O Governo do distrito da Matola diz que o consumo de bebidas alcoólicas nos recintos escolares não é um caso isolado da Escola Secundária Bonifácio Gruveta. Para lidar com o fenómeno, a PRM na Província de Maputo vai passar a fiscalizar pastas dos alunos antes de entrarem na escola.
Na última sexta-feira, 07 de Agosto, em declarações ao “O País”, pais e encarregados de Educação da Escola Secundário Bonifácio Gruveta Massamba, no bairro Khongolote, no município da Matola, denunciaram o “consumo de bebidas alcoólicos e comportamentos desviantes” de alguns alunos matriculados naquele estabelecimento de ensino, caracterizados por “sabotagens de aulas e roubos e pancadarias entre alunos”.
Nesta segunda-feira, o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia, no distrito da Matola, reconheceu que as denúncias dos alunos são reais, e está a disciplinar os alunos sem medidas de expulsão.
De acordo com Danilo Ventura, director distrital, o sector que dirige já realizou “duas grandes reuniões multi sectoriais incluindo a Polícia e a procuradoria para encontrar soluções conjuntas uma vez os visados na sua maioria serem menores que entram em conflito com a lei”.
Os referidos encontros terminaram com planos de acção, e, em cumprimento dos mesmos, o Serviço Distrital acrescenta não serem poucas as vezes que sancionou alunos por embriaguez na escola.
“O que não podemos fazer, é tomar medida de expulsão, porque a escola é também centro de reabilitação. Nessa perspectiva, temos trabalhado com a saúde e outras organizações não-governamentais para a reabilitação desses jovens e adolescentes”, explicou, acrescentando terem sido reactivados em todos os estabelecimentos de ensino do distrito os núcleos antidroga.
A Polícia da República de Moçambique, que esteve, na última sexta-feira, na Escola Secundária Bonifácio Gruveta Massamba a sensibilizar os estudantes, assegurou já ter destacado equipas para “várias escolas para sensibilizar, conversar com alunos e fiscalizar as pastas para ver quem entra com substâncias estranhas”, explicou Carmínia Leite, porta-voz da PRM na Província de Maputo.
A polícia e o Serviço Distrital de Educação dizem que o consumo de álcool nas escolas não é um fenómeno novo e apelam à vigilância de toda sociedade.
O ministro da Saúde não cumpriu a promessa de alocação de duas máquinas de tomografia, mais conhecidas como TAC, aos hospitais centrais até finais de Março deste ano. Armindo Tiago diz que, no lugar disso, o MISAU preferiu comprar as máquinas de ressonância.
A promessa foi feita no mês de Novembro do ano passado pelo ministro da Saúde, Armindo Tiago, durante mais uma sessão de perguntas ao Governo na Assembleia da República.
“Até o 1º trimestre de 2023, vamos alocar a todos os hospitais centrais uma TAC adicional. Portanto, cada hospital vai ter duas TAC, para evitar que, quando uma avaria, as pessoas tenham que pagar 20 mil Meticais em hospitais privados”, respondeu Tiago, na referida sessão, quando questionado pela bancada da Renamo sobre a falta de máquinas que façam a Tomografia Axial Computorizada (TAC).
Entretanto, cerca de um mês após o fim do prazo estabelecido para a alocação das máquinas, não há, em nenhum dos quatro hospitais centrais existentes no país, máquinas adicionadas.
Armindo Tiago disse ao “O País” que os recursos foram usados para outros fins, a começar pela maior unidade sanitária, o Hospital Central de Maputo.
“Quando nós fizemos a afirmação, a TAC e a ressonância no HCM estavam a funcionar. Depois houve um acto criminal e a ressonância parou de funcionar e a TAC também avariou. A nossa opção foi usar os recursos para reparar as duas máquinas”, disse Tiago.
Para as outras unidades, houve também mudança de planos. Aliás, isto aconteceu para os hospitais centrais da Beira e de Nampula. Em relação a Quelimane, não há espaço para a colocação de uma máquina TAC.
“Em Quelimane, houve destruição, em decorrência da passagem do ciclone Freddy, portanto é improcedente pensar que se pode colocar a TAC nas condições de destruição”, referiu Tiago.
Além de alocar estas máquinas para os hospitais centrais, Tiago garantiu que, até finais de 2023, os aparelhos estarão também disponíveis em todos os hospitais gerais e provinciais. E esta promessa será cumprida ou haverá também desvio de aplicação?
As máquinas de Tomografia Axial Computorizada servem para diagnosticar doenças e anomalias no corpo por via da imagem.
O declarante Franque Devisse nega a acusação de que teria sido quem introduziu uma faca na Cadeia de Máxima Segurança da Machava, para executar Nini Satar. O recluso acusa o arguido Leão Wilson de tentar alicia-lo a mentir em troca de liberdade.
No seguimento do julgamento do caso de tentativa de assassinato de Nini Satar, foram, esta quarta-feira, ouvidos mais dois declarantes.
O primeiro foi Franque Davisse, acusado de ter facilitado a entrada de uma faca na B.O., a fim de executar Momed Satar, em Fevereiro do ano passado.
Confrontado com o facto, Franque refutou as acusações e revelou ter sido coagido pelo arguido Leão Wilson a acusar Nini Satar, em troca de liberdade.
“Nesta segunda-feira (24), quando saíam daqui, Leoa Wilson procurou-me e disse para eu vir mentir aqui para o tribunal, dizendo que quem me entregou a faca foi Nini. Mas eu não podia fazer isso, porque eu sei que é crime”, disse Franque Davisse, depois de ter afirmado que jamais tenha visto a tal faca de que tanto se fala.
Questionado se teria ouvido falar do plano de assassinato de Nini Satar, Franque disse que só ouviu o caso depois que o assunto foi despoletado, quando a Procuradoria-Geral da República começou uma investigação na B.O., por forma a descobrir os contornos desse caso.
O recluso, de 36 anos de idade, conta que, numa das vezes, o seu pavilhão foi interpelado, através da rede de vedação que separa o seu do outro, por António Chicuamba, um dos arguidos do processo, solicitando que fizesse chegar um contacto telefónico escrito num pedaço de papel a um outro recluso (arguido), de nome Damião Mula.
“Chegado lá, entreguei o contacto e ele devolveu dizendo que o número não estava completo e que não devia aceitar nada quando fosse chamado pela PGR, isto porque Leão (arguido) estava a tratar tudo com os ‘chefes’. Quando voltei, Chicuamba já estava a ser recolhido para um interrogatório. Daí chamei Ismael (outro recluso) e informei-o do sucedido, pelo que me aconselhou a contar tudo a Nini”, disse.
Já o segundo declarante, Armando Vilanculos, oficial de inteligência penitenciária, é implicado no caso como quem teria facilitado a entrada do celular usado para fazer gravações que comprovam o envolvimento dos seis arguidos. Mas este também negou tudo.
Vilanculos é citado como quem recebeu o celular de José Ngulela, numa das paragens do bairro Jardim, na Cidade de Maputo, para facilitar a sua entrada na B.O..
Mas aquele diz que, como oficial de inteligência, foi integrado a uma equipa composta por membros da PGR, SERNAP e outros elementos do quadro da justiça para apurar a veracidade dos rumores existentes sobre a tentativa de assassinato.
No trabalho de investigação, Leão Wilson foi tido como responsável pela execução e Lenine Macamo o cabecilha.
“Depois de Leão ter aceitado, acabou por dizer muitos assuntos sérios, que envolvem pessoas de alto nível no Governo, em que existe um interesse em eliminar Nini Satar, porque já não querem ele na sociedade, porque está a trazer muito problemas para o sistema e ia garantir a soltura deles e teriam muito dinheiro. Fala-se de mais de 40 milhões de Meticais”, disse Armando Vilanculos.
Nesta audição, um novo nome foi citado de quem terá feito parte do esquema para introdução de uma faca na B.O.. Chama-se Inácio Mirasse e será ouvido esta quinta-feira.
Os livros de poesia “Chãos e outras arritmias” e “Rostos desabitados e fragmentos do escuro”, de Francisco Guita Jr. e Jeremias F. Jeremias, respectivamente, serão apresentadas no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, esta quinta-feira, às 17:30h. As obras venceram, ex-aequo, o Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira 2022, iniciativa da Gala-Gala Edições.
O Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira, em edição única, visava assinalar as comemorações do centenário do poeta Reinaldo Ferreira (1922–2022), que realizou toda a sua obra em Moçambique, e aqui morreu precocemente, vítima de um cancro pulmonar, aos 37 anos de idade, a 30 de Junho de 1959. O júri do prémio foi constituído, em duas etapas, pela bibliotecária Aissa Mithá, pelos escritores moçambicanos Adelino Timóteo e M. P. Bonde, pelo poeta e professor universitário brasileiro Ricardo Pedrosa Alves e pelo professor e ensaísta moçambicano Cristóvão Seneta.
Sobre “Chãos e outras arritmias”, de Guita Jr., de acordo com o júri, a poesia é encantadora, que faz corpo com o chão, com a terra, carregada de sensualidade; é, também, uma poesia que engloba o cosmos, numa vertente suportada pelo amor mesmo quando se lhe denota um certo desencanto do sujeito poético em relação às questões existenciais. Uma poesia firme, madura, dissecada com rigor e com sinais de vir a sobreviver no tempo.
“Em nota de prefácio, a professora brasileira Carmen Lucia Tindó Secco faz questão de assinalar que Guita Júnior, na esteira de Knopfli, Patraquim, Drummond de Andrade, Camões, é um grande poeta. ‘E é, também, não só um atento leitor da vida, da história, das solidões, da existência, do amor e da morte, mas dos silêncios e solitudes existentes nas entranhas líricas de sua obra poética’”, lê-se na nota de imprensa.
Para o júri, a obra “Rostos desabitados [e] os fragmentos do escuro”, de Jeremias F. Jeremias, avança a mesma nota, é impecável. A construção de imagens é nítida e inédita e há equilíbrio no conjunto e na atenção à sequência dos poemas no livro. Jeremias trabalha sobre a percepção, explorando o poema como pensamento e não como mensagem. Há condensação, ritmo, respeito ao poema como ente “não-parafraseável” (Roubaud). “Rostos desabitados” é um trabalho criativo a partir de elementos mínimos, básicos, como água, luz, pássaro.
A sessão de apresentação de “Chãos e outras arritmias” e “Rostos desabitados” estará a cargo dos escritores Lucílio Manjate e M. P. Bonde.
Francisco Guita Jr. nasceu em Inhambane, em 1964. Inicia a sua actividade literária no Xiphefo, Caderno Literário, em 1987, do qual é membro fundador. Estreia-se em 1997 com o livro de poesia “O Agora e o Depois das Coisas”. Em 2000, publica “Da Vontade e de Partir” (Prémio FUNDAC – Rui de Noronha, 1999) e “Rescaldo” (1.º Prémio de Poesia TDM – Telecomunicações de Moçambique, 2001). Lança em Portugal e Moçambique, em 2006, “Os Aromas Essenciais”. Em 2020 publica, em Moçambique e Angola, o livro “Da Pele do Rosto/ A Coisa do Tempo”.
Jeremias F. Jeremias é natural de Gaza. Reside em Maxixe, em Inhambane. É licenciado em Organização e Gestão da Educação pela Universidade Eduardo Mondlane e formado em Ensino de Português, pela Universidade Pedagógica. Foi vencedor da primeira edição do concurso “Prémio de Poesia Gala-Gala”, em 2020.
Por: Sumbi Sê
Ao propor-me a escrever sobre a exposição A Brisa do Nada, não me comprometo a responder à pergunta que encabeça o texto. A expressão artística supera a categorização de obras em escalas menores, médias ou altas. A intenção do texto é entreabrir uma portada de um lugar ao qual o público nunca tem acesso, porque a produção artística realiza-se em espaço privado, fechado e discreto. Pelo menos é isso que se passa com Lica Sebastião. Nesse espaço desconhecido aos outros, têm privilégio a obstinação, o desejo de criar o belo, a idealização mas também a incerteza, o medo e a teima em fazer bem, em comunicar, em ser a si próprio.
Apesar desse ambiente de contraste entre o fazer, desejar, idealizar e a incerteza, medo e a procura de si mesma, podem ser reconhecidas as dimensões da criação desta artista. Uns diriam que a presença do traço feminino é notório quiçá pelas imagens e rostos. Eu diria que se associa a artista a um traço restritivo e enganador. Há artistas que procuram soluções e saídas para os materiais que manipulam numa busca incessante de equilíbrio de cores, de voz ou vozes ou de qualquer outra coisa que os defina. Isso é a arte e não o feminino.
Outros podem constatar o esforço empreendido em observar em torno e a visualização de formas, de contornos, de objectos que podem ser o ponto de partida para a criação artística. Sim e isso é um desafio que não se esgota. Os artefactos, comprados ou recolhidos por aí, requerem a aplicação de diferentes técnicas e nem sempre a primeira ideia é bem-sucedida. Lica Sebastião fê-lo em Metal, cartão e madeira (2016), Gineceu1 (2019), Metamorphósis ( 2020), Gineceu2 (2022).
Finalmente, a carga afectiva, que só ao artista diz respeito, individualmente, e influenciado pelo ambiente. Percebe-se a história pessoal da artista nos motivos florais, o uso do lápis em contextos inesperados na tentativa de se surpreender, a escolha recorrente das mesmas cores como uma obsessão. Esta talvez seja a característica que mais salvaguarda a criação da artista.
As três vertentes citadas não se podem desligar, pois a sua criação é um movimento que começa mas a artista não sabe exactamente quando e como termina. O primeiro passo começa com qualquer objecto e, a seguir, o desenho, a pintura “escrevem” uma narrativa experimental. Por isso, cada peça é uma experiência e cada experiência é diferente da anterior.
E isto é arte?
A própria definição de arte não se fecha em uma só enunciação. Varia ao longo do tempo e coexiste com outras concepções numa dada época. A actualidade é receptiva da diversidade. A mimesis e reprodução do que existe são cultivadas ao mais ínfimo pormenor, a imaginação e as emoções desaguam o abstracionismo. Pode isto ser apenas argumento para justificar coerência e sentido à arte de Lica Sebastião.
Isso é arte? Uma pergunta bem pode ser a própria resposta.
Subiu de 47 para 90 o número de corpos identificados em valas comuns, em uma igreja no Quénia, que incentivava os crentes a jejuarem até à morte. Há, entretanto, 34 crentes encontrados com vida.
Os dados foram actualizados pelas autoridades, nesta terça-feira. Os mortos, encontrados em valas comuns, no norte do Quénia, faziam parte da Igreja Internacional da Boa Nova.
De acordo com as investigações, o fundador da igreja incentivou os seguidores a fazerem um jejum extremo, justificando ser a via para encontrar Jesus Cristo.
O religioso foi preso, mas alguns crentes da igreja estão escondidos, a cumprir o jejum, segundo a Polícia.
A Cruz Vermelha no Quénia começou a trabalhar para tentar localizar mais de 210 pessoas dadas como desaparecidas, entre elas 112 crianças.
O Presidente do Quénia disse que as mortes ligadas à seita são semelhantes ao terrorismo e prometeu endurecer as acções contra os cultos, que deturpam a religião.
De acordo com a imprensa local, o líder da seita, Paul Makenzie Nthenge, foi detido a 14 de Abril, depois de duas crianças terem morrido à fome quando, sob responsabilidade dos pais, também foram submetidas a jejum. Nthenge veio a pagar caução, teve liberdade condicional, mas voltou às celas na sequência das novas mortes, cujo número tende a crescer.
Bispos da Igreja Católica queixam-se da proliferação de seitas religiosas em Moçambique, uma situação que, no seu entender, está a atrapalhar vários crentes.
O surgimento e a proliferação de seitas religiosas em Moçambique foram um dos temas de destaque na conferência de imprensa ocorrida ontem, na Cidade de Maputo, e que constitui preocupação para os bispos católicos de Moçambique.
“Nos últimos tempos, estão a multiplicar-se congregações que não são do ramo católico, nem protestantes, mas são seitas que estão a chegar de todos os lados. Temos visto pequenas comunidades onde, por exemplo, um crente desiste e abre a sua congregação. Isto é uma preocupação porque atrapalha os nossos cristãos”, disse o bispo Inácio Lucas.
Há também radicalismo e extremismo nas igrejas, segundo os bispos, que sugere a criação de um gabinete nacional para combater aos fenómenos.
“Há que precavermos o futuro da juventude. Devemos combater atitudes extremistas e radicais e que se use a religião para outros fins. A igreja, como educadora, está preocupada com estes problemas”, disse o Arcebispo da Maputo, João Carlos Nunes.
Sobre a situação política do país, os bispos defendem que deve haver transparência no processo de recenseamento em curso para evitar conflitos eleitorais.
“A história mostra-nos que estes momentos não só têm sido de festa, como também de conflitos. Então, é importante precavermo-nos e criarmos condições para que tais conflitos não ocorram. Que seja um momento de festa para todos”, disse Carlos Nunes.
Em relação às últimas visitas que os bispos efectuaram à Assembleia da República e à Presidência da República, João Carlos Nunes explicou que o objectivo “era reforçar as relações entre a Igreja Católica e as instituições de soberania do Governo. A título de exemplo, na próxima quinta-feira foi-nos pedido para falar da ética do deputado na Assembleia da República. É uma maneira de colaborar naquilo que são os valores morais para que as instituições consigam seguir os objectivos para os quais foram criadas. É também uma forma de demonstrar o compromisso político que temos, sobretudo quando diz respeito à criação de condições necessárias para a boa convivência”, explicou o Arcebispo de Maputo.
Os representantes da Conferência Episcopal de Moçambique falavam a jornalistas durante o balanço de uma reunião dos bispos católicos ocorrida na Província de Maputo, de 17 a 25 de Abril.
A direcção do Costa do Sol diz que os homens do apito prejudicaram a equipa nas duas primeiras jornadas do Moçambola 2023 e protesta, com veemência, a actuação tendenciosa das equipas de arbitragem, que tendem a falsear a verdade desportiva.
Foi através de uma conferência de imprensa que a direcção do Costa do Sol, pela boca do seu vice-presidente, Jeremias da Costa, acusou os árbitros Fernando Júnior e Filimão Correia, que apitaram os jogos diante do Ferroviário de Quelimane e Black Bulls, respectivamente, de estarem a prejudicar a equipa.
De forma detalhada, Jeremias da Costa, que no fim não deu espaço para perguntas dos jornalistas, falou de alguns lances que ocorreram nos respectivos jogos e que, no entender da colectividade, não foram bem ajuizados pelas equipas de arbitragem.
No embate de Quelimane, Da Costa referiu-se ao penálti marcado para os “locomotivas”, no qual, segundo disse, “o árbitro assistente, que fazia o acompanhamento dos ataques do Ferroviário de Quelimane, não vislumbrou nenhuma infracção no lance. Mas, no mesmo lance, depois de uma hesitação, o árbitro principal, sem grande convicção, assinalou para a marca de grande penalidade”. Isto é, “no lance em si, em nenhum momento a bola bateu na mão ou no braço de um jogador nosso, ou seja, nesta jogada, não houve um facto punível como grande penalidade que castigasse a nossa equipa”.
Ainda no referido jogo, o Costa do Sol viu um golo ser anulado e a direcção não encontra motivos para essa anulação. “No lance do golo que marcámos, não vislumbrámos uma infracção que justificasse a anulação do nosso golo, quer tenha sido um fora-de-jogo ou uma falta ofensiva”, argumentou Da Costa.
Quanto ao jogo diante da Black Bulls, o Costa do Sol acusa Filimão Correia de ter sido tendencioso, a começar pelo lance em que Chamboco atinge Mbulu, numa entrada fora das leis. Para os “canarinhos”, o lance merecia um cartão vermelho e não o amarelo admoestado ao “touro”.
Outro lance analisado é a suposta falta de Nené na área sobre Isac de Carvalho. Jeremias da Costa diz que “escandalosamente, o árbitro não assinalou para a marca de grande penalidade”.
Ademais, segundo Da Costa, o árbitro deixava os jogadores da Black Bulls jogarem ao seu belo prazer, inclusive o guarda-redes, que levava muito tempo para reposição da bola. Diz ainda que não são comportamentos normais de um jogo de futebol.
Face a todos os relatos apresentados, o Costa do Sol diz protestar com veemência a actuação tendenciosa das equipas de arbitragem nos dois jogos, que tendem a falsear a verdade desportiva e prejudicar a sua equipa, exigindo uma intervenção das autoridades que superintendem o futebol.
“O Clube de Desportos da Costa do Sol solicita às entidades que superintendem o futebol nacional, nomeadamente, a Federação Moçambicana de Futebol, a Liga Moçambicana de Futebol, bem como a CNAF e, ainda, o Governo, através da Secretaria de Estado do Desporto, para que considerem grave os actos que atentam para a verdade desportiva e sancionem quem os pratique, sob pena de as actuações tendenciosas da arbitragem e as reacções negativas dos seus agentes, imprensa e dos adeptos, prejudicarem gravemente a credibilização da indústria do futebol, com impacto na cadeia de valores e na economia nacional”, apelou Jeremias da Costa.
Aliás, o dirigente pediu ainda a intervenção da Procuradoria-Geral da República, uma vez que, para o clube, estas práticas consubstanciam actos de corrupção no seio da arbitragem do futebol moçambicano.
Recorde-se que o Costa do Sol somou por derrotas os dois jogos realizados, ambos pelo mesmo resultado, de 1-0, sendo por isso os últimos classificados, sem nenhum ponto e sem nenhum golo.
Na próxima jornada, o Costa do Sol defronta o Baía de Pemba FC, o antepenúltimo classificado, com dois pontos.
CLUBES DESTITUEM DIRECÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE BASQUETEBOL DE MAPUTO E NOMEIAM COMISSÃO DE GESTÃO
Os clubes da capital do país tomaram a decisão de destituir a direcção da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo por falta de actividades, situação que prejudica a modalidade da bola ao cesto. Sendo assim, foi afastado todo o elenco de Felisberto Macuácua, que dava continuidade ao mandato de Rui Hélder Guilaze, presidente que perdeu a vida em Maio de 2021.
A decisão foi tomada durante a Assembleia-Geral Ordinária da Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo. Na sequência, os clubes assumiram a responsabilidade de gestão da modalidade, segundo escreve o Lance.
A inactividade que se vive no basquetebol da capital do país, a maior e mais antiga associação, caracterizada pela falta de competições, deriva da dívida de 130 mil Meticais aos árbitros e juízes de mesa.
Felisberto Macuácua, que liderava a direcção ora destituída, aceitou a decisão dos clubes e espera que a modalidade possa continuar a bom porto no futuro.
“Os clubes são soberanos e a associação é feita por eles que decidiram por unanimidade, tomando a liberdade de seguirem propostas que, na sua óptica, são melhores para o basquetebol da Cidade de Maputo, pelo que aceitamos esta decisão soberana dos associados”, revelou Felisberto Macuácua, citado pelo Lance.
Já Rui Chelene, chefe do gabinete de basquetebol do Costa do Sol, disse, citado pelo Lance, que a decisão de destituir a liderança anterior foi bem tomada. “A decisão foi unânime e tomada por todos os clubes face à situação a que se assiste no nosso basquetebol. Há dias, ouvimos os seleccionadores nacionais queixarem-se desta inactividade, tendo em conta que as selecções nacionais têm compromissos nos mês de Julho, pelo que decidimos tomar esta decisão e apostar num grupo de jovens que pretende implementar uma nova dinâmica na modalidade”, disse Chelene.
Assim, a Comissão de Gestão será composta por cinco elementos, nomeadamente, Sérgio Itie (antigo jogador do Desportivo e chefe do Departamento de Basquetebol), Ebenizario Hamela (antigo praticante do Costa do Sol), Naftal Chongo (antigo árbitro FIBA), Michel Amade (ligado ao Ferroviário de Maputo) e Anastácio Monteiro (ex-árbitro).
A Comissão de Gestão vai ser empossada a 6 de Maio próximo, numa Assembleia-Geral Extraordinária, na qual deverão apresentar o seu plano de trabalho para resgatar o basquetebol da capital do país, até ao dia 16 de Dezembro, data que foi proposta para a realização das eleições da nova direcção da ABCM.
Refira-se que, na referida Assembleia-Geral, não foram aprovados os relatórios e contas dos últimos exercícios, sendo que ficou acordado que a direcção que renunciou deverá corrigir os documentos e apresentá-los até ao dia 28 de Abril.
Costa do Sol, Maxaquene, A Politécnica, Bela Rosa e Ferroviário de Maputo foram os clubes que tomaram a decisão, enquanto o Desportivo Maputo se absteve. Aeroporto, Lazio e Universidade Pedagógica não tiveram direito a voto pelo facto de os seus delegados não apresentarem credenciais para o efeito.
Arranca, esta terça-feira, a cimeira internacional sobre a Venezuela, promovida pelo presidente colombiano, Gustavo Petro, destinada a promover o reatamento do diálogo entre o Governo de Nicolás Maduro e a oposição venezuelana.
O encontro, segundo o Ministério de Relações Exteriores da Colômbia (MREC), reunirá convidados de 20 países, e decorrerá esta terça-feira no Palácio de San Carlos, sede daquela entidade na cidade colombiana de Bogotá, a capital do país.
Num comunicado divulgado na página web, citado pelo Notícias ao Minuto, o MREC explica que além de Portugal, da Europa foram também convidados, a Alemanha, Espanha, França, Itália, a Noruega, o Reino Unido e o Alto Representante da União Europeia para Assuntos Exteriores, Josep Borrell.
A Argentina, Barbados, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, os Estados Unidos de América, as Honduras, o México, San Vicente & Granadinas, a África do Sul e a Turquia, são outros países convidados.
“As delegações começaram a chegar à Colômbia, na tarde de segunda-feira, para se reunirem hoje, 25 de Abril, por volta das 11h00 locais, na sede do Ministério de Relações Exteriores. A instalação da reunião, pelo presidente da República, Gustavo Petro, será transmitida via streaming”, explica.
No dia 15 de Abril, a Colômbia anunciou que marcou para 25 de Abril um encontro internacional promovido pelo presidente colombiano, Gustavo Petro, para promover o reatamento do diálogo entre o governo e a oposição venezuelana.
Mais de 200 famílias continuam a viver em zonas vulneráveis a inundações no distrito de Boane. Segundo o edil Jacinto Loureiro, o município não tem dinheiro para reassentar as pessoas.
Passou a época chuvosa, mas os rastos de destruição prevalecem no distrito de Boane, Província de Maputo.
Segundo o edil de Boane, Jacinto Loureiro, há mais de 200 famílias que carecem de uma nova área habitacional. “Estamos a fazer esforços para realocar as famílias, mas dentro de grandes desafios, porque precisamos de criar novas infra-estruturas nas zonas”, disse Jacinto Loureiro.
Segundo o presidente do Conselho Municipal de Boane, a solução é reassentar as vítimas, mas a missão é quase impossível porque falta dinheiro.
“Por exemplo, precisamos de tendas, material de construção, o município praticamente tem os bolsos vazios. É preciso que os nossos parceiros compreendam a situação e apoiem para que, efectivamente, consigamos reassentar as famílias”, disse.
Esta segunda-feira, no âmbito do projecto de assistência às famílias da empresa Mozal, o governador da Província de Maputo procedeu à entrega de donativos para apoiar as vítimas das inundações.
Júlio Parruque disse que o projecto vai prestar apoio a mais de cinco mil beneficiários com cerca de três mil kits agrícolas, doze mil kits de sementes agrícolas e mil kits alimentares nos distritos de Boane, Namaacha e Moamba.
De acordo com o director dos Assuntos Externos da Mozal, Gil Cumaio, o apoio visa responder às necessidades das vítimas das inundações durante dois meses.
Para os agricultores que viram suas culturas levadas pela água, as ferramentas, os insumos agrícolas e as sementes vão permitir o reinício das suas actividades.