O Governo desvaloriza a preocupação da sociedade civil e empresários de Cabo Delgado sobre a alegada exclusão em projectos de gás e diz que Matola, local escolhido para a implantação do centro de formação, tem melhores condições para formar pessoas para a TotalEnergies.
Na última semana, a Secretaria de Estado do Ensino Técnico-Profissional e o projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, chancelaram um memorando para a formação teórico-prática de 260 jovens moçambicanos no Instituto Industrial e Comercial da Matola durante um ano, e outros três anos em contexto de trabalho nas instalações da TotalEnergies em Afungi, Cabo Delgado.
Na sequência do acordo para o qual a multinacional francesa vai investir 191 milhões de meticais, a sociedade civil e empresários de Cabo Delgado reagiram com repúdio, acusando a empresa de “exclusão social” do empresariado e das populações locais.
A reclamação “subiu aos ouvidos do Ministério da Educação e Cultura”, que tutela a Secretaria de Estado de Ensino Técnico-Profissional, signatária do acordo com a TotalEnergies. Através de uma nota partilhada com a comunicação social, a instituição explica que a decisão de implementar a componente inicial da formação no Instituto Industrial e Comercial da Matola decorre de uma avaliação técnica das condições existentes nas instituições de ensino vocacional analisadas por todo o País.
“Essa avaliação concluiu que o Instituto Industrial e Comercial da Matola reúne, neste momento, as condições de infra-estrutura, capacidade instalada, alojamento, oficinas, laboratórios e equipamentos indispensáveis para assegurar o arranque imediato do programa, em conformidade com os padrões técnicos exigidos pela indústria do gás natural liquefeito.”
Diante disso, a solução encontrada, segundo o comunicado, vai permitir o cumprimento do calendário de implementação do Projecto Mozambique LNG e optimizar os recursos já existentes.
“O memorando de entendimento não prevê a construção de novas instalações na Matola, assentando antes na utilização das capacidades já existentes naquela instituição.”
De acordo com o comunicado, estão em curso investimentos de reabilitação e apetrechamento do Instituto Industrial de Pemba e do respectivo hotel-escola, a construção do Laboratório de Processamento de Gás, Automação, Instrumentação e Electricidade Industrial em Pemba, e formação de 525 jovens nas áreas da Electricidade, Petróleo e Gás.