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O País – A verdade como notícia

Moçambicanos regressam à África do Sul apesar da xenofobia

Apesar da continuidade de marchas contra cidadãos estrangeiros, alguns moçambicanos estão a regressar à África do Sul. Nos terminais internacionais da Baixa e da Junta, as associações chegam a tirar cinco viaturas com lotação de 15 lugares para os vários pontos da “Terra do rand”.

Proprietária de um salão de beleza num bairro periférico de Joanesburgo, onde trabalha há já cinco anos, Rosa Nhamue regressou a Moçambique a 30 de Julho, dia de ultimato que os líderes do movimento March and March deram aos estrangeiros em situação ilegal para voltarem aos países de origem. Vinte dias depois, entre dúvidas e relatos embarca para o país onde consegue o seu sustento: a África do Sul.

“Sim, estou a voltar para a África do Sul, porque aqui, em Moçambique, não há trabalho, não há nada”, justificou a sua decisão. Sobre a vida na África do Sul desde o início das marchas, a empreendedora explica que “na nossa zona não há manifestações, só estão a marchar.”

De regresso à África do Sul, Fenias Mafumo é outro moçambicano sem escolhas para permanecer por longo período em solo pátrio, devido às suas actividades na terra do Rand. Disse ter recebido garantias de amigos naquele país de normalização da situação, apesar da continuidade das marchas às quinta-feiras.

“Entra-se na África do Sul. A Xenofobia observou trégua, não é igual aos dias passados, embora todas as quintas-feiras haja marchas, e isso tem assustado as pessoas”, tranquilizou, justificando a sua escolha pela África do Sul, “estamos acostumados a virar a vida na África do Sul. Em Moçambique não há trabalho, então veremos na África do Sul”.

Os transportadores internacionais, quer na Junta assim como na Baixa da Cidade de Maputo, dizem haver um relativo movimento de passageiros à procura de transporte para a África do Sul.

Jonas Fumo, da Associação baseada na Junta, diz que a situação voltou ao normal, pois já conseguimos tirar de 3 a 5 carros por dia. Há 10 dias, não conseguimos nem um ou dois carros.”

Moçambique tem sido, nos últimos dias, o corredor de regresso de cidadãos africanos aos seus países de origem.

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