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O País – A verdade como notícia

Algumas horas depois do resultado do sorteio das eliminatórias de acesso ao Campeonato Africano das Nações de Sub-23, em que os Mambinhas ficaram a conhecer que iriam defrontar as Maurícias, a Federação Moçambicana de Futebol comunicou que a mesma selecção não mais vai competir este ano.

Uma decisão que foi tomada em reunião de direcção que decorreu esta quarta-feira, sem, no entanto, ter sido divulgada a público.

De acordo com o comunicado de imprensa Nº 026/FMF/2022, desta quinta-feira, o organismo que gere o futebol no país escreve que “a Direcção Executiva da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) decidiu, em Reunião Ordinária realizada a 17 de Agosto de 2022, prescindir da participação de algumas selecções nacionais de futebol nas competições internacionais que se avizinham”.

Devido a essa decisão, “a Selecção de Futebol Sub-23 não irá participar nas eliminatórias de acesso ao CAN Marrocos 2023, competição que dá acesso à XXXIII edição dos Jogos Olímpicos de Verão a terem lugar em Paris de 26 de Julho a 11 de Agosto de 2024”, segundo o comunicado da FMF.

Assim, as Maurícias ficam automaticamente qualificadas para defrontarem o Gana na segunda eliminatória de acesso ao CAN de Marrocos de sub-23, que vai decorrer no próximo ano e que qualifica aos Jogos Olímpicos de Londres.

A FMF decidiu, ainda, pela não participação da Selecção de Futebol Sub-17 nas competições internacionais.

A FMF diz que a mesma “não irá participar nos Jogos da AUSC–R5 a terem lugar em Lilongwe de 1 a 12 de Dezembro do corrente ano”.

Para justificar esta decisão, a Federação Moçambicana de Futebol fala de limitações financeiras. No comunicado, escreve que “a não participação das selecções moçambicanas de futebol nas provas supramencionadas têm origem nas limitações orçamentais, bem como na necessidade de garantir o curso normal do calendário do Campeonato Nacional da I Divisão – Moçambola 2022 face às interrupções que, por força dos compromissos, se têm verificado”.

Ou seja, além das dificuldades financeiras, a Casa do Futebol diz que desiste das competições internacionais dos Mambinhas Sub-23 e Sub-17 para permitir que o Moçambola não tenha mais paragens que acabam por comprometer o seu curso.

Desde o arranque do Moçambola 2022, já houve três paragens, concretamente em Junho, Julho e, agora, em Agosto, todas para dar lugar aos jogos dos Mambas que disputaram as primeiras duas jornadas do grupo L de qualificação ao CAN da Costa do Marfim, o torneio Cosafa e as eliminatórias de acesso ao CHAN-2023 que terá lugar na Argélia, próximo ano.

O sorteio das eliminatórias de acesso ao Campeonato Africano das Nações dos sub-23, realizado esta quinta-feira, na sede da Confederação Africana de Futebol (CAF), ditou que os Mambinhas vão defrontar as Maurícias para a pré-eliminatória.

Escalonado no mesmo pote, calhou aos Mambinhas sub-23 um adversário do mesmo nível, tendo em conta o pouco histórico que as duas selecções têm nesta categoria.

A primeira mão deste embate entre Moçambique e Maurícias vai ter lugar em Maputo, no dia 19 de Setembro, ficando a segunda mão marcada para 27 do mesmo mês, em território maurício.

Caso passe dessa pré-eliminatória, os Mambinhas vão defrontar o Gana, isento desta fase devido à sua posição no ranking da categoria. As Estrelas Negras são assíduas em fases finais do CAN da categoria e, inclusive, já conquistaram a prova e estiveram presentes em várias fases finais dos Jogos Olímpicos.

A eliminatória diante do Gana, caso afaste as Maurícias, vai decorrer entre os dias 21 e 23 de Outubro, a primeira mão, e entre 28 a 30 do mesmo mês, a segunda mão.

O vencedor deste jogo qualifica-se para a última eliminatória, que terá lugar em Março do próximo ano, e vai defrontar o vencedor da eliminatória entre Argélia e a selecção que passar no embate entre Etiópia e RD Congo.

A fase final do CAN de Sub-23 vai decorrer em Junho de 2023, em Marrocos.

Os Mambinhas sub-23 estiveram envolvidos pela última vez numa eliminatória de acesso ao CAN da categoria em 2019, tendo sido eliminados pelo Zimbabwe na 2ª eliminatória, com agregado de 2-0, resultado alcançado em Harare, depois do nulo no Zimpeto.

Ano passado, os Mambinhas sub-23 estiveram em acção, a representar os Mambas, no torneio Cosafa, prova na qual terminaram em quarto lugar.

Para estas eliminatórias, o seleccionador nacional, Chiquinho Conde, lamentou o facto de não se ter dado continuidade à selecção dos Sub-20, que, sob comando de Dário Monteiro, conquistou a Taça COSAFA. Conde entende que, se se tivesse dado continuidade, a selecção Sub-23 sairia reforçada e que, acima de tudo, não haveria necessidade de se recorrer aos jogadores da equipa principal.

Por isso mesmo, o técnico vê-se na obrigação de apostar em jogadores estrangeiros que actuam em vários clubes portugueses, alguns deles nas camadas de formação.

Resta saber, agora, se Chiquinho Conde vai solicitar jogos amigáveis na data-FIFA de Setembro ou vai preferir ter apenas a selecção sub-23 em movimento, tendo em conta que as datas são as mesmas da pré-eliminatória de acesso ao CAN de Marrocos, em 2023.

A jornada 9 do Moçambola 2022 vai ter um jogo de destaque e outro de tira-teimas, em Songo e Nampula, respectivamente. UD Songo vs Ferroviário da Beira e Ferroviário de Nampula vs Black Bulls paralisam as atenções dos amantes do futebol moçambicano.

Haverá teste da voltagem de energia do Songo, este domingo, quando os “hidroeléctricos” receberem os “locomotivas” de Chiveve. Trata-se de um embate que atrai as atenções dos amantes do desporto, em particular o futebol, e que vai mover massas ao Estádio da HCB, em Songo.

A União Desportiva do Songo procura manter a liderança invicta e a diferença pontual com os directos perseguidores e, para isso, precisa de dar tudo em campo. Isto porque os embates entre estas duas equipas já se tornou no derby da zona centro, com um resultado imprevisível, quer seja em Songo ou no  Chiveve.

Até porque os últimos resultados são prova disso, e uma motivação extra para uma partida de grande nível e bom espectáculo. Até porque os “locomotivas” da Beira costumam levar consigo o apoio dos adeptos para estas deslocações para os jogos no Centro, algo que não vai fugir à regra este domingo.

Os “hidroeléctricos” vão a este jogo desfalcados de duas unidades de peso: Edmilson Dove, já integrado no Kaiser Chiefs, que muita falta deu domingo passado, mas que já está a ser substituído a contento, para além do seu treinador principal, Srdjan Zivojnov, que teve que abandonar o país às pressas para tratar de questões de saúde.

O sérvio, que também está envolto a alguma polémica que envolve o seu visto de trabalho, que tem datas contraditórias, pese embora ilegalidade (aguarda-se pelo pronunciamento do SENAMI em relação a contradições das datas e dos números dos passaportes apresentados com os vistos de trabalho), vai desfalcar a equipa por 20 dias.

Por um lado, os agora treinados por Carlos Manuel terão que mostrar seu apoio ao técnico com uma exibição de luxo e uma vitória e, por outro, os jogadores do Ferroviário da Beira vão querer aproveitar-se desta ausência para somar pontos e subir na tabela classificativa.

Songo vai, certamente, fervilhar com esta partida, no domingo.

Já em Nampula, haverá jogo do tira-teimas. O Ferroviário local recebe a Black Bulls e os resultados da época passada terão influência no jogo deste domingo.

Os “touros” venceram na capital do Norte no arranque da época passada, por números gordos, mas tiveram o troco no início da segunda volta, em sua casa, quando os “locomotivas” de Nampula impuseram a primeira derrota a Black Bulls.

Depois de duas derrotas consecutivas, o Ferroviário de Nampula não vai querer arriscar a somar mais uma derrota e os jogadores terão que prestar o seu apoio ao técnico Nelson Santos, que continuará ausente devido a questões migratórias, com uma vitória. Até mesmo para não deixar fugir o grupo da frente da tabela classificativa.

Mas a Black Bulls, bem posicionada na segunda posição, quer continuar a perseguição à líder da prova e encurtar os sete pontos de desvantagem.

Mais uma boa partida em perspectiva.

 

AFLITOS COM JOGOS DE RISCO

A jornada vai ainda colocar à prova equipas que estão na zona da despromoção, que recebem candidatos natos.

O Matchedje de Mocuba, lanterna vermelha com dois pontos em oito jogos, recebe o embalado Ferroviário de Maputo, em Quelimane.

Depois do regresso de Jean Loscuito ao banco técnico e uma vitória importantíssima na jornada anterior diante do homónimo de Nampula, os “locomotivas” da capital do país querem continuar a senda vitoriosa e regressar da Zambézia com os três pontos que os coloquem no pelotão do Moçambola.

Para Nacir Armando, será o jogo de tudo ou nada. Apesar de continuar a resistir e depois de um empate na deslocação a Xinavane, o técnico continua com lugar em risco. Vai, certamente, querer repetir a proeza do empate alcançado na época passada.

Já o Incomáti de Xinavane tem deslocação difícil ao Matchiki Tchiki, onde o aguarda o Costa do Sol.

Depois da derrota na jornada passada, que custou a segunda posição, os “canarinhos” não vão querer facilitar neste regresso de Victor

A Piscina Olímpica do Zimpeto está a beneficiar-se de reabilitação. As obras consistem na reposição do muro que desabou em 2016, provocando a morte do então seleccionador nacional de natação, Frederico dos Santos.

Seis anos depois do desabamento do muro da Piscina Olímpica de Zimpeto, tragédia que causou morte, feridos e danos materiais avultados, aquele recinto desportivo beneficia-se de reabilitação. Estão em curso, neste momento, as obras de reposição do muro, melhoria da piscina e das bancadas.

A Secretaria do Estado de Desporto (SED), através do Fundo de Promoção Desportiva, entidade responsável pela gestão do património desportivo do Estado, pretende, com esta acção, permitir que aquele recinto volte a ser usado.

A reabilitação daquele recinto desportivo, que foi construído no âmbito da realização, em 2011, dos Jogos Africanos, acontece numa altura em que muitas vozes se têm feito ouvir em relação ao aproveitamento daquele espaço.

O custo das obras de reabilitação da Piscina Olímpica do Zimpeto pode estar a ser suportado pelo consórcio português Mota-Engil e Soares da Costa, empresas responsáveis pela construção daquele recinto desportivo.

Isto porque, após a tragédia, a direcção do Complexo Desportivo do Zimpeto veio a terreiro pedir para que o consórcio das construtoras esclarecesse o que esteve por trás do desabamento do muro da piscina olímpica.

As empresas responsáveis pela construção da infra-estrutura asseguraram, na altura, que todas as normas foram cumpridas. “A obra cumpre, integralmente, o projecto de execução, tendo sido fiscalizada por entidade independente nomeada pelo dono de obra e acompanhada diariamente por esta, desde o seu início até à data da sua entrega definitiva”, comunicou o consórcio.

Segundo a construtora, a obra tinha garantia de um ano, conforme definido no contrato assinado. Apesar de ter assegurado que cumpriu todas as normas, o consórcio português predispôs-se a pagar indemnização à família de Frederico dos Santos e de outras vítimas.

Na altura, o bastonário da Ordem dos Engenheiros de Moçambique, Felisberto Devesse, afirmara que a parede da piscina teria desabado por causa da humidade, ventos fortes e da temperatura atmosférica que ultrapassou 43 graus Celsius.

Segundo avançou, a falta de pilares e vigas poderá também estar na origem da queda do muro da piscina olímpica.

“Qualquer obra de engenharia é dimensionada para aguentar todo o tipo de intempéries que tenham sido previstas”, explicou o bastonário.

Já Agostinho Vuma, então responsável da Federação dos Empreiteiros de Moçambique, considerou que a comissão de inquérito criada pelo Ministério da Juventude e Desportos, para apurar as causas por trás da tragédia, deveria incluir todos os intervenientes na construção do empreendimento desportivo.

Defendia que essa medida visava evitar que, em cada acidente, apenas se engavetasse informação útil. Para ele, era necessário fazer-se o uso dessa informação para que os projectistas tivessem em conta essas ocorrências.

A Piscina Olímpica de Zimpeto tem sido utilizada para a realização do campeonato da Cidade de Maputo e para as provas nacionais, algo que, devido à interdição daquele local, não acontecia.

O treinador da União Desportiva do Songo, Srdjan Zivojnov, regressou, esta quarta-feira, ao seu país de origem, Sérvia, a fim de cuidar da sua saúde.

Segundo um comunicado emitido pela União Desportiva do Songo esta quarta-feira, o técnico sérvio enfrenta problemas de saúde, tendo registado, esta semana, um quadro evolutivo negativo.

O referido comunicado avança que, por isso, Srdjan Zivojnov está a receber tratamento paliativo por meio de administração de fármacos para atenuar os sintomas associados à doença.

Segundo o comunicado, por causa da gravidade da doença, o técnico deverá ser submetido a uma cirurgia urgente, tendo, por isso, viajado, esta quarta-feira, para a Sérvia. O regresso do técnico a Moçambique está previsto para dentro de 19 dias.

“Considerando o contexto actual, e para evitar qualquer outro entendimento, a direcção do clube sente-se na obrigação de esclarecer que esta situação nada tem a ver com a ilegalidade da sua permanência no território nacional como trabalhador estrangeiro”, diz o comunicado, sublinhando que a condição laboral de Srdjan Zivojnov está regularizada, conforme as exigências vigentes no país.

Ainda de acordo com a nota a que tivemos acesso, a União Desportiva de Songo diz que continuará a acompanhar e a prestar toda a assistência ao técnico.

Na ausência do treinador principal, segundo avança o comunicado, a equipa principal passará, a partir de segunda-feira, a trabalhar sob as ordens do técnico-adjunto, Carlos Manuel.

Srdjan Zivojnov chegou a Moçambique na presente temporada em substituição a Nacir Armando, que foi obrigado a deixar o cargo por alegados maus resultados. O técnico parte para o seu país de origem numa altura em que a sua equipa lidera o Moçambola, com 22 pontos.

Na presente temporada, a União Desportiva do Songo é a única equipa que ainda não perdeu, somando sete vitórias e um empate, 15 golos marcados e dois sofridos.

De 49 anos de idade, Zivojnov, como é tratado, é conhecedor do futebol africano. Com nível A da UEFA, o técnico sérvio já orientou o Yang África da Tanzânia, Saint Georg da Etiópia, Buildcon FC Club da Zâmbia e SC Villa de Uganda.

Também tem passagens pelo FC Dinamo Pancevo da Sérvia, FC Amitie do Japão e HO Chi Min City FC do Vietnam. Do seu currículo, consta a conquista dos campeonatos da primeira liga da Etiópia e Tanzânia, pelo Buildon e Yanga África, respectivamente, este último por duas vezes.

O seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, divulgou, esta quarta-feira, a convocatória para a derradeira eliminatória com o Malawi de apuramento à fase final do Campeonato Africano de Futebol, destinado aos jogadores internos, prova agendada para Janeiro próximo, na Argélia. Para colmatar as ausências de Edmilson, que, recentemente, se mudou para o Kaizer Chiefs e de Nené, que está de fora por opção técnica.

Edson e Skaba, ambos do Ferroviário da Beira, são as únicas novidades na convocatória de Chiquinho Conde. É com eles e mais outros jogadores que integraram as últimas convocatórias que o técnico dos Mambas pretende suplantar o Malawi, selecção que tem estado, nos últimos anos, a registar resultados positivos.

A primeira partida está agendada para 27 de Agosto, às 15 horas, no Bingu National Stadium, em Lilongwe. O jogo decisivo será à mesma hora, no Estádio Nacional do Zimpeto, a 4 de Setembro.

Ciente das dificuldades que poderá encontrar diante do combinado malawiano, Chiquinho Conde diz que é preciso que se faça um trabalho aturado, sobretudo no que diz respeito ao capítulo da finalização, que tem sido um dos maiores obstáculos da sua equipa.

Apesar da importância do jogo diante da selecção do Malawi, Chiquinho Conde diz que não se pode queixar em relação ao capital humano, pois dispõe de muitas soluções para diversos sectores da sua equipa. Sobre a inserção dos jogadores Edson e Skaba, o timoneiro do combinado nacional indica que é resultado do trabalho que eles têm vindo a desenvolver.

Chiquinho Conde considera que é preciso encarar a selecção malawiana com muito respeito, o que, segundo explicou, não significa temer o adversário. Para o técnico, ainda há muito trabalho por desenvolver, de modo a garantir a qualificação para o CHAN pela segunda vez.

“O jogo contra o Malawi não são favas contadas, pelo que devemos encará-lo com muita cautela. O caminho ainda é longo”, disse Chiquinho Conde, que considera ainda que a atitude dos seus jogadores será determinante para alcançar o objectivo, que passa por marcar presença nesta competição.

Os seleccionados de Chiquinho Conde iniciam o estágio próximo domingo, à noite.

Para chegar à segunda e última eliminatória, Moçambique afastou a Zâmbia. Caso elimine o Malawi, os Mambas vão qualificar-se pela segunda vez para o CHAN.

 

Lista dos Convocados:

Guarda-redes:

Ernan Siluane (União Desportiva de Songo)

Ivan Urrubal (Black Bulls)

Victor Guambe (Costa do Sol)

 

Defesas:

Infren Matola (União Desportiva do Songo)

Domingos Macandza (Costa do Sol)

Edson Morais (Ferroviário da Beira)

Danilo Muze (Costa do Sol)

Alberto Alface (Ferroviário da Beira)

Francisco Muchanga (Costa do Sol)

Martinho Thauzen (Black Bulls)

Daniel Mutambe (União Desportiva do Songo)

 

Médios:

Amade Momade (União Desportiva do Songo)

Shaquille Nangy (Ferroviário de Maputo)

Dário Melo (União Desportiva do Songo)

Sebastin Grine (Ferroviário da Beira)

Nelson Divrassone (União Desportiva do Songo)

João Bonde (Ferroviário da Beira)

Ailton Macuácua (Ferroviário de Maputo)

 

Avançados:

Stélio Ernesto (Costa do Sol)

Melque Alexandre (Black Bulls)

Melven Choi (Ferroviário da Beira)

Isac de Carvalho (Ferroviário de Nampula)

Lau King (União Desportiva do Songo)

A fase regional da Taça de Moçambique prossegue esta quarta-feira, depois de se ter iniciado semana passada, com a disputa de três jogos, sendo dois na zona Sul e um no Centro. O jogo de destaque é o que vai envolver o Desportivo Maputo e o Costa do Sol, em Maputo.

O embate entre Desportivo Maputo e Costa do Sol é o de destaque deste segundo dia de disputa dos jogos da fase regional da Taça de Moçambique, segundo ditou o sorteio realizado em Julho passado pela Federação Moçambicana de Futebol.

Um jogo de cartaz e de grande risco para as duas colectividades, tendo em conta a grandeza dos dois clubes e o histórico entre ambos. Mesmo estando a disputar campeonatos diferentes, com o Costa do Sol na primeira divisão e o Desportivo Maputo no Campeonato Provincial da segunda divisão, este embate sempre promete.

Em termos de confrontos directos, para além dos vários jogos da Taça de Moçambique e dos campeonatos provinciais – os torneios de abertura e da cidade, no Moçambola, o principal campeonato do país – nas últimas 16 partidas, os “canarinhos” levam vantagem ao vencer nove jogos, contra três dos “alvi-negros”.

Houve ainda registo de quatro empates.

Nos confrontos para a edição 2021 do Moçambola, antes da descida de divisão dos “alvi-negros”, o Costa do Sol venceu os dois jogos, por 1-0 e 2-0 respectivamente. A última vitória do Desportivo Maputo diante do Costa do Sol data de Junho de 2019, antes da COVID-19, por 2-1. Aliás, é a única vitória dos últimos oito confrontos entre as duas colectividades.

Desportivo Maputo vs Costa do Sol é uma partida que arrasta milhares de espectadores aos campos, tendo em conta o número de adeptos que cada uma das duas equipas têm. Adeptos fervorosos que vão aos campos em busca de espectáculo e de apoio para os seus jogadores.

Clubes históricos que já conquistaram os principais troféus do país, com destaque para os “canarinhos”, que são os maiores vencedores da Taça de Moçambique. A turma orientada por Artur Semedo já conquistou a prova por 13 ocasiões, a última das quais em 2018, a revalidar o troféu conquistado em 2017.

Já o Desportivo Maputo conquistou a prova duas vezes, nomeadamente em 1981 e 2006, facto que lhe dá poucas esperanças de chegar ao mais longe possível.

Aliás, a campanha que os “alvi-negros” estão a fazer na segunda divisão, onde somam derrotas atrás de derrotas, deixa muito a desejar, e o Costa do Sol pode aproveitar-se deste facto para aplicar uma boa cabazada na águia negra.

As duas equipas vêm de resultados negativos na última partida pelos respectivos campeonatos. O Costa do Sol perdeu na deslocação para a Beira, diante do Ferroviário local, por 3-1, um resultado que foi aceite pela equipa técnica, pese embora não ter estado nas suas previsões. Uma derrota que custou a segunda posição, perdida para a Black Bulls.

Já o Desportivo Maputo perdeu diante do seu arquirrival e vizinho, Maxaquene, por uma bola sem resposta, para a segunda divisão da Cidade de Maputo, um resultado que deixa a equipa na 10ª posição.

Para chegar a esta fase, os “canarinhos” deixaram para trás o 1º de Maio de Maputo, num jogo em que tiveram dificuldades para sair vitoriosos, por uma bola sem resposta, com Jorge a ser o salvador, de grande penalidade.

Os “alvi-negros” tiveram que ir às grandes penalidades para eliminar a Liga Desportiva de Maputo, e isso pode ser uma motivação para o jogo com o Costa do Sol.

Mas Taça é Taça e todas as surpresas são esperadas.

 

“LOCOMOTIVAS” DE MAPUTO VÃO A CHIBUTO

Ainda na zona Sul, o Ferroviário de Maputo tem uma deslocação difícil para a província de Gaza, concretamente para Chibuto, onde vai defrontar a turma local. Uma deslocação que deixa cautelosa a equipa técnica que não vai querer facilitar, até porque o Clube de Chibuto não é qualquer equipa.

No confronto directo, há um equilíbrio motivador para a turma de Gaza, que disputa o campeonato provincial da segunda divisão. Em 16 jogos, há registo de cinco vitórias para cada lado e seis empates.

Nos últimos quatro confrontos entre ambos, os “locomotivas” da Capital venceram dois jogos, um deles de goleada, e dois empates, ambos em Chibuto. Resta saber como Jean Loscuito preparou a equipa para esta deslocação. Até porque os “guerreiros” de Gaza assumem o desejo de fazer história e entrar para a fase nacional da segunda maior competição do país.

Ao nível dos respectivos campeonatos, os “guerreiros” de Gaza seguem na segunda posição, com 20 pontos, atrás do Clube de Gaza, líder com mais dois pontos. Na última jornada, o Clube de Chibuto venceu o Desportivo de Mabalane por duas bolas sem resposta.

A motivação da turma de Gaza é também a mesma do Ferroviário de Maputo. É que os “locomotivas” também venceram, mas ao seu homónimo de Nampula por uma bola sem resposta. Um resultado que fez a turma de Loscuito ascender à quarta posição do Moçambola.

Um embate que vai levar muitos amantes do futebol, principalmente os adeptos de Chibuto, os chamados “xiwa niku pfuka” ao campo de Chibuto, palco que não acolhe o Moçambola desde 2019.

 

FERROVIÁRIO DA BEIRA VAI A TETE

Para fechar o segundo dia dos oitavos-de-final da Taça de Moçambique, um embate da zona Centro. Bagamoio de Tete recebe o Ferroviário da Beira, num jogo em que os “locomotivas” de Chiveve são claros favoritos.

Aliás, a vitória alcançada domingo passado, diante de um colosso do futebol moçambicano – o Costa do Sol – abre espaço para a turma de Wedson Nyirenda pensar num resultado não só bom, mas com números gordos, tal como fizeram à União Desportiva do Songo e à Black Bulls.

O Bagamoio de Moatize, de Tete, espreita um lugar na poule de apuramento ao Moçambola 2023, e isso pode mexer com a sua motivação, já que venceu no fim-de-semana ao 3 de Fevereiro de Chingodze por 1-3, fora de portas. Um segundo lugar com os mesmos pontos do líder e que colocam a turma de Tete mais motivada.

A grandeza do Ferroviário da Beira terá que ser provada dentro das quatro linhas, esta quarta-feira.

Para fechar esta fase da Taça de Moçambique faltará disputar dois jogos – os embates entre Baía de Pemba e Ferroviário de Nacala – no próximo dia 28 de Agosto, pela zona Norte, mesma data em que Sumeia de Mocuba da Zambézia recebe o FC Soalpo de Manica, pela zona Centro, e o Estrela Vermelha de Maputo marca encontro com Associação Desportiva de Vilankulo.

Com a edição 2022/2023 da Liga dos Campeões africanos e da Taça das Confederações, ou Taça CAF, em andamento, a CAF divulgou a lista de clubes que receberam licença para a temporada das afrotaças.

Isto se segue a um Seminário de Licenciamento de Clubes, organizado, há quinze dias, pela CAF, no Egipto, Cairo, que viu Associações Membros, Ligas, FIFA e Confederações irmãs reunirem-se para discutir o roteiro para o sistema de licenciamento em África.

Nos últimos anos, o Licenciamento de Clubes na África alcançou marcos impressionantes que resultaram na melhoria do futebol de clubes no continente.

A cada ano, a CAF, que trabalha com as Associações Membro e as Ligas, inicia um processo de licenciamento que se concentra no aprimoramento do produto de futebol nos clubes.

O processo de licenciamento de clubes para as competições de clubes da CAF é regulamentado através dos diferentes códigos e regulamentos da competição, que estabelecem que todos os clubes (Requerentes de Licenças) que pretendam participar nas competições interclubes da CAF, devem submeter-se ao processo de licenciamento de clubes com a respectiva associação-membro (licenciante) e obter uma licença pelos órgãos de decisão competentes.

A concessão de uma licença aos clubes significa que cada clube atendeu aos requisitos estabelecidos nos regulamentos de licenciamento de clubes da CAF.

A associação-membro da CAF é o licenciante, e avalia cada clube de acordo com cinco critérios: desportivo, infra-estrutural, pessoal e administrativo, jurídico e financeiro. Para o ciclo actual, a data limite para a apresentação de todas as decisões e documentos de licenciamento era 30 de Junho de 2022.

Um total de 58 clubes de 46 associações-membros da CAF foram licenciadas para a edição 2022/2023 da Liga dos Campeões, incluindo a Associação Black Bulls, campeã nacional, que se estreia nas afrotaças, diante do Petro Atlético de Luanda, de Angola.

Muhammad Sidat, líder do Departamento de Licenciamento de Futebol Profissional da CAF, disse que os clubes cumpriram todos os requisitos exigidos. “Neste ciclo, as associações-membros cumpriram novamente os prazos e a apresentação de toda a documentação e evidências necessárias relacionadas ao processo de licenciamento de clubes para as competições africanas de clubes 2022/2023.”

O dirigente moçambicano que lidera o departamento ao nível de África acrescentou que “o ‘critério de pagamentos em atraso’ foi o que os clubes tiveram – alguns desafios para cumprir – mas, no fim, todas as disputas dentro do período de monitoramento com decisões finais e vinculantes foram resolvidas”.

Para já, de acordo com Muhammad Sidat, “estamos ansiosos para a próxima temporada, em que o processo de licenciamento será feito electronicamente, através da Plataforma Online de Licenciamento do Clube CAF (CLOP)”.

Para a edição 2022/2023 da Taça CAF, 50 clubes, incluindo o Ferroviário da Beira, receberam uma licença ao nível da sua respectiva associação-membro e participarão na competição.

A Security Systems do Botswana decidiu retirar-se da competição.

A primeira mão dos jogos da pré-eliminatória será disputada de 9 a 11 de Setembro, estando os jogos da segunda mão agendados para uma semana depois. Os vencedores desses jogos avançam para a segunda eliminatória.

As partidas dessa segunda ronda das eliminatórias dar-se-ão no início de Outubro deste ano.

O treinador do Ferroviário de Nampula, Nelson Santos, foi obrigado pelas autoridades migratórias de Nampula a deixar o país para tratar do seu visto, que o possibilite trabalhar no país. A confirmação desta saída do país do técnico português foi feita pela própria Direcção Provincial de Migração de Nampula, que revela que o técnico tinha um visto que não o possibilitava exercer a actividade que desempenhava.

O Serviço Nacional de Migração aperta o cerco aos estrangeiros no país. A onda chegou à escala desportiva, com atenções redobradas em todas as modalidades. O futebol é a modalidade que mais foi visitada pelo SENAMI.

A primeira vítima foi Tiago Matos, impedido de entrar no país por falta de visto de trabalho, quando vinha ao serviço dos Mambas, na altura do seleccionador nacional adjunto de Chiquinho Conde.

O técnico acabou por “largar tudo” e “mandar passear” a Federação Moçambicana de Futebol, com a rescisão do seu contrato.

Seguiu-se Alberto Lário, no atletismo, denunciado, alegadamente, pelo presidente da Federação Moçambicana da modalidade. O treinador acabou preso, multado e deportado, depois de ter ficado em isolamento por ter contraído COVID-19 nas celas de Maputo.

Ao todo, foram um milhão e quinhentos mil Meticais pagos pelo treinador, de multa por permanência ilegal no país, para além da deportação.

A partir daí, as equipas começaram a prestar mais atenção à situação dos seus colaboradores estrangeiros. O Ferroviário de Maputo foi o primeiro a tratar da situação do seu treinador, o belga Jean Loscuito.

O técnico estava, afinal, ilegal no país. Não dispunha de visto de trabalho e o seu visto de permanência no país não o permitia exercer a função. Os “locomotivas” da capital tiveram que suspender a actividade do treinador e regularizaram a sua situação. Loscuito não foi a Nacala, na vitória diante do homónimo local, mas já viu a sua situação legalizada e, neste domingo, já se sentou no banco.

Quem não se sentou no banco da sua equipa foi Nelson Santos, treinador do Ferroviário de Nampula, na sua deslocação a Maputo. Afinal o treinador português foi aconselhado e obrigado pela Direcção Provincial de Migração de Nampula a regularizar a sua situação.

Sheila Capela falou em conferência de imprensa esta segunda-feira, para esclarecer a situação de permanência do técnico. “A Direcção Provincial de Migração de Nampula tem a dar a conhecer a situação do treinador Nelson Santos, de nacionalidade portuguesa, que se encontrava em Nampula a trabalhar”, disse Sheila Capela, porta-voz do SENAMI em Nampula.

O técnico não tem visto que o permite trabalhar no país. Sheila Capela esclarece que, “aquando do pedido para entrada no país, ele fê-lo para visto de negócio, e isso não permite que o cidadão trabalhe a exercer a função de treinador do Clube Ferroviário de Nampula”.

Por esta razão, “a migração orientou ao cidadão para que saísse do país para procurar o visto que o permita trabalhar”, segundo a porta-voz do SENAMI em Nampula. Só depois disso é que Nelson Santos estará autorizado a exercer a sua profissão no país.

“Assim que ele adquirir o seu visto, pode regressar ao país para dar continuidade à sua actividade”, disse Sheila Capela, que confirmou que Nelson Santos até estava ilegal no país, mas “trazia um visto que não lhe permitia fazer o trabalho que estava a fazer”, ou seja, o treinador tinha visto de negócio e não de trabalho.

A Direcção do Ferroviário de Nampula promete reagir a respeito do caso.

 

NELSON SANTOS TEM DIREITO A APENAS 90 DIAS NO PAÍS

De acordo com a legislação moçambicana, o visto apresentado por Nelson Santos para permanecer no país, de negócios, dava direito a um máximo de 90 dias em território nacional.

O Artigo 18 do Decreto 108/2014, de 31 de Dezembro, do Conselho de Ministros, indica, no seu número dois, que “o visto de negócios deve ser utilizado no prazo de sessenta dias subsequentes à data da sua concessão e permite ao seu titular a permanência pelo período de trinta dias prorrogáveis até noventa dias”.

Vale isto dizer que Nelson Santos, que foi apresentado como treinador do Ferroviário de Nampula a 13 de Julho de 2021, devia permanecer no país até 13 de Outubro do ano passado, e sem exercer a função de treinador de futebol, mas como negociante, segundo escrito no número 3.

Ademais, o visto apresentado pelo técnico Nelson Santos “não permite a obtenção de autorização de residência e de trabalho”, de acordo com o número 4 do mesmo Artigo 18.

Ou seja, o treinador português, assim como qualquer estrangeiro que queira exercer alguma actividade no país, deve requerer visto de trabalho, por um período equivalente ao contrato do trabalho.

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