As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) contam, a partir de agora, com novos militares habilitados para integrar as forças de comandos, na sequência do encerramento do 31.º Curso de Comandos, realizado na cidade de Nacala, província de Nampula.
O curso teve como objectivo dotar os militares de conhecimentos e técnicas específicas para o cumprimento de missões que exigem elevado nível de preparação física, táctica e psicológica.
Durante a cerimónia, que contou com a presença de altas patentes militares e outras entidades, os formandos participaram em actos protocolares e demonstraram parte das competências desenvolvidas durante a formação.
A cerimónia de encerramento foi marcada por demonstrações de disciplina e preparação militar, com os novos comandos a exibirem as capacidades adquiridas ao longo do processo de formação.
A conclusão do 31.º Curso de Comandos representa mais uma etapa no processo de preparação das FADM para responder aos desafios de defesa e segurança do país, particularmente em contextos que exigem unidades com capacidade de actuação especializada.
O partido ANAMOLA realizou, este sábado, uma marcha de saudação à direcção daquela formação política, na cidade de Maputo, que culminou com a actividade de inscrição de novos membros na Praça dos Trabalhadores.
Os primeiros passos da marcha, que tinha como destino a Praça dos Trabalhadores, na baixa da cidade, começaram na Praça dos Combatentes, seguindo pela Avenida das FPLM.
Descrita como uma marcha de saudação ao partido na capital, o movimento reuniu membros e simpatizantes do ANAMOLA de todas as idades.
Com cânticos e punhos no ar, jovens e mulheres aproveitaram o momento para expressar as suas preocupações.
De longe, moradores assistiam das suas casas, enquanto outros dançavam pelas ruas.
A direção do partido afirma que, para além de uma mera saudação, o movimento visa também reactivar as forças internas.
O partido, recentemente oficializado, diz ter sido recebido de braços abertos pelos citadinos da capital.
Além da Avenida das FPLM, o percurso incluiu a Rua Polana Caniço B, Vladimir Lenine, Rua da Malhangalene, Joaquim Chissano, Milagre Mabote, Eduardo Mondlane e Guerra Popular, antes de chegarem à baixa da cidade, onde decorreu um comício popular e o registo de novos membros.
Falta de pagamento de horas extraordinárias causa descontentamento de professores, que ameaçam paralisar as aulas caso o valor não seja pago. Até julho deste ano, pouco mais de 7 mil professores não tinham recebido o valor referente às horas extras.
Até julho deste ano mais de 7 mil professores aguardavam pelo pagamento de horas extras. Neste momento, não se sabe o número exacto que já recebeu os seus valores. Contudo, um grupo de professores no distrito de Milange diz que por falta de pagamento dos seus ordenados vai paralisar as aulas.
O governador da Zambézia, Pio Matos, está a fazer leque de inaugurações de salas de aula em Alto-Molocué, Milange e Quelimane. Sobre o pagamento de horas extras, indicou que tudo é feito ao nível central, por isso, a província não tem informações.
Pio Matos tem vindo a criticar o modelo de ensino bilíngue, um modelo educativo em que os alunos aprendem conteúdos (como Matemática, Ciências, etc usando duas línguas: a língua materna e a oficial português.
Samia Suluhu Hassan obteve uma vitória eleitoral esmagadora, segundo resultados definitivos anunciados hoje na televisão estatal da Tanzânia, após três dias de protestos.
O país da África Oriental mergulhou na violência na quarta-feira, dia das eleições presidenciais e legislativas, que decorreram sem oposição, visto que os dois principais adversários da Chefe de Estado foram presos ou desqualificados.
Em resultado aos protestos, segundo escreve a imprensa internacional, houve corte geral de internet e foi imposto um recolher obrigatório. A oposição deu conta de um saldo de 700 mortos em resultado da violência.
A cerimónia de tomada de posse está prevista para hoje, segundo a AFP
Samia Suluhu Hassan foi promovida à chefia da Tanzânia depois da morte do seu antecessor, John Magufuli, em 2021. Até ao momento, Samia Suluhu Hassan não se pronunciou sobre os distúrbios dos últimos dias.
Quatro décadas após a estreia de “Tempo dos Leopardos”, considerada a primeira longa-metragem de ficção do Moçambique independente, o Cine-Teatro Scala acolhe uma mostra que homenageia as equipas moçambicana e jugoslava por detrás da obra.
A exposição, integrada nos Encontros do Património Audiovisual, divide-se em três núcleos: uma videoinstalação com arquivos jugoslavos filmados em Cabo Delgado em 1967, um memorial fotográfico aos membros da produção e uma amostra de um projeto de história oral que regista depoimentos de pioneiros do sector.
“Esta não é uma homenagem ao filme, que a merece, mas sim às pessoas que o tornaram realidade, muitas delas já falecidas”, explicou Diana Manhiça, curadora da iniciativa, durante a abertura.
Os testemunhos recolhidos revelam os enormes desafios logísticos e políticos da produção, realizada em pleno período de guerra civil e com severas limitações materiais.
Paula Ferreira, então directora de produção, descreveu situações que beiraram o surreal, como a necessidade de “caçar actores brancos no trânsito de Maputo” para papéis de soldados portugueses, negociar com a Força Aérea para obter helicópteros ou gerir uma “greve de fome” dos actores, cansados de uma dieta repetitiva à base de carne de peru.
“Foi a tarefa mais difícil da minha vida e talvez a mais importante. Porque no meio do caos, fizemos cinema. E isso, naquela altura, era um acto de fé”, afirmou Ferreira.
Para Valente Dimande, operador de som e actor no filme, a memória mais vívida é a de filmar cenas de guerra enquanto a guerra real decorria. “Os Migs (aviões de combate) bombardeavam e o realizador dizia: ‘Isso é um boom natural, Continuem a filmar”, recordou.
A actriz principal, Ana Magaia, revelou que a sua escalação para o papel enfrentou resistência de sectores políticos que a consideravam “não politicamente correcta” para o cargo.
“O realizador ficou em pé, porque achava que tinha que ser eu, mas, sobretudo, graças a um naipe de colegas que fizeram parte da equipa técnica, que também achavam que eu devia fazer aquele papel”, contou Magaia, salientando que a exposição funciona como um acto de “justiça” para com essas memórias.
O cineasta Licínio de Azevedo, coautor do argumento original, explicou que o projecto nasceu de meses de recolha de testemunhos no Planalto de Mueda, que deram origem ao livro “Relatos do Povo Armado”.
O guião, inicialmente intitulado “A Madrugada dos Embondeiros”, sofreu alterações profundas durante uma estadia na Jugoslávia para trabalhar com argumentistas locais, resultando no filme que hoje se conhece.
A exposição no Cinema Scala inclui ainda imagens digitalizadas do arquivo jugoslavo Filmske Novosti, representado por Mila Turajlic, que falou do simbolismo de “devolver” a Moçambique esse material histórico.
A mostra permanecerá aberta ao público durante todo o mês de Novembro, servindo como um arquivo vivo de um período fundacional da cultura moçambicana.
O Presidente da República, Daniel Chapo, nomeou, através de Despacho Presidencial, Colane Assane para o cargo de Chefe do Estado Maior da Casa Militar.
Segundo o comunicado da Presidência da República, a nomeação insere-se no quadro do reforço organizacional e funcional da Casa Militar, visando garantir maior eficácia na
coordenação das actividades de segurança e apoio directo à Presidência da República
A Primeira-Ministra, Benvida Levi, diz ser urgente adoptar medidas para que o país deixe de ser um dos principais corredores de droga. O país apreendeu, só no primeiro semestre deste ano, droga diversa avaliada em mais de 49 milhões de meticais.
Adolescentes e jovens, entre 15 e 30 anos de idade, são os grupos mais vulneráveis ao consumo de drogas, que em alguns casos, é vendida até nas escolas disfarçada de várias formas.
“As drogas muitas vezes chegam de forma dissimulada, em formas de rebuçados, pipocas ou qualquer outro lanche, as vezes em bebidas, como refrigerantes ou sumos”, explicou José Bambo, representante do Gabinete de Prevenção do Tráfico de Drogas, que disse ser uma preocupação, tendo em conta que só nos primeiros seis meses deste ano, foi apreendida uma quantidade avaliada em mais 49 milhões de meticais, que foi apreendida
A cannabis sativa é a droga de maior circulação.
“É uma das drogas que tem maior circulação no país, por um lado, porque temos a produção local de cannabis sativa , por outro lado, por conta da acessibilidade em termos de preços, diferentemente de outros tipos e drogas como a cocaína, haxixe e as demais substâncias com efeitos psicoativos ”
Neste contexto, a Primeira-Ministra, Benvida Levi, diz ser urgente adoptar medidas para que o país deixe de ser um dos principais corredores de droga.
“Há uma tendência crescente, temos visto as operações da polícia e outras autoridades, sempre que é apreendida uma quantidade de drogas. Moçambique infelizmente continua a ser um corredor no tráfico de drogas, mas também no âmbito da prevenção secundária, uma informação relevante é que os serviços de psiquiatria e de saúde mental estão a receber um número cada vez maior de pacientes por conta do consumo excessivo de álcool e outras drogas ”, disse Levy. A governante falava no lançamento da Estratégia Nacional sobre Drogas-2026, que projecta acções para o tráfico e consumo de drogas no país.
“Na verdade, a ideia é que todos os intervenientes devem garantir que todas as suas intervenções tenham impacto, seja no âmbito de prevenção ou de combate”
A implementação da Estratégia Nacional sobre Drogas está avaliada em cerca de 114 milhões de meticais.
Inhambane vai ser oficialmente atribuído o mascote da capital de turismo de Moçambique, durante a conferência internacional de turismo 2025. O evento terá lugar entre três e quatro de Novembro, em Vilanculos e prevê receber mais de 300 convidados estrangeiros.
Entre os dias 3 e 4 de Novembro, a cidade de Vilanculos será a capital internacional de turismo, com a realização da Mozambique Tourism Summit 2025.
Numa conferência de imprensa convocada pela organização do evento, o seu porta-voz oficial explicou que o evento tem como objectivo principal “vender” a boa imagem de Moçambique no mundo, como um local bonito, acolhedor e fértil para investir.
“É um evento que se propõe a posicionar o turismo como um catalisador de prosperidade partilhada. E este evento vai contar com a presença de sua Excelência o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, para a sessão inaugural. Será nesta conferência que o Mozambique Tourism Summit 2025, (0:38) onde poderá ser confirmada a província de Inhambane como a capital nacional do turismo, isto é, a capital da hospitalidade moçambicana”, explicou Danilo Nhantumbo.
A cerca de 300 quilômetros da capital Inhambane, Vilanculos espera acolher mais de 300 convidados estrangeiros.
“Pelo que, a partir de Inhambane, todas as outras províncias vão se beneficiar. Sofala vai beneficiar, Gaza vai beneficiar, Maputo província, Tete, Manica, Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa. Significa que é um trabalho contínuo, esta é apenas uma estratégia para o reposicionamento da imagem internacional de Moçambique”, acrescentou, chamando a todos, independentemente do sector, a dar o seu contributo na promoção da boa imagem do país.
“E o processo de rebranding da imagem ou da marca país é um processo contínuo. E cada cidadão tem uma responsabilidade. Primeiro, de construir narrativas positivas sobre Moçambique, porque ninguém vai promover melhor o nosso país que nós próprios moçambicanos. Isto porque o processo de construção da imagem internacional de Moçambique, ou o processo de rebranding ou de reposicionamento da imagem internacional de Moçambique, depende da ação ou das ações de todos nós. Precisamos de continuar a criar narrativas corretas sobre Moçambique e fazer também as coisas certas. Nós, enquanto cidadãos, não é só apenas o papel do Estado ou do governo ou dos embaixadores oficiais. Cada um de nós é parte daquilo que nós designamos por diplomacia pública”, defendeu.
Na conferência internacional de turismo estão previstas as assinaturas de acordos e contratos financeiros, em vários sectores económicos.
Maputo prepara-se para voltar a dançar. De 24 a 30 de Novembro, a cidade acolhe a 11ª edição da Bienal Kinani, uma plataforma internacional de dança contemporânea que se tornou referência no continente africano. Mais do que um festival de dança, o Kinani, segundo a organização, será um espaço de celebração artística, intercâmbio cultural e reflexão social, onde o corpo se transforma em linguagem e a dança em diálogo entre povos.
Este ano, o evento traz à capital moçambicana artistas, coreógrafos e produtores de vários cantos do mundo, num programa que inclui espectáculos, performances urbanas, residências artísticas e conferência para reflexão sobre as artes.
“Queremos que o Kinani seja mais do que um festival de dança. É uma plataforma de diálogo e um espaço de descoberta, onde os artistas moçambicanos possam aprender, ensinar e reinventar a sua própria linguagem e influenciar o mundo”, disse Quinto Tembe, director do Kinani, durante o lançamento do evento, nesta quinta-feira, na capital do país.
Segundo Tembe, a edição de 2025 reforça a aposta na profissionalização das artes e na formação de jovens criadores, com oficinas conduzidas por nomes reconhecidos da dança contemporânea africana e europeia. “O Kinani nasceu para criar pontes. E cada edição é uma nova forma de fortalecer essas ligações entre Maputo e o mundo”, acrescentou.
Durante sete dias, Maputo será transformada num palco a céu aberto. Os espectáculos vão ocupar espaços emblemáticos como o Teatro Avenida, a Casa Velha, o Centro Cultural Franco-Moçambicano, e até lugares inesperados como os Correios de Moçambique e a Capela da Ronil, onde a dança se mistura com o quotidiano urbano.
Para Osvaldo Faquir, vereador da Educação e Cultura do Conselho Municipal de Maputo, o festival “é uma demonstração clara de que a arte pode ser um motor de desenvolvimento local”.
“O Kinani não é apenas um evento cultural. É uma experiência de cidadania, de partilha e de valorização do talento nacional. Traz vida aos nossos espaços públicos e inspira os jovens a acreditarem na cultura como profissão e modo de estar no mundo”, afirmou Faquir.
A Direcção do Centro Cultural Franco-Moçambicano destacou o papel do evento no fortalecimento das relações culturais entre Moçambique e o mundo francófono.
A Bienal Kinani tem vindo a ganhar reconhecimento internacional como um dos maiores eventos culturais de Moçambique, atraindo cada vez mais visitantes estrangeiros e promovendo o turismo cultural no país.
De acordo com a Secretária de Estado das Artes, Matilde Muocha, o evento é “um exemplo de como a criactividade pode ser motor de desenvolvimento económico”.
“O Kinani mostra que a cultura é um investimento. Cada artista que chega a Maputo traz conhecimento, visibilidade e movimento económico. Mas, acima de tudo, traz inspiração. É isso que queremos ver multiplicado em todas as províncias”, afirmou.
Além dos espectáculos, o evento inclui sessões de conversa com artistas, projecções de filmes de dança, e momentos de improvisação em espaços públicos, aproximando o público da linguagem contemporânea.
“De Maputo para o mundo, o Kinani dança entre fronteiras e emoções. É um gesto de amor à arte, à cidade e à diversidade que nos define como povo”, concluiu Tembe.
Num mundo em rápida transformação digital, em que a Inteligência Artificial (IA) se tornou o motor de mudança em praticamente todos os sectores, um nome moçambicano começa a destacar-se no panorama internacional. James Kachamila, um jovem natural de Moçambique apaixonado pela tecnologia, está a ser apontado como uma das novas vozes africanas na área da inovação. A sua mais recente criação, uma plataforma de Inteligência Artificial desenvolvida nos Estados Unidos, promete revolucionar a forma como empresas, governos e instituições enfrentam desafios operacionais e estratégicos, tanto em África como fora dela.
A génese do projecto nasceu da experiência pessoal de Kachamila, que, ao longo do seu percurso académico e profissional, constatou a falta de soluções tecnológicas adaptadas à realidade africana. “A maior parte das ferramentas digitais disponíveis no mercado são desenhadas com base em contextos e necessidades de países desenvolvidos. Muitas vezes, quando chegam a África ou Moçambique, não funcionam como deviam, porque não respondem às nossas especificidades”, explica o jovem inovador.
Foi com este pensamento que, durante os seus estudos nos Estados Unidos, James decidiu criar o Agente IA Nelima, uma plataforma de Inteligência Artificial concebida para interpretar e processar dados locais, automatizar tarefas e apoiar decisões estratégicas em áreas cruciais como a agricultura, a educação, a saúde e a administração pública.
“Acredito que a tecnologia deve servir as pessoas, não o contrário. O meu objectivo é tornar a IA acessível e útil para resolver problemas concretos das nossas comunidades”, afirma Kachamila.
O percurso até ao desenvolvimento da plataforma foi marcado por desafios financeiros, técnicos e logísticos, mas também por uma determinação inabalável. James começou o projecto com poucos recursos, trabalhando em bibliotecas e laboratórios universitários, juntamente com os seus colegas.
Hoje, o Agente IA Nelima está em fase avançada de testes e já desperta o interesse de instituições académicas e startups tecnológicas que procuram integrar soluções inteligentes nos seus sistemas. A plataforma combina aprendizagem automática, processamento de linguagem natural e análise de dados preditiva, oferecendo respostas em tempo real a problemas de gestão e planeamento.
“Estamos a desenvolver algoritmos capazes de compreender o contexto linguístico e cultural. Queremos que as pessoas possam interagir com a plataforma em português, inglês ou mesmo em línguas locais, o que permitirá uma maior inclusão digital, sobretudo em nações pouco digitalizadas”, destaca Kachamila.
Mais do que uma conquista pessoal, James Kachamila vê o seu projecto como um contributo para o fortalecimento da soberania tecnológica africana. Em sua visão, África deve deixar de ser apenas consumidora de tecnologias estrangeiras e passar a produzir conhecimento e inovação.
“Temos jovens talentosos, com ideias brilhantes, mas faltam recursos e oportunidades. Se conseguirmos criar ecossistemas de inovação no continente, poderemos usar a tecnologia para resolver os nossos próprios desafios, desde a gestão de recursos naturais até à melhoria dos serviços públicos”, defende o engenheiro.
Neste sentido, Kachamila planeia expandir o projecto para Moçambique e outros países africanos, através de parcerias, mais investigação e governos locais. O objectivo é criar laboratórios de IA e hubs de inovação tecnológica que permitam formar jovens e fomentar o empreendedorismo digital.
De Maputo para o mundo, o jovem engenheiro prova que a inovação não tem nacionalidade e que a Inteligência Artificial pode, sim, ter sotaque moçambicano.