Um técnico afecto ao Banco de Sangue do Hospital de Nampula foi detido, acusado de envolvimento na cobrança de três mil meticais para disponibilizar sangue para um paciente internado naquela unidade hospitalar.
Os rumores de cobranças ilícitas para os doentes terem sangue para transfusão no Hospital Central de Nampula são recorrentes, mas desta vez a situação chegou aos órgãos de Justiça.
“A denúncia veio do Gabinete de Combate à Corrupção. O que a instituição fez foi colaborar com os órgãos de Justiça e, caso houvesse a confirmação da prática do acto ilícito de venda de sangue, seguiria os procedimentos subsequentes, e acabou havendo a detenção”, disse Acácio Tuba, responsável do Banco de Sangue no Hospital Central de Nampula, falando na terça-feira, em conferência de imprensa.
A detenção do referido técnico afecto ao Banco de Sangue aconteceu em flagrante delito no dia 4 de Agosto corrente, e o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção em Nampula emitiu um comunicado de imprensa, no qual explica que “A intervenção ocorreu na sequência de um comunicação efectuada ao Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula, dando conta de que o referido técnico teria solicitado e recebido 3.000.00 de uma cidadã, alegadamente para facilitar o acesso a três unidades de sangue destinadas a uma paciente internada naquela unidade sanitária”.
“O Hospital Central não compactua com actos ilícitos, e pedimos à comunidade, em geral, para que aquele que for cobrado ilicitamente se dirija aos departamentos. O hospital não é só o Banco de Sangue, tem também as enfermarias, e onde decorrem cobranças ilícitas podem denunciar aos directores dos departamentos”, concluiu Acácio Tuba.
A Associação dos Voluntários de Doação de Sangue em Nampula diz-se chocada, numa altura em que o número de dadores está a diminuir por causa da falta de incentivo. A situação piora com episódios como este, de venda de um líquido doado.
“Dói a alma porque é um trabalho sem fins lucrativos. O dador de sangue alimenta-se à sua maneira na sua casa, mas tem noção de que tem de ir ao hospital doar sangue para uma pessoa que não conhece e, mais tarde, funcionários que recebem mensalmente levam o mesmo sangue que o dador dá com sacrifício e vendem. Isso é desumano”, lamentou Maria Severino, presidente daquela associação em Nampula.
O Banco de Sangue do Hospital Central de Nampula conta com pouco mais de 200 unidades, um número considerado insuficiente, porque semanalmente recebe uma solicitação de acima de 40 pedidos.