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O académico e sociólogo Elísio Macamo defendeu, esta quarta-feira, a necessidade de Moçambique construir um “Estado que aprende”, capaz de retirar lições da implementação das políticas públicas e adaptar as suas decisões aos desafios que surgem ao longo do tempo, em vez de se limitar a produzir novos planos de desenvolvimento.

Intervindo no painel “Prospectiva e Posicionamento Estratégico: 2026–2050”, integrado na Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, Macamo afirmou que o país não enfrenta um problema de falta de estratégias, mas sim de incapacidade institucional para aprender com a experiência.

“Eu acho que nós temos tido bons planos desde que este país foi fundado. Então, o problema não está na qualidade dos planos”, afirmou.

Para o sociólogo, um plano representa apenas uma proposta de acção e, por isso, pode falhar. O verdadeiro desafio, explicou, consiste em avaliar continuamente os resultados obtidos e incorporar as lições aprendidas na definição das políticas públicas.

“O grande problema que nós temos é o de nós não aprendermos institucionalmente. Não aprendermos daquilo que nós fizemos”, sustentou.

Segundo Macamo, Moçambique já possui uma agenda nacional suficientemente clara, consagrada na Constituição da República, documento que, na sua opinião, define os valores, os direitos dos cidadãos e as regras que devem orientar a governação.

“Nós já temos uma agenda. E, por acaso, até a melhor agenda que um país pode ter. Qual é essa agenda? É a Constituição da República”, afirmou, defendendo que qualquer plano de desenvolvimento deve respeitar os princípios nela estabelecidos.

O académico propôs que as instituições públicas passem a adoptar uma cultura permanente de avaliação das políticas, baseada em três perguntas fundamentais: que problema se pretendia resolver, o que foi aprendido durante a implementação e de que forma essa aprendizagem alterou a compreensão inicial desse problema.

“Não é ciência astronómica. É apenas uma questão de ser pragmático na abordagem das coisas da vida”, afirmou.

Durante a intervenção, Macamo manifestou ainda algumas reservas em relação à ideia, defendida por outros participantes, de que os planos nacionais devem manter-se inalterados ao longo de sucessivos ciclos de governação.

Na sua perspectiva, os governos democraticamente eleitos devem preservar liberdade para redefinir prioridades, desde que essa mudança resulte da aprendizagem acumulada e não de decisões arbitrárias.

“Um plano nunca pode limitar a liberdade democrática de um governo de tomar as suas decisões, porque um plano reflecte o conhecimento que nós temos agora e as prioridades que nós temos agora. Essas prioridades podem mudar daqui a três, cinco ou dez anos”, argumentou.

Por isso, acrescentou, “eu não coloco a mesma ênfase na necessidade de continuidade, se essa continuidade se referir ao plano. A continuidade tem que ser ao nível da aprendizagem institucional.”

Num dos momentos mais descontraídos da sua intervenção, o sociólogo comentou a metáfora dos animais utilizada na Agenda 2025 para ilustrar diferentes trajectórias de desenvolvimento, mostrando-se crítico da imagem da abelha como modelo a seguir.

“Aquela imagem da abelha é bonita por causa do mel que é doce, mas é um horror para mim. A abelha faz a mesma coisa a toda a hora”, afirmou, defendendo que Moçambique deve inspirar-se em diferentes características representadas por outros animais.

Na sua visão, o país deve aprender com “a prudência do cágado, a curiosidade do caranguejo e a auto-suficiência do cabrito”, em vez de procurar um único modelo de comportamento.

“Ao invés de nós nos concentrarmos apenas num animal, devíamos procurar saber quais são as qualidades que cada animal tem e que condições é que nós podemos criar para tirar proveito dessas qualidades”, explicou.

A concluir, Elísio Macamo reiterou que o maior desafio do país passa pela criação de instituições capazes de aprender continuamente com a experiência e de ajustar as políticas públicas à evolução da realidade nacional.

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Mais de 400 professores de seis escolas secundárias na cidade de Chimoio, em Manica, paralisaram aulas, há cerca de uma semana, em reivindicação ao não pagamento do subsídio de horas extraordinárias, desde o ano de 2023. O sector de educação reconhece a dívida, mas diz que neste momento não tem dinheiro para pagar.

É a forma que encontraram para pressionar a quem é de direito a pagar o dinheiro de horas extrasm em dívida desde 2023.

Ao todo são seis escolas afectadas, nomeadamente: as escolas secundárias de Tembwe, Vila Nova, Soalpo, 7 de Abril, Eduardo Mondlane e a Escola  Comunitária 16 de Junho.

As dívidas de horas extras são referentes aos anos de 2023, 2024 e 2025, mas os manifestantes reivindicam apenas o subsídio referente a 2023 e explicam as razões: “O 2023 é apenas o começo. Depois desta situação de 2023, nós vamos  procurar uma oportunidade de usar o mesmo caminho, talvez, se for necessário”. 

Sobre o assunto, o director provincial de educação de Manica começou por explicar que quando receberam a primeira e segunda tranches, priorizaram distritos com poucos valores em dívidas.

Tiago Chingore diz que, neste momento, o que resta é aguardar pelo dinheiro e pedir que os professores retomem as aulas.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, reuniu-se, este domingo, em Nova Iorque, com o  antigo Primeiro-Ministro britânico, Tony Blair, que destacou o potencial de crescimento de Moçambique. 

Após a reunião, Tony Blair afirmou que teve uma “boa conversa” com  o Presidente moçambicano e destacou as ideias do Chefe do Estado  como fundamentais para transformar Moçambique. 

O antigo governante britânico sublinhou que o Instituto Tony Blair para  a Mudança Global (TBI), organização que fundou em 2016, já operou  em Moçambique há vários anos e encontrou no país um forte  potencial de crescimento. “O meu instituto trabalhou em  Moçambique por vários anos e eu acho que há muito potencial no  país”, afirmou. 

Blair ressaltou a importância da diversificação económica, apontando  que a visão do Presidente Chapo vai além da exploração de recursos  naturais. “No futuro terá fontes significativas de rendimento,  obviamente, dos recursos, mas acho que ele está muito concentrado  no aqui e agora, e em como o país pode se desenvolver, não apenas  em termos de recursos, mas em áreas como agricultura, turismo e  geração de energia”. 

Na mesma ocasião, Tony Blair frisou que a cooperação com  Moçambique continuará a ser reforçada através do TBI, que presta  apoio técnico e estratégico em diversas áreas de governação e  desenvolvimento. “Estamos ansiosos para continuar trabalhando juntos  e desejo-lhe o melhor. Eu acho que ele realmente quer o melhor para  o país e o país merece isso”, acrescentou. 

O Instituto Tony Blair para a Mudança Global actua em dezenas de  países, sobretudo em África, em domínios como governação, políticas  públicas, energia, agricultura, mudança climática e tecnologia.

O escritor Leko Nkhululeko vai lançar o seu livro intitulado “Voz e Ancestralidade”, no Instituto Guimarães Rosa.

O lançamento da obra será feito no dia 7 de Outubro, e conta com a apresentação de Dionísio Bahule e os comentários do Antropólogo Hélder Nhamaze.

“Vozes e Ancestralidade” é a primeira obra do autor no campo da narração.

O partido ANAMOLA, reunido na cidade da Beira no seu primeiro Conselho Nacional, garantiu hoje que a sua actuação, considerada inegociável, estará assente em três pilares fundamentais: justiça social, ética política e independência do sector judicial.

A posição foi anunciada pelo presidente do partido, Venâncio Mondlane, que afirmou tratar-se de um dos maiores sonhos do partido. Segundo Mondlane, a justiça social é um valor essencial para um pacto robusto com os moçambicanos.

O segundo pilar é a ética política, enquanto o terceiro incide na reforma do sector de justiça, com enfoque na autonomia financeira.

Mondlane destacou ainda outros pontos que considera importantes, como a despartidarização do Estado e a reforma eleitoral, especialmente na fase inicial de apuramento, que o partido identifica como a principal causa dos problemas pós-eleitorais.

Nesta reunião, será igualmente discutida a ideologia do partido, bem como o pensamento do ANAMOLA sobre o diálogo político nacional inclusivo.

A conferência nacional, que conta com a presença de membros de todo o país e convidados nacionais e estrangeiros, irá, entre outros temas, debater perspectivas sobre uma nova forma de ser e fazer política em Moçambique. O evento termina na segunda-feira.

O pavilhão de Moçambique na EXPO 2025 deu início a uma série de actividades culturais que reúnem diferentes expressões artísticas do país, marcando as últimas semanas da sua participação na maior exposição universal.

Durante o mês de setembro, a programação começou com uma apresentação especial que uniu a Orquestra de alunos de uma escola do Japão e o grupo de dança da Escola Secundária de Albazine, em Moçambique, num espetáculo simultâneo realizado em formato presencial e híbrido. O momento, que juntou jovens de ambos os países, simbolizou a cooperação histórica entre Moçambique e Japão, uma relação que remonta à época em que o moçambicano Yasuke se tornou samurai em terras nipónicas. Inspirados por essa ligação, a iniciativa teve como ponto de partida Moçambique e ganhou vida no Pavilhão.

Para encerrar a participação moçambicana em grande estilo, foi preparada uma programação cultural rica e variada. Entre as primeiras atuações, destacaram-se os músicos Mr. Nhúngwé e Tony Camacho, de Tete, que encantaram o público com a sua performance. Em outro palco da EXPO, os artistas Hamilton Jordão e Jorge Juma, de Sofala, surpreenderam ao combinar percussão e pintura em tempo real.

A agenda segue com apresentações de música tradicional, uma oficina de moda, um workshop de Timbila conduzido por Matchume Zango, nos dias 3 e 4, e um espetáculo multidisciplinar que promete encerrar esta fase com grande celebração.

A EXPO 2025 reúne cerca de 160 países e organizações internacionais, proporcionando uma vitrine global para a cultura, inovação e cooperação entre nações.

Quarenta e oito pessoas morreram nos primeiros seis meses deste ano em Manica, vítimas de acidentes de viação. Condução sob efeitos de álcool e velocidade excessiva estão entre as principais causas da sinistralidade rodoviária. 

O derramamento de sangue nas estradas da província de Manica levou a Procuradoria Provincial de Manica, no âmbito da sua missão de protecção de interesses colectivos, a juntar vários actores, como INATRO, Polícia de Trânsito e Transportadores de Passageiros, para encontrar soluções para travar acidentes rodoviários. 

Marília Pugas, directora do Hospital Provincial de Chimoio para onde são encaminhadas a maior parte das vítimas de acidentes de viação, considera ser este um problema de saúde pública.

O procurador-chefe provincial de Manica referiu que, perante o cenário de acidentes de viação, há que se unir esforços no sentido de todos os extractos trabalharem para estancar o mal.

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que os acidentes rodoviários provocam 1.35 milhões de mortes e 50 milhões de feridos anualmente. 

A Frelimo diz que o Presidente da República nunca deixou de exercer as suas funções por desempenhar as funções de Presidente do Partido. O Porta-voz do Partido, Pedro Guiliche, defende que o Conselho Constitucional interpretou correctamente a lei e saúda o acórdão.

O partido Frelimo reagiu, neste sábado, ao acórdão do Conselho Constitucional. O porta-voz do partido saudou a decisão do CC. “A Frelimo recebeu com bastante normalidade, mas igualmente com satisfação o acórdão do Conselho Constitucional, e também entende que não existe incompatibilidade com o facto do Presidente da República ser igualmente presidente do partido”, disse. 

Guiliche lembrou ainda que o facto do Chefe do Estado ser presidente do partido acontece também em vários outros países.

Moçambique dispõe de um fundo de mais de 2,2 mil milhões de meticais para programas de protecção do meio ambiente. O valor foi desembolsado pela União Europeia.

A informação foi avançada neste sábado pelo embaixador da União Europeia em Moçambique, que, no âmbito do Dia Mundial da Limpeza, se juntou ao município de Maputo e a várias organizações e voluntários para a limpeza da praia da Costa do Sol.

E porque a preservação do meio ambiente é a principal razão que mobilizou pessoas para a limpeza da praia da Costa do Sol, a edilidade de Maputo assegurou, na ocasião, que há acções em curso para melhor gestão de resíduos sólidos.

De acordo com o ambientalista  Carlos Serra, houve maior adesão de voluntários este ano para a limpeza da praia da Costa do Sol. Entretanto, Serra diz que esta devia ser uma acção de rotina, que não se limita ao Dia Mundial da Limpeza.

Na actividade de limpeza, foram recolhidas centenas de garrafas que representavam um risco à vida marinha, caso fossem arrastadas pelo mar. 

Este ano, O Dia Mundial de Limpeza comemora-se sob o lema “Vamos todos prevenir e combater a poluição plástica’’.

O tráfego aéreo em toda a Europa foi severamente interrompido, na sexta-feira, após um grande ataque cibernético ter como alvo sistemas críticos de check-in e embarque usados ​​por vários aeroportos. A situação causou atrasos generalizados e cancelamentos.

O ataque atingiu sistemas operados pela Collins Aerospace, uma importante prestadora de serviços de aviação cuja tecnologia de check-in eletrónico e manuseio de bagagem é usada em aeroportos de todo o continente. As operações foram significativamente afectadas no Aeroporto de Bruxelas, no Aeroporto de Berlim e no Aeroporto de Heathrow, em Londres, entre outros.

“Um ataque cibernético a uma empresa externa que cuida do check-in e do embarque… esse sistema não pode ser usado agora. Temos que processar os dados manualmente”, disse Ihsane Chioua Lekhli, porta-voz do Aeroporto de Bruxelas, citado pelo African News. 

A Collins Aerospace, uma das maiores empresas de aviação e defesa do mundo, com mais de 80 mil funcionários, agora está a enfrentar um escrutínio sobre sua resiliência em segurança cibernética.

Enquanto os aeroportos esforçavam-se para se recuperar, os passageiros foram incentivados a verificar o status do voo antes de se dirigirem aos terminais.

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