O País – A verdade como notícia

Governo quer transformar reflexão estratégica em acções concretas para desenvolvimento 

O Governo pretende que a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique marque o início de uma nova etapa na planificação estratégica do País, transformando o debate sobre o futuro nacional em decisões concretas capazes de acelerar o desenvolvimento e consolidar a independência económica.

A intenção foi manifestada pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, na sessão de abertura da conferência, ao defender que Moçambique deve aproveitar o momento para definir uma visão comum sobre o País que pretende construir até 2050.

Recorrendo à metáfora da construção de uma casa, o governante afirmou que nenhuma nação se desenvolve por acaso, mas sim a partir de uma visão clara, de um projecto cuidadosamente desenhado e do esforço colectivo de sucessivas gerações.

“Uma nação, tal como uma casa sólida, nunca é obra do acaso. Nasce de uma visão, ganha forma num projecto e ergue-se pelas mãos de muitos construtores para servir aqueles que virão depois”, afirmou.

Segundo explicou, foi essa visão que levou o Presidente da República a orientar o Ministério da Planificação e Desenvolvimento para adoptar um modelo de governação participativa, assente no diálogo, na proximidade e na inclusão dos diferentes segmentos da sociedade.

Para Salim Valá, a conferência representa mais do que um exercício académico ou institucional. Constitui uma oportunidade para ouvir diferentes sensibilidades nacionais e integrar os seus contributos na definição das prioridades estratégicas do País.

O ministro recordou que, há 25 anos, os moçambicanos responderam ao desafio de imaginar o futuro através da Agenda 2025. Agora, afirmou, a questão já não é apenas saber que país se deseja, mas sobretudo demonstrar coragem para o construir.

“Moçambique continua por acabar. O desafio consiste em decidir como completar essa construção”, observou.

Na sua intervenção, salientou que o Governo não pretende fazer um julgamento do percurso dos últimos 25 anos, mas antes realizar uma avaliação rigorosa das conquistas alcançadas e das limitações que persistem, retirando ensinamentos capazes de orientar um novo ciclo de desenvolvimento.

Segundo explicou, tal como um arquitecto avalia os alicerces antes de acrescentar novos pisos a uma casa, também o País deve compreender o seu percurso para decidir aquilo que deve preservar, corrigir ou transformar.

O governante advertiu igualmente que a entrada de Moçambique na era das grandes receitas provenientes do gás natural constitui simultaneamente uma oportunidade e um desafio.

Na sua perspectiva, a experiência internacional demonstra que a abundância de recursos naturais não garante, por si só, desenvolvimento sustentável, exigindo prudência, capacidade de planificação e instituições capazes de transformar riqueza em benefícios concretos para a população.

Foi precisamente para promover essa reflexão que, segundo explicou, o Presidente da República convocou a conferência, reunindo representantes dos diferentes sectores da sociedade para debater caminhos comuns para o futuro nacional.

O encontro junta cerca de 500 participantes provenientes do Governo, Parlamento, sector privado, parceiros de cooperação, partidos políticos, universidades, organizações da sociedade civil, órgãos de comunicação social, sindicatos, confissões religiosas, associações profissionais, jovens e mulheres.

Para Salim Valá, esta diversidade faz da conferência uma representação, em pequena escala, da sociedade moçambicana e demonstra que o desenvolvimento não pode ser responsabilidade exclusiva do Estado.

“O desenvolvimento exige o contributo de todos. Nenhuma casa é construída apenas pelo arquitecto ou pelo proprietário”, afirmou.

Acrescentou que as decisões tomadas durante os trabalhos terão impacto sobretudo sobre as futuras gerações, razão pela qual as discussões deverão privilegiar resultados concretos capazes de melhorar a qualidade de vida da população.

Segundo explicou, o desenvolvimento mede-se pela capacidade de garantir escolas em funcionamento, postos de saúde acessíveis, estradas que liguem os produtores aos mercados, energia eléctrica, saneamento básico e melhores oportunidades económicas para as famílias.

No final da sua intervenção, o Ministro apelou aos participantes para que assumam colectivamente a responsabilidade de acelerar as transformações económicas e sociais de que o País necessita.

 

Partilhe

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos