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O País – A verdade como notícia

A Associação Black Bulls recebe, este sábado, o Matchedje de Mocuba, em partida da nona jornada do Moçambola. Os touros pediram a antecipação do jogo, devido à sua participação nas Afrotaças.

Na antecâmara das Afrotaças, em que, segundo ditou o sorteio, a formação moçambicana vai defrontar, na primeira eliminatória de acesso à fase de grupos, o Petro Atlético de Luanda, os “touros” têm pela frente o Matchedje de Mocuba, no Moçambola.

A partida entre os dois conjuntos ocorre num contexto diferente, em que as outras equipas só retomarão o Moçambola na próxima semana, observando, desta feita, a paragem definida pela Liga Moçambicana de Futebol para dar lugar aos compromissos da selecção.

Para evitar possíveis choques no campeonato doméstico, devido à sua participação nas Afrotaças, a Associação Black Bulls pediu à Liga Moçambicana de Futebol que a partida frente ao Matchedje de Mocuba fosse antecipada.

Nesse sentido, observando a pertinência do pedido, o organismo responsável pela gestão da maior prova futebolística nacional anuiu o pedido.

Os treinados do português Inácio Soares partem para esta partida como favoritos, na medida em que ocupam, neste momento, a segunda posição na tabela classificativa com 18 pontos, os mesmos que o Costa do Sol, na terceira posição, aliado ao desnível competitivo entre as duas formações.

Ainda que tenha tido um arranque algo titubeante no Moçambola, a espaços, os “touros” têm dado muito boa conta de si, olhando para os últimos resultados registados pela equipa de Tchumene. A Black Bulls vai tentar, nesta partida, manter a senda vitoriosa que vem registando de uns jogos a esta parte.

Uma vitória nesta partida coloca a Black Bulls a quatro pontos da líder União Desportiva de Songo, que ocupa a primeira posição, com 25 pontos.

Se por um lado a Black Bulls tem registado bons resultados, por outro, já não se pode dizer o mesmo em relação à turma do Matchedje de Mocuba, equipa que, disputadas nove jornadas, ainda não encontrou o caminho certo das vitórias.

Os únicos representantes da província da Zambézia na maior montra do futebol moçambicano ocupam a última posição na tabela classificativa, com míseros três pontos, resultantes de três empates.

Apesar do momento menos bom, a turma orientada pelo decano Nacir Armando arrancou, a escopo e martelo na nona jornada, um precioso empate sem abertura de contagem diante do colosso Ferroviário de Maputo.

Os internacionais moçambicanos Zainadine Jr, Clésio, ao serviço do Marítimo, equipa que milita na primeira divisão da liga portuguesa, e Luís Miquissone, do Al Ahly de Egipto, estão sem treinadores. As duas formações despediram os seus respectivos técnicos, por alegados maus resultados.

É o fim do ciclo de Vasco Seabra no comando técnico do Marítimo, equipa onde militam os internacionais moçambicanos Zainadine Jr e Clésio Baúque.

A derrota diante do Portimonense, por sinal a quarta do conjunto insular na primeira liga portuguesa, terá contribuído para o afastamento de Vasco Seabra. Face à onda dos maus resultados, Seabra viu o espaço de manobra para a sua permanência no comando técnico reduzido.

O desejo da direcção do clube insular é rescindir o contrato com Vasco Seabra. Sucede que, tem a oposição da SAD, liderada por João Luís, que defende a continuidade do técnico, por achar que a actual situação de maus resultados é passageira.

Segundo o A Bola, Daniel Ramos é o possível sucessor de Vasco Seabra. O Marítimo ocupa a última posição da tabela classificativa sem nenhum ponto, tendo averbado quatro derrotas. Na primeira jornada, o Marítimo perdeu diante do campeão em título FC do Porto, por 1-5.

Na partida da segunda ronda, a equipa dos internacionais moçambicanos averbou uma derrota por 1-2, na recepção ao estreante Desportivo Chaves, equipa do também internacional moçambicano Bruno Langa.

Já na terceira e quarta jornadas, a turma insular perdeu ante o Sporting de Braga e Portimonense, por 0-5 e 0-1, respectivamente.

AL AHLY FALHA CAMPEONATO E SACRIFICA RICARDO SOARES

A derrota do Al Ahly diante do El Gaish 0-1 veio destapar o véu no seio daquela que é a equipa com mais títulos naquele país do norte de África, sobre o mau momento por que tem passado.

Esse resultado levou a direcção do emblema egípcio a colocar um ponto final à ligação entre o clube e o treinador português, Ricardo Soares. De acordo com o portal Kingfut, a direcção do emblema do Cairo decidiu não manter o treinador português para a próxima temporada.

A decisão está também ligada ao facto de o técnico português não ter conseguido arrancar o título ao Zamalek, do também português Jesualdo Ferreira, que mantém a diferença de 10 pontos e com uma jornada para disputar.

Ricardo Soares falhou também o acesso à Liga dos Campeões, prova onde o clube foi finalista, perdendo por 0-2, diante do Wydad Casa Branca.

É o fim daquela que é a primeira aventura de Ricardo Soares no estrangeiro. Com início de carreira no Caçadores das Taipas, o treinador português fez quase todo o seu percurso em Portugal, onde comandou Torcatense, Lixa, Felgueiras, Vizela, Chaves, Aves, Académica, Covilhã, Moreirense e Gil Vicente.

Ricardo Soares chegou ao Al Ahly em substituição do técnico sul-africano Pitso Mosemane.

O Al Ahly, onde actua o internacional moçambicano Luís Miquissone, ocupa a terceira posição com 63 pontos, frutos de 19 vitórias, 10 derrotas, quatro empates, 58 golos marcados e 21 golos sofridos.

BRUNO LANGA EM ALTA

O internacional moçambicano ao serviço do Desportivo Chaves continua em alta na liga portuguesa. Depois da estreia com a derrota frente ao Vitória de Guimarães por 0-1, na segunda ronda, o Chaves venceu o Marítimo por 2-1, numa partida que envolveu três moçambicanos, no caso Zainadine Jr, Clésio Baúque, ao serviço do Marítimo, e Bruno Chaves, que milita no Desportivo.

Na terceira jornada, o Desportivo Chaves empatou a uma bola diante da formação do Vizela. Na quarta ronda, o estreante Chaves derrotou o gigante Sporting por duas bolas sem resposta.

O Desportivo Chaves ocupa, neste momento, a sexta posição com sete pontos, fruto de duas vitórias, um empate e uma derrota, com cinco golos marcados e três sofridos.

Os Mambas vão jogar, este domingo, a última cartada de qualificação ao CHAN diante do Malawi, em jogo da segunda mão da última eliminatória de acesso à competição. Uma vitória ou um empate sem golos coloca Moçambique nesta competição pela segunda vez.

É tudo ou nada! 96 horas e mais 90 minutos separam os Mambas de garantir, pela segunda vez, a presença no CHAN, prova na qual Moçambique se estreou em 2014, sob comando técnico de João Chissano.

A memória colectiva de uma nação sedenta de vitórias e que, sobretudo, tem no futebol o refúgio das várias vicissitudes por que tem passado, depende de 90 minutos para se reavivar.

Há uma sagrada esperança sobre uma possível qualificação do combinado nacional àquela que é a segunda competição de relevo a nível de selecções organizada pela Confederação Africana de Futebol (CAN), desta feita destinada aos jogadores que actuam em campeonatos internos.

Pois bem, o sonho comanda a vida. É justamente por causa desse sonho que, por estes dias, tudo gravita em torno da selecção nacional, algo consubstanciado pelas bem conseguidas prestações.

Se por um lado, o conjunto orientado pelo antigo capitão dos Mambas, Chiquinho Conde, tem arrancado rasgados elogios por conta disso, por outro, os resultados são, também, um elemento catalisador para arrastar as massas.

No domingo, por sinal o primeiro do mês, uma nova página pode-se abrir no desporto moçambicano, particularmente no futebol, quando, ao descer ao relvado do Estádio Nacional do Zimpeto, o combinado nacional fazer o que para muitos é o provável: vencer.

Vencer o Malawi, e consequentemente garantir a qualificação ao CHAN, não só será um orgulho à tribo do futebol, mas também um soco no “estômago” para os cépticos. O sonho de uma nação está nas mãos de 11 jogadores. Argélia, onde será disputada a fase final da competição, está, em relação aos Mambas, a 96 horas e mais 90 minutos.

EMPATE EM MALAWI PODE SER DETERMINANTE

Os Mambas partem para o jogo de domingo com uma ligeira vantagem em relação ao Malawi, graças ao empate a uma bola em Lilongwe, com o único tento do combinado nacional a ser apontado por Nelson Divrassone.

Esse resultado poderá ser determinante para o conjunto moçambicano, tendo em conta que uma vitória ou um empate sem golos coloca Moçambique no CHAN. Teoria à parte, a verdade é que, no seio do grupo orientado por Chiquinho Conde, a vitória é a palavra de ordem.

Ciente de que cada jogo tem a sua história, Conde, que tem primado pelo respeito aos seus adversários sem, no entanto, temê-los, prepara a equipa olhando para as surpresas que possam acontecer no jogo deste domingo.

“O jogo da primeira mão fica para a história. Tudo pode acontecer no da segunda mão, daí que estamos a acautelar todos os aspectos”, diz Chiquinho Conde.

O timoneiro dos Mambas diz ainda que é desejo de todos garantir a qualificação. Ainda assim, entende que deve haver muita calma neste momento.

Autor do golo, aos oito minutos no jogo da primeira mão, Nelson Divrassone, jogador que tem sido uma peça fundamental na manobra ofensiva dos Mambas, garante que o combinado nacional fará o seu trabalho, com vista a qualificar-se.

Contudo, e à semelhança de Chiquinho Conde, considera que é preciso ter os pés assentes no chão, pois ainda há 90 minutos por disputar.

“Temos de respeitar o Malawi, visto que tem jogadores com muita qualidade. Não obstante esse facto, se fizermos bem o nosso papel, poderemos qualificar-nos à competição”, alerta Nelson.

O jogo entre Moçambique e Malawi está marcado para este domingo, às 15h00, no Estádio Nacional do Zimpeto.

Face à importância da partida, a Federação Moçambicana de Futebol submeteu uma carta à CAF a pedir que haja presença de, pelo menos, 25 mil espectadores. O organismo-reitor do futebol africano anuiu o pedido.

 

A selecção moçambicana de futebol de praia defronta, nos dias 1, 2 e 5 de Setembro, a sua congénere de Marrocos em jogos inseridos na preparação para o Campeonato Africano, que vai ter lugar em Vilankulo, de 21 a 28 de Outubro.

A vinda da selecção marroquina a Moçambique é no quadro da implementação do protocolo de cooperação rubricado entre as duas federações, em Julho passado, que, entre vários pressupostos, inclui a realização de jogos amigáveis entre os dois conjuntos.

Os dois conjuntos pretendem, com estes jogos, preparar-se para o Campeonato Africano das Nações de Futebol de Praia, cuja fase final vai ser de 21 a 28 de Outubro em Vilankulo, província de Inhambane.

Nesta prova, em que, na última edição, o conjunto moçambicano ficou na segunda posição, garantindo a qualificação pela primeira vez para o mundial de futebol de praia, Moçambique pretende fazer diferente.

Por seu turno, a equipa marroquina é a terceira classificada no último CAN. A selecção tem marcado presenças regulares em competições internacionais, fruto de um investimento robusto nesta modalidade.

Ainda que ciente das adversidades por que pode passar, o seleccionador nacional, Abineiro Ussaca, considera que, com muito trabalho, é possível conquistar a prova, até porque vai decorrer em solo pátrio.

Ainda no quadro dos três jogos frente a Marrocos, para o caso do combinado nacional, as partidas vão servir também de preparação para a Taça COSAFA, prova que terá lugar de 17 a 25 de Setembro, em Durban.

Moçambique vai tentar, nesta prova, repetir a proeza da edição passada, em que se sagrou campeão, num cenário em que partia com as credenciais bem reconhecidas, em face do brilharete no “africano”.

A selecção marroquina chegou a Moçambique na manhã desta segunda-feira. O regresso do conjunto do Norte de África está previsto para a tarde do dia 6 de Setembro.

Com vista a fazer boa figura nas duas competições em que Moçambique estará inserido, no caso o campeonato africano da modalidade e Taça COSAFA, o combinado nacional arrancou com a preparação há mais de dois meses. Com todos os jogadores convocados à sua disposição, na primeira fase de preparação, Abineiro Ussaca esboçou três unidades de treino por semana, plano que pode mudar nos próximos dias, em função das necessidades e especificidades desta fase.

Ussaca exige dos seus jogadores mais desempenho e concentração, na medida em que só com esses elementos é que se pode ter ideia do que ainda é preciso melhorar.

Em relação ao Campeonato Africano da modalidade, Ussaca diz que, depois do sorteio marcado para 10 de Setembro, em Vilankulo, o grupo de trabalho vai treinar em função da estratégia dos adversários. Nessa fase, o seleccionador nacional já terá ideia dos seus adversários, pelo que vai poder definir melhor as estratégias e o plano de jogo.

Moçambique, Senegal, Madagáscar, Marrocos, Egipto, Nigéria, Uganda e Malawi são as selecções qualificadas para o CAN de Outubro próximo. Senegal parte para esta competição com o estatuto de campeão em título, após vencer Moçambique na final da edição passada.

As associações provinciais de atletismo de Gaza, Cidade de Maputo e Cabo Delgado questionam a liderança de Kamal Badrú. Na Assembleia-geral Ordinária realizada no sábado, as três agremiações reprovaram o relatório de contas por acharem estar cheio de lacunas.

Kamal Badrú continua na berlinda. As associações provinciais, com destaque para as de Gaza e da Cidade de Maputo, questionam a sua liderança na Federação Moçambicana de Atletismo, facto que se evidenciou na Assembleia-geral Ordinária. As agremiações não só reprovaram o relatório de contas, como também questionaram o facto de, segundo eles, Kamal Badrú estar a dirigir a federação sozinho.

“Esse, para mim, não é um relatório de contas, mas sim um informe. Ou seja, é mais um documento”, disse o presidente da Associação Provincial de Atletismo de Gaza, Hermínio France.
Para ele, falta transparência na liderança de Kamal Badrú, daí que “reprovo esse relatório”.

Hermínio France questionou, também, a falta de comunicação entre a federação e as associações, facto que, segundo disse, impera no funcionamento normal das agremiações e contribuiu, negativamente, para o desenvolvimento da modalidade.

A discussão do relatório de contas acendeu acesos debates. Fenias Cutane, presidente da Associação de Atletismo da Cidade de Maputo, disse, também, que o relatório não espelha a realidade, razão pela qual não era passível de ser aprovado. Aliás, sugeriu que o mesmo não fosse objecto de debate, na medida em que, na sua óptica, o documento está cheio de incongruências.

“Nem deveríamos chamar esse documento de relatório de contas, pois disso não nada”, disse.
Em relação ao relatório apresentado por Kamal Badrú, Cutane disse ainda que “o presidente precisa de ser sério connosco, como associados. Não devemos brincar com o atletismo”, ressalvou.

Em nome dos clubes da Cidade de Maputo, tal como disse, Fenias Cutane questionou sobre o apoio que o Governo, através da Secretaria do Estado de Desporto, tem dado à federação, ao que Kamal Badrú respondeu que rondava aproximadamente os 500 mil Meticais.

“Essa informação deveria constar do relatório. Aqui não deve haver segredos, pois é nosso direito ter acesso ao que acontece na federação”, rebateu Cutane. Por seu turno, a Associação de Atletismo de Cabo Delgado mostrou-se avessa à liderança de Kamal Badrú. A agremiação entende que o dirigente máximo do organismo que rege o atletismo nacional “esqueceu” aquela província. Tal como disse o seu respectivo presidente, a sua agremiação não passa de mais uma instituição que funciona como se fosse uma ilha.

“Como se não bastasse, o presidente da federação diz que eu estou fora do mandato. Ou seja, não me reconhece como presidente da associação”, explicou. Para ele, não faz sentido que tal aconteça, pois foi eleito pelos clubes.

“Para vir à assembleia-geral, tive de usar os meus fundos, pois a federação não se pronunciou. Não acho justo que haja filhos e enteados na federação, visto que todos lutamos para o desenvolvimento do atletismo”, sublinhou.

Em relação ao relatório de contas, o presidente da mesa da assembleia sugeriu que o mesmo fosse melhorado, para depois ser analisado com propriedade. Chamou atenção ao facto de haver falta de comunicação entre a federação e os associados.

“O senhor Kamal Badrú deve passar a ser comunicativo. Qualquer acção que for a realizar deve informar às associações, pois tem muitos canais para tal”, aconselhou Geraldo Alberto.

 

SEIS ASSOCIAÇÕES QUEREM UM “IMPEACHMENT”

Recentemente, seis associações provinciais submeteram uma carta ao presidente da mesa da assembleia, na qual exigiam a destituição de Kamal Badrú da liderança da Federação Moçambicana de Atletismo.

Volvidas algumas semanas após a submissão do documento, a associação provincial de atletismo de Maputo, por sinal um dos subscritores, enviou um ofício à mesa da assembleia a reconsiderar a sua decisão.

Este facto suscitou vários debates entre os associados. “Não tenho dúvidas de que ele foi aliciado com valores monetários para mudar de opinião”, afirmou Hermínio France.

Na Assembleia-geral Ordinária de sábado, as associações subscritoras da carta voltaram a submeter o documento à mesa para ser analisado. O presidente da mesa, Geraldo Alberto, disse que o documento só poderia ser analisado com a aprovação de 2/3, segundo mandam os estatutos.

Sobre o assunto, ficou assente que o presidente da mesa iria analisar o documento e, caso seja pertinente, será convocada uma Assembleia-geral Extraordinária para se discutir o assunto. Assumindo-se como um dos subscritores, disse que é preciso imprimir mudanças na federação, pois, na sua óptica, a agremiação funciona como se fosse um clube de amigos.

Além do relatório de contas, a Assembleia-geral da Federação Moçambicana de Atletismo discutiu a calendarização das competições, faltando quatro meses para o término do mandato de Kamal Badrú.

A selecção nacional de futebol, Mambas, empatou, este sábado, com o Malawi, a uma bola, em jogo da primeira mão da última eliminatória de acesso ao CAN_interno Argélia 2023.

Nelson Divrassone colocou os Mambas em vantagem, aos 8′. Mas um erro de Ernani, Guarda_redes dos Mambas, permitiu aos malawianos empatarem aos 21′, por Chester.

Com este resultado, a eliminatória está em aberto. Um empate a zero ou vitória coloca os Mambas, oito anos depois, no CHAN. O jogo da segunda mão realiza-se no próximo domingo, dia 4 de Setembro, no Estádio Nacional do Zimpeto

O internacional basquetebolista moçambicano, Kendal “Kedinho” Alen Manuel, retirou-se aos 24 da modalidade que tanto ama. Efeito ricochete, Paulo “Potolas” Manuel, o pai, ainda tentou demover o base para continuar a brilhar nas quadras. Sem sucesso!

Foi anos a fio amigo das quadras, onde evidenciou o seu talento incomum com a bola nas mãos. Lançava, penetrava e organizava, com qualidade, o jogo das equipas que representou.

A sua estreia pela seleccão nacional, na segunda janela de qualificação ao Mundial de Basquetebol da China, em 2019, fez-nos aprender a apreciar o que havia de bom nele, que era bem maior do que o resto: talento nato.

Sempre com a “dorsal 2”, fez uma época extraordinária na França ao serviço do  Union Tarbes-Lourdes Pyrénées Basket, clube da “Nationale Masculine 1 ”, NM1.

Sustentado, claro está, com o estatuto de líder da equipa em termos de pontuação com média de 13,8 pontos por jogo (11,7 eficiência), seguido de Gaylor Lobela, francês de 26 anos e 2m06, com 12,4, e ainda 2,4 assistências.

Nem por isso motivo bastante para o comover a continuar a jogar basquetebol, modalidade que tanto deu, e que é uma marca da sua família!

Aos 24 anos, de forma precoce, Kendall Manuel diz adeus ao basquetebol! E o adeus, numa mensagem divulgada nas redes sociais, tem uma carga agridoce.

“Querido basquetebol, o meu muito obrigado! Este é um adeus muito difícil, mas a vida tem capítulos. Estou pronto para ver o que está reservado para o próximo capítulo. Para todos os que já me apoiaram e ajudaram a chegar a este ponto, eu só quero dizer obrigado por tudo. Aprecio muito”, escreveu Kendall Manuel na rede social Instagram.

É o fim de uma carreira promissora. É o ponto final de uma caminhada marcada por grandes exibições na NCA, EUA, onde representou  o Oregon State Beavers nas temporadas 2016–2017 (médias de 7, 8 pontos, 2,4 ressaltos e 1,6 assistências) em 32 jogos, e 2017–2018 (2,6 pontos, 1,2 ressaltos e 0,3 assistências) em 29 partidas e também o Montana Grizzlies na época 2019–2020 com médias de 15,1 pontos, 3,5 ressaltos e 1,3 assistências em 31 jogos.

O início de uma aventura pelo basquetebol profissional foi pela porta do ICG Forca Lleida da divisão 2 da Espanha, alcançando médias de 5,0 pontos e 1,0 assistências e ressaltos.

“Esta foi, realmente, uma jornada e estou muito agradecido por tudo o que esta bola redonda fez pela minha vida, mas o mais importante, sou grato por todas as pessoas incríveis que trouxe para minha vida. Estou feliz por poder ver que realizámos o sonho de seis anos de Kendal”.

 

NÚMEROS IMPRESSIONANTES NA FRANÇA

Em 18 jogos (média de 33,3 minutos por jogo) na “regular season” 2021–2022, Kendal Manuel apresenta uma média de 3,5 ressaltos, sendo superado por Luca Nikolic (7,4), Jonathan Jeanne (5,4), Anthony Prugnieres (5,1) e Gaylor Lobela (4,1).

Influente, o filho mais velho de “Potolas”, antigo praticante de basquetebol, apresenta uma média de 45,3% nos lançamentos de campo, 43,9% nos tiros exteriores e 69,0 % na linha de lances livres. É, de resto, o quarto jogador do Union Tarbes-Lourdes com melhor percentagem na linha de lances livres, depois de Luka Nicolic (85,4%), Kilian Incredule (83,3%) e Jonathan Jeanne (80,8%).

Kendal Manuel marcou mais de 10 pontos pela 15ª vez em 18 jogos na França – NM 1 esta temporada, em sete ocasiões em jogos em casa e oito fora.

O recorde de pontuação do craque é de 24 (pontos por jogo). Inspiradíssimo, “Kedinho” liderou com 24 pontos a sua equipa na vitória frente ao Angers por 95-70.

 

A PRIMEIRA VEZ NA SELECÇÃO NACIONAL

Há sempre uma primeira vez. E, a primeira aparição de Kendal Manuel na selecção nacional de basquetebol, foi precisamente em 2019 aquando da disputa da segunda janela de qualificação para o Mundial da China.

Feitas as contas, numa prova realizada no monstruoso pavilhão Marius Ndyeye, Kendal Manuel contabilizou 65 pontos em três partidas, obtendo média de 21,7 pontos/jogo, mesma marca que Jordan Nwora da Nigéria.

Os dados estatísticos indicam que Kendal Manuel foi mais eficiente que Robison Udoch, base do Uganda, que saiu desta competição com 18,3 pontos, e Ikechu Somtochukwu, extremo forte da Nigéria, com 17,8 pontos/jogo.

No duelo diante da Costa do Marfim, no qual Moçambique perdeu por 62-45, Kendal Manuel contabilizou 14 pontos em 23:19 minutos na quadra. O seu registo foi de 5/10 nos lançamentos de campo, portanto, 50% de aproveitamento.

Mas há mais que se diga dos seus “targets”: Kendal concretizou lançamentos livres (100 %) e 2/5 tiros exteriores (60 %) são outros dados de Kendal Manuel.

Naquela que foi a sua melhor exibição, Kedinho pulverizou o pavilhão Marius Ndyeye com 32 pontos em 37:12 minutos em campo, concretizando nove em 20 lançamentos de campo (45%), nove em nove lançamentos livres (100 %) e cinco em nove tiros exteriores (55,6 %). Insuficiente, porém, para evitar a derrota de Moçambique diante do Senegal, por 72-63.

Um dado a ter em conta: Kendal Manuel não falhou nenhum lançamento livre: 17 concretizados em 17 tentados.

Em termos de lançamentos de campo, Kedinho obteve uma média de 42,6 % e 38,5 % nos tiros exteriores. No que diz respeito às assistências, o seu registo foi de 1,7 por jogo e 4 ressaltos/jogo. Faltou sair com a aura de glória de Dakar, Senegal.

Chiquinho Conde diz que os Mambas estão em condições de se qualificarem para o CHAN. Para tal, diz que é preciso respeitar o adversário, mais concretamente o Malawi, equipa que vai defrontar este sábado.

Águas passadas não movem moinhos. Greve dos jogadores já é passado. Agora, o foco é o jogo deste sábado contra o Malawi, referente à primeira mão da segunda eliminatória de acesso ao CHAN, prova cuja fase final será na Argélia.

O seleccionador nacional, Chiquinho Conde, diz que é preciso encarar a partida contra o combinado malawiano com muita responsabilidade, tendo como um dos princípios fundamentais o respeito pelo adversário. Mas atenção: respeitar o adversário, na óptica de Chiquinho Conde, não significa necessariamente temê-lo.

“Estamos em condições de nos qualificarmos. Claro, dentro dos nossos princípios, que passam por acreditar no trabalho que temos feito”, disse Chiquinho Conde, para quem é necessário, também, transportar a alegria e vontade que todo o “staff” tem para dentro do campo.

Entende que, caso isso aconteça, os Mambas estarão próximos de garantir a qualificação, o que não acontece há nove anos.

O facto de os Mambas começarem a eliminatória fora – no terreno do Malawi, para depois fazerem o jogo da segunda mão em casa – não faz nenhuma diferença, atendendo que o combinado nacional vai encarar a eliminatória com a mesma responsabilidade.

“O melhor resultado que nós conseguimos foi fora, diante da Zâmbia. Pelo que, para nós, isso não é motivo de preocupação”, assegura Conde, que diz, porém, que o combinado continuará a usar o pressuposto segundo o qual se não dá para ganhar, também não dá para perder.

Por seu turno, Isac antevê um jogo difícil diante do Malawi. O avançado justifica com o facto de a selecção não ter muita informação sobre o seu adversário deste sábado.

“É verdade que não temos informações do nosso adversário, mas é preciso que, dentro daquilo que pretendemos, façamos o nosso trabalho como dever ser”, afirma Isac. O avançado moçambicano garantiu que todos estão focados para o jogo deste sábado, no qual a palavra de ordem é a vitória.

À semelhança de Chiquinho Conde, Isac acredita que os Mambas estão em condições de garantir a qualificação, o que, segundo ele, passa por encarar o jogo com muita responsabilidade e, acima de tudo, respeitar o adversário.

A partida entre o Malawi está marcada para este sábado, em Lilongwe. A segunda mão vai ser no Estádio Nacional do Zimpeto, a 4 de Setembro.

Para o jogo da segunda mão, a Federação Moçambicana de Futebol submeteu uma carta à Confederação Africana de Futebol a pedir que a presença do público mais uma vez.

O organismo que gere o futebol africano anuiu o pedido, permitindo apenas a presença de 25 mil espectadores, número superior em relação ao registado na partida contra a Zâmbia.

MEXER JÁ FOI ANUNCIADO NO ESTORIL

O internacional moçambicano Mexer foi anunciado esta quarta-feira como o mais recente reforço do Estoril Praia, depois de ter cumprido oito épocas na França ao serviço de Rennes e Bordéus.

Segundo o A Bola, o experiente defesa central de 33 anos, que contabiliza 55 jogos e três golos pela selecção de Moçambique, regressa, desta forma, a Portugal, onde representou Sporting, sem cumprir qualquer jogo oficial, Olhanense, por empréstimo dos leões, e Nacional da Madeira, até rumar à França.

Mexer rubricou um acordo válido por uma temporada, com mais uma de opção e constitui mais uma opção para a defesa estorilista, procurando convencer Nélson Veríssimo a garantir-lhe um lugar entre os titulares no eixo defensivo nas próximas jornadas da Liga.

Apesar de não ter vincado no Sporting, na sua primeira passagem por Portugal, Mexer foi um jogador bem referenciado no seio da crítica desportiva daquele país europeu.

Ao serviço do Nacional da Madeira juntamente com os outros internacionais moçambicanos Zainadine Jr e Reginaldo Faite, Mexer mostrou-se um defesa de muita classe, tendo, por isso, sido uma das peças-chave no eixo defensivo desta formação.

O mesmo aconteceu na sua passagem pelo Olhanense, equipa que militou o ex-internacional moçambicano Eduardo Jumisse, em que Mexer assinou boas prestações. Como fruto disso, muitos clubes interessaram-se pelo seu passe, tendo a sorte recaído ao Rennes da França.

A ida do internacional moçambicano ao Estoril é vista como uma janela de oportunidade para relançar a sua carreira, depois de uma passagem turbulenta pelo Bordeaux da França, equipa que, na presente temporada, vai disputar a segunda divisão.

Neste emblema, Mexer não teve muito espaço para jogar, facto que, a dada altura, concorreu para que o jogador de 33 anos de idade forçasse a sua saída. Ao serviço do Estoril, Mexer vai reencontrar-se na primeira liga portuguesa com os moçambicanos Zainadine Jr, Clésio Baúque (Marítimo) e Bruno Langa (Desportivo Chaves).

Atletas exigem a demissão do presidente da Federação Moçambicana de Atletismo (FMA), Kamal Badrú. Para forçá-lo a sair, um grupo de atletas amotinou-se defronte das instalações do órgão que tutela o atletismo nacional com dísticos empunhados e a marchar sobre a pista do Parque dos Continuadores.

Parecia estar tudo a postos para o arranque dos campeonatos nacionais de atletismo. Parecia, também, que as águas estavam brandas, até que um grupo de atletas decidiu organizar uma manifestação.

Mas antes recuemos a fita! Uma semana antes do arranque dos já anunciados “nacionais”, os atletas lançaram um aviso à navegação, a dizer que não participariam na prova. Eles exigem a demissão de Kamal Badrú e do seu respectivo elenco.

Para fazer eco à sua voz, os atletas lideraram uma manifestação no Parque dos Continuadores, como forma de pressionar Badrú a abandonar a federação, uma vez que entendem que ele não tem contribuído para o desenvolvimento da modalidade.

Entre outros “pecados” do timoneiro do organismo reitor do atletismo nacional está o facto de, segundo os atletas, não dar ouvidos aos verdadeiros fazedores do atletismo nacional, a falta de competições regulares, bem como a suposta gestão danosa.

A manifestação forçou o adiamento dos “nacionais” do atletismo, cujo arranque passa para a próxima segunda-feira, no Parque dos Continuadores. As delegações que farão parte do maior campeonato de atletismo no país já se encontram em Maputo.

Os atletas, não só exigem a saída de Kamal Badrú, assim como já têm um nome para o substituir. Consideram que Lurdes Mutola é a pessoa certa para dirigir o atletismo moçambicano, uma vez que tem enorme bagagem e é conhecedora da modalidade.

O porta-voz da Federação Moçambicana de Atletismo, Titos Mulinga, diz que, apesar da pressão que os atletas têm exercido, o elenco que dirige os destinos da modalidade no país não vai demitir-se.

POLÍCIA APAZIGUA A SITUAÇÃO

Para conter os ânimos dos manifestantes e permitir o arranque seguro dos “nacionais”, a Polícia da República de Moçambique (PRM) destacou um contingente para o Parque dos Continuadores.

Para além de exigir calma, a PRM apelou aos manifestantes para seguirem os procedimentos legais para transmitirem as suas preocupações.

Após o apelo, os atletas realizaram 30 voltas na pista do Parque dos Continuadores, como forma de registar o acto que para eles é um marco na história do atletismo nacional. Os “nacionais” de atletismo vão contar com a participação de 300 atletas, entre nacionais e estrangeiros.

O receio, neste momento, é que a Cidade de Maputo não participe na prova, tendo em conta que é uma das agremiações que têm, de forma aberta, questionado a liderança de Kamal Badrú.

A reivindicação dos atletas acontece numa altura em que faltam dois dias para a realização da Assembleia-geral Ordinária da Federação Moçambicana de Atletismo, encontro que, dentre vários assuntos arrolados, vai analisar o pedido de demissão de Kamal Badrú submetido por seis associações provinciais, tendo à cabeça a da Cidade de Maputo.

O director-nacional do Desporto de Alto Rendimento na Secretaria do Estado de Desporto, Francisco da Conceição, reuniu-se com os atletas com o objectivo de compreender o que, de facto, estava a acontecer. No encontro, Conceição garantiu aos atletas que o problema que se vive no atletismo seria ultrapassado.

“MALDIÇÃO DE ALBERTO LÁRIO”

A detenção e posterior deportação do treinador português Alberto Lário veio destapar o véu sobre o ambiente nebuloso que se vive no atletismo nacional.

Alberto Lário, treinador responsável pela captação de talentos no país, com destaque para Verónica José, disse, na altura, que tinha sido Kamal Badrú a denunciá-lo ao Serviço Nacional de Migração (SENAMI), pelo facto de ele permanecer no país de forma ilegal.

A troca de farpas entre os dois acendeu vários debates em muitos círculos de opinião, com muitos prós e contras. Alberto Lário acusou, na altura, Kamal Badrú de ser uma pessoa nociva à modalidade de atletismo, pois em nada contribuía para que se lograssem resultados satisfatórios.

“Um dia, vais sair da federação”, disse Alberto Lário na conta pessoal do “facebook”. A verdade é que, saindo ou não da federação e do atletismo, Kamal Badrú não tem tido momentos de paz, desde a detenção de Alberto Lário. Em conferência de Imprensa, Kamal Badrú garantiu que não tinha a ver com a detenção e posterior deportação de Alberto e que estava disposto a provar isso.

Depois da primeira manifestação levada a cabo pelos atletas e treinadores no dia em que o SENAMI anunciaria a deportação do técnico português, seis associações fizeram um abaixo-assinado, em que exigiam a saída de Kamal Badrú da Federação Moçambicana de Atletismo.

As seis associações entendem que o timoneiro da federação retarda o desenvolvimento da modalidade, assim como cria um ambiente turvo entre os seus fazedores.

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