithor Nywipwy, director-adjunto para pós-graduação na UEM.
“Este centro lida com tudo o que tem a ver com questões agro-alimentares, incluindo mudanças climáticas. Este centro lida com pesquisadores, com estudantes, com recursos e cria todas as condições para que a pesquisa seja realizada. Portanto, (…) este centro é mais um barco para se chegar à realidade dos factos, explicou o académico.”

A conferência, que está a decorrer na Cidade de Maputo, tem como lema “Rumo a soluções locais para a prevenção precoce, alerta e redução do risco de desastres na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral e além”. Roxan Cadiz, directora-adjunta da Faculdade Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane diz ser importante apostar em sistemas de aviso prévio para evitar danos nas comunidades.

“Se pudéssemos ter esses sistemas, essas formas de prever e conseguir informar a comunidade que o país está preparado para reduzir estes eventos (…) Este é um dos objectivos, avançar para pesquisa e tentar trazer soluções locais que podem ser úteis a médio e longo prazos.”
Deste evento vão sair decisões e recomendações para os decisores políticos, sociedade civil, académicos e investigadores.

Mais de 3.700 escolas e estabelecimentos de pré-escolar foram destruídas devido a invasão russa da Ucrânia, segundo um relatório divulgado pela Human Rights Watch (HRW), que descreve casos de unidades pilhadas, vandalizadas e ocupadas para fins militares.

O documento “Tanques no Recreio”, de 71 páginas, segundo a imprensa internacional, documenta os danos e a destruição de escolas e estabelecimentos de pré-escolar nas regiões de Kiev (norte), Kharkiv, Chernihiv (ambas no nordeste) e Mykolaiv (sul), todas palcos de combates desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, onde a organização não-governamental entrevistou quase 90 funcionários escolares, representantes de autoridades locais e testemunhas de operações militares.

Os danos registados foram causados por ataques aéreos, bombardeamentos de artilharia, lançamentos de foguetes e, em alguns casos, munições de fragmentação, “causando estragos significativos nos telhados, desabamento de paredes e grandes destroços nas salas de aula”, tendo como resultado a grave interrupção do acesso à educação de milhões de crianças.

Na generalidade, segundo a HRW, os danos e a destruição de escolas ocorreram em consequência da captura pelas forças russas de cidades e vilas nas primeiras semanas da invasão, ocupando escolas. Em vários casos, dispararam contra as instalações face à posterior reconquista territorial do Exército ucraniano e antes de se retirarem daquelas regiões.

O relatório assinala que, durante a ocupação de estabelecimentos escolares, as forças russas pilharam-nas, saqueando computadores de secretária e portáteis, televisões, quadros interativos, outros equipamentos escolares e sistemas de aquecimento.

O relatório indica que, antes da guerra, o Governo ucraniano, ao contrário do russo, tinha adoptado a Declaração sobre Escolas Seguras, um compromisso político internacional que visa proteger a educação dos piores efeitos dos conflitos armados, e, um mês antes da invasão, mil oficiais foram formados para este instrumento, em concreto, para as Diretrizes para a Proteção de Escolas e Universidades contra a Utilização Militar durante Conflitos Armados.

Já em Julho do ano passado, as autoridades ucranianas também emitiram uma ordem de alto nível com o objectivo de “não utilizar instalações educativas para alojamento temporário de quartéis-generais e unidades militares”, de acordo com o Ministério da Defesa da Ucrânia, citado pela HRW.

Dados do Ministério da Educação de Kiev revelam que em Janeiro mais de 95% dos estudantes elegíveis estavam matriculados, “um feito significativo durante o tempo de guerra”, elogia a HRW.

Apesar destes esforços, muitos alunos de escolas danificadas ou destruídas “tiveram de continuar os seus estudos noutras escolas, estudando em turnos ou à distância, o que prejudicou a qualidade da educação, advertiu. “Os ataques das forças russas às infraestruturas energéticas e os consequentes cortes de eletricidade e Internet têm frequentemente impedido a aprendizagem à distância”, refere ainda a HRW.

Pelo menos 400 pessoas morreram nos primeiros dez meses deste ano, vítimas da malária, no país. O Ministério da Saúde prevê que os casos aumentem nos próximos anos, devido aos impactos das mudanças climáticas. Os dados foram revelados hoje, durante o lançamento do inquérito sobre a doença na região Sul do país.

A malária é uma doença cujo número de óbitos a coloca na lista das três que mais matam no país. Só nos primeiros dez meses deste ano, mais de nove milhões de pessoas foram infectadas pela Malária, segundo revelou Baltazar Candrinho, Director Nacional do Programa de Combate à Malária.

Para o Ministério da Saúde, o número de novas infecções e mortes por Malária revelam que há ainda muito por se fazer, disse Ilesh Jani, Vice-Ministro da Saúde.

As alterações climáticas tornam o país mais vulnerável à doença. Porque a ideia é eliminar a Malária, esta quinta-feira, o Ministério da Saúde lançou, no distrito de Marracuene, na Província de Maputo, um inquérito sobre a prevalência da doença na região Sul do país.

O inquérito está orçado em cerca de 150 milhões de meticais e poderá abranger 12 mil agregados familiares, da Cidade e Província de Maputo, Gaza e Inhambane, até finais de Dezembro.

Os resultados serão conhecidos no mês de Março do próximo ano.

A coreografia “Vagabundus”, de Ídio Chichava, será apresentada no Festival Souffle, próxima semana, na Ilha Reunião. O espectáculo é um exercício particular sobre a expressão do corpo e também será apresentado na bienal Kinani, dia 23.

Nos próximos dias 14, 15, 16 e 17 deste mês de Novembro, o espectáculo de dança “Vagabundus”, de Ídio Chichava, será apresentado nas cidades de Saint-Pierre e Saint-Denis, na Ilha Reunião.

Depois estreia na Bulgária, ano passado, a obra de Ídio Chichava será apresentada no Festival Souffle. Com a participação, o coreógrafo e os 13 bailarinos que viajam ao território francês, no Oceano Índico, têm expectativas altas, “Porque lá teremos uma espécie de aquecimento para apresentação no Kinani, em Moçambique. Além disso, estamos conscientes de que as as nossas futuras apresentações dependem do que faremos na Reunião”.

Para Ídio Chichava, levar “Vagabundus” a Ilha Reunião é uma oportunidade para provar que Moçambique continua com capacidade de exportar coreografias de dança ou cénicas de qualidade. Também por isso, Chichava entende que a participação no Festival Souffle, mais do que um reconhecimento, representa uma luta da Yodine, da Converge + e dos bailarinos, que consiste em sublinhar que é possível viajar com peças nacionais para o estrangeiro”.

“Vagabundus” é uma coreografia com 70 minutos de duração. O espectáculo estreou no Festival One Week Dance, na Cidade de Plovdiv, na Bulgária, ano passado. Até aqui, a versão final do espctáculo ainda não foi apresentada em Moçambique. A estreia em Maputo está maracada para dia 23 deste mês, no Grande Auditório do Centro Cultural Moçambique-China. “Espero que consigamos ter mil pessoas a ver ‘Vagabundus’, a sala tem capacidade para tantas pessoas, e mostrarmos que a dança moçambicana está viva e recomenda-se”, afirmou Ídio Chichava, durante o intervalo do ensaio desta quinta-feira.

A coreografia de ídio Chichava levou seis meses a preparar, pois Ídio Chichava esmerou-se em trabalhar experiências do corpo de cada bailarino, sem esquecer as suas tradições e as suas influências. Segundo o coreógrafo explicou, os bailarinos que fazem “Vagabundus” pretendem, através de movimentos coordenados, mostrar que em Moçambique existe a criação de vocabulários próprios, através da dança.

 

Por volta de 1995 tinha eu já a idade de homem, embora fosse o mais novo de casa e fosse vivo nessa altura o meu pai. As aldeias que nos circundavam, as quais entrávamos como suspeitos de algum crime e saíamos como se voltássemos de uma festa, tinham um aspecto à primeira vista silencioso, porém de pândega para quem olhasse com olhos de ver; mesmo que nos rostos de quem os habitasse vivesse pendurada uma lágrima. Destas lágrimas preguiçosas para cair. Anos mais tarde – era eu uma espécie de rato de biblioteca – vim a saber que aquele bairro que nos circundava – e que se encolhia ao nascente e se reanimava ao sol poente – era, afinal, um campo de refugiados. A guerra já havia terminado, é verdade. A paz nem tanto. Cada um daqueles habitantes que vinham à distância de dias e noites intermináveis tinha algures um morto por enterrar e, quem sabe, um pecado inconfessável.

As manhãs começavam com música na casa do meu pai. A menininha trazia água numa bacia metálica e pousava-a sobre a mesa. Quem me dera se eu lembrasse o seu rosto. A garotinha de idade pouco maior que a minha, mas demasiadamente inferior à do meu irmão mais velho, mesmo que só dois anos nos separassem, era solícita e vívida. Sob suas mãos, o chá escorria quente e fumegante para dentro da chávena que retinha o olhar do meu pai. A menina havia entrado pela porta de casa agarrada pelo ombro de minha mãe, que a havia encontrado algures vagamundando.

Eu podia esquecer de tudo, menos o cheiro de um pão. O cheiro da menininha esqueci, como esqueci o cheiro da casa, a cor daquele mar particular que eu via da janela, a areia que se deixava antever de longe e as palavras que pronunciavam os bêbados nos seus circos nocturnos, esquecidos da sede da matança e da fruição do medo. Sucedeu, porém, que por razões que até hoje ignoro, e que eram ainda mais confusas ou banais na altura, a meninha punha-se sempre a chorar quando fosse pontualmente dezassete horas. Daí a trinta minutos chegaria o meu pai, mão tomada por um cigarro e outra ocupada por um novelo que escondia um cesto de peixe, reclamando da severidade das ondas e da palidez que o legava a água do mar. Nunca me acostumo a essa vida – dizia. Mas no minuto seguinte era eu quem fungava e jurava aos deuses não ser capaz de tocar um fio que fosse da menininha. Não importa, o jantar estava servido. A minha mãe voltava do mercado puxando pelo braço do meu irmão. Havia sempre mais um jantar sobrando para mim.

Como eu frequentasse as aulas no período da manhã, passava toda a tarde em casa com a menina, brincando de ajudar nas tarefas domésticas. Antes de descascarmos a batata doce ou pôr de molho as folhas da aboboreira, fazíamos viagens em batéis de lata de atum, nadávamos no mar raso das folhas das mangueiras e baloiçávamos na imaginação de um dia poder vir a ter baloiços. No entanto, mal o começasse o sol a por-se e, meticulosamente calculado, a menina desatava ao choro, apontando-me com o seu indicador todas as culpas. A princípio não percebi nada, como na verdade nunca cheguei a perceber. Por dias longos, chegava o meu pai as dezassete e trinta, a mão tomada pelo cigarro e na outra o chinelo cantava.

Em “Talpa” de Juan Rulfo extraído de “El Llano en llamas”, a Virgem do Santuário de Talpa é um símbolo religioso destinado a curar os enfermos e outros problemas. Natália aventurar-se-á para aqui, guiada por um peregrino, para cumprir uma promessa. Tanilo está doente e é a ele que interessa salvar. Entretanto, é enterrado ali, com a sepultura cavada à mão, sem que ninguém ajudasse. A viagem é em suma um pesadelo, contudo Natália não derrama uma única lágrima. Talvez não a afligisse o luto, mas chegados a Zenzotla, percorridos dias e léguas de viagem, ao ver a mãe Natália despontou a chorar como se precisasse de algum consolo.

Não me cabe a mim – hoje – reflectir acerca do infortúnio de Natália ou sobre a narrativa de Juan Rulfo. Nossa terra ainda carregava a cor de chumbo. A menininha podia ser tão vítima quanto vilã, como mais tarde descobrimos em Talpa. O que sei, porém, é que um dia a minha mãe regressou mais cedo e pôs-se em tocaia algures próximo de casa. Claro, que desconfiava que alguma coisa não ia bem. Não tardou que as aves se pusesse em direccão ao sol poente e a menina ligasse a corda do seu choro, eram precisamente cinco da tarde. O choro durara os exactos trinta minutos até que no ar flutuasse o fumo de tabaco do meu pai. A minha mãe no camarote assistia àquele ensaiado ballet de lágrimas. Quando o chinelo ia começar outra vez a cantar…

Os meus pais estavam envergonhados, acreditaram por longos dias que eu tivesse violentado a menina, que fora o infantil carrasco, quando eram lágrimas de invenção. Se calhar ela não se sentisse confortável separada da sua família ou tivesse, quem sabe, motivos piores. Ninguém conhece a verdadeira dimensão da dor. A precisão com que a garota domesticava o choro, a sua duração matemática, a arte de compadecer o outro. Isso me fez acreditar que não há nada tão efémero como a felicidade, porque por mais que pudéssemos inventá-la nunca nos sairia tão perfeita e duradoira como a tristeza daquela pequena actriz da vida. Os refugiados de guerra retornaram cada um à sua maneira e nunca cheguei a vê-los chorar.

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