A instabilidade no Estreito de Ormuz mantém-se, depois de uma embarcação ter sido atingida durante a madrugada desta terça-feira, por um projéctil de origem desconhecida.
O incidente ocorre num momento em que Washington insiste que decorrem negociações com o Irão para reabrir uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, enquanto Teerão rejeita qualquer diálogo directo com os Estados Unidos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu ontem que as conversações com o Irão estão em curso e poderão conduzir à reabertura do Estreito de Ormuz esta terça-feira.
A resposta iraniana foi imediata. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão negou que existam negociações directas com os Estados Unidos, esclarecendo que os contactos decorrem exclusivamente com Omã, país que procura mediar um entendimento destinado a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
O estreito permanece, contudo, fortemente condicionado desde o início de Julho, quando fracassou o processo de desanuviamento entre Washington e Teerão e o Irão voltou a restringir a circulação marítima.
O Espaço Cultural 16 Neto realiza a terceira edição do Hot November, que vai decorrer no dia 18 deste mês, das 10h às 22h.
Hot November é um evento que conta com uma colectânea de actividades como: feira, workshops, performances e diversos.
As apresentações musicais do Hot November terão início às 15h. Shelcia Mac fará o concerto de abertura, apresentando a sua mais recente obra musical intitulada “Regalia”, cuja composição deriva do estilo alternativo mesclado a vários géneros musicais. Em seguida, às 16h10 do dia 18 de Novembro, no 16Neto, Lenox Cambula tomará conta do palco apresentando o “Sentimento proibido”, onde por meio da sua voz contará histórias prazerosas e dolorosas como fases que compõem um relacionamento.
Quando forem 17h20, The Rose tomará o controle do palco apresentando a sua performance intitulada “BitterSweet”, uma jornada musical que explora nuances da vida, alternando entre momentos agridoces. Com essa obra, avança a nota de imprensa, a artista convida o público a explorar o seu verdadeiro eu e a evolução constante que busca como ser humano. Sua performance ao vivo busca reconhecer as complexidades da existência humana, abordando várias perspectivas e facetas dessa experiência.
A performance de Cynthia Soares, a ser apresentada este sábado, às 18:30, terá como tema “Etapas”, uma narrativa de um relacionamento que terminou em decepção, tendo como foco os sentimentos da pessoa que foi magoada. Cada música irá representar uma etapa do relacionamento desde o início até o término.
Para encerrar em grande estilo, Mano Keyce dará o seu “O último canto”, uma experiência musical misturada entre easy listening e groove, apresentando os géneros Chill-out, Lo-fi, e PandzaLove, que é uma versão “romântica” do pandza.
Milhões de crianças estão sem a primeira dose da vacina contra o sarampo, a maioria nos continentes africano e asiático, que são as regiões mais afectadas por surtos desta doença. Estes são os dados de um novo relatório de organizações internacionais,citadas pelo Notícias ao Minuto.
O documento da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) indica que os casos de sarampo aumentaram 18% em 2022 e as mortes subiram 43% em todo o mundo, em relação ao ano anterior.
O número estimado de casos de sarampo foi de nove milhões, dos quais 136.000 mortais, atingindo principalmente as crianças.
No ano passado, de acordo com a fonte, 37 países registaram surtos de sarampo “grandes ou perturbadores” (22 em 2021), dos quais 28 se situam na região da OMS para África, seis no Mediterrâneo oriental, dois no sudeste asiático e um na região europeia.
Trata-se de uma doença que pode ser prevenida com duas doses da vacina, mas em 2022 cerca de 33 milhões de crianças tinham em falta uma dose da vacina contra o sarampo, dos quais 22 milhões perderam a primeira dose e outros 11 milhões perderam a segunda dose.
A taxa de cobertura global da primeira dose da vacina (83%) e da segunda dose (74%) ainda estava muito abaixo da cobertura de 95% com duas doses, que é necessária para proteger as comunidades de surtos.
Os países de baixos rendimentos, onde o risco de morte por sarampo é mais elevado, continuam a apresentar as taxas de vacinação mais baixas, com apenas 66%, “uma taxa que não revela qualquer recuperação em relação ao retrocesso verificado durante a pandemia” de covid-19.
Segundo as duas organizações, dos 22 milhões de crianças que não receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo em 2022, mais de metade vive em 10 países: Angola, Brasil, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia, Madagáscar, Nigéria, Paquistão e Filipinas.
Dois programas financiados pela União Europeia no sector cultural, PROCULTURA PALOP-TL e ACP-EU Culture, vão apoiar a participação de cinco artistas no Festival Internacional de Dança Contemporânea KINANI, em Maputo.
Os programas da União Europeia, avança uma nota de imprensa, estão a organizar conjuntamente um painel de discussão sobre o tema “Dançar em África: mobilidade internacional, formação e parcerias”. Os artistas Bibiana Figueiredo, luso-angolana residente em São Tomé e Príncipe, Bruno Amarante (Djam Neguim) de Cabo Verde, e Osvaldo Passirivo, moçambicano, beneficiários do PROCULTURA, mais Khodia Touré, senegalesa e Taurai Moyo, do Zimbabwe, beneficiários do ACP-EU Culture, vão partilhar as suas experiências promovendo o diálogo e a reflexão sobre os desafios actuais enfrentados pelos profissionais da dança e da coreografia em África.
A discussão será conduzida pela especialista e curadora polaca Julia Asperska. Além disso, os artistas terão a oportunidade de participar em todas as actividades do festival, promovendo a internacionalização do seu trabalho e ao mesmo tempo estabelecendo ligações com outros artistas e instituições do sector da dança.
O Kinani é uma bienal internacional criada em 2005 em Maputo, que figura entre os principais eventos de dança contemporânea do continente africano. É conhecido pela consistente inovação, mobilizando um público cada vez mais amplo. Este ano, o festival acolhe a ‘Biennale de Danse en Afrique’, o maior evento de dança no continente, que reúne personalidades internacionais de destaque no sector. Estes artistas representam vários países unidos pelo desejo de desenvolver a dança contemporânea em África.
“A participação conjunta do PROCULTURA e do ACP-EU Culture representa uma oportunidade única para fomentar ligações internacionais entre bailarinos, coreógrafos, produtores e outros profissionais da dança. Serve também para sublinhar a relevância dos dois programas financiados pela União Europeia, das suas acções, projectos e dos artistas”, lê-se na nota de imprensa.
A FIBA-África abriu uma excepção para que o campeão nacional de 2023 participasse da fase final da Liga Africana de Basquetebol Feminino (AWBL) , o Ferroviário de Maputo anuiu. Ou seja, depois de ter anunciado a desistência da fase de qualificação que devia decorrer em Luanda, Angola, por motivos financeiros, o Ferroviário de Maputo vai mesmo marcar presença no certame a decorrer de 11 a 19 de Dezembro, no Cairo, Egipto.
O facto foi confirmado esta quinta-feira pelo presidente do Conselho de Administração da Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Francisco Agostinho Francisco Langa Júnior.
Júnior falava durante uma homenagem às campeãs nacionais de basquetebol sénior feminino (vencedoras da Liga Sasol na última terça-feira, depois de uma vitória sobre o Costa do Sol por 56-44 no jogo 2 do “play-off da final).
É o regresso do Ferroviário de Maputo a um palco que foi talismã, em 2019, depois de ter conquistado a extinta Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol com vitória apertada sobre o Interclube de Angola, por 91-90, resultado encontrado no prolongamento.
A edição de estreia da Liga Africana de Basquetebol Feminino (AWBL) contará com a participação de 12 equipas.
De acordo com a FIBA-África, os conjuntos participantes têm a prerrogativa de inscrever oito atletas nacionais e mais quatro estrangeiras.
Para já, oito equipas garantiram as suas vagas na prova, enquanto as restantes cinco serão encontradas no decurso das eliminatórias de acesso nas várias regiões.
O Sporting Alexandria, que venceu a edição de 2022 da Taça dos Clubes Campeões Africanos, em Maputo, e o Al Ahly Sporting Club, serão os representantes do Egipto. Há ainda a assinalar a presença da KPA do Quénia (Autoridade Portuária), que conquistou a fase de qualificação para o nível da zona cinco, prova disputada em Kigali, Ruanda.
Outrossim, a Overdose Up Station e Universite Douala também garantiram vaga na fase final do certame.
A FIBA-África escreve, no seu sítio, que as do Primeiro de Agosto e Inter Clube se qualificaram para o torneio sem disputar as eliminatórias da zona seis, uma vez que o Costa do Sol e o Ferroviário de Maputo (que recebeu o convite em virtude de ser campeão nacional de 2023), UNAM Phoenix (Namíbia) e UZ Sparks (Zimbawe) não terem comparecido às eliminatórias em Angola “devido a algumas razões logísticas”.
CARLOS DEZANOVE PARTICIPA NA CONVENÇÃO AFRICANA DE “MINI-BASKET.”
O treinador-adjunto do Ferroviário de Maputo, Carlos Dezanove, e a jogadora da Lázio, Crizalda Chemane, participam, de 23 a 25 de Novembro de 2023, em Dar-Es-Salaam, Tanzânia, na 5.ª edição da Convenção Africana de “mini-basket.”
Organizado pelo escritório regional da FIBA -África, com o apoio da Fundação FIBA, o evento irá contar, para além dos moçambicanos, com a participação de 400 crianças com idades compreendidas entre os 5 e 12 anos, 50 treinadores e 19 delegados de 16 países.
Carlos Dezanove e Crizalda Chemane terão a oportunidade de testemunhar um evento que tem como objectivo fundamental formar treinadores, promover o mini-básquete em África e criar uma experiência positiva e duradoura para os jovens participantes para mantê-los na comunidade do basquetebol.
“Este programa garante uma viagem emocionante e envolvente. Em linha com os princípios do basquetebol, este programa também corresponde às três estratégias principais da FIBA: expandir a comunidade FIBA, capacitar as federações nacionais e promover as mulheres no basquetebol. A
Fundação FIBA é o braço social e patrimonial da FIBA que aborda o papel do desporto, em particular do basquetebol, na sociedade, preservando e promovendo os valores e o património cultural do basquetebol. Este fórum tem como objectivo esclarecer”, lê-se no sítio da FIBA-África.
As edições anteriores tiveram lugar em Abidjan, em 2021, e em Nouakchott, em 2022, sendo que, na última, as crianças receberam ferramentas e metodologias específicas para despertar o interesse pela disciplina, ao mesmo tempo que incutiram valores importantes relacionados com o basquetebol.
O programa “Mini Basket” da Fundação FIBA é uma iniciativa global “Basketball For Good”, que visa, essencialmente, melhorar a saúde e o bem-estar de crianças dos 5 aos 12 anos e combater a inactividade física e a obesidade infantil. É um movimento de basquetebol inclusivo dirigido a rapazes e raparigas e seus encarregados de educação, utilizando aprendizagem lúdica e baseada em jogos.
Os membros da Renamo em Marracuene, Província de Maputo, saíram à rua, esta quinta-feira, para contestar os resultados das “autárquicas” anunciados pela Comissão Nacional de Eleições. O respectivo cabeça-de-lista diz que, se a situação prevalecer, o povo não vai pagar impostos.
Rahil Khan e outros membros e simpatizantes da Renamo saíram, esta quinta-feira, para caminhar pelas ruas de Marracuene. Tratou-se da primeira passeata depois da divulgação dos resultados das eleições autárquicas de 11 de Outubro.
A contestação visava pressionar o Conselho Constitucional a ser justo, de acordo com Rahil Khan. A marcha que se iniciou às 10 horas partiu da vila de Marracuene e terminou no mercado de Albazine.
Eram já por volta das 11h00 quando o cabeça-de-lista da Renamo, para a autarquia de Marracuene, falou ao jornal O País. Rahil Khan disse que não vai parar até que a verdade seja reposta.
“Apoiar o roubo, apoiar a mentira, isso não é próprio dos moçambicanos, o moçambicano não pode fazer isso porque nós não ensinamos isso lá em casa, Portanto, é tempo de mostrarmos que os moçambicanos amam a verdade”, disse.
A Renamo garante que as marchas em Marracuene são para continuar, até que se declare que este partido venceu as eleições de 11 de Outubro. “Se até lá nada mudar, nós vamos decretar novas medidas. Vamos convocar o povo a não pagar os impostos, a partir do momento em que o princípio de não pagamento dos impostos em Marracuene, vai haver um caos aqui”, ameaçou.
“Gostaríamos que não houvesse derramamento de sangue, nós não somos pela violência, mas, se por acaso formos empurrados, não teremos outra alternativa.”
Tal como em vários municípios onde a Renamo perdeu, segundo a CNE, em Marracuene, Rahil Khan ameaçou declarar o município num Estado autónomo, caso o Conselho Constitucional não valide a sua vitória naquela autarquia. “Se em último caso eles não mudarem, vamos declarar o nosso distrito um Estado.”
O Presidente do Malawi suspendeu, esta quinta-feira, todas as viagens de governantes, incluindo ele próprio, ao exterior. A medida surge como forma de conter os custos do país, após a desvalorização da moeda local.
Todos os ministros e funcionários públicos do Malawi, que viajaram ao exterior, foram ordenados a regressar ao país pelo seu Presidente Lazarus Chakwera.
Chakwera anunciou esta quinta-feira a suspensão de viagens de governantes e funcionários públicos, incluído o Presidente da República, ao exterior, até ao final do exercício financeiro, em Março de 2024, como medida de contenção de custos.
Para o caso dos ministros que estão de viagem no exterior, o Presidente malawiano ordenou que estes regressassem.
“Qualquer viagem considerada absolutamente necessária por qualquer pessoa durante esse período deve ser submetida ao meu escritório para minha autorização pessoal”, disse Chakwera.
O Presidente malawiano ordenou ainda que todos os direitos de combustível para ministros, secretários principais, directores e todos os membros da alta administração de instituições públicas sejam reduzidos pela metade.
O país da África Austral enfrenta uma crise económica que resultou na escassez de combustível, no aumento dos preços dos alimentos e na escassez de divisas.
Na semana passada, o banco central anunciou que estava a desvalorizar a taxa de câmbio da moeda local, kwacha, em relação ao dólar em cerca de 30%.
Cinquenta e sete milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar e nutricional na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral.
Este número representa dezanove por cento da população da região da SADC. A situação resulta de vários factores, entre os quais as mudanças climáticas, os efeitos da COVID-19, a guerra russo-ucraniana, o conflito entre Israel e Hamas e os respectivos impactos económicos.
Os dados foram divulgados pelo director de Alimentação, Agricultura e Recursos Naturais da SADC, à margem da reunião anual das Redes das Áreas de Conservação Transfronteiriças.
Domingos Gove disse que a situação de nutrição e segurança alimentar é preocupante na SADC, e apontou casos de países onde trinta por cento da população passa fome.
Segundo Gove, é preciso potenciar a produção e quebrar as barreiras na movimentação dos produtos agrícolas entre os países da SADC, para que o pouco que se produz seja acessível entre Estados-membros desta organização regional.
Por Alexandre Chaúque
Será neste mês de Novembro que Aurélio Furdela, escritor moçambicano recentemente premiado no concurso “Eugénio Lisboa”, assinala vinte anos de carreira literária. É um marco importante, uma espécie de desapertar dos cintos na altitude, ou seja, de respeitados e reconhecidos estudiosos, nomeadamente Ana Mafalda Leite e o brasileiro João Olinto, chega o reconhecimento de que Furdela atingiu o amadurecimento no seu romance Saga d’ouro, onde avulta a habilidade do escritor na combinação da história e ficção, feitos numa prosa de proa. E era isso que faltava ouvir dos críticos autorizados, para que sobre Furdela não houvesse mais dúvidas.
Torna-se ainda mais reconfortante e importante, não só para o escritor, como para a própria literatura moçambicana, que no alto patamar onde é colocado Ungulani Ba ka Khosa e Mia Couto, esteja Aurélio Furdela. Então não faltarão motivos de sobra para que a celebração dos vinte anos de trabalho feito com denodo, tenha um condão especial.
Aurélio Furdela vem de um percurso que jamais passou despercebido. Para além de escritor, é dramaturgo, guionista e letrista, com livro de estreia De medo Morreu o Susto (conto), publicado pela AEMO. Em 2003, lança a colectânea de crónicas O Golo que Meteu o Arbitro (AEMO) 2006. Em 2012 publica o segundo livro de contos, As Hienas Também Sorriem (AEMO). Em 2018 publicou o Romance Saga d’Ouro, pela Imprensa Nacional Casa da Moeda Portugal, obra traduzida e pblubicada na Espanha pela Editorial ECU, em 2022. Está representado nas antologias “Lusofônica La Nuova Narrativa in Língua Portoghese” (2005), com o conto “Da mocidade à Velhice de Lacrina” traduzido para italiano e “A Minha Maputo” (2012), com o conto “Um Homem com 33 Andares na Cabeça”, também inserido na revista brasileira Macondo. Como dramaturgo escreveu e publicou várias peças originais para o programa de teatro radiofónico “Cena Aberta”, da Rádio Moçambique, nas quais destaca-se “Gatsi Lucere”, publicada posteriormente em livro pela AMOLP, 2005. Autor de duas radionovelas, no âmbito do programa N’weti em Moçambique. Como letrista, salienta-se da sua lavra a autoria da canção oficial da X Edição do Festival Nacional da Cultura -2018.
Distinguido com Prémio Revelação de Literatura AEMO/Instituto Camões – 2003; Prémio Revelação de Texto Dramático AMOLP/Instituto Camões – 2003; Prémio Revelação da Revista TVZINE, 2003, Prémio Nacional de Texto Dramático Sobre HIV-2003, promovido pelo Ministério da Cultura. Em 2017 Prémio Literário 10 de Novembro, instituído em homenagem a Cidade de Maputo, Prémio Literário Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)/ Eugénio Lisboa. É licenciado em História, pela Universidade Eduardo Mondlane.
Esta quinta-feira, às 17 horas, está agendada a apresentação da terceira edição do Programa Itinerários, pelos intérpretes moçambicanos Amélia Socovinho, Carolina Manuel e Diogo Igor Amaral. A sessão vai acontecer no Teatro Avenida, na Cidade de Maputo, no âmbito da 10ª edição do KINANI e da Biennale de la Danse em Afrique.
Pelo terceiro ano consecutivo, realizou-se o programa de incentivo à criação artística Itinerários, dirigido a criadores moçambicanos da área da dança. Este ano o colectivo de artistas que viajou para Portugal foi composto por Amélia Socovinho, Carolina Manuel e Diogo Igor Amaral, com a mediação de Panaibra Canda (Moçambique) e David Marques (Portugal). Esta é uma parceria entre os Estúdios Victor Córdon e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo.
Itinerários pretende criar uma rede entre Moçambique, Portugal e outros parceiros na Europa, desenvolvendo iniciativas que relacionem os vários territórios entre si, com o intuito de promover a internacionalização na criação artística.
Desta vez, a primeira fase deste programa aconteceu em parceria com o Festival Materiais Diversos, materializando-se numa Residência Artística em Alcanena de uma semana. O primeiro momento do programa Itinerários levou os três artistas residentes até à nascente do Rio Alviela, em particular ao Centro de Ciência Viva do Alviela, onde participaram no seminário Companheirismo e colaboração – práticas artísticas para a sustentabilidade, orientado por Carolina Cifras, Simone Frangi e Clara Antunes. Tiveram ainda a oportunidade de assistir a vários espetáculos da programação do Festival Materiais Diversos, no âmbito do qual foi organizado o seminário.
Depois de conhecerem e participarem no Festival Materiais Diversos, os três artistas seguiram para Guimarães, onde teve lugar a segunda residência do programa, em parceria com A Oficina. O início do trabalho da residência de criação aconteceu no Centro de Criação do Candoso. A coreógrafa Piny acompanhou os artistas em estúdio em vários momentos.
No fim de Outubro, os artistas chegaram à terceira e última fase de residência artística dos Itinerários, que aconteceu em Lisboa, numa das casas fundadoras do programa: os Estúdios Victor Córdon. Na capital, os artistas continuaram a desenvolver o seu trabalho, que foi partilhado com o público na fase final da residência, a 9 de novembro. Durante o período em que estiveram em residência, também dirigiam três aulas abertas, naquela que foi uma oportunidade de conhecerem pessoas interessadas em dança e profissionais desta área em Lisboa.
Na última semana de residência artística da terceira edição do programa Itinerários, realizou-se uma segunda mostra informal do trabalho dos três artistas convidados, desta vez nos Estúdios Victor Córdon, em Lisboa.
O final do programa Itinerários culmina com a apresentação do resultado da residência dos três artistas em Maputo, a 16 de Novembro, no âmbito do Festival KINANI.
Sobre os artistas
Amélia Socovinho é bailarina profissional e performer. Iniciou a sua carreira nas danças tradicionais em 2003, enquanto frequentava o ensino secundário. Em 2006, entrou para o projecto Independência, um grupo de dança inclusivo criado no seio da CulturArte e dirigido pelo coreógrafo Panaibra Canda. Desde aí, foi colaborando com este último em vários projetos, tais como Incomat, Borderlines, Poema de gestos, ou Mentiras Aplaudidas entre outros. Como intérprete das peças de Panaibra Canda, tem viajado pelo mundo e dançado em festivais internacionais como, por exemplo, Panorama (Brasil), Euro-scene (Alemanha), Danse L’Afrique Danse (África do Sul), Festival Di Art Integrante (Suíça), Global Dance (EUA), KIKANI (Moçambique) ou Alkantara (Portugal), entre outros. É também locutora, comunicadora e professor de dança. Entre 2009 e 2014 trabalhou como voluntária na inclusão das crianças com deficiência na área da dança. Já participou em diversos workshops com artistas moçambicanos e estrangeiros, e foi bolseira de residências artísticas na África do Sul, no Brasil e em Portugal.
Carolina Manuel é acrobata e bailarina profissional. Iniciou-se na expressão corporal em grupos de dança tradicional em Maputo. Beneficiou de uma bolsa de intercâmbio artístico entre Moçambique-Noruega da Associação MoNo (2017) e lá participou no FK Youth Camp. Estudou e aprimorou técnicas de circo, acrobacia e dança na Kultursholen Fredrikstad School (Noruega, 2018). Também treinou como professora e assistente de classe, e, além de arte circense, estudou balé, dança contemporânea, dança jazz e hip-hop. Em 2019, foi artista associada da CulturArte, participando na formação em dança contemporânea e na residência de criação RIR-PALOP e também no programa de residências de intercâmbio regional Kanda Yetu (2019-2020). Ainda na CulturArte, participou na remontagem da performance Ponto de Intersecção, de Panaibra Gabriel Canda, apresentada em Moçambique e no Mali (2019 e 2020). Em 2020, participou no espectáculo infanto-juvenil Era uma vez: uma história com Princesa Cenoura, que junta dança, acrobacia aérea e o contar de histórias para crianças e adolescentes. Em 2021, participou no projecto “África no circo”, e integrou “os jovens africanos do cabaré pan-africano 100% feminino”, em parceria com Le prato (Lille-França) e Fekat Circus (Adis Abeba-Etiópia). Desenvolveu o projeto Vertige, entre Moçambique e Madagáscar, com a bailarina e coreógrafa Malgas Judith Olivia. O projecto teve apoio do Instituto Francês de Paris. Em 2022, desenvolveu um programa de formação para crianças no bairro, com aulas de acrobacias e dança, através no núcleo “circo-lar”.
Diogo Igor Amaral tem como expressão artística a Dança. A sua carreira começou em 2013, momento em que começou a praticar danças de rua por diversão. Nesse mesmo ano, fez parte de dois grupos de dança em Maputo, nomeadamente, Grupo radical e Grupo maquinista. Com essas experiências, teve a oportunidade de aprofundar mais o interesse pela área, tendo desenvolvido uma paixão pela dança tradicional Moçambicana, que se tornou a sua principal área de pesquisa. Em 2018, entrou para a Associação Cultural Mono, onde estudou, durante dois anos, dança jazz, contemporânea, tradicional e ballet. Foi nessa altura que se aproximou da dança contemporânea, percebendo que podia expressar em movimento, no palco, tudo o que pensava e sentia. Nesse sentido, começou a participar em workshops com profissionais da área a nível nacional e internacional, a saber, Ídio Chichava, Horácio Macuácua, Lulu sala, Edvaldo Ernesto, Irmelin Robertsen (Noruega), Sonya Dahle (Noruega), Juliane Soli (Noruega), José Agudo, Allyne Dance, Laura Aris, German Jauregui, Anita Diaz Otero, Kira Kirsch, Marta Coronado, Joe Alegado, Andrew Harwood, Alexander Vantournhout. Em 2022, participou no Festival Impulstanz (Viena) como membro do Projecto Dance Web. Como intérprete, já dançou nos festivais KINANI (Moçambique) e ONE DANCE WEEK (Bulgária). Enquanto bailarino, Diogo tem como fonte de inspiração as interações e diferenças culturais existentes nas culturas mais tradicionalistas que existem pelo mundo fora.