As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.
Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.
Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.
“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.
Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.
“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.
Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.
Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.
“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.
Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.
Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.
“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.
Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.
A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) assegura que não existe exclusão no pagamento das compensações destinadas aos operadores do transporte urbano na zona metropolitana e nas capitais provinciais abrangidas pelo sistema.
Segundo a organização, todos os transportadores devidamente licenciados e com a documentação regularizada têm direito a beneficiar das compensações atribuídas pelo Governo.
A FEMATRO reconhece que o processo de pagamento decorre de forma gradual, mas afirma que o Executivo continua a efectuar desembolsos. De acordo com a federação, entre ontem e hoje foi paga uma parte significativa dos operadores que aguardavam pelas compensações, o que poderá responder às reclamações apresentadas nos últimos dias.
A organização esclarece, contudo, que ainda não dispõe de dados actualizados sobre o número de transportadores contemplados, uma vez que o processo de pagamento continua em curso. A informação oficial deverá ser disponibilizada pelo Governo no final do dia, indicando o número de operadores e de viaturas já compensados.
Relativamente aos transportadores que ainda não receberam os valores, a FEMATRO explica que continua a receber diariamente novas listas de operadores elegíveis, o que obriga à sua consolidação antes do envio à Agência Metropolitana de Transportes para efeitos de processamento.
A federação garantiu que todas as listas que estavam na sua posse foram remetidas à Agência Metropolitana na segunda-feira, não existindo, neste momento, qualquer relação de beneficiários por encaminhar.
Quanto aos operadores que ainda aguardam pelo pagamento, a FEMATRO considera que a demora poderá estar relacionada com a entrega tardia da documentação necessária, sublinhando que os processos já submetidos foram enviados para o devido tratamento.
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apelou aos países africanos para reforçarem a cooperação na gestão das questões migratórias, defendendo uma resposta coordenada às causas que estão na origem dos fluxos de migração no continente.
Discursando na segunda-feira perante o Parlamento Pan-Africano, órgão legislativo da União Africana, Ramaphosa afirmou que os Estados africanos devem trabalhar em conjunto para enfrentar problemas como os conflitos, a instabilidade, a pobreza e a discórdia social, factores que alimentam os movimentos migratórios.
O apelo surge numa altura em que a África do Sul enfrenta uma vaga de protestos contra a imigração, durante os quais grupos anti-imigração responsabilizam os imigrantes em situação irregular pelo desemprego, pelo aumento da criminalidade e pela pressão exercida sobre os serviços públicos.
O Chefe de Estado sul-africano advertiu que a circulação transfronteiriça descontrolada pode comprometer a segurança e a ordem social, sublinhando que nenhum país africano conseguirá responder, isoladamente, a este desafio.
Pretória tem igualmente sido alvo de críticas por parte de vários governos africanos, na sequência de ataques contra cidadãos estrangeiros residentes na África do Sul.
Na semana passada, um cidadão nigeriano morreu sob custódia policial na Cidade do Cabo. O Governo da Nigéria acusou as autoridades sul-africanas de recorrerem a “tácticas abusivas” que terão conduzido à morte do seu cidadão.
Segundo informações disponíveis, pelo menos quatro migrantes perderam a vida na recente vaga de violência, embora alguns governos africanos sustentem que o número de vítimas mortais poderá ser superior.
Ramaphosa classificou os ataques como “tristes e abomináveis” e manifestou pesar pelas vidas perdidas. O Presidente reiterou ainda a oposição do seu Governo a qualquer forma de ódio contra cidadãos estrangeiros, xenofobia ou afrofobia.
Nos últimos dois meses, dezenas de milhares de migrantes africanos abandonaram a África do Sul, contando com o apoio de países como o Gana, a Nigéria e o Malawi nos processos de repatriamento dos respectivos cidadãos.
Pelo menos 30 pessoas morreram na sequência de um ataque perpetrado por homens armados contra uma aldeia no estado de Kaduna, no norte da Nigéria, na madrugada desta segunda-feira, segundo relataram moradores da região.
Entre as vítimas mortais encontram-se oito crianças. O ataque fez ainda quatro feridos. De acordo com os residentes, as forças de segurança só chegaram ao local várias horas após a incursão dos atacantes.
Até ao momento, nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque.
A violência protagonizada por grupos armados continua a representar um dos principais desafios à segurança no norte da Nigéria. Para além da actuação de gangues criminosos, o nordeste do país continua a enfrentar uma insurgência conduzida pelo grupo extremista Boko Haram, responsável por inúmeros ataques ao longo dos últimos anos.
Especialistas consideram que a corrupção, as deficiências na partilha de informações entre as autoridades e o subfinanciamento das forças policiais têm comprometido os esforços para travar a violência e combater os grupos armados.
Em Dezembro do ano passado, os Estados Unidos realizaram uma operação militar em território nigeriano, efectuando ataques aéreos contra dois campos controlados por um grupo militante islâmico.
A província de Cabo Delgado vai entrar num ciclo de violência e radicalismo caso a TotalEnergies continue a operar em regime fechado e o processo de compensação às comunidades afectadas pelo projecto de gás continue aberto. O alerta é do Observatório do Meio Rural, (OMR) que apela à reconciliação entre as comunidades, empresas e o Governo.
O OMR considera de extremas as medidas de segurança tomadas no projecto de exploração de gás na área 1 da Bacia do Rovuma e prevê a exclusão das comunidades locais no que tange aos benefícios do megaprojecto.
“Se realmente tiver essa atitude, sem proporcionar vantagens económicas aos empresários locais, o que vai acontecer é, se se prolongar por muito tempo, todo este mal-entendido e estes atrasos de pagamento das compensações e de regularização de tudo o que está pendente, isto vai agravar o sentimento de divórcio da população para com o projecto. Se o Estado se mantiver passivo nisto, vai também ser conotado como estando do lado da empresa e não da população”, explica João Feijó, representante do Observatório do Meio Rural.
Com o sentimento de exclusão das comunidades locais nos benefícios da exploração de gás do Rovuma e o distanciamento do Governo, o Observatório do Meio Rural receia o aumento da violência em Cabo Delgado.
“Isto é um terreno fértil para a penetração de indivíduos violentos e de ideias radicais que vão explorar este sentimento de descontentamento das pessoas e de frustração de indivíduos que não têm nada a perder, muitos deles. Isto vai reflectir-se depois na segurança e vamos entrar aqui num ciclo vicioso de cada vez mais desconfiança em relação às pessoas, de cada vez mais enclave e de menos benefícios para as populações”, acrescenta.
O alerta do Observatório do Meio Rural sobre o risco de ciclo de violência em Cabo Delgado foi lançado em Pemba, durante uma conferência sobre a Exclusão Social, Violência e Construções da Paz.
A Universidade Licungo reforçou a sua estrutura académica com a criação de quatro novas faculdades, duas para a sede, em Quelimane, e outras duas para a delegação da Beira. A medida insere-se no processo de reestruturação institucional e visa responder às novas dinâmicas do ensino superior, reforçando a qualidade da formação, da investigação e da extensão universitária.
Na sede, em Quelimane, foram criadas as Faculdades de Ciências Sociais e de Engenharia e Planeamento Físico. Na delegação da Beira, passam a funcionar as Faculdades de Ciências Empresariais e Jurídicas e de Psicologia e Ciências da Educação.
O reitor da Universidade Licungo, Boaventura Aleixo, afirma que a reestruturação pretende adequar a instituição aos desafios actuais do ensino superior, tendo como foco a qualidade, a excelência académica e o fortalecimento da investigação científica.
“O facto de terem recebido este convite para compor o acordo de gestão da Universidade não é porque esperam privilégios e tratamento especial, mas é porque têm consciência plena de que temos um país para servir, temos uma instituição para consolidar e para fazer princípio. E o trabalho de cada um de nós, nos diferentes sectores em que nos encontramos, é determinante para este sucesso”, explica Boaventura Aleixo.
Os dirigentes empossados para as novas faculdades asseguram que irão colocar a sua experiência ao serviço da melhoria do processo de ensino, aprendizagem e investigação.
“Eu vou dirigir agora uma Faculdade que, no mundo todo, a Faculdade de Engenharia é muito privilegiada e é uma Faculdade que constrói indivíduos competentes, capazes e que possam pôr a mão na massa. Sabemos que o País e o mundo enfrentam vários desafios, a parte económica, a parte de mudanças climáticas, por isso é importante que os doutorandos possam ter conhecimentos relacionados com estas duas áreas de actuação”, anota o reitor da Universidade Licungo.
A cerimónia realizada nesta segunda-feira, em Quelimane, marcou a tomada de posse dos directores das faculdades criadas para a sede, bem como de outros 29 funcionários. Os directores das faculdades da delegação da Beira já haviam sido empossados numa cerimónia realizada anteriormente.
Gana diz que vai repatriar mais mil cidadãos da África do Sul, devido à onda de violência xenófoba persistente no país.
Além deste número, as autoridades de Acra já repatriaram mais de 900 cidadãos e afirma que exigirá indenização do governo sul-africano pelas propriedades e bens perdidos.
Na sequência da violência xenófoba na África do Sul, Gana e Nigéria pediram à União Africana que inclua na agenda próxima cúpula da organização o debate sobre o fenómeno.
Estima-se que mais de 160 mil estrangeiros deixaram a África do Sul desde Maio deste ano, em consequência de violentos protestos anti-imigrantes.
Ainda no Gana, cidadãos solicitaram ao Tribunal Penal Internacional a abertura de uma investigação sobre os ataques a estrangeiros, alegando que tais actos podem constituir crimes contra a humanidade.
Antigo porta-voz da RENAMO intensifica contestação à liderança de Ossufo Momade e defende que o partido não pode chegar a Novembro mergulhado na actual indefinição. António Muchanga quer a convocação urgente do Conselho Nacional e um congresso extraordinário para eleger uma nova liderança.
A crise interna na RENAMO ganhou um novo capítulo, desta vez a partir de Vilankulo, na província de Inhambane, onde António Muchanga voltou a subir o tom contra Ossufo Momade e defendeu mudanças urgentes na direcção do partido, considerando que a maior força da oposição durante décadas está a perder espaço político e, nas suas palavras, a “morrer aos poucos”. O antigo porta-voz da RENAMO quer que o partido convoque o Conselho Nacional e avance para um congresso extraordinário que permita eleger uma nova liderança, colocando Novembro como limite político para a resolução da actual crise e argumentando que qualquer adiamento poderá comprometer a preparação da formação para o próximo ciclo eleitoral.
A passagem por Vilankulo integra uma movimentação que Muchanga diz estar a realizar por diferentes pontos da província de Inhambane para mobilizar membros em torno da necessidade de reformas internas, depois de ter passado por Zavala, Morrumbene e Massinga. Em Vilankulo, município actualmente governado pela RENAMO, o antigo deputado procurou usar os resultados eleitorais alcançados pelo partido em diferentes autarquias como argumento para sustentar que existe uma distância entre aquilo que considera ser a força eleitoral da organização e o estado actual da sua liderança, afirmando que a RENAMO conquistou municípios onde acabou por não assumir a governação e que esse percurso não pode ser ignorado quando se discute o futuro da formação política.
“Viemos despertar os colegas sobre a necessidade de haver reformas que vão culminar com a realização do congresso extraordinário, onde vamos eleger nova liderança do partido”, afirmou Muchanga, defendendo que a RENAMO precisa primeiro de colocar os seus órgãos internos a funcionar regularmente e, depois, resolver a disputa em torno da liderança através dos mecanismos estatutários. Segundo o político, o Conselho Nacional deveria reunir com maior regularidade e a ausência desses encontros está a contribuir para prolongar uma crise que, no seu entendimento, já começa a afectar a capacidade do partido de se posicionar perante os principais assuntos nacionais.
A pressão de António Muchanga sobre Ossufo Momade não começou em Inhambane. O antigo deputado tem sido uma das vozes mais críticas da actual direcção e, nos últimos meses, intensificou a exigência de saída do presidente da RENAMO, acusando-o de ser responsável pelo enfraquecimento da formação. Em Maio, Muchanga voltou publicamente a defender a retirada de Momade da liderança, enquanto em Julho anunciou que pretendia recorrer à Justiça para viabilizar a realização de um congresso, acusando a direcção de atrasar o funcionamento dos órgãos internos. A disputa chegou igualmente aos tribunais depois de Muchanga ter sido suspenso pelo partido, decisão que viria a ser anulada judicialmente.
Em Vilankulo, Muchanga acrescentou agora um elemento novo à pressão política: o calendário. Na sua leitura, a RENAMO não pode entrar em Novembro sem uma definição sobre quem conduzirá o partido, porque precisa de tempo para reorganizar as estruturas e preparar-se para as próximas eleições autárquicas. O político invocou os prazos eleitorais para justificar a urgência e sustenta que prolongar a disputa interna reduzirá a margem disponível para uma nova liderança reconstruir o partido e preparar a máquina eleitoral.
É neste contexto que Muchanga dirige uma das mensagens mais duras a Ossufo Momade, defendendo que o presidente deve reconhecer que perdeu apoio dentro da organização e facilitar uma transição antes que a crise se agrave. O antigo porta-voz chegou a pedir aos membros da RENAMO em Inhambane que “orem” para que Momade reconheça aquilo que considera serem erros cometidos durante a sua liderança e aceite uma reconciliação interna, mas deixa claro que, na sua perspectiva, essa reconciliação deve passar necessariamente pela mudança no topo do partido.
“Não podemos chegar a Novembro com esta situação de indefinição dentro do partido”, advertiu Muchanga, acrescentando que é Ossufo Momade quem deve assumir responsabilidades pelo actual ambiente interno. A posição representa mais um endurecimento de uma contestação que vem sendo protagonizada por diferentes sectores da RENAMO e que já envolveu antigos guerrilheiros, quadros seniores e estruturas locais. Em Fevereiro, Muchanga e Alfredo Magumisse já tinham exigido publicamente a renúncia de Momade, acusando a liderança de estar a hipotecar o futuro da organização.
Para sustentar a necessidade de mudança, António Muchanga não limita as críticas à organização interna e acusa Ossufo Momade de manter silêncio perante alguns dos principais problemas que afectam o país. No discurso feito em Vilankulo, enumerou a violência terrorista em Cabo Delgado, a situação de moçambicanos na África do Sul, o custo de vida e o descontentamento manifestado por diferentes grupos profissionais, entre professores, profissionais de saúde e magistrados, para questionar a capacidade do actual presidente da RENAMO de se afirmar como voz da oposição.
Na avaliação de Muchanga, um partido que durante décadas ocupou o lugar de principal força de oposição precisa de ter posições claras sobre os grandes debates nacionais e o silêncio que atribui a Ossufo Momade está a contribuir para aquilo que descreve como perda de relevância política. “O nosso chefe tornou-se mudo, tornou-se surdo”, disparou o antigo porta-voz, depois de questionar a ausência de pronunciamentos públicos do líder sobre vários assuntos que considera determinantes para a vida dos moçambicanos.
A crítica ganha peso num momento particularmente delicado para a RENAMO. Depois das eleições gerais de 2024, o partido perdeu o estatuto de principal força da oposição parlamentar, mudança que aprofundou o debate interno sobre liderança, estratégia e futuro político da organização. A contestação a Momade cresceu desde então e passou a envolver manifestações de antigos combatentes e ocupações de instalações partidárias, enquanto Muchanga se consolidou como uma das figuras mais visíveis da frente que exige mudanças.
Em Inhambane, a contestação já conheceu episódios de maior tensão, com membros do partido a protagonizarem acções contra a liderança e a exigirem a saída de Ossufo Momade. É neste ambiente que Muchanga percorre a província procurando apoio para uma agenda que pretende transformar a insatisfação dispersa numa pressão organizada pela convocação dos órgãos partidários e, posteriormente, de um congresso extraordinário.
Ossufo Momade lidera a RENAMO desde a morte de Afonso Dhlakama, em Maio de 2018, tendo sido eleito presidente do partido no congresso realizado em Janeiro de 2019. Desde então, conduziu a formação em dois ciclos de eleições gerais e esteve à frente do partido durante a implementação do processo de paz e desarmamento que se seguiu ao acordo assinado com o Governo em 2019.
É precisamente o legado político da RENAMO que Muchanga coloca agora no centro da disputa. O antigo porta-voz entende que a organização corre o risco de continuar a perder influência se não renovar rapidamente a liderança, enquanto os seus pronunciamentos mostram que a contestação deixou de estar concentrada apenas na exigência de saída de Ossufo Momade e passou a apresentar uma proposta concreta de transição: Conselho Nacional, reformas internas e congresso extraordinário para escolher quem deverá conduzir o partido.
A batalha que se desenha dentro da RENAMO será, por isso, tanto sobre Ossufo Momade quanto sobre o modelo de partido que emergirá da actual crise. Muchanga quer uma decisão antes de Novembro e percorre estruturas partidárias à procura de apoio para forçar essa mudança, enquanto o calendário político continua a avançar e reduz o tempo disponível para a reorganização pretendida pelos contestatários.
Em Vilankulo, a mensagem foi inequívoca: para António Muchanga, a RENAMO já não tem tempo apenas para discutir a crise, precisa de decidir quem a vai liderar para sair dela.
Dois agentes da Polícia da República de Moçambique estão detidos por alegadamente terem provocado, sob efeito de álcool e sem carta de condução, o acidente de viação que matou cinco pessoas e feriu outras seis, na noite de sábado, na zona de Chiluvane, distrito de Chongoene.
O porta-voz do Comando Provincial da PRM em Gaza, Júlio Nhamussual, confirmou que as investigações preliminares apontam para o envolvimento dos dois agentes, que seguiam na viatura ligeira que esteve na origem da sequência de embates. Segundo a corporação, ambos foram detidos e serão responsabilizados nos termos da lei.
“Os dois agentes encontram-se detidos por conduzirem alegadamente sob efeito de álcool e sem carta de condução. As investigações prosseguem para o completo esclarecimento das circunstâncias do acidente”, afirmou Júlio Nhamussual, porta-voz da PRM em Gaza.
Com este caso, sobe para nove o número de mortos, entre eles agentes da PRM, e para 53 o de feridos em apenas três acidentes de viação registados ao longo de uma semana na província de Gaza.
Perante o agravamento da sinistralidade rodoviária, o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) diz estar preocupado com o aumento dos casos mortais durante o mês de julho, apontando o consumo de álcool ao volante como uma das principais causas dos acidentes.
“Temos registado um agravamento da sinistralidade neste mês de julho, sobretudo devido à condução sob influência de álcool. Estamos a intensificar a fiscalização para reduzir estes comportamentos de risco”, explicou Alfeu Macaringue, delegado do INATRO em Gaza.
Segundo a instituição, as operações de fiscalização realizadas nos distritos de Limpopo, Xai-Xai, Chongoene e Macia, considerados os mais críticos em matéria de acidentes mortais por serem atravessados pela Estrada Nacional Número Um (EN1), culminaram na apreensão de 300 cartas de condução, por diversas infracções relacionadas com a condução.
De janeiro até ao momento, a província de Gaza registou 23 acidentes de viação, que provocaram 26 mortos e mais de 150 feridos. Os números significam que, em média, mais de uma pessoa perdeu a vida por acidente este ano.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que tenciona deslocar-se a Nova Iorque, em Setembro, para participar na Assembleia Geral das Nações Unidas, apesar dos apelos à sua detenção ao abrigo do mandado emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Em declarações à imprensa, Netanyahu garantiu não estar preocupado com a possibilidade de ser detido e recordou que tem participado regularmente nas sessões da Assembleia Geral durante os seus mandatos como chefe do Governo israelita.
Segundo afirmou, apenas eventuais exigências de segurança poderão impedir a deslocação, cenário que não prevê para este ano.
As declarações surgem em resposta aos comentários de Zohran Mamdani, candidato à presidência da Câmara Municipal de Nova Iorque, que defendeu o cumprimento do mandado de detenção emitido pelo Tribunal Penal Internacional caso o líder israelita visite a cidade.
Netanyahu voltou a rejeitar as acusações de crimes de guerra apresentadas pelo TPI, considerando o processo ilegítimo. O primeiro-ministro israelita acusou ainda Mamdani de fomentar a divisão através das suas declarações.