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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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A Presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, iniciou esta terça-feira uma visita oficial de trabalho à República de Angola, onde vai dirigir a 15.ª Sessão Intercalar da Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (AP-CPLP). O encontro reúne representantes dos parlamentos dos nove Estados-membros para debater matérias ligadas à governação democrática, segurança e reforço das instituições.

A sessão decorre entre os dias 21 e 25 de Julho, subordinada ao lema “Governação Democrática, Segurança e Integridade: Fortalecendo a Resiliência Institucional na CPLP”, numa altura em que Moçambique assegura a presidência da AP-CPLP, cargo que exerce desde Julho de 2025. O país desempenha igualmente as funções de Secretariado Permanente da organização, reforçando o seu papel na promoção da cooperação parlamentar entre os Estados da comunidade lusófona.

Segundo um comunicado da Assembleia da República, antes da realização da sessão intercalar terá lugar a Conferência dos Presidentes dos Parlamentos Nacionais, acompanhada por reuniões das comissões permanentes responsáveis pelas áreas de Política, Estratégia, Legislação de Circulação, Economia, Ambiente e Cooperação, bem como da Comissão de Língua, Educação e Cultura.

O programa contempla ainda encontros da Rede de Mulheres Parlamentares da CPLP e da Rede de Jovens Parlamentares da CPLP, consideradas plataformas importantes para incentivar uma participação mais inclusiva no processo legislativo.

À margem dos trabalhos, Margarida Talapa deverá reunir-se com o Presidente da Assembleia Nacional de Angola, Adão de Almeida, para analisar o estado da cooperação entre os dois órgãos legislativos e identificar novas oportunidades de parceria institucional, legislativa e de intercâmbio.

A delegação moçambicana é composta por deputados que integram o Grupo Nacional junto da AP-CPLP, pelo Secretário-Geral da Assembleia da República, pelo Secretário Permanente da AP-CPLP e por técnicos do Secretariado-Geral. A participação de Moçambique nesta reunião visa consolidar a sua liderança na diplomacia parlamentar e fortalecer os mecanismos de concertação política entre os países da comunidade.

Espera-se que os debates resultem em recomendações destinadas a reforçar a governação democrática, a integridade das instituições e a cooperação parlamentar, numa conjuntura em que os Estados da CPLP enfrentam desafios comuns relacionados com a estabilidade política, a segurança e o desenvolvimento sustentável.

A reunião de Luanda constitui, assim, uma oportunidade para aprofundar a articulação entre os parlamentos da CPLP e promover respostas conjuntas para matérias de interesse estratégico da comunidade.

O Governador da Província defendeu o aproveitamento da terra ociosa como uma das principais estratégias para responder à crescente procura de parcelas para habitação, agricultura e investimento, considerando que a existência de extensas áreas ocupadas, mas sem qualquer exploração, representa uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento económico e social.

Durante a sua intervenção, o governante afirmou que o aumento da procura de terra contrasta com a existência de vastas áreas improdutivas, situação que, segundo disse, deve ser encarada como uma oportunidade para a criação de novos assentamentos humanos devidamente planificados, para o desenvolvimento de uma agricultura moderna e para a atracção de investimentos de grande escala.

Acrescentou que o aproveitamento dessas áreas permitirá aumentar a produção e a produtividade, criar postos de trabalho, sobretudo para os jovens, e gerar rendimentos para as famílias, contribuindo para o crescimento sustentável da província.

O Governador sublinhou que a concretização destes objectivos depende de uma actuação organizada da administração pública, baseada numa planificação rigorosa, acompanhamento permanente e maior presença das autoridades no terreno.

Referindo-se ao crescimento urbano, manifestou preocupação com a ocupação desordenada de terrenos, particularmente na cidade da Matola, onde, segundo afirmou, continuam a surgir bairros sem qualquer ordenamento territorial. Defendeu, por isso, uma mudança de abordagem, de forma a garantir um crescimento urbano mais organizado e sustentável.

Outro aspecto apontado como preocupação prende-se com a demora na emissão dos títulos de uso e aproveitamento da terra (DUAT). O Governador considerou inaceitável que cidadãos permaneçam um, dois ou mais anos à espera da documentação necessária para implementar projectos de investimento ou construir as suas habitações.

Na sua perspectiva, a morosidade nos processos administrativos favorece as ocupações ilegais de terra, alimenta conflitos fundiários, gera instabilidade socioeconómica e compromete o ritmo de desenvolvimento da província.

Perante este cenário, apelou aos serviços competentes para imprimirem maior celeridade na tramitação dos processos, assegurando que o acesso legal à terra decorra de forma mais eficiente e contribua para a promoção do desenvolvimento sustentável.

O antigo presidente da Câmara de Manchester, o trabalhista Andy Burnham, foi ontem nomeado primeiro-ministro britânico, o culminar de um percurso político marcado por uma forte ligação ao norte de Inglaterra.

Aos 56 anos, Burnham chega ao cargo após ter regressado há apenas um mês ao parlamento como deputado, condição essencial para disputar a liderança trabalhista e assumir a chefia do Governo.
Após ter renunciado à liderança de Manchester, disputou em Junho o mandato de deputado em Makerfield e a vitória eleitoral significativa face ao avanço da direita populista, num contexto de desgaste do executivo liderado pelo também trabalhista Keir Starmer, reforçou a percepção interna de que Burnham seria capaz de alargar o eleitorado do ‘Labour’ (Partido Trabalhista), incluindo em zonas tradicionalmente mais conservadoras.
Analistas e apoiantes destacam a sua capacidade de comunicação e de empatia com os eleitores, pontos fracos do antecessor.
Defensor de um “socialismo pró-negócios”, tem-se afirmado como uma alternativa dentro do partido, com uma linha política mais interventiva do que a da anterior liderança.
Nos últimos anos, criticou medidas de contenção social e posicionou-se contra o que classificou como “desregulação, privatização, austeridade e ‘Brexit’ [a saída britânica da União Europeia]”.
Em intervenções nas últimas semanas, prometeu uma política de descentralização com três prioridades: reforma dos serviços públicos, reindustrialização e regeneração territorial.
Burnham defende maior controlo público sobre sectores como água, habitação e transportes para reduzir custos para famílias e empresas, valorização dos negócios britânicos nos contratos públicos e formação profissional para os jovens.
A medida mais distintiva será a criação de um gabinete de primeiro-ministro em Manchester para promover a redistribuição do poder.
Burnham ganhou projecção nacional durante a pandemia de covid-19, período em que liderou a contestação a medidas governamentais consideradas insuficientes para apoiar empresas e trabalhadores no Norte de Inglaterra, o que lhe valeu o epíteto de “rei do Norte”.
À frente da Câmara da Grande Manchester desde 2017, cargo para o qual foi reeleito por larga margem, destacou-se pela reforma dos transportes públicos, com a integração de autocarros, eléctricos e comboios numa rede articulada com tarifas acessíveis.
Natural de Liverpool, Andrew Murray Burnham nasceu a 07 de Janeiro de 1970 e cresceu entre esta cidade e Manchester, sendo conhecido universalmente pelo diminutivo “Andy”, que figura inclusivamente nos registos oficiais.
Filho de um técnico de telecomunicações e de uma recepcionista de um centro de saúde, aderiu ao Partido Trabalhista aos 14 anos, influenciado pela greve dos mineiros de 1984-85.
Licenciado em Inglês pela Universidade de Cambridge, foi eleito deputado por Leigh em 2001, mandato que exerceu até 2017.
Durante os governos trabalhistas, desempenhou vários cargos, incluindo ministro da Cultura e ministro da Saúde entre 2005 e 2010.
Burnham tentou por duas vezes liderar o Partido Trabalhista, tendo sido derrotado nas eleições internas de 2010, por Ed Miliband, e de 2015, por Jeremy Corbyn.

Pelo menos uma pessoa morreu e 120 estão desaparecidas após dois acidentes ao largo da costa da Mauritânia registados no fim-de-semana com barcos onde viajavam migrantes, anunciaram ontem as autoridades locais.

Segundo avançou nas redes sociais o Ministério das Pescas do país, a primeira operação de busca e salvamento foi iniciada após ter sido recebido um pedido de socorro de uma embarcação com “aproximadamente 160 pessoas a bordo” que tinha partido de Banjul, capital da Gâmbia, e se dirigia para as ilhas Canárias, em Espanha.
“A embarcação teve um problema e ficou sem combustível, ficando à deriva em águas internacionais antes de entrar em águas territoriais mauritanas”, explicou o ministério.
Neste caso, as equipas de busca resgataram 37 pessoas – 22 senegaleses, sete gambianos e oito guineenses – além de terem recuperado um corpo no mar.
A embarcação, adiantou o ministério, “passou cerca de 25 dias no mar”, tendo os sobreviventes relatado terem estado “à deriva durante cerca de 10 dias”.
Todos disseram também que ficaram sem água e comida, o que os obrigou a beber água do mar.
“Suportaram condições extremamente difíceis”, lamentou o ministério mauritano, garantindo que as buscas pelos passageiros desaparecidos continuam.
As autoridades referiram ainda que os sobreviventes já foram levados para terra, especificamente para o porto de Nouadhibou, de onde sete foram transferidos “de urgência” para um hospital para “receberem os cuidados médicos necessários”.
Além disso, sublinhou o ministério, uma segunda operação foi realizada no fim de semana, tendo sido resgatadas 179 pessoas – 168 senegaleses, cinco ganeses, quatro gambianos e dois malianos –, algumas das quais também tiveram de ser levadas para um hospital para tratamento, embora não tenham sido adiantados pormenores sobre a gravidade do seu estado de saúde.
A Mauritânia é um país de trânsito central e ponto de partida crucial da Rota da África Ocidental (ou Rota do Atlântico).
Migrantes oriundos de países subsaarianos (como o Senegal e a Gâmbia), muitas vezes com o auxílio de redes de tráfico humano, utilizam a costa do país para realizar travessias marítimas até às ilhas Canárias, o que representa uma distância oceânica que varia entre 100 km e 1600 km.
A travessia é feita em embarcações precárias e superlotadas, conhecidas localmente como pirogas.
Esta rota migratória é considerada uma das mais letais do mundo, devido aos fortes ventos, correntes marítimas adversas e à fragilidade das embarcações, o que resulta com frequência em naufrágios e desaparecimentos.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) refere no seu ‘site’ que cerca de 6600 pessoas morreram ou desapareceram nesta rota desde 2014, um número inferior apenas ao registado na rota do Deserto do Saara – que ligação para os migrantes da África Subsaariana que tentam chegar ao Norte de África e, posteriormente, à Europa através do mar Mediterrâneo ou do oceano Atlântico –, onde foram documentadas mais de 7100 mortes e desaparecimentos.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, recebeu hoje, em Maputo, uma delegação do  Grupo Pamesa Cerámica, num encontro de seguimento das  conversações iniciadas recentemente em Lisboa com o presidente do  grupo espanhol, Fernando Roig, tendo as partes avançado na  definição de acordos de cooperação que poderão incluir a criação  de 10 escolas de formação desportiva em Moçambique, através do  Villarreal Club de Fútbol, e iniciativas na área da energia. 

No final do encontro, o Director de Aprovisionamento, Compras e  Energia do Grupo Pamesa, Javier Portalés, explicou que a visita a  Moçambique resulta do convite formulado pelo Presidente da  República durante a sua recente Visita Oficial à República Portuguesa, 

onde foram discutidas oportunidades de parceria entre o Estado  moçambicano, a Pamesa Cerámica e o Villarreal CF. 

“Acabámos de ter uma recepção com o excelentíssimo Presidente de  Moçambique”, afirmou Javier Portalés, acrescentando que a reunião  permitiu dar continuidade às discussões iniciadas em Lisboa. “Viemos  por convite do Presidente, que nos fez em Lisboa na quinta-feira  passada, e avançámos nos acordos comerciais que estamos a propor  realizar entre o Estado moçambicano, a Pamesa Cerámica e o  Villarreal Club de Fútbol”, declarou. 

O responsável do grupo espanhol disse haver expectativa de que os  entendimentos possam ser formalizados brevemente, através de um  instrumento que estabeleça os termos da cooperação entre as partes.  “Portanto, pensamos que nestes dias podemos assinar algum  memorando que feche estes acordos e estas relações tão importantes  que podem surgir entre Espanha e Moçambique”, afirmou. 

No domínio da formação de jovens, Javier Portalés revelou que a  proposta em análise prevê a criação de centros de formação  desportiva inspirados no modelo do Villarreal CF, com abrangência  nacional e uma forte componente educativa e social. 

“Estamos em condições de arrancar com várias escolas,  concretamente. Já estudámos que poderiam ser 10 escolas em  Moçambique, distribuídas por todo o país, para começar a formar  jovens no futebol e, sobretudo, a nível social, a nível educativo, e que  possam ser futebolistas ou formar-se como pessoas”, explicou. 

Para sustentar a experiência do clube espanhol nesta área, o Director  de Aprovisionamento, Compras e Energia do Grupo Pamesa destacou  o contributo da academia do Villarreal para o desenvolvimento de  talentos. “A título de exemplo, tenho a dizer-vos que ontem a selecção  espanhola ganhou o Mundial e há quatro jogadores da selecção  espanhola que se formaram em escolas do Villarreal Club de Fútbol”,  disse. 

A possibilidade de cooperação entre Moçambique e o Grupo Pamesa  começou a ser desenhada durante o encontro entre o Presidente 

Daniel Chapo e Fernando Roig, em Lisboa, no qual o empresário  espanhol manifestou interesse em estabelecer uma parceria  estratégica com o país nas áreas de energia, incluindo o gás natural  liquefeito (GNL), e na formação de jovens. 

Na ocasião, Fernando Roig explicou que a experiência empresarial do  Grupo Pamesa, o maior grupo cerâmico da Europa, aliada ao  percurso do Villarreal CF na formação de atletas, poderia contribuir  para novas oportunidades de cooperação com Moçambique, tendo  as partes acordado prosseguir com contactos para concretizar as  iniciativas discutidas. 

“Estamos prontos para arrancar”, concluiu Javier Portalés, reafirmando  a disponibilidade da empresa para avançar com os projectos em  preparação no âmbito da parceria com Moçambique. 

Apesar da continuidade de marchas contra cidadãos estrangeiros, alguns moçambicanos estão a regressar à África do Sul. Nos terminais internacionais da Baixa e da Junta, as associações chegam a tirar cinco viaturas com lotação de 15 lugares para os vários pontos da “Terra do rand”.

Proprietária de um salão de beleza num bairro periférico de Joanesburgo, onde trabalha há já cinco anos, Rosa Nhamue regressou a Moçambique a 30 de Julho, dia de ultimato que os líderes do movimento March and March deram aos estrangeiros em situação ilegal para voltarem aos países de origem. Vinte dias depois, entre dúvidas e relatos embarca para o país onde consegue o seu sustento: a África do Sul.

“Sim, estou a voltar para a África do Sul, porque aqui, em Moçambique, não há trabalho, não há nada”, justificou a sua decisão. Sobre a vida na África do Sul desde o início das marchas, a empreendedora explica que “na nossa zona não há manifestações, só estão a marchar.”

De regresso à África do Sul, Fenias Mafumo é outro moçambicano sem escolhas para permanecer por longo período em solo pátrio, devido às suas actividades na terra do Rand. Disse ter recebido garantias de amigos naquele país de normalização da situação, apesar da continuidade das marchas às quinta-feiras.

“Entra-se na África do Sul. A Xenofobia observou trégua, não é igual aos dias passados, embora todas as quintas-feiras haja marchas, e isso tem assustado as pessoas”, tranquilizou, justificando a sua escolha pela África do Sul, “estamos acostumados a virar a vida na África do Sul. Em Moçambique não há trabalho, então veremos na África do Sul”.

Os transportadores internacionais, quer na Junta assim como na Baixa da Cidade de Maputo, dizem haver um relativo movimento de passageiros à procura de transporte para a África do Sul.

Jonas Fumo, da Associação baseada na Junta, diz que a situação voltou ao normal, pois já conseguimos tirar de 3 a 5 carros por dia. Há 10 dias, não conseguimos nem um ou dois carros.”

Moçambique tem sido, nos últimos dias, o corredor de regresso de cidadãos africanos aos seus países de origem.

O número de vítimas mortais provocadas pelo duplo sismo que atingiu a Venezuela, a 24 de Junho, subiu para 4.930, segundo os mais recentes dados oficiais divulgados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

O novo balanço representa um aumento de 101 mortos em relação à actualização anterior.

As autoridades venezuelanas indicam ainda que o número de feridos se mantém em 16.740, enquanto 17.907 pessoas continuam desalojadas na sequência da destruição provocada pelos abalos sísmicos.

A actualização foi partilhada por Jorge Rodríguez na plataforma Telegram. O responsável é igualmente irmão da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

As operações de assistência às populações afectadas e de recuperação das zonas devastadas prosseguem, numa altura em que milhares de famílias continuam a enfrentar dificuldades causadas pela tragédia.

Cerca de três mil alunos de uma escola pública continuam a frequentar as aulas em tendas, cinco meses depois da interdição do edifício principal, considerado inseguro por uma equipa técnica destacada pelo Governo.

A infraestrutura, composta por 18 salas de aulas, foi totalmente encerrada na sequência de uma avaliação realizada por engenheiros, incluindo técnicos do sector da Educação, que concluíram existir riscos para a segurança da comunidade escolar.

Enquanto aguardam pelo início das obras de reabilitação ou reconstrução, os estudantes assistem às aulas em 12 tendas instaladas no recinto da escola e em algumas salas de construção precária, erguidas com o apoio da comunidade.

Os alunos queixam-se das condições em que decorre o processo de ensino e aprendizagem. Entre as principais preocupações estão o intenso calor no interior das tendas, a incidência directa da luz solar sobre os cadernos, que provoca fadiga e dores de vista, a falta de energia eléctrica e a fraca iluminação em dias nublados ou de cacimba, dificultando a visualização do quadro.

Outra reclamação recorrente prende-se com o mau cheiro proveniente das casas de banho, cuja limpeza é considerada deficiente, afectando sobretudo os estudantes colocados nas tendas mais próximas das instalações sanitárias.

Os estudantes questionam ainda o destino das contribuições cobradas anualmente para a construção e melhoria das infra-estruturas escolares, alegando que, apesar dos pagamentos efectuados durante as matrículas, não se registam avanços visíveis nas obras.

A comunidade escolar manifesta igualmente preocupação com o estado do edifício interdito, defendendo uma nova avaliação técnica para evitar o risco de um eventual desabamento.Segundo os intervenientes, as promessas de intervenção têm-se repetido sem que, até ao momento, tenham sido concretizadas.

A direcção da escola confirma que a interdição das 18 salas foi uma medida preventiva recomendada pelos especialistas, permitindo salvaguardar a integridade física de alunos, professores e funcionários, enquanto se aguarda por uma solução definitiva para o regresso às aulas em condições adequadas.

Cerca de 210 famílias do povoado de Nhangal, no distrito de Chókwè, província de Gaza, receberam kits de sementes agrícolas para retomar a produção alimentar e reconstruir os seus meios de subsistência, depois de as cheias terem destruído culturas e afectado as fontes de rendimento das comunidades.

A iniciativa, desenvolvida através de uma parceria entre a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), a Yango Moçambique e as autoridades locais, pretende contribuir para a recuperação das famílias afectadas e reforçar a sua capacidade de produzir alimentos e gerar rendimento.

Cada agregado familiar beneficiário recebeu um kit de sementes com potencial para apoiar o cultivo de aproximadamente 1,5 hectares em condições ideais. Com o apoio, espera-se que as famílias retomem a actividade agrícola e produzam hortícolas diversificadas, contribuindo para o reforço da segurança alimentar e nutricional.

As cheias provocaram a destruição de culturas agrícolas e o esgotamento das reservas alimentares, deixando muitas famílias dependentes de assistência. Num distrito onde a agricultura constitui uma das principais fontes de rendimento e subsistência, a recuperação da capacidade produtiva é considerada essencial para a reconstrução das comunidades.

Segundo o Chefe do Posto Administrativo de Chilembene, Noé Vasco Sitoe, Nhangal esteve entre as comunidades mais afectadas pelas cheias. O responsável apelou às famílias para que utilizem as sementes nas suas machambas, de modo a garantir a continuidade da produção agrícola e fortalecer a capacidade de recuperação da comunidade.

Além de contribuir para a segurança alimentar, a iniciativa pretende permitir que as famílias comercializem o excedente da produção, criando oportunidades de geração de rendimento e reduzindo a dependência prolongada de ajuda externa.

A acção enquadra-se nos esforços de recuperação das comunidades afectadas por eventos climáticos extremos e aposta no fortalecimento da resiliência e da autonomia das famílias.

Para as entidades envolvidas, a recuperação sustentável passa por devolver às comunidades a capacidade de produzir, gerar rendimento e reconstruir os seus meios de subsistência com dignidade.

Assim, o apoio às 210 famílias representa não apenas uma resposta às consequências imediatas das cheias, mas também um investimento na recuperação económica e na resiliência das comunidades afectadas.

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