O Presidente do Conselho Municipal de Chimoio, entidade responsável pela gestão da Casa Mortuária da cidade, pediu desculpas à família de uma mulher cujo cadáver foi encontrado com uma das orelhas removida. O edil garantiu que o caso está a ser investigado pelas autoridades competentes, devendo ser responsabilizado quem estiver na origem do sucedido.
Falando sobre o caso, o Presidente do Conselho Municipal de Chimoio reconheceu a gravidade da situação e manifestou solidariedade à família enlutada. “Muito humildemente, pedi desculpa à família pelo ocorrido. Vamos apurar realmente o que aconteceu e, se houver algum responsável, será punido”, afirmou, admitindo que o autor poderá ser um funcionário municipal, um profissional do hospital ou alguém estranho às duas instituições.
O edil afastou, entretanto, a possibilidade de o caso estar relacionado com tráfico de órgãos, argumentando que, segundo as informações de que dispõe, nenhuma outra parte do corpo da vítima terá sido retirada.
Na sequência do incidente, o Conselho Municipal de Chimoio anunciou o reforço das medidas de controlo na Casa Mortuária. Entre as medidas previstas está a coordenação com o hospital para que a entrada de cadáveres seja feita, sempre que possível, durante o período diurno. Em casos de falecimento durante a noite, deverá ser estabelecido um horário e um procedimento específico para a recepção dos corpos, garantindo a presença de um funcionário responsável.
Entretanto, o sector de Medicina Legal esteve, na manhã desta segunda-feira, a analisar os cortes encontrados no cadáver, com o objectivo de determinar a sua origem e esclarecer se foram provocados por intervenção humana ou por animais roedores.
As autoridades aguardam pelos resultados das investigações para determinar as circunstâncias exactas em que ocorreu a remoção da orelha e apurar eventuais responsabilidades.
Moçambique iniciou, esta segunda-feira, os trabalhos de preparação para a sua participação no Campeonato Continental de Futsal, de 07 a 13 de Agosto, em Bangkok, na Tailândia.
O seleccionador nacional, Faruk Ismael, mais conhecido por Farukito nos meandros desportivos, orientou a primeira sessão de treinos na manhã desta segunda-feira, no pavilhão Gimnodesportivo da UEM, em Maputo, sob o olhar atento do Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat.
Moçambique é convidado para esta competição que, desta vez, contará com seis selecções, nomeadamente Moçambique, Tailândia, República Checa, Ilhas Salomão, Myanmar e Afeganistão, divididas em dois grupos e cujo sorteio ainda não foi realizado.
O Campeonato Continental de Futsal, Tailândia-2023, realiza-se anualmente e, através do mesmo, as selecções preparam-se para diferentes frentes internacionais, e para o caso da selecção de Moçambique, esta busca rodagem para o Campeonato Africano de Futsal que vai decorrer no próximo ano em Maputo.
Assim, para esta participação, Farukito chamou 16 jogadores para integrarem o combinado nacional, com destaque para Ricardo Ferreira, jogador que actua no CF Futsal Mataro da Espanha.
EIS A LISTA DOS PRÉ-CONVOCADOS
Grupo Desportivo Iquebal: Nelson Luva, André Anderson, Mário Jr, Vasco Mahesse, Écan Castro, Délcio Zandamela;
Liga Desportivo Maputo: Carlos Jr. e Francisco Jr.
Atlético Moçambique: José Uetimane; Idelson Benesse, Abílio Levessene, Caldo Aníbal;
Evo Madeira Futsal Clube: Agostinho Monteiro;
Petromoc: Joaquim Jr., Félix Ubisse, Pedro Jr.
CF Futsal Mataro (Espanha): Ricardo Ferreira
Três dias após ter anunciado, durante a cerimónia dos prémios ESPY, que irá continuar a jogar na NBA para cumprir aquela que será a 21ª temporada como profissional, LeBron James, 38 anos, fez agora saber, através do amigo de adolescência e agente Rich Paul, que deixará de usar o número 6 para voltar ao 23, escreve o Jornal de Angola.
Os Lakers confirmaram a notícia através das redes sociais, noticia o jornal desportivo português, A Bola, na edição online desta segunda-feira.
“É uma decisão de LeBron. Ele decidiu deixar de usar o 6 em respeito a Bill Russell”, disse Paul ao jornalista Dave McMenamin da ESPN, referindo-se ao mítico poste dos Boston Celtics, 11 vezes campeão da Liga, Melhor Jogador (MVP), em cinco ocasiões, e All-Star em outras 12, que faleceu a 31 de Julho de 2022, aos 88 anos.
Na altura, para além de as camisolas das 30 equipas passarem a ter na época 20022/23 um número 6 sobre um fumo negro junto à alça em memória de Russell, assim como passou a existir um 6 a meio-campo fora das linhas de jogo, os Celtics foram ainda mais longe e colocaram-no também em cada garrafão, ficou igualmente decidido que o 6 seria definitivamente retirado de todas as equipas.
Agora, a mais de três meses do arranque da temporada 2023/24, a decisão está tomada e LeBron James volta a envergar o n.º 23.
Em busca de afirmação no seio da elite africana e no contexto internacional, o Ruanda, carrasco de Moçambique no play-off de acesso aos quartos-de-final e medalha de bronze na segunda edição do AfroCAN, Luanda 2023, chegou ao pódio com os préstimos de quatro jogadores naturalizados.
O Jornal de Angola fez o levantamento dos jogadores naturalizados ruandeses, com destaque para Kendall Gray, poste de 2,08 metros, 31 anos, campeão nacional pelo Petro de Luanda, em 2019, que é um dos quatro nacionalizados da selecção estreante num AfroCAN. O jogador, oriundo dos Estados Unidos, foi, com 137 minutos, o quinto mais utilizado no Campeonato Africano das Nações sénior masculino de basquetebol, pelo técnico Yves Murenzi, coadjuvado por Aristide Mugabe e Naci Ndayishimiye.
William Robeyns, base de 1,91 metros, nascido na Bélgica, Ntore Habimana, extremo de 1,96 metros, descendente do Canadá, e Dan Manzi, extremo-poste de 2,00 metros, oriundo da República Democrática do Congo (RDC), são os atletas que reforçam a selecção do Ruanda.
Robeyns, 27 anos, somou 148 minutos, tendo sido o terceiro com mais tempo em campo, conforme dados estatísticos do combinado ruandês. A seguir vem Habimana, com 145, e Manzi, com 96, é oitavo de uma lista integrada por 12 jogadores.
O base de dupla nacionalidade, canadiana e ruandesa, destaca-se ainda com 58 pontos; Ntore marcou 54, Dan 39, e Gray 35. Dieudonne Ndizeye, que alinhou por 173 minutos, em seis jogos, e marcou 94 pontos, foi o mais aproveitado e melhor cestinha da equipa.
Eis o nome dos oito jogadores natos do Ruanda: Olivier Turatsinze, Jean Jacques, Caden De Dieu Furaha, Emile Galois Kazeneza, Dick Mutatika Sano, Patrick Ngabonziza, Steven Hagumintwari e Dieudonne Ndizeye.
Sorteado no Grupo C, o Ruanda estreou-se na prova com derrotas, por 61-67 e 58-59, diante da Tunísia e do Marrocos, respectivamente. No jogo para qualificação para os quartos-de-final, suplantou Moçambique por 73-62; nos “quartos” afastou Angola por 73-63, e nas meias-finais, perdeu por 71-74, frente ao Costa do Marfim.
Na disputa pelo terceiro lugar, vitória por 82-73, foi o resultado contra a RDC.
A 28ª edição da Liga dos Clubes Campeões Árabes começa na próxima semana, em Riad, Arábia Saudita, com a participação de 16 equipas. No jogo inaugural, Wydad Casablanca de Marrocos vai defrontar o Al-Sadd do Qatar, no Prince Sultan bin Abduz Aziz Stadium
Wydad, de Marrocos, e Al-Sadd, do Qatar, medem forças, pela primeira vez na competição, naquela que vai abrir a competição que terá lugar na Arábia Saudita, de 28 de Julho a 12 de Agosto. As duas equipas somam um título cada, mesmo sem se terem defrontado antes. O conjunto africano ganhou em 1989, enquanto a equipa asiática triunfou em 2001.
O Wydad chega a esta competição depois de ter perdido o título da Liga Marroquina de futebol para o FAR Rabat e a Liga dos Campeões Africanos para o Al Ahly do Egipto, sendo que, por isso, vai apostar todas as fichas nesta competição para salvar a época 2022/23.
No outro jogo do grupo B, também marcado para dia 27 de Julho, o Al Ahly de Trípoli da Líbia terá pela frente o Al-Hilal do Sudão, num jogo em que a balança pende para os dois lados, ou seja, qualquer das duas equipas pode vencer o jogo.
Pelo grupo A, em jogos marcados para o mesmo dia 27 de Julho, o Club Sportif Sfaxien da Tunísia mede forças com Al-Shorta Sports Club de Bagdad, do Iraque. Trata-se de uma partida entre duas equipas que prometem, nesta competição, e que podem surpreender e é de prognóstico reservado.
Sfaxien e Shorta anseiam a passagem para a segunda fase da prova e vão disputar as vagas com duas outras equipas que são de grande gabarito, nomeadamente Espérance de Tunis, da Tunísia, e Al-Ittigad, da Arábia Saudita.
Espérance de Tunis e Al-ittihad, da Arábia Saudita, que se defrontam no outro jogo do grupo com a turma árabe a ser favorita, não só a vencer o grupo, mas também a competição, até porque estarão comandadas pela estrela francesa Karim Benzema, ex-goleador do Real Madrid.
O grupo C será, decerto, o que mais atenções vai ter nesta prova, uma vez que vai congregar equipas de grande nível, candidatas à conquista do título e com jogadores de nível internacional.
É o Al-Nassr, de Cristiano Ronaldo, faz parte deste grupo e vai abrir a prova defrontando o Al-Shabab de Riade da Arábia Saudita, no dia 28 de Julho, mesmo dia em que o Zamalek, do Egipto, joga com o Monastir da Tunísia.
A equipa de Cristiano Ronaldo é favorita à vitória, o mesmo que se pode dizer em relação ao Zamalek do Egipto.
Na abertura do Grupo D, o Kuwait enfrenta o Al- Wahda FC dos Emirados Árabes Unidos, com o favoritismo a recair para o conjunto que joga na condição de visitado.
Com presença constante na prova, o Kuwait com menor ou maior dificuldade, vai, certamente, conquistar os três pontos em disputa.
Belouizdad, da Argélia, vs Raja, de Casablanca de Marrocos, é o jogo de destaque do grupo D, agendado para o dia 28, por colocar frente-a-frente formações rivais. Aliás, os duelos de equipas argelinas e marroquinas são de nível de exigência máxima e de elevado grau de dificuldade.
Com início na quinta-feira da próxima semana, a competição termina a 12 de Agosto com a disputa da final, no Prince Sultan bin Abduz Aziz Stadium.
Dezasseis equipas, divididas em quatro grupos de quatro cada, participam da Champions Árabe. Os dois primeiros classificados garantem o apuramento para os quartos-de-final.
O Espérance de Tunis e o Al-Karkh SC somam três títulos cada. A equipa tunisina venceu em 1993, 2009 e 2017, ao passo que o emblema iraquiano ganhou em 1985, 1986 e 1987.
O Gabinete Central de Combate à Corrupção deteve um juiz afecto ao Tribunal Judicial da Província de Maputo, na cidade da Matola, ao ser encontrado na posse de 20 mil Meticais cobrados para criar facilidades num processo que dirigia.
Foi através de uma denúncia recebida pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção que dava conta da ocorrência de cobranças ilícitas de valores monetários numa secção do Tribunal Judicial da Província de Maputo, na cidade da Matola, por um juiz de Direito de categoria A, ou seja, o nível mais alto da magistratura. O implicado foi detido em flagrante delito, na posse de uma quantia monetária de 20 mil Meticais.
De acordo com o comunicado a que o “O País” teve acesso do Gabinete Central de Combate à Corrupção, existem fortes suspeitas de prática de crimes de concussão e de prevaricação.
“Cumpridas as formalidades legais, na tarde do dia 17 de Julho de 2023, o indiciado foi presente ao juiz do Tribunal Superior de Recurso de Maputo para o primeiro interrogatório do arguido preso, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação máxima, a prisão preventiva”, lê-se no documento.
Para o jurista Damião Cumbane, é preciso ter em conta mais elementos à volta do acto de corrupção envolvendo o magistrado.
“A única coisa que se sabe é que o indiciado foi apanhado com 20 mil Meticais, então a junção de todos os elementos que andam à volta deste crime é que vai determinar a moldura penal que vai ser aplicada”, disse Damião Cumbane, jurista.
De acordo com a mesma nota do Gabinete Central de Combate à Corrupção, o processo-crime registado encontra-se na fase de instrução.
A Procuradoria-Geral da República confirma a detenção e promete trazer mais detalhes sobre o assunto nos próximos dias.
Três mil pessoas ficaram sem abrigo, este domingo, após um incêndio num bairro de lata, numa das zonas mais pobres da cidade de Durban, na África do Sul.
De acordo com os dados da Cruz Vermelha, citados pelo Notícias ao Minuto, o incêndio destruiu cerca de mil casas e matou uma pessoa. Tudo indica, segundo a fonte, que são esperadas mais vítimas mortais que ainda não foram retiradas debaixo dos escombros.
O fogo terá começado quando duas pessoas embriagadas começaram a discutir. Imagens divulgadas nas redes sociais captaram as habitações frágeis completamente queimadas, com o fumo ainda visível a emanar dos destroços, , avança o Notícias ao Minuto.
Através do Twitter, a organização que junta a Cruz Vermelha e Crescente Vermelho (designação nos países muçulmanos) em África descreveu o caso como uma “tragédia”, e garantiu que está a tentar apoiar com alimentos, mantas e alojamento temporário para as pessoas afectadas.
Cerca de 30 mil pessoas foram retiradas das suas casas, no norte do Vietname, devido à passagem do tufão Talim, que tocou a terra no sul da China, na noite desta segunda-feira.
Os serviços de emergência alertam que o tufão poderá provocar grandes inundações em diferentes áreas da região norte devido à forte precipitação.
Informações recentes indicam que o tufão Talim aumentou de intensidade, com rajadas de vento superiores a 135 quilómetros por hora.
A principal época de inundações naquela região ocorre normalmente entre o final de Julho e início de Agosto, período no qual há aumento da actividade ciclónica.
Este tufão é um dos mais fortes a atingir o norte do Vietname nos últimos anos.
O escritor Sérgio Raimundo lançou, esta segunda-feira, na Cidade de Maputo, o seu mais recente livro de crónicas. Intitulado As ancas do camarada chefe, o título pretende ser um testemunho da realidade moçambicana.
Primeiro, as pessoas. Muito provavelmente, o Camões – Centro Cultural Português não faz ideia de quando é que teve de interromper a entrada de potenciais leitores à sua biblioteca, devido à lotação mais do que esgotada. Esta segunda-feira, isso aconteceu. Afinal, jovens, senhores, velhos, artistas, jornalistas, académicos, políticos ou público em geral, segundo disseram alguns, lá foram ver as famosas ancas do camarada chefe.
Como não é muito habitual em cerimónias de lançamento de livros, em Moçambique, muitos compraram o novo título do escritor que, nos últimos anos, vive entre Moçambique e Portugal. Por isso mesmo, como se viu, a fila para os autógrafos foi concorrida como bichas de pão, de outros tempos, e a partir do lado de fora da biblioteca do Camões.
Segundo, a expectativa. Que ancas, afinal? De que chefe? Em surdina, artistas e convidados expressavam sons quase ininteligíveis. Pois, ao mesmo tempo que desejam dizer, a vontade de ouvir era maior. Assim, apesar de a biblioteca do Camões ter estado cheia de gente, do lado do público, o silêncio sempre se impôs à apresentação de Álvaro Carmo Vaz, que, na sua intervenção, se referiu ao poder criativo do escritor e à originalidade das suas crónicas, isto é, testemunhos da realidade moçambicana. E realçou: “Estas crónicas são imprescindíveis testemunhos deste nosso tempo, deste nosso Moçambique. São textos que oscilam entre o dramático, o trágico e o infeliz. Sérgio Raimundo coloca no centro as pessoas. Com as mulheres, na sua luta diária, num plano primeiro que merece a nossa atenção”.
O livro de Sérgio Raimundo foi lançado há dois meses em Portugal. No entanto, mal “aterrou“ em Moçambique, polémica. Tal situação valeu ameaças de morte ao escritor, inclusive, expressas durante madrugadas. Sobre isso, Álvaro Carmo Vaz referiu que Moçambique não deve e não pode transformar-se num país do medo e protestou contra ameaças de, eventualmente, lambe-botas que criticaram o título do livro do escritor sem terem lido.
As cerca de 60 crónicas de Sérgio Raimundo, nessas Ancas do camarada chefe, são curtas, constituindo 125 páginas. Com o livro, a esperança de Álvaro Carmo Vaz é que o registo que se vai fazendo do país, através das crónicas, sirvam para que os mais jovens fiquem com ideias das vivências moçambicanas. Até porque nessas ancas do camarada chefe se sentem cheiros de verdade a par da qualidade literária do autor.
Além do tema sobre as mulheres, que sofrem pelas suas e pelas dificuldades que são de todos, com violência doméstica e conformismo, Sérgio Raimundo explora, no seu novo livro, questões como dificuldades nos chapas, no atendimento e no tratamento médico nos hospitais públicos e ainda valoriza a importância das mães, quiçá, as verdadeiras camaradas chefes.
Entre algumas crónicas do livro, encontram-se as que o autor se refere a figuras históricas moçambicanas. Por exemplo, Marcelino dos Santos, Graça Machel e Armando Guebuza.
Sérgio Raimundo: entre o nervosismo e a acutilância
Depois de uma longa e bem acolhida apresentação do livro, feita por Álvaro Carmo Vaz, chegou o momento de Sérgio Raimundo dizer algumas palavras de ocasião.
A primeira coisa que o escritor fez foi contar um episódio engraçado, que lhe aconteceu nesta segunda-feira enquanto se deslocava à cerimónia de lançamento. Mesmo em jeito de crónica, o autor contou que, graças às ancas, ele próprio se tornou chefe, no chapa, e, por isso, não só teve o direito de se sentar à frente da minibus, bem como o cobrador dispensou-lhe de qualquer pagamento, pois reconheceu nele, igualmente, um camarada chefe.
Assim, Sérgio Raimundo tentou disfarçar o nervosismo. Ao invés de falar propriamente do livro, diante de tantas pessoas que foram ver a cerimónia, o autor preferiu apresentar mais uma crónica que, de facto, mereceu muitos sorrisos.
Não tendo dito o que os jornalistas queriam ouvir, a parte da polémica que bem alimenta certos jornais, houve uma disputa feroz para entrevistar o escritor que, pela audiência, confessou estar a sentir-se como Cristiano Ronaldo. Os fãs de Lionel Messi ou de Dominguez parece que não gostaram da comparação. Com o microfone na mão, desviaram o escritor do futebol, que o foco era outro: a polémica, as ameaças, a morte. Então, a partir daí, não se ouviu muito do livro em si, mas de coisas como liberdade de expressão, medo e etc..
Ainda assim, Sérgio Raimundo, primeiro, confessou que, apesar de não ser o seu primeiro livro, sentia alguma responsabilidade por estar a lançar As ancas do camarada chefe. De seguida, clarificou: “Este livro, no fundo, é um diário sobre a realidade de Moçambique e sobre peripécias que se passam aqui em Moçambique”.
Já mergulhado no tema polémica, Sérgio lembrou-se do seu lado Militar. Aí, sim, foi mais acutilante nas respostas. “Eu acho que um artista deve fazer arte. A arte é aquilo que movimenta, que cria convulsão. Eu não faço artesanato. O artesanato é que não nos remete ao pensamento. Sobre as polémicas? Eu fiquei totalmente surpreendido porque se levantou sobre um livro que ainda não tinha sido lançado. Eu achei isso incrível porque o livro ainda não tinha sido lançado e já havia quem sabia do seu conteúdo. E outra coisa, eu responsabilizo-me por aquilo que escrevo e não por aquilo que as pessoas entendem que eu escrevi. Eu escrevi um livro e os outros escreveram um livro sobre aquilo que eu escrevi. E esse livro a mim não me pertence. O livro que eu escrevi é este que foi apresentado hoje, As ancas do camarada chefe.”
Já tenso, a imprensa quis saber o que o escritor sofreu, de concreto, em termos de ameaças. Sérgio Raimundo respondeu dizendo que “Deram-me uma escolha. ‘Queres que circule o teu livro ou então tu? Vocês os dois não podem circular’. Eu fiquei de rastos e tive dias difíceis porque muita gente ligada à minha família era ameaçada. Eu tenho vindo a Moçambique de seis em seis meses. Quando vim, ano passado, vi uma espécie de ignorância. Eu vi que aqui, em Moçambique, a ignorância era extrema. Mas, com isto que aconteceu comigo, eu vi que da ignorância nós saímos para estupidez. Porque o meu livro foi julgado tendo em conta o título. Só isso”.
Antes de terminar a série de respostas dadas aos jornalistas, Sérgio Raimundo, que colabora com a imprensa moçambicana e portuguesa, disse que não entende a razão das ameaças, apenas que certas pessoas se precipitaram a fazer uma analogia do título do seu livro com o que ele não sabe. “Estou feliz porque o meu título acabou por ser um motor de criatividade para as pessoas. Por cima do meu título, foram escritos vários títulos que era bom que fossem publicados também”.
Na sequência disso, os jornalistas tiveram de interromper a entrevista ao escritor porque o público, entre empurrões, disputava o primeiro lugar na fila de autógrafos, que não era bicha de pão de outros tempos.
A África do Sul destacou militares para garantirem a segurança de camiões em quatro províncias que fazem fronteira com Moçambique.
Em menos de 10 dias, mais de duas dezenas de camiões foram reduzidos à cinza nas estradas sul-africanas. Um fenómeno cujas causas ainda não se conseguiu explicar, embora a última actualização da Polícia tenha apontado existirem 12 suspeitos.
O Governo sul-africano assumiu tratar-se de sabotagem económica e decidiu envolver militares na garantia de segurança aos camionistas que circulam em quatro províncias que fazem fronteira com Moçambique.
Num comunicado divulgado na página de internet das Forças Armadas, lê-se que “as Forças de Defesa Nacional da África do Sul confirmam o seu destacamento em apoio ao Serviço da Polícia da África do Sul, nomeadamente em quatro províncias, Limpopo, Mpumalanga, Kwa-Zulu Natal e a Província de Free State”.
As autoridades sul-africanas não sabem se os ataques a camiões estão conectados entre si, pois ocorreram em várias partes do país. O ministro da Polícia, Bheki Cele, avançou que as operações são organizadas e sofisticadas.
O fenómeno está a gerar receio nos moçambicanos que se dedicam ao negócio de transporte de carga entre Moçambique e África do Sul, por temerem que os seus camiões sejam alvo de ataques.