A instabilidade no Estreito de Ormuz mantém-se, depois de uma embarcação ter sido atingida durante a madrugada desta terça-feira, por um projéctil de origem desconhecida.
O incidente ocorre num momento em que Washington insiste que decorrem negociações com o Irão para reabrir uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, enquanto Teerão rejeita qualquer diálogo directo com os Estados Unidos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu ontem que as conversações com o Irão estão em curso e poderão conduzir à reabertura do Estreito de Ormuz esta terça-feira.
A resposta iraniana foi imediata. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou que existam negociações directas com os Estados Unidos, esclarecendo que os contactos decorrem exclusivamente com Omã, país que procura mediar um entendimento destinado a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
O estreito permanece, contudo, fortemente condicionado desde o início de Julho, quando fracassou o processo de desanuviamento entre Washington e Teerão e o Irão voltou a restringir a circulação marítima.
Mais de 850 camiões com ajuda humanitária entraram na Faixa de Gaza desde Outubro, avançaram as autoridades de Israel.
O porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), Jonathan Conricus, confirmou em conferência de imprensa, citada pelo Notícias ao Minuto, que “a ajuda continua a ser entregue a Gaza”.
“Continuamos a dar ajuda a Gaza. Não vem de Israel, mas facilitamos todos os dias. Há cada vez mais camiões a entrar na Faixa de Gaza. Até à data, entraram mais de 850 camiões”, afirmou.
No entanto, os números da ONU sugerem que uma média de 700-800 camiões de ajuda humanitária entrava diariamente na zona antes do início da guerra.
Jonathan Conricus salientou que a entrega inclui alimentos, medicamentos, equipamento para refugiados, tendas, casas temporárias e água, entre outros.
“Os camiões podem não significar muito, mas estamos a falar de 6.000 toneladas de alimentos e 2.500 toneladas de diverso equipamento médico”, acrescentou.
As Nações Unidas apelaram, hoje, em Riade, aos países árabes e muçulmanos para que usem a sua influência junto do grupo islamita palestiniano Hamas e de Israel para alcançar uma trégua humanitária na Faixa de Gaza.
Conflito Israel-Hamas continua sem fim à vista e o que se ve é um rasto crescente de destruição no território palestino.
O comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente, Philippe Lazzarini, pediu a influência arrabe e muçulmana junto do grupo islamita palestiniano Hamas e de Israel, para alcançar uma trégua humanitária na Faixa de Gaza.
Um cessar-fogo humanitário que respeite o direito internacional deve ser alcançado (…). Estou convencido de que podem exercer influência. O último mês tem sido incrivelmente doloroso para todos nós. (…) Mais de 10 mil pessoas morreram e muitas mais estão certamente ainda debaixo dos escombros.
Intervindo perante dezenas de chefes de Estado de países árabes e muçulmanos, durante a cimeira de emergência árabe-islâmica que decorreu este sábado em Riade, para abordar a guerra em Gaza, Philippe Lazzarini contou o que presenciou em Gaza.
Estive em Gaza, na semana passada, pela primeira vez desde o início da guerra. O que vi me marcará para sempre. Todas as crianças que encontrei num abrigo da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente me pediram pão e água.
Os bombardeamentos contínuos, junto ao cerco, estão a sufocar Gaza e a sua população. Os serviços básicos estão a entrar em colapso. Tudo está a acabar: água, alimentos, medicamentos e combustível.
Lazzarini apelou ainda aos esforços de mediação para garantir a continuidade do fluxo de ajuda humanitária a Gaza e a entrada de mais camiões com bens essenciais.
De acordo com o responsável, os procedimentos logísticos e de verificação dos camiões por parte de Israel não garantem celeridade de apoios.
Docentes universitários e pesquisadores defendem a necessidade do Estado e as instituições do ensino superior em Moçambique potencializarem os jovens inovadores com ferramentas necessárias para que os mesmos possam ajudar a trazer ideias e soluções dos problemas que enfermam as comunidades.
A região do vale do Zambeze é considerada uma área potencialmente rica e com condições favoráveis para que as comunidades que nela residem prosperem. entretanto, a situação em que elas se encontram actualmente, não reflete a realidade, e o nível de desenvolvimento da população continua baixo.
Para inverter este cenário, professores universitários e pesquisadores, defendem a necessidade de se potencializar cada vez mais jovens inovadores com ferramentas que possam impulsionar suas actividades de modo que os mesmos possam apoiar na solução dos problemas que enfermam as comunidades.
Os intervenientes referem também que as investigações viradas às pesquisas e extensão universitária no país devem ser mais aprimoradas.
Os docentes falavam, nesta sexta-feira, em Tete, durante o primeiro fórum de investigação e inovação, uma iniciativa da Agência do Vale do Zambeze e dirigida pela Secretaria de Estado naquela província.
O primeiro fórum de investigação e inovação científica, decorre desde esta sexta feira, tem duração de dois dias e conta com a participação de membros do Governo, investigadores, docentes , pesquisadores, estudantes e associações juvenis das províncias de Tete, Manica e Sofala.
António Muchanga, cabeça-de-lista da Renamo, ameaça declarar o município da Matola um Estado autónomo, caso o Conselho Constitucional não valide a sua vitória naquela autarquia. Muchanga promete inviabilizar a governação da Frelimo, porque defende que não existe mecanismo que possa desmentir que tenha vencido as eleições, no passado dia 11 de Outubro.
António Muchanga e outros membros e simpatizantes da Renamo, saíram hoje, para caminhar pelas ruas da Matola. Tratou-se da primeira passeata de Muchanga e seus apoiantes, depois da divulgação dos resultados das eleições autárquicas de 11 de Outubro.
A marcha, que iniciou às 10 horas, partiu no mercado de Malhampsene e terminou no mercado de Santos.
O ponto mais alto da caminhada que visava pressionar o Conselho Constitucional a ser justo, de acordo com António Muchanga, deu-se defronte do edifício do Conselho Municipal, onde apesar de posicionados bem próximos carros blindados e vários policiais, não houve incidentes.
Eram já por volta das 13h00 quando o cabeça-de-lista da Renamo, para a autarquia da Matola, falou ao Jornal O País. Muchanga disse esperar que o Conselho Constitucional não faça o que a Comissão Nacional de Eleições fez.
“O Conselho Constitucional disse que vai avaliar a minha reclamação, em sede de validação dos resultados, esse processo de validação dos resultados ainda não ocorreu. Espero, sinceramente, que o Conselho Constitucional não faça o que a CNE fez, porque se fizerem isso, Moçambique acabou. Nós não podemos ser proibidos de governar, porque também a Frelimo não vai governar, aqui”, ameaçou.
António Muchanga, cabeça-de-lista da Renamo, ameaça declarar o município da Matola um Estado autónomo, caso o Conselho Constitucional não valide a sua vitória naquela autarquia.
“Eu vou tomar Matola e já não como município. Vou transformar a minha Assembleia em Assembleia Republicana da Matola, vou criar o que eu quiser, aquilo que acontece na Somália, vou fazer aqui. os embaixadores que vierem, vão falar comigo, os outros vão falar com outros dirigentes”, explicou António Muchanga.
A Renamo garante que as marchas na Matola são para continuar, até que se declare que este partido venceu as eleições de 11 de Outubro. “Estas marchas vão continuar até o Conselho Constitucional dizer o que vai dizer. Depois disso vamos tomar outras medidas, mais radicais, como a declaração do Estado da Matola, do Estado de Maputo, Estado de Marracuene, Estado de Nampula, Estado de Matola-Rio, Estado de Nacala, de Quelimane, até governarmos em todos os municípios onde ganhamos.
Muchanga avança ainda ao jornal O País, que tem todas as provas de que venceu o escrutínio do mês passado e que o Conselho Constitucional tem em sua posse editais originais e acrescenta que organizações da sociedade civil, envolvidas na observação das eleições, também dão vitória a Renamo.
“Nós já entregamos editais à terceira Secção do Tribunal Judicial, entregamos editais a segunda, Secção e entregamos também à Comissão Nacional de Eleições para remeter ao Conselho Constitucional. Estão a aparecer, agora, organizações que fizeram contagem paralela cuja contagem é igual a nossa”
António Muchanga defende, por isso, que não existe mecanismo que possa desmentir que tenha vencido as eleições, no passado dia 11 de Outubro. “A Lei Eleitoral, dá o direito de os partidos com assento parlamentar indicarem um membro da mesa de voto. O primeiro escrutinador é da Frelimo, o segundo é da Renamo e o terceiro é do MDM. O do MDM e o da Renamo entregaram os editais, questiono por que o da Frelimo não entrega os editais, por que os delegados da Frelimo têm medo de entregar os editais”, indagou.
O cabeça-de-lista da Renamo para a Matola questiona a presença de Moçambique nas Nações Unidas e acusa Filipe Nyusi de ter as mãos sujas, perante a crise política instalada no país. “Nos não podemos ter pessoas que se dizem membros das Nações Unidas, quando são pessoas pouco civilizadas. Como é que as pessoas nas Nações Unidas se sentam com Nyusi, uma pessoa que tem mãos sujas, que nao lava a cara, come com civilizados ”
Muchanga lamentou ainda que mesmo com críticas de Graça Machel, para dentro da Frelimo, o discurso do partido continue optimista quanto a sua governação. “A avó dos gatunos, avó Graça, já disse, o tio Nihia, já disse…e tantas outras pessoas. Destaco essas duas figuras porque são pessoas que quando jovens deixaram de estudar para se juntar a frente de libertação de Nacional para libertar Moçambique, libertar a terra e os homens e eles tem em mente o discurso do saudoso Samora Machel, que dizia que não libertou o país para colocar gatunos no poder”, acrescenta.
O membro da Renamo defende que o actual Presidente da República, Filipe Nyusi, carrega todos os males do país. “Este actual Presidente que a Frelimo tem, carrega todos os males sobre ele. Roubam, sequestram, assassinam, traficam drogas, fazem tudo de mal”.
O cabeça-de-lista da Frelimo na Cidade de Maputo marcou presença nas celebrações dos 136 anos da capital do país. Diz-se pronto para governar e resolver os problemas dos munícipes. Quanto às contestações dos resultados eleitorais que dão vitória à Frelimo, reiterou que o seu partido venceu sem margens de dúvida.
A próxima celebração das festividades do Dia da Cidade de Maputo será dirigida pelo cabeça-de-lista vencedor das sextas eleições autárquicas cujos resultados ainda não foram homologados pelo Conselho Constitucional. E Rasaque Manhique diz-se pronto para governar.
“É mesmo um start que estamos a dar porque queremos correr, principalmente para aliviar o sofrimento daqueles que sofrem enquanto munícipes da nossa bela cidade. A população merece ter um melhor transporte; temos de melhorar o sofrimento daqueles que vivem cercados de água; temos de melhorar o saneamento da nossa cidade; temos de melhorar o acesso ao emprego por parte da nossa juventude; temos de melhorar também a formação; vamos trazer a formação técnico-profissional para os nossos jovens e todos juntos vamos fazer isso”, garantiu Rasaque Manhique, cabeça-de-lista da Frelimo na Cidade de Maputo.
Quanto às contestações dos resultados eleitorais, Manhique reitera que é normal em democracia e reitera que o seu partido venceu as eleições.
“Eu respeito aquilo que diz que são contestações, aliás, há-de saber aquilo que também sei que, desde que iniciámos com estes processos de democracia, contestações sempre existiram. O facto é que nós estamos a celebrar porque vencemos as eleições, trabalhamos e preparamos, como dissemos, sempre nós preparamos as nossas vitórias e por isso vencemos e vencemos bem as eleições.”
Ademais, o cabeça-de-lista da Frelimo diz que vai apostar numa governação inclusiva e participativa.
Segundo informação divulgada esta quinta-feira, na capital do país, por uma missão do Fundo Monetário Internacional, Moçambique apresenta uma das mais elevadas taxas de juro da África Subsariana, perdendo apenas para a República Democrática do Congo, cujos níveis da taxa de juro real no mercado vão para além dos 25%.
Nas perspectivas económicas regionais 2023, o FMI observa que os mercados financeiros da região, com situação crítica, podem tornar-se inesperadamente mais restritivos nos próximos tempos, limitando, assim, a capacidade de as economias da África Subsariana contraírem empréstimos nos mercados internacionais.
Para o parceiro multilateral, tal continua a representar uma preocupação, uma vez que as expectativas de mercado quanto às taxas de juro directoras nas economias avançadas ainda diferem das intenções anunciadas, “aumentando a perspectiva de uma reavaliação súbita dos riscos”.
Segundo o FMI, a persistência de pressões sobre os preços ou preços dos produtos energéticos significativamente mais elevados a nível mundial podem também exigir uma política monetária mais restritiva do que o esperado nas economias avançadas, resultando em taxas de financiamento internacionais mais elevadas.
MOÇAMBIQUE EM RISCO DE SOBRE-ENDIVIDAMENTO
Moçambique é apontado como um dos países que maior risco apresenta de sobre-endividamento. O relatório aponta que os níveis da dívida estabilizaram em toda a região, mas permanecem muito elevados em muitos casos.
O FMI sinaliza que mais de metade dos países de baixo rendimento da região estão em risco elevado de sobre-endividamento ou já se encontram nesta situação.
Além disso, aponta que “como a tendência aponta para uma transição para o financiamento de mercado, que é mais oneroso do que os empréstimos de credores oficiais, as obrigações do serviço da dívida aumentaram exponencialmente”.
No caso dos países que não se encontram em situação de sobre-endividamento, a rentabilidade média das Eurobonds pendentes é superior a 12%, em comparação com 7% antes da pandemia. Embora as taxas de juro mundiais devam acabar por diminuir em linha com a descida da inflação, não se espera que as taxas mundiais a mais longo prazo regressem, nos próximos tempos, aos níveis registados antes da crise.
Entretanto, o FMI entende que houve uma consolidação fiscal “impressionante” neste 2023.
O Representante Residente, Alexis Meyer Cirkel, referiu que a Tabela Salarial Única gerou uma grande pressão de tesouraria, até porque “se olharmos para os números, a despesa saiu de 13,5% para cima de 17% do PIB, mas o que se pode ver agora, em 2023, é que os gastos com salários estão mais controlados e a situação fiscal melhorou muito”.
Cirkel diz haver, actualmente, a previsão de um aumento muito pequeno que conduza o país de volta para o patamar que estava em 2021, o que é, no seu entender, um notável resultado do esforço fiscal feito pelo Governo.
“Agora voltamos a uma contracção fiscal muito grande e um conservadorismo muito grande que permite olhar e ver a mesma situação de anos atrás. Houve controlo de gastos, saímos de gastos excessivos para uma situação mais sustentável fiscal”, explicou.
O responsável avança que o orçamento do Estado, enviado para o Parlamento para apreciação, é sustentável. Entretanto, alerta que é preciso manter as reformas políticas e pensar sobre a conjuntura que se mostra mais benéfica.
Recorde-se que uma equipa do Fundo Monetário Internacional (FMI), liderada por Pablo Murphy, conduziu discussões com as autoridades moçambicanas de 18 a 31 de outubro de 2023, sobre a terceira avaliação ao abrigo do mecanismo de Facilidade de Crédito Alargado (ECF, na sigla em inglês).
No fim do trabalho, a missão emitiu um comunicado de imprensa sobre os desenvolvimentos da economia de Moçambique, tendo sugerido flexibilização da política monetária para baixar “juros elevados”.
“A descida da inflação, combinada com taxas de juro nominais praticamente inalteradas, significa que tanto as taxas de juro de política como as de mercado subiram para níveis elevados em termos reais, gerando condições financeiras muito restritivas. Com as expectativas de inflação bem ancoradas, a continuação da consolidação orçamental e o fraco crescimento não extractivo poderiam ser considerados uma flexibilização gradual da política monetária”, esclareceu.
A delegação do FMI também elogiou o controlo da inflação, que está com uma tendência de redução, nos últimos tempos, apontando que, depois de atingir um pico de 12,1 por cento (em termos anuais), em Agosto de 2022, a inflação global diminuiu rapidamente para 3,9 por cento (em termos anuais) em Setembro de 2023, reflectindo preços mais baixos de alimentos e combustíveis.
“Outros olhares inefáveis” é o título da segunda individual de Walter Zand, este ano. A mostra de artes plásticas foi inaugurada esta quinta-feira, na Galeria da Associação Kulungwana, na Cidade de Maputo.
Ao fim de cinco anos a tentar expor na Galeria da Associação Kulugwana, no terminal dos Caminhos de Ferro de Moçambique, na Cidade de Maputo, Walter Zand finalmente conseguiu a oportunidade de lá apresentar as suas obras. Na verdade, para a individual “Outros olhares inefáveis”, o artista plástico precisou apenas de duas semanas para preparar e finalizar a mostra que une pintura e desenho num registo particular.
Abordando o complexo tema do amor, Walter Zand propôs-se projectar uma exposição que, fundamentalmente, tenta apresentar as vantagens e os prejuízos do sentimento, afinal, muitas vezes inefável. “Este é um convite à reflexão, em relação ao amor”, começou por dizer, realçando a dificuldade de explicar o conceito daí consequente. “Nesta exposição, estou a tentar exprimir o que está no meu íntimo”.
Para a individual, Walter Zand combinou diferentes técnicas na composição, quer das suas pinturas, quer dos seus desenhos. Por exemplo, carvão e acrílico sobre tela. Assim, o artista conseguiu questionar a subjectividade do amor e a sua validade numa época em que o país enfrenta uma situação particular em termos sociopolíticos. “Estamos numa situação não muito boa. Acho que as pessoas precisam de pensar algo diferente destes barulhos. Acredito que a arte tem esta particularidade de trazer uma lufada de ar fresco para este ambiente que está um pouco pesado”.
Na Galeria da Associação Kulungwana, a mostra de Walter Zand conta com a curadoria de Sara Carneiro. “Acho que esta exposição nos traz o clássico do Walter Zand. Ele não nos desilude e supera as nossas expectativas em termos da capacidade de apresentar aspectos emotivos através de coisas inefáveis. Ele não se limita e cruza técnicas, o que nos faz sentir várias camadas nas suas obras”, afirmou Sara Carneiro.
A nova individual de Walter Zand, “Outros olhares inefáveis”, pode ser visitada na Galeria da Kulungwana até 15 de Dezembro.
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou, na tarde de ontem, a lista das obras semi-finalistas da 65ª edição do Prémio Jabuti, a mais importante premiação nacional do livro e referência no mercado editorial brasileiro.
Segundo uma nota de imprensa da Editora Trinta Zero Nove, das 4.245 obras inscritas, foram seleccionados 10 semi-finalistas para cada uma das 21 categorias, que são distribuídas em quatro eixos: literatura, não ficção, produção editorial e inovação.
Assim, a Editora Trinta Zero Nove consta na lista dos semi-finalistas na categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior do eixo produção editorial com os seguintes títulos: “Caderno de rimas do João” e “Caderno sem rimas da maria”, de Lázaro Ramos, e ilustrados por Maurício Negro. Estes livros infanto-juvenis são uma ode do autor aos seus filhos, João e Maria, com neologismos e mensagens para inspirar auto-estima e valorização nas crianças negras; “O cabelo de Cora”, da autoria de Ana Zarco Câmara, e ilustrado por Taline Schubach, um livro que, segundo a autora, não é sobre princesas, fadas, bruxas, monstros, animais que falam, super-heróis ou lendas de folclore, mas busca antes reafirmar a beleza dos cabelos crespos.
Publicadas no Brasil, entre 2016 e 2018, pela Pallas Editora, as mesmas foram publicadas pela Editora Trinta Zero Nove em 2022 em edições bilingues de Português e Changana, Sena e Macua.
Hubert Alquéres, curador do prémio, citado na nota de imprensa da Trinta Zero, diz: “Chegar aos dez melhores em cada categoria não foi uma tarefa fácil, diante da grande qualidade das obras inscritas. O júri enfrentou o desafio com competência e nos entrega uma lista admirável”.
Os projectos conjuntos da Pallas Editora e da Editora Trinta Zero Nove são os únicos infanto-juvenis da lista, além de únicos projectos em línguas Bantu e concorrem com sete romances e obras de não ficção publicados no Médio Oriente, EUA, Itália, Portugal, Argentina e Reino Unido.
A reacção de Lázaro Ramos, numa mensagem de áudio enviada para Sandra Tamele, foi mais emotiva: “Que coisa mais linda… Eu soube agora, estou muito feliz. Parabéns, parabéns, parabéns… Estou muito feliz com este projecto”, lê-se na nota de imprensa da Editora Trinta Zero.
Já Ana Zarco Câmara, disse: “Parabéns para nós! Que notícia mais querida. Tenho que processar na mente. Viva Cora! Viva a Trinta Zero Nove e as nossas crianças!”, pode-se ler na mesma nota.
Os finalistas serão conhecidos no dia 21 deste mês, sendo cinco em cada categoria. Os vencedores – o que inclui o título de Livro do Ano – serão apresentados ao público na noite de 5 de Dezembro, num evento no Theatro Municipal de São Paulo.
Por: Huwana Rubi
Não é comum, no nosso meio literário, onde a crítica das artes parece hibernada na mesma cápsula onde o País se faz letargo, lermos dois exaustivos ensaios sobre a mesma obra, com os dois a convergirem na importância que a atribuem, ressaltando a sua relevância literária, neste caso, o facto de, “neste romance, a ficção e a história são habilmente combinadas.”, citada a co-autoria da Professora Ana Mafalda Leite.
Mais do que um simples reconhecimento da qualidade literária, um dos ensaios, “O insólito ficcional na narrativa moçambicana contemporânea: leituras de saga d’ ouro, de Aurélio Furdela”, do destacado estudioso brasileiro João Olinto, se mostra revolucionário no olhar que faz sobre a literatura moçambicana, a colocar no mesmo patamar de amadurecimento literário a prosa do escritor Aurélio Furdela, ao lado de Ungulani Ba Ka Khosa e Mia Couto, ao considerar:
“Decorre que, embora em períodos anteriores a prosa tenha apresentado obras que contavam sobre a realidade do – à época, colônia portuguesa – território moçambicano – a exemplos de obras como Godido, de João Dias; ou Nós Matamos o Cão-Tinhoso, de Honwana (TRINDADE JR, 2019) –, eram experimentações esporádicas, em detrimento da vocação dos moçambicanos para serem uma “pátria de poetas” (NOA, 2007, p. 284). Assim, a prosa passa por décadas até atingir o amadurecimento de um Ba Ka Khosa, um Mia Couto e, apontamos aqui, um Aurélio Furdela.”
Aurélio Furdela dizia há dias que neste preciso mês de Novembro completa 20 anos de publicação em livro, quero acreditar agora que terá motivos bastantes para celebrar: parabéns escritor!