A província de Gaza concentra 14 dos 31 casos de falsificação de idade detectados na XVI edição dos Jogos Escolares, que decorre em Inhambane. Há atletas com 18, 19 e até 21 anos a competir numa prova destinada a jovens dos 11 aos 16 anos.
A província de Gaza lidera o ranking de casos de falsificação de idade detectados na edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares 2026, que decorre em Inhambane, concentrando 14 dos 31 atletas considerados inelegíveis desde a fase eliminatória da competição.
A dimensão das irregularidades coloca Gaza no topo da lista das delegações com atletas cuja idade não corresponde aos critérios estabelecidos para a competição. Um dos atletas da delegação foi mandado de volta para casa, na sequência da irregularidade detectada.
Os dados foram divulgados em conferência de imprensa pela directora nacional de Saúde Escolar e Assuntos Transversais, Arlinda Chaquisse, porta-voz do festival.
Depois de Gaza, Sofala surge com sete casos, enquanto Maputo Província contabiliza três. Manica, Zambézia e Cabo Delgado registaram dois casos cada, e Inhambane um, perfazendo os 31 atletas considerados inelegíveis pela organização.
Entre os casos detectados estão atletas com 18, 19 e até 21 anos de idade, numa competição cujo regulamento estabelece a participação de jovens dos 11 aos 16 anos. A presença de atletas adultos levanta, assim, questões sobre o cumprimento dos critérios de elegibilidade e a eficácia dos mecanismos de controlo antes do início das provas.
A verificação das idades está a ser feita em coordenação com os Serviços de Identificação Civil e mantém-se ao longo da competição. Segundo Arlinda Chaquisse, parte das irregularidades foi identificada ainda antes do início das provas, permitindo a substituição dos atletas considerados inelegíveis.
No entanto, o caso de Gaza ganhou maior expressão pelo número de irregularidades detectadas. “O caso de Gaza acabou por ser mais notório porque o número foi elevado”, explicou a porta-voz, confirmando que um atleta daquela delegação foi mandado de volta para casa.
As irregularidades foram identificadas em várias modalidades, entre as quais futebol, voleibol, basquetebol, atletismo e xadrez, revelando que o problema não está circunscrito a uma única disciplina desportiva.
Para além de comprometer a transparência da competição, a utilização de atletas adultos numa prova destinada a menores pode criar desigualdades competitivas e, em determinadas modalidades, representar riscos para a integridade física dos participantes.
A organização garante que o processo de verificação vai prosseguir durante o festival e deixa um alerta aos responsáveis pelas delegações. Professores ou outros agentes envolvidos na eventual falsificação de idades poderão ser alvo de medidas administrativas.
Chaquisse assegura que o controlo pretende travar práticas que desvirtuem os Jogos Escolares e garantir que a competição cumpra a sua finalidade de promover o desporto escolar e identificar novos talentos.