A Organização das Nações Unidas, ONU, alertam que o financimenro da resposta humanitária em Mocambique garente apenas 30% das necessidades deste ano, numa altura que se estima que o terrorismo tenha provocado mais de 28 mil deslocados, so este.
O mais recente relatório do Gabinete das Nações Unidas para Assuntos Humanitários aponta que Moçambique continua a debater-se com múltiplas crises simultâneas, impulsionadas pelos impactos de eventos climaticos e pelo terrorismo.
Moçambique continuou a enfrentar desafios humanitários sobrepostos em julho de 2026, impulsionados pelos deslocamentos relacionados com o conflito no norte, pelas necessidades contínuas de recuperação após cheias severas e pelo aumento dos riscos de seca associados ao El Niño, refere o documento citado pela RPT Noticias.
Quanto ao terrorismo, as Nacoes unidas relatam que só em Julho deste ano, cerca de 1.979 pessoas foram deslocadas devido ao conflito armado, elevando para 28.163 o número de deslocados registados desde o início do ano.
“O Plano de Necessidades e Resposta Humanitária, da ONU, de 2026 requer 534 milhões de dólares (34,176 mil milhões de meticais), mas apenas cerca de 160 milhões de dólares (cerca de 10,2 mil milhões de meticais) tinham sido mobilizados até Julho, encontrando-se assim financiado em apenas 30% face às necessidades totais”, refere a organização.
O relatório alerta igualmente para um novo risco climático relacionado com o fenómeno El Niño, que pode comprometer a produção agrícola e agravar a insegurança alimentar durante a próxima época chuvosa, de outubro a abril.
“O El Niño deverá agravar a segurança alimentar durante a época chuvosa de 2026/27. As previsões apontam para precipitação abaixo da média e aumento do risco de seca, particularmente no sul e centro de Moçambique, lê-se no relatório”, explicou.
As Nações Unidas mostram-se ainda preocupadas com a situação humanitária em Gaza, onde a organização diz ter registado 176% mais casos de malária face ao mesmo período de 2025.
Está confirmadíssimo. Elias Gaspar Pelembe, ou simplesmente Dominguez, vai mesmo regressar ao futebol moçambicano pela porta da União Desportiva do Songo. O capitão dos Mambas, que vai completar 40 anos em Novembro próximo, já se encontra em Songo para rubricar contrato e ser apresentado como o mais sonante reforço dos actuais campeões nacionais de futebol.
O “puto maravilha” chega aos “hidroeléctricos” a custo zero, porquanto já havia terminado o seu contrato com o Royal AM, clube com o qual esteve vinculado desde a temporada 2021/2022.
“Vou dar o melhor de mim. É isso que pretendo fazer. O que podem esperar é o melhor de mim. Conheço a maioria dos jogadores. Já joguei com eles e também contra eles”, disse Dominguez em entrevista à TVM.
Depois de ter brilhado na África do Sul, para onde se transferiu em 2007, o craque regressa à casa para fechar com chave de ouro a sua carreira. E ambição é o que não falta ao craque que deve ser apresentado ainda esta terça-feira aos adeptos dos campeões nacionais. “Neste momento, estou na UDS. Espero ajudar em todos os sentidos e ganhar títulos”.
Actual segundo classificado do Moçambola 2023 com 19 pontos, menos quatro que o líder Black Bulls, a União Desportiva do Songo aponta intramuros para a revalidação do título. E, no plano continental, há o desejo de atingir a fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos, feito que as equipas moçambicanas já não alcançam desde 2017.
“Ter um plantel recheado tanto em qualidade quanto em quantidade é sempre bom para atacar estas competições. São jogadores experientes que vão ajudar muito. São jogadores que vão trazer mais qualidade, mais experiência e mais resultados. É o que nós esperamos com a vinda destes jogadores. São jogadores que serão muito úteis para o balneário, transmitindo a sua experiência, o seu conhecimento durante estes anos todos. Por isso, considero uma vinda boa e apresentam-se como uma mais-valia para a UD Songo”, destacou Carlos “Caló” Manuel, treinador-adjunto da União Desportiva do Songo.
Após passar pelas categorias de base do Estrela Vermelha, começou a carreira profissional no Desportivo de Maputo (também passou pela base), em 2004, permanecendo por mais três anos. Em 2007, e depois de assinar exibições monstruosas nas provas internas, assinou contrato com o Super Sport United da África do Sul.
Dominguez passou ainda pelo Mamelodi Sundowns, Bidvest Vits, Polokwane City e Royal AM.
Dezenas de civis foram mortos hoje numa cidade perto da capital sudanesa durante confrontos entre o exército e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (FAR), que se acusam mutuamente de usar civis como escudos humanos.
Segundo o ministério da Saúde do Sudão, um ataque aéreo na cidade de Um Durman provocou a morte de “22 cidadãos e deixou um grande número de feridos em Dar al Salam al Amriya, a oeste do mercado”.
As FAR responsabilizam as forças armadas pelo ataque, falando em “bombardeamentos contínuos de aviões de guerra do exército” sobre bairros daquela cidade, refere a agência de notícias espanhola EFE.
As milícias paramilitares dizem ainda que um outro bombardeamento intenso provocou “dezenas de feridos na zona de Dar al Salam”.
Hoje, as FAR voltaram a apelar para que entidades nacionais e estrangeiras acompanhem e documentem o “genocídio cometido diariamente pelos golpistas e pelo remanescente do antigo regime” contra a população.
As Forças Armadas anunciaram hoje através de um vídeo nas redes sociais que “as Forças Especiais realizaram uma operação contra a população”, mas não mencionaram vítimas civis nem reagiram às acusações.
O porta-voz do exército sudanês, Nabil Abdullah, disse que as forças continuam “as operações de combate contra os rebeldes entrincheirados nos bairros residenciais de Cartum, Cartum Norte e Um Durman”.
Na linhagem dos Mazuze a que pertence, Ivan é o primeiro músico. Na verdade, pode-se dizer que a vida de profissional em música é um produto do acaso. Afinal, quando foi matriculado numa escola de música, era, sobretudo, para se manter ocupado e nunca se desviar dos bons caminhos. No entanto, mais do que isso, Ivan Mazuze mergulhou na arte musical a sério e, já na adolescência, tocava nos bares do Xipamanine, subúrbio de Maputo, com o seu amigo Deodato Siquir.
Mesmo sem ter em quem se inspirar, no contexto doméstico, Ivan, quinto filho de oito irmãos, partiu para estudar música em Cape Town. Na África do Sul, fundamentalmente, foi bem recebido por Tony Paco, que mostrou ao então adolescente de 15 anos onde, quando e com quem tocar. Simultaneamente, na cidade do afro-jazz, Ivan sedimentou a sua amizade com Hélder Gonzaga, que já partira de Maputo.
Na altura da iniciação à música, com os três amigos, Ivan conviveu o tempo necessário, pois, como que fugazmente, cada um seguiu o seu percurso. Tony Paco (percussão) permaneceria na África do Sul, Hélder Gonzaga (baixo) voltaria para Moçambique, Deodato Siquir (bateria e voz) seguiria até Dinamarca e Ivan Mazuze (saxofone) fixaria residência na Noruega.
Apesar de terem tomado direcções diferentes, os laços entre os quatro músicos se mantiveram e, esta sexta-feira, na Sala Grande do Franco-Moçambicano, Cidade de Maputo, juntaram-se a outros três amigos, nomeadamente: o norueguês de origens indianas, Jai Shankar (percussão); o sul-africano Mark Fransman (saxofone, teclado e voz), autor dos distintos solos de Maganda, igualmente formado em Cape Town e que já produziu Jimmy Dludlu e Moreira Chonguiça; e, por fim, Stélio Mondlane (bateria), que, mesmo sendo o mais novo da banda, trabalhou com intensidade e assertividade. Todos juntos tocaram num concerto que teve Ivan Mazuze como o protagonista, mas em que, com a excepção de Jai Shankar, cada um mostrou a sua melhor versão.
Para abrir o concerto, o tema escolhido foi “Inkomu tatana”, do álbum Maganda, interpretado de forma alegre e num ambiente acolhedor. Na ausência das coristas, a tarefa de colocar a voz nos coros ficou na responsabilidade de Deodato Siquir, que, multidisciplinar, também tocou a sua amada bateria.
Sentado nas primeiras filas da Sala Grande, o pai de Ivan, Abílio Mazuze, ouviu radiante esse tema que parece uma homenagem a si: “Inkomu tatana”, do changana, “Obrigado, pai”. Sempre rodeado de seus familiares, filho, netos e etc., o velho Mazuze voltou a ver o filho em palco como se fosse pela primeira vez. Orgulhoso, bem colado à nora e às duas netas, esposa e filhas de Ivan, aquele espectador especial, à semelhança de parte significativa do auditório, fez, de seguida, de “Inta mutlangela” seu projecto musical.
Com novos arranjos, mas sempre mantendo a base popular que o auditório do Franco teimou em ecoar aos ouvidos do saxofonista, “Inta mutlangela” funcionou, de facto, como uma acção de graça por tudo o que Deus tem feito na sua vida. Uma vez mais, o autor de Mutema fez os coros e toda a gente aparentemente sedenta por um concerto de jazz tlangelou/agradeceu pelas possibilidades até religiosas que a canção popular encerra. A essa altura do concerto, os Mazuze já nem lembravam que, mal Ivan aterrou em Maputo, no último fim-de-semana, meteu-se em ensaios, deixando para depois o afecto de que todos merecem. “Não tive momentos de socialização com os meus pais, nestes dias, porque queria preparar este concerto para vocês”, justificou o artista naquele seu bom português, mas com alguns estrangeirismos na tonalidade.
Ora com arranjos diferentes, ora com prolongamentos rítmicos mais sustentados, Ivan Mazuze foi interpretando temas dos seus quatro álbuns. De Moya, por exemplo, escolheu “Wemba wa”, “Massessa” e “Lunde”, essa composição inspirada nas sonoridades norueguesas; De Ndzuti, escolheu “Mwana wa ku kasa”; de Ubuntu, escolheu, além de “Inta mutlangela”, “Kulhula” e, por fim, o tão solicitado tema “Papa Samora”, de Maganda.
Mesmo em jeito de despedida, “Papa Samora” foi a última e a mais aclamada actuação da noite, o que valeu aos artistas cerca de três minutos de aplausos ininterruptos. No derradeiro momento do concerto, toda a gente levantou-se para agradecer àquelas sete almas pelas duas horas de actuação. Talvez, a uns meros metros da Sala Grande, a estátua do primeiro Presidente de Moçambique tenha vibrado emoção; talvez, onde quer que esteja, Samora Machel tenha escutado o público cantar os seguintes versos traduzidos do changana: “Papa Samora ensinou-nos a não chorar”. De facto, a noite foi de intensa alegria.
Por: Cremildo Bahule[1]
Nos últimos dois anos, para justificar o meu desarranjo dos efeitos sonoros da pandemia, decidi prestar atenção na concepção, edição e divulgação dos discos editados na arena do jazz nacional. Nessa auscultação tímida – típica de um professor da 4.ª classe – tenho me deparado com discos supérfluos, razoáveis e bem-elaborados. Cito quatro, no sentido de vénia, que chamaram a minha atenção: «Blue Window» (Valter Mabas, 2021), «Sense of Presence» (Elcides Carlos, 2022), «Sounds of Peace» (Moreira Chonguiça, 2022) e «Endless Dream – O Sonho da Música» [Do Carmo, 2023 (edição póstuma com a participação de vários artistas]. O fulgor e o mérito destes quatro discos assenta num único facto: a consciência da utilização de elementos oriundos da música folclórica e da música popular nas diversas linhas de interpretação que se enquadram, se acharmos pertinente para a nossa etnomusicologia, na música popular moçambicana. Tal justificação parece ínfima, justa e razoável – dependendo do ponto de vista – se termos em conta que temos discos editados por moçambicanos que reflectem a pura reprodução do jazz estadunidense ou sul-africano. O último caso é fácil justificar: proximidade geográfica e os «alinhados melódicos de Cape Town».
Para alicerçar a minha nota preambular irei me centralizar no disco «Sense of Presence» (Elcides Carlos, 2022) por conta do concerto que vi, na noite da última sexta-feira, do mês passado, 30 de Junho de 2023, na Galeria do Porto de Maputo. Creio que Elcides Carlos nos regala com um vocabulário harmónico bastante rico, com sonoridades impressionistas com bases e experiências com as circunstâncias, como se pode perceber na música «Sedução» (no disco tem a participação de André Sansi & Sheila Malijane) e «O Que Seria» (no disco tem a participação de Rosário Giuliani). Tem uma visão ímpar dos arranjos de melodias tradicionais que nos destinam para explorações modais (advindo do Jazz Modal). Nestas explorações, pode observar-se uma crescente libertação das fundações harmónicas da improvisação em direcção ao poder da melodia livre, o que abre um caminho para a criação do Free-Jazz. É aqui, no Free-Jazz, que estabeleço Elcides Carlos no cenário do jazz moçambicano. O que me chama atenção no disco «Sense of Presence», e certifiquei no espetáculo, é que as composições deste álbum trazem uma honestidade quase ingénua, bem própria de um disco de estreia. São composições com um olhar de novidade para a vida e as experiências que ainda se enquadram como primeiras. Realmente, existe uma sensação de busca por uma presença que só o artista saberá nos dizer e confirmar, quiçá, no segundo ou terceiro álbum. O derradeiro aspecto que é importante de ser mencionado é o modelo dialéctico de apresentação das composições. Essa dialéctica seria, assim, congénita e essencial ao jazz moçambicano enquanto género musical dotado de uma estabilidade em termos de temática [a fricção de musicalidades sendo aqui constituinte, evidenciando-se principalmente nas improvisações], de estilos [fundamentalmente idiomas regionais, como a musicalidade chope que se ouve na música «Mhango» (no disco tem a participação de Cheny Wagune e «Há Fana» (no disco tem a participação de Radjha Ali & Drew Zaremba] e de estruturas composicionais [no código musical propriamente, como na rítmica e no emprego de determinados modos]. As diversas musicalidades trazidas e convidadas tanto para o disco como para o concerto dialogam mas não se misturam: as fronteiras musicais e simbólicas não são atravessadas, mas são objectos de uma manipulação que reafirma a diferença que Elcides Carlos quer impor no jazz moçambicano.
[Evidentemente a minha postura é baseada na audição do disco e no espetáculo que teve como título «In a Soulfoul & Vibrant Afro Jazz Night». Um espetáculo, diga-se sem sortilégios, começou com atraso de quarenta e um minutos depois da hora marcada, com ruído no som nas primeiras três músicas. Porém, apesar deste enredo e problemas técnicos, o «In a Soulfoul & Vibrant Afro Jazz Night» teve o mérito de confirmar que Moçambique, como disse antes, tem infinitas musicalidades e dissemelhantes sonoridades como consegui atestar com os convidados especiais – Xixel Langa, Bhaka Yofole e Deodato Siquir – e dos instrumentistas: Lelas Mavie (baixo), Tony Paco (bateria), Nando Morte (percussão), Sarmento de Cristo (saxofone), Nicolau Cauaneque (teclado), Pauleta Muholove e Sheila Malijane (coros)].
Termino este meu desarranjo harmónico e trémulo com uma certeza: julgo que chegou o momento de assumirmos que a história do jazz moçambicano deve começar a ser escrita com sinceridade e atalhos que nos conectem com o nosso devir. Utilizei, propositadamente, o disco «Sense of Presence» e o espetáculo «In a Soulfoul & Vibrant Afro Jazz Night», de Elcides Carlos, como mote para justificar que os elementos sincrónicos entre o Jazz, que se pretenda que seja moçambicano, e a música popular tem simetrias desde suas bases musicais primárias ligadas as heranças da música urbana ou folclórica. Precisamos definir e classificar todas as fronteiras idiomáticas do Jazz moçambicano. É natural que no processo de argumentação, escrita e valoração todas tenhamos inconsistências e estereótipos relacionados ao Jazz moçambicano. Todavia, é um caminho inevitável. Julgo que, com outras lentes, outros actores e outros saberes, podemos falar de categorias tonais, avant gard, pulsação do ritmo em semínimas, escalas pentatónicas e todas as categorias cromáticas que caracterizam, por exemplo, as obras «Blue Window» (Valter Mabas, 2021), «Sounds of Peace» (Moreira Chonguiça, 2022) e «Endless Dream – O Sonho da Música» [Do Carmo, 2023 (edição póstuma)].
P.S.: o disco «Sense of Presence» (Elcides Carlos, 2022) tem um design harmonioso, um encarte apetecível e com uma ficha técnica bem detalhada. Um disco de fazer cortesia para a prateleira dos coleccionadores de Jazz. Bayete!
[1] Cremildo Bahule é professor, ensaísta e editor. | cremildo.bahule@gmail.com
Afinal, a morte de 17 pessoas na África do Sul em consequência do vazamento de gás poderia ter sido evitada caso a polícia tivesse chegado a tempo no assentamento de Boksburg. A informação foi avançada pelo comissário da polícia de Gauteng, Elias Mawela.
Os moradores de Boksburg contactaram as autoridades policiais logo após notarem algo estranho no assentamento, entretanto a intervenção da polícia foi tardia.
O comissário de polícia de Gauteng, Elias Mawela, justificou a demora com o difícil acesso ao local onde se registou o vazamento de gás, que causou a morte de 17 pessoas, incluindo três crianças, na África do Sul.
“É difícil não só para a Polícia ter acesso à área, como também para todos os serviços de emergência, porque nem a ambulância, nem os bombeiros podem entrar neste espaço específico. Isso condiciona o nosso tempo de resposta. As comunidades aqui reclamam que, quando chamam a Polícia, demora a atender. Obviamente, não há endereço, nem há nome de rua, muito menos iluminação. As condições de vida das pessoas aqui são más e, se são assim, faz com que os criminosos também venham abrigar-se naquele espaço específico. Portanto, é propício para os criminosos entrarem e permanecerem nessa área específica.”
Investigações preliminares revelaram que o óxido de nitrato estava a ser usado por mineiros ilegais na área para tratar o ouro extraído do assentamento informal.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, expressou profunda tristeza pelas mortes em Boksburg.
O Secretário-geral das Nações, António Guterres, Unidas disse hoje que as alterações climáticas estão fora do controlo e alertou que o mundo está a caminhar para uma situação catastrófica. Os alertas são feitos após a Terra ter batido recordes consecutivos de temperatura esta semana e depois de o mês de Junho ter sido o mais quente desde que há registo.
O planeta Terra está a registar temperaturas nunca antes vistas nos últimos dias. Os dados mostram que a última semana foi a mais quente desde que a temperatura média passou a ser medida, em 1979, e nesta quinta-feira foi assinalado um novo máximo de temperatura média: 17,23 graus Celsius.
“Se persistirmos em adiar medidas fundamentais que são necessárias, penso que estamos a caminhar para uma situação catastrófica, como demonstram os dois últimos recordes de temperatura”, disse Guterres
A média desta quinta-feira superou a marca de terça-feira de 17,18, em que no norte da África os termómetros atingiram os 50 graus Celsius.
Já nos Estados Unidos, pelo menos 57 milhões de pessoas foram expostas a temperaturas prejudiciais para a saúde. No Polo Norte, a temperatura estava 10 graus acima da média. E na Ilha de Nares, na Groenlândia, toda a camada de neve derreteu em apenas 4 dias.
Há meses que que os cientistas alertam que 2023 será um ano de recordes de calor e a tendência poderá agravar-se em 2024.
O recorde deste ano deve-se em grande parte às temperaturas muito altas da superfície dos oceanos, não só por causa das alterações climáticas, mas também por culpa do fenómeno climático El Niño.
Cerca de 17 mil pessoas passam a ter acesso à água potável no Posto Administrativo de Cumbana, no distrito de Jangamo, em Inhambane. O Presidente da República diz que se deve usar o precioso líquido como uma rampa de desenvolvimento local.
A água da chuva ou em furos artesanais foram por muitos anos a única alternativa para boa parte da população de Cumbana, para ter acesso ao precioso líquido.
Um dilema que agora chega ao fim, com a entrada em funcionamento de sistema de abastecimento de água, financiado pelo Governo britânico.
O Presidente da República disse, na ocasião, que o sistema de abastecimento de água de Cumbana pode ser um instrumento para potenciar o desenvolvimento local.
Filipe Nyusi revelou, na ocasião, que há outros empreendimentos do género que estão em construção em toda a província.
Para as zona áridas, Filipe Nyusi disse que o Governo está a potenciar o uso de tecnologias.Ainda esta quinta-feira, o Chefe de Estado inaugurou o novo edifício, onde vai funcionar o Instituto Nacional de Acção Social.
TRIBUNAL JUDICIAL DE INHAMBANE
Ainda na Província de Inhambane, o Presidente da República, Filipe Nyusi, disse que quer que a justiça seja um instrumento a serviço do povo e que sirva para atrair mais investimentos no sector do turismo.
Filipe Nyusi falava, esta quinta-feira, em Inhambane depois de inaugurar o novo edifício onde vai funcionar o Tribunal Judicial Provincial.
O Tribunal Judicial de Inhambane funcionava no mesmo edifício que o Conselho Municipal local, construído há mais de 200 anos.
Sendo Inhambane um destino turístico, o Presidente da República espera ver o tribunal como um instrumento para atrair mais turistas e mais investimentos.
O Tribunal Judicial Provincial é o quinto a ser construído, depois dos tribunais de Inharrime, Morrumbene, Funhalouro e Mabote. Neste momento, estão em curso as obras de construção dos edifícios dos tribunais de Panda e Jangamo.
A selecção sénior masculina de basquetebol está com participação comprometida no AfroCan devido à falta de 1,3 milhões de Meticais para cobrir despesas de hospedagem e alimentação. Ainda assim, deixou o país esta quinta-feira com destino a Luanda, Angola, onde vai disputar a prova.
O cenário volta a repetir-se! A mesma ansiedade e as mesmas expectativas em relação ao que pode acontecer em Luanda, depois da “vergonha” de Bulawayo.
É que, tal como aconteceu na prova qualificativa que teve lugar no Zimbabwe, em Abril passado, em que a selecção chegou a ser “expulsa” do hotel por falta de pagamento de hospedagem, o cenário pode voltar a repetir-se em Luanda, tendo em conta que os mesmos problemas se repetem.
Com a questão do transporte resolvida, o que permitiu à selecção nacional de basquetebol masculina viajar a Luanda, fica agora em exposição o pagamento de hospedagem e alimentação.
É que a Federação Moçambicana de Basquetebol fala de um défice de 1 300,000 Meticais (um milhão e trezentos mil Meticais) para custear as despesas de alimentação e acomodação, apelando, clamando, por isso, por apoio.
“Estamos a viajar, mas estamos com défice de 1,3 milhões de Meticais. Como é regra, o país organizador acolhe, hospeda e alimenta”, começou por explicar Roque Sebastião, presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol.
Mas essa hospedagem e alimentação são apenas para os primeiros dias, sendo que depois tudo fica às expensas da delegação de cada país.
“Naturalmente, na reunião técnica entre amanhã e depois de amanhã (hoje ou amanhã), é onde se fazem as cobranças, uma vez que os pagamentos não são feitos à chegada, no hotel, ou seja, os pagamentos são feitos pela organização”, continuou Sebastião, para explicar que não é de imediato que se fazem os pagamentos de alimentação e alojamento.
O presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol diz ainda que é aproveitando esta facilidade que a delegação moçambicana vai procurar ganhar tempo até conseguir os fundos necessários para o pagamento. “Vamos aproveitar para, com a nossa congénere em Angola, mas também com as várias entidades aqui dentro no país, encontrar a fórmula de, em 48 horas, conseguirmos pagar a nossa hospedagem”, explica.
Em termos práticos, e segundo a explicação de Roque Sebastião, a hospedagem está orçada em 90 dólares por atleta e é preciso olhar para a delegação toda. Ainda assim, Roque Sebastião diz que não há problemas em ter hospedagem em Luanda, mas “a questão é conseguirmos encontrar este valor dentro do período válido, antes da reunião técnica, que é muito importante”.
Recordado do episódio similar em Bulawayo, Roque Sebastião é optimista desta vez. “Não cremos nesta possibilidade, mas é preocupante. Estamos preocupados!”, disse, acrescentado que “o que não queríamos fazer era tomar decisões radicais, porque pensamos que ainda há espaços de mais ou menos dois a três dias de encontrarmos soluções”.
Aliás, o presidente da FMB já tem algumas entidades parceiras em coordenação, casos da Secretaria de Estado do Desporto, Fundo de Promoção Desportiva e os empresários, por isso “há aqui uma actividade muito concreta de que ao comunicarmos desta forma estamos a fazer um pedido e cremos que haverá uma sensibilidade em ajudar-nos a atravessar este momento e a nossa necessidade”.
MILAGRE MACOME LEVA 13 PARA LUANDA
No capítulo desportivo, a motivação é elevada no combinado moçambicano, principalmente depois de o seleccionador ter anunciado os 13 jogadores com os quais vai contar nesta empreitada de Luanda.
Milagre Macome fala dos objectivos da participação de Moçambique nesta competição: “primeiro objectivo nesta competição é claramente de participação, mas do ponto de vista de classificação vamos pensar jogo a jogo e tentar chegar o mais longe possível”.
Macome fala ainda de ambições para a selecção nacional, até porque “temos uma miscelânea de jogadores mais experientes e outros mais novos e vamos tentar um grupo competitivo e uma equipa competitiva, uma equipa que dignifique o basquetebol moçambicano e o país”.
Macome leva a Angola 13 jogadores, destaque para a não integração de Augusto Matos na convocatória final.
Eis a convocatória de Milagre Macome para AfroCan
COSTA DO SOL: Azénio Cossa, Egídio Zandamela, Uwami Chongo e Klaus Bunguele
FERROVIÁRIO DE MAPUTO: Baggio Chimondzo, Ermelindo Novela e Hugo Martins
FERROVIÁRIO DA BEIRA: Célio Chirombe e Elves Honwana
SPORTING DE QUELIMANE: Pio Matos Júnior
MAXAQUENE: Turdevales Nhantumbo
AD GALOMAR DE PORTUGAL: Jeremias Manjate
CLUB BALLON ILICITANO DA ESPANHA: Malik Camal
Moçambique e Angola defrontam-se esta sexta-feira em partida do grupo C do torneio regional Cosafa. É o primeiro dos três jogos que as duas equipas têm na fase de grupos da prova, em busca de um lugar nas meias-finais, em que se qualificam o vencedor do grupo e o segundo melhor classificado dos três grupos. Os Mambas têm foco na vitória, até porque a ambição para esta competição é a conquista do troféu
Mambas e Palancas voltam a defrontar-se seis anos depois da última vez que se cruzaram e quase 10 anos depois do último jogo no torneio Cosafa. Será, não somente mais uma partida, mas a partida importante para as ambições das duas selecções nesta competição, que pretendem chegar a mais longe possível e, quiçá, vencer a prova.
Moçambique teve apenas duas sessões de treinos em solo pátrio, na segunda e terça-feira, mais uma sessão de recuperação física em Durban, enquanto o combinado angolano, que levou a sua equipa olímpica, está em solo sul-africano desde quinta-feira da semana passada.
Ainda assim, a motivação dos jogadores da selecção nacional, na sua maioria do grupo do CHAN, que atingiu os quartos-de-final, é maior que as dificuldades, e a concentração no objectivo vai ser fundamental para alcançar um bom resultado.
Isac de Carvalho, um dos capitães desta selecção, diz que o mais importante para o primeiro jogo, diante de Angola, é respeitar o adversário e concentrar-se mais. “Vamos entrar em campo a respeitar o adversário, que é uma boa selecção e um rival de longa data na lusofonia e vai ser muito bom jogar com eles”, disse Isac.
Aliás, o facto de não ser a primeira vez nesta competição, não só para Isac, mas para grande parte dos jogadores, abre boas perspectivas para esta edição. “Já tivemos muitos momentos e grandes participações neste torneio, em que o ponto mais alto foi em 2015, quando chegámos à final e perdemos. A ideia é chegar lá e dar corrente ao que se fez no passado”, assegura o capitão, que acrescenta ainda que “este grupo é especial porque tem história, pois conseguiu chegar aos quartos-de-final de uma grande competição. Estamos confiantes porque estamos coesos e sabemos perfeitamente qual é o nosso objectivo”.
Já Dayo, que regressa aos convocados dos Mambas depois de muito tempo, assume que o tempo de viagem não esgotou os jogadores que tiveram tempo para se recuperar depois da viagem e “agora temos é que trabalhar”.
Dayo não faz grandes promessas, mas diz que “podem esperar o mesmo Dayo de sempre, batalhador, que vai empenhar-se para poder ajudar a equipa”.
Dayo, à semelhança de Telinho e Bhéu, são os únicos sobreviventes nesta delegação, da selecção que, em 2017, venceu Angola, no último embate entre ambos, em jogo de carácter amigável, que decorreu no Estádio Nacional do Zimpeto.
Dos três, Bhéu Januário foi quem entrou de início na partida e fez a totalidade dos 90 minutos, enquanto Dayo não chegou a sair do banco de suplentes da equipa então treinada por Abel Xavier. Já Telinho entrou na segunda parte para o lugar de Clésio Bauque.
NÃO MUDAR O SISTEMA MAS POTENCIAR O ATAQUE
Sem poder contar com o seleccionador nacional, Chiquinho Conde, e com o conjunto entregue a Victor Matine, o sistema táctico não vai mudar e os Mambas vão jogar num 1x4x2x3x1, a povoar o meio campo, mas a potenciar o ataque.
Decerto que Ivan será o guarda-redes confiado, tendo em conta a sua segurança nos últimos jogos, com um quarteto defensivo constituído por Chico e Martinho no centro, Bhéu na esquerda e Mexer na direita.
Amadou e Shaquile vão ser os pivôs, podendo ser Dário (ou Nelson), Isac e Ali Abudo (ou João Bonde) a apoiarem o mais avançado dos jogadores, que será ou Telinho ou Dayo, os melhores marcadores do Moçambola 2023.
Entretanto, não se coloca de lado a possibilidade de Victor Matine por Fazito na baliza, Nené e Danilo na defensiva, Gianluca na zona central ou Melque na frente.
“CONDIÇÕES CRIADAS PARA OS MAMBAS”, DIZ MARTINHO “PAÍTO” MACUANE
“Estão criadas as condições para que na sexta-feira possam realizar uma boa partida diante de Angola. Viemos com uma missão e queremos defender Moçambique. Estamos cientes das dificuldades que vamos encontrar no primeiro jogo, mas estamos preparados para discutir jogo a jogo, para que, no final, o resultado possa sorrir para Moçambique. Só pelos treinos que fizemos na segunda e terça, dá para perceber que estes jogadores estão motivados, até porque jogam juntos há bastante tempo e tem bastante qualidade e acreditamos que podemos fazer história, mas o mais importante é pensarmos jogo a jogo. Com mais humildade, acreditamos que é possível alcançarmos aquilo que é o nosso objectivo que é ganhar a competição”.