O Governo do distrito da Matola diz que o consumo de bebidas alcoólicas nos recintos escolares não é um caso isolado da Escola Secundária Bonifácio Gruveta. Para lidar com o fenómeno, a PRM na Província de Maputo vai passar a fiscalizar pastas dos alunos antes de entrarem na escola.
Na última sexta-feira, 07 de Agosto, em declarações ao “O País”, pais e encarregados de Educação da Escola Secundário Bonifácio Gruveta Massamba, no bairro Khongolote, no município da Matola, denunciaram o “consumo de bebidas alcoólicos e comportamentos desviantes” de alguns alunos matriculados naquele estabelecimento de ensino, caracterizados por “sabotagens de aulas e roubos e pancadarias entre alunos”.
Nesta segunda-feira, o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia, no distrito da Matola, reconheceu que as denúncias dos alunos são reais, e está a disciplinar os alunos sem medidas de expulsão.
De acordo com Danilo Ventura, director distrital, o sector que dirige já realizou “duas grandes reuniões multi sectoriais incluindo a Polícia e a procuradoria para encontrar soluções conjuntas uma vez os visados na sua maioria serem menores que entram em conflito com a lei”.
Os referidos encontros terminaram com planos de acção, e, em cumprimento dos mesmos, o Serviço Distrital acrescenta não serem poucas as vezes que sancionou alunos por embriaguez na escola.
“O que não podemos fazer, é tomar medida de expulsão, porque a escola é também centro de reabilitação. Nessa perspectiva, temos trabalhado com a saúde e outras organizações não-governamentais para a reabilitação desses jovens e adolescentes”, explicou, acrescentando terem sido reactivados em todos os estabelecimentos de ensino do distrito os núcleos antidroga.
A Polícia da República de Moçambique, que esteve, na última sexta-feira, na Escola Secundária Bonifácio Gruveta Massamba a sensibilizar os estudantes, assegurou já ter destacado equipas para “várias escolas para sensibilizar, conversar com alunos e fiscalizar as pastas para ver quem entra com substâncias estranhas”, explicou Carmínia Leite, porta-voz da PRM na Província de Maputo.
A polícia e o Serviço Distrital de Educação dizem que o consumo de álcool nas escolas não é um fenómeno novo e apelam à vigilância de toda sociedade.
O desflorestamento, no mundo, continua apesar dos apelos internacionais para proteger as florestas.
Esta segunda-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que todos os anos, sete milhões de hectares de florestas naturais são convertidos para outros fins.
De acordo com o subsecretário-geral do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Li Junhua, que discursava no Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, realiazada esta segunda-feira, a expansão da agricultura comercial é responsável pela maior parte do desflorestamento.
O Departamento, citado pela ONU News, realçou que as doenças zoonóticas representam 75% de todas as doenças infecciosas emergentes e geralmente ocorrem quando paisagens naturais, como florestas, são desmatadas.
O órgão estima que dois mil milhões de hectares de terras degradadas em todo o mundo tenham potencial para serem restauradas.
Revitalizar as florestas degradadas é fundamental para atingir a meta da ONU de aumentar a área florestal global em 3% até 2030.
Isso também ajudaria os países a criar novos empregos, prevenir a erosão do solo, proteger as bacias hidrográficas, mitigar as mudanças climáticas e salvaguardar a biodiversidade.
As florestas ocupam 31% da superfície do planeta e abrigam 80% da biodiversidade terrestre. Além disso, mais de 1,6 mil milhões de pessoas dependem delas para subsistência e renda.
O especialista em Direito Eleitoral, Guilherme Mbilana, diz que os partidos políticos não estão a usar os mecanismos apropriados para apresentar ilícitos eleitorais. Mbilana entende que o problema poderá causar conflitos no dia da votação e apela para que se apresentem as reclamações aos tribunais.
As queixas de irregularidades no recenseamento eleitoral começaram logo após o arranque do processo a 20 de Abril e não passaram despercebidas pelos partidos políticos, que têm apresentado as contestações por via dos media.
Entretanto, o especialista em Direito Eleitoral, Guilherme Mbilana, disse que prestar declarações à imprensa não é suficiente e que os partidos políticos não devem recorrer à apresentação de reclamações por via do contencioso eleitoral.
“São questões que têm que ser usadas mediante o mecanismo de contencioso eleitoral, senão estaremos a gastar recursos. A reclamação ou impugnação deve observar a formalidade escrita e não ser apresentada verbalmente”, disse Mbilana.
A não apresentação das irregularidades aos tribunais, pelos partidos políticos, poderá, segundo Mbilana, causar conflitos pós-eleitorais.
“O que se pretende é apelar aos partidos políticos e às coligações para que usem esses mecanismos de reclamação junto às entidades administrativas, portanto, junto dos STAE distritais, até ao nível da Comissão Nacional de Eleições ou fazendo em sede de recurso junto dos tribunais judiciais do distrito que são a primeira instância.”
Guilherme Mbilana diz ainda que os partidos políticos devem informar-se mais sobre matérias de contencioso eleitoral para que se evite manchar o processo e que se garanta que haja eleições transparentes.
Real Madrid e Manchester City defrontam-se, esta terça-feira, às 21h00, em jogo da primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões Europeus de futebol.
Apesar de só se terem defrontado pela primeira vez em 2012, Real Madrid e Man City já são velhos conhecidos. E apesar do histórico de confrontos ser equilibrado (V3, E2, D3), os Merengues, que contam com 14 títulos, têm tido sempre sucesso quando os duelos são nesta fase: a primeira vez aconteceu em 2015/16 (total: 1-0) e a mais recente foi em 2021/22 (total: 6-5), após uma eliminatória emocionante, escreve o sítio da UEFA.
Quando se pensa em Real Madrid na Liga dos Campeões Europeus, as estatísticas falam por si. Esta é a décima vez que disputa as meias-finais nas últimas 12 épocas e ambiciona o sexto título desde 2014 e o 15º no total, números que fazem dele o clube mais titulado da competição. Para contextualizar, o segundo tem metade.
A facilidade com que a equipa de Carlo Ancelotti bateu o Chelsea (total de 4-0 nos quartos-de-final), mostra o quanto o clube gosta desta competição. É certo que o Manchester City será um teste bem mais complicado, mas, tendo em conta o seu histórico, o Real Madrid tem boas hipóteses de passar.
Vencedor de quatro títulos da Premier League sob o comando de Guardiola, o City não conquista um troféu europeu desde 1970 (Taça dos Vencedores de Taças). Além disso, continua a escapar-lhe o mais cobiçado prémio do futebol de clubes europeu, a Liga dos Campeões, na qual foi finalista vencido em 2021. Mas agora com o temível Erling Haaland no plantel, possui uma arma à qual nem o Real Madrid pode resistir, sendo que o norueguês já fez a vida negra a outro clube espanhol, no caso o Sevilha, com um total de seis golos em três jogos.
HAALAND DE OLHO EM RECORDE
Começam a faltar palavras para definir Erling Haaland, avançado do Man City que é uma autêntica força da natureza. O norueguês voltou a mostrar a sua qualidade graças a dois golos frente ao Bayern nos quartos-de-final. Soma agora 12 nesta edição e tem boas possibilidades de bater um recorde de longa data.
A marca de 17 golos de Cristiano Ronaldo pelo Real Madrid em 2013/14 ainda não foi batida e, mesmo que o City chegue à final, apontar seis golos em três jogos é complicado. No entanto, Haaland há muito que pulveriza recordes nesta prova e precisou apenas de 22 partidas para apontar 35 tentos.
O treinador do Real Madrid, Carlo Ancelotti, antevê uma partida difícil diante dos actuais campeões ingleses. “Nos quartos-de-final, estivemos a bom nível e fomos particularmente sólidos na defesa. Este é um resultado merecido e toda a gente está muito satisfeita”. Por sua vez, o treinador do Manchester City, Pep Guardiola, acredita na vitória diante dos merengues. “É a terceira época seguida em que disputamos as meias-finais. Para ganhar, primeiro é preciso tentar, e é por esta regularidade que acredito que mais tarde ou mais cedo vamos ser campeões”.
PSG PODERÁ ACELERAR “DOSSIER” JOSÉ MOURINHO
A imprensa inglesa avançou, ontem, que o director-desportivo do PSG, Luís Campos, já contactou com o empresário de José Mourinho para acertar pormenores sobre a provável contratação do treinador da AS Roma.
O Paris Saint-Germain parece estar convicto de que é preciso iniciar um novo ciclo no comando técnico da equipa principal e já está a preparar a sucessão de Christophe Galtier, que não deve continuar em Paris para lá do verão.
Segundo a RMC Sport, citado pelo Notícias ao Minuto, o clube francês vai acelerar o dossier para contratar José Mourinho, técnico que não tem a continuidade assegurada na AS Roma para lá do final desta temporada.
De acordo com a mesma fonte, Luís Campos, dirigente português que assume o papel de conselheiro para o futebol do PSG, já entrou em contacto com o empresário do treinador luso sobre uma possível chegada ainda este verão, com Mourinho a estar interessado na mudança para a capital francesa.
A RMC Sport garante ainda que José Mourinho, apesar de estar contente com a vida em Roma, gostaria de encontrar um novo clube mais próximo das suas ambições de lutar por títulos. Daí que o português tenha aberto a porta ao PSG, mas também ao Real Madrid que não sabe se contará com Carlo Ancelotti a partir da próxima temporada.
O treinador setubalense, recorde-se, tem contrato com a AS Roma até Junho de 2024, mas nas últimas semanas surgiram vários rumores que apontam a sua saída do clube italiano no próximo verão.
MESSI E PSG FAZEM AS PAZES
Lionel Messi recorreu às redes sociais para deixar uma mensagem a propósito do castigo de que foi alvo por parte do Paris Saint-Germain após uma viagem não autorizada do argentino à Arábia Saudita.
Num vídeo publicado na rede social Instagram, o camisola 10 do conjunto de Paris pediu desculpa não só ao clube, como também aos companheiros de equipa por esta atitude.
“Olá. Eu queria fazer este vídeo por causa do que está a acontecer. Antes de tudo, obviamente peço desculpas aos meus companheiros e ao clube. Sinceramente, pensei que teríamos um dia de folga, depois o jogo como aconteceu nas semanas anteriores”, começou por contar o internacional argentino, que explicou depois as razões que o levaram a viajar até ao Médio Oriente.
“Eu já tinha organizado esta viagem para a Arábia Saudita que já tinha sido cancelada e desta vez não foi possível. Peço desculpa aos meus companheiros e ao clube, não repetirei isto e cá estarei para o que o clube decidir. Nada mais, um abraço”, finalizou Lionel Messi.
Num duelo em que os internacionais moçambicanos Zainadine Jr. e Geny Catamo foram titulares, o Marítimo empatou, domingo, com o Rio Ave a duas bolas e continua a fazer contas para a permanência. Um resultado injusto tendo em conta aquilo que ambas as equipas fizeram durante a primeira parte.
A formação madeirense dominou por completo toda a primeira parte. Contudo, pecou na finalização. Muitas oportunidades construídas através de Félix Correia, André Vidigal (atirou uma bola à barra) e Geny Catamo.
O Rio Ave deu uma lição de eficácia. Nas duas oportunidades construídas, marcou dois golos, por Hernâni e Leonardo Ruiz. O Marítimo ainda conseguiu reduzir à beira do intervalo por intermédio de Félix Correia.
Na segunda parte, o jogo foi mais repartido, pese embora o Marítimo ter sempre mais iniciativa do jogo apesar de não ter construído, como aconteceu na primeira parte, muitas oportunidades para marcar. Contudo, ainda teve capacidade para chegar ao empate através de André Vidigal. Nos últimos minutos, a equipa madeirense ainda tentou chegar ao triunfo, mas sem sucesso. Com este empate, o Marítimo continua em 16.º lugar, agora com 23 pontos. O Rio Ave é 12.º com 39.
ESTORIL PERDE SEM MEXER
Mexer não esteve sequer no banco de suplentes do Estoril no jogo em que a sua formação perdeu, sábado, com o Boavista por 1-0, em jogo da 31.ª jornada da I Liga Portuguesa. Um golo de Ricardo Mangas, aos 50 minutos, ditou a vitória dos axadrezados, que subiram provisoriamente ao nono lugar, com 40 pontos, em igualdade com Chaves (tem menos um jogo) e Casa Pia.
Os boavisteiros estão a quatro pontos do Vitória de Guimarães, na sexta posição, que dá acesso à Conference League, enquanto o Estoril segue no 15.º posto, com 28 pontos, e mantém-se na luta pela permanência no principal escalão.
DOMINGUES MARCA NA PRÓPRIA BALIZA
O internacional moçambicano Elias Gaspar Pelembe, ou simplesmente Domingues, marcou na própria baliza (56’) no duelo em que o Royal AM empatou com Orlando Pirates a uma bola na passada terça-feira, 3 de Maio. O Royal AM chegou ao golo de empate aos 90+1 por intermédio de Menzi Massuko. Com este resultado, o conjunto do capitão dos Mambas passou a ocupar a 8ª posição na Liga Sul Africana com 38 pontos, enquanto o Orlando Pirates é 2º classificado com 50. O Royal AM volta a entrar em cena no próximo sábado, 13 de Maio, quando receber o Swallows, 10º classificado com também com 34 pontos.
CLÉSIO BAÚQUE ESTREIA-SE A MARCAR, WITI SAI DA ZONA DE DESPROMOÇÃO
À sexta jornada da Liga da Finlândia, o internacional moçambicano Clésio Baúque fez o gosto ao pé. Baúque marcou, sexta-feira, o segundo golo do Honka (aos 41’) na goleada imposta ao Lahti, por 3-0. Os outros golos foram da autoria de Kevin Jansen aos 36’ e 81.
Com esta vitória, o Honka passou a ocupar a 4ª posição com nove pontos, resultantes de duas vitórias, três empates e uma derrota.
Em seis jornadas, a equipa de Clésio Baúque marcou cinco golos e sofreu três. Na próxima jornada, agendada para esta terça-feira, 9 de Maio, o Honka mede forças com o Kups, terceiro classificado da prova com dez pontos.
WITI SAI DA ZONA DE DESPROMOÇÃO
O Nacional, conjunto em que evolui o internacional moçambicano Witi Quembo (que não foi convocado), deixou os lugares de despromoção na II Liga, ao vencer o Benfica B, por 2-1, depois de sete jogos sem ganhar na competição.
Clayton Sampaio, aos 40 minutos, e Dudu, aos 70, foram os marcadores de serviço dos madeirenses que, desta forma, ganharam novo fôlego na luta pela permanência na competição. O golo dos benfiquistas, apontado por Bajrami, aos 45+2, foi insuficiente para impedir o desaire das ‘águias’, escreve o “Sapo”.
Mais pressionantes, os benfiquistas foram a equipa mais perigosa e dispuseram de várias oportunidades para materializar o domínio exercido no primeiro tempo, período em que o Nacional, mais eficaz, conseguiu inaugurar o marcador, num cabeceamento colocado de Clayton Sampaio, após livre cobrado por André Sousa.
O 1-0 afectou por momentos os anfitriões e galvanizou os madeirenses que, aos 44 e 45 minutos, só não ampliaram a vantagem porque o guarda-redes Samuel Soares efectuou duas defesas enormes para impedir que Rúben Macedo e Paulo Vitor, respectivamente, ‘faturassem’ o segundo do Nacional.
Já em tempo de compensação, aos 45+1, o Benfica B respondeu num remate cruzado de Henrique Pereira que Lucas França defendeu para canto. Volvido um minuto, o guardião da formação insular já nada pôde fazer para impedir o 1-1 de Bajrami, que aproveitou a confusão na área para desviar para o empate com que se atingiu o intervalo.
No segundo tempo, período em que ambos os conjuntos dispuseram de claras ocasiões de golo, apenas o Nacional foi eficaz na finalização. Aos 70 minutos, após assistência de Carlos Daniel, Dudu colocou os madeirenses novamente na frente do marcador num remate que desvia num adversário e trai o guarda-redes Samuel Soares.
Por: Otildo Guido
Alerto Bia é um escritor atento ao seu tempo e ao seu espaço. Em o ardina de sapatos gastos, capta o quotidiano e invoca as imagens comuns. Os personagens deste livro são sem rostos definidos e sem massa corporal inteiramente palpável, quiçá o autor queira fazer com que todos se sintam representados nesta obra, ou queira trazer à ribalta a sociedade sem categorização em estratos sociais e fisiológicos, quiçá para atestar a hipótese de que o que existe existiu e existirá. É tudo um processo de metamorfoses sucessivas.
Confirma-se essa hipótese de leitura no texto da pág. 17, quando diz que “a pouca fome que tinha havia se esvaído. Quase sempre, acontece com todos nós, quando um tormento sacia o nosso ser”.
Fala da fome como o elemento que nos lembra a nossa humanidade, a nossa essência enquanto habitantes deste vasto universo.
Não sabemos, por exemplo, se a Açucena Ricardo Reis, filha de um português e uma negra ronga, que nasceu na Ilha de Moçambique e formou-se na Universidade de Coimbra, é branca ou negra. Ou se é filha de um dos heterónimos de Fernando Pessoa. O único dado que o narrador nos apresenta é que era mulher fruto dessa união intercontinental.
No texto da pág. 23, Dona Rodália, que, por acaso, é o mais extenso deste livro, o autor conta-nos a estória de um casal cujo marido escreve versos e tem como musa a sua empregada, porém o Alerto não dá juízo final das desconfianças da mulher sobre esse romance. Deixa com que o leitor continue a ruminar as incertezas dela, e crie as suas próprias linhas de interpretação.
Em alguns textos, Alerto esquece-se da prosa, recupera a poesia, e divaga usando os corpos de Rachel e Constante, e, no fim do texto, introduz Sidónia, a mãe da Rachel sem nenhum antecedente ou função dentro da estória. E essa técnica vai se repetindo numerosas vezes ao longo dos textos aqui apresentados. Alerto não se prende aos personagens. Aqui neste livro são peças, o meio para um fim maior, que é o delírio, o estranhamento e a interrupção.
Alerto reflecte profundamente sobre a morte, o descanso dos corpos e se apropria de alguns contos populares moçambicanos para construir a sua linha ideológica e estética, tal como se refere o prof. Sávio “o poeta é uma instituição ideológica e estética”, quiçá por isso que Alerto coloca pontos finais em alguns textos e outros simplesmente deixa-os como uma panela destampada à espera de uma mão que a acolha.
Vê-se claramente que Alerto se despe de todas as possíveis regras linguísticas para criar um novo horizonte da sua carreira, nessa incansável busca pela novidade, pela transgressão das fronteiras.
Como havia dito, Alerto é um poeta que se experimenta em prosa.
Em Ardina, o padrasto do neto do avô da maldade, o Simonge, diz que um homem deve “nascer e escrever para ser completo”, coloca-nos aqui o percurso último da vida, como quem diz que se não escrevemos, não somos completos, neste caso só os que escrevem são completos, e os que lêem? E os que não fazem nem uma nem outra coisa?
Este livro discute o envolvimento da polícia na resolução de crimes, o seu distanciamento em certos casos de violência que se verificam no nosso quotidiano. Ele conta uma situação em que o polícia se envolve em um crime, o general da corporação se distancia desses actos, e dias seguintes ele é tido como foragido e o caso dá-se por encerrado.
Toca temáticas fortes da nossa sociedade, desse seu jeito peculiar, entre a poesia e a prosa, não necessariamente a prosa poética. Estamos perante um conjunto de microcontos e microcrónicas.
Quando Alerto escreve que “o ardina tinha os sapatos gastos e o calcanhar à espreita”, na pág. 11, descreve as ruínas dos que trabalham sob o sol, procura transmitir a vida dos comerciantes que precisam caminhar para venderem os seus produtos. Alerto mostra-se atento às questões básicas dos movimentos dos mercados do nosso país, a luta dos comerciantes, das mulheres que vendem a beira da estrada, ou que caminham casa a casa para venderem os seus produtos, não apenas por elas, mas pelos seus filhos que sofrem a pressão económica e social da vida.
Alerto não traz os rostos dos personagens, não os caracteriza para que eles sejam quaisquer, e tenham todos os rostos comuns das pessoas que conhecemos.
Alerto morou em Niassa, norte do país, e traz essa experiência de vida no texto com o título “não era Cardoso, o menino do sonho gigante” conta-nos a estória de um jovem que queria mudar o mundo, com sonhos e perspectivas revolucionárias, a única coisa que nos deixa saber é que o rapaz apenas conseguiu vencer um prémio por juntar caricas de garrafas para constituir as partes de uma bicicleta.
Este livro pode-se ler olhando pelo menos três ângulos:
Primeiro: considerá-lo composto por dispersos e fragmentos
Segundo: considerá-lo composto por narrativas abertas; e
Terceiro: considerá-lo composto por tentativas de construção de uma narrativa que se apoia na poesia para espelhar a prosa e na prosa uma ideia.
BIOGRAFIA
Alerto Bia nasceu em Inharrime, Inhambane a 02 de Março de 1993. É licenciado em ELT (English Language Teaching) pela Universidade Pedagógica. Frequenta actualmente Licenciatura em Filosofia pela Universidade Save. Lecciona Inglês na E.S 4 de Outubro – Maxixe. Foi associado do CEPAN (Clube de Escritores, Poetas e Amigos do Niassa). Participa de antologias nacionais e internacionais. Escreve para jornais e revistas.
Obras publicadas:
O valor compara com o lucro de 49 milhões de euros registados no primeiro trimestre de 2021. Resultado em Portugal mais do que duplicou. Em Moçambique, o BCI aumentou o contributo para o resultado consolidado, de sete milhões para 11 milhões de euros.
O BPI registou um lucro de 85 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que representa uma subida de 75% face ao período homólogo. “São bons resultados que mostram que o BPI está preparado”, sublinhou o presidente-executivo, João Pedro Oliveira e Costa, na apresentação de resultados da instituição financeira, citado pelo Jornal de Negócios.
Em Portugal, o resultado disparou 164%, subindo de 28 para 73 milhões de euros. A actividade doméstica foi fortemente beneficiada pela evolução do produto bancário comercial que cresceu 50% para 284 milhões de euros, incluindo um aumento da margem financeira de 82%, que resultou num encaixe de 206 milhões de euros.
O angolano BFA contribuiu com apenas um milhão de euros face aos 14 milhões verificados há um ano. Em Moçambique, a evolução foi em sentido contrário: o BCI aumentou o contributo para o resultado consolidado, de sete milhões para 11 milhões de euros.
A margem financeira aumentou 82%, impulsionada pela subida das taxas de juro, atingindo 206 milhões de euros. As comissões líquidas renderam 73 milhões de euros, mais 3% do que entre Janeiro e Março de 2022. A carteira de crédito aumentou 4%, para 29,2 mil milhões de euros.
O volume de empréstimos no crédito à habitação cresceu 6% para 14,3 mil milhões de euros, evolução que o banco não previa: “Estamos surpreendidos com a contratação de crédito à habitação”, disse o CEO, enfatizando que “estamos a contratar aos mesmos níveis de 2019”.
O BPI renegociou 1900 contratos de crédito à habitação desde a entrada em vigor do decreto-lei do Governo que estabeleceu novas regras. O presidente-executivo do banco realça, no entanto, que o ritmo de pedidos de análise por parte de clientes tem vindo a diminuir: “No início, eram 700 pedidos por semana, agora temos 100”, afirmou.
A solução proposta pelo banco para a vasta maioria (1800 dos 1900 contratos renegociados) foi a carência de capital: “durante um ano, só pagam juros”, afirmou o administrador Francisco Matos.
Os créditos renegociados representam, em valor, 1,7% do total da carteira de crédito à habitação de 14,3 mil milhões de euros.
João Pedro Oliveira e Costa afirmou ainda que a procura por crédito à habitação tem aumentado. “Mais de 50% da contratação é feita à taxa fixa, enquanto antes era 30%.”
O crédito ao consumo decresceu 2%. O crédito às empresas cresceu 1% para 10,9 mil milhões de euros.
A carteira de depósitos, por seu lado, sofreu uma diminuição de 4% face ao primeiro trimestre de 2021, de 29,7 mil milhões de euros para 28,4 mil milhões de euros.
NOVA SUBIDA DO RESULTADO
No primeiro trimestre de 2022, o BPI tinha registado um lucro de 49 milhões de euros, resultado que representava uma queda de 18% face aos 60 milhões obtidos entre Janeiro e Março de 2021.
Em Portugal, a instituição financeira detida pelo grupo espanhol Caixabank obteve 28 milhões de euros.
No ano de 2022, o BPI registou um lucro de 365 milhões de euros, melhorando em 19% o resultado do ano anterior. Na actividade em Portugal nesse ano, o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa obteve 235 milhões, mais 31% do que em 2021. O angolano BFA contribuiu com 96 milhões (menos 9% do que em 2021) e a contribuição do moçambicano BCI cresceu para o dobro, com 34 milhões de euros.
A República Democrática do Congo (RD Congo) foi atingida na quinta-feira, à noite, por inundações que causaram mais de 390 mortos em Kivu do Sul, no leste do país.
De acordo com um relatório oficial provisório divulgado este Domingo pelas autoridades locais, dos 390 corpos, 142 foram encontrados em Bushushu, 132 em Nyamukubi e 120 foram descobertos a flutuar no lago Kivu, ao nível da ilha de Idjwi.
Várias aldeias no território de Kalehe, a oeste do Lago Kivu, que marca a fronteira entre a RD Congo e o Ruanda, ficaram submersas e centenas de casas e vários campos devastados quando os rios transbordaram na última quinta-feira, devido à chuva torrencial.
“Desde quinta-feira, encontramos corpos a cada minuto e enterramo-los”, acrescentou a mesma fonte.
No final do conselho de ministros de sexta-feira foi anunciado o envio de uma “missão governamental para apoiar” as autoridades àquela província “na gestão desta calamidade”.
Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) também anunciaram o envio de uma equipa de emergência para o local, no sábado.
Este desastre ocorreu dois dias depois das fortes chuvas que provocaram pelo menos 131 mortos e destruíram milhares de casas no vizinho Ruanda.
O chefe da ONU, António Guterres, sublinhou no sábado durante uma visita ao Burundi que se trata de “uma nova ilustração de uma aceleração das alterações climáticas e das suas dramáticas consequências para os países que não estão envolvidos no aquecimento global” do planeta.
O Ferroviário da Beira vai defrontar a Association Sportive des Douanes do Senegal nos quartos-de-final da Liga Africana de Basquetebol. Esta partida está agendada para o próximo dia 21 de Maio, em Kigali, no Ruanda.
Confirmada a qualificação para os “play-offs” da Liga Africana de Basquetebol, após terminar em terceiro lugar na Conferência Nilo, no Egipto, os campeões nacionais jogam o acesso às meias-finais da prova no próximo dia 21 de Maio, em Kigali, no Ruanda.
E o adversário é nada mais nada menos que a Association Sportive des Douanes do Senegal, formação que terminou na segunda posição da Conferência Sahara.
É uma equipa com boa estrutura, pelo que o Ferroviário da Beira terá que abordar a fase final com maior concentração e procurar fazer jogos de controlo com equipas cotadas Para além desta partida, teremos os desafios Stade Malien do Mali e o Cape Town Tigers da África do Sul; Al Ahly do Egipto vs Energy Group do Ruanda; e Petro de Luanda de Angola vs Abidjan Basket Club da Costa do Marfim. Caso se qualifique para às meias-finais, o Ferroviário da Beira vai jogar com o vencedor do jogo entre o Petro de Luanda e Abidjan Club Basket da Costa do Marfim no dia 27 de Maio.
PETRO DE LUANDA INVICTO
Com 34 pontos de Carlos Morais, o Petro de Luanda encerrou a participação na fase preliminar da Basketball Africa League (BAL), sexta-feira, com uma vitória apertada, por 91-90, sobre o Al Ahly do Egipto, em desafio pontuável para a quinta jornada da Conferência Nilo, que decorre na cidade do Cairo.
O triunfo arrancado a ferro foi alcançado no último segundo do desafio, com o Gerson Gonçalvez “Lukeny” a garantir os dois preciosos pontos para consolidar a liderança com dez pontos.
Com o registo de cinco partidas e igual número de vitórias, uma prestação inédita da equipa angolana na fase preliminar da competição a nível de clubes no actual formato, o balanço é positivo.
Deste modo, o campeão nacional terá pela frente, a partir do próximo dia 21 do corrente mês, em Kigali, Ruanda, palco da fase final da prova, pela terceira vez consecutiva, o último classificado da Conferência Sahara, Abidjan Basket Club, da Côte d’Ivoire, um adversário teoricamente mais acessível.
À partida, sabia-se que este seria o verdadeiro teste para o técnico José Neto e pupilos, depois de terem passeado toda a classe nas quatro primeiras jornadas, em que venceram os adversários com relativa facilidade.
Muito cedo, os petrolíferos superiorizaram-se ante os anfitriões que contaram com um número significativo de adeptos, apesar de a realização da televisão egípcia mostrar uma pequena claque da equipa angolana.
Com extremo-base Carlos Morais em dia sim, o técnico da turma egípcia, Agustin Julbe Bosch, bateu-se com inúmeras dificuldades para travar o capitão dos campeões nacionais que esteve imparável nos lançamentos exteriores.
No capítulo defensivo, houve muita entre-ajuda, de modo a manter afastados da zona restritiva os jogadores mais altos do Al Ahly, com realce para o poste Ahmed Ismail, ao mesmo tempo que dava pouco espaço para os bases criarem linhas de passe para os companheiros. Ao cabo do primeiro quarto, vantagem, por 26-18, para a equipa angolana, fruto da confiança do grupo.
À medida que o técnico José Neto fazia as substituições, os jogadores provenientes do banco conseguiam manter a verticalidade ofensiva e defensiva, cumprindo rigorosamente as instruções.
Quando a equipa adversária tentasse fazer o pick and roll, os jogadores do Petro defendiam dois contra um para matar a jogada ofensiva dos anfitriões.
No segundo quarto, Agustin Julbe Bosch optou por subir as linhas e defender à zona 2-3, uma vez que os lançamentos exteriores de Carlos Morais continuavam a ser a principal dor de cabeça do Al Ahly.
Foi nesta altura que o poste Ahmed Imaisl passou a fazer a diferença, pois defensivamente os jogadores tricolores não conseguiam travar o adversário mais alto e, consequentemente, mais pesado, e mostrou-se quase imparável na zona restritiva.
Ao intervalo, a vantagem continuou a pertencer ao Petro de Luanda (48-44), mas, no parcial, perdeu por 26-22, para o desagrado de José Neto. A passividade defensiva era a principal dor de cabeça e ofensivamente a equipa não produziu o esperado; parecia muito dependente de Carlos Morais.
No terceiro quarto, a equipa da casa acreditou e chegou a liderar, por 53-50, mas os petrolíferos responderam à altura com um lançamento exterior do internacional angolano e capitão tricolor, numa altura em que o equilíbrio era a tónica dominante.
As duas equipas foram para o último período separadas por dois pontos (71-69), com vantagem para o Petro. Daí em diante, houve paradas e respostas, numa recta final imprópria para cardíacos, com alguns nervosismos à mistura.
Vantagem tangencial para os petrolíferos (89-88), quando restavam 42 segundos por disputar. Jone Pedro desperdiçou dois arremessos livres e, no contra-ataque, o extremo poste Anunwa Omot converteu dois pontos quase em desequilíbrio (89-90); restavam 15 segundo para o fim.
O Petro circulou a bola ao limite, Carlos Morais assumiu a finalização, mas não teve sucesso Lukeny; ganhou o ressalto e suspenso largou a bola para dar a vitória (91-90), mantendo, assim, a invencibilidade do campeão nacional.
A Banda Pentecostal vai lançar, às 16 horas de hoje, no Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo, o álbum intitulado “Viagem missionária”.
Constituído por 13 faixas musicais, o álbum pretende proporcionar aos ouvintes uma experiência de viagem pela palavra de Deus, fazendo do gospel uma forma de buscar a paz, a liberdade, a solidariedade e o bem-estar comum. Nesse sentido, os artistas da banda investiram numa diversidade de ritmos ao longo dos dois anos de trabalho.
O disco “Viagem missionária”, da Banda Pentecostal, contou com a produção, direcção e arranjos de Carlos Gove, co-produção, mistura e mastetização de Filipe Mondlane (Filipinho) e patrocínio da Mozal.
Para os integrantes da banda, que, esta sexta-feira falaram numa conferência de imprensa sobre o espectáculo de lançamento do disco, Carlos Gove a todos garantiu a visão de que é possível ter uma forte indústria gospel em Moçambique. Com a sua experiência, o baixista despertou em todos os membros da Banda Pentecostal a confiança no trabalho que agora culminou no álbum.
A partir das 16 horas, o concerto de lançamento de “Viagem missionária” contará com a participação do cantor gospel sul-africano, Mthunzi Namba. Além de se sentir feliz pela presença no concerto, o artista da África do Sul enalteceu, esta sexta-feira, em Maputo, o excelente trabalho da Banda Pentecostal. “É um momento excitante para mim, por estar aqui em Moçambique, e sinto-me ansioso por poder actuar neste sábado”, disse o sul-africano.
Com músicas como “Fambanine”, “Angakona wo fana na Yesu”, “Jerusalema”, “Alfa e Omega”, “Santo Santo” e “Ndza khensa”, o disco pretende, igualmente, mostrar que Moçambique é um país rico em termos de ritmo e a música gospel faz parte dessa diversidade rítmica. A ideia é proporcionar aos moçambicanos um conteúdo educativo e as vantagens de se seguir uma vida temente a Deus.
O espectáculo desta tarde foi preparado a pensar em mil pessoas na audiência do Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlande, onde se vai ouvir marrabenta, magica, R&B e afro-pop. Mthunzi Namba vai interpretar quatro canções no espectáculo, numa actuação interactiva, segundo prometeu.