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O País – A verdade como notícia

A Cidade de Maputo teve um aumento em cerca de 2000 mil casos de diarreia de 2021 para 2022, mas sem registo de mortes. Apesar desta subida, causada pelo consumo de água e alimentos impróprios, as autoridades garantem que não há casos de cólera na capital do país.

O deficiente saneamento do meio constituído por águas estagnadas, a não remoção de lixo e má conservação de alimentos são alguns dos factores que propiciaram a ocorrência da diarreia na capital do país.

“Nós tivemos, em 2021, um pouco mais de 25 mil casos de diarreia que foram reportados ao longo do ano. Em 2022, tivemos um pouco mais de 27 mil casos. Assim, a diferença entre os dois anos é de cerca de 2000 casos”, avançou Alice de Abreu, vereadora de Saúde e Acção Social no Município de Maputo.

A vereadora de Saúde e Acção Social diz, entretanto, que, para os primeiros dias do ano 2023, tendem a reduzir os casos de diarreia e, apesar de ainda não se terem registado casos de cólera na capital do país, o facto de já estar na cidade vizinha de Xai-Xai preocupa as autoridades sanitárias da Cidade de Maputo.

“Sempre há riscos para a Cidade de Maputo devido à elevada mobilidade da população de outras províncias para a Cidade de Maputo. E não há nenhuma restrição de circulação para a população. A recomendação é que continuemos a observar as medidas preventivas. Até ao momento, não há nenhum caso confirmado de cólera na Cidade de Maputo”, garantiu De Abreu.

O Distrito Municipal KaMavota é o mais afectado pela diarreia, seguido de KaHlamankulu, KaMubukwana e KaMaxaquene.

A Perturbação Tropical que se formou a leste de Madagáscar, no dia 14 de Janeiro, já evoluiu para Tempestade Tropical Severa e foi baptizada com o nome de “CHENESO”. Por volta das 08 horas de hoje, a tempestade atingiu a região costeira a nordeste de Madagáscar.

Devido ao sistema, Madagáscar regista ventos de até 100 quilómetros por hora e rajadas de 130 quilómetros por hora, além de chuvas muito fortes, acompanhadas de trovoadas.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), nas próximas horas, o fenómeno poderá enfraquecer, ainda na região continental de Madagáscar. Contudo, persiste a incerteza da sua trajectória e da probabilidade de atingir o canal de Moçambique.

O INAM diz estar a monitorar o fenómeno, e mais uma vez, apela a população para que continue acompanhar a informação meteorológica e os avisos difundidos pelas autoridades nacionais competentes.

O calor intenso vai continuar na Cidade e Província de Maputo, Gaza e Inhambane até o próximo sábado. O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), que recomenda à população moçambicana a tomada de medidas de precaução e segurança.

Janeiro tem sido um dos meses mais quentes do ano, na região Sul do país. Desta vez, a situação não é diferente. Engana-se quem pensa que os termómetros já atingiram os níveis mais altos, porque já iniciou uma vaga de calor que vai alastrar-se até o próximo sábado.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), as temperaturas poderão atingir entre 35 e 38 graus celsius, isto é, acima da máxima prevista para esta quarta-feira no país, que é de 34 graus.

Durante esse período, prevê-se tempo quente e húmido.

Além da capital do país e Matola, o calor afectará os distritos de Matutuine, Namaacha, Boane, Moamba, Magude, Manhiça e Marracuene, na Província de Maputo.

Serão também afectados os distritos de Massingir, Chókwè, Chongoene, Bilene, Limpopo, Mandlakazi, Chicualacuala, Mapai, Mabalane, Chigubo, Massangena, Chibuto e Guijá, em Gaza; e Panda, Funhalouro e Mabote, em Inhambane.

Trata-se de temperaturas que, normalmente, causam desconforto. Por isso mesmo, os meteorólogos recomendam a tomada de medidas de precaução. Alguns cidadãos interpelados pela nossa reportagem, na Cidade de Maputo, já se preparam.

Em relação ao alerta para esta semana, sobre a vaga de calor, o INAM promete fazer actualização no próximo sábado.

 

ESTÁGIO TEMPESTADE TROPICAL CHENESO

A perturbação tropical que se formou a leste de Madagáscar evoluiu para tempestade tropical moderada e, agora, chama-se Cheneso. Segundo o INAM, o sistema meteorológico poderá evoluir para tempestade tropical severa durante a noite de hoje ou amanhã de manhã.

Neste momento, continua em movimento para a costa nordeste de Madagáscar, a uma velocidade de 28 quilómetros por hora. No entanto, a tempestade tropical moderada Cheneso ainda não constitui perigo para o Canal de Moçambique, nem para a parte continental do país.

O Município de Maputo concluiu o primeiro de um total de três alpendres que se comprometeu a construir, em 2020, no Mercado Grossista do Zimpeto, no âmbito da reestruturação da venda informal.

Houve muitos avanços e recuos na construção do alpendre. Os vendedores já ocupam o espaço e falam das vantagens.

“Quando chovesse, ficava horrível, a chuva molhava-nos, os produtos estragavam-se. Agora, com este alpendre, os produtos estão protegidos e nós também”, disse Palmira Duarte, que vende repolho trazido do distrito de Moamba, na Província de Maputo.

Entretanto, os mesmos vendedores querem que o Município de Maputo construa mais alpendres e afirmam que se sentem excluídos pela edilidade devido à sectorização do mercado. Uma vendedeira que não quis ser identificada diz que não faz sentido que, no mesmo mercado, haja um grupo de vendedores que tenha direito à sombra e outro não.

Adolfo Zita, também vendedor do grossista de Zimpeto, propõe que a edilidade aplique uma taxa que permita que todos os vendedores tenham acesso a uma sombra: “Gostaria que fosse para todos e não houvesse separação de vendedores”.

O Município de Maputo esclarece que aquele alpendre é para os vendedores de batata reno e cebola e estará vedado à entrada de camiões. “Este primeiro vai albergar os vendedores de batata e cebola, foi assim que foi concebido de acordo com sectorização que foi feita neste mercado. Estamos, agora, a trabalhar para a organização do próprio sector onde tem o alpendre; vamos organizar os vendedores, recolocar o pavimento e todo um conjunto de componentes necessários”, esclareceu Danúbio Lado, vereador de Desenvolvimento da Economia local e responsável pelo sector de mercados no Município de Maputo.

Quanto ao anterior empreiteiro, que abandonou a obra, foi levado à barra da justiça.

O alpendre ora entregue custou 29 milhões de Meticais aos cofres do Município de Maputo. A construção do segundo alpendre inicia-se este ano.

Moçambique poderá receber, até Março deste ano, um financiamento de 800 milhões de dólares, dos Emirados Árabes Unidos. O valor será usado para a reabilitação de alguns troços da Estrada Nacional Número 1 (EN1).

Na visita de três dias, que o Presidente da República efectuou aos Emirados Árabes Unidos, Filipe Nyusi manteve conversações com o líder daquele país, com foco na continuidade dos acordos iniciados na visita efectuada em Outubro do ano passado.

De acordo com Nyusi, no ano passado foram iniciados diálogos que visavam o reforço da cooperação entre as várias instituições, bem como entre Moçambique e Dubai.

“Seguimos firmes naquilo que fizemos em Outubro quando estivemos cá, portanto não nos distraímos. Os sectores que tínhamos iniciado a discussão são agricultura, infra-estruturas (com a imobiliária inclusa), área de investimentos ou diferentes financiamentos para projectos em Moçambique, mas também na área de defesa e segurança”, disse Filipe Nyusi, durante o balanço dos três dias de visita.

Segundo o Chefe de Estado, a visita foi curta, por se tratar de um evento que contava com a presença de outros chefes de Estado, contudo faz uma avaliação positiva da viagem.

“Mas, tivemos tempo suficiente para revisitar estas áreas e podemos concluir que as coisas estão a evoluir a um bom nível e com uma velocidade acima do que prevíamos”, explicou Filipe Nyusi.

Sobre a reabilitação da EN1, Nyusi disse que uma equipa de engenheiros daquele país já esteve em Moçambique, percorreu a estrada e apresentou um relatório do que foi encontrado, as necessidades e o tipo de intervenção necessária.

“Estamos agora a discutir a viabilidade. Vocês sabem que, em alguns troços, pode haver fluxo de viaturas, por exemplo em Maputo, Inhambane, mas depois frouxa, então significa que nuns pode haver e noutros não, por isso é preciso ver até quando esta estrada pode pagar a estrada, usando sistemas de portagens, etc.”, defende o Presidente da República, tendo acrescentado que “isso desagua em como financiar. A vontade ficou clara nos dois países de que algo tem de ser feito, mas temos que pensar o suficiente para encontrarmos uma solução rapidamente”.

E, pelo rumo das negociações, Nyusi diz que o pacote poderá ser concluído até Março deste ano.

“Iniciámos, na visita anterior, uma negociação de 800 milhões de dólares. Penso que o acordo poderá ser assinado em Março e passar para a fase de desembolso. Estamos a falar de cerca de 1500 quilómetros de estrada, sendo que, para uma parte, já conseguimos o financiamento.”

Nos Emirados Árabes Unidos, Nyusi participou na Semana da Sustentabilidade, com foco na defesa do ambiente, na qual participaram vários líderes mundiais.

O tribunal sul-africano adiou para o dia 26 deste mês a audição de Esmael Nangy, acusado de liderar uma quadrilha que protagoniza raptos em Moçambique. A referida audição tem como objectivo abordar o pedido de liberdade condicional solicitado pelo acusado.

A audição de Esmael Nangy estava marcada para a última segunda-feira, mas o Tribunal de Magistrados de Tembisa, em Gauteng, na África do Sul, adiou-a para o próximo dia 26.

Segundo uma fonte da Procuradoria-Geral da República, a justiça moçambicana recebeu, na semana passada, uma notificação formal sobre a detenção do cidadão moçambicano.

No tribunal, onde o acusado compareceu por alguns momentos, a imprensa não foi permitida a captar imagens. A família de Esmael Nangy teme pela sua segurança e apelou para que não se filmasse.

Já o advogado do indiciado, Calvin Maile, de acordo com o Notícias ao Minuto, já rejeitou as acusações das autoridades moçambicanas no Tribunal de Magistrado de Tembisa, sublinhando que Esmael Nangy é um empresário “respeitado”, com residência permanente na terra do rand.

O suspeito foi detido há duas semanas num condomínio de luxo próximo de Pretória, a capital do país, com base num mandado de prisão e com pedido de extradição do Governo de Moçambique.

A Polícia apreendeu na sua posse uma arma de fogo 9mm licenciada, catorze munições de 9mm, cinco telemóveis, vários cartões bancários de bancos sul-africanos, bem como vários cartões SIM moçambicanos e sul-africanos, referiu a polícia daquele país.

Segundo a porta-voz policial, as autoridades moçambicanas solicitaram em Julho do ano passado a prisão e extradição do suspeito para “ir a julgamento por crimes de sequestro e conspiração cometidos em Moçambique”, acrescentando que Maputo não especificou os alegados crimes de “conspiração”.

Reduziu entre 2021 e 2022, no Hospital Geral de Mavalane, o número de entradas de doentes cujo estado se agrava no período de calor. A redução foi de menos 339 casos, ou seja, de 1741 em 2012 para 1401 em 2022. Apesar de considerar os dados positivos, os médicos reforçam o apelo para redobrar os cuidados.

Quando os termómetros disparam, pessoas com certas doenças crónicas sofrem as consequências.

As principais doenças que fazem com que as pessoas dêem entrada nos hospitais têm a ver com problemas cardíacos, de pele, a desidratação, sendo que a mais comum de todas é a hipertensão arterial.

No Hospital Geral de Mavalane o “O País” conversou com Helena Fernando. Hipertensa há anos sem conta, a nossa entrevistada conta-nos que cansou de “incomodar” os familiares e, como o caso desta vez não foi grave ao ponto de não conseguir se deslocar, sem auxílio, decidiu procurar o hospital pessoalmente.

O hospital já se tornou a sua segunda casa, uma vez que, para controlar a doença, faz consultas periódicas.

“Há muitos anos que sou hipertensa. Às vezes melhoro. Nestes dias de calor, tenho passado mal. Mas, quando não faz calor, melhoro. Dói-me o peito e a cabeça”, desabafou a senhora de mais de 60 anos de idade.

Nos corredores da mesma unidade sanitária, Orlando Jacob aguardava por sua vez no entendimento, enquanto nos contava a sua história. Orlando Jacob sofre de diabetes e hipertensão arterial, duas doenças que podem ser hereditárias, entretanto não sabe como as adquiriu, dado que não há histórico familiar para as doenças.

Com 78 anos de idade, diabético e hipertenso, conta-nos, com tristeza no olhar, como “convive” com as doenças há mais de cinco anos e que, por consequência, chegou a sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

“Esta doença tenho desde 2019. Por causa da tensão e da diabete, certo dia, de repente caí, fiquei muito tempo sem andar.”

Com a constante mudança de temperaturas que se verifica nos últimos dias, Orlando Jacob sofre, pois, segundo conta, “com o calor e a mudança de temperatura, a doença às vezes ataca-me, prende-me o joelho e não consigo andar”.

À sua semelhança, pessoas de várias idades procuram auxílio nos hospitais sempre que chega o Verão.

Nesse grupo de doenças, em 2021, o Hospital Geral de Mavalane registou 1741 entradas, contra 1402, em 2022, cuja redução foi de 339 casos.

“Este ano, nas últimas duas semanas, registámos 70 entradas”, disse Leopoldina Morais, médica.

Apesar da redução, a médica apela para que se continue a ter cuidado: “Aplicar o protector solar, principalmente nas zonas do corpo mais expostas; ingerir muitos líquidos, sumos e água; comer frutas e praticar exercícios nas horas mais frescas do dia”.

De acordo com o INAM, os próximos dias serão ainda mais quentes, com as temperaturas máximas a rondar entre os 32 e 35 graus Celsius.

Trinta e nove quilómetros da Estrada Nacional Número 2 (EN2), na Província de Maputo, estão completamente esburacados. Os utentes reclamam dos estragos às suas viaturas, e a Administração Nacional de Estradas (ANE) diz que os culpados são os camionistas.

O actual estado da EN2 tira suspiro de qualquer condutor. “É o que os senhores estão a ver, a estrada está degradada e tenho pena das pessoas que vivem aqui por causa da poeira”, lamentou Pedro Cumbane, um dos automobilistas que faz trabalhos naquela rodovia.

A Administração Nacional de Estradas, delegação da Província de Maputo, responsabiliza os camiões de transporte de areia e pedras pela degradação da rodovia. “Confirmamos essa situação, principalmente nos primeiros sete quilómetros da estrada em que temos ali exploradores de pedreiras, temos transporte com excesso de carga, portanto temos uma situação em que a estrada já atingiu o limite do seu tempo de vida útil”, disse Rubina Nurmaomed, delegada da ANE na Província de Maputo.

A ANE diz que, para já, não tem dinheiro para uma intervenção profunda e vai fazer tapamento de buracos enquanto mobiliza recursos para reabilitação da estrada.

“A ANE tem estado a intervir com simples actividade de rotina que são os tapamentos de buracos e limpeza de drenagens, mas não são suficientes, devido às limitações financeiras. A ANE está em processo de contratação de um empreiteiro que vai reabilitar os primeiros sete quilómetros e vai fazer o tapamento de buracos até à Vila de Namaacha.”

O Governo desistiu de concessionar a EN2 por não terem aparecido boas propostas. “Essa estrada já esteve no rol para ser concessionada, entretanto as propostas não satisfaziam as exigências mínimas do Governo e esta pretensão foi adiada para a procura de melhores alternativas.”

As chuvas que a província da Zambézia registou nos últimos dias afectaram 1080 famílias e destruíram, parcial ou totalmente, 800 casas. A secretária de Estado na província, Judite Mussácula, convocou e orientou a reunião para avaliar o nível de prontidão das autoridades em caso de necessidade de salvamento e assistência às famílias afectadas na Zambézia.

Dados avançados pelo centro operativo de emergência provincial indicam que pelo menos 500 pessoas foram retiradas das zonas de risco no distrito de Maganja da Costa, devido à subida do caudal do rio Licungo nos últimos dias. Em toda a província, há registo de 519 casas destruídas de forma parcial e 324 completamente devastadas.

“Gostaríamos também de continuar a trabalhar com os governos dos distritos para a retirada da população das zonas de risco, tal é o caso de Licungo e outros, para evitarmos situações de perda de vidas humanas em caso de ocorrência de chuvas extremas. Já retiramos 500 pessoas de Licungo, será que retiramos todas? Então, vamos continuar a trabalhar com todos os governos dos distritos para a monitorização da situação”, disse Judite Mussácula, secretária de Estado na Zambézia.

A província da Zambézia está sob alerta na sequência da formação do distúrbio tropical a nordeste de Madagáscar. 260 comités de gestão de risco de toda a província já foram activados face à situação, tal como fez saber Nelson Ludovico, delegado do Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres (INGD) na província.

“As projecções actuais do sistema meteorológico têm potencial para evoluir para pressão tropical a partir desta terça-feira até ao dia 18 corrente”, precisou o delegado do INGD.

No entanto, de acordo com a mesma fonte que cita o Instituto Nacional de Meteorologia, “ainda é prematuro afirmar-se que este sistema possa afectar o canal de Moçambique, sendo que decorre o processo de monitorização para actualizações subsequentes”, disse Ludovico aos participantes da reunião do centro operativo de emergência provincial.

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