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UE defende visão de longo prazo para garantir futuro de Moçambique 

O Embaixador da União Europeia, Antonino Maggiore, considera que o desenvolvimento do País dependerá da qualidade das escolhas políticas, do fortalecimento das instituições e da capacidade de transformar crescimento económico em prosperidade para todos os moçambicanos.

Antonino Maggiore falava durante a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique, onde destacou que o principal desafio colocado às actuais gerações consiste em decidir que país será legado às futuras gerações.

Segundo o diplomata europeu, é precisamente essa reflexão que justifica a realização da conferência, numa altura em que Moçambique assinala cinco décadas de independência e procura definir as prioridades que deverão orientar o seu desenvolvimento até meados do século.

Maggiore recordou que a parceria entre Moçambique e a União Europeia evoluiu significativamente ao longo das últimas décadas, passando de uma relação centrada na cooperação para o desenvolvimento para uma parceria baseada no diálogo político, na responsabilidade partilhada e na defesa de interesses comuns.

O embaixador destacou igualmente o papel desempenhado por outros parceiros internacionais, entre os quais as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Africano de Desenvolvimento, sublinhando que, apesar de representarem instituições distintas, todos partilham o objectivo de apoiar as prioridades definidas pelo próprio Estado moçambicano.

Para Antonino Maggiore, num contexto internacional marcado por rápidas transformações, reservar tempo para pensar o desenvolvimento a longo prazo constitui uma das mais exigentes formas de liderança política.

“O exercício de governar consiste em responder às necessidades do presente, mas liderar significa preparar o futuro”, defendeu, acrescentando que olhar para o passado não deve representar um acto de nostalgia, mas uma oportunidade para retirar ensinamentos capazes de orientar as decisões futuras.

Na sua perspectiva, os 50 anos da independência oferecem a Moçambique uma oportunidade rara para avaliar o percurso realizado, reconhecer os desafios que persistem e definir, de forma consciente, o rumo que pretende seguir nas próximas décadas.

Contudo, advertiu que a experiência internacional demonstra que poucos países conseguiram transformar oportunidades em prosperidade duradoura. Segundo explicou, a diferença nunca esteve apenas na disponibilidade de recursos naturais, mas, sobretudo, na qualidade das escolhas políticas, na força das instituições, na estabilidade das políticas públicas e na capacidade de gerar confiança junto dos cidadãos e dos investidores.

O diplomata reconheceu que Moçambique registou progressos importantes nas últimas décadas, mas alertou que a pobreza e as desigualdades continuam a afectar milhões de cidadãos, tornando indispensável que o crescimento económico produza benefícios concretos para toda a população.

Referiu igualmente que o País dispõe actualmente de factores que jogam a seu favor, nomeadamente: uma visão estratégica de desenvolvimento, reformas em curso, elevado potencial humano e uma população maioritariamente jovem, que deverá assumir um papel determinante na construção do Moçambique de 2050.

Ao mesmo tempo, advertiu para a necessidade de enfrentar desafios persistentes, como a insegurança em Cabo Delgado, defendendo que o desenvolvimento da região norte deverá ocupar um lugar central nas políticas públicas, de modo a assegurar que o crescimento económico beneficie todas as províncias.

Para o embaixador, nenhuma estratégia produz resultados apenas por existir. A concretização das metas de desenvolvimento dependerá da capacidade das instituições públicas, da participação dos cidadãos e da implementação consistente das políticas adoptadas.

Foi neste contexto que considerou a conferência um momento decisivo para o País, por reunir representantes do Governo, Parlamento, academia, sector privado, sociedade civil, juventude e parceiros internacionais em torno de uma reflexão comum sobre o futuro nacional.

Segundo observou, esta diversidade demonstra que o desenvolvimento não pode ser encarado como responsabilidade exclusiva do Estado ou dos parceiros internacionais, mas sim como um projecto nacional que exige liderança, participação, diálogo e capacidade de execução.

Antonino Maggiore reiterou que a União Europeia acredita que o desenvolvimento sustentável só pode ser alcançado quando assenta numa visão concebida e liderada pelos próprios moçambicanos.

“O futuro de Moçambique pertence aos moçambicanos. O papel dos parceiros internacionais não é definir esse futuro, mas caminhar ao lado daqueles que o constroem”, afirmou.

Num contexto internacional caracterizado por crescentes tensões geopolíticas, conflitos armados e redução dos recursos destinados à cooperação internacional, o diplomata defendeu a necessidade de fortalecer parcerias eficazes, mobilizar o sector privado, reforçar o papel da sociedade civil e garantir que cada investimento produza o maior impacto possível.

Segundo explicou, estes princípios têm orientado a cooperação entre a União Europeia e Moçambique, assente numa relação de confiança, diálogo político permanente e mecanismos institucionais de coordenação considerados essenciais para assegurar resultados concretos.

O embaixador destacou ainda a resiliência demonstrada pelo País ao longo dos últimos anos, lembrando que, apesar das dificuldades enfrentadas, Moçambique tem revelado capacidade para encontrar soluções, preservar a estabilidade e continuar a avançar.

Ao concluir, Antonino Maggiore afirmou que a resposta à pergunta sobre o país que será deixado às futuras gerações dependerá das decisões tomadas a partir desta conferência. Manifestou confiança no potencial de Moçambique, nas suas instituições, na energia da juventude e na criatividade do seu povo, reafirmando o compromisso da União Europeia de continuar a apoiar uma visão de desenvolvimento concebida pelos próprios moçambicanos.

“O Governo tem um papel insubstituível de liderança, mas o sector privado, a sociedade civil, a academia e os parceiros de desenvolvimento são igualmente chamados a contribuir para a construção de um futuro mais próspero, inclusivo e sustentável”, concluiu.

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