A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) graduou esta quarta-feira um total de 776 estudantes, entre licenciados, mestres e doutores, numa cerimónia marcada por emoção, reconhecimento académico e apelos à responsabilidade social e profissional dos novos graduados.
O evento, realizado na cidade de Maputo, reuniu estudantes, familiares, docentes e autoridades governamentais, num ambiente de celebração que simbolizou a conclusão de uma etapa académica e o início da transição para o mercado de trabalho.
Entre os novos profissionais formados, destacam-se graduados em áreas como Medicina e Geologia Aplicada, que manifestaram entusiasmo, mas também preocupação com as oportunidades de inserção profissional.
Chelsea Macandza, licenciada em Medicina, sublinhou a necessidade de criação de mais oportunidades no sector da saúde.
“Há muita demanda de médicos que precisa de ser satisfeita. Esperamos que as oportunidades cheguem a todos nós”, afirmou.
Já Irene Massinga destacou o compromisso dos recém-formados com o serviço à população, apesar dos desafios enfrentados pelo sector da saúde.
Na ocasião, a Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, incentivou os graduados a apostarem no empreendedorismo e na criação de autoemprego como resposta aos desafios do mercado laboral.
A governante defendeu que o conhecimento adquirido pelos jovens deve ser transformado em iniciativas produtivas capazes de impulsionar o desenvolvimento económico do País.
“O emprego está à espera de vós. A questão é como. Podemos, acima de tudo, promover o autoemprego”, afirmou.
Samaria Tovela destacou ainda o papel do Fundo de Desenvolvimento Local como uma oportunidade para que os jovens possam criar pequenas empresas, com potencial de crescimento e impacto nas comunidades.
O Reitor da universidade, Manuel Guilherme Jr., apelou aos graduados para que aliem o conhecimento académico a valores como humildade, ética e dedicação profissional.
“Procurem ser cidadãos plenos de responsabilidade, humildade e respeito ao próximo. Valorizem a honestidade e o trabalho árduo”, disse.
O dirigente recordou ainda que o sucesso exige esforço contínuo, sublinhando que a formação académica deve ser acompanhada de compromisso pessoal e profissional.
Na qualidade de padrinho dos graduados, o professor catedrático e médico cardiologista Albertino Damasceno alertou para comportamentos de risco entre jovens, especialmente o consumo excessivo de álcool, apelando a uma mudança de mentalidade nesta nova geração.
O académico destacou que o consumo abusivo de álcool pode comprometer o desempenho profissional e a saúde, embora tenha reconhecido a necessidade de moderação.
Num contexto de rápida evolução tecnológica e crescimento da inteligência artificial, as autoridades governamentais reforçaram a importância de os recém-graduados adoptarem ferramentas digitais e inovação tecnológica como parte da sua adaptação ao mercado de trabalho.
A aposta em competências digitais é vista como essencial para aumentar a competitividade dos jovens moçambicanos e responder às exigências de uma economia em transformação.