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O País – A verdade como notícia

Os jogadores da selecção nacional de futebol boicotaram, hoje, a sessão matinal de treinos, em reivindicação do pagamento de prémios de jogo (concretamente do jogo com a Zâmbia). A Federação Moçambicana de Futebol (FMF), envolta em polémicas nos últimos dias, dá a mão à palmatória e diz que vai pagar aos atletas nos próximos dias. Um problema não vem só, até porque, recentemente, a FMF anunciou a desistência dos Mambinhas de provas internacionais, por alegada falta de fundos, decisão criticada dias depois pela Secretaria de Estado de Desporto.

Ambiente de “cortar à faca!” Um país desportivo a andar em contramão! Nas vésperas de decisivos jogos com o Malawi (o primeiro, agendado para sábado, em Lilongwe, e o segundo para o dia 3 de Setembro, no Estádio Nacional do Zimpeto), emergiu mais um dos vários problemas que afectam os Mambas, agora em estado de graça com a raça demonstrada nos últimos jogos. Resultados encorajadores, acima de tudo, para uma selecção habituada a desaires.

A roçarem à presença, oito anos depois, numa fase final do Campeonato Africano das Nações para jogadores internos (CHAN-2023), os jogadores, que deviam estar única e exclusivamente focados nos treinos, reclamam o pagamento de prémios de jogo e diárias.

Porque, segundo apurou o “O País”, os ânimos exacerbaram-se e o silêncio era ensurdecedor por parte da Federação Moçambicana de Futebol, os jogadores decidiram “boicotar”, hoje, o treino matinal previsto para o Complexo Desportivo da Black Bulls. Os jogadores evidenciaram ter pilhas extras fora das quatro linhas.

Mais ainda: entraram numa “greve de fome” ao recusarem-se a jantar (na noite de terça-feira) e tomar o pequeno-almoço hoje.  

Numa verdadeira maratona, e corrida contra o relógio, a direcção-executiva da Federação Moçambicana de Futebol encetou negociações com os atletas. E, ao cabo de aturadas horas de negociações, com mediação da Secretaria de Estado de Desporto, chegou-se a um entendimento. Os jogadores terão o valor até sexta-feira, 26 de Agosto. Pelo menos foi esta a promessa da FMF.

E, neste processo negocial, é preciso recordar que a Secretaria de Estado de Desporto tem estado, nos últimos tempos, a assumir protagonismo, não só ao passar certificado de incompetência a algumas federações, assim como a encarregar-se publicamente de assumir as despesas de participação das equipas em provas.

Sabe “O País” que a falta de pagamento de ajudas de custo vem desde a participação da selecção nacional de futebol no Torneio Internacional de Nouakchott, na capital da Mauritânia, prova realizada entre os dias 23 e 26 de Março. São cinco dias de permanência naquele país, não compensados monetariamente. Geriu-se em “banho-maria” o barulho, e, estranhamente, foi-se ao extremo de deixar a bomba estourar.

Havia, por parte do seleccionador nacional, Chiquinho Conde, a perspectiva de realizar cinco sessões de treino em solo pátrio, mas tal já não será possível.

FMF ASSUME PAGAR NOS PRÓXIMOS DIAS…

Não era seguramente uma acção que a Federação Moçambicana de Futebol estivesse à espera; era, antes disso, uma atitude que o elenco de Feizal Sidat quisesse evitar a todo custo.

Mas, como, face às incertezas, a reivindicação dos atletas constituía um rastilho de pólvora prestes a explodir, a FMF não se surpreendeu de todo com o boicote da sessão de treinos. E assume estar com dívida para com os jogadores.

“Houve um encontro com a direcção-executiva da Federação Moçambicana de Futebol, no sentido de se dissipar todas as dúvidas em relação a esta questão. Colocava-se a possibilidade, da parte dos próprios jogadores, do valor não vir a ser pago. Há um relativo atraso no que diz respeito aos pagamentos. Isto é normal em instituições do género e não só. Mesmo as instituições públicas têm dificuldades, há atrasos e a federação não está alheia a estas situações. Certo é que há um valor que a federação reconhece que devia ser avançado, mas, neste momento, não tem disponibilidade e a campanha está em curso”, justificou Gervásio de Jesus, vice-presidente da Federação Moçambicana de Futebol para Área de Marketing, em entrevista ao “RM Desporto”.

Há, do lado da Federação Moçambicana de Futebol, um compromisso de fazer os desembolsos que até “já estão em curso” nos próximos tempos. Muitas cautelas, na verdade, e, mais do que isso, muita confiança de ver o problema solucionado. O discurso assim o diz!

“Há que haver aqui uma certa compreensão por parte dos próprios jogadores porque vão ser pagos. Daí que tenha havido este mal-entendido. Há quem tenha dito, dentro do grupo, que não seriam pagos, mas não é isso. Os atletas estavam meio renitentes  em relação às informações que eram passadas por funcionários que estão a trabalhar directamente com a equipa técnica. Chegou-se a um consenso de que a FMF vai pagar nos próximos tempos. Há desembolsos que estão em curso neste momento e, logo que a tesouraria tiver o dinheiro em mão, claro que vamos pagar”, assegurou.

Mal-estar gerou-se entre os atletas e a FMF. Mas não vice-versa, pelo menos a avaliar pelos pronunciamentos de Gervásio Jesus. Aliviado, claramente, pelo regresso dos Mambas aos treinos, feliz pelo consenso alcançado, mas ciente de que o descontentamento dos atletas e o não cumprimento do acordado pela Federação Moçambicana de Futebol não pode colocar uma Nação de prantos! Justamente, agora, que os adeptos voltaram a acreditar numa equipa responsável pelos seus desgostos!

“Eu acho que não há problemas, porque internamente há um trabalho do ponto de vista psicológico que está a ser feito pela equipa técnica e os próprios jogadores que estão focados para este jogo. Eles sabem das responsabilidades que têm de garantir um bom resultado em Lilongwe, e, depois, no jogo da segunda mão que pode levar justamente a selecção de Moçambique novamente a um CHAN. Os jogadores terão que vincar uma postura diferente deste celeuma que se levantou”, apelou, para adiante repisar: “Os atrasos ocorrem em qualquer sítio e a federação não é uma ilha e está ligada a estes procedimentos burocráticos”.

TICO-TICO: “NÃO PODEM HAVER PROMESSAS E NÃO SE CUMPRIR”

Tico-Tico apela sempre ao bom senso entre as partes: “Eu acho que fica mal. A selecção nacional é o clube de todo o país. Partimos do princípio que é sempre um orgulho vestir a camisola nacional. Não estou a dizer que os atletas devem jogar de borla. Não é isso que estou a dizer. Não fica bem que um problema desse venha cá para fora. Fica uma má imagem tanto para a selecção nacional quanto para a federação e os próprios jogadores. Portanto, espero que seja uma situação que possa ser resolvida. Futuramente, espero que encontrem uma solução que não venha a público, porque, se acontecer um mau resultado, as pessoas vão sempre relacionar à situação da greve”, alertou a lenda do futebol moçambicano.

Tico-Tico recuou no tempo, recordando que os atletas souberam reagir em prol da Nação. “Mesmo no passado, houve situações de crise na selecção nacional. Eu penso que nós sabíamos resolver os problemas internamente. Como se diz, lavar a roupa suja internamente e não em público porque não é bom para ninguém”.

O antigo capitão dos Mambas diz ainda que a FMF deve cumprir as suas promessas. “Acima de tudo, penso que, se há compromissos que a Federação Moçambicana de Futebol tem com os jogadores deve cumprir. Penso que os jogadores têm dado o seu litro. Nas últimas campanhas, tenho sempre mencionado que a selecção nacional tem estado a obter bons resultados. É importante que sejam motivados porque estão a ter bons resultados. Não podem haver promessas e não se cumprir”, alertou Tico-Tico.

HENRIQUE ALY SAI EM DEFESA DOS JOGADORES

Um dos mais renomados jornalistas desportivos do país, Henrique “Alito” Haly saiu em defesa dos atletas da selecção nacional de futebol no procedimento por estes tomados em reivindicação de prémios de jogo e diárias.

Num tom sarcástico, Henrique Aly escreveu: “O mais caricato é que, como sociedade, atingimos um ponto tal de Insensibilidade e falta de empatia que a maior parte das intervenções é feita a ‘condenar os aletas’ pela atitude de reivindicação de um ‘direito’ e poucos estão interessados em prestar atenção à causa do protesto levado a cabo com recurso à greve de fome… É esta sociedade que aplaude e inveja os golpistas da tenda da ‘BO’ e perdeu o sentido de indignação, porque convencionou que o errado é que está certo. Os jogadores não receberam o per diem. E, depois, qual é o problema?”

“Eu, sentado no conforto do meu sofá de cabedal, a servir-me de uma bebida que custa um salário mínimo, quero ligar o meu televisor LED de 82 polegadas e vê-los em campo, orgulhosos de vestirem a camisola da nossa selecção” e a darem a vida pelos meus insultos ao seu fraco desempenho. Quem são eles para deixarem de jantar e tomar o pequeno-almoço? Mimados!”

Se aqueles que fizeram nome em África e são conhecidos internacionalmente continuam à espera de terrenos prometidos antes dos seus netos nascerem, quem são esses desconhecidos armados em craques para reclamarem “pocket money”?

“E os Paulitos, Ticos, Rui Évoras, Chissanos, Zé Agustos, Nanas, Nacires, Riquitos, Antoninhos, Nicos e Cia que só recebiam o “pocket Money” meses depois de se terem esquecido do país para onde tinham viajado ao serviço da seleção? Serão esses craques do nosso passado supostamente glorioso, que ficaram anos com alguns prémios monetários por receber, menos importantes do que estes, quase recém-nascidos para o futebol? Arri… deixarem de jantar mesmo? Já se esqueceram que um certo treinador de um clube histórico foi enxovalhado e rebaixado por ter reclamado que os seus atletas foram a jogo sem almoçarem? Por acaso, era a primeira vez que tal acontecia para difamar um clube centenário daquela forma? Outro mimado! Mas esses jogadores da selecção que fizeram greve de fome pensam que representam a selecção de que país mesmo? Tipos que vão aos treinos de ‘my love’ de repente convencidos de que são futebolistas profissionais!”

Os pugilistas Rady Gramane, Tiago Muchanga e Alcinda Panguane foram homenageados pela conquista das medalhas de prata e bronze, nos Jogos da Commonwealth. Cada um dos três atletas recebeu 100 mil Meticais.

A iniciativa visa estimular os atletas, que, nos últimos anos, têm elevado bem alto a bandeira nacional. Nos recém-terminados Jogos da Commonwealth, no Reino Unido, foram os únicos da delegação moçambicana que subiram ao pódio. Esse feito não passou despercebido, daí que, esta segunda-feira, os “tridentes” foram reconhecidos, tendo, por conta disso, encaixado uma quantia de 100 mil Meticais cada.

Além dos atletas, Lucas Sinóia mereceu uma homenagem num valor 35 mil Meticais e a Federação Moçambicana de Boxe recebeu 50 mil Meticais. O reconhecimento do treinador dos três atletas é pelo esforço que tem empreendido para o desenvolvimento da modalidade no país, acima de tudo pelo facto de garantir medalhas em eventos nacionais e internacionais.

Para Rady Gramane, essa homenagem é sinal de que o seu trabalho não tem passado despercebido. E, acima de tudo, revela que o seu esforço é reconhecido ao mais alto nível.

Por seu turno, Alcinda Panguane considera que o reconhecimento não é apenas o que contém valores monetários, mas sim o gesto e o carinho com que tem sido tratada pelo contributo que tem dado à modalidade, sobretudo com a conquista de algumas medalhas.

Já Tiago Muchanga, pugilista que na sua primeira “aventura” internacional conquistou uma medalha de prata nos Jogos da Commonwealth, entende que gestos como estes servem como uma força motriz para que continue a trabalhar afincadamente, tendo em vista alcançar grandes êxitos na modalidade.

O presidente da Federação Moçambicana de Boxe diz que a homenagem é sinal de que o trabalho que está a ser feito é assinalável. Gabriel Júnior garante que a federação continuará a envidar todos os esforços possíveis, de modo a desenvolver o boxe moçambicano, tomando como base a aposta em novos atletas.

Apesar das recentes conquistas nos Jogos da Commonwealth, o secretário de Estado de Desporto, Gilberto Mendes, disse estar ciente de que os atletas querem mais, sendo que a meta são os jogos olímpicos. Mais do que participarem nesse evento planetário, o dirigente sublinhou que eles têm como meta conquistarem medalhas para o país.

Para o presidente da Montepuez Ruby Mining, Samora Machel Jr, o sucesso dos três atletas e da modalidade de boxe merece ser acarinhado por todos. Diz ainda que, mesmo diante de muitas dificuldades, os três pugilistas souberam representar o país condignamente, trazendo medalhas. Nesse sentido, diz que a homenagem é merecida, prometendo canalizar mais apoios à modalidade nos próximos dias.

Dias depois de ter assumido falta de dinheiro, Carlos Gilberto Mendes mudou de discurso em relação à participação das selecções de futebol Sub-23 e Sub-17 nas competições internacionais.

Carlos Gilberto Mendes diz que a decisão tomada pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF) caiu como uma bomba porque a selecção Sub-23 é composta por grande parte da equipa campeã da última edição do Torneio Cosafa Sub-20. Já os “Mambinhas” Sub-17 são o futuro do futebol moçambicano. Salientou que a aposta do Governo sempre será a formação.

O homem forte do Desporto nacional classificou como inexplicável a falta de investimento nestas equipas que são o futuro do futebol moçambicano.

“Para nós, ainda não é um caso fechado, a Federação disse que ia desistir. Nós ainda não desistimos, acreditamos que vamos conseguir participar nas duas categorias. Se as condições técnicas permitirem, faremos a mobilização de meios para que não fiquemos de fora, tal como foi com o Afrobasket feminino”, garantiu o secretário de Estado do Desporto.

Entretanto, considerou o dirigente que as Federações se comprometem com os seus programas e os presidentes das instituições assumem os riscos de conduzir a modalidade, sendo que a Secretaria de Estado existe para fazer a ponte entre as partes.

O secretário de Estado do Desporto disse estranhar que a FMF não tivesse esgotado todas as possibilidades antes de tomar tal decisão. Gilberto Mendes acusa, assim, a FMF de falta de organização e de ter sido precipitada na decisão.

“O importante é não desistirmos antes de tentarmos todas as vias. Eu acho que a Federação ainda não tinha esgotado todas as vias, podia ter insistido um bocado mais, podia ter-se comunicado um bocado mais connosco, e provavelmente tivéssemos encontrado uma saída”, disse o dirigente.

Carlos Gilberto Mendes lamenta ainda que o seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, não tivesse ficado a saber, muito antes, da medida.

Quando questionado se tal atitude da Federação era correcta, tendo em conta que quem dirige a selecção é o técnico, Carlos Gilberto Mendes acrescentou que se pode ser o método utilizado no órgão, ou seja, não comunicar o seleccionador, mas sim o departamento técnico.

“É uma maneira, se calhar, do funcionamento da própria Federação, não sei como eles funcionam, se a regra é essa, é algo por perguntar à própria Federação Moçambicana de Futebol. Provavelmente faltou comunicação ou é a maneira deles de se comunicarem”, concluiu.

O secretário de Estado do Desporto falava à margem da cerimónia de homenagem aos atletas de boxe, que, recentemente, conquistaram medalhas de prata e bronze nos Jogos da Commonwealth, em Birmingham, Inglaterra.

A selecção nacional de futebol inicia esta terça-feira a preparação para o embate contra Malawi, da última eliminatória de acesso à fase final do CHAN 2022. Os jogadores concentraram-se esta segunda-feira, o que impediu que os trabalhos se iniciassem à data previamente marcada.

O arranque dos trabalhos dos Mambas acaba por ser tardio, devido a não antecipação dos jogos da 9ª jornada do Moçambola, o que permitiria aos jogadores que actuaram fora da Cidade de Maputo, pelos seus clubes, chegar ao estágio com antecedência.

Já que os jogos dos clubes que disponibilizam os seus jogadores aos Mambas tiveram lugar no domingo, grande parte dos jogadores só conseguiu juntar-se ao estágio esta segunda-feira, inviabilizando os treinos marcados para o primeiro dia, de manhã e de tarde.

Na data inicialmente marcada para o estágio, apenas os jogadores do Costa do Sol tinham disponibilidade para iniciar o estágio, já que os restantes, da União Desportiva do Songo, Black Bulls, Ferroviários de Maputo e da Beira não tinham como estar presentes na Cidade de Maputo, pelo facto de os seus jogos terem decorrido fora da capital.

A União Desportiva do Songo e o Ferroviário da Beira jogaram entre si em Songo, a Black Bulls esteve em Nampula a jogar com o Ferroviário local, e o Ferroviário de Maputo em Quelimane.

Esta não antecipação dos jogos do Moçambola obrigou a que a equipa técnica mudasse o arranque dos trabalhos de preparação para esta terça-feira, com treinos bidiários e já com a presença de todos os jogadores convocados.

Assim, o combinado nacional vai realizar seis treinos em solo pátrio – dois por dia – terça, quarta e quinta-feiras, antes da partida para Lilongwe, sexta-feira, de manhã.

Em solo malawiano, os Mambas vão realizar um treino de adaptação, à hora do jogo, e no sábado, disputa da primeira mão. Logo a seguir ao jogo, a selecção regressa para dar continuidade aos trabalhos para o jogo da segunda mão, em Maputo, a 4 de Setembro.

 

TRÊS CONVOCADOS NÃO JOGARAM PELOS SEUS CLUBES

Relativamente à acção dos jogadores convocados para esta “operação Malawi”, três deles não jogaram pelos respectivos clubes. Telinho, do Costa do Sol, e Danilo, da União Desportiva do Songo, nem sequer foram convocados pelos técnicos dos seus clubes.

Segundo fontes dos “canarinhos” e “hidroeléctricos”, os dois jogadores estavam a recuperar-se de lesões e, por isso, foram poupados para poderem representar a selecção nacional.

Já Chico, central do Costa do Sol, até foi convocado, mas não chegou a sair do banco de suplentes.

Dos restantes jogadores, destaque para dois jogadores, nomeadamente Mexer, do Costa do Sol, que apontou um dos golos da sua equipa na vitória sobre o Incomáti de Xinavane, e Nelson Divrassone, da União Desportiva do Songo, que apontou o golo que deu a vitória à turma do Songo.

Foram, de resto, os únicos jogadores dos convocados a marcarem nesta jornada, substituindo, inclusive, os avançados.

Amadou (União Desportiva do Songo) entrou na segunda parte, aos 66 minutos, a substituir o seu colega de equipa e da selecção, Dário Melo. O mesmo aconteceu com outros convocados dos “hidroeléctricos”, que não fizeram os 90 minutos, nomeadamente, Nelson Divrassone, que saiu aos 75 minutos, e Lau King, que descansou mais cedo, aos 87 minutos.

Melven Ling Choi, do Ferroviário da Beira, foi titular e substituído no intervalo, enquanto Yudi, do Ferroviário de Maputo, entrou na segunda parte do nulo da sua equipa diante do Matchedje de Mocuba.

Os restantes jogadores convocados foram titulares. Chiquinho Conde esteve em Songo a ver o jogo grande da jornada, no domingo.

 

Lista dos Convocados:

Guarda-redes:

Ernan (UD Songo)

Ivan (Black Bulls)

Victor (Costa do Sol)

 

Defesas:

Infren (UD Songo)

Mexer (Costa do Sol)

Edson (Fer. Beira)

Danilo (Costa do Sol)

Fóia (Fer. Beira)

Chico (Costa do Sol)

Martinho (Black Bulls)

Danilo (UD Songo)

 

Médios:

Amadou (UD Songo)

Shaquille (Fer. Maputo)

Dário (UD Songo)

Skaba (Fer. Beira)

Nelson (UD Songo)

João (Fer. Beira)

Yudi (Fer. Maputo)

 

Avançados:

Telinho (Costa do Sol)

Melque (Black Bulls)

Melven Ling (Fer. Beira)

Isac (Fer. Nampula)

Lau King (UD Songo)

A selecção nacional da Guiné-Bissau vai disputar o seu jogo, como anfitrião, da última eliminatória de acesso ao CHAN-2022 em casa do seu adversário, a Mauritânia, devido a problemas financeiros.

Estas dificuldades surgem numa altura em que as “Djurtus” estão a um passo de chegar a fase final do CHAN pela primeira vez na sua história, o que os leva a terem uma grande desvantagem em relação ao seu adversário, que vai acolher os dois jogos.

O principal motivo é a falta de verbas para a reabilitação do seu estádio principal, facto que mereceu um “chumbo” por parte da Confederação Africana de Futebol para acolher jogos internacionais e sem verbas para alugar um estádio noutro país.

Segundo uma fonte da Federação de Futebol da Guiné-Bissau citada pelo jornal portal desportivo local, FUT 245, confirmou que os “Djurtus” farão todos os seus jogos no campo do seu adversário.

“Tendo em conta a situação do nosso estádio (24 de Setembro) não vamos conseguir fazer nosso jogo em casa”, afirmou a fonte, adiantando de seguida que a FFGB solicitou ao governo um aluguer de um outro campo num outro país além da Mauritânia. Entretanto, segundo a citada fonte, o pedido não teve o devido tratamento do governo que alegou a indisponibilidade de verbas.

“Tínhamos feito uma solicitação ao governo no sentido de arranjarmos uma solução sobre o campo onde podemos receber o nosso jogo, mas infelizmente informaram a falta de verba”, disse a mesma fonte.

A Federação de Futebol da Guiné-Bissau, segundo escreve a FUT 245, queria que os “Djurtus” realizassem o jogo caseiro no Senegal, um país vizinho onde poderá contar com o apoio dos guineenses residentes naquele país.

Sem citar o nome da referida fonte e nem o cargo dentro da Federação de Futebol da Guiné-Bissau, o FUT 245 refere que o organismo que gere o futebol naquele país lusófono não teve outra solução, senão recorrer a Mauritânia para acolher o seu jogo. “Posto isso, não temos nada além de recorrer à Mauritânia e, agora só nos resta garantir a passagem da caravana para estes dois desafios com a Mauritânia”, explicou a fonte.

Segundo escreve o portal desportivo FUT 245, através da mesma fonte soube que a data do jogo que era prevista para 26 deste mês, foi alterada para o dia 29 do mesmo mês a pedido da Federação de futebol guineense, alegando melhor preparação para estes desafios no solo mauritano.

Para chegar a esta última eliminatória de acesso à fase final do CHAN-2022 que terá lugar na Argélia, em Janeiro e Fevereiro do próximo ano, a Guiné-Bissau superou a Gâmbia, nas grandes penalidades, depois do empate no agregado das duas mãos. Em solo gambiano os donos da casa venceram por 1-0, mesmo resultado alcançado pelos “Djurtus” na segunda mão, em território senegalês. Nas grandes penalidades a Guiné-Bissau venceu por 5-3.

Caso supere a Mauritânia na eliminatória, a Guiné-Bissau qualifica-se à fase final do CHAN Argélia-2022.

 

Lau King ficou em branco nesta jornada e viu Victor aproximar-se na lista dos melhores marcadores do Moçambola. Agora é apenas um golo que separa os dois jogadores, mas o Lau vai continuar rei pelas próximas duas semanas, período de paragem da prova moçambicana.

A 9ª jornada do Moçambola produziu poucos golos, relativamente a última jornada, onde foram produzidos 13 golos. Neste fim-de-semana as redes balançaram por sete vezes, com o resultado tangencial a ser a moda, já que verificou-se em três jogos.

Somente em dois jogos houve vitórias com dois golos e um sem golos.

O líder, aliás, rei dos golos, Lau King, ficou de folga este domingo, na recepção da União Desportiva de Songo ao Ferroviário da Beira. King cedeu seu lugar de balançador das redes a Nelson Divrassone, que num remate espectacular fez as honras dos “hidroeléctricos”.

Foi o segundo golo de Divrassone nesta edição do Moçambola, a igualar a outros tantos jogadores, com destaque para Dayo e Dário, seus colegas de equipa.

Quem aproveitou esta folga do líder dos artilheiros foi Victor, da Black Bulls. O “touro”, que levava três golos à entrada para esta jornada, marcou o primeiro da sua equipa, na deslocação a 25 de Junho, onde derrotou o Ferroviário de Nampula, por duas bolas sem resposta.

Victor chega assim, e de forma isolada, na segunda posição dos melhores marcadores, com quatro golos, menos um que Lau King.

Até a próxima jornada os dois jogadores tem responsabilidades de trabalhar para voltar em forma para mais golos. E atenção que no regresso do Moçambola os dois primeiros classificados defrontam os dois últimos e Lau King (diante do Incomáti de Xinavane) e Victor (frente ao Matchedje de Mocuba) tem possibilidades de brilharem e marcarem mais golos.

QUATRO JOGADORES MARCARAM SEU SEGUNDO GOLO

Entretanto, a jornada quatro jogadores que fizeram o seu segundo golo na presente edição do Moçambola. Wisdom e Mexer, ambos do Costa do Sol, marcaram na recepção ao Incomáti de Xinavane e contam já com dois golos cada um, a igualarem a seus colegas “canarinhos” Danilo e Beto Maravilha, que ficaram em branco.

Zinho, do Ferroviário de Lichinga, marcou o golo que deu a vitória à sua equipa, mas também aumentou para dois os seus golos na prova. O mesmo aconteceu com Nelson Divrassone, que marcou ao Ferroviário da Beira, a dar a invencibilidade à União Desportiva de Songo.

DOIS ESTREANTES A MARCAR

Nesta 9ª jornada tivemos dois jogadores que estraram-se a marcar no Moçambola-2022. Trata-se de Fidel, da União Desportiva de Songo, que apontou o segundo golo da sua equipa na deslocação a Nampula, e Gervásio, do Ferroviário de Nacala, que deu a vitória à sua equipa na recepção à Associação Desportiva de Vilankulo.

Fidel igualou seus colegas Rume, Kadre, Anacleto e Djibril, que contam com um golo cada um, enquanto Gervásio cola-se a Turras, Rifel, Balloteli, Shelton, também com um remate certeiro.

Nesta jornada não houve nenhum auto-golo e os jogadores que marcaram na sua baliza continuam a ser Balloteli e Dany (Matchedje de Mocuba), Henriques (Liga Desportiva de Maputo), Mayunda (Ferroviário de Nacala).

MOÇAMBOLA ULTRAPASSA CENTENA DE GOLOS

À nona jornada, o campeonato nacional de futebol, o Moçambola, atingiu e ultrapassou a marca dos 100 golos apontados. Ao todo são 104 remates que já balançaram as redes adversárias, com destaque para Wisdom, que aos 14 minutos do jogo Costa do Sol vs Incomáti de Xinavane, marcou o golo 100.

Na época passada, os 104 golos foram atingidos depois da disputa da 6ª jornada, numa prova que teve 14 equipas, mesma jornada em que foram atingidos os 100 golos na edição 2019.

Ou seja, em 2019, com uma prova de 16 equipas, à 6ª jornada tinham sido marcados 107 golos, mais uma falta de comparência.
Quando faltam disputar duas jornadas para o fim da primeira volta, falta saber quantos golos serão apontados na metade da prova e quem vai estar na frente dos artilheiros.

Por ora, a Black Bulls é a equipa mais concretizadora do Moçambola, com 19 golos marcados, seguido pela União Desportiva de Songo, com 16. Incomáti é a equipa que menos golos marcou, apenas dois, de Tomás e Riquito, e a que mais golos sofreu, 13, os mesmos do Matchedje de Mocuba e Associação Desportiva de Vilankulo.

LISTA DOS MELHORES MARCADORES
CINCO GOLOS: Lau King (UD Songo)

QUATRO GOLOS: Victor (Black Bulls)

TRÊS GOLOS: Isac (Ferroviário de Nampula), Nené e Melque (Black Bulls), Jafete (Ferroviário da Beira)

DOIS GOLOS: Dinis e Soares (Ferroviário de Nacala), Wisdom, Mexer, Danilo e Beto Maravilha (Costa do Sol), Ibraimo (Ferroviário da Beira), Kadre, Hammed (Black Bulls), Vivaldo e Rafik (Ferroviário de Lichinga), Nelson, Dayo e Dário (UD Songo), Kito e Mário (Ferroviário de Maputo), Victor, Sibale (AD Vilankulo), Edson (Ferroviário da Beira), Zinho (Ferroviário de Lichinga)

UM GOLO: Mamudo (Matchedje de Mocuba), Jimmy, Muzaza, Adams, Henriques, Mário e Foken (UD Songo), Mário Sinamunda, Salas, Chelito (Ferroviário de Nampula), Telinho, Muholove, Sataca Jr., Danilo I, Danilo II e Jorge (Costa do Sol), Traoré, Yudi, Celso, Huga, Danny (Ferroviário de Maputo), Mafaite, João Bonde, Pepo, Ling (Ferroviário da Beira), Momede, Ivan, Hermínio (Liga Desportiva de Maputo), Turras, Rifel, Balloteli, Shelton, Gervásio (Ferroviário de Nacala), Mbiza, Betinho, Ximango (AD Vilankulo), Anacleto, Rume, Djibril, Fidel (Black Bulls), Tomás e Riquito (Incomáti).

AUTO-GOLO: Balloteli e Dany (Matchedje de Mocuba), Henriques (Liga Desportiva de Maputo), Mayunda (Ferroviário de Nacala)

 

 

O golo de Nelson aos nove minutos foi suficiente para a União Desportiva de Songo vencer o Ferroviário da Beira, por uma bola sem resposta. Os “hidroeléctricos” somam 25 pontos e lideram, de forma isolada e tranquila, o Moçambola.

Sem o seu treinador principal Srdan Zivojnov no banco, que semana passada foi obrigado a regressar ao seu país de origem, Sérvia, para cuidar da sua saúde, a União Desportiva de Songo às ordens do Carlos Manuel não teve mãos a medir, vencendo o Ferroviário da Beira.

Os hidroeléctricos continuam a trilhar o caminho das vitórias, sobretudo jogando em casa, terreno em que tem sido difícil para os seus adversários.
Contra o Ferroviário da Beira, a equipa da casa desde cedo mostrou sinais de querer resolver o jogo, tendo como fruto da postura avassaladora com que entrou chegado ao golo aos nove minutos, por intermédio de Nelson. Um golo, diga-se, de outras paragens.

Os “locomotivas” de Chiveve souberam dar uma resposta à altura, porém sem conseguir chegar ao tão almejado golo de empate, para daí, procurar o da vitória. A partida viria a terminar com o triunfo da União Desportiva de Songo, que lidera a prova com 25 pontos.

Na próxima jornada, os “hidroeléctricos” deslocam-se a Xinavane para defrontar o Incomáti local, enquanto o Ferroviário da Beira, que ocupa a sétima posição com 12 pontos, vai ao terreno do seu homónimo de Lichinga.

A Associação Black Bulls somou a segunda vitória consecutiva, desta feita diante do Ferroviário de Nampula, por 2-0. Os touros somam, por isso, 18 pontos na segunda posição, menos sete que o líder da prova, União Desportiva de Songo. Na ronda que se segue, a equipa orientada pelo português Inácio Soares recebe a aflita formação do Matchedje de Mocuba.

O Ferroviário de Nampula, conjunto que, neste momento, não pode contar com o seu treinador principal, Nelson Santos, somou a segunda derrota consecutiva, passando da quinta para sexta posição na tabela classificativa.

A Associação Desportiva de Vilankulo é o próximo adversário do Ferroviário de Nampula, numa partida que se antevê que seja difícil para os dois conjuntos, tendo em conta que ambos vêm de derrotas.

CANÁRIO VOLTA A VOAR

Depois da derrota na jornada anterior, por 1-3, diante do Ferroviário da Beira, o Costa do Sol voltou ao caminho das vitórias. O conjunto orientado por Artur Semedo recebeu e venceu, por tangencial 1-0, o Incomáti de Xinavane. Os “canarinhos” ocupam a terceira posição com 18 pontos, os mesmos que a Associação Black Bulls, na segunda.

Na 10ª jornada, o Costa do Sol vai ao mítico Estádio da Machava para defrontar o Ferroviário de Maputo, que, na presente ronda, empatou sem abertura de contagem diante do lanterna vermelha Matchedje de Mocuba. Por seu turno, o Incomáti de Xinavane recebe a União Desportiva de Songo.

Jogando diante do seu público, o Ferroviário de Nacala redimiu-se da derrota sofrida na jornada anterior, por 2-3, frente à Associação Black Bulls, derrotando a Associação Desportiva de Vilankulo, por uma bola sem resposta.

Com este resultado, os “locomotivas” da cidade portuária de Nacala passam a somar 12 pontos, na oitava posição. Na próxima jornada, os treinados de Artur Macassar vão medir forças com a Liga Desportiva de Maputo, enquanto os “hidrocarbonetos” recebem o Ferroviário de Nampula.

O Ferroviário de Lichinga, equipa sensação na edição passada do Moçambola, suplantou a Liga Desportiva de Maputo, por uma bola sem resposta. Fruto desse resultado, a equipa de Antoninho Muchanga ocupa a quinta posição, com 14 pontos.

Na jornada que se segue, o Ferroviário de Lichinga volta a jogar em casa, desta feita diante do seu homónimo da Beira. A Liga Desportiva de Maputo continua a remar em marés altas, tendo em conta que não tem conseguido resultados positivos, facto que faz com que ocupe a antepenúltima posição ou, se quisermos, a 10ª, com cinco pontos.

MOÇAMBOLA OBSERVA PARAGEM

O Moçambola vai observar uma paragem de duas semanas para dar lugar aos compromissos da selecção nacional. Os Mambas vão defrontar o Malawi no próximo sábado, em jogo da primeira mão da segunda e última eliminatória de acesso ao CHAN 2023, cuja fase final será na Argélia.
A partida da segunda mão está agendada para dia 4 de Setembro, no Estádio Nacional do Zimpeto. Em caso de vitória no conjunto das duas mãos, os Mambas qualificar-se-ão, pela segunda vez, ao CHAN, prova destinada aos jogadores que militam em campeonatos internos.

O presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, confirma que as selecções de Sub-23 e Sub-17 não vão competir nas provas internacionais por falta de fundos. A justificação foi secundada pelo secretário de Estado de Desporto, Gilberto Mendes, que diz não haver fundos também no organismo que dirige.

Em comunicado publicado quinta-feira última no seu site e plataformas digitais, a Federação Moçambicana de Futebol, numa decisão que fez levantar muita poeira e alimenta calorosos debates no meio desportivo, anunciou que as selecções nacionais de Sub-23 e Sub-17 não vão disputar as competições africanas de qualificação aos Jogos Olímpicos e aos Jogos da AUSC-R5, devido a problemas financeiros.

Dias depois, em entrevista à Rádio Moçambique, o presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, reiterou que os combinados nacionais das categorias Sub-23 e Sub-17 não vão mesmo competir em provas internacionais.

Sidat, que num passado recente esteve alinhado com o seleccionador nacional, Chiquinho Conde, no processo de dimensionamento das selecções de formação e esteve sempre na linha da frente na conquista do Torneio COSAFA em 2020, diz que que comunicou com antecedência a desistência do país das provas que iriam envolver as selecções Sub-23 e Sub-17.

“A Federação Moçambicana de Futebol tem exiguidade de fundos. Os custos para ir às Maurícias estão na casa dos USD 60 mil. Os custos para ir ao Gana estão na ordem dos UDS 90 mil. Nós endereçámos a nossa desistência com antecedência à CAF”, garantiu Feizal Sidat, que se contradiz, depois, quanto ao futuro da selecção Sub-17. Ou melhor, anunciou a desistência, mas depois diz que a Secretaria de Estado de Desporto, dirigida pelo seu “amigo” Gilberto Mendes, tem uma palavra a dizer quanto à participação do combinado nacional Sub-17 nos Jogos da AUSC.

“Quanto à selecção Sub-17, devo dizer que ainda não houve desistência. Estamos a articular com a Secretaria de Estado de Desporto. Os Jogos da AUSC estão sob alçada do Governo.”

Alinhada com a Federação Moçambicana de Futebol, com quem articulou e deu luz verde para se pagar 1 207 386,25 Meticais (um milhão, duzentos e sete mil, trezentos e oitenta e seis Meticais e 25 cêntimos) para os Mambas jogassem no FNB Stadium (Soccer City) diante do Ruanda, em jogo da 1ª jornada do grupo L de acesso ao CAN-2023, a Secretaria de Estado de Desporto reconhece, agora, haver exiguidade de fundos para viabilizar a movimentação das selecções Sub-23 e Sub-17.

Gilberto Mendes, que falava à margem do Conselho Coordenador da Secretaria de Estado de Desporto, em Vilankulo, Inhambane, disse que a notícia “caiu que nem uma bomba, mas temos que perceber as explicações que nos são dadas, porque sempre tivemos o desporto de formação como prioridade, pelo que era de todo interesse que marcássemos presença nessas provas”.

Os representantes de África nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a nível do futebol, serão encontrados no CAN Sub-23. E estar no maior evento desportivo do planeta é motivo de orgulho. Regalo. E a verdade manda dizer que países com projectos desportivos sérios apostam nas selecções de formação para projectar o futuro. O que não acontece com Moçambique!

Ainda assim, O secretário de Estado de Desporto entende que “não se pode tapar o sol com a peneira!” para a realidade. Daí que, argumenta Gilberto Mendes, “é preciso não fecharmos os olhos à realidade, a FMF tem muitas frentes, visto que tem a equipa principal, a qualificação ao CHAN, a equipa Sub-23, o futebol feminino que deve ir às Maurícias, Gana e eSwatini e tudo isto necessita de dinheiro, pelo que é preciso encontrar outras frentes para custear estas operações”.

Recorrer, uma vez mais, ao Estado para custear as despesas de participação das selecções nacionais pode ser o caminho, num mundo em que o futebol se transformou numa indústria e cada vez menos dependente da intervenção dos governos na injecção de dinheiro? Eis a questão que não quis calar!

“Muitas das deslocações da equipa principal têm sido custeadas pelo Governo, mas é preciso perceber que a SED não tem apenas a responsabilidade de arcar com as despesas das equipas de futebol. Há outras selecções nacionais que precisam do apoio da SED e não há dinheiro suficiente para todos. Todo mundo atravessa uma crise e temos que saber racionalizar os meios e os esforços; é um bocado disto que a FMF tem estado a fazer”, argumentou o SED.

Mesmo com a redução drástica dos valores alocados às federações desportivas nacionais, no quadro dos contratos-programa anualmente assinados entre as mesmas e o Fundo de Promoção Desportiva, a Secretaria de Estado de Desporto reclama um papel fundamental na viabilização da movimentação de quase todas modalidades em provas internacionais.

“Nós temos um contrato-programa com as FMF e com todas as federações; é preciso ficar claro que a maior parte das deslocações ao exterior das selecções nacionais é suportada pelo Governo, desde o futebol, passando pelo voleibol, basquetebol, boxe; não há dinheiro que está a sair do bolso dos presidentes ou de outras instituições, e os contratos-programas estão largamente estourados e só podemos trabalhar com o que está programado, claro que, por vezes, há situações que as selecções se qualificam de uma fase para outra, mas essa é a dinâmica do desporto, pelo que temos que nos reinventar todos dias”, recordou Mendes.

 

ENQUANTO HOUVER VIDA…HÁ ESPERANÇA

O secretário de Estado de Desporto deu a entender que poderá haver uma luz no fundo do túnel para viabilizar a participação da selecção Sub-17 nos Jogos da AUSC-R5, porquanto, diga-se, este evento tem uma componente política ao nível da região.

“A FMF disse que não tem capacidade financeira para custear essas despesas, de facto não há dinheiro, os jogos são agora em Novembro e temos que ter uma delegação que deve ser bem composta, também temos que olhar para a nossa capacidade financeira e esperança de resultados positivos, pelo que estamos a perguntar à Federação se para indo aos Jogos da AUSC  para além da rodagem aos miúdos existe ali esperança de algumas vitórias. Para nós, era interessante que todos participássemos, haverá razões que a FMF evoca, pela forma como tenho estado a lidar com o desporto, não atiro a toalha ao chão antes de esgotar todas as hipóteses e possibilidades. Aquela  foi a posição da Federação, no entanto, se conseguirmos fintar o destino, acredito que ainda possa haver alguma reviravolta de encontrarmos financiamento para a deslocação da selecção Sub-17”, disse o secretário de Estado de Desporto.

 

EX-MAMBAS E JORNALISTAS CRITICAM DECISÃO DA FMF

O ex-capitão da selecção nacional de futebol, Tico-Tico, diz não fazer sentido que as camadas de formação não compitam em provas internacionais, que podem conferir maior traquejo aos jogadores e assim funcionarem como o espelho para a renovação dos Mambas.

“Caiu que nem uma bomba. As pessoas estão todas surpresas. Como é que isto é possível”, questionou a lenda do futebol moçambicano.

Tico-Tico, que contabiliza 94 jogos pela selecção nacional de futebol, recorde superado por Dominguez no duelo contra o Níger, diz que este cenário não ajuda nem tão pouco o futebol moçambicano, no geral, e Mambas, em particular.

“Quando pensamos que está tudo bem vem esta situação. É este vaivém que, em algum momento, mancha o futebol moçambicano”, chamou atenção Tico-Tico, que foi nomeado embaixador do Torneio COSAFA na sua edição de 2018.

Por sua vez, o também ex-internacional moçambicano, Tomás Inguana, critica a decisão dos gestores do futebol moçambicano. “Era preciso que a direcção da Federação Moçambicana de Futebol encontrasse soluções, portanto não esgotar. Portanto, era preciso ir atrás, até porque temos várias empesas”, disse Tomás Inguana, antigo jogador do Desportivo Maputo, Ferroviário de Maputo e Orlando Pirates, este último histórico do futebol sul-africano.

Para o jornalista e presidente da Associação Moçambicana de Imprensa Desportiva (AMIDE), Adão Matimbe, os argumentos apresentados pela Federação Moçambicana de Futebol para a desistência dos Sub-17 e Sub-23 não fazem sentido. E explica, Matimbe, num processo tão básico quanto determinante para o sucesso de qualquer actividade:  “Planificação é igual à orçamentação de actividades. Então, estas actividades foram planificadas e até serviam de bandeira do actual presidente da Federação Moçambicana de Futebol que deviam vir acompanhadas de alguma orçamentação”, disse Adão Matimbe, para depois sentenciar: “É um argumento falacioso. Os jogadores do Moçambola, muitos deles que vão às selecções nacionais, são atletas que estão acima da faixa dos 23 anos. São jogadores que têm mais do que essa idade”.

Alinhando pelo mesmo diapasão, o jornalista Óscar Paul refere que “devia estar tudo orçamentado” porque, em boa verdade, “não é no próprio dia que se descobre que não há dinheiro. No início do ano, é aprovado um orçamento e, no dia do sorteio, é anunciada a desistência”.

Segundo Óscar Paul, “se havia orçamento que foi aprovado, tem que ser executado. Se não havia dinheiro, já se devia ter comunicado há muito tempo”.

Quem também questiona a decisão da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) é o jornalista Henrique Aly. “Tudo isto acontece depois de virmos de período de cerca de dois anos, por causa da pandemia, e que não houve competição nos níveis base. É mau. É mau porque passamos uma imagem, infelizmente, de um país que não tem uma orientação de base para aquilo que quer fazer com a sua formação”.

Algumas horas depois do resultado do sorteio das eliminatórias de acesso ao Campeonato Africano das Nações de Sub-23, em que os Mambinhas ficaram a conhecer que iriam defrontar as Maurícias, a Federação Moçambicana de Futebol comunicou que a mesma selecção não mais vai competir este ano.

Uma decisão que foi tomada em reunião de direcção que decorreu esta quarta-feira, sem, no entanto, ter sido divulgada a público.

De acordo com o comunicado de imprensa Nº 026/FMF/2022, desta quinta-feira, o organismo que gere o futebol no país escreve que “a Direcção Executiva da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) decidiu, em Reunião Ordinária realizada a 17 de Agosto de 2022, prescindir da participação de algumas selecções nacionais de futebol nas competições internacionais que se avizinham”.

Devido a essa decisão, “a Selecção de Futebol Sub-23 não irá participar nas eliminatórias de acesso ao CAN Marrocos 2023, competição que dá acesso à XXXIII edição dos Jogos Olímpicos de Verão a terem lugar em Paris de 26 de Julho a 11 de Agosto de 2024”, segundo o comunicado da FMF.

Assim, as Maurícias ficam automaticamente qualificadas para defrontarem o Gana na segunda eliminatória de acesso ao CAN de Marrocos de sub-23, que vai decorrer no próximo ano e que qualifica aos Jogos Olímpicos de Londres.

A FMF decidiu, ainda, pela não participação da Selecção de Futebol Sub-17 nas competições internacionais.

A FMF diz que a mesma “não irá participar nos Jogos da AUSC–R5 a terem lugar em Lilongwe de 1 a 12 de Dezembro do corrente ano”.

Para justificar esta decisão, a Federação Moçambicana de Futebol fala de limitações financeiras. No comunicado, escreve que “a não participação das selecções moçambicanas de futebol nas provas supramencionadas têm origem nas limitações orçamentais, bem como na necessidade de garantir o curso normal do calendário do Campeonato Nacional da I Divisão – Moçambola 2022 face às interrupções que, por força dos compromissos, se têm verificado”.

Ou seja, além das dificuldades financeiras, a Casa do Futebol diz que desiste das competições internacionais dos Mambinhas Sub-23 e Sub-17 para permitir que o Moçambola não tenha mais paragens que acabam por comprometer o seu curso.

Desde o arranque do Moçambola 2022, já houve três paragens, concretamente em Junho, Julho e, agora, em Agosto, todas para dar lugar aos jogos dos Mambas que disputaram as primeiras duas jornadas do grupo L de qualificação ao CAN da Costa do Marfim, o torneio Cosafa e as eliminatórias de acesso ao CHAN-2023 que terá lugar na Argélia, próximo ano.

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