A instabilidade no Estreito de Ormuz mantém-se, depois de uma embarcação ter sido atingida durante a madrugada desta terça-feira, por um projéctil de origem desconhecida.
O incidente ocorre num momento em que Washington insiste que decorrem negociações com o Irão para reabrir uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, enquanto Teerão rejeita qualquer diálogo directo com os Estados Unidos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu ontem que as conversações com o Irão estão em curso e poderão conduzir à reabertura do Estreito de Ormuz esta terça-feira.
A resposta iraniana foi imediata. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou que existam negociações directas com os Estados Unidos, esclarecendo que os contactos decorrem exclusivamente com Omã, país que procura mediar um entendimento destinado a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
O estreito permanece, contudo, fortemente condicionado desde o início de Julho, quando fracassou o processo de desanuviamento entre Washington e Teerão e o Irão voltou a restringir a circulação marítima.
Samora Machel Júnior questiona o que falta para Moçambique e outros países da África Austral desenvolverem, mesmo com abundantes recursos como terra, água, energia e capital humano. A resposta de algumas questões veio da plateia.
Arrancou, esta quarta-feira, na Cidade de Maputo, a Conferência Internacional Samora Machel. O evento junta académicos nacionais e estrangeiros, pesquisadores, antigos e actuais dirigentes do Estado, combatentes da luta de libertação nacional e a família Machel. Falando em nome da fundação que leva o nome do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel Júnior questionou.”O que é que nos falta? o que é que nos falta?”
As respostas vieram da plateia, dizendo que faltam a paz, a liderança, a justiça social, a democracia, a liberdade de expressão e a boa gestão. Samora Machel Júnior finalizou, dizendo que falta a entrega dos cidadãos.
Citando o seu pai, Machel Júnior disse que a luta continua rumo a um país cada vez melhor.
“Com conferências como estas, nós podemos começar a pensar no país, no futuro melhor. Como Samora dizia, a luta continua, a luta continua, a luta continua…continua contra o quê? ”
E a pergunta ficou sem resposta da plateia.
A Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, da Universidade Pedagógica de Maputo, é a organizadora do evento. Do reitor desta instituição do ensino superior veio a indicação de que os ideais de Samora Machel se deparam, hoje em dia, com novas dinâmicas e desafios.
“Nós ainda enfrentamos desequilíbrios sociais e económicos em várias partes do nosso país, que, de certa forma, reflectem essa luta que Samora Machel se prontificou a fazer para ser ultrapassada. Igualmente, nós pensamos na crescente onda de xenofobia e na violência que são uma triste reviravolta na trajectória da unidade nacional, da harmonia e até da nossa harmonia regional.”
Já os oradores consideram Samora Machel uma figura humilde, exigente e comprometida com a causa nacional. No entanto, António Hama Thai diz que Samora Machel não tirava proveito das decisões que tomava.
Falando sobre o Acordo de Nkomati, assinado em 1984 entre Moçambique e África do Sul, visando a não agressão e a boa vizinhança, Jacinto Veloso, integrante do Governo de Samora Machel e um dos negociadores do acordo, diz que a decisão do primeiro Presidente de Moçambique em o assinar demonstrou coragem, visto que, dentro e fora do país, havia vozes contra.
“Foi mais uma decisão de dimensão estratégica e muita corajosa de Samora Machel no quadro da defesa do interesse do Estado e da preservação da soberania nacional. Foi muito corajoso porque a decisão foi contra algumas posições internas que achavam que, politicamente, não se devia negociar com o apartheid. O Presidente Julyus Nyere insistiu com Samora para não negociar nada com o apartheid, participei pessoalemnte nessa negociação complexa.”
Ainda no evento, participou, como orador, o académico angolano Moreira Bastos, que enfatizou que Samora Machel foi o construtor da ponte entre Moçambique e Angola.
“A outra questão foi que Samora é um grandalhão, é um gigante, é um big man. O que vou falar de Samora? Então, surgiu-me o tema: Samora Machel ponte de diálogo Índico-Atlântico, porque, de facto, Samora Machel foi essa ponte entre Moçambique e Angola , essa ponte continua, não morreu, continua de outra forma.”
Depois destas intervenções, seguiu-se o momento de debate. Arlindo Chilundo, académico e ex-governante, foi um dos primeiros a intervir.
“Porque razão, hoje, em condições que até são melhor entre os anos 70 e 80, havia muita fome e muita dificuldade por aí em diante, mas a corrupção não tinha espaço para crescer, mas hoje temos melhores condições do que essa altura, mas a corrupção está a varrer tudo isto, porquê? O que é que falta nessa inspiração de Samora Machel para erradicar essas injustiças?”
E mais outros intervenientes fizeram parte do debate sobre a obra de Machel. António Hama Thai diz que Samora Machel não tirava proveito das decisões que tomava.
“Depois de tudo o que foi dito, Samora Machel fez uma liderança de nível superior. Samora Machel nacionalizou os prédios e não ficou com nenhum, encerrou a fronteira com a colônia britânica da Rodésia do Sul e não tirou proveito de todos os outros processos das aldeias comunais, Samora não tirou proveito. No envio de estudantes para Cuba, Samora Machel fazia questão de certificar-se de que todos os distritos estão representados.”
A música de Roberto Chitsondzo criava um ambiente nostálgico entre os participantes da Conferência Internacional Samora Machel, que contou com os participantes oriundos da África do Sul, Zimbabwe, Angola, Alemanha e outros que participaram remotamente.
Houve mais um rapto na Cidade Maputo. O crime organizado, registado no bairro da Sommerchield, nas primeiras horas do dia. A vítima é uma cidadã, aparentemente jovem, identificada por Zakia Dassat, filha de um empresário de origem asiática, que actua no ramo comercial.
O crime ocorreu por volta das sete horas desta quarta-feira, em frente a residência da vítima, na rua Valentim Citi, bairro de Sommerchield, quando esta dirigia-se para sua viatura e foi interceptada por dois indivíduos, um dos quais armado.
Uma testemunha ocular confirma que houve disparos e que ninguém foi atingido.
A polícia confirmou a ocorrência ao “O País”, sem gravar entrevista.
As raparigas e mulheres jovens em Moçambique vão ter maior acesso a oportunidades de educação e empoderamento económico graças ao programa de Empoderamento e Resiliência das Raparigas da África Oriental e Austral (EAGER), aprovado no passado mês de Setembro pelo Banco Mundial.
Segundo um comunicado citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), a iniciativa surge para impulsionar a educação e os rendimentos de raparigas e mulheres, ao mesmo tempo que ajudará a fortalecer a capacidade institucional dos países beneficiários em implementar políticas de igualdade de género.
“Moçambique é um dos primeiros países a participar nesta iniciativa regional, da qual vai receber 200 milhões de dólares em financiamento. O programa EAGER reúne países que enfrentam desafios semelhantes no empoderamento de raparigas e mulheres”, explicou a directora para a Integração Regional, África e Oriente Médio no Banco Mundial, Boutheina Guermazi.
De acordo com a responsável, na sua primeira fase, o programa apoiará directamente milhões de raparigas a permanecerem ou regressarem à escola, e permitirá que 160 mil mulheres aumentem a sua produtividade no mercado de trabalho.
“Alcançará mais de seis milhões de agentes de mudança, incluindo líderes tradicionais, pais e rapazes, através de campanhas de mudança de comportamento projectadas para mudar as normas de género. Aumentará a capacidade de 26 mil administradores locais e prestadores de serviços, para que estes possam implementar eficazmente reformas em matéria de igualdade”, especificou.
Segundo o Banco Mundial, na África Oriental e Austral, mais de 40 milhões de raparigas não frequentam a escola e 55 milhões casam-se antes dos 18 anos, isto devido à falta de acesso a recursos e poder de decisão durante a adolescência, o que conduz muitas vezes a uma trajectória de baixa produtividade.
O governador do Banco de Moçambique, Rogério Lucas Zandamela, afirmou, esta quarta-feira, que o acordo extrajudicial em torno das “dívidas ocultas” vai “melhorar indicadores macroeconómicos” e tirar pressão à gestão das reservas internacionais.
“A anulação das dívidas contribui para melhorar a sustentabilidade dos indicadores macroeconómicos, com realce para o perfil da dívida comercial que, consequentemente, exercerá uma menor pressão sobre as Reservas Internacionais”, reconheceu Zandamela, na abertura do 48.º conselho consultivo do banco central, esta quinta-feira, na cidade de Inhambane.
“Além de abrir espaço para a restauração da confiança dos investidores estrangeiros em relação ao país e o reforço da estabilidade do sector bancário nacional”, apontou ainda Zandamela, citado pela agência Lusa.
A Lusa noticiou anteriormente que Moçambique pagou 130 milhões de dólares a instituições financeiras no âmbito do acordo extrajudicial com o Credit Suisse para terminar uma disputa judicial no Tribunal Comercial de Londres sobre o caso das “dívidas ocultas”.
De acordo com documentos apresentados a 20 de Outubro em tribunal, Moçambique pagou valores entre um milhão de dólares e 38,2 milhões de dólares a oito instituições.
Estas instituições incluem o Banco Internacional de Moçambique (BIM), Banco Comercial e de Investimentos (BCI), Moza Banco, United Bank for Africa, Atlantic Forfaitierungs e os fundos de investimento VR Global Partners, Farallon Capital e ICE Canyon.
Tornado público no dia 01 de Outubro, véspera do início do julgamento a decorrer na justiça britânica, o acordo tem como principais subscritores o Governo moçambicano e o grupo UBS, dono do banco Credit Suisse, principal financiador da empresa estatal Proindicus para comprar navios e equipamento de vigilância marítima em 2013.
O chamado Acordo de Transação celebrado entre a República de Moçambique, a empresa estatal Proindicus, o Credit Suisse e outros litigantes foi aprovado por resolução do Conselho de Ministros em 06 de Junho, mas só oficializado no Suplemento do Boletim da República datado de 14 de Setembro.
“O Acordo de Transação tem como objecto a resolução global e definitiva do litígio entre as partes referidas no artigo anterior e a renúncia total e recíproca das suas reivindicações, no litígio, para o caso das partes litigantes, e fora dele, para o caso das partes não litigantes, quanto às responsabilidades no financiamento à Proindicus”, refere a publicação.
Na terça-feira, o advogado que representa a Procuradoria-Geral da República (PGR) moçambicana, Joe Smouha, indicou que o Credit Suisse renunciou a uma dívida pendente de cerca de 450 milhões de dólares (526 milhões de euros), mas que não pagaria qualquer compensação a Moçambique.
Os pagamentos previstos pelo acordo extrajudicial às restantes instituições financeiras que entraram no empréstimo sindicado da Prodindicus ou tinham interesses no negócio variaram em termos de proporção conforme o estatuto de litigantes ou não.
Por exemplo, o BIM participou com 61,2 milhões de dólares, mas recebeu 38 188 800 de dólares, enquanto o UBA contribuiu com 35 milhões de dólares, mas recebeu 21,84 milhões de dólares.
Ambos eram parte em acções interpostas contra Moçambique por falta de pagamento das dívidas e receberam com um desconto de 37,6% ao investimento inicial.
De fora do acordo extrajudicial ficaram o banco VTB, que esteve envolvido no financiamento à Proindicus, e o banco português BCP, que só participou no empréstimo à empresa MAM.
O julgamento em curso é o culminar de quase quatro anos de litígio na justiça britânica, à qual o país africano recorreu alegando corrupção, conspiração para lesar por meios ilícitos e assistência desonesta para anular dívidas e reclamar compensação financeira no valor de milhões de dólares.
Moçambique exige 3,1 mil milhões de dólares por danos, compensação e indemnização ao grupo naval Privinvest e ao proprietário, Iskandar Safa, os quais acusa de pagar subornos a funcionários públicos, incluindo o antigo ministro das Finanças Manuel Chang, que assinou as garantias soberanas sobre os empréstimos.
O processo no Tribunal Comercial de Londres, parte do Tribunal Superior [High Court], está previsto durar até Dezembro.
A antiga ponte sobre o rio Save foi projectada na década de 1960 e inaugurada a 16 de Setembro de 1972.
Cinquenta anos depois, a ponte já estava em avançado estado de degradação e limitava a circulação de veículos pesados de transporte de carga.
É que, por razões de segurança, as autoridades tiveram de reduzir a capacidade máxima de cada veículo de 50 para 30 toneladas, o que causava constrangimentos aos transportadores, uma vez que, para passar pela ponte, obrigatoriamente eles tinham de diminuir a carga e voltar a colocar no camião depois de atravessar. Essa operação provocava perda de tempo e dinheiro.
Em resposta aos sinais de degradação da ponte, que condicionavam a normal circulação de viaturas de uma margem à outra do rio Save, o Governo avançou, em 2018, com um ambicioso projecto integrado de construção civil naquela importante secção da Estrada Nacional número 1 (EN1).
O projecto visava a reabilitação da antiga ponte, com mais de 50 anos de vida, e a construção de uma nova, mais moderna e dimensionada para os desafios impostos pelas mudanças climáticas na área de infra-estruturas rodoviárias.
O Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos diz que a ponte foi construída, usando tecnologia de ponta, e garante que, com as devidas manutenções, a ponte vai ter durabilidade de 50 anos.
As obras estão avaliadas em cerca de 5,5 mil milhões de Meticais do Orçamento de Estado; foram adjudicados ao empreiteiro China Road & Bridge Corporation, e deveriam durar três anos, prazo que acabou por ser estendido devido aos desafios conjunturais, com destaque para a pandemia da COVID-19.
A reabilitação da antiga ponte consistiu, entre outros trabalhos, na substituição de cabos pendurais; substituição dos aparelhos de apoio; substituição das juntas de dilatação; reparação do pavimento; diversas reparações de betão e pintura geral.
A ponte tem uma extensão total de 810 metros e duas faixa de rodagem, perfazendo 7,2 metros e passeios laterais de 1,3 metros, mas, devido à fragilidade que apresentava antes das obras, a carga máxima que devia transitar sobre ela baixou para 35 toneladas e só devia passar um veículo de cada vez, provocando constrangimentos aos transportadores.
A nova ponte tem mil metros de extensão e 13,5m de largura, sendo 9,6m de faixas de rodagem e 1,2m de passeio de cada lado.
Foi dimensionada tendo em conta as mudanças climáticas e os efeitos no pico de cheias, bem como as exigências actuais e futuras da secção da EN1 no que tange ao escoamento de tráfego pesado no sentido Sul-Norte e Norte-Sul.
A Confederação das Associações Económicas olha para a nova ponte como uma importante infra-estrutura para dinamizar a economia do país, considerando que os camiões poderão circular sem restrições, facto que vai permitir a redução em até 3 dias, o tempo de viagem de Maputo para Cabo Delegado.
Para melhorar a circulação na zona, a ponte antiga servirá para o tráfego ligeiro e a nova também vai permitir a passagem de carros com até 48 toneladas.
Com as duas pontes nas condições infra-estruturais boas em que se encontram, fica garantido o fluxo ininterrupto da circulação de viaturas e bens nesta travessia mesmo em momento de inspecção e manutenção.
Na ocasião, o Presidente da República anunciou que o Governo está também a mobilizar fundos para a construção de uma segunda ponte sobre o rio Save na província de Gaza, que vai ligar a província de Manica.
A Comissão Política do partido Frelimo condenou, quarta-feira, os “incidentes pós-eleitorais”. A Frelimo considera ainda que as eleições autárquicas de 11 de Outubro foram um exercício “democrático interno e transparente”.
A Comissão Política da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) defende que “o período pós-eleitoral deve ser um momento de reflexão e união para todos os moçambicanos e condena, veementemente, os incidentes registados que culminaram com a perda de vidas humanas e feridos, a destruição de bens públicos e privados, reiterando o apelo ao diálogo construtivo para a paz efectiva e duradoura”, lê-se num comunicado emitido após uma reunião do órgão mais importante do partido no poder em Moçambique.
Em causa estão as escaramuças registadas em diversos pontos do país na sexta-feira (27.10), na sequência das marchas lideradas pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) para protestar contra os resultados das eleições de 11 de outubro, onde a FRELIMO foi anunciada como vencedora em 64 das 65 autarquias.
No documento, a Comissão Política da Frelimo considera que as eleições autárquicas foram o “culminar de um exercício interno e transparente”, agradecendo aos membros e simpatizantes pelo “voto depositado no partido”.
“A Comissão Política apela ainda aos partidos políticos e cidadãos em geral para distanciarem-se de atos que colocam em causa o ambiente de paz, união, civismo, convivência harmoniosa e postura de cidadania dos moçambicanos”, lê-se no comunicado.
As sextas eleições autárquicas em Moçambique estão a ser alvo de duras críticas vindas de diferentes partidos de oposição e da sociedade civil, que denunciam uma “megafraude” no escrutínio, com destaque para a falsificação de editais e o enchimento de urnas de votação a favor do partido no poder, com algumas decisões de tribunais distritais a reconhecerem irregularidades no processo.
O Chefe de Escritório do Programa Mundial de Alimentação (PMA), em Cabo Delgado, Maurício Burtet, informou, segunda-feira última, que a organização das Nações Unidas registou uma redução de assistência aos deslocados internos de seiscentas mil para quatrocentas mil pessoas o seu apoio às vítimas do terrorismo naquele ponto do país.
De acordo com Maurício Burtet, o corte tem que ver com “o recrudescimento da situação humanitária decorrente das guerras à escala global”.
Apesar da redução da assistência, garantiu o Chefe de Escritório do Programa Mundial de Alimentação, haverá continuidade do apoio ao nosso país como forma de minimizar a crise humanitária decorrente dos ataques terroristas que eclodiram em 2017, em Cabo Delgado.
“O contexto global está muito preocupante, a um tempo atrás estávamos falando da guerra da Ucrânia e Rússia, mas hoje já existem outras guerras”, disse Maurício Burtet, citadado pela Rádio Moçambique.
Em Novembro do ano passado, O Programa Mundial de Alimentação (PMA) disse que necessitava de cerca de 18 milhões de dólares por mês para assistir mais de um milhão de pessoas vítimas dos ataques terroristas na província de Cabo Delgado.
A informação foi partilhada, na altura, pela directora nacional do PMA, Antonella D’Aprile, falando aos jornalistas momentos após um encontro com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Manuel Gonçalves.
Na ocasião, Antonella D’Aprile falou do trabalho que a sua organização está a realizar nas regiões afectadas devido à emergência provocada por acções terroristas.
Em Junho do mesmo ano, o Governo dos EUA fizera uma doação de 29,5 milhões de dólares para apoiar a assistência alimentar humanitária às populações do norte de Moçambique, que enfrentam uma insurgência armada.
A nomeação do combinado nacional a esse importante evento do futebol africano deve-se ao facto de ter feito uma excelente campanha que culminou com a qualificação, 13 anos depois, para o CAN.
A selecção nacional de Futebol (Mambas) foi nomeada para o CAF Awards 2023. Os Mambas vão concorrer para a categoria de melhor selecção do ano. Por sua vez, Chiquinho Conde está entre os 10 nomeados para melhor treinador africano do ano.
Moçambique vai, pela primeira vez, desfilar entre as grandes selecções de África. Os Mambas foram nomeados para o CAF Awards na categoria de melhor selecção africana.
Moçambique integra a lista onde pontificam países como Cabo Verde, Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Mauritânia, Marrocos, Namíbia e Tanzânia.
A cerimónia de premiação terá lugar na cidade de Marrakech, em Marrocos, no dia 11 de Dezembro. O evento vai contar com a presença de várias estrelas do futebol africano.
A nomeação do combinado nacional a esse importante evento do futebol africano deve-se ao facto de ter feito uma excelente campanha que culminou com a qualificação, 13 anos depois, para o CAN.
Por sua vez, Chiquinho Conde faz parte da lista dos 10 treinadores nomeados para melhor técnico africano do ano. O seleccionador nacional conduziu, com sucesso, os Mambas à quinta presença na mais alta roda do futebol africano. Chiquinho Conde é o primeiro treinador moçambicano a ser nomeado para essa categoria.
O CAF Awards comporta outras categorias, com destaque para o melhor jogador do ano, tendo sido nomeados 30 jogadores.
Dessa lista destacam-se os atletas Sadio Mané, Riyad Mahrez, Mahomed Salah e Achraf Hakimi. Para a categoria de melhores gurda-redes foram nomeados Mphamed ElShenawy, Yassine Bounou e Andre Onana.
O CAF Awards é um dos momentos mais importantes do calendário do futebol africano, destinado a reconhecer e premiar os melhores jogadores, treinadores e equipas do continente.
Por: Chádia Sofia Chicohe
Considerado autor de um dos melhores livros africanos do século XX,Terra sonâmbula, vencedor do Prémio Camões 2013 e um dos nomes mais sonantes da literatura mundial, Mia Couto é autor do texto “A porta”, publicado no livro O país do queixa andar (2003), que reúne um conjunto de crónicas jornalísticas sobre vários temas da sociedade moçambicana.
Em geral, “A porta” é um texto que, a partir de uma narrativa polissémica, representa, através de um porteiro sob comando de “vozes desconhecidas”, factos comuns à sociedade moçambicana, os quais nos conduzem a um horizonte intrigante sobre a postura e as relações socioculturais de Moçambique.
Através da crónica de Mia Couto, somos levados a reflectir sobre Moçambique e sobre a possibilidade de uma “porta” poder descrever a realidade de um povo.
Além do título que desperta a nossa atenção, na estrutura do texto encontramos uma série de diálogos mediados por um narrador que nos intriga com várias eventuais perguntas. Que porta seria essa? Quem pode abri-la? Não obstante estas questões, o texto deixa-se enriquecer pela sua plasticidade lexical, que faz com que o autor e/ou leitor brinque com as palavras e com isso crie determinadas conexões.
Ainda na estrutura do texto, encontramos personagens que, na sua maioria, apresentam o mesmo atributo “moçambicano”, mas com núcleos diferentes. Por exemplo, “Indiano moçambicano”; “mulato moçambicano”; “moçambicano branco”; “negro moçambicano”.
Duas das personagens apresentadas pelo narrador chamam a nossa atenção pelas suas particularidades: “um estrangeiro mandando a inglês” e um “porteiro” que não se deixa caracterizar. Mas quem seria esse porteiro?
Ao longo do texto, também nos é apresentado um conjunto de elementos que colocam à tona algumas questões, tais como: O que significa ser moçambicano? E o que significa uma porta abrir-se de Moçambique para Moçambique?
Na escrita de Mia Couto, em “A porta”, somos assaltados por um conjunto de temas expressos durante as intervenções das personagens. Mas um tema, em particular, atrai a nossa especial atenção, a construção da imagem de Moçambique através de um porteiro. Vejamos, a título de exemplo, as seguintes passagens:
(1) Era uma vez uma porta que, em Moçambique, abria para Moçambique. Junto da porta havia um porteiro. Chegou um indiano moçambicano e pediu para passar. O porteiro escutou vozes dizendo:- Não abras, essa gente tem mania que passa à frente!
E a porta não foi aberta. (2) Chegou um mulato moçambicano, querendo entrar. De novo, se escutaram protestos:
– Não deixa entrar, esses não são a maioria.
(3) Apareceu um negro moçambicano solicitando passagem. E logo surgiram protestos:
– Esse aí é do Sul! Estamos cansados dessas preferências…
(4) Foi então que surgiu um estrangeiro, mandando em inglês, com a carteira cheia de dinheiro. Comprou a porta, comprou o porteiro e meteu a chave no bolso.
(5) Depois, nunca mais nenhum moçambicano passou por aquela porta que, em tempos, se abria de Moçambique para Moçambique.
A partir das passagens (1), (2), (3) e (4), poderíamos formular o seguinte: que a porta representa uma entidade e o porteiro a consciência dessa entidade, que também é guiada por outra consciência: “as vozes”. Porém, na última passagem (5), percebemos uma atitude alienante do porteiro e a ênfase na imagem do “estrangeiro, mandando a inglês”, como superior.
Não obstante, verifica-se no texto, quando a porta é comprada pelo estrangeiro, o silenciar das vozes que outrora gritavam ao porteiro. Portanto, observamos aqui a submissão do porteiro a um ideal e, eventualmente, a um regime.
Concluindo, “A porta” é um bom exercício de cidadania, que nos leva a questionar o seguinte: Será que somos independentes, se considerarmos que o materialismo estrangeiro define o nosso destino, como povo? Até quando precisaremos de estar submetidos a um regime opressor e que coloca fronteiras entre nós? Comparando os cenários da crónica de Mia Couto com a actualidade moçambicana, será que o porteiro representa a imagem do nosso país?
Bibliografia
– Couto, Mia (2003). O país do queixa andar. Maputo: Editorial Ndjira.
*Texto escrito como actividade da oficina A escrita e a crítica literária e jornalística, orientada pelo ensaísta e jornalista José dos Remédios, no Centro de Língua Portuguesa, Faculdade de Letras e Ciências Sociais, Universidade Eduardo Mondlane.