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O País – A verdade como notícia

Quatro pessoas foram detidas, suspeitas de estarem envolvidas em práticas de crimes de corrupção, abuso de cargo e função, peculato e uso de documentos falsos. Entre os detidos estão três funcionários do CEDSIF e um proprietário de uma empresa.

Mais uma vez, o Estado foi aldrabado. Três funcionários do Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informação e Finanças (CEDSIF), em conivência com o proprietário de uma empresa contratada pela instituição pública, são acusados de terem recebido uma quantia de cerca de seis milhões de Meticais sem, no entanto, terem prestado algum serviço ao Estado.

Com efeito, já foi instaurado um processo criminal e foram constituídos cinco arguidos. Segundo a Procuradoria-Geral da República, através do Gabinete Central de Combate à Corrupção, para lograrem seus intentos, os arguidos elaboraram um documento dando conta de que um equipamento deu entrada nos armazéns do CEDSIF, informação tida como falsa.

“Por conta desse acto, o CEDSIF viu-se prejudicado em 5 972 142,15 Meticais (Cinco milhões, novecentos e setenta e dois mil, cento e quarenta e dois meticais e quinze centavos), correspondente ao valor pago ao fornecedor por conta do inexistente fornecimento”, refere o Gabinete Central de Combate à Corrupção

Cumpridas as formalidades legais, foram as mesmas submetidas ao primeiro interrogatório, tendo o juiz fixado competentes medidas de coação, entre as quais a de prisão preventiva e liberdade provisória mediante pagamento de caução.

De referir que os três funcionários do CEDSIF, ora arguidos, após procedimento disciplinar interno, foram desvinculados da instituição no mês de Setembro passado.

Cerca de 940 pacientes internados no Hospital Central de Maputo (HCM), e que poderão passar a festa do Dia da Família naquela unidade sanitária, celebraram, esta quarta-feira, o Natal Solidário.

O evento organizado pelo HCM e amigos daquela unidade sanitária beneficiou mais de 200 crianças que, por diversas razões, estão internadas naquele que é o maior hospital do país.

Segundo Mouzinho Saíde, director do HCM, o Natal Solidário é o momento que o hospital encontra para transmitir o seu carinho aos doentes.

“Os doentes estão aqui internados, muitas vezes, longe dos seus familiares, com sofrimento, dor e muitos perdem a esperança, então nós estamos aqui para trazer este alento e carinho dos trabalhadores e amigos aos doentes”, disse Mouzinho Saíde, director do HCM.

O médico acrescentou que o evento acontece depois de dois anos suspenso por conta da pandemia da COVID-19 e que outro aspecto que se pretendia transmitir aos doentes é a vontade que os profissionais têm de continuar a atendê-los com qualidade, humanismo e dedicação.

Na festa, houve dança, música cantada e tocada pela Orquestra e Banda da Universidade Eduardo Mondlane e outros artistas, para fazer com que os que padecem de alguma enfermidade pudessem voltar a sorrir.

Ivanilson Zavale, um dos beneficiários, chegou, inconsciente, ao hospital no último sábado, depois de ter tido uma dor de estômago.

“Quando me atenderam, mandaram-me fazer raio x e o médico disse que tinha que ser submetido a uma cirurgia, fiquei com muito medo, pensei que fosse morrer, mas correu tudo bem e continuo aqui internado. Fiquei triste por saber que vou passar o Natal no hospital, mas esta festa me alegrou”, contou o paciente.

A celebração serviu para homenagear alguns profissionais da unidade sanitária, uns ainda no activo e outros recém-aposentados.

As Forças de Defesa e Segurança repeliram, na quarta-feira, mais uma tentativa de ataque a uma das suas posições em Cabo Delgado. A informação foi avançada, ontem, por Filipe Nyusi, durante a recepção de representantes das comunidades moçambicanas no estrangeiro, na Ponta Vermelha.

Interrompida por dois anos devido à pandemia da COVID-19, a habitual saudação da comunidade moçambicana no estrangeiro ao Presidente da República, por ocasião do fim do ano, foi retomada. Na ocasião, o Chefe de Estado deu o ponto de situação sobre Cabo Delgado.

“Como referimos no informe, a situação tende a melhorar, mas o terrorismo é imprevisível. No informe que prestei, falei de uma tentativa de ataque na segunda-feira e, ontem (referindo-se a quarta-feira), houve outra tentativa de ataque, na zona de Chai, mas foi repelida pelas nossas forças. Neste momento, eles estão a ser perseguidos e esperamos que, no final do dia, os nossos jovens militares possam dar o ponto de situação. Dentro de pouco tempo, estarei com eles e irei transmitir a vossa mensagem de solidariedade para com eles”, referiu Filipe Nyusi.

PERSISTEM DIFICULDADES NA TRAMITAÇÃO DE DOCUMENTOS

Nas suas intervenções, alguns representantes de comunidades de moçambicanos residentes no estrangeiro se queixaram de dificuldades na tramitação de documentos. “Apesar de ter havido vários avanços em relação aos documentos nos países onde estamos a residir, ainda persistem desafios. No caso do Malawi, por exemplo, temos dificuldades em relação à emissão da certidão de nascimento. Eles não admitem emitir o Bilhete Identidade sem este documento”, lamentou o representante dos moçambicanos residentes no Malawi.

Mas nem tudo está mal, a comunidade moçambicana no estrangeiro agradeceu o apoio do Governo.

“Acompanhamos com muita satisfação o esforço do Governo para a assistência e repatriamento de 15 estudantes e um empresário moçambicano que estavam na Ucrânia, o que demonstra de forma inequívoca o esforço do Governo para assistir os moçambicanos no estrangeiro”, destacou Guilhermina Noronha, moçambicana residente em Ruanda.

Na ocasião, o Presidente da República elogiou o comportamento dos moçambicanos no estrangeiro e reconheceu algumas dificuldades apresentadas. “Temos estado a fazer um trabalho para que esta questão da documentação seja resolvida. Ficamos felizes porque já conseguimos montar o sistema de captação de dados para emissão de certificados de registos criminais em alguns países. Uma das grandes questões que os nossos compatriotas nos têm colocado ao longo do mundo é o impedimento de não poder votar. Estamos a envidar esforços para atingir esse objectivo. Já é possível votar em alguns países como África do Sul, Portugal e Tanzânia, mas noutros não. Vamos trabalhar paulatinamente, porque isso envolve uma grande logística”, terminou.

Ainda no encontro, os representantes das comunidades moçambicanas no estrangeiro ofereceram recordações ao Presidente da República.

Quatro pessoas foram detidas por suspeitas de estrarem envolvidos em práticas de crimes de corrupção, abuso de cargo e função, peculato e uso de documentos falsos. Entre os detidos estão três funcionários do CEDSIF e um proprietário de uma empresa.

Mais uma vez, o Estado foi aldrabado. Três funcionários do Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informação e Finanças, CEDSIF, em conivência com o proprietário de uma empresa contratada pela instituição pública são acusados de ter recebido uma quantia de cerca de seis milhões de Meticais, sem no entanto, terem prestado algum serviço ao Estado.

Com efeito, já foi instaurado um processo criminal e foram constituídos cinco arguidos. Segundo a Procuradoria-Geral da República, através do Gabinete Central de Combate à Corrupção, para lograrem seus intentos, os arguidos fabricaram um documento dando conta que um equipamento deu entrada nos armazéns do CEDSIF, informação tida como falsa.

A investigação empreendida, permitiu apurar que para lograram seus intentos os arguidos fabricaram um documento, assinando-o em como o equipamento tivesse dado entrada nos armazéns do CEDSIF, o que se mostrava falso.

“Por conta desse acto, o CEDSIF viu-se prejudicado em 5 972 142,15 Meticais (Cinco milhões, novecentos e setenta e dois mil, cento e quarenta e dois meticais e quinze centavos), correspondente ao valor pago ao fornecedor por conta do inexistente fornecimento”.

Cumpridas as formalidades legais, foram os mesmos submetidos a primeiro interrogatório, tendo o juiz fixado competentes medidas de coação, dentre as quais a de prisão preventiva e liberdade provisória mediante pagamento de caução.

De referir que os três funcionários do CEDSIF, ora arguidos, após procedimento disciplinar interno foram desvinculados da instituição no mês de Setembro passado.

Os mais de 12 mil favos de ovos, que haviam sido apreendidos pela INAE em Nampula, foram devolvidos aos comerciantes. A decisão foi tomada pelo secretário de Estado, depois de ter constatado falhas graves na actuação da INAE.

Há duas semanas, a Inspecção Nacional de Actividades Económicas, INAE, apreendeu, na cidade de Nampula, mais de 12 mil favos de ovos provenientes do Malawi, depois de uma denúncia feita por uma farma denominada Novos Horizontes, que produz frangos e ovos, na província de Nampula.

Numa primeira fase, a INAE falou de especulação do preço, mas reconheceu que não tinha qualquer sustentação, porque, pelo contrário, os ovos em causa estavam a ser comercializados abaixo do preço de mercado. Mais tarde, a INAE justificou que os ovos entraram no país sem pagamento de direitos aduaneiros.

Perante várias versões, o secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, reuniu-se, na semana passada, com a INAE, as Alfândegas, a Direcção do Comércio e os próprios comerciantes, tendo constatado que houve falhas graves na operação em referência e decidiu “instruir a INAE para que possa proceder à devolução dos ovos. A segunda decisão foi encaminhar à Autoridade Tributária o dossier para que possa ser aprofundado e responsabilizados os intervenientes, caso se apure a existência de responsabilidades legais, sobretudo, relacionadas à fuga ao fisco”.

A decisão tomada pelo secretário de Estado, enquanto parte do órgão da administração pública, teve que ser concertada com a Procuradoria, que já estava a dirimir o diferendo. “Naturalmente, isto passa sempre por dar a informação à Procuradoria – órgão com o qual temos estado a trabalhar –, esclarecendo que nós que havíamos colocado a preocupação entendemos que este é um assunto que, em princípio, se esvazia na perspectiva inicialmente colocada”, esclareceu.

Uma semana depois de ter sido feita a apreensão, o favo com 24 ovos chegou a registar uma subida na ordem de 160 Meticais (tendo saído de 190 Meticais para 350 Meticais), além da própria escassez do produto no mercado.

Com a devolução feita esta terça-feira, o preço voltou ao normal, tal como confirmou Aboobacar Deme, presidente da Associação dos Importadores de Ovos do Malawi. “O preço de levantamento, uma caixa está a 2900 Meticais e o favo está a 240 para os grossistas e, para os retalhistas, está 260 a 270 Meticais.”

A fonte garantiu, na última semana, que entraram em Nampula 10 mil caixas de ovos para responder à procura, o que, adicionado à quantidade que está a ser devolvida, dá estabilidade ao mercado, atendendo que este período da quadra festiva é de maior procura do ovo, usado para fazer doces e outros pratos típicos da época.

Entretanto, os revendedores estimam que uma quantidade de ovos avaliada em cerca de 300 mil Meticais ficou deteriorada durante as duas semanas de apreensão, e resta saber quem será encarregado por esse prejuízo, perante uma acção que pode ser ilegal, praticada por uma instituição da administração pública.

Encerrou, esta quarta-feira, a sexta sessão ordinária da Assembleia da República. A bancada da Frelimo apela ao reforço no combate aos raptos. A Renamo acusa o Governo de perseguição política e o MDM quer a transferência do comando das tropas no combate ao terrorismo, em Cabo Delgado, para Moçambique.

A presidente da Assembleia da República, Esperança Bias, durante a sua intervenção de encerramento de mais de dois meses de trabalho, destacou os principais instrumentos debatidos e aprovados na sexta sessão ordinária, correspondente à 9ª legislativa.

“Apreciámos 34 matérias, das quais foram aprovadas 30. Entre as aprovadas, queríamos fazer menção à lei que aprova o Plano Económico Social e Orçamento do Estado para 2023, um instrumento importante que vai permitir a contínua materialização do programa quinquenal do Governo. [Destaque também para] a revisão da Lei que aprova a Tabela Salarial Única, que está a permitir harmonização, melhor enquadramento e justiça salarial na Função Pública”, disse Esperança Bias, presidente da Assembleia da República.

Sobre a TSU, Esperança Bias encoraja o Governo a prosseguir com a sua implementação, corrigindo as irregularidades, para que sejam atingidos os objectivos para a sua aprovação.

“Destaca-se ainda a Lei de Petróleos, as leis que aprovam a revisão do Imposto sobre o Valor Acrescentado, Código sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas, do Imposto sobre o Valor Específico, que vão contribuir para melhorar a liquidez dos agentes económicos e dinamizar a economia”, acrescentou.

Mas nem todas as matérias foram apreciadas: “Algumas vão passar para as próximas sessões, por carecerem de maior socialização, tais como o caso da proposta de Lei da Comunicação Social, da proposta de Lei da Radiodifusão e proposta de Lei das Organizações sem fins Lucrativos”.

Chamado a intervir, o chefe da bancada do Movimento Democrático de Moçambique afirmou que 2022 termina marcado pelo desemprego, alto custo de vida e alto índice de corrupção, bem como a inoperância das instituições judiciais.

“O ano 2022 terminará com incertezas e um povo saturado da corrupção, raptos, assassinatos, injustiças e elevado custo de vida. Para ter acesso a oportunidades, acesso aos projectos, incluindo emprego e empréstimo bancário, o cidadão moçambicano é sujeito a chantagens e tem que pagar valores monetários avultados”, disse Lutero Simango.

Segundo o chefe da bancada e presidente do MDM, a situação é extensiva para ganhar os concursos públicos.

“É por esta razão que a fiscalização das obras públicas e construção de estradas não são feitas com responsabilidade e competência técnica desejáveis. Resulta disto tudo que as nossas estradas, os edifícios públicos recentemente construídos não sejam de melhor qualidade e não resistem às intempéries. A cultura de comissões e de lavagem de mãos está a hipotecar o futuro da Nação.”

A Renamo, representada pela recém-indicada secretária-geral, Clementina Bomba, teve a sua intervenção centrada na discriminação e perseguição política a que os membros do seu partido têm sido vítimas.

“Comportamento típico de regime monopartidário continua a ser a marca dominante desta governação, com a partidarização das instituições do Estado. A consequência é a frequente intolerância política que a Renamo e os outros partidos políticos têm sofrido”, disse Clementina Bomba, secretária-geral da Renamo.

Segundo a vice-chefe da bancada da Renamo, “um Estado Democrático forte não pode ser edificado e subsistir com a presença de um único actor político. Mentes e comportamentos monolíticos devem dar lugar a uma reforma baseada na aceitação do outro”.

Bonda condenou ainda aquilo que chamou de “violação ao DDR, isso devido à não fixação das pensões e demora na integração dos homens residuais da Renamo.” Para o seu partido, isto demonstra que o Governo não quer a paz.

A Frelimo, por sua vez, diz que 2022 foi um ano de grandes realizações, no entanto é preciso reforçar o combate à corrupção, raptos e acidentes de viação.

“A corrupção é um dos males que urge continuar o seu combate. Não há melhor forma de combater a corrupção do que reforçar a confiança dos cidadãos, através da transparência e do permanente escrutínio de funções públicas, do rigoroso cumprimento da lei e do respeito pelos direitos fundamentais. Ademais, torna-se necessária a implementação de boas práticas na gestão da coisa pública, uma maior fiscalização, recorrendo aos instrumentos de controlo interno disponíveis”, defendeu Sérgio Pantie, chefe da bancada da Frelimo.

Pantie acrescentou estar preocupado com os crimes de raptos, homicídios e “outros tipos de violência, sobretudo contra a mulher, os idosos, as crianças e as raparigas. Instamos as autoridades a reprimir e combater estes crimes, levando à barra da justiça os seus actores”.

O encerramento das actividades da Assembleia da República foi antecedido, esta terça-feira, pelo informe do Presidente da República, sobre o Estado Geral da Nação, que o considerou “de estabilização e renovado optimismo face aos desafios internos e externos”.

O Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) diz que dispõe de capacidade humana para atender a eventuais solicitações durante a quadra festiva, mas lamenta a falta de ordenamento territorial em muitos bairros das principais cidades do  país, o que dificulta as suas acções de socorro e salvamento.

Há, em todo o país, 10 quartéis do Serviço Nacional de Salvação Pública, vulgo bombeiros. A instituição diz que conta igualmente com os comandos provinciais e distritais, o que lhe permite responder a eventuais solicitações para socorro e salvamento.

“Este é um período em que o SENSAP se desdobra a nível de todos os comandos provinciais e quartéis em meios humanos e técnicos para fazer face a este período em que o risco de ocorrência de sinistros é muito elevado. Nós queremos que quem de direito leve esta questão muito a sério, para que possamos ter arruamentos que permitem maior mobilidade das viaturas de combate a incêndio. Como podem ver, estas são viaturas de grande porte e, por isso, precisam de um espaço [suficiente] para poder chegar ao local onde haja incêndio”, avançou Leonildo Pelembe, porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública.

Nesta quadra festiva, haverá posicionamento de salva-vidas em pelo menos 34 principais praias nacionais.

Os incêndios e afogamentos são também preocupação para  o SENSAP. “No que concerne aos afogamentos, temos um destacamento especial que foi preparado para fazer face a esta situação e um grupo de bombeiros e nadadores salvadores. Quando virem, nas praias, indivíduos trajados de camisetas amarelas, calções e chapéus cor de laranja, saibam que se trata deste grupo de nadadores salvadores, com o principal propósito de garantir a protecção nas principais praias e rios.”

O SENSAP dispõe, neste momento, de 20 embarcações movidas a motor, que vão auxiliar nas operações de salvamento nas praias, rios e lagos.

Para esta quadra festiva, o Serviço Nacional de Sangue dispõe, neste momento, de 3200 unidades de sangue, colectadas nas últimas duas semanas. A instituição alerta que só a prudência para evitar desmandos e tragédia, durante as festas, pode garantir que o stock seja suficiente.

As unidades sanitárias nacionais enfrentam insuficiência de reservas de sangue em determinados períodos do ano, particularmente em quadra festiva, altura em que se regista um aumento da demanda pelo líquido vital.

Os acidentes de viação, as queimaduras e outros traumas é que ditam maior necessidade de transfusão de sangue no país, o que causa, vezes sem conta, ruptura de stock.

Para evitar essas situações, o Serviço Nacional de Sangue está a aumentar a sua capacidade de colecta e disponibilidade.

“Na quadra festiva passada, andámos com 2500 unidades e, este ano, temos mais 700 unidades acima deste número. Nunca digo que temos sangue suficiente nem vou dizer que este é o número confortável. O importante é que haja sempre doação de sangue, de forma que, à medida que vamos usando esse sangue, haja reposição, porque o líquido vital tem que estar sempre lá à espera do doente”, disse Sara Guita, directora-geral do Serviço Nacional de Sangue.

As unidades de sangue disponíveis são  destinadas, com prioridade, a oito hospitais da região do Grande Maputo. Entretanto, havendo necessidade, algumas unidades de sangue serão enviadas para outros hospitais nacionais.

“Daqui do Serviço Nacional de Sangue, que temos esta unidade funcional, o sangue vai para oito unidades sanitárias, como o Hospital Geral José Macamo, Mavalane, da Machava, Hospital Provincial da Matola e outros centros de saúde como Marracuene, Boane e Namaacha”, exemplificou.

As 3200 unidades colectadas nas últimas duas semanas, para esta quadra festiva, só podem ser suficientes se não houver tantas emergências. O sangue conservado tem validade de 35 dias.

O Presidente da República anunciou, hoje, durante a apresentação do informe anual sobre o Estado Geral da Nação, que será criado, no início do próximo ano, um grupo consultivo de eleições, envolvendo todas as sensibilidades da sociedade, com vista a preparar melhor as eleições distritais. O objectivo é estudar a viabilidade do escrutín/ e apresentar o resultado ao Parlamento.

Afinal, o debate sobre a viabilidade das eleições distritais previstas na Constituição da República para 2024 ainda não chegou ao fim. Filipe Nyusi foi o primeiro a lançar o repto sobre a necessidade de reflexão em relação ao escrutínio. Justificou, depois, que apenas sugeriu reflexão e não adiamento e que as pessoas não devem ter medo de reflectir. Agora, Nyusi anuncia a criação de um grupo consultivo de eleições para análise fundamentada sobre a realização das distritais

O grupo consultivo de eleições a ser criado em 2024 terá como missão fazer uma reflexão fundamentada sobre a pertinência ou não das eleições distritais para 2024. E o resultado da reflexão será submetido à Assembleia da República para decisão final.

Entretanto, uma decisão contrária à realização das eleições distritais em 2024 implica, necessariamente, a revisão da Constituição da República.

“Pretendemos desenvolver uma democracia sólida e sustentável, capaz de nos unir naquilo que é essencial, evitando atritos sobre assuntos marginais, que nos possam dividir”, diz o Presidente da República, para quem esta medida visa “melhor preparar as eleições distritais”.

A votação dos administradores de distritos foi decidida por via de um acordo fechado entre o Governo e a Renamo, como forma de acabar com o conflito que opunha as partes, tendo levado à revisão pontual da Constituição da República, daí a sua previsão na “Lei Mãe”.

Entretanto, quando o Presidente da República falou da necessidade de reflexão sobre a viabilidade das eleições distritais em 2024, a Renamo opôs-se a discutir a viabilidade deste escrutínio e disse, aliás, que não se podia violar a Constituição da República “por vontade de um partido político”.

No mesmo pacote que prevê eleições distritais em 2024, foi acordada, entre o Governo e a Renamo, a realização de eleições autárquicas por via do sistema de lista, a realização de eleições dos governadores provinciais e a indicação, pelo Presidente da República, dos secretários de Estado para as províncias, sendo que estes acordos já estão a ser implementados.

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