Uma agente prisional e outra mulher estão detidas na cidade de Xai-Xai, acusadas de maus-tratos contra os próprios filhos.
Uma delas terá agredido sistematicamente o filho menor de 12 anos, e outra é suspeita de agredir e tentar obrigar uma criança de sete anos de idade a ingerir fezes. Os casos já instaurados foram denunciados à Polícia da República de Moçambique (PRM) pela comunidade.
Entre as indiciadas está uma agente do Serviço Nacional Penitenciário, de 38 anos de idade, acusada de agredir de forma recorrente o próprio filho. A denúncia partiu da vizinhança, e os relatos foram posteriormente confirmados pelos restantes filhos da indiciada.
O chefe das Relações Públicas da PRM em Gaza, Carlos Macuácua, diz que a intervenção policial ocorreu depois das denúncias.
“A polícia tratou de averiguar. Encontradas as evidências, elas foram levadas para a subunidade, lavrados os autos e entregues às outras instituições para poderem ser responsabilizadas”, explicou Carlos Macuácua.
A Polícia da República de Moçambique assegura que a condição profissional da indiciada não altera o tratamento do processo, embora reconheça a particularidade de se tratar de uma agente de autoridade.
“Olhamos a situação preocupados quando é agente de autoridade envolvida. Mas o tratamento é normal de agente indiciado a um crime: lavrar o processo e entregar a outras instituições para sua responsabilização”, esclareceu Macuácua.
Na Segunda Esquadra da PRM em Xai-Xai, está também detida uma mulher de 39 anos, doméstica, suspeita de maus-tratos contra o filho, de sete anos. Neste caso, a mulher é acusada de agressões físicas e de tentar obrigar o menor a ingerir fezes.
A indiciada nega ter obrigado a criança a ingerir as próprias fezes. Diz estar arrependida e afirma que recorria a agressões depois de chamar a atenção do menor várias vezes.
Entretanto, a PRM enquadra o caso entre práticas de tratamento cruel contra a criança. “Uma é tortura, a outra é indiciada de alimentar a menor com excrementos humanos, entre outras situações de tratamento cruel a um humano”, afirmou Carlos Macuácua.
Segundo a PRM, os dois processos foram instruídos e deverão ser encaminhados às instituições competentes para a responsabilização das indiciadas.
O surto de Ébola na República Democrática do Congo e Uganda ultrapassou os 600 casos confirmados e causou mais de 100 mortes, enquanto as autoridades de saúde avisam que a insegurança, a falta de recursos e as restrições de viagem estão a dificultar os esforços para conter o vírus. Por outro lado, os EUA apelam a controlos de viagem mais rigorosos à medida que os casos tendem a subir.
As infecções confirmadas de Ébola na República Democrática do Congo e Uganda subiram para 608, com 102 mortes registadas até 8 de junho corrente, de acordo com os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças citadas pela AfricaNews.
A RDC continua a ser o epicentro do surto, com 589 casos confirmados após a deteção de 45 novas infeções num período de 24 horas. Uganda não registou novos casos confirmados durante o mesmo período.
As autoridades de saúde acreditam que o número real de infeções pode ser maior devido à subnotificação e às dificuldades de acesso às comunidades afectadas.
Face ao cenário, os Estados Unidos da América apelam a controlos de viagem mais rigorosos..
Os esforços de resposta enfrentam grandes obstáculos. As autoridades de saúde afirmam que a resposta ao surto está a ser dificultada por severas limitações operacionais em várias regiões afectadas.
Muitas unidades de saúde carecem de necessidades básicas, incluindo água potável, equipamentos de proteção, materiais de descontaminação e incineradores funcionais.
Um total de 1.317 migrantes morreram a tentar chegar à costa espanhola nos primeiros cinco meses deste ano, revela um relatório hoje divulgado pelo coletivo Caminando Fronteras.
Mais de 1.300 pessoas faleceram entre 01 de janeiro e 31 de Maio das quais 142 eram mulheres e 129 eram menores de idade. Além disso, 27 embarcações desapareceram com todas as pessoas a bordo, segundo um relatório divulgado pelo coletivo Caminando Fronteiras citado pela imprensa internacional.
Segundo o coletivo, a rota atlântica continua a ser a mais mortífera da fronteira, com 635 vítimas.
No que diz respeito à rota argelina, a organização indicou que o número de vítimas ultrapassou, pela primeira vez, as 507, o que representa um aumento de 54% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, segundo a fonte, a rota do Estreito de Gibraltar duplicou o número de vítimas, passando de 52 para 99 em 2026, enquanto na vedação de Ceuta morreram 48 pessoas nos primeiros cinco meses de 2026.
Familiares, colegas, amigos e membros do Governo despediram-se, esta quarta-feira, do jornalista e assessor de imprensa José Sixpence, que dedicou décadas ao serviço da comunicação social e do Estado moçambicano.
Familiares, amigos, colegas de profissão e representantes do Governo prestaram esta semana a última homenagem ao jornalista José Sixpence, falecido no último sábado. A cerimónia de velório, marcada por momentos de profunda emoção, reuniu dezenas de pessoas que recordaram o percurso profissional, o humanismo e o legado deixado por uma das figuras mais respeitadas da comunicação social moçambicana.
Num ambiente de silêncio, lágrimas e recordações, multiplicaram-se os testemunhos sobre a vida de um homem que dedicou grande parte da sua carreira ao jornalismo e, mais tarde, ao serviço público, enquanto assessor de imprensa de vários chefes do Governo.
Familiares destacaram a dimensão humana de José Sixpence, recordando os momentos de convivência, amizade e união que cultivou ao longo da vida.
“As nossas confraternizações já não terão o mesmo tom, a mesma alegria. A canção Mussakazi, que tantas vezes serviu de banda sonora aos nossos momentos felizes, carregará agora um significado mais profundo”, referiu um dos familiares durante a cerimónia, recordou João Saltie, familiar.
Um dos momentos mais marcantes do velório aconteceu quando os filhos tomaram a palavra para homenagear o pai, descrevendo-o como mentor, educador e principal referência da família.
“Pai, a tua partida deixou um vazio que nada nem ninguém será capaz de preencher. Foi contigo que aprendemos valores fundamentais que levaremos para toda a vida. Hoje queremos fazer-te uma promessa: preservar o teu legado e continuar unidos, exatamente como sempre desejaste”, afirmaram.
Em representação do Governo, a Primeira-Ministra, Benvinda Levi, destacou o contributo de José Sixpence para a consolidação das instituições do Estado e para o fortalecimento da comunicação pública.
“José Sixpence foi uma figura relevante que consentiu imensos sacrifícios para realizar com lealdade, zelo e dedicação as suas actividades profissionais em prol da consolidação do Estado moçambicano, tanto como jornalista, assim como assessor de imprensa do Primeiro-Ministro”, afirmou.
Segundo a governante, Sixpence distinguiu-se pelo elevado sentido de responsabilidade e pelo compromisso com o serviço público, tendo muitas vezes sacrificado o convívio familiar para responder aos desafios profissionais que lhe eram confiados.
Amigos próximos recordaram a simplicidade, a capacidade de construir relações duradouras e a facilidade com que aproximava pessoas de diferentes gerações e círculos sociais.
“Sixpence foi um poço fértil de amizades. Conservou amigos de infância, da vida, da profissão e até os amigos dos seus amigos. Sempre presente, sempre fiel e sempre disposto a unir pessoas”, referiu o representante dos amigos.
Também os colegas de profissão prestaram tributo ao jornalista, destacando o seu profissionalismo, rigor e permanente disponibilidade para apoiar os mais jovens.
Representantes da Sociedade Notícias e do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) descreveram Sixpence como um profissional íntegro, respeitado e comprometido com os valores éticos da profissão.
“O seu humanismo, o profissionalismo e a responsabilidade com que assumia as tarefas que lhe eram confiadas levaram-no a granjear simpatia e admiração entre colegas, amigos e superiores hierárquicos”, destacou Faruco Sadique representante do Sindicato Nacional dos Jornalistas.
Formado pela Escola de Jornalismo e pelo Instituto Superior de Relações Internacionais, José Sixpence construiu grande parte da sua carreira na redação do Jornal do Domingo, onde se destacou pelo rigor e pela qualidade do seu trabalho jornalístico.
Em 2015, assumiu funções como assessor de imprensa do Primeiro-Ministro, cargo que exerceu ao lado de diferentes chefes do Governo, incluindo Carlos Agostinho do Rosário, Adriano Maleiane e, mais recentemente, Benvinda Levi.
A sua partida deixa um vazio na comunicação social moçambicana e entre aqueles que com ele trabalharam ao longo de décadas. As homenagens prestadas durante o velório refletiram o reconhecimento de uma vida dedicada ao jornalismo, ao serviço público e à construção de pontes entre as instituições e os cidadãos.
Agostinho do Rosário-Antigo Primeiro-Ministro
“Um jornalista profissional, um jornalista muito isento. Deram-nos uma lista muito grande na altura e ele estava em primeiro lugar nessa lista e seleccionamos o Sixpence. Apareceu no gabinete e mostrou que, de facto, é um jornalista que tinha aquelas qualidades. Um jovem muito humilde, apesar de ele estar na altura no gabinete do Primeiro-Ministro, nunca deixava de fazer essa ponte, essa relação muito forte com os colegas jornalistas e fazia uma ligação boa com os jornalistas, todos eles, e com a Assembleia da República. E era um jovem que era interessante, o seu equilíbrio nas posições, apesar de estar num lugar onde estava, mas era uma pessoa que tinha um sentido de equilíbrio nas posições espectacular”.
Adriano Maleiane-Antigo Primeiro-Ministro
“Eu não tenho palavras para descrever o vazio que nos invade a ausência do Sixpence. Um funcionário, um colaborador, um moçambicano bastante dedicado, ao longo dos anos que eu tive oportunidade de trabalhar com ele. Ele foi sempre aquilo que foi dito, um funcionário que facilitou a minha articulação com a imprensa, com a sociedade, e ele fez isso com muito zelo e muita dedicação”
Orelvo Lapucheque-Jornalista
“Foi uma marca indelével por onde passou, seja na Sociedade Notícias, como jornalista, e mais tarde como assessor de imprensa no gabinete do Primeiro-Ministro. Tive momentos únicos com ele, foi um ser humano de um coração nobre, um alto profissional, Deus o tenha. Eu fui uma das pessoas que trabalhei com ele em várias circunstâncias, presença aberta, até consultório”
Feito Tudo Mal-Colega de trabalho
“Falar de Sixpence é falar de uma pessoa muito amável, de uma pessoa que sabe ser e estar, de uma pessoa que dava ensinamentos em todos os níveis da sociedade. Era um optimista e penso que é assim que devemos olhar para a vida, com optimismo e pensar que haverá dias melhores, mas acima de tudo preservar as coisas boas que ele fez. É daquelas coisas que, infelizmente, enquanto as pessoas estão vivas, nós não dizemos às pessoas e sentimos a falta quando eles partem. Sixpence era essas três coisas, profissional, mas sobretudo humilde”
O brasileiro Rodrygo, o alemão Serge Gnabry e o neerlandês Xavi Simons são alguns dos futebolistas ausentes do Mundial 2026 por lesão, cenário pelo qual a selecção portuguesa passa incólume a quase uma semana da estreia.
Vários internacionais lusos enfrentaram problemas físicos em 2025/26, incluindo o avançado e capitão Cristiano Ronaldo, mas nenhum ficou, para já, impedido por esse motivo de participar na 23.ª edição do principal torneio internacional de selecções, que se realiza de quinta-feira a 19 de Julho e integra pela primeira vez 48 equipas, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.
Portugal, detentor da Liga das Nações e a caminho da nona presença, e sétima consecutiva, era até segunda-feira um dos 11 países sem ausências significativas por razões clínicas, tendência extensível a Bélgica, Croácia, Curaçau, Haiti, Panamá, Qatar, Senegal, Tunísia, Turquia ou Uruguai, mas rara entre os principais candidatos à conquista do troféu.
Habitual titular do Brasil, único pentacampeão do mundo e totalista em fases finais, o avançado Rodrygo sofreu uma rotura ligamentar num joelho em Março e encabeça o elenco de ausentes da escrete “canarinha”, a incidir ainda em Éder Militão, ex-defesa direito do FC Porto, Vanderson, Luciano Juba, Estêvão e Vitor Roque, mais Wesley, substituído no domingo por Éderson.
De acordo com o regulamento da prova, só são permitidas alterações nas convocatórias em caso de lesão grave ou doença, até 24 horas antes da primeira partida da respectiva selecção, prazo inexistente para os guarda-redes, que podem ser rendidos por esses motivos a qualquer momento.
A Alemanha também ficou privada à última hora de Lennart Karl, cuja vaga foi preenchida por Assan Ouédraogo, já depois das indisponibilidades de Marc-André ter Stegen e Emre Can e da referência ofensiva Serge Gnabry.
O defesa central Leonardo Balerdi deixou os trabalhos da campeã mundial e bicampeã sul-americana Argentina, ainda sem ter substituto anunciado, e juntou-se a Juan Foyth, vencedor em 2022, Valentín Carboni e Joaquín Panichelli.
Outras baixas conhecidas durante os estágios foram o neerlandês Jurriën Timber, o austríaco Christoph Baumgartner, o escocês Billy Gilmour ou o sueco Emil Holm, bem como Rocky Bushiri, que poderia defrontar Portugal pela República Democrática do Congo na jornada inaugural do Grupo K, e Alexander Djiku, treinado no Gana pelo antigo seleccionador luso Carlos Queiroz.
Antes do fim das provas de clubes, Hugo Ekitiké foi a única contrariedade clínica registada pela França, enquanto Pablo Barrios, Fermín López e Samu, campeão português ao serviço do FC Porto, abandonaram os planos da campeã europeia Espanha, a exemplo de Ben White e Jack Grealish na Inglaterra.
Se Xavi Simons é a ausência mais sonante dos Países Baixos, num contingente ampliado por Matthijs de Ligt, Stefan de Vrij e Jerdy Schouten, Dejan Kulusevski esteve lesionado durante a temporada inteira e não recuperou a tempo de poder representar a Suécia.
O Japão, através de Takumi Minamino e Kaoru Mitoma, o Gana, sem Mohammed Salisu e Mohammed Kudus, e a Jordânia, desfalcada de Yazan Al Naimat, também tiveram perdas importantes nos últimos meses.
Panorama similar afectou igualmente os três anfitriões do Campeonato do Mundo, ao abranger, entre outras potenciais soluções, Tanner Tessmann, Johnny Cardoso e Patrick Agyemang (todos dos Estados Unidos), Luis Malagón e Marcel Ruiz (ambos do México) ou Marcelo Flores (Canadá).
Quanto aos adversários de Portugal na primeira fase, e considerando só jogadores convocados nos últimos dois anos, a Colômbia não pôde chamar Cristián Borja, ex-defesa esquerdo de Sporting e Sporting de Braga.
Mario Stroeykens, cuja filiação junto da FIFA foi actualizada em 2025, ao transferir-se da Bélgica, e Silas Katompa estão à margem na República Democrática do Congo, ao passo que o Uzbequistão ficou sem Khusniddin Alikulov, habitual titular no centro da defesa, e Ibrokhimkhalil Yuldoshev.
Além de Portugal e Brasil, a lusofonia é representada por Cabo Verde, que está privado de Bruno Varela, antigo guarda-redes de Benfica, Vitória de Guimarães e Vitória de Setúbal, na sua estreia no Campeonato do Mundo.
A lista de indisponíveis pode continuar a aumentar nos próximos dias, na certeza de que algumas figuras da modalidade vão chegar à fase final restabelecidos ou na fase final de recuperação de lesões recentes, entre os quais o argentino Lionel Messi, o brasileiro Neymar, o espanhol Lamine Yamal e o francês Kylian Mbappé.
Das selecções que terão ausências nesta edição do Mundial de futebol, o Brasil e os Estados Unidos são os mais sacrificados, com sete jogadores lesionados, seguido pela Suécia, Arábia Saudita e Austrália com seis atletas de fora. Fecham o pódio Países Baixos e Japão desfalcados de cinco jogadores cada um.
Paraguai, Alemanha, Costa do Marfim, Argentina e Gana não terão quatro jogadores; México, Coreia do Sul, Marrocos, Equador, Egipto, Espanha, Jordânia e República Democrática do Congo não contam com três jogadores cada; República Checa, Bósnia-Herzegovina, Irão, Áustria, Escócia, Inglaterra e Uzbequistão estarão desfalcados de dois jogadores, enquanto África do Sul, Canadá, Suíça, Nova Zelândia, Cabo Verde, França, Iraque, Noruega, Argélia e Colômbia terão um jogador ausente por lesão.
Em sentido contrário, Qatar, Haiti, Turquia, Curaçau, Tunísia, Bélgica, Uruguai, Senegal, Portugal, Croácia e Panamá não têm nenhum jogador lesionado até ao momento.
O governo da Somália considerou, nesta terça-feira, “lamentável” a proibição de entrada nos Estados Unidos imposta a Omar Abdulkadir Artan, que deveria ser o primeiro somali a arbitrar jogos do Mundial 2026 de futebol, e exigiu explicações.
Em comunicado, o Ministério da Juventude e Desporto da Somália explicou que está a trabalhar em articulação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros para, “através da via diplomática”, falar com “as autoridades competentes dos Estados Unidos e da FIFA para obter uma explicação clara sobre o assunto”.
“Toda esta situação é lamentável” refere o comunicado, acrescentando que Artan “tem sempre representado o País e o desporto somali com profissionalismo”.
O comunicado considerou a chamada de Artan ao Mundial 2026, que começa na quinta-feira, “um motivo de orgulho para todos os somalis e reflecte o crescimento sustentado do desporto no País”.
Omar Abdulkadir Artan, de 34 anos, citado no comunicado, agradece “à família do futebol” as mensagens de apoio recebidas, e deseja “muito sucesso” a todos os colegas que estarão no Mundial.
“Apesar das circunstâncias, mantenho uma atitude positiva e estou centrado nos próximos desafios da minha carreira como árbitro”, afirma.
Na segunda-feira, Omar Abdulkadir Artan viu ser-lhe negada autorização para entrar nos Estados Unidos, um dos três países que vai receber o Mundial 2026, juntamente com o Canadá e o México.
Em comunicado, a FIFA confirmou que o árbitro Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar ou apitar jogos do Mundial 2026, depois de lhe ter sido negada a entrada nos Estados Unidos.
A entidade que organiza o Campeonato do Mundo sublinhou que “não interfere nos procedimentos de imigração do país anfitrião, incluindo a concessão de vistos”, e que foi informada pelas autoridades de que “a situação do senhor Artan não será alterada neste momento”.
Uma missão empresarial da Ilha de Mayotte, território ultramarino francês localizado no Oceano Índico, está em Moçambique à procura de oportunidades de investimento e parcerias de negócios, trazendo uma carteira avaliada em cerca de 10 milhões de euros.
A iniciativa foi apresentada durante um encontro de negócios promovido pela Fundação para a Competitividade Empresarial, que reuniu empresários, representantes governamentais, instituições financeiras e agentes económicos moçambicanos e franceses.
A delegação é composta por 23 empresários interessados sobretudo nos sectores do agro-negócio, agro-indústria, logística, importação e exportação, áreas consideradas estratégicas para o fortalecimento das relações económicas entre os dois mercados.
Segundo o chefe da missão empresarial, Soiferat El Hadad, o interesse em reforçar a cooperação com Moçambique surgiu após os impactos provocados pelo ciclone Chido, que expôs limitações no abastecimento alimentar da ilha.
“Viemos aqui com os nossos empresários para trabalhar a vertente agro-alimentar. Verificámos as nossas limitações quando houve o ciclone Chido. Percebemos que, do ponto de vista alimentar, éramos muito limitados”, afirmou.
O responsável explicou que a missão pretende identificar fornecedores, estabelecer parcerias comerciais e criar ligações marítimas mais eficientes entre Mayotte e Moçambique.
“Viemos também com empresas de importação e exportação para ver o que podemos levar para Mayotte por via marítima, de modo a que as ligações entre Moçambique e Mayotte sejam suficientemente fortes”, acrescentou.
Por sua vez, o presidente da FUNDEC, Agostinho Vuma, destacou que o principal objectivo do encontro é aproximar empresários dos dois mercados e facilitar a concretização de parcerias duradouras.
“O nosso objectivo é criar a conexão entre essas empresas. Queremos que estes contactos não morram por aqui e que resultem em investimentos concretos”, afirmou.
Segundo Agostinho Vuma, a missão empresarial francesa manifestou ainda a disponibilidade de mobilizar um fundo estimado em cerca de 10 milhões de euros para apoiar iniciativas empresariais que venham a surgir desta cooperação.
O encontro serviu igualmente para apresentar o potencial económico de Moçambique. O presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional de Investimento, Omar Mithá, destacou os desafios e oportunidades da economia nacional, abordando questões ligadas à inflação, dependência das importações e necessidade de diversificação produtiva.
Já o representante da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações, António Macamo, apresentou os incentivos disponíveis para investidores e defendeu uma maior aposta na industrialização como forma de agregar valor aos recursos nacionais.
Mais do que um espaço de apresentações institucionais, o encontro B2B permitiu contactos directos entre empresários moçambicanos e franceses, abrindo caminho para novas oportunidades de investimento, transferência de conhecimento e fortalecimento das relações económicas entre Moçambique e a Ilha de Mayotte.
A iniciativa integra os esforços de promoção do investimento privado e decorre paralelamente às actividades do Fórum de Negócios Global Gateway Moçambique–União Europeia, que reúne delegações empresariais de vários países interessados no mercado moçambicano.
O Governo de Moçambique e o Banco Mundial assinaram, nesta terça-feira, em Maputo, cinco acordos de financiamento avaliados em mais de 450 milhões de dólares norte-americanos, destinados a reforçar a resposta aos desafios económicos e sociais que o país enfrenta.
Os acordos para a subvenção de 450 milhões de dólares foram formalizados durante uma audiência concedida pela primeira-ministra a uma delegação do Banco Mundial, liderada pelo director-geral e director de Conhecimento da instituição internacional.
Segundo a ministra das Finanças, Carla Louveira, os novos financiamentos surgem como resposta aos recentes choques macroeconómicos que afectaram o País, com destaque para as cheias registadas no início do ano e os impactos do conflito no Médio Oriente.
“Um dos aspectos principais a que o Banco Mundial visa responder é a preocupação com os recentes choques macroeconómicos que Moçambique enfrentou, nomeadamente o impacto das mudanças climáticas e os efeitos do conflito no Médio Oriente na nossa economia”, afirmou a governante.
Carla Louveira explicou que os acordos abrangem quatro áreas estratégicas de intervenção: protecção social, agricultura e agro-negócio, educação, bem como recursos hídricos e saneamento.
De acordo com a ministra, foi aprovado um financiamento adicional de 155 milhões de dólares para a área da protecção social e um reforço de 50 milhões de dólares para a agricultura e agro-negócio. Foi igualmente disponibilizada uma subvenção de 300 milhões de dólares destinada aos sectores da educação, protecção social, recursos hídricos, saneamento e agricultura.
“O mecanismo desenhado vai permitir um desembolso e uma execução imediata, possibilitando uma resposta rápida para a melhoria da actividade económica e das condições de vida da população”, destacou.
Por sua vez, o director-geral do Banco Mundial, Paschal Donohoe, disse que os novos acordos representam um importante reforço do apoio da instituição ao País.
“Hoje assinámos acordos que totalizam mais de 450 milhões de dólares em subvenções para apoiar as pessoas e a economia de Moçambique”, afirmou.
O responsável acrescentou que os financiamentos pretendem criar condições para o desenvolvimento do capital humano e para a geração de oportunidades de emprego.
“Estes acordos reflectem a forma como podemos trabalhar melhor em conjunto para dotar os moçambicanos das competências necessárias para terem melhores oportunidades de emprego no futuro”, sublinhou.
Os novos financiamentos enquadram-se no Quadro de Parceria Económica recentemente anunciado pelo Banco Mundial para Moçambique, avaliado em 10 mil milhões de dólares norte-americanos, dos quais quatro mil milhões serão destinados ao sector privado e seis mil milhões ao sector público.
Com a assinatura destes acordos, o Governo e o Banco Mundial reforçam a cooperação com vista à promoção da estabilidade macroeconómica, crescimento económico e melhoria das condições de vida dos moçambicanos.
O Presidente da República reúne amanhã, quarta-feira, no Gabinete da Presidência da República, o Conselho de Estado.
O Conselho do Estado é um órgão político de consulta do Presidente da República, presidido pelo Chefe do Estado, cuja principal função é aconselhar o Alto Magistrado da Nação no exercício das suas funções políticas e em matérias de interesse nacional.
O órgão integra todos os presidentes dos partidos políticos com assento na Assembleia da República, antigos Chefes de Estado, o Provedor de Justiça, antigos Presidentes do Parlamento e ainda o segundo candidato mais votado nas últimas eleições presidenciais e por figuras de reconhecida experiência nacional e internacional.
Moçambique e Itália reafirmaram o compromisso de aprofundar as relações económicas e empresariais durante o Fórum de Negócios Moçambique-Itália, realizado esta semana na cidade de Maputo. O encontro reuniu empresários dos dois países para discutir oportunidades de investimento, comércio e cooperação em sectores estratégicos da economia.
O fórum incidiu particularmente sobre as áreas da construção civil, transportes e logística, consideradas fundamentais para impulsionar o crescimento económico e fortalecer as ligações comerciais entre Moçambique e o mercado europeu.
Durante o encontro, foram apresentadas as potencialidades económicas dos dois países, com destaque para as oportunidades de negócio associadas à localização estratégica de Moçambique e à sua rede de corredores logísticos que servem vários países da região austral de África.
Na ocasião, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, desafiou os empresários italianos a apostarem no mercado moçambicano, defendendo que o País oferece vantagens competitivas únicas na região.
“Moçambique é um dos poucos países da região que dá acesso a sete países do interior. A questão que colocamos é por que razão não conseguimos transformar os nossos corredores logísticos em verdadeiros motores de desenvolvimento económico”, afirmou.
O governante considerou que o momento é oportuno para a entrada de novos investidores, sublinhando que o Governo está empenhado em promover a transformação económica através de projectos estruturantes e da valorização das infra-estruturas logísticas.
“A vossa presença aqui é fundamental. Queremos mostrar aquilo que estamos a fazer e como podem juntar-se a nós neste desafio da transformação económica”, acrescentou.
Por sua vez, o Embaixador de Itália em Moçambique, Gabriele Annis, destacou a importância do reforço da cooperação económica bilateral e manifestou a intenção do seu País de aprofundar as parcerias existentes.
“O nosso partenariado económico, que queremos reforçar em todos os sectores, começa pelas infra-estruturas. Moçambique é um eixo logístico e infra-estrutural cada vez mais relevante em África”, afirmou o diplomata.
Segundo Gabriele Annis, a cooperação entre Itália e os países africanos enquadra-se numa estratégia de desenvolvimento partilhado, assente na criação de oportunidades de crescimento económico sustentável e benefício mútuo.
O Fórum de Negócios Moçambique-Itália decorreu no âmbito da missão empresarial italiana que participa no Fórum de Negócios Global Gateway Moçambique–União Europeia, uma iniciativa que visa promover investimentos, fortalecer parcerias empresariais e estimular o desenvolvimento de projectos estratégicos no País.
O encontro reforçou a intenção de Moçambique e Itália de consolidarem as relações económicas, aumentar o investimento privado e explorar novas oportunidades de negócio em sectores considerados prioritários para o desenvolvimento dos dois países.