O Presidente do Conselho Municipal de Chimoio, entidade responsável pela gestão da Casa Mortuária da cidade, pediu desculpas à família de uma mulher cujo cadáver foi encontrado com uma das orelhas removida. O edil garantiu que o caso está a ser investigado pelas autoridades competentes, devendo ser responsabilizado quem estiver na origem do sucedido.
Falando sobre o caso, o Presidente do Conselho Municipal de Chimoio reconheceu a gravidade da situação e manifestou solidariedade à família enlutada. “Muito humildemente, pedi desculpa à família pelo ocorrido. Vamos apurar realmente o que aconteceu e, se houver algum responsável, será punido”, afirmou, admitindo que o autor poderá ser um funcionário municipal, um profissional do hospital ou alguém estranho às duas instituições.
O edil afastou, entretanto, a possibilidade de o caso estar relacionado com tráfico de órgãos, argumentando que, segundo as informações de que dispõe, nenhuma outra parte do corpo da vítima terá sido retirada.
Na sequência do incidente, o Conselho Municipal de Chimoio anunciou o reforço das medidas de controlo na Casa Mortuária. Entre as medidas previstas está a coordenação com o hospital para que a entrada de cadáveres seja feita, sempre que possível, durante o período diurno. Em casos de falecimento durante a noite, deverá ser estabelecido um horário e um procedimento específico para a recepção dos corpos, garantindo a presença de um funcionário responsável.
Entretanto, o sector de Medicina Legal esteve, na manhã desta segunda-feira, a analisar os cortes encontrados no cadáver, com o objectivo de determinar a sua origem e esclarecer se foram provocados por intervenção humana ou por animais roedores.
As autoridades aguardam pelos resultados das investigações para determinar as circunstâncias exactas em que ocorreu a remoção da orelha e apurar eventuais responsabilidades.
O antigo Presidente do Brasil Jair Bolsonaro pediu este domingo desculpa por ter afirmado, de forma errada, que as vacinas com mensageiro RNA (mRNA) contra a COVID-19 continham grafeno, indicando que se acumula “nos testículos e ovários”.
“Como é do conhecimento geral, estou entusiasmado com o potencial de trabalho do óxido de grafeno e, inadvertidamente, associei a substância à vacina, facto que foi desmentido em agosto de 2021. Mais uma vez arrependo-me do que disse e peço desculpas”, disse o ex-presidente no Twitter, citado pela imprensa internacional.
Na sua intervenção, Bolsonaro disse, segundo o Observador, que a bula das vacinas desenvolvidas com tecnologia mRNA tinha uma referência a grafeno. “A vacina tem dióxido de grafeno, tá? Onde ele se acumula? Nos testículos e ovários”, afirmou, exclamando: “Eu li a bula”.
O pedido de desculpas de Bolsonaro acontece nas vésperas do início de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político através da disseminação de notícias falsas sobre as eleições, o que poderia, em última análise, desqualificá-lo de concorrer às próximas presidenciais.
Mais uma vez, há um novo prazo para a entrega da estrada que dá acesso aos bairros Chamissava e Incassane, no distrito de KaTembe. Depois de prometer para Junho, o Vereador do distrito garante o término das obras até Agosto deste ano.
No dia 6 de Junho de 2022, o presidente do Conselho Municipal de Maputo, Eneas Comiche, lançou a primeira pedra para a construção da estrada que dá acesso aos bairros Incassane e Chamissava, no distrito de KaTembe.
A estrada de pavê devia ter sido entregue em oito meses, ou seja, até Fevereiro de 2023.
Entretanto, a promessa falhou e uma das causas apontadas para o atraso foi a chuva, segundo justificou, em meados de Fevereiro, o vereador do distrito.
“O prazo para esta estrada é que até Junho tenhamos a estrada pronta para ser usada. Se Junho passar, se calhar é um mês ou dois meses. Temos que compreender que, devido à chuva, ficámos parados durante 15 a 20 dias”, disse Celso Fulano, vereador de KaTembe, a 19 de Fevereiro de 2023.
A menos de 15 dias para o fim do mês de Junho, apenas 1,4 quilómetros de estrada foram construídos, dos 3,2 pretendidos.
O vereador do Distrito Municipal de KaTembe faz novas promessas.
“Estamos a 78% de realização e acreditamos que até ao mês de Agosto vamos conseguir concluir”, afirmou Fulano.
Para os munícipes, a poeira que inalam há cerca de três meses e as dunas de areia que condicionam a transitabilidade contrariam o optimismo do vereador.
Nelson Júlio e Rosa Silvana reclamam e não mais acreditam na possibilidade de conclusão.
O vereador de KaTembe reconhece os desafios e apela à paciência dos munícipes, uma vez que se trata de “um feito bastante importante, que vai beneficiar todos”.
Recorde-se que a construção da estrada de pavê que dá acesso aos bairros Incassane e Chamissava está orçada em mais de 65 milhões de Meticais.
A embarcação Bagamoyo, que durante vários anos fez a travessia Maputo–KaTembe, está a ser destruída e transformada em sucata. O “ferryboat” estava avariado e atracado na ponte-cais de KaTembe há cerca de sete anos.
Durante vários anos, os “ferryboats” Bagamoyo e Mpfumo foram indispensáveis na baía de Maputo, garantindo a travessia diária de pessoas e bens, entre a Cidade de Maputo e o distrito de KaTembe.
Em 2016, a imponente embarcação Bagamoyo, em estado bastante obsoleto, que já operava com apenas um dos dois motores, saiu de circulação, dando-se, assim, o princípio do fim da sua longa serventia.
Em 2021, já não era apenas o ferryboat Bagamoyo que precisava de reforma. O Mpfumo também.
A Transmitiam, empresa responsável pela gestão, já avaliava o provável destino das duas embarcações.
“Provavelmente o Bagamoyo poderá ir a abate e vendido como sucata, tendo em conta a sua condição obsoleta e a sua idade. Afinal, estamos a falar de uma embarcação construída em 1972”, disse José Mpwete, director-geral da Transmarítima, a 21 de Maio de 2021, numa entrevista exclusiva ao “O País”.
E assim foi. Dois anos depois, a embarcação, com 51 anos de existência, está a ser transformada em sucata.
De Bagamoyo, que durante anos transportou, de Maputo para KaTembe e vice-versa, mais de 200 pessoas e oito viaturas ligeiras a cada viagem, só existirá em lembranças.
Abdul Manafi, nativo de Katembe, passou a sua adolescência usando a embarcação, defende que em vez de o destruir, devia ser recuperado e alocado a outros pontos que, neste momento, se ressente de crise de embarcações.
A nossa equipa entrou em contacto com a Transmarítima para entender as razões da destruição da embarcação, o destino da sucata e o passo a seguir em relação ao “ferryboat” Mpfumo, que, obsoleta, se encontra atracada na ponte-cais do lado de Katembe.
A área de assessoria da Direcção-Geral da empresa prometeu pronunciar-se esta segunda-feira.
As obras de alargamento da Estrada Nacional Número quatro (EN4) estão atrasadas. A situação agrava o congestionamento entre o Nó de Tchumene e Malhampsene.
Actualmente a EN4 tem duas tem duas faixas de rodagem. Em setembro do ano passado iniciaram as obras de alargamento da mesma, passaria de duas para quatro, numa extensão de 10 quilómetros, no troço da entre o Nó de Tchumene e Malhampsene.
Os trabalhos deveriam terminar em Agosto deste ano, mas estão atrasadas.
O Ministro das Obras Públicas, habitação e Recursos Hídricos, Carlos Mesquita visitou as obras esta semana para acompanhar o nível de execução, no local não gostou do que viu.
“Estou preocupado com as obras do Nó do Tchumene, junto do empreiteiro e do fiscal, a quando da visita, há um atraso de cerca de 30 dias, para a conclusão, de acordo com o que está no cronograma”, disse Mesquita
A justificação do empreiteiro e da concessionária da estrada, a Track, é que a época chuvosa que foi longa condicionou o decurso normal das obras, mas para Carlos mesquita essa não deve ser a desculpa.
“Uma obra dessas, no período em que ela estava planeada para ser executada de 12 meses, haveria uma época chuvosa no meio, portanto é uma questão de planeamento, o importante é que o empreiteiro reconhecendo, redobrou as equipas de trabalho e ele acredita que para poder recuperar”, explicou o ministro.
Um outro impasse para é este muro de vedação da lixeira de Malhampsene construído pela edilidade orçado em cerca de quatro milhões de meticais, que está próximo a estrada, entretanto ainda não há um acordo entre o município da Matola e o empreiteiro da obra para o destino a dar ao muro.
O Ministro deu ao empreiteiro o prazo de três semanas para trazer novos detalhes sobre o andamento das obras.
O Ministro exige flexibilidade e que as partes cheguem a um consenso para tirar o muro.
A monitoria vai continuar entretanto, Carlos Mesquita diz que não será feita muita pressão para não implicar na qualidade da obra, orçada em 1.65 bilhões de meticais.
O novo prazo para entrega indica Outubro deste ano.
A artista plástica Dora Chipande inaugurou, sexta-feira, na Galeria do Porto de Maputo, uma individual de pintura que procura exaltar a arte maconde. Uma das telas da mostra Dinembo será leiloada a favor dos deslocados em Cabo Delgado.
A individual de pintura de Dora Chipande é intitulada Dinembo. Do maconde, o termo quer dizer tatuagens em português. Na exposição inaugurada sexta-feira, a artista procura recuperar uma das essências da cultura maconde, que, na sua percepção, tem-se perdido: as tatuagens.
“Esta é uma exposição sobre a cultura maconde. Eu escolhi as tatuagens como tema porque esse é o símbolo mais elevado da cultura maconde”, começou por dizer Dora Chipande, admitindo que, dessa forma, pretende contribuir para a promoção tradicional através das telas.
Na sua percepção, o recurso às tatuagens maconde têm-se perdido por vários factores e circunstâncias sociais. Por isso mesmo, a artista plástica decidiu transmitir nas suas obras de pintura a prática cultural maconde, tendo como pano de fundo as vivências daquela etnia do Norte de Cabo Delgado.
Na sua individual de pintura, Dora Chipande expõe emoções, sentimentos, hábitos, costumes e imaginários. O efeito estético sempre constituiu uma preocupação, mas não foi a única coisa que a interessou. Além de se dedicar ao belo ou ao que isso pode significar, a artista propôs-se leiloar uma das suas telas e o valor será revertido a favor de causas sociais: uma no Norte e outra no Sul do país. “O que será arrecadado neste leilão vai servir para apoiarmos aos deslocados dos conflitos em Cabo Delgado e também para uma escola que estamos a ajudar a ampliar a administração e a construção de uma biblioteca em Boane”, [Província de Maputo].
Presente na cerimónia da inauguração, Hortência Chipande, mãe de Dora Chipande, confessou: “Estou contente e orgulhosa pela obra que a Dora está a fazer, porque é uma obra que a vai permitir ajudar aos necessitados”.
Dinembo, de Dora Chipane, está patente na Galeria do Porto de Maputo.
O livro infanto-juvenil de Carlos dos Santos, Os pintores de sonhos, foi laureado, esta sexta-feira, Dia da Criança Africana, durante a realização da sexta edição do Festival do Livro Infanto-juvenil da Kulemba (FLIK), na Casa do Artista, Cidade da Beira.
Uma floresta de tocos mantinha viva a memória de um tempo distante em que a música da folhagem das árvores a dançar ao vento embalava os entardeceres mornos daquela aldeia, situada no sopé de Xinhamapere. Era um tempo de que o Zua e a Mwedzi só tinham ouvido contar.
O excerto acima é extraído do primeiro parágrafo de Os pintores de sonhos, 18º livro de Carlos dos Santos. No conto infanto-juvenil, o autor explora, em primeiro lugar, um enredo cheio de surpresas e mistérios sobre os efeitos nefastos, para a vida, dos desmandos humanos em relação ao ambiente. Em segundo lugar, a obra literária lembra que a responsabilidade pelas calamidades naturais, e a solução, não exclui nenhum ser humano, “independentemente” da sua idade. “Todos” podem fazer alguma coisa positiva pelo planeta. Aliás, mesmo a condizer com o lema da sexta edição do Festival do Livro Infanto-juvenil da Kulemba (FLIK), Ler para reduzir riscos de desastres, o livro de Carlos dos Santos destacou-se, na primeira edição do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil, também por chamar atenção sobre a importância da preservação da natureza.
Na cerimónia realizada na Casa do Artista, na Cidade da Beira, o presidente do júri, Alberto da Barca, referiu-se ao efeito didáctico do conto de Carlos dos Santos, o que se revela numa linguagem que estimula a sugerida pertinência pela preservação ambiental. “A história é cativante, desperta a curiosidade, [o escritor] lidou bem com o mistério, a imprevisibilidade, e o ritmo cria suspense em cada página. O livro está escrito de forma clara, e é interessante a ideia do sublinhar de algumas palavras e haver um dicionário no fim do livro. As ilustrações, singelas, apoiam bem o texto”, lê-se na acta do júri.
Ainda na Casa do Artista, em representação dos outros membros do júri (Angelina Neves e Marcelo Panguana), Alberto da Barca explicou que, antes dos trabalhos iniciarem, todos decidiram observar questões como relevância e actualidade da mensagem; a arte de construção das frases com recurso a termos que mais se ajustam ao contexto e aos diferentes momentos da história; termos que enriquecem o vocabulário e fazem viajar na aventura ou viver a situação como se o leitor lá estivesse; palavras que ornamentam o enredo e outras que levam a reflexão e a relação entre a ilustração e o texto. Tendo feito isso, depois de seguir a avaliação das obras por fases, portanto, o júri decidiu laurear Os pintores de sonhos.
Reagindo à distinção, na manhã deste sábado, na Cidade de Maputo, Carlos dos Santos não escondeu o seu contentamento: “Estou satisfeito porque o trabalho da minha lavra foi apreciado, sobretudo pelas pessoas que constituíram aquele júri, que são pessoas que possuem elevados méritos nas artes, em particular nas artes da escrita. Saber que aquelas três pessoas acharam que aquele livro reúne uma série de critérios de qualidade, naturalmente que me apraz”. Entretanto, para Carlos dos Santos, o grande prémio será conseguir levar mais pessoas a ler a sua história e, em função disso, se gostarem, interessarem-se por outras histórias e ficarem “viciadas” na leitura. Esse, para o autor, será um prémio real.
Com 72 páginas, Os pintores de sonhos foi ilustrado por Rajau de Carvalho e lançado pela Alcance Editores, em 2021. Pela distinção, Carlos dos Santos vai receber o valor monetário na ordem de 100 mil meticais, dos quais 20% serão repartidos com o ilustrador, conforme prevê o regulamento do concurso.
Realizou-se, no sábado, na Cidade de Maputo, a primeira caminhada de cães, na companhia dos seus donos. Trata-se de uma iniciativa da AQI, empresa de retalho e distribuição de produtos para a agricultura, pecuária e pesca.
Mais de 50 cães de diversas raças, tamanhos e cores juntaram-se para caminhar e interagir com os seus donos, este sábado, na Cidade de Maputo.
Donny, de apenas um ano e oito meses de vida, é sinónimo de segurança reforçada em casa de Cristiano Daniel, que também se juntou à “passeata”.
“Eu cuido dele e ele cuida de mim, ele protege-me e deixa a casa mais segura. Os animais demonstram aquilo que é o amor, não com palavras, mas com as suas atitudes. É importante que se tenha um animal por perto”, disse Daniel.
Quem tem cães acredita ter um companheiro. Por esta razão, os proprietários dos animais apelam ao respeito pelos animais e ao fim de maus-tratos.
“Quem não tiver condições de cuidar de um animal, que não o adquira. É melhor submetê-los ao processo de adopção do que abandoná-los nas ruas ou submetê-los a outras formas de maus-tratos”, disse Cristiano Daniel.
Para retribuir a amizade e o companheirismo do melhor amigo do homem, este sábado foi dia de os juntar num único espaço para confraternização com outros cães e os seus respectivos donos.
O evento foi marcado por uma “passeata” por algumas avenidas da capital do país. Uma experiência única não só para os cães, mas também para os seus donos.
Trata-se de uma iniciativa da AQI, empresa de retalho e distribuição de produtos para a agricultura, pecuária e pesca.
“A caminhada faz muito bem, não só a nós mas também aos nossos cães. Estamos aqui em família e está a ser uma experiência diferente”, explicou Rui Brandão, responsável da organização.
Para o próximo sábado, prevê-se a realização da primeira, diga-se, “passeata” de tartarugas.
Trinta e quatro pessoas morreram nos últimos dois dias devido à onda de calor que afecta o Estado de Uttar pradesh, no norte da índia, disse uma fonte médica citada pelo Notícias ao Minuto.
Segundo um médico-chefe do distrito de Ballia, os mortos tinham todos mais de 60 anos e apresentavam problemas de saúde pré-existentes que podem ter sido agravados pelo calor intenso. Os médicos apelam que os residentes com mais de 60 anos permaneçam em casa durante o dia.
As mortes ocorreram no distrito de Ballia, cerca de 300 quilómetros a sudeste de Lucknow, a capital do estado de Uttar Pradesh, tendo 23 mortes sido registadas na quinta-feira e 11 na sexta, disse o médico.
“Todos os indivíduos estavam a sofrer de algumas doenças e as suas condições pioraram devido ao calor extremo”, afirmou, precisando que a maioria das mortes foi causada por ataque cardíaco, derrame cerebral e diarreia.
Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, Ballia registou uma temperatura máxima de 42,2 graus Celsius na sexta-feira, ou seja, 4,7 graus acima do normal.
O calor provocou cortes de energia em todo o Estado, deixando as pessoas sem água canalizada, ventoinhas ou aparelhos de ar condicionado, o que deu origem a protestos.
O Presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional de Investimentos, Omar Mithá, diz que a actual taxa de juro de política monetária é alta e que não estimula o investimento produtivo na economia. O Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, Manuel Soares, concorda com a ideia e diz que os bancos comerciais reduziram o financiamento à economia.
Com o tema “Os Desafio da Economia Mundial em 2023 e o seu impacto em Moçambique”, o Moza Banco organizou, quarta-feira, em parceria com a Fundação Dom Cabral, Embaixada do Brasil e Universidade Politécnica, uma mesa-redonda para discutir os desenvolvimentos da economia moçambicana face aos impactos da economia mundial.
Omar Mitlhá e Manuel Soares foram os oradores da mesa-redonda promovida pelo Moza Banco, tendo tecido duras críticas sobre a gestão da política monetária do Banco de Moçambique.
“As taxas de juro são altas, o que inibe o investimento produtivo. Inviabilizam os investimentos porque o custo financeiro do financiamento é uma conta de resultados. As pessoas não produzem num país só por produzir, mas sim porque têm que fazer contas e isto significa ter um retorno adequado comensurado com o nível de risco. E este retorno deriva também das contas que se fazem aos capitais alheios”, defendeu Omar Mithá.
Aumentando a taxa de juro significa, para Mithá, que a dívida pública também aumenta, o que provoca grande pressão às contas públicas. A situação aflige também as empresas e famílias com o “repricing” dos créditos que já possuem junto dos bancos comerciais, na medida em que estes aumentaram, por sua vez, a taxa de esforço dos clientes no reembolso do crédito, como resultado da política restritiva do Banco de Moçambique.
Aqui, o economista fala de possível aumento do crédito mal-parado das empresas e famílias que apresentam os mesmos custos e receitas para uma situação de créditos mais caros junto dos bancos. “A qualidade de crédito é baixa e, portanto, já é um risco do próprio sistema bancário”, explicou Omar Mithá.
Ademais, o economista, que é também conselheiro económico do Presidente da República, avançou que o sector privado calcula os riscos do seu investimento em relação às taxas de juro, pois o negócio pode ser rentável, mas não viável. “Todos os projecto que têm uma taxa de rentabilidade de 14% ou 15% vão para o lixo, ou seja, não servem, porque não têm rentabilidade positiva. Uma coisa é ter resultados líquidos positivos e outra coisa é ter viabilidade económica. Portanto, a viabilidade económica é sempre em razão do custo de oportunidade de capital, o que significa que esta situação vai retrair os investimentos, pois estes ficam na gaveta”, sentenciou, acrescentando que as medidas do banco central, a certo nível, estimulam ao invés de combater a inflação.
“A apetência de conceder crédito pelos bancos comerciais vai reduzir. Já estava, desde 2015, com um elevado nível de taxas de juro, a apetência já estava a reduzir. O facto é que nós, tendo noção, de acordo com as análises económicas que fazemos, que ninguém é capaz de aguentar quatro anos a pagar taxas de juro de 25 a 30%. Portanto, os bancos restringiram a concessão do crédito, sendo prudentes nessa concessão”, disse Manuel Soares, Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Moza Banco.
A restrição na concessão de crédito, segundo Soares, é também fruto de os bancos comerciais serem obrigados a deixar 40% dos seus depósitos no Banco de Moçambique, com a recente medida de aumento do Coeficiente de Reserva Obrigatório de 28% para 40%. Aqui, o gestor explicou que os bancos correm o risco de revelar resultados negativos, em 2024, o que pode aumentar os níveis de restrição de concessão de crédito por parte dos bancos comerciais.
Manuel Soares disse que o facto de o banco central ter deixado de comparticipar nas facturas de importação de combustíveis do país vai fazer com que só os grandes bancos participem do negócio, ao contrário dos 18 bancos que existem no país, como vinha acontecendo. “O que vai acontecer, na minha óptica, é voltarmos ao mercado, o que tínhamos há 10 anos, em que tínhamos apenas os grandes players do sistema financeiro que participavam no negócio de importação de combustíveis, porque quanto menor for a nossa quota de mercado na compra de divisas, mais difícil fica a nossa presença neste apoio às petrolíferas.
MOÇAMBIQUE PODE APROVEITAR EXPERIÊNCIA DO BRASIL NA AGRICULTURA
Moçambique pode aproveitar a experiência do Brasil para desenvolver a sua agricultura. A posição é do Embaixador do Brasil, Ademar Seabra, que falava numa mesa-redonda organizada pelo Moza Banco.
O Embaixador brasileiro defendeu a necessidade de aumentar a cooperação no sector da agricultura, aproveitando a experiência do salto na produtividade dado pelo país latino-americano.
Por seu turno, o Presidente do Conselho de Administração do Moza Banco, João Figueiredo, que participou nas notas introdutórias do evento, falou de alguns factos que têm desafiado a economia de Moçambique, nos últimos anos, desde a COVID-19, passando pelas calamidades, até à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
O CEO da Galp Moçambique, Paulo Varela, que integrou o painel de oradores, avançou que a tendência do preço do petróleo no mercado internacional pode resultar na redução do preço dos combustíveis nos próximos tempos.
O CEO da Galp Moçambique defendeu ainda que os países que mais poluíram, ao longo dos tempos, devem ajudar os em desenvolvimento, como Moçambique, a fazer a transição energética para energias limpas, de modo que contribuam para um melhor ecossistema.
Participaram na mesa-redonda do Moza Banco gestores de entidades públicas e privadas, economistas e clientes da instituição financeira.