A redução do financiamento internacional está a afectar programas de protecção infantil em vários países, incluindo Moçambique, onde organizações humanitárias registam perdas de pessoal e redução dos serviços destinados a crianças vulneráveis.
Uma análise do Global Protection Cluster (GPC), baseada num inquérito realizado entre Março e Maio de 2026 em 22 operações humanitárias, revela que 87% dos actores afectados registaram redução de pessoal da linha da frente, enquanto 84% reportaram cortes nos serviços e actividades e 78% perda de cobertura geográfica.
Em Moçambique, foram registadas oito respostas relacionadas com a redução da capacidade de protecção infantil, incluindo perdas de pessoal envolvido na gestão de casos. O país está entre os contextos onde foram identificadas dificuldades nas áreas de coordenação, supervisão técnica, gestão de informação e acompanhamento das crianças.
O GPC alerta que os cortes comprometem serviços essenciais, como a gestão de casos, reunificação familiar, apoio psicossocial, monitoria de violações e encaminhamento para assistência especializada. As organizações locais e nacionais estão entre as mais afectadas, representando 43,9% das respostas sobre impactos na protecção infantil.
A situação é particularmente preocupante num país afectado pela insurgência armada em Cabo Delgado e por fenómenos climáticos extremos. Em 2025, Moçambique registou 552 violações graves contra 355 crianças, sobretudo em Cabo Delgado, incluindo raptos, recrutamento forçado, violência sexual e ataques contra escolas, segundo as Nações Unidas.
O GPC adverte que a actual crise de financiamento pode enfraquecer estruturas de protecção infantil que poderão levar anos a reconstruir.