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A instabilidade no Estreito de Ormuz mantém-se, depois de uma embarcação ter sido atingida durante a madrugada desta terça-feira, por um projéctil de origem desconhecida.

O incidente ocorre num momento em que Washington insiste que decorrem negociações com o Irão para reabrir uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, enquanto Teerão rejeita qualquer diálogo directo com os Estados Unidos.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu ontem que as conversações com o Irão estão em curso e poderão conduzir à reabertura do Estreito de Ormuz esta terça-feira.

A resposta iraniana foi imediata. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou que existam negociações directas com os Estados Unidos, esclarecendo que os contactos decorrem exclusivamente com Omã, país que procura mediar um entendimento destinado a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

O estreito permanece, contudo, fortemente condicionado desde o início de Julho, quando fracassou o processo de desanuviamento entre Washington e Teerão e o Irão voltou a restringir a circulação marítima.

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O Exército israelita anunciou, esta quinta-feira, ter completado o cerco à cidade de Gaza, uma semana após o início da sua operação terrestre no território palestino da Faixa de Gaza.

“Os nossos soldados completaram o cerco à cidade de Gaza, o centro da organização terrorista Hamas”, declarou em conferência de imprensa o porta-voz do Exército israelita, Daniel Hagari, citado pelo Notícias ao Minuto.

O porta-voz do exército reiterou que o conceito de um cessar-fogo não está em cima da mesa.

O Hamas lançou um ataque surpresa contra Israel, no dia 07 de Outubro último, considerado o mais intenso dos últimos anos. O ataque fez mais de 1.400 mortos, na maioria civis, e mais de 200 reféns e originou uma retaliação em força do exército israelita, com bombardeamentos diários ao norte daquele enclave controlado pelo Hamas.

Do lado de Gaza, fala-se de 9.061 mortos, incluindo 3.760 crianças, segundo as autoridades locais.

A gigante energética Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) logrou uma produção acima da meta planificada para o terceiro trimestre do ano, em 14,3%. Com os níveis alcançados, a firma prevê superar o tecto previsto para o fecho do ano, fixado em 15,488 GWh, tornando o país um player de referência na região.

A HCB S.A., registou, até ao final do terceiro trimestre de 2023, uma produção hidro-energética na ordem dos 12 120,4 GWh, correspondente a 14,3% acima do planeado, num ano cuja meta de produção definida é de 14,292 GWh. 

Assim, a firma prevê superar as metas, atingindo a fasquia dos 15,488 GWh, o que fortalecerá a posição estratégica de Moçambique como um player energético regional.

Em comunicado, divulgado na página da instituição, o Presidente do Conselho de Administração da HCB, Tomás Matola, feriu que, no período em análise, “a HCB logrou alcançar uma facturação de pouco mais de 54,2% das receitas planeadas para o período, ao mesmo tempo que encerrou com sucesso as negociações sobre o ajustamento da tarifa de exportação de energia”.

Estes factores conjugados representam ganhos significativos para a empresa e para o país, quando comparado às produtoras de energia de outras nações da região. Aliás, as cifras apresentadas contribuirão para a realização de investimentos críticos nos equipamentos da cadeia de produção e em projectos de incremento da capacidade de geração energética, que se prevê chegar aos 4000 MW, até 2032, segundo avançou Matola. 

No que concerne à disponibilidade hídrica, no início da época chuvosa 2023/2024, a HCB apresentava uma cota de armazenamento de 323,47 MW, correspondente a capacidade útil de 87%, resultante da quantidade de água proveniente das barragens de montante e dos escoamentos gerados na bacia própria de Cahora Bassa. 

O documento refere ainda que a presente cota é satisfatória e, conjugada com uma gestão criteriosa, técnico-científica e por meios tecnológicos ao dispor da empresa, assegurará o processo de geração de energia até ao final do ano.

Num outro desenvolvimento (recente), o PCA da HCB referiu que a empresa apresenta uma evolução muito positiva dos seus indicadores de performance, operacionais e financeiros, igualmente reflectidos no robustecimento do seu balanço, a que acresce o anúncio de futuros investimentos que por princípio deverão acrescentar valor à empresa.

Entretanto, há um paradoxo entre a performance e os preços das acções, que estiveram a ser comercializadas abaixo do seu valor real. O facto foi comprovado pelo primeiro relatório Research sobre Mercado de Capitais em Moçambique, que tomou como pressupostos as variações do preço de venda das acções da HCB, de 2019 a esta parte.

Aquando da sua admissão ao mercado bolsista em 2019, cada acção transaccionada tinha cotação inicial de três Meticais. Dois meses depois da entrada em bolsa, as acções da HCB sofreram uma notável valorização, tendo atingido o seu valor máximo de 13,75 Meticais por acção, mais do que quadruplicado o seu valor original. Entretanto, o preço caiu para 1,17 Meticais por acção em Outubro de 2022 e, até Setembro passado, era transaccionada a 2,5 Meticais.

Em relação a essa discrepância entre os indicadores prudenciais e financeiros da empresa com o preço de compra e venda de acções da HCB, a  Filantia, autora da pesquisa, esclarece que o desfasamento aparente entre a cotação da empresa e aquilo que os indicadores operacionais e financeiros fariam esperar é, em certa medida, explicado pelo mecanismo de fixação de preço da acção no mercado secundário. Explica-se, também, pela deficiente percepção do valor da empresa, pelo que vão dando ordens de venda da acção, recorrentemente colocando-a abaixo do valor de cotação inicial, apesar de os indicadores de performance expressivamente contrariarem essa tendência, diz o relatório.

Um outro factor chamado à colação é o facto de a HCB ter uma política conservadora de distribuição de dividendos, que poderão influenciar negativamente a percepção do investidor. Ou seja, “se o investidor apenas considera o retorno imediato do seu investimento por via dos dividendos recebidos (não valorizando o facto de que, reinvestindo os lucros não distribuídos, a HCB deverá acrescentar valor à própria empresa), é natural que atribua um valor menor à HCB, ignorando informação essencial à sua avaliação”, como referiu o relatório.

Parte dos planos que se entende que estejam por detrás da tímida distribuição de dividendos é   a nova aposta da firma, a construção  da Central  Central  Fotovoltaica à Norte HCB, na província  de  Tete, cujas obras só serão concluídas em  2032, segundo fontes da empresa.

Para o efeito, foi  assinado, há duas semanas,  um acordo  entre  a  empresa  e  a  Internacional  Finance  Corporation, para  a realização  de um  estudo de pré-viabilidade para  desenvolver o projecto.

A  central  Norte  terá  a  capacidade  de  produzir 1245 MegaWatts.

Em 1974, António Santos ofereceu à esposa, Ercília Rodrigues, o restaurante Galo de Ouro. O empreendimento funcionou em Vanderbijlpark, na África do Sul, por vários anos. Nessa altura, Celestino Santos, um dos três filhos do casal, tinha 14 anos de idade e nem sequer poderia imaginar que a sua vida iria afirmar-se na restauração. Quer dizer, mesmo sem se dar conta disso, o então adolescente teve tempo para aprender a observar a técnica da cozinha, de perguntar, de experimentar, de provar, de aprovar, de reprovar e de fazer da mistura dos ingredientes uma forma de amar os outros.

Da mãe, Celestino Santos aprendeu a cozinhar, sobretudo, grelhados de mariscos. Do pai, aprendeu a confeccionar pratos de tacho, como feijoada e guisados. Essa foi a combinação perfeita para aprender a sonhar com a culinária, uma década e meia depois de ter nascido na Beira. É de 1960 e o Chiveve é o seu chão e o lugar de afecto. No entanto, a ambição de trilhar um percurso internacional levou-lhe a explorar outros ares, tendo assentado arraiais na África do Sul.

Na terra dos bicampeões mundiais de rugby, os Springboks, onde este artigo é escrito no restaurante The Diner, Celestino Santos trabalhou durante anos, na Vanderbijlpark. Mas a saudade de casa atraiçou-lhe e Maputo, agora, é o seu doce lar. É a partir da Cidade das Acácias que se projectam os gostos e os sabores da sua culinária, ali bem pertinho do Jardim Dona Berta e da Associação dos Músicos.

A vida de Celestino Santos é dedicada à culinária. Quando conversa sobre comidas, imprime nas palavras alguns temperos e tantas outras coisas que colocam o interlocutor com água na boca. Precisamente por isso, e por reconhecer as suas habilidades com a culinária, a Embaixada da França em Moçambique convidou-lhe a participar no fórum “Nosso futuro: diálogos África-Europa”, na Cidade de Port-Louis, capital das Maurícias.

Naquele país que se encontra a cinco horas de voo de Maputo, com escala pelo meio, Celestino Santos vai participar num painel sobre culinária. O evento, na verdade, vai servir para o chief de cozinha partilhar ideias essencias que concorrem para aproximar pessoas e culturas através da culinária.

Nas Maurícias, Celestino Santos vai participar numa performance de culinária subordinada ao tema “Socialização através da comida: questionando e explorando”. Basicamente, o beirense espera, no regresso ao país onde esteve pela primeira vez em 1987, há 36 anos, o seguinte: “A minha expectativa é debater assuntos que nos ligam, africanos e europeus. Importa pensarmos, por exemplo, na produção de alimentos para as pessoas e no que isso implica em termos de convívio”.

A sessão de Celestino Santos está marcada para esta sexta-feira. No debate, o cozinheiro também vai explicar como o aproveitamento dos espaços pouco explorados, nas escolas ou universidades, podem ser decisivos para o desenvolvimento da agricultura sistematizada e, consequentemente, para estabilidade alimentar.

Apesar dos seus 45 anos de carreira na culinária, Celestino Santos confessa que espera aprender bastante, no fórum “Nosso futuro: diálogos África-Europa”, afinal “Na culinária e na vida aprendemos sempre e de todos”.

Expectante em reviver Port-Louis, essa cidade no meio do Índico, Celestino Santos quer conhecer gente, trocar impressões com os cinco cozinheiros convidados ao debate e, portanto, levar à gastronomia moçambicana outras e inovadoras possibilidades de confeccionar os alimentos. Pois, segundo afirma, Moçambique tem tudo, em termos de produtos alimentares. O que acontece é que as receitas de culinária, geralmente nos restaurantes, são importadas. Ao invés de só importar receitas, o cozinheiro quer compreender novos processos, e dar a conhecer as suas técnicas, de modo que possa agradar o paladar dos que apreciam comer bem. Afinal, “Somos o que comemos”.

”Nosso futuro: diálogos África-Europa”

O fórum “Nosso futuro: diálogos África-Europa” vai realizar-se a partir desta sexta-feira até domingo. A iniciativa é do Instituto Francês de Paris e o Instituto Francês de Maurícias e os seus parceiros locais. Fundamentalmente, trata-te de um debate público-regional. Esta será a quarta vez de uma série de nove fóruns regionais África-Europa, que terão lugar nos próximos anos, no continente africano.

Antes deste fórum, houve outros três da série: Joanesburgo, Yaoundé e Argel. O fórum vai promover as recomendações feitas na sequência da Nova Cimeira África-Europa (Montpellier, 8 de Outubro de 2021).

O Ministro dos Veteranos de Libertação do Zimbabwe diz que Samora Machel foi uma figura fundamental para o alcance da independência do seu país e contribuiu para a celeridade do processo.

Zimbabwe esteve presente nas celebrações dos 90 anos do nascimento de Samora Machel, representado pelo Ministro dos Veteranos da Libertação, Christopher Mutsvangwa. Na ocasião, o governante destacou o papel do primeiro Presidente de Moçambique no processo de libertação de Zimbabwe.

“Foi muito bom porque queriam um mundo unido para apoiar o Zimbabwe, e foi isso que o Presidente Samora Machel fez. Embora a União Soviética tivesse muitas dificuldades em apoiar a ZANU, Samora Machel manobrou, foi para Cuba. Ele convenceu os cubanos a treinar-nos na Etiópia, mesmo quando a União Soviética não estava particularmente feliz. Mas também, porque estávamos a lutar a partir de Moçambique, era mais fácil infiltrar-nos por causa das montanhas. São mil quilómetros do Limpopo ao Zambeze”, relatou Christopher Mutsvangwa, Ministro dos Veteranos de Libertação do Zimbabwe.

Zimbabwe reconhece que houve progressos rápidos na luta de libertação a partir de Moçambique, devido à proximidade do centro das operações. “Fizemos progressos mais rápidos no combate a partir de Moçambique do que no combate a partir da Zâmbia, tentando atravessar o rio Zambeze. E os rodesianos ficavam à espera naquele grande rio. Quem tentasse atravessar levava um tiro. Então, tivemos uma vantagem natural, porque construímos uma relação com o Frelimo deste lado.”

A influência política no campo cultural foi um dos temas debatidos na Conferência Internacional Samora Machel.

O historiador Icéu Sitoe voltou ao passado para criticar a cultura nacional nos primeiros anos após o alcance da Independência.

“Nós adoptámos uma série de contradições culturais, essas contradições fizeram com que algumas questões culturais sofressem alguns efeitos de uma espécie de violência simbólica e eu cito alguns exemplos concretos: questões que têm a ver com curandeirismo, lobolo, ritos de iniciação e morte. Nos primeiros sete anos da independência, notam-se questões que foram inflamáveis em nome da cultura”, defendeu.

A Conferência Internacional Samora Machel decorre sob o lema “Desafios de convivência pacífica e desenvolvimento socio-económico dos povos da região de 1960 ao séc XXI”.

Foi lançado, ontem, em Maputo, o livro “O Provedor de Justiça”, da autoria de Lídia Soares. A obra apresenta, em seis capítulos e 164 páginas, a figura do provedor de justiça aos moçambicanos.

A obra intitulada “O Provedor de Justiça – Materialização e Consolidação da Democracia em Moçambique”, da autoria de Lídia Soares, é uma apresentação da figura do provedor de justiça à sociedade moçambicana.
Apresentadora do livro, a Presidente do Conselho Constitucional considera a obra um ganho para o cidadão, para a academia e para o Estado de Direito.

“A obra está escrita de forma acessível para os juristas, para o cidadão leigo, com destaque para o universo de pessoas que mais utilidade tirarão deste Provedor de Justiça, assim como aos administrados no controlo por intermédio do Provedor de Justiça, da legalidade e da justiça na actuação da administração pública”, indicou Lúcia Ribeiro, presidente do Conselho Constitucional.

Numa cerimónia que contou com a presença de governantes, académicos e diversos actores do sector da justiça, a autora da obra por suas próprias palavras quem é esta figura que apresenta aos leitores.

“Uma grande parte dos cidadãos moçambicanos ainda não sabe que existe um Provedor de Justiça em Moçambique eleito pela Assembleia da República, isto é, pelos representantes do povo para defender os seus direitos contra as ilegalidades e as injustiças cometidas por acção ou omissão pelos poderes públicos. Ainda que saibam, não compreendem muito bem as suas funções e, consequentemente, não se beneficiam delas como deveriam”, constatou Lídia Soares, a autora do livro.

É neste sentido que, entende a autora, “na obra procurei mostrar as diferentes facetas do Provedor de Justiça, como pacificador e mediador entre o cidadão e a administração pública desde o atendimento ao cidadão, a importância do acatamento das recomendações, a força do poder de persuasão que o Provedor de Justiça tem até à reposição da justiça e a melhoria dos serviços públicos prestados aos cidadãos”.

O Provedor de Justiça considera que a obra vai ser um dos canais para fazer conhecer este órgão do Estado por parte dos cidadãos.

“Esta é uma oportunidade que nós trouxemos para a sociedade para que as pessoas possam compreender o livro. Nesta perspectiva, o livro é muito rico em exemplos e vai ser um útil para toda a gente, para academia e vamos todos nós ficar a saber melhor sobre qual é o papel, atribuições e competências do provedor de justiça”, referiu Isaque Chande, Provedor de Justiça.

A autora do livro foi assessora do Provedor de Justiça e o livro traz as acções deste órgão a nível de todo o país no período entre 2012 e 2022.

A secretária-geral-adjunta das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Joyce Msuya, está em Moçambique e quer advogar para que continue o apoio para a  população necessitada em Cabo Delgado e outros que poderão ser afectados pelas calamidades naturais.

As guerras na Ucrânia, no Médio Oriente, no Centro e Norte de África estão a empurrar milhares de pessoas para a dependência de ajuda humanitária. Essa situação pode complicar a vida daqueles que já vinham dependendo dessa ajuda, como é o caso das vítimas do terrorismo, ou mesmo das calamidades naturais no nosso país.

A tanzaniana Joyce Msuya ocupa o cargo de secretária-geral-adjunta das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e está em Moçambique para se inteirar da situação da vulnerabilidade do país para advogar por mais recursos, sobretudo para Cabo Delgado.

“Agora que falamos, há crise em Gaza, no Afeganistão, no Sudão, na RDC… posso dar uma lista longa. Isto significa que há uma grande necessidade humanitária, e estou aqui para advogar por mais recursos para as necessidades humanitárias em Cabo Delgado. Depois de visitar, amanhã [quinta-feira], terei uma melhor ideia, incluindo histórias das comunidades. Assim, poderei levá-las para advogar, fora de Moçambique, por mais recursos”, disse Joyce Msuya.

A responsável aprecia a hospitalidade da província de Nampula que continua a acolher as vítimas do terrorismo, sendo que o maior exemplo é o centro de reassentamento de Corrane. “Porque estou em Nampula, devo expressar profundos agradecimentos ao governador e ao Secretário de Estado pelo humanismo que têm prestado. Acho que é muito importante para o Norte. Por exemplo, Nampula é a província mais populosa de Moçambique, e há crise humanitária em Cabo Delgado e noutras partes, devido aos desastres naturais a que temos assistido, como ciclones e também conflitos, mas o bom é a forma como os residentes de Nampula têm recebido e acolhido as pessoas de Cabo Delgado nas suas comunidades, dando-lhes abrigo”, frisou Msuya.

O Programa Mundial de Alimentação é a agência das Nações Unidas que tem prestado grande apoio a Moçambique na assistência alimentar aos deslocados internos devido aos conflitos armados, assim como às vítimas de cheias e seca.

Subiu para nove o número de vítimas mortais em consequência do desabamento de cerca de 400 casas causadas pelas fortes chuvas  no Gurúè,  província da Zambézia.    Fontes governamentais indicam que 334 pessoas foram afectadas, registando-se, neste momento, um cenário desolador nos semblantes de quem acumulou prejuízos por conta das enxurradas dos últimos dois dias. A perda de familiares e amigos deixou chocados os residentes que foram surpreendidos com a queda de chuvas e ventos fortes.

“Nós estávamos em casa, por volta das 20h00. Jantámos e depois estendemos as nossas esteiras. De repente, a chuva começou a cair e o muro cedeu, afectando a nossa casa. Os meus filhos e minha irmã não escaparam com a queda do muro”, contou Natália Lourenço, uma das vítimas.

Por sua vez, Lourenço Leonardo disse que “eu estava na outra margem da machamba quando começou a chover muito, e os vizinhos ligaram a dizer que morreram pessoas.” A Secretária de Estado da Zambézia, Cristina Mafumo , deslocou-se a Gurúè para se inteirar  da tragédia e solidarizar-se com as famílias. Mafumo orientou, na tarde desta quarta-feira, a reunião do centro operativo de emergência distrital.

“Queremos, também, aproveitar esta oportunidade que a imprensa nos dá para continuarmos a apelar às pessoas para que já estamos na época  ciclónica-chuvosa 2023-2024 para se retirarem das zonas de risco. E, também, dizer que Gurúè e Gilé estão a registar um surto de diarreia. Queremos, uma vez mais, apelar à nossa população para olhar para questões de saneamento do meio, principalmente na lavagem das mãos e de géneros alimentícios antes da sua confecção”, apelou. As vítimas das enxurradas carecem de diversos apoios, bem como assistência  psico-social.

O Presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, desculpou-se pelos massacres sangrentos durante o domínio colonial alemão na Tanzânia e garantiu que a Alemanha está disposta a reconciliar-se com o passado.

Durante a sua visita ao país africano, o Presidente alemão pediu perdão pelos actos de violência cometidos pelos dirigentes coloniais alemães na então África Oriental Alemã. 

“Curvo-me perante as vítimas do domínio colonial alemão”, disse Frank-Walter Steinmeier durante uma visita à cidade tanzaniana de Songea. “Como Presidente alemão, quero pedir-vos perdão pelo que os alemães fizeram aos vossos antepassados aqui”,  enfatizou.

Segundo escreve a DW, o Presidente da Alemanha disse envergonhar-se dos actos dos colonizadores na então África Oriental Alemã. Dirigindo-se às famílias das vítimas, disse: “Gostaria de vos assegurar que nós, alemães, procuraremos convosco respostas para as perguntas que não vos deixam em paz”.

Steinmeier fez as suas declarações na cidade de Songea, que se situa na região onde se registou uma revolta contra os colonizadores alemães entre 1905 e 1907. Naquela altura, várias tribos uniram-se contra a África Oriental Alemã. 

A sua resistência ao trabalho forçado nas plantações ou ao aumento constante dos impostos transformou-se na Guerra Maji-Maji, que se estendeu a todo o sul da colónia. 

Os alemães reagiram com dureza, mandaram executar os líderes e destruíram campos e aldeias. Muitas pessoas morreram de fome. Segundo as estimativas, o número de vítimas do lado tanzaniano ascende a 300 mil pessoas.

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