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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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Os Estados Unidos da América e o Irão suspenderam, pela terceira noite consecutiva, as hostilidades militares, numa tentativa de criar condições para o prosseguimento das negociações de paz.

Após quase duas semanas de confrontos, que colocaram em risco o histórico acordo de paz assinado no mês passado, Washington e Teerão procuram relançar o diálogo diplomático.

As autoridades norte-americanas indicam que o Presidente Donald Trump continua disponível para retomar as negociações, mas advertiram que os Estados Unidos mantêm o reforço da sua presença militar na região e que poderão voltar a intervir caso não sejam registados progressos.

A nova escalada de violência teve início depois de Washington acusar o Irão de atacar navios comerciais no estratégico Estreito de Ormuz, alegando que Teerão violou um memorando de entendimento firmado em meados de Junho. Em resposta, o Irão lançou ataques contra alvos norte-americanos na Jordânia e em vários países do Golfo.

Entretanto, os rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, anunciaram um bloqueio ao estreito de Bab el-Mandeb, agravando a tensão na região e aumentando a pressão sobre os Estados Unidos e sobre a economia mundial.

No domingo, Teerão confirmou igualmente a suspensão da sua campanha de retaliação, enquanto decorrem contactos diplomáticos, mas advertiu que qualquer reatamento dos ataques por parte dos Estados Unidos terá “graves consequências”.

Paralelamente, o Irão enfrenta um diferendo diplomático com a Ucrânia, na sequência de um ataque a um navio iraniano que seguia com destino à Rússia. Kiev sustenta que a embarcação transportava material militar destinado ao Kremlin para utilização no conflito em território ucraniano.

As autoridades iranianas afirmam que o ataque provocou a morte de um marinheiro e garantem que o incidente não ficará sem resposta.

Espectáculo que atravessou a noite juntou novos talentos, artistas consagrados e antigos concorrentes do Fama Show, numa celebração que começa a ultrapassar as fronteiras do distrito e a atrair público de diferentes pontos de Inhambane e da vizinha província de Sofala.

A noite caiu, a música subiu e Inhassoro transformou-se num enorme palco a céu aberto, onde mais de 30 mil pessoas, segundo dados avançados no âmbito da organização, acompanharam um espectáculo que começou na noite de sábado e atravessou a madrugada deste domingo, juntando artistas locais, músicos com experiência nos grandes palcos e antigos concorrentes do Fama Show, numa celebração marcada por música, dança e uma intensa interacção entre os artistas e um público proveniente de diferentes distritos da província de Inhambane e até de Machanga, em Sofala.

Para alguns dos jovens que subiram ao palco, estar diante de uma multidão daquela dimensão foi uma experiência completamente nova e, inevitavelmente, acompanhada de nervosismo, sobretudo para artistas que começam agora a procurar espaço no panorama musical e que raramente encontram oportunidades para actuar em eventos desta dimensão.

Puto Ewa foi um desses casos e não escondeu a emoção de finalmente poder mostrar o seu trabalho diante de milhares de pessoas, explicando que na sua zona existem jovens com talento para a música, mas são poucas as oportunidades para chegarem a grandes palcos, razão pela qual actuar nas celebrações de Inhassoro representou muito mais do que uma simples apresentação musical.

Se para uns a noite representou uma estreia, para outros grandes palcos já fazem parte do percurso artístico, mas nem mesmo essa experiência foi suficiente para retirar o elemento surpresa da recepção encontrada em Inhassoro. Camal Giva descreveu a experiência como algo próximo de “voar” e revelou que se preparou para o espectáculo, embora não esperasse encontrar tamanha resposta do público, que permaneceu durante horas diante do palco, cantando, dançando e acompanhando as diferentes actuações pela noite dentro.

A festa reservou igualmente espaço para uma história particularmente simbólica para Inhassoro, o regresso ao palco de artistas da própria terra que passaram pelo Fama Show e voltaram agora com maior experiência e outra preparação artística. Mércia, ex-concorrente do concurso, considera que a passagem pelo Fama Show mudou a sua forma de encarar os grandes espectáculos e explica que a experiência adquirida permitiu-lhe actuar diante da multidão sem o nervosismo que normalmente acompanha quem enfrenta milhares de espectadores, destacando a formação recebida durante o concurso como determinante para aprender a postura necessária dentro e fora do palco.

O reencontro entre os talentos locais e o público de Inhassoro acrescentou uma componente emocional ao espectáculo, porque parte dos artistas que agora regressam mais experientes começou precisamente nestas comunidades, antes de conquistar exposição para além das fronteiras do distrito. A presença de antigos concorrentes do Fama Show ganha ainda maior significado num ano em que Inhassoro viu Hilário Mussagy conquistar a edição 2026 do concurso, resultado que aumentou a projecção dos artistas locais e reforçou, entre autoridades e residentes, a percepção de que o distrito pode produzir talentos capazes de competir nos grandes palcos nacionais.

Mais do que uma sucessão de actuações, o espectáculo acabou transformado numa permanente troca de energia entre artistas e espectadores. Enia, uma das cantoras que passou pelo palco, descreveu o público como carinhoso e conhecedor do seu trabalho, admitindo que a resposta encontrada obrigou também os músicos a entregarem ainda mais durante as actuações. “É um público maravilhoso, carinhoso e, acima de tudo, acarinha bastante o meu trabalho. 

Eles gostam muito daquilo que eu faço e não tinha como ser diferente, eu também retribuí da mesma maneira”, afirmou. Entre os artistas convidados estava Nelson Tivane, que visitou Inhassoro pela primeira vez e acabou por transformar a sua passagem pelo distrito numa declaração de admiração pela terra e pelo público que o recebeu. 

O músico reconheceu que a presença no espectáculo resulta também da procura que a sua música conquistou entre os residentes e agradeceu o apoio dos seguidores, antes de se render a outros atractivos que encontrou durante a estadia. “Sem vocês eu não sou ninguém”, disse ao público, numa intervenção em que agradeceu a recepção e classificou Inhassoro como “um pedaço do paraíso”, destacando as praias, o marisco e a hospitalidade encontrada no distrito.

Para o Governo distrital, a dimensão da celebração ganha significado adicional num momento em que Inhassoro beneficia de maior exposição através dos seus talentos. O Administrador do distrito, Fernando Doda, entende que a festa deste ano acabou por juntar dois motivos de celebração, o aniversário de Inhassoro e os resultados alcançados por representantes locais no Fama Show, onde o distrito conseguiu colocar um dos seus talentos no primeiro lugar, numa conquista que ajudou a projectar o nome de Inhassoro para o resto do país.

A leitura das autoridades é de que a cultura começa a assumir uma função que ultrapassa o simples entretenimento e pode transformar-se num instrumento de promoção territorial, sobretudo quando artistas originários do distrito conquistam reconhecimento nacional e regressam posteriormente para actuar perante as suas próprias comunidades. 

O desafio passa agora por aproveitar essa exposição para revelar novos talentos e criar oportunidades para jovens que, tal como alguns dos músicos que subiram pela primeira vez ao palco neste fim-de-semana, ainda enfrentam dificuldades para encontrar espaços onde possam mostrar aquilo que sabem fazer.

A SASOL, que apoia as celebrações, entende igualmente que o crescimento do evento demonstra uma capacidade cada vez maior de mobilização e considera particularmente importante a presença de antigos participantes do Fama Show entre os artistas que animaram a noite. 

Mateus Mosse, representante da multinacional, destacou o movimento registado na vila durante as festividades e a diversidade de proveniências do público, entendendo que a quantidade de pessoas que chega a Inhassoro para participar nas celebrações mostra uma dimensão que começa a ultrapassar os limites do próprio distrito.

“É impressionante ver como Inhassoro está hoje”, afirmou Mateus Mosse, chamando atenção para o intenso movimento nas ruas e para o número de visitantes que, terminado o programa, regressará aos diferentes pontos de onde partiu para acompanhar a festa. 

Para a SASOL, esta capacidade de atracção reforça a dimensão social e cultural das celebrações e demonstra que iniciativas desta natureza podem funcionar também como espaços de encontro entre comunidades, artistas e visitantes.

O impacto de uma concentração desta dimensão não se limita, contudo, ao recinto do espectáculo. A chegada de milhares de pessoas representa igualmente movimento para transportadores, pequenos comerciantes, vendedores de alimentos, estabelecimentos de restauração e outros serviços existentes na vila, embora não tenham sido apresentados dados que permitam quantificar o impacto económico gerado durante as festividades. 

O que ficou visível ao longo do fim-de-semana foi uma vila com circulação intensa e um evento capaz de atrair visitantes para além das fronteiras de Inhassoro.

Os números avançados no final ajudam a dimensionar aquilo que aconteceu durante a noite. Mais de 30 mil espectadores terão passado pelas celebrações, provenientes de diferentes distritos da província de Inhambane e com registo igualmente de participantes oriundos de Machanga, na província de Sofala, num espectáculo que atravessou a madrugada e terminou apenas ao amanhecer deste domingo.

Mais do que a dimensão da multidão, porém, a noite deixou outro sinal para Inhassoro: artistas locais que antes procuravam uma oportunidade começam a dividir o palco com músicos de projecção nacional, antigos concorrentes regressam mais preparados depois de passarem pelo Fama Show e milhares de pessoas deslocam-se de diferentes pontos para acompanhar as celebrações, uma combinação que começa a transformar uma festa essencialmente local num evento com capacidade de atracção regional.

Para Inhassoro, o desafio que se segue será transformar esse crescimento em continuidade, criando condições para que o espectáculo não seja apenas uma grande noite de música uma vez por ano, mas também uma plataforma capaz de revelar artistas, promover a cultura local e gerar oportunidades à volta da economia criativa. 

Porque se mais de 30 mil pessoas conseguem deslocar-se para assistir a uma festa que só termina ao nascer do sol, o que aconteceu neste fim-de-semana já começa a ser maior do que um simples espectáculo musical.

Vencedor do Fama Show 2026 foi recebido por uma caravana de residentes, entre buzinas, cânticos e aplausos, numa celebração que transformou a conquista individual num motivo de orgulho para Inhassoro. Governo promete apoiar os próximos passos do músico e a SASOL considera que a vitória confirma o potencial dos talentos locais

Uma longa caravana, buzinas, cânticos, aplausos e sucessivas paragens para cumprimentar quem aguardava nas ruas marcaram o regresso de Hilário Moussagy a Inhassoro, desta vez não apenas como mais um jovem músico da terra, mas como vencedor do Fama Show 2026, uma conquista que levou o nome do distrito ao palco nacional e que, no regresso a casa, mobilizou residentes para uma recepção que surpreendeu até o próprio artista. Visivelmente emocionado diante da dimensão da festa preparada para recebê-lo, Hilário teve dificuldades para encontrar palavras e repetiu várias vezes que não esperava tamanho carinho, limitando-se, nos primeiros momentos, a contemplar a multidão e a agradecer uma manifestação que transformou a sua chegada numa celebração colectiva.

“Não sei explicar. Não esperava o calor que estou a ter agora”, confessou o jovem, ainda surpreendido com aquilo que encontrava ao longo do percurso, enquanto a caravana avançava lentamente pelas ruas de Inhassoro e era obrigada a parar em diferentes pontos para permitir que o vencedor cumprimentasse residentes que aguardavam a sua passagem. Para muitos, mais do que receber um músico, tratava-se de celebrar alguém que saiu do distrito, enfrentou concorrentes de outras regiões do país e regressou com o principal título da edição 2026 do concurso, uma vitória que passou rapidamente a ser assumida pela população como uma conquista da própria terra.

A emoção, porém, não retirou de Hilário Moussagy a percepção de que vencer um concurso nacional representa apenas uma etapa de um percurso que agora se torna mais exigente. Passado o impacto inicial da recepção, o músico reconheceu que o título aumentou as expectativas do público e que a responsabilidade passa por corresponder à confiança de quem o apoiou durante a competição, prometendo trabalhar para oferecer boa música e consolidar uma carreira que não termine com a conquista do Fama Show. “Alimentar esse povo com boa música, dar o melhor de mim para não decepcioná-los”, resumiu, numa declaração que revela a dimensão do desafio que começa precisamente depois da vitória.

Ao longo do trajecto, o entusiasmo obrigou a caravana a reduzir a marcha e a interromper várias vezes o percurso, numa sequência de abraços, cumprimentos e manifestações de orgulho. João e Ernesto, residentes de Inhassoro, estavam entre aqueles que celebravam o regresso do jovem e defendem que a conquista ficará marcada na memória do distrito, não apenas pelo título alcançado, mas pela forma como Hilário conseguiu representar uma comunidade que, até há pouco tempo, dificilmente seria colocada entre as favoritas de uma competição musical de dimensão nacional.

“Não vamos esquecer esta data”, dizia um dos residentes, enquanto outro deixava já um pedido ao vencedor: continuar a trabalhar e não permitir que a conquista represente o ponto mais alto da carreira. É justamente neste ponto que a recepção deixa de ser feita apenas de aplausos e passa também a carregar expectativas, porque, no meio da celebração, há quem considere que o Fama Show deve funcionar como porta de entrada para uma caminhada artística muito maior.

Joaquim, também residente em Inhassoro, é uma das vozes que coloca a fasquia mais alta e espera ver no futuro um Hilário muito maior do que aquele que venceu o concurso. Para ele, o título pertence também à comunidade que acompanhou e apoiou o concorrente, mas essa relação traz consigo uma cobrança clara: depois de provar que consegue competir e vencer, o jovem precisa agora de transformar a oportunidade numa carreira consistente.

A pressão pode parecer grande para um artista ainda no início do percurso, mas traduz um fenómeno frequente depois de competições desta natureza: ganhar proporciona visibilidade, mas é aquilo que acontece depois que determina se o vencedor consegue permanecer no mercado musical. Hilário regressa, por isso, com duas conquistas nas mãos, o título e uma base popular que demonstrou estar disposta a acompanhá-lo, mas terá pela frente o desafio de produzir música, encontrar oportunidades, construir uma identidade artística e transformar a notoriedade conquistada durante o programa numa carreira que sobreviva para além da exposição televisiva.

Para o Governo do distrito, a vitória deve também ser aproveitada como uma oportunidade para dar maior visibilidade aos talentos de Inhassoro e estimular outros jovens que procuram espaço na música. O Administrador de Inhassoro, Fernando Doda, considera que a conquista não surgiu isoladamente e entende que houve um percurso de acompanhamento que contribuiu para que Hilário chegasse ao resultado alcançado, razão pela qual garante que o Executivo distrital pretende continuar próximo do artista nesta nova etapa.

“Nós vamos continuar a fazer alguma assistência a ele dentro das nossas condições, dando algumas instruções, dando algum apoio material dentro daquilo que pudermos e conquistando mais parcerias para poder financiá-lo”, afirmou Fernando Doda, apontando para uma estratégia que pretende fazer da vitória um ponto de partida para novas oportunidades. A intenção manifestada pelo Governo é evitar que o reconhecimento conquistado desapareça depois da competição e procurar parceiros capazes de ajudar o músico a desenvolver o seu potencial.

A conquista ganha também uma dimensão que ultrapassa o percurso individual de Hilário, porque coloca no debate a capacidade de distritos afastados dos grandes centros urbanos de revelar talentos quando existem plataformas capazes de lhes proporcionar exposição. Para Inhassoro, a vitória tornou-se precisamente uma demonstração de que a distância em relação às principais cidades do país não significa necessariamente ausência de capacidade artística.

Essa é também a leitura feita pela SASOL, que patrocinou a edição do concurso e considera que o resultado dissipou dúvidas sobre a capacidade de Inhassoro competir musicalmente com centros urbanos de maior dimensão. Mateus Mosse, representante da empresa, admite que inicialmente existiam interrogações sobre até onde poderia chegar um concorrente proveniente de uma vila relativamente pequena quando colocado numa competição com representantes de grandes cidades como Maputo, Beira e Nampula, mas entende que o desfecho do concurso acabou por oferecer uma resposta inequívoca.

“Tínhamos muita dúvida sobre a capacidade de Inhassoro competir no Fama Show com as grandes cidades regionais de Maputo, Beira e Nampula e hoje, ao vermos o Hilário como vencedor, sentimo-nos muito satisfeitos, porque não é só o Hilário que venceu, é Inhassoro, uma vila pequena, que competiu com grandes cidades e venceu esta edição do Fama Show”, afirmou Mateus Mosse.

Para a SASOL, o resultado reforça a necessidade de continuar a criar espaços onde jovens das comunidades possam revelar capacidades que, muitas vezes, permanecem desconhecidas simplesmente porque não encontram oportunidades para chegar a palcos de maior dimensão. A vitória de Hilário passa, assim, a funcionar também como argumento para uma aposta mais ampla na descoberta de talentos fora dos grandes centros urbanos.

O entusiasmo demonstrado durante a recepção ajuda a explicar por que razão a conquista ganhou uma dimensão colectiva. Hilário Moussagy não regressou apenas com um prémio, regressou com uma visibilidade que Inhassoro pretende aproveitar para projectar a sua cultura e mostrar que os seus jovens podem competir em igualdade de circunstâncias quando lhes são criadas oportunidades, enquanto para os residentes que acompanharam a caravana, a expectativa é que o título seja apenas o primeiro grande capítulo de uma carreira ainda por construir.

Depois de atravessar Inhassoro entre aplausos, cânticos e manifestações de carinho, Hilário Moussagy voltou a encontrar o público no palco, onde participou no concerto integrado nas celebrações do aniversário da vila, fechando um dia que começou com a recepção ao vencedor e terminou precisamente no lugar onde nasceu toda esta história: a música.

A festa confirmou o tamanho da conquista, mas também deixou evidente o desafio que vem a seguir. Hilário já provou que consegue vencer o Fama Show, agora terá de provar que consegue transformar a vitória numa carreira e Inhassoro, que saiu às ruas para celebrar o seu campeão, espera que o título conquistado em 2026 seja apenas o começo.

O Papa Leão XIV manifestou, este domingo, solidariedade para com as vítimas dos incêndios florestais que assolam várias regiões de Espanha e França, apelando à oração pelas populações afectadas e pelas equipas de socorro empenhadas no combate às chamas.

Após a oração do Angelus, no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, onde se encontra de férias, o Sumo Pontífice afirmou estar unido às comunidades atingidas pelos incêndios.

“Perante os devastadores incêndios que atingiram várias cidades de França e Espanha nos últimos dias, expresso a minha solidariedade e convido todos a rezarem pelas vítimas e pelos trabalhadores dos serviços de socorro”, declarou.

Os incêndios obrigaram à retirada de centenas de milhares de pessoas das suas casas, sobretudo nas regiões francesas de Gironda e Landes e nas zonas espanholas de Madrid, Ávila e Toledo. As operações de combate às chamas contam com o apoio de vários países da União Europeia, entre os quais Portugal.

Na sua intervenção, Leão XIV dirigiu ainda uma mensagem aos povos afectados por conflitos armados, apelando ao fim da violência.

“Que o Senhor toque os corações e ilumine as mentes dos responsáveis para que a reconciliação e a paz sejam alcançadas em breve”, afirmou.

O Papa assinalou igualmente o Dia Mundial dos Avós, destacando a importância dos idosos para a Igreja e para a sociedade, e apelou ao respeito, valorização e assistência a esta camada da população.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou, este sábado, à comunidade internacional para reforçar o apoio à Síria, numa altura em que o país procura recuperar de mais de uma década de guerra civil.

A visita de Guterres a Damasco é a primeira de um secretário-geral da ONU à capital síria desde 2009 e ocorre numa fase considerada decisiva para a reconstrução do país, após o fim do conflito que culminou com a queda do Presidente Bashar al-Assad, em 2024.

À chegada, António Guterres reuniu-se com o Presidente interino, Ahmed al-Sharaa, nomeado em Janeiro de 2025 para liderar o processo de reconstrução do Estado e a dissolução das diferentes facções armadas. No encontro, o líder das Nações Unidas afirmou que a Síria atravessa “um momento crucial” no seu caminho para a estabilidade.

A guerra civil síria provocou centenas de milhares de mortos e forçou milhões de pessoas a abandonar as suas casas. Segundo estimativas internacionais, a reconstrução das infra-estruturas destruídas poderá custar cerca de 216 mil milhões de dólares norte-americanos.

Apesar de os Estados Unidos e a União Europeia terem levantado grande parte das sanções impostas durante o regime da família Assad, os efeitos dessas medidas continuam pouco visíveis no terreno. Ao mesmo tempo, a redução da ajuda humanitária internacional agravou as condições de vida da população.

De acordo com as Nações Unidas, cerca de 90 por cento dos sírios vivem actualmente em situação de pobreza.

Durante a sua deslocação, António Guterres deverá igualmente visitar a força das Nações Unidas destacada na fronteira entre a Síria e Israel. Embora Ahmed al-Sharaa tenha declarado que não pretende um confronto com Israel, as relações entre os dois países permanecem tensas.

Israel, que manifestou desconfiança em relação à nova liderança síria, assumiu o controlo da zona-tampão na fronteira e tem realizado centenas de ataques aéreos contra instalações militares sírias, além de incursões periódicas em aldeias próximas, confrontos que, por vezes, resultaram em violência contra residentes locais.

O Conselho Municipal de Quelimane consignou, este sábado, a empreitada de reabilitação da Rua 2028, situada entre os bairros Murropué e Sangariveira, numa intervenção orçada em mais de 144 milhões de meticais, financiada pelo Plano de Desenvolvimento Urbano Local (PDUL).

Com uma extensão de um quilómetro e meio, a via será pavimentada em pavê e contará com duas faixas de rodagem, cada uma com 3,40 metros de largura, visando melhorar as condições de circulação entre os dois bairros.

O arranque da obra esteve inicialmente previsto para o ano passado, com conclusão em Dezembro. Contudo, o início dos trabalhos foi adiado devido a diversos constrangimentos, entre os quais a necessidade de compensar infra-estruturas existentes ao longo do traçado, situação que não constava do projecto inicial.

Na cerimónia de consignação, as autoridades municipais apelaram ao empreiteiro para que imprima celeridade à execução dos trabalhos, tendo em conta que o PDUL, programa que financia a intervenção, termina em Setembro próximo. Apesar disso, o contrato estabelece um prazo de execução de oito meses, apontando para a conclusão da obra em Março do próximo ano.

Por sua vez, o representante do PDUL, Reinildo Calado, exortou o empreiteiro a enquadrar todas as necessidades inerentes à execução da obra no valor global do contrato, de modo a assegurar o cumprimento rigoroso das cláusulas contratuais.

Entretanto, as intervenções previstas nas ruas 4022 e 4023, que ligam o semáforo do Mercado do Lixo ao bairro Contamina, formando um traçado em “L”, foram retiradas desta fase do projecto devido às limitações de tempo e ao encerramento do programa de financiamento. O presidente do Conselho Municipal explicou que as referidas obras não poderão ser executadas nas actuais condições.

A reabilitação da Rua 2028 constitui a terceira intervenção realizada no âmbito do Plano de Desenvolvimento Urbano Local em Quelimane e deverá contribuir para melhorar a mobilidade urbana e as condições de circulação entre os bairros Murropué e Sangariveira.

Os advogados do antigo Presidente do Níger, Mohamed Bazoum, exigiram a sua libertação imediata, três anos após o golpe de Estado que o afastou do poder e o colocou em detenção domiciliária.

Mohamed Bazoum, de 66 anos, eleito Presidente em 2021, encontra-se detido desde Julho de 2023, juntamente com a esposa, Hadiza, numa ala do Palácio Presidencial, em Niamey, na sequência da tomada do poder pelos militares liderados pelo General Abdourahamane Tiani.

A associação internacional que representa a equipa de defesa considera que a detenção do antigo Chefe de Estado é arbitrária e denuncia a inexistência de qualquer processo judicial formal.

Segundo Reed Brody, advogado especializado em direitos humanos, o casal nunca foi presente a um magistrado nem informado da existência de um processo-crime contra si, apesar de as autoridades militares terem anunciado, meses após o golpe, a intenção de julgar Bazoum por alegada traição e conspiração contra a segurança e a autoridade do Estado.

Os advogados denunciam ainda que Mohamed Bazoum e a esposa permanecem praticamente isolados do mundo exterior e que, nos últimos três anos, não receberam visitas de familiares.

Entretanto, a União Europeia, peritos das Nações Unidas e vários dirigentes internacionais voltaram a exigir a libertação do antigo Presidente.

Mohamed Bazoum recusou renunciar ao cargo após o golpe de Estado, embora o seu mandato presidencial tenha terminado formalmente em Abril deste ano.

Desde que assumiram o poder, as autoridades militares do Níger têm sido acusadas de intensificar a repressão contra opositores, jornalistas, activistas e membros da sociedade civil, numa acção que tem suscitado críticas da comunidade internacional.

O partido PODEMOS pretende reforçar a sua implantação em todo o território nacional até 2027, com a criação e consolidação de estruturas em todos os distritos, postos administrativos e bairros do País. O objectivo foi reiterado durante uma sessão do Conselho Político, considerada pela direcção como decisiva para a definição das prioridades do partido para os próximos seis meses.

Na abertura dos trabalhos, a liderança do PODEMOS defendeu que o fortalecimento da organização interna constitui um requisito essencial para que o partido possa responder às expectativas dos moçambicanos e concretizar os objectivos políticos a que se propõe.

Segundo o dirigente, a sessão irá aprovar o plano de actividades para o segundo semestre do ano, definindo as linhas de actuação dos órgãos centrais, provinciais e distritais, bem como os mecanismos de coordenação e monitoria das acções do partido.

A direcção explicou que a planificação semestral permite avaliar a execução das actividades, corrigir eventuais falhas e ajustar as estratégias em função dos resultados alcançados. Neste contexto, considerou positiva a avaliação do plano anterior e defendeu a necessidade de aprofundar o processo de capacitação das estruturas distritais para assegurar uma maior presença do partido junto das comunidades.

O PODEMOS reafirmou igualmente a intenção de consolidar a sua organização de base, sustentando que a implementação das orientações políticas depende da existência de estruturas activas em todos os níveis da administração territorial.

Durante a intervenção, a liderança saudou o desempenho da bancada parlamentar, destacando o trabalho de fiscalização desenvolvido na Assembleia da República, e enalteceu igualmente o papel das estruturas distritais na interpretação e resposta aos desafios políticos.

Reconhecendo tratar-se de um partido ainda jovem, a direcção admitiu a existência de dificuldades próprias do processo de crescimento, mas defendeu que os desafios enfrentados devem servir de aprendizagem e contribuir para o amadurecimento da organização.

A liderança manifestou confiança de que o PODEMOS continuará a consolidar-se como uma das principais forças políticas do País, apelando aos membros para manterem o espírito de unidade, reforçarem os mecanismos internos de trabalho e prosseguirem o processo de implantação das estruturas em todo o território nacional.

Mais de dois mil atletas participam na quarta edição da Légua de Inhassoro, prova desportiva integrada nas celebrações dos 40 anos da elevação de Inhassoro à categoria de vila, na província de Inhambane.

A competição decorre em duas distâncias, nomeadamente sete e 15 quilómetros, reunindo participantes de diversas categorias. Os primeiros atletas a cruzar a meta foram os concorrentes da prova de sete quilómetros, enquanto os participantes da corrida de 15 quilómetros eram aguardados com grande expectativa.

Ao longo do percurso e na zona de chegada, o ambiente foi marcado pelo entusiasmo do público, que se fez presente em grande número para apoiar familiares, amigos e restantes atletas, contribuindo para um clima de festa.

Na sua quarta edição, a Légua de Inhassoro afirma-se como um dos principais momentos das comemorações do aniversário da vila, promovendo a prática do desporto, o convívio entre os participantes e a valorização da efeméride.

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