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O País – A verdade como notícia

O jurista Jerónimo Mussuquisse diz que há elementos suficientes para extradição de Esmael Nangy para Moçambique, indiciado de raptos, tendo em conta a gravidade do crime e os elementos de prova em vários relatórios de crimes de que é indiciado no país.

A Polícia sul-africana comunicou, no dia 07 de Janeiro, a detenção, na terra do rand, de um homem procurado em Moçambique, suspeito de cometer crime de rapto no país.

Enquanto se aguarda por uma decisão, o especialista em Direito Internacional, Jerónimo Massuquisse, disse haver condições para que Nangy responda pelos crimes de que é acusado.

“O Ministério Público tem elementos mais que bastantes que motivam este processo, de vários casos – ele foi apontado como suspeito de estar envolvido na prática deste tipo legal de crime, para além dos relatórios, alguns dos seus colegas que estão sob custódia já o citaram em vários momentos”, disse.

De acordo com Jerónimo Massuquisse, caso o tribunal não decida a sua extradição em 20 dias, o prazo de detenção do indiciado não pode exceder 80 dias.

“Num prazo de dez dias, o Tribunal Supremo da África do Sul deve proferir um despacho, preliminar, que apresente inadmissível ou não a extradição, tendo em conta os fundamentos apresentados”, avançou.

Para o jurista, tendo em conta a gravidade dos crimes de que é indiciado, há toda necessidade de se esclarecer os vários casos de rapto que assolam o país.

O homem procurado por liderar um grupo que fazia raptos com pedidos de resgate em Moçambique foi detido no dia 07 deste mês num condomínio de luxo próximo de Pretória.

“Uma equipa multidisciplinar liderada por membros da Célula de Planeamento Trilateral (TPC) e da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) invadiu uma propriedade de luxo em Centurion onde deteve o alegado líder, procurado por casos de rapto em que pedidos de resgate foram feitos em Moçambique”, referiu o comando nacional da Polícia Sul-Africana (SAPS), em comunicado.

Centurion é uma área residencial com mais de 200 mil habitantes situada entre Pretória, a capital do país, e Midrand, na província sul-africana de Gauteng.

O comunicado da Polícia sul-africana, a que o jornal O País teve acesso, sublinha que as forças de segurança sul-africanas “agiram com base num mandado de prisão e num pedido de extradição do Governo de Moçambique”.

“No sábado à noite, a equipa que também integrou a ‘Task Force’ Especial (STF), e a unidade de Inteligência Criminal e Crime Organizado prendeu Esmael Malude Ramos Nangy, de 50 anos, numa residência em Centurion”, salientou.

“A Polícia apreendeu na sua posse uma arma de fogo 9mm licenciada, catorze munições de 9mm, cinco telemóveis, vários cartões bancários de bancos sul-africanos, bem como vários cartões SIM moçambicanos e sul-africanos”, adiantou a nota da polícia sul-africana a que a Lusa teve acesso.

Após a sua detenção, o homem compareceu no tribunal da magistratura de Randburg, em Joanesburgo, mas a sua audição foi adiada.

Contactada, a porta-voz do comando nacional da Polícia da África do Sul, Athlenda Mathe, explicou que a detenção foi efectuada por uma equipa multissectorial.

Segundo a porta-voz policial, as autoridades moçambicanas solicitaram em Julho do ano passado a prisão e extradição do suspeito para “ir a julgamento por crimes de sequestro e conspiração cometidos em Moçambique”, acrescentando que Maputo não especificou os alegados crimes de “conspiração”.

“Claro que vamos também investigar possíveis ligações do suspeito com os sequestros que têm sido perpetrados no nosso país”, frisou Athlenda Mathe.

O TPC é uma estrutura de policiamento que foi criada pelos governos da África do Sul, Moçambique e Tanzânia para combater o crime organizado transnacional na região.

A ministra do Interior confirmou, dias depois, a detenção, na África do Sul, de um suposto mandante dos raptos em Moçambique.

“Naturalmente, como os casos não foram todos esclarecidos, foi emitido um mandado de captura internacional de um dos envolvidos nestes casos de rapto, e a resposta é esta que acompanhámos da detenção deste cidadão na África do Sul para poder responder ao que pesa sobre si”, confirmou Arsénia Massingue, ministra do Interior.

Mesmo após a audição do indiciado no dia 08 de Janeiro, a ministra do Interior disse que as autoridades moçambicanas ainda não tinham sido notificadas.

“Os passos a seguir como devem calcular é que as nossas instituições da administração da justiça sejam notificadas formalmente, porque todos nós acompanhámos pela imprensa. Ainda não houve uma notificação formal, e o passo seguinte será esse e, depois, seguir-se-ão outros”, referiu.

Apesar de a detenção ter sido feita pela Interpol, na vizinha África do sul, o Ministério Público esclareceu que a detenção do suposto raptor envolveu a Polícia moçambicana, e, de lá para cá, decorrem démarches com vista à extradição para Moçambique do indiciado.

Em 2022, foram registados, em todo o país, 13 casos de rapto, dez dos quais já esclarecidos, segundo a informação prestada pela ministra do Interior. Arsénia Massingue avança, também, que há 36 detidos em conexão com o crime de rapto.

Agente de segurança privada matou a sua própria esposa a três tiros depois de uma briga com a finada no Mercado Diamantino, na Cidade de Maputo. O indiciado é confesso e está detido na 18ª Esquadra da PRM. Já em Manica, um pastor foi baleado e, depois, detido por tentar vender um menor.

O caso deu-se por volta das 12 horas desta segunda-feira na capital do país. O indiciado contou que já não aguentava mais as recorrentes brigas com a sua esposa, por isso decidiu usar uma arma de fogo, por sinal o seu instrumento de trabalho, para tirar a vida dela.

“Eu sabia que ela morreria. Quando uma pessoa despreza as outras, não é nada bom. Na verdade, eu queria que ela perdesse a vida e seguida matar-me também, mas depois apercebi-me de que a arma já não tinha munições”, contou o indiciado.

No local do baleamento, havia manchas de sangue no chão. Segundo contam testemunhas, a vítima perdeu a vida após o seu próprio esposo ter aberto fogo contra si no mercado onde ela trabalhava. Foram três tiros em diferentes partes do corpo.

Após matar a sua esposa, o indiciado, de 54 anos de idade, colocou-se em fuga, mas não tardou para que fosse encontrado e, neste momento, encontra-se detido na 18ª esquadra.

“O indiciado saiu do seu local do trabalho e dirigiu-se ao mercado, portando uma arma de fogo do tipo pistola. Na sequência, teria confrontado a sua esposa que, tal como noutros dias, se encontrava a exercer o seu trabalho. Em meio a este confronto, o indivíduo entendeu que devia sacar a sua arma do serviço e efectou três disparos, um na região do coração, outro no abdómen e o terceiro no pé. Socorremos a vítima até ao hospital, onde veio a perder a vida”, explicou Leonel Muchina, porta-voz da PRM na Cidade de Maputo.

Esta foi a segunda mulher morta a tiros, em menos de uma semana, na Cidade de Maputo.

Já na província de Manica, um pastor foi baleado pela Polícia após tentar vender um menor de 12 anos, filho de um dos crentes da sua igreja.

Segundo a Polícia naquela província, o indiciado, que agora está a receber cuidados médicos no Hospital Provincial de Chimoio, foi alvejado quando tentava fugir.

Duas pessoas morreram e outras três ficaram feridas, hoje, devido ao despiste de uma ambulância, em Manica. O acidente de viação ocorreu por volta das 2h00 da madrugada quando a ambulância, do Hospital Distrital de Manica, transportava uma parturiente para uma outra unidade hospitalar, disse Mateus Mindu, porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Manica.

“A ambulância despistou-se, embateu contra um poste e uma árvore e de seguida capotou”, explicou Mateus Mindu, apontando o excesso de velocidade como presumível causa do incidente.

Uma estagiária da saúde e um acompanhante da paciente que seguiam na ambulância morreram no local e os três feridos foram transferidos para o Hospital Provincial de Chimoio.

Os índices de sinistralidade rodoviária no país são classificados como dramáticos por várias organizações.

As autoridades moçambicanas têm apontado o excesso de velocidade e condução sob efeito de álcool como as principais causas dos sinistros.

Em média, pelo menos mil pessoas morrem anualmente nas estradas, segundo dados avançados pela Associação Moçambicana Para as Vítimas de Insegurança Rodoviária (Amviro).

Uma em cada vinte pessoas perde seus pertences por mês nos transportes semicolectivos do Terminal Rodoviário Internacional da Baixa da Cidade de Maputo. Os bens são reservados nos armazéns da associação, mas poucos os reclamam.

É comum os passageiros esquecerem-se de bens durante viagens no transporte público de passageiros, e a maior preocupação tem sido como recuperar esses bens.

A família de Zito Arone é exemplo das pessoas que já passaram por esta situação. “Ele diz que o motorista chegou a uma zona no bairro Fomento, e uma das pessoas que estava a descer do ‘chapa’ descarregou bens dele e do meu irmão mais novo, sem ele se aperceber e os pertences não eram dele”, contou o passageiro.

Mas há quem teve um final feliz e conseguiu recuperar os bens. “O motorista encontrou o meu contacto e ligou-me; a mercadoria chegou até onde eu estava”, disse Lucas Manhique.

Alguns motoristas nacionais e internacionais no Terminal Rodoviário Internacional da Baixa contam que já passaram pelo cenário e depositaram vários bens nos armazéns da associação. “Quando [o bem] não é roubado pelos passageiros, eu encontro aqui, no carro, e vou deixá-lo no armazém. Quando aparece o dono, diz o que perdeu e encontra os seus pertences. Mesmo no carro, tenho ficado com muitas encomendas durante dois ou três dias e, se a pessoa não aparece, eu deixo-os com o fiscal”, avançou Cibossise Lhovo, motorista.

Pastas, fardos, mesa, até pneus são alguns dos bens não reclamados numa das associações de transporte na Cidade de Maputo.

Frederico Lopes, presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários Internacionais da Baixa (MOZATA) afirma que os casos são frequentes. “É constante, as pessoas deixam as coisas nos carros, outros mandam e perde-se por vários motivos. Nós temos avisado os clientes: ‘quem vem com o seu bem é obrigado a controlar os seus pertences para que não corra o risco de perder ou ser roubado’”, esclareceu Frederico Lopes, presidente da MOZATA.

Segundo a Associação dos Transportadores Rodoviários Internacionais da Baixa, todos os pertences dos passageiros são guardados até que sejam reclamados, entretanto alguns ficam meses até anos e, quando nada acontece, as associações dizem que doam os bens.

Um adolescente de 13 anos morreu na madrugada de hoje, vítima de uma descarga atmosférica. Segundo as autoridades, a vítima encontrava-se no interior de uma casa, junto de mais quatro pessoas, que contraíram ferimentos leves.

O caso aconteceu na cidade da Beira, concretamente no posto administrativo de Inhamizua, onde, durante a madrugada, houve queda de chuva forte acompanhada de trovoadas, que culminaram em descargas atmosféricas.

No interior da casa, estavam cinco pessoas. Telma Rosário, uma das sobreviventes, conta que, de madrugada, começou a chover e um raio forte caiu sobre a casa que começou a arder.

“Devido à chuva, o meu cunhado (vítima mortal) foi ao meu quarto, porque no dele a chuva entrava. Quando eu saí para a sala, a cortina já estava a arder. Tentei abrir a porta, mas não consegui. Pedi socorro e um meu outro cunhado conseguiu furar o tecto, saiu e começou a puxar-nos para fora de casa. Quando puxava o meu cunhado, ele perdeu a consciência e caiu, sendo devorado pelas chamas. Não tínhamos como o salvar”, contou Telma Rosário, uma das vítimas.

O delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) confirmou o facto: “Houve este incêndio na casa e um dos menores acabou por morrer. As outras vítimas tiveram ferimentos ligeiros, alguns estão ainda em assistência médica. Esta situação é recorrente na época chuvosa, caracterizada por esses fenómenos, de descargas atmosféricas, trovoadas e outras”, explicou Aristides Armando, delegado provincial do INGD em Sofala.

O INGD diz que alocou para as vítimas tendas e mantimentos e promete manter o apoio por mais um mês, até que as famílias consigam reerguer-se.

Com este sinistro, sobe para sete o número de casos registados na província de Sofala, com destaque para o distrito de Gorongosa que já teve três casos.

A cólera já matou 16 pessoas no país, de acordo com os dados actualizados, hoje, pelo Ministério da Saúde. As autoridades alertam que há risco de alastramento da doença em todas as províncias.

Até este domingo, informação que veio a público apontava para 13 mortes devido à cólera. Entretanto, o Departamento de Vigilância em Saúde Pública do Ministério da Saúde actualizou, esta segunda-feira, a informação.

“Nós temos um cumulativo de 1376 casos de cólera e 16 óbitos que correspondem a uma taxa de letalidade de 1,2%”, avançou Domingos Guihole, do Departamento de Vigilância em Saúde no Ministério da Saúde.

As autoridades de saúde encontram-se no terreno a fazer vigilância e lançam o alerta sobre a possibilidade de a cólera chegar a mais lugares do país.

“Todas as províncias têm um certo risco para poderem registar casos de cólera. O momento chuvoso que estamos a registar e a mobilidade de pessoas e bens podem fazer com que um caso que esteja na província de Niassa possa mover-se até Nampula.”

Mesmo com a ameaça da propagação da doença, as autoridades sanitárias reportam redução da média de novos casos na província de Niassa, que é a mais assolada.

“Vimos uma redução entre os dias 12, 13 e 14 de Janeiro corrente; reduzimos de 20 para 12 pacientes com a doença. E, ontem, houve entrada de 12, portanto estamos com uma tendência de redução à custa da actividade que é efectuada nas comunidades.”

Neste momento, a cólera está presente nas províncias de Niassa, Zambézia, Sofala e Gaza.

Cerca de 30 hectares de campos agrícolas com milho estão inundados no distrito de Chibuto, na província de Gaza, devido a inundações no Rio Limpopo. A situação deve-se às descargas que estão a ser feitas na barragem de Massingir. Perto de 19 mil  pessoas podem ser afectadas pelas inundações.

As imagens amadoras mostram o problema que as águas do Rio Limpopo estão a causar no distrito de Chibuto, província de Gaza.

A situação é causada pelas descargas que estão a ser feitas pela Barragem de Massingir, no distrito com o mesmo nome. Culturas de milho estão inundadas. “Destruiu a cultura do milho, outro ainda em desenvolvimento, outro ainda não tinha atingido a fase de maturação, os  homens tentaram recolher essa produção, o que puderam aproveitar para outro tipo de consumo, mas, para o consumo, naturalmente não poderão aproveitar”, disse Manuel Tivane, director distrital de Infra-estruturas de Chibuto.

Para evitar que o pior aconteça, as autoridades prevêem apoiar 22 produtores. “Depois de passar essas inundações, serão necessários cerca de 750 Kg semente de milho para poder apoiar os produtores que foram afectados”, disse Manuel Tivane.

O distrito de Chibuto prevê que mais de 19 mil famílias sejam afectadas pelas inundações. “Sempre tomamos providências para levar essas pessoas a um lugar seguro.”

As zonas mais afectadas foram o povoado de Eduardo Mondlane e Mulandine.

As chuvas que caíram no distrito de Chibuto tiveram contribuição significativa nas inundações e impacto nas vias de acesso.

Outro problema, mencionado pelas autoridades de Chibuto, é a travessia da lagoa de Nhagule, uma vez que a lagoa não tem água que funciona como uma via alternativa e liga a zona alta do alto Tsagano e a zona alta do posto administrativo de Changanine, portanto essa via está, neste momento, intransitável por causa da água naquele local.

O director de Infra-estrutura de Chibuto informa que os níveis de alerta para zona de Muhabe reduziram de 6 metros para 2,99, o que significa que, neste momento, os níveis estão a baixar cada vez mais.

Dom João Carlos Hatoa Nunes será o substituto de Dom Francisco Chimoio, no cargo de Arcebispo de Maputo. O sucessor de Francisco Chimoio tomou posse este domingo e passa a carregar o título de Arcebispo Coadjutor de Maputo.

Na manhã deste domingo, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, ouvia-se cantar Glória a Deus nas alturas e cânticos de agradecimento pela bondade do Senhor, não era para menos, a igreja estava em festa e,era missa que oficializava o cargo que João Carlos passa a ocupar.

A Sé Catedral ficou pequena diante de centenas de crentes e personalidades que queriam acompanhar a cerimónia de empossamento.

João Nunes trabalhou por quase toda vida na Arquidiocese de Maputo, mas, nos últimos seis anos, foi Bispo de Chimoio. Os crentes descreveram-no como o Bom Pastor. O representante, Padre José Moisés, disse que o trabalho de João Nunes na evangelização foi caracterizado pela simplicidade e proximidade com o povo de Deus.

De volta à capital do país, os que já o conhecem davam-lhes boas-vindas, na esperança de que o seu trabalho seja bem-feito, uma vez que conhece e bem a arquidiocese onde vai trabalhar.

“Acreditamos que será aquele pastor que, com esmero, zelo, paternal bondade e misericórdia, servirá de pastor de todos os párocos. Auguramos que, com a vossa sabedoria, possa conduzir esta porção do povo de Deus ao seu criador no cumprimento dos mandamentos e das diversas disposições da igreja”, desejou o padre Alberto Buque.

A ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Kida, também esteve lá e desafiou o empossado a imprimir mais dinâmica no resgate dos valores éticos-morais da sociedade, que culminem com a protecção da dignidade humana, cultura de paz, harmonia e bem-estar espiritual e material dos moçambicanos.

“A nomeação da Vossa Graça acontece numa época em que Moçambique e o mundo, em geral, clamam por mensageiros da esperança, que possam dizer a verdade com amor, lançando a luz da fé sobre a escuridão da vida das pessoas”, disse Kida, acrescentando que o arcebispo deve dar o seu melhor para que haja mais harmonia entre os crentes e todos os moçambicanos.

Outro desafio colocado pela governante é o de implementar maior dinamismo à arquidiocese, para que possa responder melhor à complexidade do ministério e da igreja.

“Caro arcebispo coadjutor da Arquidiocese de Maputo, nos últimos tempos, o mundo tem estado a evoluir bastante, tanto na organização social, quanto na capacidade técnica, mas, no campo espiritual, moral e ético, a situação é deveras sombria, se olharmos para o nível de degradação dos valores morais das nossas sociedades modernas, por isso a missão salvadora da igreja revela-se urgente e incontornável nos dias actuais, para resgatará o que há e mais valioso no ser humano”, orientou.

Olhar com mais atenção para os pobres e carenciados foi outro desafio dado.

Missão dada é, para João Nunes, missão cumprida. Ele que começou o seu discurso cantando e louvando a Deus pela bondade e pela oportunidade de servir, como diz o seu lema episcopal “No meio de vós como aquele que serve”.

Segundo o Arcebispo Coadjutor de Maputo, nesta nova caminhada, “ele abraça” os desafios colocados, pois é sua missão evangelizar todas as pessoas, sobretudo as mais pobres e necessitadas. Nesta caminhada, João Carlos disse que vai guiar-se em três convicções, entre as quais a gratidão e o respeito pela história do lugar que vai ocupar e dos que já passaram.

“Segundo,  quero estar próximo de todas as realidades presentes nesta igreja, a fim de melhor conhecer e melhor servir. Só podemos ser bons servidores se tivermos uma dose de humildade, contínua busca para conhecer a realidade onde nos encontramos”, explicou o Arcebispo.

A terceira convicção é ter sempre em mente que a igreja é uma obra colectiva e não individual, por isso prometeu auscultar, integrar e envolver os vários agentes e fiéis da arquidiocese para juntos levarem avante a obra de evangelização da palavra de Deus.

Dom João Carlos Nunes foi nomeado para este cargo após Dom Francisco Chimoio ter pedido ao Papa Francisco para começar a preparar a sua saída do Governo pastoral de Maputo.

Por isso, durante o seu discurso, Francisco Chimoio não escondeu a alegria. Sem dizer muito, sublinhou que já “não estou sozinho”.

“Nós dois teremos a tarefa de continuar a ajudar a todos vocês, a conhecer o caminho que vos leva à vida eterna e que vos leva a alcançar a salvação. Juntos poderemos caminhar para que o Senhor seja sempre conhecido e amado e seja sempre anunciado”, referiu Francisco Chimoio.

Outra recomendação é que Francisco Chimoio deve dar maior exemplo de caridade fraterna e de sentido colegial; deve amar e ajudar espiritual e materialmente o bispo coadjutor.

“Embora Dom Chimoio permaneça à frente da arquidiocese, a ele junta-se Dom João Carlos, juntos darão o testemunho de um serviço aos pobres e carenciados”, exortou Bertoldi.

Sendo coadjutor, Dom João Carlos, de 54 anos, poderá tornar-se Arcebispo de Maputo a qualquer momento e, sendo assim, será o quinto arcebispo da referida arquidiocese.

Setenta e nove mil crianças morreram em 2020, no país, antes dos cinco anos de idade, devido à precariedade dos serviços de saúde. Os dados foram avançados, semana passada, pela Organização das Nações Unidas, que acrescenta que quase 60 milhões de crianças podem morrer antes de 2030 se não se investir em saúde.

Um relatório da Organização das Nações Unidas, divulgado semana passada, revela que há uma tendência de redução de casos de mortalidade infantil nos últimos 20 anos.

Segundo o documento, Moçambique tinha, em 1990, uma taxa de mortalidade, em crianças menores de  cinco anos, de 245 por cada mil nascidos vivos.

Em 2000, ou seja, 10 anos depois, o número desceu para 171 e, em 2020, 72 crianças morreram a cada mil nascimentos.

As Nações Unidas indicam ainda que o número de mortes de crianças com menos de cinco anos no país baixou de 128 000 em 2000 para 79 000, no ano 2020.

O director da Divisão de Análise, Planeamento e Monitorização de Dados do UNICEF, Vidhya Ganesh, diz que a redução da taxa é global, contudo é preciso mais trabalho.

“O progresso é possível com uma vontade política mais forte e um investimento direccionado no acesso equitativo aos cuidados de saúde primários para cada mulher e criança”, disse Ganesh.

A ONU alerta que, caso não sejam tomadas medidas rápidas para melhorar os serviços de saúde, em todo o mundo, quase 60 milhões de crianças e jovens morrerão antes de 2030, e quase 16 milhões de bebés serão nados-mortos.

“O acesso e a disponibilidade de cuidados de saúde de qualidade continuam a ser uma questão de vida ou de morte para as crianças a nível mundial. A maioria das mortes de crianças ocorre nos primeiros cinco anos, metade das quais ocorre logo no primeiro mês de vida. Para estes bebés mais novos, o nascimento prematuro e as complicações durante o parto são as principais causas de morte. Do mesmo modo, mais de 40% dos natimortos ocorrem durante o parto – a maioria dos quais são evitáveis quando as mulheres têm acesso a cuidados de qualidade durante a gravidez e o parto. Para as crianças que sobrevivem depois dos primeiros 28 dias, doenças infecciosas como a pneumonia, a diarreia e a malária constituem a maior ameaça”, lê-se no relatório, divulgado a 10 de Janeiro corrente.

O documento indica que a África Subsaariana foi responsável por 56% de todas as mortes de menores de cinco anos em 2021, e o Sul da Ásia por 26% do total. As crianças que nascem na África Subsaariana estão sujeitas ao maior risco de morte infantil do mundo – 15 vezes maior do que o risco para as crianças na Europa e América do Norte.

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