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O País – A verdade como notícia

A classe médica iniciou, hoje, a greve que se prevê que dure 21 dias. Alguns serviços dos hospitais gerais de José Macamo e Mavalane, na Cidade de Maputo, ficaram condicionados e os serviços de urgência estão a fazer o mínimo para garantir assistência aos pacientes.

Dito e feito! Os médicos iniciaram, esta segunda-feira, uma greve de 21 dias, e os hospitais da Cidade de Maputo estão com serviços condicionados. “Os serviços que se ressentem mais são de consultas externas. Estão paradas. Essas são aquelas consultas marcadas, não são situações de urgência. Neste caso, nós temos médicos em greve, por isso as consultas não estão a ser feitas, à excepção de consultas de mulheres grávidas. Estas pacientes estão a ser encaminhadas para as enfermarias porque, nas enfermarias da maternidade e outros serviços, há um médico de escala conforme as directrizes da associação. Há um médico de escala em cada enfermaria”, revelou Andrea Neves, director clínico do Hospital Geral José Macamo.

Não são só as mulheres grávidas que têm a assistência garantida. Os pacientes que precisam de cuidados de emergência também.

“O número de médicos é diferente quando comparado com os dias normais. Temos médicos a trabalharem aqui, no banco de socorro, outros na pediatria, medicina e temos um médico no balcão. Temos atendimentos que eram feitos pelos técnicos de cirurgia e esses continuam normalmente, porque a classe que está em greve, neste momento, é a médica. Os serviços da maternidade, urgência de ginecologia também estão a funcionar normalmente”, esclareceu Andrea Neves.

O Hospital Geral José Macamo, na capital do país, conta com quase 100 médicos, dos quais cerca de 20 é que aderiram à greve. “O banco de socorro funciona, normalmente, com cinco ou seis médicos e, neste momento, temos três e a maternidade está a funcionar com a escala normal, porque precisa sempre de um médico para ir operar e uma sala de parto. Esta é a escala. Ao invés de ser feito isto com o número normal de médicos, está a ser feito por um médico que está escalado e ele está, sim, sobrecarregado. Ele está a prestar assistência a todos os pacientes”, detalhou a directora clínica do Hospital Geral José Macamo.

Para o caso dos serviços que estão paralisados por conta da greve, o hospital tenta fazer algum arranjo.

“São mais ou menos 15 doentes por médico/dia e são essas consultas marcadas. Uma paciente que é a primeira consulta e que vem fazer uma marcação o faz normalmente porque as agendas chegam a ser para daqui a um mês. Essa marcação, por exemplo, é feita. Aos pacientes que vinham hoje para a consulta que estava marcada, ficamos com os números dos telefones para que, quando cessar a greve, a gente possa arranjar uma forma de chamar os pacientes e acomodar as consultas que não foram feitas”, explicou.

Alguns médicos-especialistas do Hospital Geral de Mavalane também estão em greve, mas nada está a afectar os serviços de urgência.

“Estamos a garantir todos os serviços mínimos que estão a funcionar neste momento. Estamos a falar de serviços de urgência, cuidados intensivos e intermediários”, enumerou Maria Helena, directora clínica do Hospital Geral de Mavalane.

Tal como em vários outros hospitais, os médicos de consultas externas no Mavalane paralisaram, também, as actividades. “Se um paciente vem para consulta externa, estando descompensado, tem lá um médico que transfere para o serviço de urgência. Normalmente, vê-se caso por caso e, depois, é remarcado para um outro dia”, referiu Maria Helena, dando uma garantia de que “tudo está assegurado”.

O ministro da Saúde, que esteve em três hospitais da capital do país, disse estar satisfeito porque os serviços de urgência estão a ser prestados normalmente.

À imprensa, Armindo Tiago disse que o Governo fez de tudo para que não houvesse greve, mas revelou que os médicos querem ser os únicos a ganhar numa negociação. “Estamos satisfeitos com a boa-fé que o Governo fez nesse processo. Uma boa negociação, e de verdade, é aquela em que todos crescem, mas todos ganham. Se houver a tendência de que alguém queira ganhar, então perde o conceito de uma negociação”, disse o ministro da Saúde, Armindo Tiago, em acusação à Associação dos Médicos de Moçambique.

As direcções dos hospitais asseguram que as escalas feitas poderão garantir a continuidade dos serviços de urgência enquanto a greve durar.

Uma avaria de quatro aeronaves originou a remarcação de voos das Linhas Aéreas de Moçambique, esta segunda-feira, o que prejudicou vários passageiros. A empresa explicou que a reparação pontual das aeronaves requer mais tempo.

Quatro aeronaves das Linhas Aéreas de Moçambique estão paradas desde a manhã desta segunda-feira, devido a uma avaria, como deu a conhecer a empresa através de um comunicado, em que anunciou já ter feito as respectivas reprogramações dos voos.

Passageiros de Maputo com destino para Beira, Chimoio, Tete, Quelimane e Pemba viram-se impedidos de seguir a viagem e, pior, sem nenhum esclarecimento.

“O nosso voo estava marcado para 11h, o que significa que, até às 10h20, já devíamos estar no avião, mas, até agora, não temos informação. Tenho um encontro marcado para 14h, não sei se chegarei a tempo”, disse Stélio Nhangala, um dos passageiros que se viu obrigado a permanecer horas a fio num banco da sala de embarque.

“A sala de embarque está um sufoco. Os aparelhos Ar-condicionado não estão a funcionar. Já não temos para onde ir. Aqui está a ficar cheio, pois todos os voos de hoje não saíram”, acrescentou.

A incerteza era de cada uma das dezenas de passageiros, entre crianças e adultos, que viram suas agendas canceladas. A indignação estava patente na face de cada um deles.

Um passageiro que não quis identificar disse que os seus planos estão todos atrasados por esta situação e acrescenta que “quando a pessoa vem para viajar a uma certa hora e chegar a hora e não poderes ir é comprometedor”.

Fernando Ferreira, dirigente da União Desportiva de Songo, chegou ao aeroporto para voar às 7h a fim de participar da Assembleia-Geral do clube, evento marcado para 9 horas, mas, até às 10 horas, estava em terra e, diante disso, sugere a privatização da companhia, como forma de sair das frequentes falhas no atendimento que a LAM tem “pregado”.

Ainda em comunicado, a LAM avançou que “após a noção de que a intervenção nas aeronaves requer mais tempo, procedeu-se à remarcação dos voos, havendo ainda a possibilidade de ocorrerem cancelamentos, o que será comunicado aos passageiros afectados. À medida que as aeronaves forem recolocadas em operação, a companhia irá comunicar”.

Uma fonte próxima da empresa revelou que todos os três aviões Q400 e o Boing pertencentes à LAM estão avariados, há algum tempo, sendo que o único avião que fazia voos é um CRJ alugado na vizinha África do Sul e um Embraer 145 da companhia Moçambique Expresso, MEX.

A Stv continua em festa de comemoração dos 20 anos de existência. O maior canal privado de televisão em Moçambique reafirma o compromisso de continuar a liderar na audiência, inovação e foco no capital humano que são os profissionais que são o alicerce operacional.

Depois da gala de celebração dos 20 anos de existência da Stv que contou com a presença do Chefe de Estado, no dia 27 de Outubro, desta vez a direcção e colaboradores do canal festejaram na Arena 3D, na KaTembe, no sábado, numa festa que marca a continuação das comemorações das duas décadas.

Em todas as vertentes, civil e empresarial, 20 anos significam maturidade. Olhar para trás para recontar a história é difícil, mas possível para quem idealizou, materializou e continua na vanguarda de um projecto que continua em construção.

Num discurso intercalado de risos e palmas, o Presidente do Conselho de Administração da SOICO, Grupo de media da qual faz parte a Stv, recorreu a uma analogia técnica de televisão para mostrar que o analógico do passado foi influenciado pelo presente tecnológico para tornar possível uma televisão que está dentro do tempo.

“A história da Stv nasceu de um sonho, o sonho é que comanda. A visão, uma visão de impactar pessoas e transformar vidas. Ontem eram emissores analógicos; passou para o digital; ontem eram emissores a cassete somatic, acho que as pessoas somatic, passou para cassetes betacam e agora nem usamos cassetes. O contexto muda, mas nós influenciamos esse contexto. Estou muito orgulhoso por fazer parte de vós e vocês fazerem parte de mim”, disse Daniel David.

No ano em que a Stv completa 20 anos de existência, fecha-se um ciclo, mas também abre-se outro. O capital humano é fulcral no desenvolvimento de qualquer empresa, por isso Daniel David repisou o papel que cada colaborador tem no desenvolvimento.

“Se eu existo é porque vocês existem. Não é possível alguém existir sem outras pessoas. É fundamental que nós só fazemos sentido se a vida das outras pessoas fizer sentido. A Stv só faz sentido se fizer sentido à Nação e ao mundo em que ela se insere. Quem não tiver noção disso, dificilmente engajar-se-á já na transformação de qualquer coisa, começando da sua própria casa. Para quem é casado, a pessoa afirma isso. ‘Se eu existo é porque a minha mulher existe; se eu existo é porque os meus filhos existem’ e, a partir daí, escalamos para a sociedade e para a nação. A Stv hoje é a razão e o fruto da existência colectiva de todos nós, aqui”.

No evento, foram reconhecidos profissionais de diversas áreas, nomeadamente, Boaventura Mucipo, Francisco Raiva, Aristides Cavele, Ricardo Machava, António Tiua, Miguel Uassiquete, Hassan Salé, Yara da Silva, Shaida Bibi, Luís Phumula, David Guerra e Beto Sarmento.

Com projectos ambiciosos em marcha, a Stv vai surpreender em breve a sua audiência.

Até meados do próximo ano, o distrito de Marracuene, na Província de Maputo, terá uma casa de apoio a crianças com cancro. O empreendimento, cuja primeira pedra foi lançada hoje, é da Associação de Pais e Amigos da Criança.

As crianças com cancro têm, a partir deste domingo, um muro de esperança para minimizar o sofrimento que a doença as acomete. Usa-se a expressão “esperança” por vários motivos. Mas todos eles resumem-se nas dificuldades que estes petizes enfrentam no país para poder ter o tratamento desta doença.

“Moçambique só tem uma enfermaria para tratar doentes com cancro pediátrico do Rovuma ao Maputo, que está no Hospital Central. O número de médicos ainda é exíguo, o que significa que a esperança que uma criança com cancro tem em Moçambique, se estiver no distrito, é vir a Maputo. O outro problema é que, conhecendo a realidade social dos nossos compatriotas, há dificuldades de se sustentar em Maputo. A acomodação, a alimentação, a medicação e o transporte são caros”, elucidou Frederico Congolo, presidente da Associação de Pais e Amigos da Criança.

A ideia é reverter o cenário. O primeiro passo para isso é a construção de uma casa de apoio a crianças com cancro, cuja primeira pedra foi lançada este domingo, em Marracuene, Província de Maputo.

“Esta é uma casa de esperança. Esta é uma casa onde as pessoas vão poder vir e concentrar-se no tratamento médico enquanto Moçambique, no seu todo, representado por aqueles que aqui estão e os demais, tentam dar suporte noutras questões”, afirmou o presidente da Associação de Pais e Amigos da Criança.

O projecto, que vai começar em Janeiro e com o término previsto para Junho de 2023, consiste na construção de quartos para as crianças e seus acompanhantes, bem como zonas de convívio.

“A ideia é começar lá para o dia 15 de Janeiro e, se tudo correr bem, o interesse e o desejo é que, em Junho de 2023, haja a inauguração das primeiras unidades. Cada habitação com quatro quartos no mínimo ou oito andará na casa dos cinco milhões de Meticais, mas eu diria que, neste momento, há empresas interessadas em ajudar”, detalhou João Alberty, da empresa de construção Mozago, parceiro da iniciativa.

O Governo distrital de Marracuene, local onde será implantada a infra-estrutura, acredita que o projecto tem pernas para andar, por isso vai dar todo o apoio necessário.

“Eu, particularmente, vou empenhar-me, também, na procura de parceiros e apoio para que este projecto seja uma realidade a breve espaço de tempo. O nosso amigo já disse que, em Junho, vamos poder ter alguma coisa, mas vamos correr e eu tenho muitos parceiros a nível do distrito que vão apoiar este projecto. Aliás, já temos algum apoio guardado para este projecto”, garantiu Shafee Sidat, administrador de Marracuene.

A Comunidade Maometana é um dos parceiros da iniciativa e, além de apoiar com a construção da casa de apoio a crianças com cancro, ajudará com medicamentos e alimentação.

Ainda não há dinheiro para a construção de uma nova ponte para substituir a “ponteca” sobre o rio Umbeluzi, que liga a sede da vila municipal de Boane e mais 25 bairros que dependem daquela infra-estrutura para sua mobilidade.

Na última época chuvosa, o rio Umbeluzi no distrito de Boane, Província de Maputo, registou cheias que causaram inundações e, como consequência, a “ponteca” de Mazambanine ficou submersa.

“O caudal do rio subiu e praticamente não conseguimos passar, porque a ponte ficou coberta de água e a única via de transitabilidade são aqueles barcos a remos que, muitas vezes, não oferecem segurança e a população sofre muito”, disse Marta Cumbane, residente no bairro 25 de Junho em Boane.

“Esta ponte inquieta-nos porque, todas as vezes que há chuvas, não temos passagem nesta via”, lamentou Roque Ngovene, residentes no bairro 25 de Junho em Boane.

Com a previsão de mais chuva na presente época chuvosa, a “ponteca” voltará a estar submersa. “Posso ter opinião, mas não tenho força para fazer, porque o Governo também não consegue. O segredo é levantar esta ponte; essa seria a solução porque, com a ponte alta, não ia encher mais”, sugeriu um dos residentes e comerciantes daquele ponto da Província de Maputo.

Os cereais, o carvão, os tijolos, entre outros produtos e bens que são produzidos em Boane, tudo fica prejudicado com a mobilidade. “Foi uma coisa muito difícil, tivemos que parar uma semana para conseguirmos passar e prosseguir com o trabalho”, contou um dos camionistas.

A “ponteca”, estreita e construída no período colonial, já está degradada e foi dimensionada para uma outra realidade que difere do contexto actual em que a carga que circula não é sujeita à pesagem, o que faz com que haja desgaste da infra-estrutura que vem sofrendo com o aumento do caudal do rio Umbeluzi.

O Governo da Província de Maputo até reconhece a necessidade de se construir uma nova ponte, mas diz ainda não ter dinheiro.

“O obstáculo é mesmo financiamento, neste momento a Província de Maputo tem interesse no âmbito da diplomacia económica por forma a trazer investimentos para o sector de infra-estruturas, em particular para o sector de estradas.”

Em dias normais, a travessia é feita às escuras no período nocturno, pois não há iluminação pública.

Associação Médica de Moçambique mantém a greve de 21 dias prorrogáveis, com início esta segunda-feira. A organização diz que o Governo não respondeu a todas as preocupações apresentadas, no prazo estabelecido.

Após adiar a greve inicialmente agendada para 07 de Novembro, devido às insatisfações decorrentes da Tabela Salarial Única, os médicos convocaram a imprensa, na última sexta-feira, para reiterar que vão paralisar as actividades a partir desta segunda-feira.

“Lamentamos imenso o ponto a que chegámos, mas não estamos em condições psicológicas de continuar a prestar-vos o atendimento e os cuidados que merecem”, disse Milton Tatia, presidente da Associação Médica de Moçambique (AMM).

Resolver as 14 preocupações do caderno reivindicativo, dentro de quatro semanas, era a única condição para evitar a greve, o que não aconteceu, segundo a Associação Médica de Moçambique, mesmo após várias rondas de negociações com o Governo.

O secretário-geral da AMM disse que somente quatro foram resolvidas, e a Tabela Salarial Única apenas agravou as violações dos direitos dos profissionais.

“O Governo continua a não cumprir o acordado. No nosso estatuto, há uma definição de 40% para o subsídio de exclusividade, mas vimos reduzido em 05% sem nenhuma explicação. Este é um dos pontos em que houve uma regressão em relação ao que já se vinha pagando.”

A paralisação das actividades será parcial, ou seja, serão somente atendidas urgências em todas as unidades sanitárias.

“De forma a não prejudicar a nossa população, serão paralisadas apenas as actividades electivas (não urgentes) como consultas externas, cirurgias, exames auxiliares e procedimentos médicos de diagnóstico, autópsias, actividades de saúde pública, actividades de ensino e de tutoria em todas as instituições de formação em saúde do sector público”, explicou Napoleão Viola.

A greve nacional terá duração de 21 dias prorrogáveis, com início às 07h desta segunda-feira.

No país, 50% da população tem acesso aos serviços de telecomunicações, e a internet beneficia apenas 23% da população. O Governo compromete-se a melhorar estes indicadores.

Terminou esta semana o Conselho Coordenador do Ministério dos Transportes e Comunicações, que visava reflectir sobre as actividades do sector. Constatou-se que houve, em termos de produção, um crescimento nominal na ordem de 11,8%, de Janeiro a Outubro de 2022.

“Neste Conselho Coordenador, constatámos que, no balanço da produção do sector, registámos um crescimento nominal na ordem de 11,8%, de Janeiro a Outubro de 2022, ultrapassando a meta fixada de 5%, para o ano de 20022”, disse Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

Ainda naquele evento que decorreu em Maputo e juntou quadros do Ministério dos Transportes e Comunicações de todo o país, discutiu-se a sinistralidade rodoviária que vem causando muitas mortes nas estradas nacionais e decidiu-se que o trabalho de mitigação aos acidentes de viação deve ser integrada e multissectorial.

“A nossa visão é tratar a segurança rodoviária de forma integrada, considerando todo o ambiente envolvente, nomeadamente, as vias públicas, os meios de transporte, as instituições, a comunidade, entre outros intervenientes. Não podemos resolver este problema de forma segmentada e sectorializada. Para a eficácia da nossa actuação, contamos com o engajamento de todas as forças vivas da sociedade, pelo que exortamos para participação de todos no processo em curso de concepção e implementação de medidas a curto, médio e longo prazos para a promoção da segurança rodoviária.”

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) deve melhorar o seu desempenho, tendo sempre em atenção que a sua missão é assegurar que haja segurança nas nossas estradas, devendo explorar todos os recursos disponíveis, como as tecnologias de informação e comunicação para a educação, formação e responsabilização dos intervenientes na via pública.

Mateus Magala destacou ainda que houve crescimento na produção do ramo ferroviário que, em comparação com a produção de igual período do ano passado, registou um crescimento exponencial de 46,4%, o tráfego aéreo cresceu 21,3% e as comunicações 16,5%.

As palavras foram proferidas, na última sexta-feira, durante a inauguração oficialmente da fábrica de exploração de areias pesadas de Chibuto, na província de Gaza. O investimento está orçado em cerca de 700 milhões de dólares americanos.

A cerimónia marcou a concretização de um projecto cujo sonho começou a ser edificado em 1997, com os primeiros estudos de prospecção e pesquisa de areias pesadas em Chibuto. Entretanto, foi em 2014 em que a empresa chinesa Dingsheg assinou com o Estado moçambicano o acordo de concessão para explorar a área de mais de 10 mil hectares.

De 2020 a esta parte, a empresa estava em fase experimental. Na sexta-feira, foram inauguradas duas unidades de processamento, de um total de dez a serem construídas pela empresa. “Com a entrada em funcionamento destas duas unidades, teremos a capacidade de produzir mais de um milhão e oitocentas toneladas de minérios por ano. Para dizer que este é apenas um ponto de partida e gradualmente iremos construir mais linhas de produção, sendo que, no final, teremos a capacidade de produzir mais de oito milhões de toneladas”, referiu a representante da empresa.

No seu discurso, Filipe Nyusi recordou que muitos não acreditaram neste projecto. “Já passaram por Chibuto várias empresas que desqualificavam as areias deste local. Algumas até diziam que não tinham nenhum valor comercial e nós não desistimos. Encorajamos essa empresa a trabalhar e, hoje, notámos que estamos perante um projecto que tem pernas para andar”, referiu o Chefe de Estado, para quem é hora de Gaza também se desenvolver.

“Gaza tem que se desenvolver, como está a acontecer noutras províncias. Este projecto absorveu, durante a fase de construção, mão-de-obra nacional e estrangeira. Consta que, neste momento, a empresa emprega 500 pessoas, sendo que, na sua maioria, são moçambicanas. Ficaram ainda beneficiados com este projecto as mais de 300 famílias que foram reassentadas no âmbito da sua implementação”, regozijou.

O Presidente da República referiu que o Governo está à procura de mais investidores para transformar aquele local num parque industrial. “Temos vindo a trabalhar com o Governo da China para ver se conseguimos mobilizar mais investidores. Sentimos que, a qualquer momento, esta cintura será uma área industrial por excelência e continuaremos a trabalhar para que tenhamos aqui pequenas industrias”, garantiu.

O Chefe de Estado referiu ainda que a indústria extractiva está a crescer e a contribuir para a economia do país.

“No nosso país, tem-se registado um crescimento assinalável da indústria extractiva no Produto Interno Bruto, cuja estrutura percentual passou de 1,8% em 2011 para 10% em 2021, uma situação que evidencia uma evolução que irá atingir maior preponderância com exportação do Gás Natural Liquefeito, a partir dos empreendimentos na Bacia do Rovuma. Esta tendência reflecte-se mais nas contas externas, em que se regista um aumento considerável do volume de exportações no mesmo período, de 360 milhões de dólares americanos em 2011 para 2,4 mil milhões de dólares americanos em 2021”, destacou.

Além de empregos que já estão garantidos pelo projecto, o Estado moçambicano deverá encaixar, anualmente, mais de 38 mil milhões de dólares em impostos.

 

UM POTENCIAL DE MAIS DE DOIS BILIÕES DE TONELADAS EM MATÉRIA-PRIMA

O distrito de Chibuto em Gaza tem uma das maiores reservas de areias pesadas do mundo. Só na área concessionada à empresa Chinesa Dingsheng Minerais, há um potencial de mais de dois biliões de toneladas de matéria bruta.

“Temos aqui um grande potencial. As areias pesadas ocorrem, regra geral, ao longo da costa. Em tempos passados, passava o mar, por isso temos esse depósito. Esta é uma das maiores reservas do mundo com cerca de 2,6 biliões de toneladas de matéria bruta”, destacou Cândido Rangeiro, director nacional de Geologia e Minas.

Os três minérios (ilmenita, zarcão e rutilo) extraídos no local têm utilidade em grandes indústrias e tem como destino a Ásia e Europa. “Esses minérios deverão ser exportados para os mercados asiático e europeu e usados na indústria como matéria-prima para produção de tintas, plásticos cosméticos e para fabricação de componentes para aeronaves”, referiu Filipe Nyusi.

Carlos Mesquita, ministro das Obras Públicas, espera que o empreendimento viabilize o Porto de Chongoene, uma infra-estrutura prometida pelo Governo, como forma de facilitar o escoamento desses minérios. “Não sei se a quantidade de produto que esta empresa está a produzir é suficiente para viabilizar o Porto de Chongoene. Na altura, recordo-me de que o Zimbabwe e o Malawi estavam interessados em escoar o carvão através do sistema ferro-portuário.”

Lembre-se que, para viabilização deste projecto de exploração de areias pesadas, em Chibuto, foram reassentadas 371 famílias. O acordo de concessão entre o Estado moçambicano e a empresa chinesa Dingsheng Minerais, assinado em 2014, tem duração de 25 anos.

O juiz Efigénio Baptista, que julga o processo 18/2019-C, conhecido como processo das “dívidas ocultas”, entende que o réu Renato Matusse orquestrou sobrefacturações no financiamento à ProIndicus junto a António Carlos do Rosário e Ndambi Guebuza. Baptista diz que o réu foi astuto e fazia parte do grupo criminoso no caso.

Se faltava algum réu, que aguardava pela fundamentação dos crimes provados que pesam sobre si no “caso dívidas ocultas”, é Manuel Renato Matusse.

Professor reformado, Matusse era conselheiro político do antigo Presidente da República, Armando Guebuza, aquando dos acontecimentos que hoje levaram 19 pessoas a responderem em tribunal.

A acusação diz que o homem na cadeira do réu teria recebido dois milhões de dólares, mas ele negou que fosse este valor. Disse ter recebido pouco mais de 1,6 milhões e alegou que o dinheiro dado por Jean Boustani, da Privinvest, era oferta dadas algumas necessidades pessoais por que passava, e não quis avançar detalhes.

Qual oferta? Para Baptista, a razoabilidade e o bom senso não aceitam os seus argumentos.

“Não pode o réu Manuel Renato Matusse pretender que qualquer indivíduo de diligência média acredite que a quantia de 1 668,000 dólares americanos lhe foi simplesmente oferecida pelo grupo Privinvest, tão-somente porque o réu, conselheiro político do então Presidente da República os solicitou para fazer face às necessidades pessoais que, na altura, atravessava. Então, o grupo Privinvest é santa casa de misericórdia”, argumentou o juiz da causa, Efigénio Baptista.

Do valor recebido pelo Professor Doutor Renato Matusse, houve aquisição de imóveis. Uma das casas foi comprada da cidadã Neusa de Matos, tendo sido transferidos directamente da Privinvest para a conta desta credora no exterior 300 mil dólares, um valor a mais, em relação ao acordado.

“Por que é que o grupo Privinvest transferiu dinheiro a mais para a conta de Neusa Matos? Por que é que o réu Renato Matusse reagiu de forma desagradada quando soube que a declarante Neusa de Matos transferiu o dinheiro que estava a mais para a sua conta domiciliada no Millennium BIM? É preciso destacar a astúcia do réu Manuel Renato Matusse”, disse Baptista.

Pior, a seu desfavor, estão os e-mails que terá recebido da Privinvest, ele e o co-réu António Carlos do Rosário, com conhecimento de Ndambi Guebuza sobre o aumento do financiamento à empresa ProIndicus. Para Baptista, tratava-se mesmo de sobrefacturação e ficou claro que Matusse faz parte do grupo criminoso.

Matusse comprou outra casa a 1 100,000 dólares de Isidora Faztudo, duas viaturas Toyota Hilux e Hyundai a 65 mil e 53 mil dólares respectivamente – sempre com pagamentos feitos a partir de fora do país. Quando o esquema das “dívidas ocultas” foi despoletado, o réu foi à procuradoria de forma voluntária explicar que terá recebido dinheiro da Privinvest sem saber que se tratava de verba ilícita e prontificou-se a devolver.

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