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O Presidente do Conselho Municipal de Chimoio, entidade responsável pela gestão da Casa Mortuária da cidade, pediu desculpas à família de uma mulher cujo cadáver foi encontrado com uma das orelhas removida. O edil garantiu que o caso está a ser investigado pelas autoridades competentes, devendo ser responsabilizado quem estiver na origem do sucedido.

Falando sobre o caso, o Presidente do Conselho Municipal de Chimoio reconheceu a gravidade da situação e manifestou solidariedade à família enlutada. “Muito humildemente, pedi desculpa à família pelo ocorrido. Vamos apurar realmente o que aconteceu e, se houver algum responsável, será punido”, afirmou, admitindo que o autor poderá ser um funcionário municipal, um profissional do hospital ou alguém estranho às duas instituições.

O edil afastou, entretanto, a possibilidade de o caso estar relacionado com tráfico de órgãos, argumentando que, segundo as informações de que dispõe, nenhuma outra parte do corpo da vítima terá sido retirada.

Na sequência do incidente, o Conselho Municipal de Chimoio anunciou o reforço das medidas de controlo na Casa Mortuária. Entre as medidas previstas está a coordenação com o hospital para que a entrada de cadáveres seja feita, sempre que possível, durante o período diurno. Em casos de falecimento durante a noite, deverá ser estabelecido um horário e um procedimento específico para a recepção dos corpos, garantindo a presença de um funcionário responsável.

Entretanto, o sector de Medicina Legal esteve, na manhã desta segunda-feira, a analisar os cortes encontrados no cadáver, com o objectivo de determinar a sua origem e esclarecer se foram provocados por intervenção humana ou por animais roedores.

As autoridades aguardam pelos resultados das investigações para determinar as circunstâncias exactas em que ocorreu a remoção da orelha e apurar eventuais responsabilidades.

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Os pintores de sonhos, de Carlos dos Santos; A revolta dos bichos, de Miguel Ouana; Lamura, de Suzy Bila; Casa em flor, de Rogério Manjate; e Mungadze, a lenda do reino musical, de Agnaldo Bata são os livros finalistas da primeira edição do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil, instituído este ano pela Associação Kulemba.

Numa nota de imprensa do concurso, o júri constituído por Alberto da Barca (presidente), Marcelo Panguana e Angelina Neves, refere que a obra Os pintores de sonhos, de Carlos dos Santos, é finalista da primeira edição do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil porque contém uma “mensagem bonita, importante e muito actual, dada de uma forma muito didáctica”. Assim, sustenta o júri, o conto funciona como base de aprendizagem na preservação do ambiente, a história é cativante, desperta a curiosidade e está escrita de forma clara, e com ilustrações singelas.

Quanto ao livro A revolta dos bichos, de Miguel Ouana, refere o júri, é finalista do concurso porque a mensagem da narrativa é muito útil, passada de uma forma que faz lembrar “as histórias à volta da fogueira, próprias da nossa cultura (feiticeiros, chefes, animais que falam), onde a criatividade está presente ao relatar um conflito muito actual de uma forma engraçada”. No comentário do júri, o conto é escrito numa linguagem clara e as ilustrações são simples e casam bem com o texto. Por isso mesmo, “é preciso aplaudir por terem sido feitas [as ilustrações] por um jovem de 16 anos”.

Já em relação à obra Lamura, de Suzy Bila, o júri considera que “o conto reflecte sobre o sofrimento das crianças a quem é roubada a infância, fala-nos da desumanidade com a qual vivemos todos os dias. É uma narrativa contada de uma forma sóbria, sedutora, suave e poética. As ilustrações são pinturas bonitas feitas pela própria autora e que expressam de forma viva, vibrante, a história e o sentimento da autora”.

Quanto a Casa em flor, de Rogério Manjate, a obra é finalista porque, nesse caso, a poesia pode funcionar para os leitores infanto-juvenis como elemento que ajuda a gostar da arte do verso, da palavra elaborada, que ajuda a sonhar ao estar combinada com uma ilustração notável.
A quinta obra literária finalista, a ordem é aleatória, é Mungadze e a lenda do reino musical, de Agnaldo Bata, que combina muita criatividade com a ideia dum mundo musical e de uma criança salvar o mesmo mundo através da música. “A aventura discorre a um bom ritmo. As crianças podem reconhecer-se nas ilustrações”.

Para chegar às cinco obras finalistas da primeira edição do Prémio Nacional de Literatura Infanto-juvenil, numa primeira fase, cada membro do júri rastreou quatro melhores obras, tendo em conta, de um modo geral, os seguintes critérios: a Mensagem, a Criatividade, o Ritmo e a Ilustração. A seguir a essa fase, os membros do júri reuniram-se e, num universo de 12 livros (quatro de cada membro de júri), seleccionaram as cinco obras finalistas sem, nessa fase, observar nenhuma classificação. Assim, os membros do júri voltarão a reunir para apurar o grande vencedor, que será anunciado durante a sexta edição do Festival do Livro Infantil da Kulemba (FLIK 2023), entre 14 e 17 de Junho, na Cidade da Beira.

 

 

 

 

O primeiro-ministro guineense e candidato às legislativas pela Assembleia do Povo Unido, Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), Nuno Gomes Nabiam, afirmou esta terça-feira que há fome no país porque a castanha de caju não está a ser comercializada.

“De momento o que se verifica na Guiné-Bissau é uma situação muito difícil, porque há fome de verdade, há fome, porque a castanha de caju não está a ser comercializada e isto tudo nós sabemos os fatores”, esta é a afirmação de Nuno Gomes Nabiam que falava aos jornalistas em Canchungo, na região de Cacheu, a cerca de 80 quilómetros de Bissau, antes de realizar um comício no âmbito da campanha eleitoral para as legislativas de domingo.

O líder da APU-PDGB disse ainda que “não depende da situação interna do país, mas de uma situação conjuntural. O preço hoje da castanha de caju não é bom a nível internacional e isso tem uma reflexão profunda na Guiné-Bissau. A população está a sofrer.

O primeiro-ministro explicou que, por outro lado, como a campanha eleitoral coincidiu com a campanha de caju, os “investidores estão com receio”.

“Na Guiné-Bissau tudo corre bem, mas depois das eleições há sempre problema. Esperemos que nestas eleições seja diferente, porque estão criadas todas as condições básicas necessárias para que as eleições sejam disputadas de uma forma ordeira e transparente”, disse.

A castanha de caju é o principal produto de exportação da Guiné-Bissau, do qual depende a economia do país e cerca de 80% da população guineense.

Desde o início da campanha de comercialização, em Abril, que os agricultores se têm queixado da falta de compradores para escoar o produto.

Já em relação às legislativas de domingo, Nuno Gomes Nabiam disse estar confiante.

Os empresários de Cabo Delgado devem tirar o maior proveito possível com a exploração dos recursos naturais que a província possui. O apelo foi lançado na cidade de Pemba, durante a abertura da Cimeira de Energia e Indústria.

Na Primeira Cimeira Anual de Energia e Indústria de Cabo Delgado, o Primeiro-Ministro manifestou a vontade de ver os empresários da província fazerem negócios com as multinacionais que exploram os recursos naturais, especialmente no megaprojecto de gás natural na Bacia do Rovuma.

O apelo do Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, voltou a ser lançado durante a abertura da Cimeira de Energia e Indústria de Cabo Delgado.

A Cimeira de Energia e Indústria de Cabo Delgado tem a duração de dois dias e foi organizada pela Associação de Conteúdo Local de Moçambique, com o objectivo de encontrar soluções para os empresários da província que se sentem excluídos das oportunidades de negócios nos projectos de exploração de gás na Bacia do Rovuma e de outros recursos naturais.

O recém-eleito Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), Carlos Martins, diz estar tranquilo quanto ao processo que corre no tribunal sobre alegada falsificação de documentos, que teriam favorecido a sua eleição em Março passado. Carlos Martins acrescenta estar confiante nas instituições da Ordem.

No passado mês de Março, Carlos Martins foi eleito para o cargo de Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, em sucessão de Casimiro Duarte. Entretanto, até ao momento, ainda não tomou posse. Em causa, está uma acusação de falsificação de documentos que pesa sobre si.

Eleito com 561 votos válidos contra 518 do seu principal concorrente Vicente Manjate, o recém-eleito Bastonário da OAM devia ter tomado posse a 25 de Maio corrente, mas, no dia 11 do mês passado, a acção foi travada pelo Tribunal Administrativo, devido a alegadas procurações falsas forjadas para, supostamente, favorecer a lista encabeçada por si.

“Foi constituída uma comissão eleitoral dirigida por quatro bastonários. Produziu resultados, o Bastonário analisou-os e promulgou-os. Entretanto, um dos candidatos não concordou, recorreu ao tribunal e submeteu uma providência cautelar. Pelo regime dessa providência, o citado deve-se abster de exercer o acto”, explicou Carlos Martins.

Segundo a denúncia, a técnica usada teria sido a de levantamento dos membros que não estavam a votar, para aparecerem no limite a votar com base em procurações falsas.

Sobre as acusações, Carlos Martins diz estar sossegado: “Eu estou tranquilo. Acredito nas instituições da Ordem dos Advogados de Moçambique”.

Enquanto o novo Bastonário não toma posse, o corpo directivo em exercício tem o poder limitado, segundo a explicação de Carlos Martins: “Os órgãos actualmente em exercício continuam, mas sob gestão naturalmente. Portanto, não podem tomar decisões de fundo na ordem. É uma prática de gestão corrente”.

O processo corre no Tribunal Administrativo, na província de Nampula, onde o caso foi participado pela concorrência.

Há mais de 500 unidades sanitárias total ou parcialmente destruídas pelas inundações, ciclones e terrorismo no país. Destas, 167 foram afectadas pelo “Freddy”. O ministro da Saúde, Armindo Tiago, diz serem necessários mais de 200 milhões de dólares para a reconstrução das infra-estruturas.

O ciclone Freddy afectou o país nos primeiros meses deste ano e causou destruição de infra-estruturas sociais, incluindo no sector da saúde.

Só entre os meses de Fevereiro e Março, perto de 200 unidades sanitárias foram destruídas, nas províncias de Gaza, Inhambane, Sofala, Zambézia e Niassa, pelo “Freddy”.

Uma situação preocupante para o sector da saúde, numa altura em que outras 370 infra-estruturas já tinham sido destruídas em ocasiões anteriores pelos fenómenos climáticos e pelo terrorismo no Norte do país.

A resposta prevista, pelo Ministério da Saúde, é a reconstrução das infra-estruturas, com vista a fortalecer a prestação de serviços.

“A passagem de fenómenos naturais e humanos é um retrocesso para aquilo que são os ganhos da saúde, no sector de infra-estruturas. Sempre que há destruição, nós temos um plano tendo em conta a sua dimensão. O cálculo inicial de reconstrução destas infra-estruturas destruídas apontava para cerca de 200 milhões de dólares.”

O ministro da Saúde falava, esta segunda-feira, à margem da reunião bianual do sector da saúde, com os parceiros de cooperação, na qual foi avançado que há distritos com casos confirmados da cólera, já livres da doença.

Entretanto, Armindo Tiago alertou que ainda não é o fim do surto no país: “O critério para se declarar o fim de determinado surto consiste em permanecer pelo menos 30 dias sem o registo de novos casos”.

Desde a sua eclosão em Setembro do ano passado, o país registou mais de 30 mil casos confirmados de cólera que resultaram em 128 mortos.

Por: Manuel Mutimucuio

 

Não dava para acreditar que em todos anos de serviço na companhia esta era a primeira vez que punha os pés na vila da Gorongosa. Tudo que sabia do lugar era de relatos e de sua própria imaginação. Já no local, não dava para determinar se gostava ou desgostava, mas era incontestável que se tratava de uma terra de muita fartura. Sem mesmo se aventurar fora da via principal, tinha visto vários sinais de mineração artesanal, filas intermináveis de cereais expostos ao sol no leito da estrada e muita fruta que sem a pressão da escassez ou do mercado, estava perpetuamente votada a repetir o ciclo biológico.

Entretanto, algo parecia deslocado. Era impossível computar como uma vila com tantas oportunidades para fazer riqueza estava às moscas. Achou por bem perguntar a uma das poucas almas à vista, onde é que estava toda a gente.

“Saiu hipopótamo!”. Olhou para a estatura física do seu interlocutor e ficou ainda mais perplexo. Devia também desaparecer ou seguir o exemplo do rapaz enfezado que parecia imperturbado diante do perigo iminente.

“As pessoas foram arranjar caril”. Veio, finalmente, a resposta que punha tudo nos eixos. Quanto mais sabia da Gorongosa, mais compreendia a razão por que as guerras do passado, do presente e, certamente, as do futuro gostavam de ali se hospedar.

Mussa continuou a marcha e parou o carro na sombra de uma enorme figueira que servia de abrigo a um mercado que, em dias normais, devia ser um centro de vitalidade. Pelo menos, é o que denunciavam os vendedores presentes e as inúmeras bancas desocupadas. Com a vista largamente desobstruída, conseguiu ver no outro lado da estrada um restaurante construído para chamar atenção. Francamente, pelo requinte exterior e sugestões de ementa expressas em fotos e texto impressos nas paredes de vidro, podia estar em qualquer capital global. Não que soubesse algo das grandes cidades internacionais, mas ninguém podia disputar que um restaurante que servia pizza, strogonoff, byriani entre outros nomes importados de terras distantes, em sala climatizada com WiFi, assentaria como uma luva em Paris, São Paulo ou Nova Iorque. Entretanto, depois do susto em Púngue, não arriscaria mais a integridade da missão por causa dos seus apetites mundanos. Quando a fome batesse à porta, esperava poder contar com a merenda de frutas da época que foi juntando ao longo do caminho.

Telefonou para o Sr. Bila, à espera de novas ordens. Como tinha sido instruído, descreveu tudo que observara, mas o que lhe deu mais prazer em falar foram as suas conjeturas sobre o papel estratégico da Gorongosa. Entretanto, do outro lado da linha houve pedido de mais detalhes sobre a história do hipopótamo. É como se o Sr. Bila estivesse justamente à espera dessa notícia. Fez um montão de perguntas sobre as quais Mussa não fazia a mínima ideia, mas o chefe não parecia estar à espera de qualquer resposta. As perguntas eram, como se recordava de ter aprendido nos tempos de escola, retóricas.

Depois da inquisição, o único comando que fez sentido foi o de ir ter com Bucuta e Maurício. Devia conduzir de volta a sul na EN1 até à escola de Nhamissongora e de lá Bucuta e Maurício saberiam o que fazer.

Subitamente, Mussa sentiu cãibras nas pernas e nos braços. O sangue que já lhe fervia nas veias com as perguntas impossíveis do chefe, buscava agora uma válvula de escape para transbordar. “Agora devo receber ordens do Bucuta e Maurício! Ora pensei que os tipos não se podiam governar, mas afinal podem governar-me”. Furioso, Mussa ponderou se devia exigir explicações do chefe e optou pelo silêncio. Quis dar o benefício da dúvida para a possibilidade de aquele ser o procedimento operacional padrão. Imaginar que era assim também como o João, dava certo alento. Aliás, tanto quanto sabia, estava ali em substituição do autointitulado chefe João com plenos poderes. Ainda assim, com toda a boa vontade, não conseguia espantar a pulga na orelha que lhe dizia para não se perder em cogitações, pois não havia nada de complicado senão a pura falta de confiança. “Quem no gozo do seu perfeito juízo deixaria nas mãos de um estagiário o destino de uma missão que já lhe tinha custado a vida do seu operativo mais experiente?”, pensou. Para esse receio legítimo, Mussa só conhecia um remédio santo. Dar tempo ao tempo.

Tinha ouvido falar da dupla Bucuta e Maurício e quase sempre descritos como uns patetas. Sabia da sua longevidade na empresa, embora não se recordasse de alguma vez ter ouvido um comentário abonatório a seu respeito. Vê-los, finalmente, ao vivo era uma oportunidade para Mussa construir o seu próprio juízo.

Depois das saudações e outros salamaleques próprios de pessoas que se encontram pela primeira vez, deixaram de subsistir quaisquer dúvidas em Mussa sobre por que razão Bucuta e Maurício eram sempre concebidos como um ser indivisível, do género produto e embalagem. Inseparáveis, mas somente um, pelo menos à vista desarmada, realmente útil. Olhos atentos, porém, notavam que mais do que uma relação de parasitismo, havia uma simbiose perfeita. Maurício era o porta-voz, mas Bucuta tinha, de facto, o poder de veto e talvez explicasse a precedência do seu nome. Era uma dinâmica que gerava muita curiosidade, mas Mussa decidiu-se ficar pela imaginação, porquanto para o que realmente pretendia perguntar, nem o tempo era capaz de o absolver.

Já no carro, Mussa não se arreliou por estar praticamente a prestar um serviço de táxi. Estava sozinho à frente enquanto a dupla se refastelava no banco de trás. O que causava desassossego era o labirinto em que o carreiro se tornara, nem tão pouco aligeirava o temor o conhecimento de que os companheiros de viagem estavam em terreno familiar, pois todas as ocasiões em que atirou os seus olhos ao retrovisor, fora recebido por caras de poucos amigos.

Cada vez mais preocupado com a sua integridade física, Mussa tentou fazer conversa. Falou da beleza da mata, do sol que estava a minguar, da chuva que só chovia quando bem entendesse, dos buracos vorazes da EN1, do calor que fazia no inverno. Nada. Do banco de trás não recebeu sequer um simples suspiro. Para apimentar tudo, recordou-se que em Nhamissongora, Bucuta e Maurício tinham, cada um, uma catana e agora a memória traí-lhe se as deixaram na carroçaria com outra quinquilharia que empunhavam ou se as levavam consigo na cabine. Já aflito, Mussa decidiu improvisar. Parou repentinamente a viatura e desceu. Revirou a bagagem na parte traseira do veículo e de lá voltou com dois objectos que os presenteou aos companheiros de viagem.

Em perfeita harmonia, Bucuta e Maurício, cada um tirou, sabe-se lá de que entranha, um punhal e com destreza de quem tenha feito vezes sem conta, desferiram golpes limpos e precisos no seu farnel. Animado, mas ao mesmo tempo estupefacto, Mussa abrandou a marcha, como se fosse possível andar ainda mais devagar e, com o auxílio do retrovisor, assistiu em câmara lenta à demolição dos ananases que comprara para o seu almoço.

Ansiosamente à espera de um “obrigado” ou comentário melieiro equivalente, Mussa contabilizou uma vintena de minutos até que se ouvira um som do assento traseiro que não fosse de mastigação. Maurício, após receber um sinal críptico do Bucuta, ordenou que Mussa imobilizasse o veículo ao mesmo tempo que ele e a sua alma gêmea destrancavam a porta.

Sem dizerem por que paravam ou o que se seguia adiante, levaram todos os seus pertences e começaram a caminhar. Mussa, obrigado a seguir-lhes o exemplo, sem informação sobre o que era essencial levar consigo, nem tão pouco o tempo estimado da romaria, transferiu o que pôde da carroçaria para a cabine, trancou o carro e pôs-se no encalço da dupla carregando a sua mochila, saco-cama e uma tenda. Meia dúzia de passos dados, começou logo a duvidar se era mesmo necessário estar equipado. Recordou-se da imagem romântica de exploradores em capa de revista de viagens e tudo parecia uma grande falsidade. “Como iria alguém sorrir com o lastro da sua cozinha, quarto e casa de banho nos seus ombros!”

A carga não era, aparentemente, o único peso com que se devia preocupar. Com Bucuta e Maurício na dianteira e ele nas trevas em relação ao plano, era comprovadamente um seguidor e não o líder que julgava ter sido entronado quando lhe foi confiada a missão na Beira. Tentou reclamar a iniciativa e com ar de quem tinha tudo sob controlo, gritou para a dupla que já tinha galgado um bom bocado.

“Eh! Não se esqueçam de que isso é uma maratona”. Bucuta e Maurício viraram ligeiramente a cabeça, não o suficiente para reconhecer o chamamento que viera do interlocutor atrás, mas bastante para se entreolharem. Continuaram a marcha como se nada tivessem ouvido. Mussa, disposto a preservar o que lhe restava de dignidade e não acelerar o passo para os alcançar, sentiu-se encurralado. Depois de tantas voltas que deram naquele carreiro de fim de mundo, sabia que já não era dono do seu próprio destino. Engoliu o orgulho e correu como um menino ao encontro da dupla enigmática que, pelo andar da carruagem, estava mesmo no comando da missão.

 

O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, promulgou ontem a polémica Lei contra a Homossexualidade no seu país, que contempla castigos mais duros como a pena de morte e prisão perpétua. Significa que a norma já está em vigor.

Mesmo com as fortes críticas e a manifesta desaprovação internacional, o presidente da República do Uganda mandou publicar oficialmente nesta segunda-feira a controversa “Lei contra a Homossexualidade de 2023”.

Num comunicado, publicado nas redes sociais, a presidente do Parlamento ugandês, confirma que Museveni concordou com a lei aprovada pela primeira vez pelos parlamentares em Março.

O projecto de lei, descrito pelo alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, como chocante e discriminatório, foi aprovado por todos, excepto dois dos 389 deputados a 21 de Março.

Crítico do movimento pró-homossexualismo LGBT+, Museveni tinha 30 dias para sancionar a lei e devolvê-la à Assembleia da República para revisões ou vetá-la. Em Abril, com a pressão provocada pelos protestos internacionais, o líder devolveu o projecto de lei aos parlamentares, com um pedido de reconsideração, intimando-os em particular a especificar que ser homossexual não era crime, desde que tal não envolvesse actos sexuais entre pessoas do mesmo gênero.

Nesta nova versão do texto, foi aprovada a prisão perpétua para determinados actos entre pessoas do mesmo sexo, máximo de 20 anos de prisão por recrutamento, promoção e financiamento de actividades homossexuais e até mesmo condenação por 14 anos para quem seja homossexual.

A tipificação da homossexualidade como crime não é nova no Uganda, é, aliás, uma herança do período colonial britânico.

A selecção nacional sénior masculina de basquetebol de Angola inicia, esta quarta-feira, a sua preparação tendo em vista o Afrocan – prova reservada aos atletas que evoluem dentro das suas respectivas ligas de basquetebol-, certame a realizar-se de 8 a 16 de Julho, nas cidades de Luanda, Benguela e Huíla. Esta prova contará, igualmente, com a participação de Moçambique cujo plano de preparação ainda não foi oficialmente anunciado.

O seleccionador de Angola, Aníbal Moreira, divulgou a lista dos convocados, sábado último, para a competição destinada a jogadores que militam nas competições domésticas no continente berço, escreve o Jornal de Angola. De acordo com o vice-presidente da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), Sílvio Lemos, o grupo vai trabalhar na capital durante dez dias e garantiu que estão criadas as condições para a realização da preparação sem sobressaltos.

Está descartada a possibilidade da realização de um estágio pré-competitivo no exterior, sendo que nos próximos dias a direcção da FAB, liderada por Moniz Silva, vai detalhar o programa de preparação até o
arranque da prova.  Depois de Luanda, ainda de acordo com o responsável do órgão federativo, a Selecção Nacional viaja para Benguela onde vai permanecer até o arranque da competição. A ideia é realizar a primeira etapa do AfroCAN em Benguela e Huíla e a fase final em Luanda.

De acordo com o regulamento da competição, os jogadores que vão disputar a 19ª edição do Campeonato do Mundo da Ásia, não podem fazer parte dos eleitos para o AfroCAN, segundo Aníbal Manave, presidente da FIBA África. Assim, os atletas com menos oportunidade têm, agora, mais possibilidades de mostrar o potencial para os "olheiros” da NBA e de outras ligas europeias por se tratar de uma montra. Doze selecções vão competir no evento.  Deste modo, Angola torna-se no segundo país a organizar a prova, depois da edição inaugural, em 2018, em Bamako, capital do Mali. Nesta altura, decorrem as qualificativas para a competição e, nos próximos dias, a FIBA África vai anunciar os representantes de cada zona.

As selecções que chegaram às meias-finais na edição transacta estão apuradas directamente, designadamente RD Congo (campeã em título), Quénia (vice-campeã), Angola e Marrocos.

O presidente da FIBA África, Aníbal Manave, destacou as infra-estruturas existentes em Angola para albergar provas continentais, depois de confirmar o país como sede do AfroCAN 2023, em Janeiro último, durante a cerimónia que decorreu no HTCA, em Luanda.

Convocados
O seleccionador Aníbal Moreira convocou os seguintes atletas: Emanuel Sebastião, Francisco Gomes, Miguel Maconda e José Nseka (bases); Tárcio Domingos, Kenneth Miguel e Ângelo Alexandre (extremos/base); Glofate Buiamba, Geovane Kibinga, Bamba Cissé, Kenny Biongo, Edinilson Andrade, Domingos Kissingue, Josué Bartolomeu e Marcelo João (extremos); Keven Albino, Wilson Kassav, Macaxi Brás, Aloísio Andrade e Walter Lusolo (postes).

O Instituto Médio de Desporto (IMEDE) promove, sábado, no Estádio Nacional do Zimpeto (ENZ), um “workshop” de actualização em treinamento e arbitragem de futsal.

A acção de formação, a ser orientada por Luís Mascarenhas, instrutor da Confederação Africana de Futebol (CAF), é aberta aos fazedores e amantes do futsal e todos os desportistas, incluindo estudantes de desporto e educação física de todas instituições de ensino com particular enfoque para os do IMEDE.

Dividido em duas partes, o “workshop” vai abarcar aulas práticas no período da tarde, sessão que versará, fundamentalmente, para o passe, condução da bola, lançamento, cabeceamento, remate, aspectos táctico-técnicos, entre outros.

A componente da arbitragem na modalidade e organização de competições internamente estão também entre os temas elencados para o curso.

O período da manhã está reservado para aulas teóricas, onde os participantes terão a oportunidade de saber mais sobre as regras do futsal.

No passado dia 25 de Maio, o IMEDE promoveu um debate sob o lema “ o desporto escolar e a educação física como factores para o desenvolvimento do desporto profissional: contextos e experiências”.

O evento que teve como oradores Alcides Chambal, director Nacional Adjunto para o Alto rendimento na Secretaria de Estado do Desporto; Domingos Torres e Pedro Agostinho (Angola), Rui Mendes (Portugal) e Bernardo Matsimbe, docente universitário.

Aliás, ao longo dos sete anos de existência (completados no passado dia 17 de Maio), o Instituto Médio de Desporto tem levado a cabo várias actividades que visam promover a educação física e desporto.
Um dos principais objectivos do Instituto Médio de Desporto é expandir as suas actividades para mais províncias e fazer parcerias internacionais.

No próximo mês de Junho, a instituição tem programada uma formação de voleibol com técnicos amadores, atletas e outros profissionais que praticam a modalidade nas cidades de Maputo, Beira e Nampula.

O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano é o principal parceiro do IMEDE pelo apoio técnico que tem dado às delegações da instituição como a sede, na Cidade de Maputo, através das delegações provinciais e distritais.

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