O País – A verdade como notícia

Ivan Mazuze realiza, esta sexta-feira, um concerto online para celebrar o Dia Internacional do Jazz.

Em Noruega, onde vive Ivan Mazuze, o concerto principal será transmitido a partir da Sala Nacional de Jazz, na capital Oslo. Para esta celebração ao ritmo, o saxofonista moçambicano escolheu três músicos convidados, que vivem em Oslo, mas com origens culturais e musicais diferentes. Juntos, de acordo com uma nota de imprensa, o quarteto de Ivan e os músicos convidados vão mostrar que o jazz e o improviso comunicam através de culturas e destacam a fantástica diversidade que existe na música executada naquela cidade norueguesa.

Ivan Mazuze afirma que a melhor forma de comemorar o Dia do jazz é exaltar o género musical no palco. “Estou confiante que os tempos que vêm serão melhores. Não podemos ter presencialmente o público, mas precisamos de passar o nosso calor enquanto músicos. Acima de tudo, temos que marcar presença apesar da situação difícil que o mundo vive. Precisamos de celebrar o jazz, não importam as circunstâncias. É também uma forma de provar ao mundo que o jazz está presente”, lê-se na nota

Anualmente, para marcar o Dia Internacional do Jazz, várias organizações culturais realizam concertos e convidam, para celebração, músicos jovens e experientes. Este ano, não será diferente, embora em formato online devido à actual conjuntura imposta pela COVID-19.

O concerto desta sexta-feira será online e com transmissão ao vivo. Começa às 20h locais. Para aceder ao concerto, é disponibilizado um link após a compra do bilhete. Também é possível assistir através das plataformas Apple TV, Android TV, Amazon Fire TV ou Fire TV Stick, basta, para o efeito, obter, através do aplicativo Ticketco.

No concerto alusivo à data, está, no elenco, Ivan Mazuze – saxofone, Bjørn Vidar Solli – guitarra, Jens Fossum – baixo, Raciel Torres – bateria e conta com os convidados: Hanne Tveter – voz, Olga Konkova – piano, Sanskriti Shrestha – teclado.

O concerto vai realizar-se na Sala Nacional de Jazz, inaugurada a 23 de Abril de 2008, baseada nas novas instalações do Victoria. Aqui, o público do jazz do país tem um bom lugar para experimentar e descobrir música de alta qualidade. Victoria é um lugar histórico com uma arte retratada nas paredes. O local já foi palco de cinema, teatro e revista, mas, desde 2008, é uma casa permanente para a Sala Nacional de Jazz.

O Dia Internacional de Jazz é um evento anual da UNESCO, realizado pela primeira vez em Paris em 2011, liderado pela lenda do jazz Herbie Hancock.

O saxofonista e compositor moçambicano Ivan Mazuze tem exercido um papel importante em Noruega, por isso foi, recentemente, convidado e apontado como conselheiro administrativo para a conceituada sala de concertos na cidade de Oslo denominada Cosmopolite Scene. Pouco antes desta nomeação, também, foi indicado para o cargo de conselheiro nacional para o Fórum de Jazz em Noruega, o Riksscenen, que é a casa representante da música e dança folclórica nacional e internacional.

 

A iniciativa da Incubadora de Talentos da MultiChoice (MTF), acontece em parceria com o cineasta Licínio Azevedo, entre os dias 17 e 28 de Maio, na Cidade de Maputo. A Masterclass de Criação de Roteiros tem o objectivo de contribuir para a melhoria de competências dos profissionais da indústria do cinema e da televisão.

A Masterclass de Criação de Roteiros constitui a segunda fase do grande projecto da Incubadora e consistirá em lições interactivas, ministradas por profissionais na área do cinema, sendo que o período entre os dias 20 e 26 de Maio será dedicado à elaboração individual do roteiro, a partir de casa, e o respectivo envio.

De acordo com o Director-Geral da MultiChoice Moçambique, Agnelo Laice, citado na nota de imprensa, esta é uma iniciativa enquadrada no contexto do reconhecimento da MultiChoice Moçambique do papel crítico que o seu negócio desempenha no crescimento das indústrias cinematográficas e criativas do continente africano: “É por esta razão que decidimos, orgulhosamente, realizar a Masterclass de Criação de Roteiros com o cineasta Licínio Azevedo”, frisou.

Não obstante, a colaboração com Azevedo visa enriquecer ainda mais a base de conhecimentos de criativos emergentes e profissionais experientes, através de uma aprendizagem baseada na técnica e no desempenho. A Masterclass irá mergulhar em elementos cruciais, segundo a organização, incluindo a teoria cinematográfica básica, desenvolvimento de roteiros, apresentação de personagens, bem como pitching, com exemplos de filmes premiados.

Licínio Azevedo considera a parceria com a Incubadora de Talentos da MultiChoice como uma oportunidade para partilhar conhecimentos e experiências de criação de roteiros com indivíduos que já são ricos em termos de narração de histórias e talento de desempenho em Moçambique. “Esta colaboração com a Incubadora de Talentos da MultiChoice é a prova inequívoca de que a MultiChoice Moçambique está empenhada em contribuir para a indústria criativa local para a futura produção de conteúdos locais que espero ver nas plataformas DStv e GOtv, bem como nas emissoras nacionais”, realçou o cineasta e roteirista.

Desde a introdução de Masterclasses, em 2018, a Incubadora tem oferecido algumas das formações mais procuradas, facilitadas por especialistas em cinema e televisão, incluindo o famoso cineasta nigeriano Tunde Kelani e o veterano produtor queniano Appie Matere, com parceiros mundiais notáveis, como a New York Film Academy (NYFA), Dolby, CBS Justice Africa, AMDA e a London Film School (LFS).

A Incubadora de Talentos da MultiChoice é um programa de formação a vários níveis (Academias, Masterclasses & Portal), concebido pela MultiChoice Africa para produzir um impacto positivo na cadeia de valor técnico e profissional da indústria cinematográfica e televisiva em todo o continente. Sendo uma empresa originária do continente africano, a MultiChoice tem um compromisso a longo prazo de fazer diferença socioeconómica nos países onde opera, desempenhando um papel positivo no crescimento das indústrias criativas do continente.

Performance de dança de Lulu Sala tem 20 minutos de duração e será apresentada ao público via online, esta sexta-feira, pelo Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM).

A propósito do Dia Mundial da Dança que se celebra a 29 de Abril de cada ano, Lulu Sala preparou uma performance que, na verdade, estará disponível para o público visualizar no Dia Mundial do Jazz, ou seja, sexta-feira, às 18h30, na página Facebook e no canal YouTube do Centro Cultural Franco-Moçambicano.

Intitulada Motus corporis, a performance de dança de Lulu Sala, com o videógrafo Ivan Barros, reflecte um conjunto de experiências acumuladas pelo bailarino ao longo dos anos. Igualmente, a peça em construção é uma espécie de um sonho do bailarino, que recorre à arte de palco para partilhar vários estilos de dança que tem aprendendo. Trata-se de uma viagem num sonho que envolve vários ritmos, como Hip-Hop, as danças tradicionais moçambicanas e as danças latinas.

Ora, na performance está um bailarino visto de ângulos diferentes. Talvez, por isso, foi difícil preparar a peça com 20 minutos de duração. “A questão do distanciamento complicou muito, até porque estivemos a trabalhar num período em que as coisas estavam suspensas. Mas contei com uma excelente equipa de trabalho”.

Depois da apresentação ao público, esta sexta-feira, Lulu Sala voltará ao trabalho, pois o seu objectivo também é trabalhar numa versão mais longa de Motus corporis, que deverá ser apresentada ainda este ano, nas salas de cinema.

Nesta quarta-feira, Lulu Sala disse ainda que a reabertura dos centros culturais veio em boa hora, pois os artistas, em geral, e os bailarinos, em particular, passaram por momentos difíceis enquanto estiveram confinados. “O confinamento deu-nos cabo em termos financeiros e no sentido de que vimos viagens e trocas de experiências canceladas. Então, este 29 de Abril é um momento de celebrar a vida”.

Por: Eunice Moreira

 

– leva-me a casa,

– casa ?

– sim, casa. A casa que não é um espaço físico, fechado, com quatro paredes e um tecto, mas de um lugar vasto e extenso.

leva-me a casa, preciso voltar para aquele lugar que posso chamar de meu, A casa que não é um espaço físico, fechado, com quatro paredes e um tecto, mas um lugar vasto e extenso, onde a terra é fértil e produtiva. Deixa-me sentir inteira, pisando sobre as minhas raízes outra vez.

Preciso voltar para confirmar se o que dizem é verdade, que agora está uma bela cidade. Andar pelas ruas sem pressa, da Expansão ao Waresta, enquanto aprecio aquelas lindas donzelas com missangas em suas cinturas.

Quero acordar como sempre foi, ouvindo a voz daquela mãe que passa às 5 horas com o seu bebé no colo, gritando “couve, alface, nheué”, ai que saudades…

E por falar em saudades, lembrei-me da caracata, do gosto sem gosto que enche a nossa pança, acompanhada de uma cafrial bem fumada.

Desejo sentir o medo do famoso bairro de Namicopo, andar com pressa com o celular no peito, rodeada dos moto-táxis, aqueles que fazem confusão em tempo de eleição, que andam descamisados dirigindo com apenas uma mão, levantando os pneus.

Preciso ver as mulheres do semáforo que julgadas são e não encontram espaço nessa sociedade dos que se dizem humanos, mas será que não são o contrário?

Leva-me a casa, mas me segura quando me ver a chorar. Não sei se consigo ver que ainda existem crianças nas ruas se marginalizando, pessoas sentadas nas portas dos supermercados à espera de um trocado para se alimentar, outros pedindo esmola às sextas-feiras, mulheres dando parto no corredor do hospital por falta de refresco para dar. Ah, como dói….

Leva-me a casa. Não posso ficar aqui sabendo que existe um lugar esperando por mim. Lá onde as mulheres crescem aprendendo como cuidar dos seus maridos, onde os homens só são homens depois de um mês num esconderijo. E como é lindo o som do batuque nos nossos ouvidos, enquanto as capulanas são amaradas, a cabanga fervendo e a comida sendo servida. Sem me esquecer da nossa tradição, antes de qualquer coisa, farinha na mão despejando de vagarzinho ao chão, enquanto vamos pedindo em oração para que os nossos antepassados nos dêem a direcção.

Lá em minha casa, quando anoitece, os jovens não sentem, continuam na rua até alta noite, jogando conversa fora. As meninas que não se atrevam a ir a cavalaria de roupa curta, podem ser despidas. Se fores magrinha, chamam-te ponta fina e se fores o contrário não poupam ao chamar-te 4X4.

E não é só isso que me faz querer ir para casa, é querer me sentir livre, meditando nas montanhas do Muhala-Expansão, é saber que ainda seguimos os mitos: “não se pede sal à noite”, “não se tira lixo à noite”, “se me saltares não volto a crescer”, tudo o que acontece connosco de ruim é feitiçaria, nunca tem sido o destino (risos). Isso é que me fascina, olhar para essas histórias todas e permanecer tranquila.

Para mim, estar ausente me dá muita pena, pois voltar para casa será sempre como a primeira vez. Deixe-me voltar antes que a saudade volte a bater.

 

 

 

 

 

 

Por: José Paulo Pinto Lobo

 

O meu pai tinha como horário de entrada numa empresa de despachantes oficiais sita no Bairro Central, as 7h,30m da manhã. Um dia, em Novembro de 2015 ou 2016, estando de férias em Maputo, combinei ir com ele ao escritório. Estava a tomar o meu matabicho quando me disse:

– Despacha-te porque não quero chegar atrasado.

– Mas pai, são ainda 6h,55m e não levaremos mais de 15m a chegar ao seu local de trabalho. Não entra às 7h,30m?

– Não, 7h,30m é a hora do início do trabalho e não de entrada ao serviço!

Engoli tudo à pressa e lá fui com ele, felizmente deslocando-nos de carro. Porquê felizmente? Porquanto o meu pai fazia questão durante vários anos, apesar dos seus 80 verões, de palmilhar os 3 ou 4 km que distavam de sua casa ao escritório, para admiração de muitos dos transeuntes. Eu que não tinha a pedalada nem a tarimba dele, eximi-me sempre que pude de tal proeza.

Por outro lado, também sabia que nessas deambulações pedestres ele se tinha desgostado com o estado calamitoso em que a sua cidade se encontrava, com passeios mal cuidados e ocupados por vendedores informais, as suas árvores transformadas em mictórios, o desrespeito dos condutores pelas passadeiras, a condução perigosa das carrinhas chapa-cem, bem como a proliferação de pedintes, molwenes e outros de idade avançada, algo inusitado dado o respeito que os velhos mereciam na nossa sociedade, em tempos pretéritos.

A propósito dos chapas-cem, a saída de casa dos meus pais é uma verdadeira aventura. Para conseguir entrar na rua driblando as viaturas que circulam em dupla ou tripla fila, a alta velocidade e com ultrapassagens até pelos passeios, só um Lewis Hamilton ou um meio tresloucado Vettel para conseguir tal proeza épica. Os pneus até chiam! E, em simultâneo, convém rezar para que não falhe uma mudança e fiquemos empandeirados no meio da estrada…

Isto quando não temos de ficar minutos intermináveis à espera que passem as várias comitivas de responsáveis por alguma coisa, com os seus batedores e sirenes ensurdecedoras.

Entretanto, fomos afortunados e chegámos mais de 15 minutos antes da hora e, como é óbvio, não estava mais ninguém no escritório para além dos guardas. Para minha surpresa dirige-se para um edifício que não era aquele onde tem o seu gabinete, pede que lhe abram a porta e desata a ligar todas as máquinas, de fotocópias, fax e de café.

– Pai, o que está a fazer? Essa tarefa certamente que não é sua!

Respondeu tranquilamente:

– Agora já sabes por que chego cedo. Para além de querer estar no meu posto de trabalho à hora certa, assim evito que o pessoal perca ainda mais tempo do que habitualmente. Em todos os locais onde trabalhei agi sempre desta forma.

– Mas tu não és chefe deles!

– Não interessa, qualquer trabalhador, seja ou não dirigente, deve zelar para que os horários sejam escrupulosamente cumpridos e pela produtividade na sua empresa. Temos de dar o exemplo. Já se perde muito tempo a contar as novidades da noite anterior, a tomar café ou a discutir futebol e outros assuntos sem qualquer importância, para além das passeatas pelos gabinetes e galanteios às meninas.

Devia ter muitos amigos entre os colegas…

PS: Como o meu pai nunca assediou colega alguma, uma das damas do serviço, curiosa ou expectante, inquiriu um outro colega amigo dele, sobre se o Sr. Pinto Lobo ainda funcionava…

A propósito de visitas aos gabinetes e desempenho masculino, lembrei-me de uma situação em Maputo, em que uma dona alegou que queria o divórcio porque o marido não a frequentava! Acham estranho? O dito cônjuge revelava falta de assiduidade, logo haveria direito a despedimento com justa causa, o que é lógico, não é?

 

 

A voz do cárcere, de Paulina Chiziane e Dionísio Bahule, será lançado sexta-feira, às 15h, no Hotel Glória, na Cidade de Maputo. O livro é um exercício sobre histórias recolhidas nas prisões nacionais.

 A voz do cárcere gira à volta da população reclusa. Antes de ser escrito a quatro mãos, Paulina Chiziane e Dionísio Bahule ouviram mulheres e homens que fizeram declarações profundas e dolorosas. “Muitas vezes falamos de violência doméstica com exemplos imaginários. Poucas vezes falamos de violência com exemplos concretos. Este livro dá-nos essa visão real do nosso quotidiano”, disse Paulina Chiziane, para quem o livro são muitas coisas. “Não é apenas meu e do Dionísio, é nosso. O livro é uma criação conjunta entre escritores e proponentes da obra, o SERNAP”.

A voz do cárcere, com efeito, retrata questões ligadas à justiça, às crianças que crescem sem ter quem cuidar delas, e mergulha no universo criminal, explorando tipos de delitos cometidos em certas regiões, consoante as idades e o sexo. “A prisão é um mundo dentro de outro mundo que necessitamos compreender. O planeta terra está representado nas nossas prisões”, comentou Paulina Chiziane.

Com 475 páginas, A voz do cárcere, editado pela TPC, foi escrito em mais ou menos sete meses, desde Setembro do ano passado. Não foi fácil, advertiu Bahule: “Foi intenso entrar na prisão e ter de nos deter no rosto de cada um, enquanto falavam. Devo confessar que tivemos de recusar uma lágrima porque ouvimos histórias dolorosas, sofridas”.

Estar com a Paulina Chiziane na escrita de um livro foi, para Dionísio Bahule, uma experiência de passagem de testemunho. “Ser escritor não é apenas ouvir, mas traduzir-se para o lugar do outro, o que nos tornou seres das próprias histórias. E doeu perceber que dentro deste mundo existe outro que ignoramos todos os dias. Escrever a quatro mãos foi uma novela sem fim. O livro é híbrido, científico e ficcional no sentido de que nos apropriamos do verbo para contar a história do outro. Foi um processo de tortura e que nos esgotou, por encarnarmos a dor do sujeito subalternizado pela sociedade”.

Portanto, tendo como proponente o Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP), A voz do cárcere é uma conjugação entre a literatura, a sociologia, a psicologia e a antropologia. Neste contexto, concluíram os autores, estar no cárcere é uma forma de espiar os pecados e os erros da humanidade. Assim, a prisão é um espaço da catarse e o livro um projecto de educação.

A emoção no seio da classe é, segundo os actores da cidade de Maputo ouvidos pelo jornal “O País”, um alívio, pois o anúncio do Chefe de Estado, há muito era esperado pelos fazedores de teatro.

Segundo Dadivo José, diferente do que o público pode estar a pensar, não é apenas o dinheiro que interessa à classe artística neste retorno aos palcos. A causa é mais profunda e tem a ver com o sentimento artístico.

“Havia alguma ociosidade por parte dos artistas, por causa da ideia de ficarmos quase um ano sem estarmos no palco e fazermos o que tanto gostamos. Ficávamos com tédio e era muito chato termos ideias e não podermos materializar da forma como sabemos – encenar”.

O actor foi mais longe e disse que a decisão tardou, mas o importante, agora, “é correr atrás do tempo perdido e começar a trabalhar, sem se esquecer da responsabilidade que os artistas têm de ensinar ao público as boas práticas”.

Apesar de abertos os palcos, Dadivo José é, também, cauteloso ao afirmar que, “apesar de termos a liberdade, temos de pensar e saber como usar a liberdade”.

Foi com muito regozijo que Rafael Vilanculos, produtor do Festival de Teatro de Inverno (FITI), recebeu a notícia da abertura do teatro.

O evento que dirige tem o início já marcado para a próxima sexta-feira, com a duração de dois meses. Vilanculos contou que os preparativos do evento foram ao detalhe e com a “boa nova” tudo vai encaixar-se.

Agora, com a abertura dos palcos, o evento vai tomar uma nova roupagem – será presencial e online, mudando, assim, positivamente, o roteiro do evento.

“Não sabíamos o que ia acontecer, em relação à abertura das salas de teatro, ainda que com uma capacidade reduzida, é uma forma de dizer às pessoas que já podemos voltar ao teatro”, referiu Rafael Vilanculos.

Vilanculos, convicto, afirmou que o feeling nos actores e a vontade de ensaiar renasceram, por isso, em breve, novas agendas de espetáculos serão desenhadas.

Angustias à parte, Rafael conta que, com a pandemia, os artistas aprenderam a reinventar-se no que tange à necessidade de usar as ferramentas digitais para salvaguardar e expandir as artes.

A propósito, este é um dos temas a serem debatidos no FITI. A conversa vai girar em torno do dilema da sobrevivência do teatro em tempos da COVID-19.

“Mesmo quando tivermos as salas cheias, iremos continuar com as transmissões online, porque, através das plataformas, pode-se assistir em todo o mundo”.

Os artistas alertam ainda a necessidade de não correr “com muita sede ao pote”, justificando que é preciso que se tenha a calma. A ideia é conciliar as expectativas dos artistas e do público.

“Boa parte do público ficou sem poder de compra, para além de que é preciso realimentá-lo o gosto pelo teatro”, consideram os artistas.

Como se gritasse por socorro, no Cinema Gil Vicente, as cadeiras estão empoeiradas. O palco, até anteontem, estava vazio, com um e outro móvel estragado. É um cenário que pode mudar num “piscar de olho” e a solução são os espetáculos.

Da pele do rosto a coisa do tempo, de Guita Jr., encontra-se na fase final do Prémio Literário Glória de Sant’Anna, cujo vencedor será anunciado dia 12 de Maio.

 O título do livro que leva Francisco Guita Jr. à final do Prémio Literário Glória de Sant’Anna é Da pele do rosto a coisa do tempo. Essencialmente, a obra literária é composta por dois cadernos. Primeiro, “Da pele do rosto”, escrito num período em que o poeta tinha a sensação de já ter dito tudo que tinha para dizer. “Mas fui, sem pretensão alguma, apontando aqui e ali frases soltas, pensamentos, ideias. Um dia reuni esses retalhos e disso resultaram as 30 quadras que compõem esse livro”.

Quanto à escrita do segundo caderno do livro, “A coisa do tempo”, o processo foi diferente porque, em termos de forma, o poeta voltou ao formato do seu primeiro livro, que consistiu em escrever poemas soltos, título e corpo, o que considera “poemas individuais”, o convencional. Com excepção de um ou outro texto, os poemas que compõem “A coisa do tempo” são de há dois anos a esta parte. “Então reuni ambos livros e disso resultou o presente volume, que é uma edição da parceria entre a editora angolana Kacimbo e a nossa Ethale [Publishing]”.

Na final desta nona edição do Prémio Glória de Sant’Anna, Da pele do rosto a coisa do tempo, prefaciado por Luís Carlos Patraquim, concorre com mais sete livros. Por exemplo, Regresso a casa, de José Luís Peixoto; roupão azul, de Ana Paula Jardim; e Para não dizer que não falei dos equinócios, de Maria José Quintela. Estar nesse curta lista, obviamente, é agradável para o fundador do Caderno Literário Xiphefu (1987). “Isso já por si é um prémio. É uma forma de crítica/avaliação (que tanto falta à nossa literatura) à obra. Diria que encoraja a seguir o caminho a que me propus. Porque requer, de facto, coragem”. Por isso, o que mais o poeta pode esperar? “Mais nada senão que haja mais leitores interessados em ler o livro. Publica-se para que se leia, não é verdade?”. E a pergunta fica no ar.

Ora, esta não é a primeira vez que a poesia moçambicana está representada na fase final do Prémio Glória de Sant’Anna. Segundo julga Guita Jr., isso é sinal de que a produção literária, no caso a poesia nacional, continua a ter qualidade que sempre teve, desde os seus percursores. E o poeta lembra: “Moçambique foi sempre considerado um país de poetas e é bom que assim continue! A poesia não salva o mundo mas, se for útil, ajuda as pessoas a serem pessoas melhores”.

O grande vencedor desta edição do Prémio Glória de Sant’Anna, que tem como um dos membros do júri Ana Mafalda Leite, será anunciado dia 12 de Maio, no site do concurso literário. Portanto, o vencedor será distinguido com 3 mil euros, cerca de 200 mil meticais.

 

O POETA DO XIPHEFO

Francisco Guita Jr. nasceu em Inhambane, em 1964 Inicia a sua actividade literária no Xiphefo, Caderno Literário, em 1987, do qual é membro fundador. Estreia-se em 1997 com o livro de poesia O agora e o depois das coisas (AEMO – Associação dos Escritores Moçambicanos). Em 2000, publica Da vontade e de partir (Prémio FUNDAC – Rui de Noronha, 1999) e Rescaldo (1.º Prémio de Poesia TDM – Telecomunicações de Moçambique, 2001) pela editorial Ndjira. Lança em Portugal e Moçambique, em 2006, Os Aromas Essenciais pela Editorial Caminho e Ndjira, e Los Aromas Essenciales em 2010, pela Ediciones Baile de Sol, Islas Canárias.

No Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, livreiros defenderam, na Cidade de Maputo, que é falsa a afirmação de que as pessoas lêem ou não lêem pouco porque o livro é caro. Segundo entendem, os potenciais leitores têm outras prioridades, que não cruzam com a leitura.

As livrarias têm livros para todos os bolsos. E a leitura é importante porque amplia saberes em todos os sentidos. No entanto, tem-se dito que o livro é caro. Os livreiros da Cidade de Maputo discordam. “Se nós estamos preocupados por alguma coisa, fazemos sacrifícios para a obter. Com o livro não é diferente. Só é uma excepção quando não estamos interessados. Se olharmos para os nossos jovens, podemos ver que têm celulares muito mais caros do que um livro, mas, porque estão interessados no celular, conseguem comprar”, explicou o livreiro Laurentino, da Mabuko.
No Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, os livreiros da Mabuko, Escolar Editora e Paulinas abriram as portas das livrarias para defender que, na verdade, o problema não é o preço do livro, mas a diminuição do interesse pela leitura.
Além disso, desde que as restrições de mobilidade iniciaram em Moçambique, a procura pelo livro também abrandou significativamente. “Quando a escola abre, notamos alguma diferença, porque a procura pelo livro é notável”, disse Jonathan Diamante, da Livraria Escolar.

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