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Acidentes laborais ferem mais de 290 trabalhadores e expõem fragilidades nas empresas do país

Em seis meses, 79 acidentes de trabalho deixaram quase 300 trabalhadores feridos, incluindo 109 mulheres. Os sectores da mineração, construção civil, agricultura e transportes concentram os maiores riscos, enquanto a Inspecção-Geral do Trabalho revela milhares de irregularidades nas empresas fiscalizadas.

Mais de 290 trabalhadores ficaram feridos em consequência de 79 acidentes de trabalho registados de Janeiro a esta parte no país . Os números revelam um cenário preocupante em matéria de segurança laboral, agravado pelas mais de três mil irregularidades detectadas pela Inspecção-Geral do Trabalho nas empresas fiscalizadas, incluindo violações das normas de protecção e incumprimento das obrigações legais.

“Durante o período em análise foram registados 79 acidentes de trabalho, envolvendo 296 trabalhadores, dos quais 109 mulheres. Deste universo, 136 trabalhadores ficaram com incapacidade temporária, 54 com incapacidade permanente parcial e 106 com incapacidade permanente total”, avançou o Secretário de Estado do Género e Acção Social, Abdul Razak.

Nos sectores estratégicos da economia nacional, a segurança laboral continua sob pressão. A mineração, a construção civil, a agricultura e os transportes concentram os maiores desafios, onde a exposição ao risco é agravada por falhas na prevenção, deficiências nos mecanismos de protecção e incumprimento das normas de segurança.

“No primeiro semestre de 2026, a Inspecção-Geral do Trabalho alcançou 92,7% da meta semestral, tendo inspeccionado e fiscalizado 4.365 estabelecimentos laborais. Nessas acções foram detectadas 3.683 infracções, das quais resultaram 3.041 autos de advertência e 642 autos de notícia. Foram igualmente identificados e suspensos 71 trabalhadores estrangeiros em situação laboral irregular.”

Face ao elevado número de acidentes e às irregularidades encontradas, o Secretário de Estado do Género e Acção Social defende uma fiscalização mais rigorosa, com recurso ao Sistema de Gestão de Inspecções Laborais, para identificar e acompanhar empresas reincidentes no incumprimento das normas.

“Este sistema deverá permitir planear as inspecções com base em critérios de risco e identificar empresas reincidentes. Onde houver violação grave, reincidência ou desprezo deliberado pela vida e pelos direitos dos trabalhadores, a lei deve ser aplicada com firmeza. A pedagogia não pode ser confundida com tolerância ao incumprimento”, concluiu.

As declarações foram feitas em Xai-Xai, durante a XI.ª Sessão do Conselho Consultivo da Inspecção-Geral do Trabalho, que reuniu inspectores-gerais e adjuntos, directores de serviços e outros quadros da instituição.

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