A província de Cabo Delgado vai entrar num ciclo de violência e radicalismo caso a TotalEnergies continue a operar em regime fechado e o processo de compensação às comunidades afectadas pelo projecto de gás continue aberto. O alerta é do Observatório do Meio Rural, (OMR) que apela à reconciliação entre as comunidades, empresas e o Governo.
O OMR considera de extremas as medidas de segurança tomadas no projecto de exploração de gás na área 1 da Bacia do Rovuma e prevê a exclusão das comunidades locais no que tange aos benefícios do megaprojecto.
“Se realmente tiver essa atitude, sem proporcionar vantagens económicas aos empresários locais, o que vai acontecer é, se se prolongar por muito tempo, todo este mal-entendido e estes atrasos de pagamento das compensações e de regularização de tudo o que está pendente, isto vai agravar o sentimento de divórcio da população para com o projecto. Se o Estado se mantiver passivo nisto, vai também ser conotado como estando do lado da empresa e não da população”, explica João Feijó, representante do Observatório do Meio Rural.
Com o sentimento de exclusão das comunidades locais nos benefícios da exploração de gás do Rovuma e o distanciamento do Governo, o Observatório do Meio Rural receia o aumento da violência em Cabo Delgado.
“Isto é um terreno fértil para a penetração de indivíduos violentos e de ideias radicais que vão explorar este sentimento de descontentamento das pessoas e de frustração de indivíduos que não têm nada a perder, muitos deles. Isto vai reflectir-se depois na segurança e vamos entrar aqui num ciclo vicioso de cada vez mais desconfiança em relação às pessoas, de cada vez mais enclave e de menos benefícios para as populações”, acrescenta.
O alerta do Observatório do Meio Rural sobre o risco de ciclo de violência em Cabo Delgado foi lançado em Pemba, durante uma conferência sobre a Exclusão Social, Violência e Construções da Paz.