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O País – A verdade como notícia

Efigénio Baptista afirmou que recusa de Ndambi Guebuza em partilhar os 50 milhões de dólares de subornos, que deveria compartilhar com António Carlos do Rosário e Gregório Leão, no primeiro contrato com a Privinvest, foi a razão que fez com que os três, associados a Manuel Renato Matusse, tivessem a ideia de alterar o contrato inicial, com o objectivo de subfacturar o preço dos equipamentos para ganhar mais dinheiro no negócio. O juiz disse ainda não ter dúvidas de que Renato Matusse, então assessor de Armando Guebuza, participou nas referidas negociações.

O contrato de financiamento celebrado entre a ProIndicus e o Credit Suisse para compra de equipamentos para protecção da Zona Económica Exclusiva sofreu dois aumentos em 2013, e Efigénio Baptista não tem dúvidas sobre as razões disso. “Da associação dos factos e circunstâncias que se apuraram até a este ponto, é fácil concluir com toda a certeza que o motivo das alterações do contrato inicial da ProIndicus foi a recusa do réu Ndambi Guebuza em partilhar os 50 milhões de dólares com os co-réus António Carlos do Rosário e Gregório Leão”, referiu Baptista tendo, de seguida, explicado que os réus agiram, com ajuda do Credit Suisse e da Prinvivest.

“Como o contrato de financiamento já estava celebrado, a única forma que encontraram para obter dinheiros adicionais de suborno foi alterar o contrato de fornecimento e, por consequência, alterar o contrato de financiamento. Este plano criminoso foi orquestrado pelo réu António Carlos do Rosário, em coluio com o réu Ndambi Guebuza, Jean Boustani, Gregório Leão José e Manuel Renato Matusse. Com efeito, Andrew Pearse, do Credit Suisse enviou, a 19 de Abril de 2013, um e-mail para os réus António Carlos do Rosário e Manuel Renato Matusse com cópia para Jean Boustani. No dia 22 de Abril de 2013, o réu António Carlos do Rosário reencaminhou para o co-réu Ndambi Guebuza um e-mail com assunto ‘empréstimo da Credit Suisse à ProIndicus’ com o seguinte teor: Exmos senhores, fui contactado pelo senhor Jean Boustani, que mencionou que vocês têm algumas questões relativas ao aumento de 200 milhões de dólares americanos de um empréstimo do Credit Suisse à ProIndicus. Gostaria de reiterar que o aumento proposto será providenciado pelo Credit Suisse”, detalhou.

O juiz dissipou dúvidas sobre a participação do antigo assessor particular de Armando Gebuza no esquema.

“Dúvidas não restam de que o réu Manuel Renato Matusse fazia parte do grupo criminoso que decidiu alterar os contratos da ProIndicus para poder obter dinheiro adicional para pagamento de subornos. Com efeito, o e-mail com assunto ‘empréstimo da Credit Suisse à ProIndicus’ foi enviado ao réu António Carlos do Rosário e também ao réu Manuel Renato Matusse”, esclareceu.

O juiz da causa disse ainda que a Privinvest não usou seu dinheiro para subornar os réus, mas que tais valores eram provenientes do subfacturamento dos custos dos meios, isto é, o Grupo Privinvest pagou os subornos com o dinheiro do Estado moçambicano.

O Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas continua a ser desafiado pela pesca ilegal e poluição do mar. Por isso, o sector quer reforçar a interacção com as organizações da sociedade civil para resolver os problemas.

O Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas (MIMAIP) reuniu-se, esta sexta-feira, na Cidade de Maputo, com organizações da sociedade civil no âmbito da quinta reunião nacional sobre a preservação e gestão dos recursos marinhos.

O encontro anual tem em vista debater em conjunto os desafios e as soluções para a exploração sustentável do mar e fortalecer a cooperação intersectorial.

Estima-se que o país perca, anualmente, cerca de 60 milhões de dólares norte-americanos devido à pesca ilegal, que, associada à poluição do mar e à destruição do mangal, compromete o desenvolvimento sustentável dos recursos marinhos, segundo fez saber Felismina Antia, directora nacional de Políticas Marítimas e Pesqueiras.

“Os fenómenos impactam, por exemplo, espécies consideradas em extinção, ecossistemas marinhos, nos corais, e os recursos pesqueiros começam a ter algumas dificuldades em termos de existência”, explicou Antia.

Por isso, Rodrigo Fernandes, representante do Fórum da Sociedade Civil para a área Marítima e Costeira (FOSCAMC) defendeu a adopção de estratégias nacionais para garantir o desenvolvimento sustentável das espécies marinhas.

“Esperamos contar, muito em breve, com outros avanços importantes, como a estratégia nacional e plano de acção para a gestão de recifes de corais, o plano de acção para a gestão e conservação de tubarões e raias, a regulamentação da pescaria do polvo, a finalização da estratégia de economia azul, a aprovação da proposta do Plano de Acção de Combate ao Lixo Marinho, e da proposta de Regulamento sobre o Banimento da Produção, Importação, Comercialização e Uso do Saco de Plástico, bem como outros regulamentos e políticas específicas para a redução do lixo plástico no mar”, referiu.

Em representação da ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas, Simeão Lopes destacou a necessidade de fortalecer a interacção entre os diferentes actores que exploram a área marinha e costeira.

“Soluções baseadas na natureza e que envolvam as nossas comunidades costeiras continuam a ser a grande aposta para a identificação de soluções para os diversos desafios já elencados e que impactam na saúde do mar, visando assegurar o futuro das gerações mais novas. Há necessidade de manter as organizações da sociedade civil que actuam na área marítima e costeira actualizadas quanto ao quadro político e legal aprovado, ou em elaboração”.

A quinta reunião nacional contou com a participação de organizações da sociedade civil provenientes de todas as províncias do país e quadros do Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas.

O álcool ilícito que entra no país e o meio de transporte usado poderão ser incinerados. O objectivo é combater o contrabando de bebidas alcoólicas. A proposta é da Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE).

Em 2017, o prejuízo fiscal total do álcool ilícito em Moçambique atingiu 344,8 milhões de dólares. A Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE) vai propor a incineração de bebidas alcoólicas contrabandeadas e o seu meio de transporte, isto é, os veículos envolvidos, como forma de dissuadir a entrada ilícita no país.

Excepto bebidas alcoólicas fora do prazo ou impróprias para o consumo, Moçambique não destrói esta categoria de mercadorias. A nível do Tribunal Aduaneiro, são abertos processos fiscais, que podem resultar em reversão mediante pagamento de impostos, taxas e multas ou venda em hasta pública.

É neste sentido que a INAE quer propor a revisão da lei para que seja mais rigoroso com vista a travar o contrabando de bebidas alcoólicas.

“Incinerar os veículos é, sim, uma forma drástica de desencorajar. Quando isso acontecer, o número de processos vai reduzir. Actualmente, estamos longe de resolver o problema”, defendeu Tomás Timba, director de Operações da INAE.

Entre Janeiro e Maio deste ano, as Alfândegas de Moçambique apreenderam 108 viaturas contrabandeadas e realizaram 144 apreensões de bebidas alcoólicas e outras mercadorias. São números que deixam a CTA preocupada e que elevam o tom na exigência de respostas: “reconhecendo os avultados investimentos realizados no seio da indústria nos últimos anos e o seu contributo na geração de empregos directos e indirectos, impostos e outros encargos para o tesouro público, impõe-se a necessidade de combater, de forma rigorosa, o contrabando, contrafacção, descaminho, produção e introdução fraudulenta no mercado de bebidas alcoólicas, o que configura uma concorrência desleal, para além dos riscos à saúde”, disse Agostinho Vuma, presidente da Confederação das Associação Económicas (CTA).

Para que o álcool que entra no território nacional seja legal, há um conjunto de requisitos que o importador deve verificar. “O rótulo, segundo a legislação, tem que estar em português, dentro do rótulo, há lá o teor do álcool. Significa que os produtores, antes de levar o produto ao mercado, tem que seguir normas”, apelou Arlindo Mucone, director-geral-adjunto do INNOQ.

Combater o contrabando de bebidas alcoólicas é garantir uma sã concorrência no mercado. “Fazer um engajamento aos próprios actores partes desta indústria para que estejam cada vez mais cientes da necessidade de operar de forma íntegra”, indicou Hugo Gomes, administrador das Cervejas de Moçambique.

Além do combate à entrada de álcool ilícito no país, há que controlar os níveis de consumo para prevenir acidentes de viação. “Estamos a entrar para quadra festiva e este é um momento de agitação e consumo desregrado de álcool, daí que nós achamos que esta campanha é bem-vinda porque vai ajudar-nos a consciencializar as pessoas para o consumo moderado do álcool”, referiu Artur Tualufo, chefe do Departamento da Polícia de Trânsito na Cidade de Maputo.

As declarações foram feitas, ontem, na Cidade de Maputo, no lançamento da campanha de prevenção do comércio e consumo ilícito, uma iniciativa das Cervejas de Moçambique, em parceria com o Ministério da Saúde, INAE, Embaixada dos Estados Unidos da América, CTA e Associação dos Produtores e Importadores de Bebidas Alcoólicas.

São notórias histórias de milhares de pessoas que vivem com HIV/SIDA e que optam pelo activismo para partilhar informações sobre a doença, depois de descobrirem o seu estado de sero-prevalência. O objectivo é contribuir para a prevenção e erradicação daquela doença. Este é o exemplo recente de três mulheres jovens, residentes na Cidade de Pemba, na Província de Cabo Delgado, que descobriram o seu estado de sero-prevalência do HIV ano passado, mas que não se deixaram desanimar. Ao todo, aquela província conta com 165 026 pessoas vivendo com HIV, segundo revelou, esta terça-feira, o Médico-chefe provincial de Cabo Delgado, Edson Fernando, à ONG Iniciativa Regional de Assistência Psicossocial.

Marina, Nádia e Laura (nomes fictícios para preservação de identidades reais), com idades compreendidas entre os 21 a 23 anos de idade, têm-se mostrado na linha da frente em Pemba ajudando no combate à doença através de palestras. Assim, um dos principais desafios para elas é combater a discriminação e desinformação que existem sobre a doença em causa. Durante entrevistas, as jovens destacaram a necessidade de colaboração da sociedade para incentivar as pessoas que vivem com HIV a aderirem e não desistirem do tratamento anti-retroviral. “Ter HIV não é o fim do mundo, apesar de ser desafiante porque se deve ter muito cuidado em relação à saúde. Então, a melhor solução é erguer a cabeça e lutar para sobreviver e com dignidade”, referiu Marina.

Por sua vez, Nádia apontou o défice no acesso ao financiamento para campanhas de sensibilização como um outro desafio que está a retroceder os trabalhos de prevenção. Por isso, as jovens defendem maior atenção aos programas de combate ao HIV com vista a promoção de tratamento digno aos pacientes nas unidades sanitárias.

Ciente dos desafios enfrentados pelos pacientes do HIV, a Iniciativa Regional de Assistência Psicossocial (REPSSI) tem trabalhado com vários segmentos da sociedade com vista o resgate da dignidade dos doentes. A coordenadora de projectos da REPSSI em Moçambique, Rabeca Boane, destacou a importância da assistência psicossocial como elemento importante sobretudo na elevação da auto-estima dos pacientes do HIV, bem como para promoção à adesão aos programas de tratamento anti-retroviral.

Entretanto, os ataques terroristas estão a colocar em risco a saúde de muitas pessoas que vivem com HIV. O facto é que alguns infectados pela doença são obrigados a abandonar suas zonas de origem, onde também recebiam o tratamento anti-retroviral, por receio de perder para os terroristas. Para tentar contornar a situação, segundo o Médico-chefe da província de Cabo Delgado, foram criadas brigadas para distribuição de anti-retrovirais nas zonas de reassentamento da população deslocada no âmbito dos ataques armados. “Apesar da dispersão das pessoas que vivem com HIV, conseguimos actualmente garantir tratamento anti-retroviral a maioria das pessoas infectadas. Temos registo de 165 026 pessoas vivendo com HIV, das quais 114 244 em tratamento” referiu Médico-chefe da província de Cabo Delgado.

 

Reduziu de 13,2% para 12,4% a taxa de prevalência de HIV/SIDA no país, entre 2015 e 2021, segundo o Ministério da Saúde (MISAU). Entretanto, a instituição diz que o estigma e a discriminação ainda comprometem o tratamento da doença e o acesso aos cuidados de saúde.

O mundo assinalou, esta quinta-feira, o Dia Mundial da Luta contra o HIV/SIDA. Falando nas cerimónias centrais do lançamento do “Dezembro Vermelho”, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, fez saber que as taxas de incidência e prevalência do HIV permanecem elevadas no país.

“Os resultados do Inquérito de Avaliação do Impacto do HIV/SIDA 2021, também designado INSIDA, mostram que a prevalência do HIV em adultos dos 15 aos 49 anos teve uma redução, embora não significativa. A média nacional da prevalência é de 12,4%, contra 13,2% em 2015”, explicou Tiago, acrescentando que as mulheres são as mais vulneráveis, pois “15% das mulheres com idade igual ou superior a 15 anos estão infectadas pelo HIV, contra os homens da mesma faixa, em que a taxa de prevalência é de 9,5%. As mulheres estão desproporcionalmente afectadas em relação aos homens, facto que resulta do triste impacto das desigualdades que enfrentamos”, disse Armindo Tiago, ministro da Saúde.

A província de Gaza é a que apresenta o maior número de prevalência do HIV, com 20,9%; segue-se a província da Zambézia, com 17,1%, e a Cidade de Maputo, com 16,2%.

Nas províncias de Manica e Maputo, as taxas de prevalência do HIV reduziram entre 2015 e 2021, passando de 13,5% para 5,1% e de 22,9% para 12,4%, respectivamente.

O INSIDA 2021 estima que, anualmente, 4,8 novas infecções ocorrem entre 1000 pessoas de 15 a 49 anos de idade.

Apesar do aumento da cobertura do tratamento anti-retroviral, para mais de 96% das unidades sanitárias, segundo a representante da Rede de Pessoas Vivendo com HIV, Alda Bripa, o estigma e a discriminação continuam a barrar o acesso aos cuidados de saúde.

“Queremos reforçar a mensagem e a dar ênfase para a igualdade de direitos para o acesso aos serviços de cuidados e tratamento. Se vencêssemos o estigma e a discriminação, teríamos menos número de pessoas a contraírem o HIV e cada vez mais pacientes a aderirem ao tratamento TARV)”, apelou Bripa.

Em 2021, entre as pessoas vivendo com o HIV do grupo etário de 15 a 49 anos de idade, 70,1% conheciam o seu estado serológico, dos quais 96,4% se encontravam a receber tratamento anti-retroviral e, destes, 88,0% mantinham a carga viral suprimida.

Ainda assim, o ministro da Saúde reitera que a incidência do HIV continua elevada, o que exige a adopção de algumas medidas para, até 2030, acabar com a epidemia do HIV como ameaça de saúde pública.

“Temos que expandir as acções corajosas e efectivas para a eliminação do estigma e da discriminação na nossa sociedade, para facilitar o acesso aos serviços; devemos reforçar o diagnóstico e tratamento do HIV nas crianças; temos que melhorar a coordenação da resposta nacional ao HIV/SIDA e reforçar a responsabilidade de todos os sectores e actores.”

Na área de prevenção primária do HIV, o MISAU destacou a intensificação de intervenções para reduzir as barreiras sociais, estruturais e legais que interferem na resposta à epidemia, o que contribuiu para que, nos últimos dez anos, mais de 10 milhões de testes fossem feitos anualmente.

“Em relação à abordagem de auto-testagem, fizemos, recentemente, a expansão nacional. O auto-teste cria demanda e permite alcançar as populações que normalmente não usam os serviços de testagem disponíveis (adolescentes e jovens, homens e as populações-chave).”

Os resultados foram apresentados, esta quinta-feira, no âmbito do Dia Mundial contra o SIDA, que se assinalou esta quinta-feira, sob o lema “Alcançar a Igualdade na Resposta ao HIV/SIDA”.

O Governo vai reintroduzir veículos articulados para minimizar o défice de transporte de passageiros nos principais centros urbanos do país.

Segundo o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, numa primeira fase, serão introduzidos 20 autocarros para a Área Metropolitana de Maputo.

Magala avançou este dado, hoje, na abertura do quadragésimo Conselho Coordenador da instituição, que decorre sob o lema: “Transportes, Comunicações e Meteorologia, Promovendo a Economia Digital”.

O anterior lote de veículos articulados, que circulou no país, provinha da Hungria.

Durante o Conselho Coordenador, Mateus Magala anunciou o término da compensação ao transportador, findos seis meses de implementação.

Neste momento, o Governo estuda a nova modalidade de atribuição deste subsídio.

A propósito, o presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários, Castigo Nhamane, disse, a jornalistas, no Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Comunicações, que todos os associados esperam pelo subsídio como condição para não subir as tarifas de transporte.

O Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Comunicações analisa os instrumentos programáticos e reflecte sobre a mobilidade urbana, segurança rodoviária, digitalização, logística, desempenho dos corredores de desenvolvimento e a reestruturação das empresas do Estado no sector.

O país precisa de soluções estruturais para resolver o crónico problema de transporte, defende o ministro dos Transportes e Comunicações. Mateus Magala classifica a insegurança nas estradas nacionais como “terrorismo rodoviário” que representa uma situação anormal.

Quando faltam quatro semanas para o fim do ano 2022, o Ministério dos Transportes e Comunicações juntou vários quadros do sector num Conselho Coordenador para um debate aberto, profundo e transparente sobre os caminhos a seguir para ultrapassar os problemas estruturais, como dos transportes e segurança rodoviária.

“O país clama por soluções estruturais para resolver o crónico problema de transporte de passageiros, caracterizado pela baixa qualidade da oferta deste serviço, no segmento urbano, distorcendo o funcionamento de todas as outras actividades económicas e sociais que dependem deste serviço, como o acesso ao emprego, produtividade das empresas, educação, saúde, turismo”, disse Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

Um dos factores que contribuem para a precariedade dos serviços de transportes de passageiros é o conflito na Europa.

“Problemas de transporte público urbano agravaram-se com a recente crise provocada pela guerra na Ucrânia, cujo impacto se verifica com o aumento sucessivo dos preços dos combustíveis, levando ao aumento do custo de vida e dos custos operacionais do serviço de transporte”, explicou o titular das pastas na área de Transportes e Comunicações.

Para o governante, a solução dos problemas a que se refere passa pela reforma profunda que integra diferentes tipos de transporte.

“A nosso ver, a solução passa pela reforma profunda sobre como este serviço tem vindo a ser prestado, passando do informal para a profissionalização dos transportadores, integração dos diversos modos de transporte (rodoviário, ferroviário, marítimo, fluvial e lacustre), incremento de transporte de massas, ao mesmo tempo que intervimos na malha rodoviária para a extensão e melhoria da rede e qualidade das vias de acesso”, elucidou Mateus Magala.

Sobre a segurança rodoviária, Magala diz que o país está a atravessar um momento crítico. “É um momento crítico, caracterizado por violentos acidentes de viação. Só nos primeiros nove meses deste ano, em Moçambique perderam a vida 658 cidadãos e outros 1418 contraíram ferimentos, resultantes de 679 acidentes de viação. Neste contexto, definimos a segurança rodoviária como uma prioridade de primeira ordem para travarmos o terrorismo de rodoviário.”

A morte de uma média de mais de duas pessoas por dia, vítimas dos acidentes de viação no país, deve ser preocupação de todos. “Esta não é uma situação normal. Precisamos de mobilizar todas as forças vivas da sociedade para reverter este quadro negro.”

De acordo com Magala, o Conselho Coordenador deve sugerir formas de tirar o país da crise que atrasa o desenvolvimento e aumenta a vulnerabilidade das famílias.

O quadragésimo Conselho Coordenador do Transportes e Comunicações decorre sob o lema “Transportes, Comunicações e Meteorologia, promovendo a economia digital e a mobilidade sustentável” na Cidade de Maputo.

O ministro dos Transportes e Comunicações diz que o Governo já não sabe se vai ou não proceder à proposta de subsídio ao passageiro e que a decisão final vai depender do custo de vida. A FEMATRO diz que se a compensação aos transportadores não continuar, vai agravar a tarifa dos transporte de passageiros.

Em Julho, o Governo garantiu que iria compensar, primeiro, os transportadores e subsidiar, depois, subsidiar o passageiro para aliviar o custo do transporte. A primeira proposta até foi e ainda está a ser implementada, mas, em relação à segunda, reina, agora, uma incerteza.

“Dezembro é o último mês em que este arranjo (compensação aos transportadores) tem fim; depois vamos sentar-nos com o Governo para ver qual é a situação actual, se os combustíveis continuam altos ou a situação mudou e, na base disso, vamos decidir como continuar a desempenhar o nosso papel dentro do contrato social que temos com a sociedade”, revelou Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

Mateus Magala explica que, caso o Governo avance com os subsídios ao passageiro, a ajuda será dada apenas às classes vulneráveis.

“O que é certo é que alguns grupos mais vulneráveis, como os idosos, os estudantes e deficientes, vão continuar a beneficiar-se do subsídio”, garantiu o governante.

Em relação à compensação aos transportadores, a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) diz que, caso a medida não continue, o preço do transporte de passageiros vai subir nos próximos meses.

“Que se pronuncie o próprio Governo, ou se continua com o subsídio ao passageiro por meio do transportador ou nós agravamos a tarifa em sete Meticais que foram acordados e aprovados pela Assembleia Municipal de Maputo, uma das duas hipóteses deve acontecer”, frisou Castigo Nhamane, presidente da FEMATRO.

A agremiação diz também que a compensação aos transportadores não obedeceu aos requisitos que pudessem satisfazer os operadores.

“O valor a ser compensado pela capacidade de cada meio não nos agrada, porque o justo seria exactamente o subsídio ao passageiro transportado por dia, mas não é o que está a acontecer. Encontrou-se uma fórmula que compensa os transportadores em função da lotação”, lamentou o presidente da FEMATRO.

As intervenções foram feitas à margem do quadragésimo Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Comunicações, com a duração de dois dias, que visa, entre várias medidas, decidir sobre o futuro do transporte público de passageiros no país.

O juiz Efigénio Baptista diz que ficou provado que Armando Ndambi Guebuza influenciou o seu pai, então Presidente da República, Armando Guebuza, para que o Governo adoptasse o projecto de protecção da Zona Económica Especial proposto pela Privinvest e, por isso, recebeu 33 milhões de dólares.

No segundo dia da leitura da sentença do “caso dívidas ocultas”, o juiz da causa, Efigénio Baptista, começou a apresentar as suas conclusões em relação ao envolvimento de cada um dos réus naquele que é tido como o maior escândalo financeiro já registado no país, tendo como base as provas apresentadas, desde depoimentos feitos pelos réus em diferentes fases do processo, documentos físicos, e-mails e outras mensagens electrónicas certificadas pela perícia de informática e que não foram contestados pela defesa dos réus, entre outros.

O juiz considerou válidos os depoimentos de Bruno Langa, co-réu e amigo de Ndambi Guebuza nas fases anteriores ao julgamento, apesar de ter alegado, na tenda da B.O., que foram feitos na PGR sob ameaça do procurador Elias Paulo, pelo que Efigénio Baptista não viu, mesmo assim, elementos que justificassem a sua nulidade, porque, segundo disse, o réu teve várias ocasiões para denunciar o ocorrido, mas não o fez. Citou, por exemplo, o interrogatório feito pelo juiz ao réu preso, a instrução preparatória, a instrução contraditória, os recursos que submeteu ao Tribunal Superior de Recurso e ao Tribunal Supremo, em nenhuma dessas fases do processo denunciou a suposta ameaça.

Bruno Langa submeteu ainda uma contestação ao tribunal na qual confirma os factos que narrou no interrogatório conduzido pela PGR e em nenhum momento revela qualquer coação para esclarecer a sua participação no escândalo das “dívidas ocultas”. Por isso, o juiz diz que foi forçado a concordar com o posicionamento do Ministério Público nas suas alegações finais de que foi uma estratégia de defesa elaborada pelo réu, diante das provas irrefutáveis contra si.

A defesa de Ndambi Guebuza tentou ainda anular os depoimentos de Bruno Langa, alegando que o advogado Paulo Nhancale, que o acompanhou na audição na PGR, não está inscrito na Ordem dos Advogados de Moçambique, pelo que não podia exercer a advocacia. O juiz diz que não procede porque, após a nomeação de um advogado verdadeiro, Bruno tinha cinco dias para pedir a anulação e não o fez, aliás o pedido surge cinco anos depois.

A anulação das declarações de Bruno Langa era importante para a defesa de Ndambi Guebuza. Na PGR, o amigo do filho do antigo Presidente da República não teve filtros e explicou todos os contornos da sua participação no crime, que essencialmente foi motivada pela sua amizade com Ndambi e foi através dele que Teófilo Nhangumele fez chegar o projecto da Zona Económica Especial ao filho do Presidente e aquele para o seu pai.

Mesmo para fundamentar a sua convicção, o juiz citou um e-mail que Teófilo Nhangumele enviara a Jean Boustani depois de um encontro com Ndambi Guebuza, facilitado por Bruno Langa. No referido e-mail, Nhangumele informou ao empresário libanês que falou com Ndambi a manifestar preocupação pelo facto de o projecto estar encalhado e não estar a ter qualquer desenvolvimento mesmo depois de se terem passado três meses após ter sido submetido aos Serviços de Informação e Segurança do Estado e que teria tido o conforto de que Ndambi levaria o assunto ao pai e retornaria a Nhangumele.

O juiz diz estar convencido de que houve eficácia na actuação, porque, pouco tempo depois, foi criada a ProÍndicus e, 27 dias depois, aquela empresa assinou o contrato com uma das empresas do grupo Privinvest para fornecimento da solução de patrulhamento e vigilância da costa moçambicana.

Efigénio Baptista puxou um outro e-mail certificado pela perícia e não contestado, em que Jean Boustani o enviou a Inês Moiane, então secretária do ex-Presidente da República, Armando Guebuza, com conhecimento de Ndambi Guebuza, cujo conteúdo era destinado ao então Chefe de Estado.

No referido e-mail, mo libanês pedia orientações ao Chefe de Estado e avisava que seria necessário fazer-se um lobby junto da Anadarko e ENI, para firmarem contrato de protecção com a ProÍndicus e sugeria a concessão do Sistema Integrado de Monitoria e Protecção (SIMP) a uma empresa formada pela ProÍndicus e a sucursal da Abu Dhabi Mars através de uma resolução do Conselho de Ministros e/ou decreto presidencial para servir de prova de bala a eventuais contestações. O juiz acredita que o facto de Ndambi Guebuza estar copiado no e-mail enviado a Inês Moiane era mesmo porque ele intervinha junto do seu pai para agilizar os processos.

Por conta disso, o juiz faz notar que, após esse e-mail 16 dias depois, o Conselho de Ministros decidiu, através de uma resolução, a concessão do SIMP à ProÍndicus, o que, mais uma vez, provou a forte influência que Ndambi Guebuza exercia sobre o seu pai.

Por conta destes serviços, Efigénio Baptista diz que ficou provado que, através de Teófilo Nhangumele, Ndambi Guebuza exigiu o pagamento de 50 milhões de dólares por parte da Privinvest. E como a resposta de Jean Boustani foi de que aquela empresa não fazia esse tipo de pagamento, as partes acordaram em acrescentar na factura dos equipamentos e serviços a serem fornecidos por aquela entidade esse valor.

Das negociações entre as partes, comprovadas através de e-mails trocados entre Jean Boustani e Teófilo Nhangumele, Ndambi ficou com 33 milhões de dólares que devia partilhar com António Carlos do Rosário, Gregório Leão e Cipriano Mutota, algo que não fez. E Nhangumele e Bruno Langa ficaram com 8,5 milhões de dólares cada um, de 10 milhões negociados anteriormente, mas que Ndambi exigiu que reduzissem porque ele teria mais pessoas com que devia dividir o valor.

O juiz diz não ter dúvidas, por conta da prova documental de que dispõe, de que Ndambi recebeu, de facto, esse dinheiro, sendo que 14 milhões de dólares foram pagos através de transferência bancária numa conta por si titulada e aberta por Jean Boustani em Abu Dhabi Commercial Bank. A transferência foi feita no dia 26 de Março de 2013, no entanto a defesa de Ndambi Guebuza apresentou no tribunal para rebater esse facto um extracto bancário da referida conta de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2015, altura em que não houve nenhum movimento na conta.

O magistrado recordou que, na fase de instrução, quando Ndambi não sabia que havia a prova da conta bancária em Abu Dhabi, negou que tivesse aberto tal conta, mas, após ser confrontado no julgamento com as provas documentais, aceitou que abriu conta bancária em Abu Dhabi Comercial Bank.

No entanto, alegou que o documento assinado por ele a confirmar a recepção dos 14 milhões de dólares, tinha assinatura falsificada. No entanto, segundo o juiz, não provou se a assinatura era falsificada nem solicitou a realização de exame nesse sentido.

A outra parte dos 33 milhões de dólares terá recebido através de empresas sul-africanas, tendo, no tribunal, confirmado, mas alegando que eram resultados de uma parceria com Jean Boustani que não conseguiu explicar e provar o seu âmbito.

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