O secretário-geral interino da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), James Njiji, questionou a decisão do Tribunal Supremo de ordenar o desbloqueio das contas bancárias de Venâncio Mondlane, que continua acusado no processo relacionado com as manifestações pós-eleitorais de 2024.
A posição foi manifestada esta quinta-feira, em Maputo, à margem da I Conferência Anual sobre Democracia Eleitoral, promovida pela Plataforma Eleitoral Decide, um dia depois de ser conhecida a decisão judicial que determinou o levantamento da medida, por considerar que já não subsistem os pressupostos para a sua manutenção.
“Sentimo-nos felizes por ver o nosso presidente com as suas contas libertas e, realmente, como podem imaginar, ter as contas bloqueadas durante dois anos não foi coisa fácil”, afirmou James Njiji, manifestando solidariedade para com o fundador do partido.
O dirigente questionou, contudo, a compatibilidade entre o desbloqueio das contas e as acusações de incitamento ao terrorismo que pesam sobre Mondlane. Apesar disso, afirmou encarar o julgamento do líder do Anamola com “esperança de justiça”, embora considere que este está a responder por crimes que não cometeu.
Venâncio Mondlane enfrenta acusações de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência colectiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo, no âmbito do processo-crime movido pelo Ministério Público na sequência das manifestações pós-eleitorais.
O julgamento está marcado para 17 de Novembro, no Tribunal Supremo. Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, a prova contra o político inclui apelos à contestação, greves, paralisações e mobilização para protestos, divulgados através de transmissões em directo nas redes sociais.
As contas bancárias de Mondlane estavam bloqueadas desde Novembro de 2024, quando o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo determinou a aplicação da medida e solicitou informações sobre os respectivos movimentos e extractos bancários.
O secretário-geral interino garantiu ainda que o Anamola continua a funcionar normalmente, independentemente do processo judicial contra o seu líder, e disse esperar que os simpatizantes acompanhem o julgamento da forma que considerarem adequada.