O Presidente do Conselho Municipal de Chimoio, entidade responsável pela gestão da Casa Mortuária da cidade, pediu desculpas à família de uma mulher cujo cadáver foi encontrado com uma das orelhas removida. O edil garantiu que o caso está a ser investigado pelas autoridades competentes, devendo ser responsabilizado quem estiver na origem do sucedido.
Falando sobre o caso, o Presidente do Conselho Municipal de Chimoio reconheceu a gravidade da situação e manifestou solidariedade à família enlutada. “Muito humildemente, pedi desculpa à família pelo ocorrido. Vamos apurar realmente o que aconteceu e, se houver algum responsável, será punido”, afirmou, admitindo que o autor poderá ser um funcionário municipal, um profissional do hospital ou alguém estranho às duas instituições.
O edil afastou, entretanto, a possibilidade de o caso estar relacionado com tráfico de órgãos, argumentando que, segundo as informações de que dispõe, nenhuma outra parte do corpo da vítima terá sido retirada.
Na sequência do incidente, o Conselho Municipal de Chimoio anunciou o reforço das medidas de controlo na Casa Mortuária. Entre as medidas previstas está a coordenação com o hospital para que a entrada de cadáveres seja feita, sempre que possível, durante o período diurno. Em casos de falecimento durante a noite, deverá ser estabelecido um horário e um procedimento específico para a recepção dos corpos, garantindo a presença de um funcionário responsável.
Entretanto, o sector de Medicina Legal esteve, na manhã desta segunda-feira, a analisar os cortes encontrados no cadáver, com o objectivo de determinar a sua origem e esclarecer se foram provocados por intervenção humana ou por animais roedores.
As autoridades aguardam pelos resultados das investigações para determinar as circunstâncias exactas em que ocorreu a remoção da orelha e apurar eventuais responsabilidades.
No dia 22 de Junho, pelas 18h00, o artista plástico Pekiwa vai inaugurar uma mostra individual no Camões – Centro Cultural Português em Maputo.
Na exposição “Filhas do mar”, Pekiwa desenvolve as suas concepções escultóricas recorrendo a materiais em madeira que adquire na Ilha de Moçambique, mas também ferro que procura nas sucatas urbanas na província de Maputo.
Desde figuras animais e humanas e composições geométricas, Pekiwa esculpe no suporte de madeira e incorpora-lhe o ferro de forma a apresentar as suas inquietações do quotidiano e da sociedade onde se insere.
“Filhas do Mar”, em particular, mostra a erosão natural inerente a materiais que convivem com o mar, mas também preocupações que o artista tem sentido ao longo do seu percurso e que propõe consciencializar, mediante alguma provocação, sobre a preservação e necessária diversidade.
Segundo avança a nota de imprensa do Camões, o desenvolvimento da obra de Pekiwa busca uma reflexão sobre temas actuais e uma forte ligação à natureza marítima, inerente ao seu pensamento, ao contexto da sua obra e à busca de matéria-prima maioritariamente numa Ilha, naturalmente relacionada intimamente com o mar, e tudo aquilo que ele proporciona.
Em diferentes linhagens, Pekiwa concede também frequentemente uma nova função a objectos de arquitectura abandonados, como portas, portadas e janelas, que através de um novo olhar passam a ser objectos de fruição e permitem momentos de reflexão.
A exposição “Filhas do Mar” conta com o apoio do Millennium Bim e estará patente no Camões – Centro Cultural Português em Maputo até ao dia 31 de Agosto, de segunda a sábado, entre as 10h00 e as 17h00.
Nelson Ferreira, de nome artístico Pekiwa, é natural de Maputo (1977). Pekiwa esculpe desde a infância, tendo no início trabalhado com o escultor Govane, seu pai. Desde 1991, participa em diversas exposições colectivas e workshops nacionais e internacionais e, desde 2002, apresenta exposições individuais. A sua obra está representada em colecções públicas e privadas em Moçambique, Portugal, África do Sul, Botswana, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Senegal, Espanha, Países Baixos, E.U.A., Inglaterra, Japão, Itália e Austrália.
Nick Rosário é o grande vencedor do Prémio Literário 21 de Agosto – 2022, que contempla a edição da obra vencedora, bem como a atribuição do valor monetário de 100 mil meticais.
Segundo uma nota de imprensa, o júri composto por Josina Viegas (Presidente), Álvaro Taruma e Dionísio Bahule deliberou atribuir o Prémio Literário 21 de Agosto – 2022 a obra “As mãos do medo”, da autoria de Nick do Rosário e menção honrosa a obra “Grito de África”, da autoria de Valério Victor Amad Salimo e “A casa, a cidade em mim”, da autoria de Lino Mucuruza.
Ainda de acordo com a nota de imprensa, a atribuição do Prémio deve-se, segundo o júri, a consciência estética, rigor lexical, imagens caras e originais, um precioso exercício amadurecido da criatividade e uma mão agarrada ao conhecimento do ofício, numa constante interrogativa sobre o circunstancial, através de uma releitura histórica e tensa da Nação.
Concorreram para o Prémio 21 de Agosto – 2022 15 candidatos, de entre os quais 11 do sexo masculino e quatro do sexo feminino.
O Prémio Literário 21 de Agosto foi criado em 2014, num memorando entre o Conselho Autárquico de Quelimane (CAQ) e a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), no intuito de promover a literatura e o livro.
O Prémio é destinado a cidadãos nascidos ou residentes na cidade de Quelimane, tem periodicidade anual, os géneros elegíveis são a Poesia e a Prosa (romance, novela, conto), em anos alternados, para esta edição o género contemplado foi a Poesia.
Nick do Rosário é Licenciado em Literatura Moçambicana pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane. Publicou o livro “Gaveta de cinzas: solilóquios” (poesia-2021), pela Gala-Gala Edições, e “Poemas à sombra da infância”, pela Escola Portuguesa de Moçambique.
A agência de notação financeira Moody’s considera que o aumento da dívida interna do país e um recente “erro de comunicação destacam os desafios da gestão da dívida”, apesar de manter esperança nos resultados da futura exploração de gás.
“Embora haja muita vontade de Moçambique em cumprir as suas próximas obrigações de dívida, os recentes pagamentos atrasados, o fraco apetite pelo mercado interno de títulos do Estado e o rápido aumento da dívida interna sublinham os persistentes problemas de liquidez”, lê-se numa nota de análise aos investidores, divulgada esta semana.
A agência de notação financeira entende que “em causa, está o atraso no pagamento de cupões de dívida interna entre Fevereiro e Março, período de pressão acrescida para os cofres do Estado com o aumento da massa salarial, entre outros factores”.
A Moody’s realça que um novo momento de pressão se aproxima, entre Setembro e Novembro, com o Governo a ter de lidar com o pagamento de cupões e amortizações de dívida interna. “Em Maio, chegou a ser veiculada a ideia de se reanalisar o perfil desses desembolsos”, refere a agência financeira, que explica que “mais tarde, o Governo rectificou a declaração, dizendo que tinha sido um lapso e que não pretende redefinir o perfil daqueles instrumentos”.
A Moody’s vê neste recente erro de comunicação com os detentores de obrigações nacionais um sinal de fraca capacidade de administração da dívida, o que, em resultado, a análise coloca Moçambique no nível ‘CAA’, ou seja, “no escalão de instrumentos financeiros de alto risco”.
O acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) está a estimular reformas e já tem havido medidas para travar o crescimento da massa salarial, salienta a Moody’s, que fecha a nota de análise em tom positivo, graças às expectativas de exploração do gás natural.
“Não obstante estes desafios, as perspectivas positivas reflectem o potencial ascendente de médio prazo associado às perspectivas de crescimento no sector de gás natural liquefeito, reformas fiscais e de administração em andamento e acesso a financiamento acessível no âmbito do programa do FMI”, conclui a agência de notação financeira Moody’s.
Subiu para 318 o número de corpos encontrados em terras pertencentes ao líder de uma seita religiosa no Quénia, que defendia o jejum extremo para encontrar Jesus Cristo.
Os dados são da polícia queniana que confirmou a descoberta de mais 15 corpos de ex-crentes da seita religiosa, esta quarta-feira. Por outro lado, foram resgatadas com vida 95 pessoas, enquanto o número de pessoas dadas como desaparecidas é agora de 613.
A polícia queniana acrescentou que foi detido um novo suspeito, elevando para 36 o número de pessoas presas no âmbito do “massacre”.
As primeiras investigações da polícia começaram em Abril deste ano, depois que o pastor da igreja, um antigo taxista, criou o que chamou de Igreja Internacional das Boas Notícias, se entregou às autoridades.
O Quénia, um país com cerca de 50 milhões de habitantes, tem mais de 4.000 igrejas, de acordo com os números oficiais.
Mais de 100 pessoas morreram na Nigéria, depois de um barco que transportava cerca de 300 convidados que regressavam de um casamento se ter afundado no rio Níger, segundo as autoridades. Busca por sobreviventes continua.
O barco embateu num grande tronco de árvore e partiu-se em dois, no rio Níger, no estado de Kwara, na madrugada de segunda-feira (12.06), informou o porta-voz da polícia do estado de Kwara, Okasanmi Ajayi.
O acidente provocou a morte de pelo menos 103 pessoas, incluindo crianças. Cerca de 100 pessoas foram resgatadas até à data, de acordo com o porta-voz da polícia.
A busca por sobreviventes prossegue esta quarta-feira. “Os trabalhos de resgate ainda estão em andamento, o que significa que o número ainda pode subir”, acrescentou Okasanmi Ajayi.
Barco transportava convidados de um casamento
A embarcação transportava passageiros para o estado de Kwara, que regressavam de um casamento no estado vizinho do Níger. O barco estava sobrecarregado e tinha cerca de 300 pessoas a bordo.
O acidente ocorreu na rota entre Egboti, no estado do Níger, e Kpada, no estado de Kwara, às 3 horas da manhã, motivo pelo qual as equipas de salvamento demoraram algumas horas a responder.
O Níger é um dos maiores rios da Nigéria. Os acidentes de barco são comuns nas comunidades remotas, onde as embarcações fabricadas localmente são normalmente utilizadas para o transporte. As autoridades apontam a sobrecarga como a causa da maioria dos acidentes de barco.
No mês passado, 15 crianças morreram afogadas e 25 desapareceram, depois do barco sobrelotado no qual seguiam se ter virado no estado de Sokoto, no noroeste do país. E em dezembro, outras 76 pessoas morreram quando um barco afundou num rio no estado de Anambra, no sudeste.
O boxe foi o grande vencedor da Gala Nacional do Desporto ao conquistar as mais prestigiadas nomeações, com destaque para Alcinda Panguana e Tiago Muchanga, que foram coroados Atletas do Ano, em femininos e masculinos, Lucas Sinoia, que foi o melhor treinador masculino e para a selecção masculina, que foi a equipa do ano.
O boxe viu ainda Rady Gramane ser eleita pelos amantes do desporto, no voto popular, como a Atleta Popular, deixando para trás a concorrência de Lau King e Ana Paula Sinaportar.
Facto mesmo é que o boxe, em 2022, ano da avaliação dos melhores no desporto, conquistou várias medalhas, entre o prata e o bronze no Campeonato Mundial, as medalhas de ouro nos Africanos das regiões 3 a 6, bem como no Campeonato Africano de Maputo, e medalhas de bronze nos jogos da Commonwealth.
Aníbal Manave, recentemente reeleito presidente da FIBA-Africa, ficou com o prémio Prestígio, uma premiação dada ao desportista que tem se evidenciado pelo seu trabalho que motiva mais desportistas ao nível internacional.
A 10ª Gala Nacional do Desporto, que contou com a presença do Presidente da República, Filipe Nyusi, teve ainda outras premiações, com destaque para os clubes Estrela Vermelha e Black Bulls, pelos feitos nas infraestruturas e na formação de jogadores, bem como para o Prémio de Mérito que coube à família Mafambane que se destacou em várias modalidades ao longo do ano 2022.
“ANO 2022 FOI DE MUITAS CONQUISTAS”, DIZ FILIPE NYUSI
Para o Presidente da República, Filipe Nyusi, o ano de 2022 foi de muito sucesso para o desporto moçambicano em vários quadrantes, desde o número de medalhas conquistadas até as diversas distinções que os moçambicanos mereceram.
“A Gala Nacional do Desporto é uma celebração por excelência, com o propósito de desencadear a afirmação individual e colectiva dos desportistas. O ano de 2022 foi de muitas conquistas e isso foi possível graças a todos”, disse Filipe Nyusi.
Em termos numéricos, no ano de 2022 o país conquistou 189 medalhas, das quais 77 de ouro, 55 de prata e 57 de bronze. Este foi um feito destacado por Filipe Nyusi que destacou o facto de ter sido graças aos esforços dos atletas moçambicanos.
“Os desportistas são exemplo de que com trabalho árduo é possível alcançar resultados positivos, quer em provas nacionais e internacionais”, disse Nyusi.
Ademais, segundo o Presidente da República, “a época foi bastante pacífica porque todos gritamos e celebramos vitórias e queremos reconhecer o esforço de todos, mas principalmente daquelas modalidades que não damos importância mas que trazem alegrias e medalhas e elevam a nossa bandeira além fronteiras”.
Mas não foi somente em termos numéricos que o país ganhou em 2022. “Outro facto notável foi a indicação, em Dezembro de 2022, no Malawi, dos nossos compatriotas Lurdes Mutola, para embaixadora do Desporto em Moçambique, e Joel Libombos”, homenageados pelos esforços no desenvolvimento do desporto a nível da região, bem como no continente.
Para terminar, Filipe Nyusi destacou a reeleição de Aníbal Manave como presidente da FIBA-Africa, destacando o facto deste feito ter vindo também do organismo que gere o basquetebol ao nível mundial.
VENCEDORES DA GALA NACIONAL DO DESPORTO
Diplomas de honra aos parceiros da SED:
CFM
Companhia Moçambicana de hidrocarbonetos
HCB
FMTaekondoo
FMX
FMF
Diplomas de mérito:
Escola de Basquetebol Mucopelinhas de Nacala
Associação da Black Bulls
Prêmio carreira no Desporto:
Narcisio Faquir – treinador de atletismo paralímpico
Abdul abdula – Instrutor da CAF
FMN – Deolinda Mabote
Jorge Vulande (Mavó) – antigo jogador
José Arnaldo Salvado – futebol
Diploma de Mérito a família Mafambane – destacou-se em várias modalidades
Prémio de gestão de infraestruturas ao Clube Estrela Vermelha
Homenagem em reconhecimento aos membros de júri da gala:
António Lourenço Jr.
Abdul Remane
Adão Matimbe
Alfredo Jr
Celso Matabele
César Langa
Romualdo Mutemba
José Dava
Anatércia Tomás
José Adalberto
Fáusia Gandar
Jornalista do Ano:
Televisão: Cristina Cristiano
Rádio: Manuel Cardoso
Imprensa escrita: Reginaldo Cumbana
Treinador do Ano:
Masculino: Lucas Sinoia (Boxe)
Feminino: Ana Filipa Lobo (Natação)
Árbitro do Ano:
Nomeados: Stélio Carlos (Ténis)
Atleta revelação para desporto convencional e adaptado:
Adaptado: Avelino Mucasse (atletismo)
Convencional: Edilson Rosa (ténis)
Atleta popular:
Vencedor: Rady Gramane (Boxe)
Equipa do Ano:
Masculina: Selecção do Boxe
Feminina: Ana Paula e Vanessa Muianga
Prémio Atleta do Ano:
Desporto Adaptado: Leonardo Marcelino (Atletismo)
Masculinos: Tiago Muchanga (Boxe)
Femininos: Alcinda Panguana (Boxe)
Prémio prestígio 2022:
Aníbal Manave
O Governo deve alocar recursos financeiros para a pesquisa de novas tecnologias de produção de energia no país. Quem o diz é o director geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas, Grácio Cune, durante a conferência sobre indústria extrativa no país.
O primeiro dia da conferência internacional sobre a indústria extrativa, que acontece nesta quarta e quinta-feira, em Maputo, debateu sobre os modelos de gestão de recursos energéticos, tendo havido consenso de que não existe um modelo acabado, porém os Governos devem buscar suprir, primeiro, as necessidades internas.
O posicionamento é defendido pelo Administrador da Área de Projectos no Instituto Nacional de Petróleos (INP), José Branquinho, que considera ser essencial a atenção na gestão dos recursos energéticos, uma vez que grande parte dos países que descobriram o gás, nos últimos tempos, têm um mercado bastante incipiente.
“Seria importante ver como capitalizar esses recursos, a nível local, além de se pensar simplesmente na exportação”, disse Branquinho, acrescentando que “tem havido uma procura crescente destes recursos para desenvolvimento de projectos a nível local, o que pode fazer com que os recursos alimentem uma cadeia de valor, a nível local”.
Porque estes recursos não são renováveis, o director geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas apela ao investimento na pesquisa de outros recursos.
Este pensamento surge, igualmente pelo facto de, alguns países vizinhos estarem a ressentir-se de uma crise energética, tendo a África do Sul como exemplo, sendo que Moçambique pode ajudar a minimizar a crise.
Mas, porque estes recursos não são renováveis, o director geral-adjunto do Instituto Nacional de Minas apela ao investimento na pesquisa de outros recursos.
“Apelo às Universidades em Moçambique para que usem o seu tempo para investigar novos processos de geração de energia. E o Governo deve, deve, deve alocar recursos à pesquisa de novas tecnologias. É que, se nós não investirmos na pesquisa de novas tecnologias, de novas formas de produção de energia, não vamos longe”, disse Grácio Cune.
No sector das Minas, Grácio Cune disse que, para além do carvão, no futuro, recursos como o Metano, a Turfa, recursos nucleares e geotérmicos, entre outros, poderão ser usados para a produção de energia para alimentar a indústria nacional e regional.
O projecto é avaliado em 40 mil milhões de dólares, o dobro do PIB moçambicano, e a iniciativa será implementada por uma empresa chinesa, com a qual o Governo assinou, hoje, um memorando de entendimento.
A iniciativa denomina-se Mozambique Green Industrial Park (Parque Industrial Verde de Moçambique) e prevê a construção e exploração de um parque industrial verde, ou seja, uma estrutura com energia eólica, painéis solares e outras componentes e ainda a construção de um porto marítimo para a exportação de bens manufacturados, nos distritos de Dondo e Muanza, na província de Sofala.
O acordo que vai viabilizar aquele que será, talvez, o maior investimento a ser feito no país, entre 2023 e 2026 e com potencial de gerar 10 mil empregos para os moçambicanos, foi assinado esta quarta-feira, em Maputo, pelo ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, e a empresa Eternal Tsingshan, que vai executar o projecto.
O governante explicou que o acordo visa criar as bases para a emissão das autorizações necessárias para a implementação efectiva do projecto.
“Através deste acordo, estão criadas as bases para que o Ministério da Indústria e Comércio inicie o processo de discussão e análise técnica da proposta de investimento apresentada pelo grupo Tsingshan, em articulação com outros organismos de tutela sectorial. O processo de análise técnica deste projecto irá contemplar, igualmente, a avaliação do quadro de incentivos fiscais e garantias aplicáveis ao empreendimento, em conformidade com o previsto na legislação sobre investimentos vigente”, explicou o ministro.
O investimento, orçado em 40 mil milhões de dólares, duas vezes o Produto Interno Bruto nacional, será implementado pelo grupo chinês Eternal Tsingshan, segundo maior fabricante de produtos de aço inoxidável da China.
“Estou seguro de que este projecto, em Moçambique, vai ajudar muito o sector industrial. Então, nós precisamos muito do apoio do Governo para a implementação do mesmo”, disse o representante da empresa, Jianqiang Sun.
A proposta do projecto vai ainda à apreciação e aprovação, pelo Conselho de Ministros, à luz da legislação de investimentos vigente no país.
A directora nacional-adjunta do Serviço Nacional de Sangue diz que, nos últimos quatro anos, diminuiu o número de doações de líquido em parte, porque há pouca consciência da importância de doar sangue no país.
Esta quarta-feira, celebrou-se o Dia Mundial do Dador de Sangue, uma data criada com o objectivo de incentivar os dadores de sangue e consciencializar novos voluntários a doar o líquido vital.
Quando se doa sangue, geralmente se tem a noção de que se doa apenas um líquido que vai salvar a vida de uma pessoa. Mas, é mais do que isso. De acordo com os médicos, uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas.
Uma bolsa de sangue passa por vários processos antes de ser doada a outras pessoas, com destaque para a separação de componentes que a compõem, que são em número de três, segundo o analista clínico do SENASA, Nhikson Chongo.
“O sangue tem parte líquida, que é o plasma, que pode corrigir situações de anemia e ainda o concentrado de glóbulos vermelhos e o consertado de plaquetas, que são usados em casos de ferimentos por estes facilitarem a cicatrização de feridas.”
Depois de separado nestes três elementos, o sangue é examinado para garantir que não seja motivo de contaminação de doenças como HIV, hepatites e outras.
Três vezes por semana, as bolsas de sangue saem do SENASA para os diversos hospitais da capital do país.
Entretanto, as unidades sanitárias têm-se ressentido da falta deste líquido vital. De acordo com a directora nacional-adjunta do Serviço Nacional de Sangue, Dina Ibraim, os últimos quatro anos não foram muitos bons, sobretudo devido à pandemia da COVID-19.
“Devido à COVID-19, tivemos um decréscimo, os últimos anos não foram fáceis, mas, felizmente, no ano passado, conseguimos aumentar o número das nossas doações comparativamente aos últimos quatro anos, conseguimos colher 138,971 unidades de sangue. E fazendo uma análise do que foi colhido agora no primeiro trimestre, foram 33 mil unidades, acreditamos que conseguimos superar o mesmo período do ano passado que foram 30 mil unidades de sangue”, disse.
52% do sangue é garantido por dadores frequentes e 48% por dadores voluntários.
“O que nós queríamos alcançar era ter, pelo menos, 3% da população a doar sangue voluntariamente como recomenda a OMS. Isso iria permitir que o sangue ficasse sempre à espera do doente e não contrário, que é o que tem acontecido”, esclareceu a mesma fonte.
E tal tem acontecido, no entender da fonte, em parte porque há fraca consciência das pessoas sobre a importância de doar sangue.
“Nós ainda não temos uma sociedade conscientizada sobre a necessidade e da real importância da doação de sangue, muito se fala, mas poucos ainda têm conhecimento do impacto que uma doação tem para quem vive e precisa de uma transfusão”, considerou.
Entre algumas pessoas que não doam sangue, a justificativa comum é a falta de interesse.
“Nunca doei sangue, talvez por falta de interesse e porque também nunca estive numa situação em que alguém próximo precisasse de sangue”, disse uma munícipe, tendo uma outra acrescentado: “Nunca estive interessada, nunca me preocupei”.
O Dia Mundial do Dador de Sangue é celebrado, este ano, sob o lema: “Doe sangue, doe plasma, compartilhe a vida, compartilhe com frequência”.